Com a presença do Governador da Província, Comandante Joaquim Marques Esparteiro, acompanhado da esposa, D. Laurinda Marques Esparteiro e de sua filha, Maria Helena e outras altas individualidades, realizou-se no dia 24 de Agosto de 1952, na barraca de banhos OU KIU, no Porto Exterior, um festival de natação que decorreu com grande animação.(1)

MOSAICO V-25-26 SET-OUT 1952 Barracas de banhos IAs alta individualidades assistindo ao decorrer do animado festival

As barracas de banhos, tão populares nas décadas de 50 e 60 (século XX) (2)  estavam situadas no Porto Exterior, na zona do reservatório (Avenida da Amizade). Estavam concessionadas a três empresas, uma  delas, a OU KIU (a mais bem apetrechada) era a primeira, à esquerda, para quem vinha da Rua dos Pescadores.

MAPA DO RESERVATÓRIO - Localização das barracas de banhoLocalização aproximada das barracas de banhos, desenhadas num mapa turístico de 2008,  em que o nº. 1, seria a da empresa Ou Kiu
MOSAICO V-25-26 SET-OUT 1952 Barracas de banhos IIUma numerosa assistência encheu as dependências da barraca Ou Kiu

(1) «Mosaico, 1952».
(2) Com a construção da Ponte Governador Nobre de Carvalho (Macau-Taipa, inaugurada em  a 1974) as barracas passaram a ter poucos “clientes” e forram desaparecendo.

“Deve-se esta casa de férias à Diocese, nomeadamente ao interesse do actual Bispo. Um antigo quartel, o Governo cedeu-o para esse fim… (…) Uma zona muito larga embora nada plana, situada no extremo da Ilha de Coloane.
MACAU B.I.T.7-8,1972 CASA FÉRIAS S. PAULO ICompreende vários pavilhões e destina-se a proporcionar férias aos alunos das escolas católicas da província
MACAU B.I.T.7-8,1972 CASA FÉRIAS S. PAULO IIContactámos (1) vários dos seus moradores e a alegria com que nos falaram revelava a satisfação que os dominava pela oportunidade de gozarem as suas férias no aprazível ambiente do campo e do mar e da praia que ficam mesmo no sopé da pequena colina em que a Casa de Férias se ergue.”
MACAU B.I.T.7-8,1972 CASA FÉRIAS S. PAULO III(1) Ver reportagens anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/09/colonia-de-ferias-nas-ilhas-em-1972-iii-casa-ricci/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/07/colonia-de-ferias-nas-ilhas-em-1972-ii-casa-dos-correios/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/04/colonia-de-ferias-nas-ilhas-em-1972-i-colegio-de-d-bosco/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/19/colonia-de-ferias-nas-ilhas-em-1972-iv-casa-da-mocidade-portuguesa-feminina/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/21/colonia-de-ferias-nas-ilhas-em-1972-v-colonia-balnear-da-policia-de-seguranca-publica/

Na imprensa do mês de Agosto de 1952, (1) vinha a notícia da remodelação das instalações (2) do Clube Militar, antigo Grémio Militar, e da realização de animadas reuniões dançantes, aos domingos.

MOSAICO V - 25 1952 Clube Militar IA fachada principal do Clube Militar em 1952

(1) «Mosaico, 1952»

MOSAICO V - 25 1952 Clube Militar IIO bar do Clube Militar (1952)

(2) O Grémio Militar com projecto do Barão do Cercal. foi erguido no local do antigo mosteiro dos franciscanos. Fundado em 1870, por iniciativa do alferes Rafael das Dores, foi o seu primeiro presidente, o Capitão Manuel d´Azevedo Coutinho, eleito a 20 de Abril de 1870. Os primeiros estatutos foram aprovados em 24-01-1871 e publicados a 31 do mesmo mês no «Boletim de Macau e Timor, 1871». O edifício do Grémio foi ampliado em 1893 (3) e depois das primeiras décadas do século XX, de maiores actividades, foi decaindo até à Guerra no Pacífico quando foi ocupado pelo Governo para aí instalar os refugiados. Findo a guerra e  após ocupação pelos serviços de Fazenda  foi entregue aos serviços militares para instalação do Clube Militar.
Em 1951 foi feita uma remodelação no interior (Portaria Provincial de 29 de Outubro de 1951, o Governo nomeou uma comissão, composta do Major Cabreira Henriques, tenente Alexandrino José Marques Pinheiro, da Administração Militar, e tenente Manuel Nunes Vieira), obra dirigida pelo então tenente de Engenharia Manuel de Mesquita Borges.
TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX , pp.613-614)
(3) 25-08-1893 – Processo n.º 17 – Série A – da Adm. Civil (A. H. M)

“Não se podem regatear elogios à Polícia de Segurança Pública de Macau que através dum dinâmico esquema assistencial da sua Obra Social, mantém na praia de Hac-Sá a colónia balnear para os filhos dos seus sócios e para outras crianças que se queiram aproveitar da mesma, pagando, para tanto, reduzida importância.
MACAU B.I.T.7-8,1972 COLÓNIA BALNEAR PSP VCom uma localização a todos os títulos excelente, dominada toda ela pela mata de pinheiros que fornecem a agradável sombra em dias quentes de Verão, os jovens, portugueses e chineses, têm a oportunidade do gozar umas deliciosas férias.

MACAU B.I.T.7-8,1972 COLÓNIA BALNEAR PSP IA espaçosa e bem arejada Casa da Colónia Balnear da Obra Social da Polícia de Segurança Pública

O mar fica apenas a alguns metros da casa, que é espaçosa e amplamente aberta para a imensidade do oceano, entrando a jorros luz e ar que são sempre os elementos imprescindíveis da felicidade.

MACAU B.I.T.7-8,1972 COLÓNIA BALNEAR PSP IINo baloiço, a pequenada possui um dos seus mais agradáveis divertimentos com as descidas e as subidas, desfeitas pelas quedas que em vez em quando terão de suportar.

… Uma larga zona verde, bem delimitada, dispondo de uma rede de dispositivos para brinquedos de crianças, com campo para a prática do futebol e basquetebol, apresenta-se como a melhor colónia de férias que conhecemos em Coloane , sem desprimor para nenhuma das outras… (…)  (1)

MACAU B.I.T.7-8,1972 COLÓNIA BALNEAR PSP IIIUma rede de dispositivos para brinquedo das crianças estende-se por uma larga zona ensombrada pelos pinheiros que por ali foram cuidadosamente plantados
MACAU B.I.T.7-8,1972 COLÓNIA BALNEAR PSP IVOutra modalidade de divertimento… O escorrega…

… Não lhes falta a assistência médica facultada em determinados dias, para que todos possam ter a certeza que não acusam doenças que possam contrariar os fins da colónia , que não podem ser outros senão contribuir para o revigoramento físico dos seus habitantes… (…)

MACAU B.I.T.7-8,1972 COLÓNIA BALNEAR PSP VINa hora da consulta médica

… A comida satisfazia bem o apetite da pequenada. O aspecto físico evidenciava bom cuidado e a influência do mar e dos ares todo o santo dia a fornecerem os melhores aperitivos possíveis… (…) ”

MACAU B.I.T.7-8,1972 COLÓNIA BALNEAR PSP VIINa hora da refeição

(1) Ver reportagens anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/09/colonia-de-ferias-nas-ilhas-em-1972-iii-casa-ricci/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/07/colonia-de-ferias-nas-ilhas-em-1972-ii-casa-dos-correios/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/04/colonia-de-ferias-nas-ilhas-em-1972-i-colegio-de-d-bosco/
 

“20-08-1851 – O Governador António Gonçalves Cardoso fez ocupar a «Taipa Quebrada», (1) uma zona da Ilha que ficava afastada da actual vila, mas também a pedido dos moradores e suas embarcações, carecidos de defesa contra os piratas e outras espécies de lanchaes (ladrões). Entretanto Coloane servia-lhes de excelente esconderijo. Em contrapartida da protecção à Taipa, foi elaborado um pequeno mas eficaz articulado legislativo” (2)

MAPA - Esboço de Adolpho Loureiro - 1882Representação esquemática do projecto Adolpho Loureiro (1882)

(1) A Taipa, que em chinês é conhecida por  Tâm Tchai (3) ou Pequeno Lago.  após assegurada a sua posse em 1845 e ocupada por ordem do governador Ferreira do Amaral  (hasteada a bandeira portuguesa pela primeira vez em 9 de Setembro de 1847), (4) estava, ainda no início do século XX, dividida em duas ilhas – a Taipa Grande ou Taipa Quebrada e a Taipa Pequena – separadas por uma estreita língua de mar. Foram, mais tarde, unificadas por assoreamentos naturais e, posteriormente, por aterros. Foi junto a uma das suas colinas – na Taipa Pequena – que se constituiu a povoação da Taipa, com um ancoradouro. Aqui, desde o século XVII, “os barcos estrangeiros que se dirigiam a Cantão, subindo o rio das Pérolas e que deviam tomar a bordo, em Macau, piloto e intérprete, apenas eram autorizados a seguir viagem depois de fundearem na Taipa, local portanto bem conhecido dos marinheiros, a ponto de algumas cartas marítimas se referirem a Macau como “porto da Taipa”.
COSTA, Maria de Lourdes Rodrigues – História da Arquitectura em Macau. Instituto Cultural de Macau, 1997.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995.
(3) mandarim pīnyīn: dàng zǎi; cantonense jyutping: tam5 zai2

Esboço das Ilhas da Taipa 1912Esboço das Ilhas da Taipa (1912)

(4) “1847 – O Governador João Maria Ferreira do Amaral, na sequência de conversações diplomáticas encetadas com a China pelo seu antecessor resolve ocupar a Ilha da Taipa. De resto são mesmo os comerciantes que ali habitam que pedem protecção portuguesa contra os frequentes ataques de piratas que não só atacam do mar como se açoitam em grutas do litoral, de onde organizam investidas e roubos à população. O tenente Pedro José da Silva Loureiro constrói, no actual espaço da esquadra das Forças de Segurança, uma fortaleza, tendo em vista maior eficiência da defesa. Ali se ergue pela primeira vez a bandeira portuguesa, em Setembro deste ano. Pedro Loureiro (1792-1855) natural de S. Miguel (Açores), Oficial da Marinha de Goa foi também proprietário do brigue Genoneva e Capitão do Porto de Macau” (2)
Anterior referência à Taipa Quebrada:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/ilha-da-taipa/page/2/

Na altura da visita da equipa de reportagem (1) a Casa da Mocidade Feminina albergava o grupo de raparigas do Liceu nacional Infante D. Henrique, com algumas dirigentes.
Uma vivenda suficiente espaçosa para dar morada a uma mocidade irrequieta que não quer lhe prendam os movimentos, que se sente livre na liberdade dos grandes e luminosos dia dum Verão franco e soalheiro…(…)

MACAU B.I.T.7-8,1972 CASA DA MPF IA bela casa da Mocidade Portuguesa Feminina em pleno funcionamento no Verão de 1972.

… Boa comida e bons ares, sem grandes inibições de disciplina, sentem que os dias são curtos, porque grande é a vontade de continuar

MACAU B.I.T.7-8,1972 CASA DA MPF IIA hora mais apetecida do dia, a distribuição do almoço, que lhes recupere as forças gastas na actividade dos banhos ou nos percursos pelas estradas fora.

Nas horas em que os banhos da praia são as convidam, as raparigas deixam-se ficar em casa e divertem-se a jogar o «majon» ou distraem-se com leituras amenas…(…)

MACAU B.I.T.7-8,1972 CASA DA MPF IIIJogos de mesa nas horas mais calmosas do dia

… Mas a Mocidade Portuguesa não esquece o interesse religioso das suas filiadas. Assistimos, no momento da nossa reportagem, a uma palestra do assistente eclesiástico, versando o oportuno tema da procura de Jesus pelos «Hippies», a ânsia duma transcendência que substitua a falta de substância da vida moderna desligada da sua verdadeira finalidade … (…)

MACAU B.I.T.7-8,1972 CASA DA MPF IVO assistente Eclesiástico da M. P. F. em conversa com as moças das férias.
MACAU B.I.T.7-8,1972 CASA DA MPF VNos banhos…

(1) Continuação das reportagens publicadas em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/09/colonia-de-ferias-nas-ilhas-em-1972-iii-casa-ricci/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/07/colonia-de-ferias-nas-ilhas-em-1972-ii-casa-dos-correios/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/04/colonia-de-ferias-nas-ilhas-em-1972-i-colegio-de-d-bosco/

O Corpo de Bombeiros Municipais de Macau celebrou o Dia de Bombeiro no dia 18 de Agosto de 1951, com grande solenidade,  tendo sido tributada calorosa homenagem à memória de Guilherme Gomes Fernandes e do General João Carlos Craveiro Lopes, o reorganizador dos Serviços de Incêndios desta província.
Às cerimónias do dia, associaram-se os representantes de Hong Kong e Kowloon.

MOSAICO II - 13, 1951 Dia de Bombeiro IO pessoal de piquete, em formatura, antes de actuar no simulacro de incêndio
MOSAICO II - 13, 1951 Dia de Bombeiro IIAs entidades oficiais assistiram interessados ao simulacro de incêndio.

Fotos de «Mosaico, 1951»

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