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Esta notícia do falecimento em Macau a 17 de Junho de 1856 do médico José Severo da Silva Telles, filho de António Gomes Teles e de Teresa de Jesus da Silva (nascido em Lisboa), devido a lesão orgânica do coração, foi anteriormente postado neste blogue – VER em (1)

Entretando encontrei a notícia deste mesmo acontecimento publicado no «BGPMTS», de 1856 na coluna “NECROLOGIA” (assinado por J.J.B.) onde traz uma nota biográfica do falecido com outras informações.

Veio para Macau em 1815 e aqui casou a 25 de Janeiro de 1817 com Ana Joaquina do Rego. Teve de Ana Joaquina, 7 filhos.

Obteve a carta de cirurgião a 2-08-1814; admitido como cirurgião do Partido em 15-02-1817 (com o ordenado de 400 taéis anuais); em 1817 nomeado Cirurgião mor do Batalhão Príncipe Regente; em 1824 alferes do Batalhão do Príncipe Regente; em 1825, tenente graduado; em 1830 capitão graduado; em 1846, nomeado Director do Hospital Militar e desde essa época até 1853, serviu interinamente de Cirurgião-mor da Província.

Também serviu como primeiro cirurgião dos Hospitais de S. Rafael e de S. Lázaro. Em 1849 foi encarregado da chefia dos Serviços da Saúde. De 1827 a 1835 foi vereador do Leal Senado. Reformou-se em Janeiro de 1855. Armado Cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (3 de Fevereiro de 1848) (2)

Extraído de «BGPMTS», II-43 de 16 de Agosto de 1856, p. 172

NOTA: O 2.º filho, Joaquim Cândido da Silva Teles, nascido a 27-08-1819, também foi médico-cirurgião em Macau. Em 1842 nomeado ajudante do Batalhão do Príncipe Regente e em 1857, nomeado cirurgião ajudante graduado do mesmo Batalhão. Em 1863, foi cirurgião-mor deste Batalhão e em 1878 cirurgião-mor do Corpo da Polícia, e na ausência do Dr. Lúcio da Silva (em Sião) foi nomeado chefe interino dos Serviços de Saúde. Reformado em 1877 com a graduação de major. (2)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/06/17/noticia-de-17-de-junho-de-1856-jose-severo-da-silva-teles/

(2) Dados biográficos retirados de TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, Volumes III-IV,1998, pp.98 a 105

O mais antigo sino em Macau é o que se acha no campanário da igreja de S. Clara, cuja inscrição diz:

Em vez de ARO deve ser ORA; e significa: «Roga por nós, bem-aventurada Madre Clara. Ano do Senhor de 1674»

Francisco Tavares deve ser filho de Manuel Tavares Bocarro, (1) o grande fundidor de sinos e canhões em Macau por um quarto de século. Frei Manuel de Madalena de Lampreia, O. F. M., natural de Macau, foi várias vezes guardião ou superior do Convento de S. Francisco e em 1674 era comissário do Convento de S. Clara (2)

Segue-se o sino de N. Sra da Guia no qual se lê:

Foto de 1998

No outro lado do mesmo sino lê-se:

D. Diogo de Pinho Teixeira foi Capitão-Geral de Macau de 1706 (posse do cargo a 5 de agosto, dia da celebração anual à Nossa Senhora das Neves, celebrada na capela de Nossa Senhora da Guia) (3) a 1710. Posteriormente nomeado para a Capitania de Diu 1716 regressando a Goa em 1719.

Domingos Pio Marques (de Noronha e Castelo Branco) nasceu em Macau, a 06-05-1783 e faleceu a 8-02-1840; sepultado no jazigo de família no Cemitério de S. Miguel) sendo filho de Domingos Marques e de Maria Ribeiro Guimarães. (4) Domingos Pio Marques, proprietário e armador, cavaleiro, comendador da Ordem de Cristo, e comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (1825), foi ao Brasil em 1819, como representante do Leal Senado, para saudar D. João VI, que por decreto de 06-02-1818, outorgara ao Leal Senado o tratamento de «Senhoria».

D. Frei Francisco de N. Senhora da Luz Chacim, O. F. M., foi bispo de Macau de 1804 a 1828, falecendo a 31 de Janeiro de 1828. (5)

(1) Manuel Tavares Bocarro que possuía uma fundição de canhões em Macau de 1625 a 1664, informava que em 1635, o baluarte da Guia tinha 5 peças, i. é, uma colubrina, um pedreiro e 3 sagres, todas de metal; Marco d´Avalo afirmava que, em 1638, tinha 4 ou 5 peças.

(2) TEIXEIRA, P: Manuel – A Voz das Pedras de Macau, 1980, pp. 110-111.

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/08/05/noticia-de-5-de-agosto-festa-de-nossa-senhora-das-neves-ii/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/05/5-de-agosto-festa-de-nossa-senhora-das-neves-i-2/

(4) Domingos Marques (1730-1787) e sua mulher estavam sepultados na Igreja de S. Agostinho. A lápide foi removida em 1960 para as ruínas de S. Paulo onde foi partida em dois pedaços em 1967, e depois depositada  na Fortaleza do Monte. (2)

(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-francisco-de-n-s-da-luz-chacim/

“A 2 do corrente sentio-se nesta Cidade hum pequeno termor de terra aos 7 minutos depois do meio dia, o qual duraria por espaço de 5 segundos e sendo bastante sencível não causou com tudo prejuízo algum nos edifícios.”

«Gazeta de Macao»,n.º 11 de 10 de Janeiro de 1824, p. 301.

Extraído de «BGPMTS»,  I-49 de 22 de Setembro de 1855, p. 196

No dia 16 de Setembro de 1855, faleceu (“uma apoplexia fulminante“) o 1.º tenente da armada Pedro José da Silva Loureiro, nascido em Ponta Delgada a 29-06-1792, capitão do Porto de Macau. Foi sepultado no Cemitério de S. Miguel. Filho de José da Silva de Loureiro (1745-1820) e de Genoveva Flora Joaquina da Cunha (1753-1833) ambos nascidos e falecidos em Ponta Delgada, Pedro José da Silva Loureiro chegou pela primeira vez a Macau, como guarda marinha, acabando por fazer quase toda a sua carreira militar no Oriente. A 5-04-1824 foi promovido a 2.º tenente da Armada e a 1.º tenente a 19-10-1853, sendo reformado em capitão de fragata da Armada de Goa.

Foi durante alguns anos capitão do porto de Macau sendo encarregado pelo Governador Ferreira do Amaral de construir o forte da Taipa que marcou a ocupação definitiva daquela ilha. Foi também comerciante, sendo eleito almotacé da Câmara em 1827. Casou em Macau (S. Lourenço) a 12-04-1826 com Ana Rosa Inocência do Espírito Santo Pereira de Almeida. Tiveram 16 filhos. (1) Quatro dele, Luís, Pedro, Francisco e Eduardo frequentaram o Seminário de S. José em 1840, segundo diário do Padre Leite (2)

Extraído de «BGPTMS»,  I-51 de 6 de Outubro de 1855, p. 202

 A primeira filha do casal, Genoveva Rosa Joaquina do Espírito Santo Loureiro (1827- ? )  casou na capela da Residência do Governador com Isidoro Francisco Guimarães (1808-1863), governador de Macau (1851-1863), capitão de mar-e-guerra, do Conselho de S. M. F., e visconde da Praia Grande de Macau. (3)

 (1) Informações biográficas recolhidas de FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, II Volume. ICM, 1996, pp. 411-412.

(2) SILVA, Beatriz Basto da Silva – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995

(3) Anteriores referências a este governador em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/isidoro-francisco-guimaraes/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/10/noticia-de-10-de-dezembro-de-1862-visconde-da-praia-grande/

Extraido de «Gazeta de Macau», n.º VI de 7 de Fevereiro de 1824.

Extraído de «Gazeta de Macau» n.º II de 8 de Janeiro de 1825.

NOTA : sobre este incêndio ver anterior referência neste Blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/12/31/noticia-de-31-de-dezembro-de-1824-incendio-do-convento-de-santa-clara/

Nesta data, Francisco António Pereira da Silveira oficiou ao Senado protestando contra uma fábrica de vermilhão, (2) cujo fumo incomodava os habitantes da Penha e que ali se instalara alegando estar fora da cidade:
«Com quanto eu tribute os meus sinceros respeitos aos Snres. Facultativos de que se compõem a Junta de Saúde, não só pela nobre Arte que exercem, mas them pelos méritos pessoaes de cada hum d´elles comtudo não posso acomodar-me com a exorbitância da hipótese classificando aquelle sítio como fora da Cidade, porque a Cidade chega athe a Barra, que fica mais distante do que o tanque–Mainato, e do Tanque-Mainato se faz caminho p.ª ella. O muro que há do Forte de Bomparto à Penha nunca indicou limite da Cidade, nem já mais foi considerado esse muro como limite da Cidade, mas como hum assessorio do Forte, para do mesmo Forte se fazer caminho seguro ao muro da Penha que lhe he sobranceiro; e principalmente desde o anno de 1825 em que o Governo de Macao fez romper o muro, abrindo passagem, e franqueando o terreno aos habitantes para cultivarem, e edificarem propriedade, e esses moradores à sua custa remirão sepulturas chinas, abrirão caminhos, edificarão propriedades, etc., esse muro já mais foi olhado como barreira da Cidade.
Se o aumento das propriedades chinas sobre os entulhos do lado do porto interior de Macao mereceo a protecção do Governo actual do paiz, que estabeleceo alli huma nova rua com  o titulo de rua nova d´El Rey; reputando sem duvida aquelles edifícios ainda que chinezes como fazendo parte da Cidade Portuguesa de Macao, não menos pode deixar de ser registada parte da Cidade, e o sítio do Tanque-Mainato agregado à Cidade, e à Parrochia de Sm. Lourenço pelo Governo de 1824, onde não só os chinas, mas os Nacionaes alli fabricarão suas propriedades, cultivarão-no, e fizeram a sua principal rua a que o Governo de 1847 deo o nome de rua de Tanque-Mainato – nome que qualquer pode lá ver na taboleta da porta» (3)
(1) Tanque do Mainato, área da cidade situada a leste da Colina da Penha, área que abrange a Rua do Comendador Kou Hó Neng, as Calçadas da Praia e das Chácaras e parte da Estrada de Santa Sancha. A designação da área foi conhecida até ao século XIX como Tanque do Mainato pois havia no local um tanque onde os mainatos lavavam a roupa, significando mainato “aquele que lava roupas”. Esta designação, no entanto,  caiu em desuso, especialmente na parte sul desta área, que é hoje mais conhecida por Santa Sancha (onde estava a Chácara de Santa Sancha)
(2) Francisco António Pereira da Silveira (1796-1873) nasceu em Macau na Freguesia da Sé, numa grande casa situada entre a desaparecida Rua do Gonçalo e a mais nobre das avenidas locais — a Praia Grande — filho de Gonçalo Pereira da Silveira (um abastado comerciante e armador, filho de um capitão de navios da Marinha Real de Goa, natural de Lisboa, Joaquim José da Silveira, que em Macau se casou, na Sé, em 10 de Janeiro de 1760, com uma das filhas de um dos mais conceituados homens da terra, Maria Pereira de Miranda e Sousa, constituindo família e fixando-se na cidade) que nasceu em 19 de Outubro de 1762, homem rico e casado em 1795, com Ana Joaquina, filha do homem mais rico e conceituado de Macau, Simão Vicente Rosa. Deste casamento nasceram pelo menos três filhos, Francisco António, Gonçalo e Ana Joaquina.
Francisco António casou com Francisca Ana Benedita Marques, em 15 de Agosto de 1819, e assim ficou relacionado com as famílias mais nobres e ricas de Macau, uma vez que sua mulher descendia, por um lado, em linha recta, de Domingos Pio Marques Castel-Branco, pertencente à melhor nobreza do Reino, e por outro à riquíssima família Paiva.
Deste casamento nasceram cinco filhos: uma menina, a primogénita, e quatro varões, dos quais apenas três atingiram a idade adulta.
Francisco António, depois de ter frequentado o Seminário de São José até 1818, data em que seu pai faleceu, veio a constituir família, tendo de rejeitar a ida para Coimbra para prosseguir os estudos de Direito com que sonhava (regalia que conquistara por ser um dos dois mais brilhantes alunos do seu tempo), para ocupar o lugar de chefe da família e gerir os negócios da casa. No entanto veio a perder, depois, a fortuna paterna nos riscos do mar. Foi director e administrador da Tipografia do Governo, exonerado a seu pedido em 1825.Foi almotacé da Câmara em 1815; vereador do Leal Senado em 1822; escrivão do juízo de direito de Macau em 1843; Irmão, tesoureiro e provedor da Santa Casa da Misericórdia. (4)
Ver biografia deste homem-bom, num trabalho de Ana Maria Amaro para a «Revista de Macau» , disponível em:
http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30019/1715
(3) Vermilhão ou Vermelhão: substância tintória, o mesmo que mínio ( designação vulgar do deutóxico de chumbo, também conhecido por cinábrio, zarcão ou vermelhão (Dicionário de língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo, 1986)
Vem do francês: vermeilionpigmento opaco alaranjado que tem sido usado desde a antiguidade. O pigmento ocorrente na natureza é conhecido como cinabre. Quimicamente, o pigmento é sulfeto mercúrico (HgS) e como muitos compostos de mercúrio é tóxico. A maior parte do vermelhão produzido naturalmente vem de cinabre extraído na China, daí seu nome alternativo vermelho China ou vermelho chinês.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vermelh%C3%A3o
(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia da Macau, volume I, 1997, p. 419-420.
(5) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume III, pp. 801-802,  1996.

Duas notícias publicadas no mesmo dia, (uma datada de 4 de Outubro de 1872, de Madrid) ambas publicadas no «Diário Illustrado» de 5 de Outubro de 1872,, (1) anunciavam o seguinte:
“O Visconde de Paiva, filho do antigo ministro de Portugal em Paris, primeiro marido da condessa prussiana Hendel-Donnermark, suicidou.se hontem Foi levado morimbundo para o hospital”
1:º Notíca:
2.ª Notícia:
Trata-se da notícia do suicídio do macaense Albino Francisco da Paiva Araújo (2) em «Ile de France», Paris. As fontes consultadas não coincidem com a data da morte (mesmo na postagem anterior, citei: 08.11.1872) mas com esta notícia publicada no dia 5 de Outubro de 1872 (2) conclui-se que a morte tenha sido a 3 de Outubro de 1872.
Não era “um mancebo de 30 e tantos anos apenas” (como vem publicado) mas tinha 48 anos quando se suicidou.
No entanto, Albino de Araújo de Paiva, que se auto intitulava marquês ou visconde, em Paris, não era aristocrata nem possuía qualquer título nobiliário e não é filho de Francisco José da Paiva Pereira (3),1.º Visconde de Paiva “cavalheiro muito estimado tanto em Portugal como no estrangeiro, por largos anos amigo de Napoleão II” que foi embaixador português em Paris na década de 50 (séc. XIX). Talvez por ser “Paiva”, Albino Francisco da Paiva Araújo assumiu-se ser parente de Francisco José da Paiva Pereira, daí a notícia errada.
(1) O «Diário Illustrado» (1872-1911), n.º 97 – Sábado 5 de Outubro de 1872.
(2) Albino Francisco Araújo de Paiva, nasceu em Macau 18.05.1824, filho de Albino José Gonçalves de Araújo (1797 – 1832) (negociante abastado em Macau, relacionado com o comércio do ópio) e de Mariana Vicência de Paiva (22.07.1802). Casou em Paris (Ile de France) em 05.06.1851 com Pauline Thérèse Blanche Lachmann (nascida Esther Lachmann)  (07.05.1819 -21.01.1884) Não houve descendência deste casamento.
Pauline Thérese Blanche Laschmann que em Paris ficaria conhecida como “La Paiva” obteve anulamento do seu casamento com Albino Paiva Araújo em 16-08-1871 e em 28.10.1871 casaria com Guido Georg Friedrich Erdmann Heinrich Adalbert, Conde Henckel von Donnersmark.
Albino Paiva Araújo é sobrinho de Francisco José de Paiva, referenciado anteriormente em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-jose-de-paiva/
Ver anteriores referências a este boémio ”visconde” bem como o de sua família e a “ Senhora La Paiva” em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/albino-f-paiva-araujo/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/mariana-vivencia-de-paiva/
https://en.wikipedia.org/wiki/La_Pa%C3%AFva
NOTA: sobre a vida deste malogrado “visconde” aconselho ainda a leitura do artigo de José Simões Morais em:
https://hojemacau.com.mo/2017/03/10/o-macaense-albino-de-paiva-de-araujo-na-europa/
e outras referências:
https://issuu.com/hojemacau/docs/hm-17-3-17/14
https://www.sabado.pt/social/internacional/detalhe/a-prostituta-que-casou-com-o-marques-de-paiva
(3) Francisco José da Paiva Pereira (12.11.1819 – 25.12.1868) – 1.º Barão (1853) e depois 1.º Visconde de Paiva (1858). Foi ministro de Portugal em Paris e depois em Berlim. Este embaixador que casou com Carlota de Oliveira Maia em 19.12.1838,  teve  descendente Adolfo de Paiva Pereira ( 9.10.1839 – ????), 2.º visconde de Paiva, que adido da legação Portuguesa em Bruxelas. Em 1872, Adolfo de Paiva Pereira tinha 33 anos, daí a notícia “um mancebo de 30 e tantos anos apenas”
Francisco José da Paiva Pereira suicidou-se em “Ile de France,” (Paris) a 25.12.1868; daí a notícia final incorrecta: “Tanto o pae como o filho suicidaram-se! Notável coincidencia esta!”

Em 28 de Julho de 1825, tomou posse do cargo de Governador e Capitão-Geral, o Capitão de Mar e Guerra Joaquim Mourão Garcês Palha.(1)
Joaquim Garcês Palha 1825-1827Joaquim Mourão Garcês Palha, filho de Cândido José Mourão Garcês, fidalgo cavaleiro da Casa Real e governador de Damão,  nasceu em Goa, no ano de 1775 e faleceu nessa mesma cidade em 1850.
Em 1800, foi nomeado Governador da fortaleza e cidade de Diu e pertenceu à Junta Provisional da Índia Portuguesa 1822-1823.
Sendo capitão de mar e guerra, foi-lhe entregue o comando da fragata Salamandra, que de Goa partiu para Macau em 1823, afim de libertar a cidade de Macau das mãos dos liberais que em 24 de Agosto 1822, na sequência da Revolução Liberal Portuguesa, instituíram, em Macau, um regime democrático.(2) A fragata regressou a Goa  no dia 15 de Janeiro de 1824.(3)
No desempenho desta comissão houve tanta prudência e bom êxito, que D. João VI, por carta régia de 4 de Maio de 1825 aos juizes, vereadores e procurador do Senado de Macau, e por proposta destes e do vice-rei da Índia, lhe concedeu, além da comenda honorária da Ordem de Cristo, a pensão anual de 500 taés, pelos rendimentos da alfândega de Macau, com sobrevivência aos seus descendentes legítimos.(4)
Regressou a Macau em Julho de 1925, como Governador mantendo essa função de 1825 e 1827. Em 26 de Dezembro de 1825, foi jurada em Macau, a Carta Constitucional.(1)
Em 15 de Novembro de 1927, por doença retirou-se de Macau para Goa, tendo assumido o governo da Colónia, o Conselho Governativo constituído por D. Frei Francisco Chacim, Bispo da Diocese, pelo Desembargador José Filipe Pires da Costa e pelo Major Alexandre Grand-Pré.Este depois substituído pelo Tenente-Coronel Dionísio de Melo Sampaio, Comandante do Batalhão Príncipe Regente. Por morte do bispo ficou servindo o vigário capitular, Inácio da Silva, e depois o deão da Sé.(1)
Joaquim Garçês Palha foi depois Governador da Índia, entre 1843 e 1844.
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954 e SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau , Volume 3, 1995.
(2) “Em 23-09-1923, tomou posse do Governo e Capitania-Geral um Conselho Governativo constituído pelo Bispo da Diocese, D. Francisco Chacim, pelo Major João Cabral de Estefique e por um vereador da Câmara (liberal) nomeado mensalmente. Segundo os liberais do Senado, a fragata Salamandra era o centro do alegado movimento despótico e anti-constitucional que ameaçava Macau. A fragata comandada pelo futuro Governador Joaquim Mourão Garcez Palha, trazia uma força de 200 marinheiros e oficiais vindos de Goa, os quais desembarcaram a 23 de Setembro, ocupando as fortalezas e impondo um Conselho do Governo.“(1)
(3) “8-01-1824 – O Governo de Macau anuncia na Gazeta desta data que no dia 15 seguinte larga do porto de Macau para Goa a fragata Salamandra. Arriaga assina, com Chacim (o Bispo) e Cabral (João Cabral d´Estefique.”
20-01-1824 – Embarcaram na fragata Salamandra o Comandante dela, Capitão de Mar-e-Guerra Joaquim Mourão Gracez Palha. Foi muito obsequiado e saudado à hora da partida, tendo a fortaleza de S. Francisco salvado quando, dirigindo-se do Hopu da Praia Grande para bordo, a lancha que o conduzia passou a frente.“(1)
(4) “04-05-1825 – Por carta régia dirigida aos Juízes, Vereadores e Procurador do Senado de Macau e por proposta destes, foi concedida ao Capitão de Mar-e-Guerra Joaquim Mourão Garcez Palha, além da comenda honorária da Ordem de Cristo, a pensão anual de 500 taéis com sobrevivência nos seus descendentes legítimos.”(1)
NOTA: Joaquim Mourão Garcês Palha casou com D. Lizarda Joaquina de Mendonça Corte Real, filha de Xavier de Mendonça Corte Real, moço fidalgo da Casa Real, capitão de mar e guerra da marinha de Goa, e de sua mulher, D. Violante Luísa Pereira de Castro. Deste consórcio, entre os quatro filhos, houve o 1.º visconde de Bucelas, Cândido José Mourão Garcês Palha, e o 1.º barão de Combarjúa Ludovico Xavier Mourão Garcês Palha.
http://www.arqnet.pt/dicionario/garcezpalhajm.html

Silhouettes D´Asie Eudore Colomban 1921 CAPASilhouettes portugaises d’Asie
Conférence donnée
à l’Institut de Macao
dans sa séance du 19 Février 1921
Typographie des P. P. Salésiens
MACAO
1921

Um “livro”, com 35 páginas, escrito em francês, intitulado Silhouettes portugaises d´Asia” (1) reprodução duma conferência proferida no Instituto de Macau, no dia 19 de Fevereiro de 1921, por Eudore de Colomban. (2)

Silhouettes D´Asie Eudore Colomban 1921 Assinatura do autorFoi impresso na Tipografia dos Salesianos, em 1921.
O autor nessa conferência traçava a biografia de três personalidades:

  • Benoît de Goes (1562-1607) pp. 5-12 (3)
  • Alexis de Menezes (1559 – 1617) pp.13- 19 (4) e
  • Michel d´Arriaga (1776 – 1824) pp. 20 – 30 (5)

Silhouettes D´Asie Eudore Colomban 1921 MACAOO livro contém fotografias das personalidades referidas mas de muita má qualidade na impressão. A melhor foto do livro é esta, uma panorâmica da Baía de Praia Grande, vista da Colina da Penha.

(1) COLOMBAN, Eudore de – Silhouettes portugaises d´Asie. Typographia des P.P.Salesieux, Macao, 1921, 35 p. 21,5 cm x 14 cm.
(2) Eudore de Colomban (1873-1940), pseudónimo de Régis Gervaix, missionário das Missões Estrangeiras de Paris, foi ordenado em 24 de Setembro de 1898, tendo partido de imediato para Kuantong onde missionou vários anos. Veio para Macau em 1919 e em 1925 foi para Pequim como professor da literatura francesa. Faleceu em Paris em Novembro de 1940.
Ver referências anteriores em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/eudore-colomban/
Silhouettes D´Asie Eudore Colomban 1921 Bento de Góis(3) Bento de Góis. Nascido em Vila Franca do Campo (Açores) em 1562, padre jesuíta português (integrou a 3.ª expedição dos jesuítas enviados à corte do Grão Mongol Akbar em Lahore ao reino da Mongólia – 1595). Em 1602, partiu de Goa  com a missão de encontrar o lendário reino do Cataio na Ásia Central. Foi o primeiro europeu a percorrer o caminho terrestre da Índia para China provando que o “Cathay” de Marco Polo era a China. Faleceu a 11 de Abril de 1607, em Suzhou junto da muralha da China onde chegara em 1606.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bento_de_G%C3%B3is
Aconselho leitura de “Bento de Góis – a paixão da Distância”de Lúcia Costa Melo Simas, de 2007 em:
http://www.ulisses.us/lucia-28-bento-goes.htm
Silhouettes D´Asie Eudore Colomban 1921 Aleixo de Meneses(4) Frei (Agostinho) Aleixo de Meneses (nascido Pedro de Meneses) foi Arcebispo de Goa (1595 -1612), governador da Índia (1607 – 1609), arcebispo de Braga (1612-1617) e governador de Portugal (161-1615 – dominação filipina). Faleceu em Madrid em 1617, sendo provisoriamente sepultado no Convento de São Felipe. Em 1621 foi trasladado para a capela-mor da igreja do Pópulo, em Braga.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aleixo_de_Meneses
Silhouettes D´Asie Eudore Colomban 1921 Miguel de Arriaga(5) Miguel José de Arriaga Brum da Silveira, filho de José de Arriaga Brum da Silveira e de D. Francisca Josefa Borges da Câmara Corte Real, nasceu na vila da Horta (Açores) e faleceu em Macau com 47 anos de idade. Estudou Leis na Universidade de Coimbra, foi designado desembargador de Agravos da Casa da Suplicação do Brasil, tendo ido para Goa e depois nomeado ouvidor em Macau onde chegou a 29 de Junho de 1802.
Prestou salientes serviços a Macau (derrota dos piratas caudilhados por Cam Pau Sai; desempenhou o importante papel diplomático ao dissuadir os britânicos de ocupar Macau, evitando confrontos com a China; introdução da vacina em Macau e na China). Tal foi o mérito conquistado na China que quando morreu o imperador ordenou luto em sua honra.
TEIXEIRA, Padre Manuel – Vultos Marcantes em Macau, 1982.
Outras referências anteriores a Miguel  de Arriaga em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/miguel-de-arriaga-brum-da-silveira/