Archives for posts with tag: Convento de S. Domingos

No dia 5 de Novembro de 1834, um violento incêndio destruiu 500 moradias. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954 e SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Volume 3, 1995 e Volume II, 2015)

Nas efemérides publicadas em 1908 no «The Directory & Chronicle for China, Japan…», periódico editado anualmente em Hong Kong, menciona este incêndio “Great Fire in Macao…”, datando-o a 12 de Novembro de 1834. A. Marques Pereira não menciona este acontecimento nas suas “Ephemerides Commemorativas da História de Macau”

Relembro que o Serviço de Incêndios de Macau, de modo informal existe desde 1851 e só em 2 de Maio de 1883 foi criado o primeiro «Regulamento dos Serviços de Incêndio de Macau» Até esta data, os incêndios eram debelados pelos próprios moradores, bem como pelo pessoal das fábricas e das lojas. O «Regulamento dos Serviços de Incêndio», publicado no Boletim Oficial de 10 de Agosto de 1883, conferiu ao serviço um carácter oficial, regular e organizado: constituído por um efetivo de 60 pessoas, instalados no antigo Convento de S. Domingos. Em 1914, passou a integrar a Direção das Obras Públicas. No ano seguinte, há lugar a nova reorganização e os serviços de incêndio passam a ser coordenados pelo Major de Infantaria, João Carlos Craveiro Lopes. Em 1916, já existiam três estações em Macau. A Taipa e Coloane tinham também os seus próprios postos de incêndio.(FARIA, Alice Santiago – Corpo de Bombeiros https://hpip.org/pt/heritage/details/2238

Ver anteriores postagens sobre incêndios em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/incendios/

Extraído de «B.G.P. de M.T.e S., Vol II-N.º 11.

O mesmo incêndio foi relatado por outras fontes, já anteriormente publicados neste blogue:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/04/noticia-de-4-de-janeiro-de-1856-grande-incendio-do-bazar-chinez-em-macau
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/04/noticia-de-4-de-janeiro-de-1856/

Certidão de D. Sebastião Lobo da Silveira, (1) datada de 10 de Novembro de 1643, sobre a insubordinação / revolta dos soldados e a ajuda dos jesuítas:
“Lavrou a tal ponto a insubordinação e a revolta que os soldados do presídio desamparam S. Paulo. Os jesuítas saem do Colégio anexo à Fortaleza de S. Paulo, acorrem a ela e colocam-se ao lado do Capitão e ali conservam a pé firme dias e noites.
Silveira confessa que teve sempre os jesuítas a seu lado, “em particular neste último tempo que os soldados do presídio fugiram e largaram as forças (fortalezas) aleivosamente por maus conselhos dos religiosos dos três conventos, de S. Francisco, S. Agostinho e S. Domingos e de alguns seculares, que a seu tempo saberá
Achando-me só em grande aperto, me vali dos ditos Reverendos Padres da Companhia, os quais achei com particular vontade e verdadeiro ânimo para se empregarem com pessoas, vidas  e fazendas no serviço del-rei D. João IV, Nosso Senhor, acompanhando-me  de dia e de noite  neste Forte de S. Paulo, em que resido, e com sua indústria e diligência fizeram com alguns cidadãos dos principais da terra que tivessem particular cuidado de me assistirem» (2)
(1) Segundo Padre Teixeira, o capitão-geral D Sebastião Lobo da Silveira (1638-1644) não era boa peça. Essa insubordinação e revolta dos soldados deveu-se às despesas extraordinárias com a aclamação de D. João IV em 1642; para compensar, lançou mão dos soldos do presídio, que montavam a 1200 patacas mensais. Os soldados, vendo-se sem dinheiro, abandonaram os seus portos, deixando indefesas as fortalezas e revoltaram-se.(2)
Quando foi substituído em 1644 por Luís Carvalho de Sousa, o Senado da Cidade requereu ao novo governador a ao Governador do Bispado,  Padre Manuel Fernandes, a prisão de Sebastião Lobo d Silveira, por este ter sido a favor dos Espanhóis após a declaração de independência de 1640.
Dom Sebastião Lobo da Silveira saiu de Macau em 1644 e em 1647 foi embarcado em Goa rumo à Metrópole para aí ser julgado, no entanto o navio em que seguia veio a naufragar na costa do Natal. Os náufragos conseguiram passar para outro navio e seguiram para Moçambique, mas como Lobo Silveira era muito gordo, não conseguiu fazer o mesmo, deixaram-no e ele ali terá morrido.
No livro “Relaçam do naufragio que fizeram as naos Sacramento e nossa Senhora da Atalaia … de que era Capitão mór Luis de Miranda Henriques, na [sic] anno de 1647, etc”,  (3)
D Sebastião Lobo da Silveira, era assim descrito na p. 20:
D. Sebastião Lobo da Silveira era tão incapaz para marchar por ser muito pesado de gordura, e outros achaques, que lhe impediao andar poucos passos por seu pé, pelo que pediu aos grumetes, e officiaes, que o conduzissem, e por via do seu irmão D. Duarte Lobo, que de todos era bem quisto, se veio a concertar, que o acarretariao em huma rede, que se fez de linhas de pescar, dando a cada grumete oitocentos xerafins, a que se obrigou D. Duarte Lobo, e elle deu penhores de ouro…”
E sua morte assim relatado nas pp. 22-23:
(2) TEIXEIRA, Monsenhor Manuel – IV Centenário dos Dominicanos em Macau 1587-1987. Fundação Macau, 1987, 50 p.
(3) Consultável em:
https://books.google.pt/books?id=of9lAAAAcAAJ

O novo governador, José Maria da Ponte e Horta (1) que tomou posse a 26 de Outubro de 1866 substituindo o anterior, José Rodrigues Coelho do Amaral, visitou os estabelecimentos públicos do território, na semana de 5 a 9 de Novembro de 1866, conforme notícia publicada no Boletim do Governo de Macau (2)
Visitou no dia 5 de Novembro, o palácio episcopal e o “asylo” dos pobres; no dia 6, a Nova Escola Macaense, o Seminário Diocesano e o Colégio da Imaculada Conceição; no dia 8, a Repartição dos incêndios e os quartéis de polícia de mar e terra; e no dia 9, o Mosteiro de Santa Clara.
Em relação aos estabelecimentos visitados e durante o curto mandato deste governador foram emitidos os seguintes despachos: (3)
Nova Escola Macaense: o governador nomeou em 26 de Novembro de 1866, uma comissão composta por Francisco de Assis e Fernandes, presidente; cónego António Marai de Vasconcelos, secretário; João Eduardo Scarnichia, Gregório José Rodrigues e Francisco Joaquim Marques para elaborar um projecto de Regulamento para a Nova Escola Macaense. Infelizmente por falta de meios para a sustentar a Nova Escola Macaense foi encerrada a 21 de Outubro de 1867.
Seminário Diocesano: foi autorizada por Portaria Régia de 21 de Abril de 1868, a fundação duma escola de português para chineses, paga pelo cofre do Seminário Diocesano e superintendida pelo reitor do mesmo.
Colégio da Imaculada Conceição: pela Portaria Provincial n.º 1 de 7 de Janeiro de 1868, foi permitido ao Colégio da Imaculada Conceição continuar aberto enquanto os seus meios o viabilizarem, regendo-se, nesse caso, pelos estatutos que datava de 26 de Dezembro de 1863.
Repartição dos incêndios: em 18 de Março de 1867, foram aprovados provisoriamente, por Portaria Régia, algumas providências do governo de Macau sobre o serviço de incêndios.
Quartéis de polícia de mar e terra: o Batalhão de Macau tomou posse a 30 de Dezembro de 1866 do seu novo quartel construído no lugar do antigo Convento de S. Francisco (desenho e sob a direcção do antigo governador Coelho do Amaral); o Corpo de Polícia de Macau foi, por Portaria de 18 de Outubro de 1867, mandado instalar no Convento de S. Domingos.
(1) José Maria da Ponte e Horta (1824- 1892) foi nomeado governador de Macau em 17-07-1866 (Decreto Régio da mesma data em que é exonerado o governador Coelho do Amaral) e chega a Macau, vindo de Hong Kong a bordo da canhoneira «Camões» em 26 de Outubro de 1866. Acumulou o cargo de enviado extraordinário e ministro plenipotenciário junto dos imperadores da China e Japão e rei do Sião sendo condecorado, a 16-12-1867, por este último com a insígnia do “Elefante Branco.” Por Decreto Régio de 16-05-1868, é exonerado, a seu pedido, e sido substituído pelo Vice-Almirante António Sérgio de Sousa que só chegou a Macau a 1-08-1868 e tomado posse a 3 de Agosto de 1868. Ponte e Horta partiu para Hong Kong a 6 de Agosto de 1868, no «White-Cloud» e dali para a Europa, a 7 no «Malaca».
Foi depois nomeado governador de Cabo Verde em Fevereiro de 1870 e governador de Angola entre 1870 e 1873.
(TEIXEIRA, Padre Manuel – Toponímia de Macau, Volume II, 1997)
Outras referências anteriores deste governador neste blogue:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-maria-da-ponte-e-horta/
(2) Do «Boletim do Governo de Macau» XII-46 de 12/Novembro /1866 p. 188.
Por Decreto de 26 de Novembro de 1866, a cidade de Macau e o território português da  Ilha de Timor passaram a constituir uma só província denominada de «Província de Macau e Timor». Os Boletins no entanto, só passaram a serem designados: «Boletim da Província de Macau e Timor» a partir do ano XIII, n.º 7 de 18 de Fevereiro de 1967.
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, 1995.
NOTA: O «Diário Illustrado» de 17 de Março de 1892, aquando do falecimento deste governador, a 9 de Março, vítima de uma “paralysia”, referia o seguinte:
O finado era cavalheiro muito conhecido em Lisboa pela sua vasta erudição de que falam bem alto os muitos trabalhos literários e scientíficos que deixou.
“Matemático distincto, regia na escola polytecnica de Lisboa a quarta cadeira d´esta sciencia.
Desde 1880 que tinha assento na camara dos pares, onde a sua voz, por vezes, se fez ouvir. Era actualmente vice-presidente da academia real das sciencias, onde fez varias conferencias, sendo umas das mais notáveis a que teve por titulo ”Conferência acerca dos infinitamente pequenos (publicado em livro em 1884). Era general de divisão reformado e condecorado com várias ordens militares …”
Em Macau, ficou a recordá-lo na toponímia, a Praça de Ponte e Horta – 柯邦迪前地 (nome oficial) mas mais conhecido em Macau por 司打口 –.“Si Tá Hau”, (4) situada entre as Rua das Lorchas, do Bocage e do Tesouro, (data de 1867, os últimos aterros que iam das Portas do Cerco até à Barra, nomeadamente o aterro dos canais que existiam nessa zona) local onde havia um Porto-cais de Colecta de Impostos a todos os produtos importados, alguns exclusivos para a importação do ópio (e onde estava a “Fábrica do Ópio”)
(4) 柯邦迪前地 – mandarim pīnyīn: kē bāng dí qián dì; cantonense jyutping: o1 bong1 dik6 cin4 deng6.
司打口mandarim pīnyīn: sī dá kǒu; cantonense jyutping: si1 daa2 hau2 – tradução literal: entrada/porta de controle/colecta.

Em 23 de Outubro de 1587 foi fundado o Convento de S. Domingos, dedicado a Nossa Senhora do Rosário, pelos dominicanos António de Arcediano, Ildefonso Delgado e Bartolomeu Lopes. Os três dominicanos que vieram do México, e que partiram de Espanha em Setembro de 1585, chegaram no dia 1 de Setembro de 1587, no navio S. Martinho, com o capitão português Lopes de Palácio. (1)
Já anteriormente, em 3 de Abril de 1587, tinham embarcados do porto de Acapulco, no México, 40 dominicanos chefiados por João Volante, para Macau (1). Era a época da dominação dos Filipes.

chinnery-igreja-convento-e-praca-de-s-domingos-c-1835-1838Igreja, Convento e Praça de S. Domingos
George Chinnery
Tinta sobre papel (sem data)
1835-1838

Os dominicanos e agostinianos espanhóis (1) (2) tiveram de entregar os seus mosteiros aos missionários portugueses das mesmas ordens, por decisão do Vice-Rei da Índia, em Março de 1588. (1) Foi tal a influência dos dominicanos que, em 1604, foi nomeado bispo da China, com sede em Macau, D. Fr. João da Trindade. Este bispo foi chamado a Portugal em 1614, tendo deixado como governador do bispado, o Vigário do Convento de S. Domingos, Fr. António do Rosário, que governou muitos anos e foi nomeado bispo de Malaca em 1637.
Foi neste período que a Ordem Dominicana floresceu mais, e foi então organizada a festa de Nossa Senhora do Rosário, e por subscrição, aberta entre os devotos, fundou-se a confraria do Rosário que celebrava com solenidade a festa de Nossa Senhora do Rosário (desconheço se esta solenidade ainda é comemorada na Igreja de S. Domingos). (3)
Com a ordem de extinção e encerramento de todos os conventos, posta em execução em Macau, em Setembro de 1835, foram leiloados quase todos os bens da ordem Dominicana, salvando-se o convento e a igreja de S. Domingos por a autoridade eclesiástica ter solicitado a transferência da Sé Catedral provisoriamente para a Igreja de S. Domingos por o edifício da Sé ter ficado arruinado com um tufão (05-08-1835) (4) Assim em 29 de Fevereiro de 1844, foi autorizado, por Ordenança Régia, a reabertura da Igreja de S. Domingos ao culto público. (4)

postal-jv016-igreja-de-s-domingosPOSTAL JV 016 – Igreja de S. Domingos – 1983
Edição de J. Victor do Rosário Jr.

Um dos primeiros actos públicos realizados na Igreja de S. Domingos como Sé Catedral, foi a consagração do Bispo D. Jerónimo José da Mata no ano de 1845. (5) Embora eleito em 19 de Junho de 1844, não foi consagrado nesse ano pois o Bispo das Filipinas, que veio a Macau para o sagrar, D. Thomas Badia, (6) faleceu no dia 1 de Setembro de 1844, enquanto se banhava na praia que ficava no sítio agora conhecido por Largo do Tarrafeiro, sendo sepultado naquela Igreja e hoje é dele a única lápide tumular que se encontra na capela-mor.
A Sé Catedral ficou reconstruída em 14 de Fevereiro 1850 pelo que a Igreja de S. Domingos deixou de funcionar como centro de culto.

chinnery-igreja-convento-e-praca-de-s-domingos-c-18361839Praça de S. Domingos (ao fundo a Igreja e o Convento de S. Domingos)
George Chinnery
Lápis e tinta sobre papel (sem data)
1836-1839

O convento que se encontrava junto á Igreja foi demolido e ocupava uma área enorme, incluindo as actuais Rua de S. Domingos, Rua da Palha, Travessa dos Algibebes e Rua dos Mercadores.
Depois da partida dos frades, em 1835, os seus alojamentos estiveram vazios e abandonados por bastante tempo e eventualmente serviram de quartel do famoso Batalhão Nacional de Macau, sendo as cavalariças do Batalhão instaladas em local espaçoso, situado atrás da Igreja.
Esteve instalada nestes edifícios do velho convento a Direcção das Obras Públicas, o Corpo de Bombeiros e a Estação Central dos Telefones, cabendo todos ao mesmo tempo no enorme edifício.
Do Convento existe ainda ao claustro com parte das escadas que dá para a sacristia, e os restos das dependências que ficam por cima dela, em que estavam instaladas as confrarias e congregações e vários objectos conservados como relíquias e que desde 1997 constitui o Tesouro de Arte Sacra (7)
É na Igreja de S. Domingos  que desde 1928 se vem sendo festejado o dia 13 de Maio (Nossa Senhora de Fátima) com grande solenidade e pompa.
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) 1586 – Fundação do Convento de Sto Agostinho, por Fr. Francisco Manrique (1)
(3) Artigo não assinado em MACAU B.I.1956.
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
Ver referência anterior em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/05/noticia-de-5-de-agosto-de-1835-tufao-e-os-estragos-na-se-catedral/
(5) Ver anteriores referências neste blogue a D. Jerónimo José da Mata.
(6) Embora citado como Bispo das Filipinas, D. Thomas (Tomás) Badia (巴敵亞), era bispo filipino, Coadjutor do Vicariato Apostólico de Fo-Kien/ Fujian / 福建)de 19 de Janeiro de 1842 a 1 de Setembro de 1844 e Bispo titular de Isauropolis (cidade no sul da Turquia – antiga cidade romana e bizantina).
http://www.catholic-hierarchy.org/country/bph.html#b
(7) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/07/01/proposta-de-criacao-de-um-museu-de-arte-religiosa-em-1976/
Ver anteriores referências relacionados coma Igreja e Convento de S. Domingos em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-domingos/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/convento-de-s-domingos/

O Corpo de Polícia de Macau foi, por portaria, assinado pelo governador, Visconde de S. Januário, mandado instalar no Convento de S. Domingos. (1)
boletim-consultivo-ultramarino-p-720boletim-consultivo-ultramarino-p-721O regulamento do Corpo de Polícia de Macau que foi aprovado em 11 de Outubro de 1861 (2) tinha por incumbência atribuições policiais em terra e no mar, até à publicação do primeiro Regulamento em que instituia a organização do Corpo da Polícia (Boletim Oficial n.º 32 de 15 de Setembro de 1868). (3)

sob-o-olhar-de-a-ma-convento-de-s-domingosO Edifício do Convento de S. Domingos onde se instalou o Corpo da Polícia e posteriormente a Inspecção de Incêndios e Telefones até 1918.
Ao fundo à esquerda vê-se a fachada da Igreja de S. Domingos

(1) SILVA, Beatriz Basto da Silva – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
(2) “11-10-1861 – Foi aprovado o regulamento do Corpo de Polícia de Macau” (GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954).
(3) “1868 – Ao Corpo de Polícia de Macau, incumbiam atribuições policiais tanto em terra como no mar, até que em 1868 se instituiu a secção da Polícia do Porto de Macau dependendo do Capitão do Porto e  desligando-se da polícia de terra.”
“15-09-1868 – É publicado no Boletim Oficial n.º 32, o Regulamento do Corpo da Polícia de Macau contemplando os seguintes aspectos:
– Das vantagens e pagamento
– Da instrução
– Do modo de alistar
– Do serviço
– Delitos e penas
– Uniforme
– Armamento
– Despesas diversas.
Anteriores referências ao Visconde da Praia Grande em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/visconde-da-praia-grande/

Foi aprovada, por Decreto Régio de 12 de Março de 1847  e publicado no Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor de 10 de Dezembro de 1847,  a criação do Batalhão Provisório de Macau, em 17 de Outubro de 1846, pelo Governador João Maria Ferreira de Amaral,  destinado a auxiliar a Força de 1.ª linha.
Este batalhão foi criado pelo Governador Ferreira de Amaral  (e organizado com os moradores), após a revolta dos faitiões de 8 de Outubro desse ano, (1) para reforçar a força armada da Colónia que então o governador reconheceu ser insuficiente para defender a Colónia de possíveis ataques futuros.(2)(3)
A criação deste Batalhão não foi do agrado do Leal Senado que contrariava a política do Governador Amaral mas este proclamava em 22 de Dezembro de 1847 “ha de conservar-se o Batalhão Provisorio no pé em que está, porque o mui disciplinado batalhão d´Artilharia apenas pode suprir para o serviço ordinario, e só serão punidos os Cidadãos, que ou por mandrice, ou por pouco respeito à lei faltarem às reuniões.” (2)
O seu primeiro Major-comandante foi o macaense Francisco José de Paiva, que comandou o Batalhão até 13 de Dezembro de 1849, data do seu falecimento, aos 48 anos de idade. (4) O Batalhão ficou aquartelado no extinto Convento de S. Domingos.
A Relação dos Oficiais do batalhão que era composta por 4 Companhias, todos elas chefiadas por um Capitão,foi aprovado por Decreto de 13 de Dezembro de 1847.

O Estado Maior era formado por:
Major Comandante: Francisco José da Paiva
Tenente  Ajudante: Pedro Marques
Cirurgião-Mór: Joaquim C. da S. Telles
Alferes Porta bandeira: Luiz João da Silva

O Batalhão Provisório de 2.ª linha foi depois reorganizado em Dezembro de 1857 e passou designar-se Batalhão Nacional. Este Batalhão foi extinto em 1876, tendo os militares passado para o Regimento de Infantaria do Ultramar que se manteve até à sua extinção 1893.(5)
Francisco José da Paiva, nascido a 4 de Janeiro de 1801, na freguesia de S. Lourenço era filho de Francisco José de Paiva (natural de Vila do Mato, freguesia de Milhões, do Bispado de Coimbra) (6) e de Inácia Vicência Marques.
Joaquim José de Paiva, avô de Francisco, também natural de Vila do Mato viera de Portugal para Macau no século XVII tornando-se em breve um dos mais ricos comerciantes desta cidade, vindo a família Paiva a ser uma das mais poderosas de Macau. Estava casado com Maria Nunes também natural da Vila do Mato.
Francisco José da Paiva, foi nomeado Juiz ordinário de Senado em 1831, e Encarregado dos Negócios Sínicos, em 1836.(7)
Francisco José de Paiva andou envolvido nas lutas que se travaram em Macau entre constitucionais e absolutistas. Recebida em Macau a nova da revolução de 24 de Agosto de 1820, que proclamara a Constituição em Lisboa, apressaram-se alguns elementos a jurar aqui a Constituição, o que se realizou em 15 de Fevereiro de 1822.
Em 19 de Agosto de 1822, é eleita pelos constitucionais a nova Câmara, sendo escolhido Francisco José da Paiva para Procurador com 87 votos; esta Câmara cessou em 23 de Setembro de 1823 dia em que tomaram posse do Governo de Macau,  o Bispo Fr. Francisco de N. Sra. da Luz Chacim, o Major João Cabral de Estefique e o vereador do senado Inácio Baptista Cortela.
Francisco José de Paiva  foi nomeado em 1846,  o primeiro Cônsul de Portugal em Hong Kong. Foi agraciado com a comenda da Ordem de Cristo.
Fora das suas actividades como grande Homem Público, Francisco José de Paiva tomou parte importante na fundação da antiga «Casa de Seguros de Macau» de que foi, entre as pessoas particulares, o segundo maior accionista. (8)
Francisco José de Paiva casou com Aurélia Pereira (neta paterna do conselheiro Manuel Pereira) e tiveram 3 filhos: Francisco José de Plácido de Paiva (1836) Carolina Maria de Paiva (1839) e António Aurélio de Paiva (1843).

Seminário S. José 1929Igreja do Seminário 1929

Faleceu a 13 de Dezembro de 1849, sendo sepultado no Cemitério de S. Paulo. A lápide sepulcral  de Francisco José de Paiva foi depois transladada para a igreja do Seminário de S. José, onde está na parede debaixo do coro, à esquerda de quem entra do lado do Evangelho.(2)

Seminário S. José -Lápide de Francisco José PaivaTRADUÇÃO
Cristo, alfa e ómega, i. é. princípio e fim

“Aurélia Pereira de Paiva, viúva, com os seus filhos, Francisco José Plácido de Paiva, da Ordem de S. bento, e Carolina Maria de Paiva, pede, aflita, luz e descanso para Francisco José de Paiva, caritativo para com os pobres de Cristo, o qual nasceu em Macau, em 4 de Janeiro de 1801, e aqui faleceu em 13 de Dezembro de 1849, confortado com os sacramentos da Igreja”.

NOTA: Francisco José de Paiva tem o seu nome na toponímia de Macau: Travessa do Paiva (擺華巷), construída pelo Eng. Abreu Nunes em 1896, que começa entre a Rua Central e a Rua de S. Lourenço e termina na Rua da Praia Grande, ao lado do Palácio do Governo.
(1) “08-10-1846 – O Governador João Maria Ferreira do Amaral sufocou, prontamente a revolta dos faitiões (embarcações chinesas de passageiros e carga) que se tinham revoltado por ter sido lançado o imposto de uma pataca sobre essas embarcações, o qual fora proposto ao governo pelo Procurador da Cidade Manuel Pereira. “(GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942.
(3) E não tardou muito que os acontecimentos viessem demonstrar a veracidade desta afirmação, pois que, assassinado o Governador Amaral, em 22 de Agosto de 1849, e vendo-se a cidade ameaçada pela invasão china, o batalhão Provisório concorreu bastante para a memorável vitória de 25 de Agosto, segundo se vê, das seguintes palavras do Capitão Ricardo de Melo Sampaio (Boletim do Governo n.º 80 de 5 de Setembro de 1849) : “As forças do batalhão Provisório que me foram enviadas durante a acção concorreram bastante pela sua actividade e disciplina par que o resultado da luta nos fosse favorável, e sem algum acontecimento funesto a não ser um só ferido, não gravemente.(2)
(4) Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor, Ano V, n.º 89, de 10 de Janeiro de 1850:

NECROLOGIA

«Um dos golpes mais severos, que tem soffrido ultimamente esta nossa Cidade, é pela voz geral de todos, a falta do nosso mui digno, e mui chorado concidadão o Ilmo. Sr Francisco Jozé de Paiva, Commendador da Ordem de Christo, nomeado por sua Majestade Fidelíssima, Consul Portuguez em Hong Kong, e Commandante do Batalhão Provisório de Macao. – Elle já não é comnosco! No Cemiterio de Sm. Paulo, onde jaz, está esperando, como os outros que alli moram, o dia final dos seculos …(…)
…Alem d´outras prendas estimaveis, que possuia, fallava a sua lingua materna com pureza, e correcção , assim coomo diversas outras d´Europa, não ignorava o latim, sabia a Historia, e a Geographia, amava e cultivava a Musica e a literatura nacional e estrangeira, de que tinha bom conhecimento. Sua enfermidade foi longa; mas supportada com paciencia…
(5) CAÇÃO, Armando António Azenha – Unidades Militares de Macau, 1999.
(6) Francisco José de Paiva (pai do biografado, com o mesmo nome) nascido em 1758, em Midões,  faleceu em Macau (27-11-1822) sendo sepultado na Igreja do Convento de S. Francisco. Casado com Inácia Vicência Marques (faleceu a 2 -11-1848) que era proprietária do mato/monte do Bom-Jesus onde estava instalado o Carmelo de Bom Jesus. Tiveram  oito filhos.
Uma das filhas Maria Vivência da Paiva (irmã do biografado, Francisco José de Paiva que era o terceiro na linhagem mas varão) nascida em Macau a 22 de Julho de 1802.
casou com Albino Gonçalves de araújo proprietário do navio Conde de Rio Pardo de quem teve um filho, Albino Francisco de Araújo que nasceu em Macau na freguesia de S. Lourenço a 19-05-1824 e se suicidou em paris em 1873 com 51 anos de idade. este episódio relatei em:
“OUTRAS LEITURAS – 365 Dias com histórias da HISTÓRIA DE PORTUGAL (I)”
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/05/02/outras-leituras-365-dias-com-historias-da-historia-de-portugal-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/albino-f-paiva-araujo/
(7) “07-10-1836 -O Procurador Francisco José da Paiva escreve ao Mandarim da Casa Branca, pedindo para autorizar o restauro da Fortaleza da Barra, destruída com o último tufão e chuvas, alegando ser obra pública de grande necessidade.” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)
(8) “29-11-1817 -Foi instalada a Casa de Seguros de Macau que devido ao seu poderio, era conhecido por Casa Forte. A sua primeira direcção, nomeada a 23 de Dezembro de 1817 ficou  assim constituída: Presidente, o Barão de São José de Porto Alegre; Vogais, Francisco José da Paiva e João de Deus Castro ....” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)

No dia 17 de Outubro de 1704, à hora do terço, no coro, fr. Manuel da Santa Cruz, por alcunha o Bule-bule, fr. João Baptista e fr. Domingos de Santa Rosa, foram à cela de fr. Filipe da Cruz, no convento de S. Domingos, e mataram-no com garrote. Ao chamamento dum cafre do Viário, acudiram fr. Domingos do Sacramento e o irmão António da Madre de Deus que encontraram, no corredor, fr. Domingos de Santa Rosa. Este disse que nada tinha acontecido e que fossem continuar o terço. Findo o terço, os frades delinquentes, que se encontravam no corredor, reiteraram que nada tinha acontecido e que o Vigário estava a dormir. Mandaram depois abrir a cova ao pé do altar-mór, levando para lá o cadáver, que deixaram exposto, dizendo fr. Manuel da Cruz e outro cúmplice a missa do corpo presente, ao amanhecer do dia seguinte, dobrando, nessa ocasião, os sinos e fazendo público que o Vigário falecera do mal que padecia. Estando os delinquentes ocupados na missa, fr. Domingos do Sacramento e o irmão António de Madre de Deus dirigiram-se ao convento de S. Francisco para informarem o Governador (1) e o Bispo do sucedido (2). Imediatamente foram enviados os soldados e as justiças juntamente com o Ouvidor que, mandando tirar o cadáver da sepultura, verificou nele a existência de várias feridas mortais e do sinal do garrote no pescoço. Mandou então prender os três frades delinquentes e, revistados os seus corpos, foram encontrados, no do fr. João Baptista, dois sacos de prata e cinco pães de ouro, pertencentes ao convento e que foram roubados do cofre da comunidade. Os delinquentes estiverem sempre presos com ferros até serem remetidos para Goa. (3)

(1) O Capitão-Geral (Governador) era o cavaleiro professo da Ordem de Cristo, José da Gama Machado, natural de Damão (posse a 15-8-1703 até 1706).

D. João do Casal(2) Era Bispo de Macau, D. João do Casal. Foi confirmado bispo de Macau (o primeiro a usar o título de Bispo de Macau) pelo papa Alexandre VIII por breve de 10 de Abril de 1690. Chegou a Macau em 16 de Julho de1692 e serviu até morrer, em 20 de Setembro de 1735, aos 94 anos de idade (45 de episcopado e 43 de governo efectivo) estando sepultado na Capela do Santíssimo da Sé Catedral.
TEIXEIRA, Pe. Manuel – Macau e a sua Diocese II, 1940.
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau.

Reuniram-se em assembleia vários moradores de Macau que elegeram uma comissão, composta de João Damasceno Coelho dos Santos, coronel João Ferreira Mendes, José Bernardo Goularte, José Maria da Fonseca, Francisco Justiniano de Sousa Alvim, Pedro Marques e José Joaquim Rodrigues Ferreira, para organizar uma sociedade de subscritores para a construção de um teatro. Até então todos os espectáculos de realizavam em «vistosos teatrinhos» (1) que se armavam na encosta de Mato-Mofino, que deita  sobre a Rua da Praínha; na porção do terreno da Praia do Manduco, depois ocupada pelo jardim do Barão de S. José de Portalegre; na Assembleia Filarmónica, (2)  que existia no largo de Santo António; no edifício do Hospital da Misericórdia; na residência do Juiz de Direito Sequeira Pinto; no «retiro campestre» de Santa Sancha, etc. teatrinhos esses que eram desarmados, uma vez dissolvidos os grupos de amadores que os animavam. Pensou-se, primeiramente, em instalar o teatro no edifício do Hospital S. Rafael. Tal ideia foi logo abandonada, pedindo a comissão ao governo o terreno do campo de S. Francisco, junto da rampa que conduz à entrada do quartel, pretensão esta que foi indeferida, sendo oferecida a cerca do extinto convento de S. Domingos. A Comissão, não gostando do local, requereu e obteve a 2 de Abril, o terreno do largo de S.º Agostinho (3). Correndo imediatamente a subscrição, em Macau e Hong Kong, o edifício do Clube e do Teatro D. Pedro V ficou quase concluído em Março de 1858, devido aos esforços do Cirurgião-Mor da Província, António Luís Pereira Crespo, Pedro Marques e Francisco Justiniano de Sousa Alvim. O risco e a direcção das obras foram da autoria do macaense Pedro Germano Marques (4) (5).

Teatro D. Pedro V 1907Fachada do Teatro D. Pedro V em 1907  (Foto de Man Fook)

Ao edifício delineado por Pedro Marques foi dado o nome de Teatro D. Pedro V, soberano então reinante; mas a actual fachada foi delineada pelo Barão de Cercal em 1873  (6) e restaurada em 1918 por José Francisco da Silva.
Situado no Largo de Santo Agostinho, em Macau, é um dos primeiros teatros de estilo ocidental na China.
Os Estatutos da Sociedade do Teatro D. Pedro V, foram aprovados a 20 de Abril de 1859 pelo Governador Isidoro Francisco Guimarães (o projecto de Estatuto apresentado pelo Secretário da Comissão Directora, Francisco Justiniano de Sousa Alvim tinha já sido publicado no Boletim Oficial de 6 de Novembro de 1858 ) (7) 
Em 2005, o teatro tornou-se um dos locais do Centro Histórico de Macau a figurar na Lista do Patrimônio da Humanidade da UNESCO.

Teatro D. Pedro V 1999Teatro D. Pedro V (伯多祿五世劇院) em 1999 (8)

(1) Em 1839, foi construído o teatro luso-britânico pelo arquitecto macaense José Tomás de Aquino.
(2) A 30 de Junho de 1853, deu-se uma récita nas casas da Filarmónica, em favor dos Expostos deste cidade.
(3) “26-11-1860 – Por Portaria Régia desta  data foi confirmada a concessão feita pelo governo provincial do terreno onde se edificou o Teatro D. Pedro  V. ” (7)
(4) Nasceu em 1799, exerceu o cargo de escrivão da Câmara (não era arquitecto nem engenheiro, mas tinha engenho e arte) e faleceu viúvo, a 15 de Dezembro de 1874, com 75 anos. Está  sepultado na Igreja de S. Agostinho (7)
(5) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(6) “17-03-1865 – Incendiou-se, pela madrugada, o Teatro D. Pedro V, mas o fogo foi rapidamente extinto, tendo apenas ardido parte duma janela. ” (5)
30-09-1873 – Reabriu, restaurado, o Teatro D. Pedro V, com Estatutos aprovados por Portaria de 10 de Fevereiro deste ano”  (7)
(7) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau Século XIX, Volume 3. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1995, 467 p (ISBN 972-8091-10-9)
(8) http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/8d/Dom_Pedro_V_Theatre_in_Macau.jpg

“Um horrível incêndio, como nunca se viu em Macau, teve princípio à 1.45, numa das boticas chinas do Bazar. Ajudado pelo vento norte, o fogo espalhou-se com grande rapidez. O vento, mudando, às 5.00 horas, para leste, fez avançar o incêndio sobre as boticas de Matapau. (1)
À 6.30  horas, voltando, outra vez, para o norte, fez com que a terrível conflagração seguisse pela Travessa de S. Domingos, Rua do Quintal  e  Travessa do Tronco, escapando, por pouco, o antigo convento de S. Domingos. O incêndio durou toda a noite, destruindo  420 boticas (lojas) e 400 residências de famílias chinesas, subindo a mais de meio milhão de patacas, o valor de propriedades destruídas. Os cidadãos de Macau auxiliaram, por toda a forma possível, a combater o incêndio, tendo prestado valiosos socorros as guarnições das fragatas francesas Virginie e Constantine. (2)

(1) MATAPAU – planta clusiácea do Brasil ( Dicionário Cândido de Figueiredo)
A propósito da Rua do Matapau (3), retiro do artigo do jornalista e investigador João Guedes o seguinte:(4)
Tal é o caso da Rua do Matapau que em chinês é designada por “Kat Chai Kai”. (5) .Entre os dois vocábulos não existe qualquer diferença. Ambos designam as singelas tangerinas que nesse local eram vendidas, principalmente e época de Ano Novo lunar. Apesar do lirismo, porém, a Rua do Matapau, situada em pleno coração do bazar do século XIX, deixou para nós uma aura de mistério. Era ali que não só os vendedores de flores e tangerinas faziam o seu negócio, como também as “tríades” levavam a cabo as suas reuniões secretas. mas era também que o Governo exercia a justiça, consubstanciada nas chicotadas sobre os criminosos cujas gotas de sangue ressaltavam no largo lajeado onde desembocava a rua
Era a Rua (também existe um Beco e uma Travessa com esse nome) onde estavam as lojas que vendiam tangerinas. Os vendedores eram conhecidos por “Matapáus
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(3) Rua do Matapau – Cat Chai Cai (rua da tangerina)
            桔子街 (jú zi jié; cantonense jyutping: gat1 zi2 gaai1)
Fica situado entre a Avenida de Almeida Ribeiro e a Rua da Barca da Lenha e vai dar à Rua dos Mercadores.
A zona do Matapau também é conhecida entre os chineses por  Pun PIn Vai.
(4) Artigo “”Divergências e coincidências“publicado no Jornal Tribuna de Macau, de 31 de Maio de 2011 e também no blog do autor:
http://www.jtm.com.mo/view.asp?dT=376402001
http://temposdoriente.wordpress.com/sobre-macau/