Archives for posts with tag: 1851
Extraído de «B.G.P.M.T.S.», 1 de Julho de 1854, p. 130

“Que de hoje em diante o signal de alarme geral ou rebate passará a ser de três tiros de peça disparada pelo Forte de S. Pedro com intervalo de 10 segundos, e repetido pela Fortaleza do Monte, em lugar de um tiro e um foguete, como estava determinado em o & 4.º da ordem do dia N.º 17 de 15 de Maio de 1851”

No dia 5 de Novembro de 1834, um violento incêndio destruiu 500 moradias. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954 e SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Volume 3, 1995 e Volume II, 2015)

Nas efemérides publicadas em 1908 no «The Directory & Chronicle for China, Japan…», periódico editado anualmente em Hong Kong, menciona este incêndio “Great Fire in Macao…”, datando-o a 12 de Novembro de 1834. A. Marques Pereira não menciona este acontecimento nas suas “Ephemerides Commemorativas da História de Macau”

Relembro que o Serviço de Incêndios de Macau, de modo informal existe desde 1851 e só em 2 de Maio de 1883 foi criado o primeiro «Regulamento dos Serviços de Incêndio de Macau» Até esta data, os incêndios eram debelados pelos próprios moradores, bem como pelo pessoal das fábricas e das lojas. O «Regulamento dos Serviços de Incêndio», publicado no Boletim Oficial de 10 de Agosto de 1883, conferiu ao serviço um carácter oficial, regular e organizado: constituído por um efetivo de 60 pessoas, instalados no antigo Convento de S. Domingos. Em 1914, passou a integrar a Direção das Obras Públicas. No ano seguinte, há lugar a nova reorganização e os serviços de incêndio passam a ser coordenados pelo Major de Infantaria, João Carlos Craveiro Lopes. Em 1916, já existiam três estações em Macau. A Taipa e Coloane tinham também os seus próprios postos de incêndio.(FARIA, Alice Santiago – Corpo de Bombeiros https://hpip.org/pt/heritage/details/2238

Ver anteriores postagens sobre incêndios em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/incendios/

Realizou-se no dia 8 de Outubro de 1851 uma representação teatral na extinta Sociedade Philarmonica Macaense, (1) um drama em 3 actos “A Pobre das Ruínas” (2) e uma  comédia em 1 acto “Fallar verdade a Mentir”, (3) organizada por um grupo de amigos, que constituíram uma comissão para que a totalidade da venda dos bilhetes deduzidas as despesas necessárias para o enrio, vestuário, música e mais arranjos do teatro, seria  em beneficio da Escola de Instrução primaria e secundaria estabelecida na casa do Leal Senado. A Comissão era composta por António Pedro Buys – Presidente; António Diniz d´Ayalla – Tesoureiro e Justinianno de Souza Alvim – Secretário.

Anúncio publicado para conhecimento do público no «B.G.P. M.T.S.», Vol 6, n.º 45 de 27 de Setembro de 1851, p. 156.

(1) A Sociedade Philarmonica Macaense foi constituída no dia 14 de Dezembro de 1844, com a primeira reunião da mesa da Assembleia Geral no dia 22 de Dezembro na Feitoria de Francisco António Pereira Thovar, para apresentação e discussão do projecto dos Estatutos da Sociedade

Extraído de «O Procurador dos Macaístas» I-42 de 19 de Dezembro de 1844

(2) “A Pobre das Ruínas” de 1846 é uma peça teatral (dramalhão histórico em 3 actos, com prologo) do dramaturgo, poeta, romancista, jornalista, deputado, ministro e diplomata, José da Silva Mendes Leal Júnior (1818 – 1886). Publicado nesse ano em livro impresso na “ Typographia Rollandiana”, 1846, 166 p.; 20 cm. https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_da_Silva_Mendes_Leal

(3) “Falar a Verdade a Mentir”, peça teatral apenas um acto (acto único composto por dezassete cenas), uma crítica social expressa de forma cómica, escrita em 1845 por João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett, (1799-1854), escritor, dramaturgo, par do reino, ministro e secretário de estado. Foi publicada em 1846. https://pt.wikipedia.org/wiki/Falar_Verdade_a_Mentir https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-bsl-almeida-garrett/

Edital de 11 de Setembro de 1851, assinado pelo governador, Capitão de Mar e Guerra da Real Armada, Francisco António Gonçalves Cardoso – Regulamento sobre a prostituição dentro dos muros da cidade e as casas toleradas. (1) Este edital é constituído por 14 artigos sendo de destacar os seguintes:

Extraído de «Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor», Vol. 6, n.º 43 de 13 de Setembro de 1851, pp. 145-146

(1) Ver anterior postagem sobre este mesmo edital em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/09/11/noticia-de-11-de-setembro-de-1851-prostitui-cao-em-macau/

Extraídos de «B. G. P. M. T. S.», VI- 34, 1851, p. 112
Extraído de «BGPMTS»  I-34 de 9 de Junho de 1855 p-135

O procurador era Lourenço Caetano Cortela Marques mais conhecido pelo nome de Lourenço Marques (1811-1902). (1) Exerceu o cargo de Procurador do Leal Senado de 1851 a 1856 e de 1859 a 1865; em 1865 foi eleito vice-presidente do Leal Senado e em 1871 Presidente do mesmo

(1) Anteriores referências a este Macaense em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/comendador-lourenco-marques/

Duas pequenas notícias surgidas no jornal «O Independente» (1) sobre prisioneiros, um  estava na prisão do Monte e outro, na cadeia pública.

Extraído de «O Independente», I- 38, 21 de Maio de 1869, p. 330

Nesse ano, já estava em vigor o «Regulamento da Cadêa de Macao» (Portaria n.º 58 de 11 de Novembro de 1851), que foi complementada em 4 de Abril de 1859 (Portaria Provincial n.º 29). Neste mesmo ano, foi publicado um novo «Regulamento da Cadeia Pública de Macau» em 11 de Junho de 1859 (B.G.n.º 33).

Extraído de « BGPMTS», VI-52 de 15 de Novembro de 1851

Recorda-se que a cadeia em 1754 estava no terreiro de St.º Agostinho, que pertencia aos jesuítas, junto ao Convento de Sto Agostinho. Em 1776 passou para uma casa do Estado, junto ao Senado. Esta rua ainda hoje se chama do Tronco Velho; a nova cadeia deu o nome `Rua da Cadeia”, que em 1937 recebeu o nome de Rua Dr. Soares.

As condições da cadeia no Tronco Velho não eram boas apesar de durante anos ter sido feitas melhorias e alargamento do espaço, como o próprio Boletim Oficial («BGMT», XIV-18 de 2 de Maio de 1868) noticia em 1868:

Só com a construção da nova cadeia iniciada em 1884, em 5 de Setembro de 1909, os presos passaram para a cadeia na Colina de S- Miguel e em 1990 para as novas instalações, em Coloane.

Pequeno trecho extraído da “Noticia sobre as Lorchas de Macau” do livro “Macau em 1850 – Crónica de Viagem” de Carlos José Caldeira, Capítulos XXXI- XXXII, pp.193 e 205 (1)

“Em 25 de Abril de 1851 saiu da rada de Macau a corveta. Joaõ I, com destino para Xangai, onde havia pouco tempo fora reconhecido pelas autoridades chinesas o cônsul português, e convinha ali fazer tremular pela primeira vez o nosso pavilhão de guerra. O comandante da corveta levava instruções para recolher informações sobre o procedimento de várias das lorchas de Macau, nas costas do Norte da China, e para adoptar providências oportunas paras erem castigados os excessos e crimes por elas praticados, do que havia contínuas queixas em Macau dirigidas pelo governador de Hong Kong, que pedia ou antes exigia sérias medidas a tal respeito. Desgraçadamente estas queixas tinham em grande parte fundamento, e para elas bem se compreenderem entrarei em algumas particularidades sobre as lorchas de Macau, e importância do seu tráfego; assunto pouco conhecido, porém curioso em mais de um sentido.

Ainda em 1835 contava a praça de Macau 18 navios de longo curso: hoje tem apenas 8 e são: barcas, 2 brigues e 3 escunas. As lorchas da mesma praça andam por 60 actualmente em serviço, medindo ao todo umas 4 000 toneladas.

Há 8 lorchas de 100 toneladas para cima, contando a maior 146; há 34 de 50 a 100 toneladas, e as restantes são para menos de 100 toneladas, sendo a mais pequena de 38.

Estas lorchas montavam 557 canhões de calibres diferentes, a saber:

Calibre 1 …………..………… Canhões   35

Calibre 2 …………..……..…. Canhões   71

Calibre 3 ………………..…… Canhões   82

Calibre 4 …………..….…..… Canhões 198 

Calibre 5 ………..…………… Canhões 134

Calibre 9 …………..…………. Canhões   16

Calibre 12 ………..…..……… Canhões   15

Calibre 18 ………………..….  Canhões     5

Calibre 24 Paixhans……… Canhões     1

                           Total ……………….…..557

A lorcha de maior força montava 20 peças e tinha portinholas para mais 2: as mais pequenas tem de a 6 peças, e em quase todas estão montados em rodizio os canhões do calibre superior.

Os armamentos e apetrechos de guerra eram os seguintes:

Espingardas ………………………………….….. 304

Lanças ……………………………….……………….423

Espadas …………………………………………..….182

Machados………………………………………………81

Pistolas ……………………………………………..….54

Balas …………………………………………..….15 725

Metralha em libras portuguesas ……….14 131

Barris de pólvora …………………………..…….502

O total das lorchas, pelas matrículas correspondentes quando se fazem ao mar, levam termo médio de 380 a 420 portugueses, e de 480 a 525 chinas….(…). Estas lorchas foram feitas em Macau, e grande parte nos anos de 1847 e 1848, e algumas posteriormente. Esta cidade apresenta muitos recursos e operários para as construções navais, e em poucos meses bastantes lorchas se poderiam fazer e apetrechar. … (…)” (1)

Boletim do Governo da Província de Macau, Timor, e Solor, VI, n.º 28 de 31 de Maio de 1851, p.86

“Em 21 de Maio, com excelente tempo, viu-se entrar na rada de Macau a corveta D. João I, toda empavesada e até com sobrejoanetes largos. Causou isto geral supressa, e logo grande desgosto ao governador. A corveta vinha arribada, e falhara a comissão de Xangai. … (…). Em 27 de Maio, 5 dias depois de arribada, saiu a corveta para Vampu no rio de Cantão, onde esteve algum tempo fundeada, e dali regressou para Macau.” (1)

(1) CALDEIRA, Carlos José, Macau em 1850 – Crónica de viagem. Quetzal Editores, 1997, 342 p. Anteriores referências a este autor: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-jose-caldeira/

Logo que chegou a Hong Kong a notícia da Escuna Portugueza Aurora ter-se naufragado na vizinhança de Ping-hoy, e sido roubada por piratas, S. Exa. o Vice-Almirante Austen despachou na mesma noite o Vapor de Guerra Sphinx, Capitão Shadwell, para salvar a Escuna e restaurar alguma propriedade, o Vapor chegou ao lugar do desastre na manhã do dia Sábbado, e encontrou a Escuna tão encalhada e roubada, com falta já de algum madeiramento, que a despeza para o desencalhar seria maior que ao seu valor; o Mandarim do Districto ofereceu todos os meios de poder descobrir os ladrões, entregando três peças que lhe pertenciam, nada mais se pôde conseguiu, e o Vapor voltou na manhã de 28. Consta que as Authoridades do Districto tratarão com bondade os náufragos e lhes offerecerão meios de transportarem-se  para Hong Kong,
Extraído de «BGPMTS», VII-2 de 10 de Janeiro de 1852.

Extraído de «TSYK» I-4 de 29 de Outubro de 1863

A galera «Deslumbrante» (1) partiu de Lisboa, em 10-05-1863 e a bordo trazia um contingente militar, composto de 3 alferes e 188 praças de pré, sob o comando do alferes António Baptista Tassara, (2) para reforçar o Batalhão desta cidade. Chegou a Macau em 04-09-1863, com avarias devido a um tufão no Mar da China no dia 29 de Agosto de 1863, que danificou a galera quando esta já navegava a pequena distância de Macau (3) (4)
(1) Galera portuguesa «Deslumbrante» 1863-1865
https://ccm.marinha.pt/pt/biblioteca_web/arquivohistorico_web/fundoscolecoes_web/Documents/%C3%8DNDICE%2032%20-%20Documenta%C3%A7%C3%A3o%20Avulsa%20at%C3%A9%201910%20%282014%29.pdf

Ex-voto (5) – Promessa offerecida ao Senhor dos Passos da Graça no dia 29 d’Agosto de 1863 pela tripulação da galera portugueza, «Deslumbrante», na occasião do tufão no mar da China, na Latt. N. 18º,,54′,,57′ e Long. E. de Gre. 115º,,07′,,56′.
Do Blogue “Senhor dos Passos da Graça”
https://senhorpassosgraca.blogs.sapo.pt/1908.html

(2) O Alferes António Baptista Tassara tomou posse, em 4-11-1863, (6) (7) do comando do Posto da Taipa e Coloane (até 3-06-1874), substituindo o capitão Vicente Nicolau de Mesquita que foi promovido a Major e colocado no comando da Fortaleza do Monte.
1863 – O Capitão é promovido a Major sendo louvado o seu zelo no Comando do Porto da Taipa, que então abandona, para tomar o Comando da Fortaleza do Monte, a cidadela de Macau. Em substituição fica o alferes António Baptista Tassara, também Comandante de Coloane. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)
(3) “10-05-1863 – Partiu de Lisboa, a bordo da galera «Deslumbrante», um contingente militar, composto de 3 alferes e 188 praças de pré, sob o comando do alferes António Baptista Tassara, para reforçar o Batalhão desta cidade  “
“04-09-1863 – Chegou a galera Deslumbrante com um contingente de tropas, sob comando do Alferes António Baptista Tassara tendo saído de Lisboa, em 10 de Maio.” (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
(4) Notícia publicada no «TSYK», I-1, 8 de Outubro de 1863.
AVISO de 14 de Outubro de 1863, anunciando a partida, no dia 12 de Novembro, da galera «Deslumbrante» de 1.ª classe com o comando do capitão Manoel Francisco de Souza, publicado no «TSYK», I- 3 de 23 de Outubro de 1863.
(5) Ex-voto = consequência de um voto; quadro, figura ou objecto qualquer, suspenso em uma Igreja ou em qualquer lugar venerado, para o cumprimento de um voto ou em memória de uma graça obtida.
(6) Padre Manuel Teixeira in “Taipa e Coloane”, p. 13, aponta a data de 13-7-1864. pois indica Vicente Nicolau de Mesquita como comandante da Taipa entre 09-06-1851 e 13-07-1964 e depois desta data, o Alferes Tassara como comandante da Taipa e Coloane
(7) O jornal «TSYK» traz a seguinte notícia, indicando a data de 30-04-1864.

Extraído do TSYK I-41 de 14 de Julho de 1864.