Transcrevo algumas chapas (1) com assuntos “curiosos” do   «Registo em portuguez das Chapas remetidas às autoridades chinezas, pelo Procurador de Macao, sendo este o morador José Baptista Miranda e Lima» (2)
CHAPA I – Chapa de resposta ao M. Cso-tam sobre as escavações no mato da Penha
“Eu o Procurador & respondendo à Chapa do Snr M. Cso-tam sobre as escavaçoens no matto da Penha, sou a dizer-lhe q. examinando eu o motivo das d.as escavaçoens , vim no conhecimt.º , de q. apenas se tem applainado o lugar onde hé prezentemt.e Semiterio de Christaons, cercando-o com pandões (3) para evitar, q. os caens ali entrem, e revolvão as sepulturas. O que partecipo ao Snr. M. para sua intelligencia.
Macáo 28 de Janr.º de 1833 – Lima”
CHAPA II – Chapa ao M. de Hiam-xan sobre a divida de Fonkua com C.A. Pacheco
“Eu o Procurador & faço saber ao Snr M. de Hiam-xan, q. havendo o anno passado, meu Antecessor feito varias chapas sobre a divida do China Fonkua com Cypriano Ant.º Pacheco não tem havido athé agora resposta deciziva sobre aquella divida, motivo por q. requeiro p.r esta a sua decizão; e q. mande entregar Botica ao d.º Pacheco, visto q. a divida excede o dobro do vallor da d.ª Botica
Macáo 2 de Abril de 1833 – Lima”
CHAPA III – Chapa ao M. Cso-tam sobre a divida de Fonkua a C. A. Pacheco
“Eu o Procurador & faço saber ao M. Sr M. Cao-tam, q. p.ª accabar a questão de Fonkua com C. Ant.º Pacheco, se sirva mandar ao d.º Pacheco a botica de Fonkua p.r conta de toda a divida, q. este tem com aquelle.
Mácao 22 de Agosto de 1833 – Lima”
(1) O termo “Chapas” ou “Chapas sínicas” significa ofícios ou ordens (registos) escritos pelos mandarins que eram enviados pelas autoridades chinesas às autoridades macaenses (nomeadamente ao Procurador) durante a Dinastia Qing (1693-1886) e vice-versa
(2)  «MOSAICO», Vol. VIII, n.º 47-49, 1954.
(3) pandões – paredões ?

Para complementar (e corrigir) a notícia postada em 28 de Setembro de 2013, a propósito da visita do Príncipe Imperial  Grão – Duque Alexis , filho do Czar de todas as Rússias (1)  que chegou a Macau no dia 28 de Setembro de 1872 (sábado), vindo de Cantão:
A comitiva após o aparato da recepção e apresentação de boas vindas ficou alojado no Palácio do Governo (Palácio da Praia Grande)  onde houve jantar de gala. No domingo, dia 29 de Setembro, após o almoço ,a  que assistiram também vários funcionários, o Príncipe Alexis visitou o Leal Senado e a Gruta de Camões. De tarde recebeu cumprimentos dos funcionários e, à noite, novo jantar de gala, após o qual assistiu num teatro a um auto-china (no Teatro Cheng Peng).  Não se esqueceu de galardoar o empresário do teatro, chamado Eloc, com um alfinete cravejado dum pérola e brilhantes.
Na segunda feira, dia 30, às 10 da manhã embarcou para Hong Kong na canhoneira china Peng-chao-hoi, que o vice-rei de Cantão pòs à sua disposição.” (2)

groao-duque-alexis-set1872-the-hk-advertiserNotícia do ” Sacramento Daily Union, Vol 44 , n.º 6747, 16 Nov 1872″:

The Hongkong Advertiser of October Ist thus refers to the visit of the Grand Duke Alexis at that port: H. I. H. the Grand Duke Alexis and suite arrived yesterday afternoon from Macao in H. I. C. M. gunboat Peng Chao Hai. His Imperial Highness was accompanied by the Russian Admiral and Brown, the Commissioner of Customs at Canton, and in the evening his Imperial Highness and suite visited tbe Sing Ping theater.” (3)

grao-duque-alexis-set1872-foto-jovemGrão- Duque Alexei Alexandrovich (jovem) (1872 ?)
Foto de Sergei Lvovitch Levitsky   (4)

O Grão-Duque Alexei Alexandrovich, em 1871 foi enviado como embaixador de boa-vontade numa viagema América e Ásia. Esteve em vários estados dos Estados Unidos da América (como por exemplo, esteve em meados de Janeiro, em Nebraska, para uma caçada de búfalos com o famoso Búfalo Bill (5); em  New Orleans, onde assistiu ao «Mardi Gras») (6), Cuba (chegou a Havana no dia 29 de Fevereiro de 1972)  e Brasil (Rio de Janeiro onde chegou a 3 de Junho de 1872). Seguiu para o Sudoeste Asiático passando por Cape Town (África), Batavia e Singapura.(7)
Chegou a  Hong Kong a 13 de Setembro de 1972 (8)
grao-duque-alexis-set1872-the-chronicle-directoryEsteve 10 dias alojado na Casa do Governador de Hong Kong, Sir Arthur Kennedy. (9)

grao-duque-alexis-set1872-navio-svetauna-em-hong-kongChegada do navio russo «Svetlana» a Hong Kong, em 1892, com o Grão-Duque Alexis (10)

Regressaria a Hong Kong em meados de Janeiro de 1873 onde esteve duas semanas na mesma Casa do Governador e seguiu depois, no dia 30 de Janeiro, para Manila (Filipinas). Mas regressaria a Hong Kong a 7 de Fevereiro  até Março para depois seguir para Shanghai. A 19 de Março 1873, o Grão Duque Alexis da Russia deixou  Shanghai rumo a Hankow. Chegou ao Japão a 15 de Outubro de 1872.
 
(1) Esta postagem de 2013, contém um erro que rectifico com uma Nota de Actualização, com  a data de hoje: “O grão duque Alexis que esteve em Macau não foi o Príncipe Imperial Grão Duque Alexander Alexandrovich Romanov (1845-1894), futuro czar Alexandre III (reinou de 1881 a 1894) mas sim, o seu irmão Alexis Alexandrovich Romanoff (1850-1908)
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/09/28/noticia-de-28-de-setembro-de-1872-visita-do-grao-duque-alexis-da-russia/
grao-duque-alexis-set1872-duke-alexis-of-russia

Alexis Alexandrovich Romanoff (São Petersburgo 1850 – Paris 1908) foi a sexta criança e quarto rapaz a nascer do czar Alexandre II da Rússia e da sua primeira esposa, Maria Alexandrovna (Maria de Hesse). Destinado a uma carreira naval, Alexis Alexandrovich começou o seu treino militar aos sete anos de idade. Com 20 anos foi nomeado Tenente da Marinha Imperial Russa e visitou todos os portos europeus pertencentes à Rússia. Em 1871 foi enviado como embaixador de boa-vontade numa viagem pelos Estados Unidos e Japão.
Em 1883 foi nomeado general almirante. Em 1905, depois da derrota na Batalha de Tsushima, reformou-se do seu posto. Morreu em Paris em 1908. (11)

grao-duque-alexis-set1872-foto-idade“Grand Duke Alexei Alexandrovich in old age” (12)

(2) TEIXEIRA – Padre Manuel – Residência dos Governadores de Macau, 1982. Ver  p. 13
(3) “Sacramento Daily Union, Vol 44 , n.º 6747, 16 Nov 1872″
http://cdnc.ucr.edu/cgi-bin/cdnc?a=d&d=SDU18721116.2.66
(4) https://en.wikipedia.org/wiki/File:Grand_Duke_Alexei_Alexandrovich_in_his_youth.jpg
(5) “By mid-January the Grand Duke had made his way to central Nebraska for his much anticipated participation in a buffalo hunt that would take place on his twenty-second birthday. Buffalo Bill Cody was to be his guide. The hunting party also included General Philip Sheridan and Colonel George Custer.”
http://www.eyewitnesstohistory.com/buffalobill.htm
(6) GÓES, Fred – Mardi Gras: carnaval americano na visão de um brasileiro
http://www.scielo.br/pdf/alea/v7n2/a09v7n2.pdf
grao-duque-alexis-set1872-the-straits-times-31ago1872(7) “THE GRAND DUKE ALEXIS – At about 2o´clock Wednesday afternoon, the Russian frigate Svetlana was sighted coming in from the Eastward, having on board H. R. H.. Prince Alexis Alexandrovitoh, third son of H. I. M. the Emperor of Russia. As  soon as this was  positively ascertained, a gun was fired from Fort Cunning, and the Russian naval ensign run up the masthead….”
«The Straits Times, August 31st, 1872.»
(8)  The  Chronicle &Directory for China, Corea, Japan,, The Philippines, Cochin-China, Annam, Tonquim, Siam, Borneo Straits  Settlements, Malay States, &C. for the year 1888″.
https://books.google.pt/books?id=zYpEAQAAMAAJ&pg=PA14&lpg=PA14&dq=Alexis+of+Russia+in+Hong+Kong
(9) SHARE, Michael – Where Empires Collided Russian and Soviet Relations with Hong Kong, Taiwan, and Macao. The Chinese University Press , 2007, p. 22
https://books.google.pt/books?id=hG6j9NH6x8AC&pg=PA22&dq=Alexis+of+Russia+in+Hong+Kong
(10) http://www.terapeak.com/worth/1872-hong-kong-arrival-svetlauna-flag-ship-russia-grand-duke-alexis-print/201567941916/
(11) https://pt.wikipedia.org/wiki/Aleixo_Alexandrovich_da_R%C3%BAssia
(12) https://en.wikipedia.org/wiki/File:Grand_Duke_Alexei_Alexandrovich_in_old_age.jpg

No dia 27 de Setembro de 1926, caiu sobre a cidade um inesperado tufão (1) que causou grandes prejuízos e estragos, devido ao facto de o tufão ter mudado inesperadamente de direcção e a população de Macau ter sido apanhada de surpresa. (2)
Assim registaram-se avarias na iluminação pública, naufrágios principalmente no Porto Exterior. A lancha canhoneira «Macau» (3) esteve em perigo de se afundar. O cruzador «Republica» (4) ficou encalhado no Porto Interior. Afundaram-se cinco batelões da «Netherlands Harbour Works». O rebocador Otto encalhou perto de um muro de retenção da Areia Preta. A draga Nanking garrou (5) e foi encalhar em Macau Siac. Encalhou também um batelão na Lapa, outro junto do muro da rua marginal, e outro no Porto Interior. Afundaram-se várias embarcações com perdas de vidas.(6)
O jornal «Diário de Lisboa» informava no dia 28 de Setembro de 1922 que “”UM TUFÃO ASSOLOU MACAU parecendo que houve mortes”
MACAU, 27 – Um violento tufão assolou esta cidade. Nem todos os juncos de pesca que estavam ao largo recolheram, receando-se que a maior parte se tenha afundado causando a perda de muitas vidas. Os estragos no litoral são relativamente pouco importantes.
Nos dois dias seguintes (29 e 30 de Setembro) completava a notícia:
No Ministério das Colónias não foi ainda recebido qualquer novo telegrama sobre o tufão de Macau. O cruzador «Republica» garrou, não tendo, porém, sofrido qualquer avaria.”
“Pela vistoria a que se procedeu, verificou-se que o cruzador «República», não sofreu qualquer avaria, em consequência de ter “garrado” em Macau.
(1) “Formou-se no Pacífico  no dia 22 de Setembro de 1926 nas proximidades de Guam; deslocou-se para WNW e depois NW, atravessou Luzon e no Mar da China, recurvou para W passando a poucas milhas a norte das Pratas. passou a cerca de 60 milhas a Sul de Macau e entrando no Continente dissipou-se a N. de Hanoi no dia 28 de Setembro”. (NATÁRIO, Agostinho – Tufões que assolaram Macau.) 1957.
(2) O mesmo acontecendo em Hong Kong conforme relatório anual (1926) de “Hong Kong General Chamber of Commerce”
tufao-27set1926-hk-chamber-of-commercehttps://www.chamber.org.hk/FileUpload/201108261214531386/1926AR.pdf
(3) N.R.P «Macau» – lancha-canhoneira (1909-1943)
canhoneira-macau-1909-1943Sobre esta lancha, aconselho a postagem do site:
http://naviosenavegadores.blogspot.pt/2008/09/marinha-de-guerra-portuguesa-o-nrp.html
Nos comentários a esta postagem, Ricardo Matias dá uma informação sobre o destino desta canhoneira:
A canhoneira Macau e duas dragas do porto de Macau, foram entregues às autoridades militares japonesas que ocupavam a China por troca com 10.000 sacos de arroz, foi uma troca desigual e forçada pela ameaça de invasão. O navio passou a chamar-se Maiko e com o final da Guerra caiu em mãos chinesas em Cantão, rebaptisado Wu Feng, passou em 1949 para a China Comunista e perdeu-se o rasto. A troca foi realizada em 15 Agosto 1943, mas o navio continuou na lista da Armada até 1945, uma maneira de mostrar aos americanos que não ajudávamos os japoneses.”
(4) Cruzador «República» (ex-HMS Gladiolus) (1920 -1943)
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/03/06/noticia-de-6-de-marco-de-1927-o-cruzador-republica/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/02/leitura-o-cruzador-republica-na-china/
(5) GARRAR – (termo náutico) – quando o navio é levado a vogar à mercê das ondas, por não estar bem segura a amarra.  Desprender as amarras.
(6) GOMES, Luís G – Efemérides da História de Macau, 1954.

Pescu (1) já dâ fula, (2)
Câbóla  contente:
Nhonha (3) bixigosa
sab´inganá gente

Ade (4) pide chúa (5)
Sápu pidi vento:
Nhonhónha (6) bunita.
Pidi casamento.

Nhonha na jinella
Cô úla mogarim (7)
Sua mài tankaréra (8)
Sua pai canarim

Casamento fêto
Na ponta de lenço;
Quim casá cô preto
Tem pôco sintimento.

Eu masqui (9) sã preto
Sã minha naçan:
Panhá vento suzo (10)
Ficá côr de jambulan (11)

Eu passá na vôsso pórta,
Já tócá na fichadura,
Vanda dêntro (12) respondê:
Passá fóra criatura!

Ingrata, ingrata
Côraçan de vidro:
Sem nada, sem nada,
Ficá mal cômigo!

Eu querê pra vôs,
vôs querê pra ôtro;
Deus lô (13) castigá,
Fazê vôsso ôlo (14) tôrto,

Eu pra olá pra vôs,
Passá vanda hórta,
Espinho chuchú (15) pê,
Sangui góta góta  (16)

Quim querê pr´a eu
Passá vanda gudan (17);
Andá manso, manso (18),
Nomestê québrá buian (19)

(1) Pescu – pêssego; Arvre de pescu – pessegueiro
(2) Dá fula – deu flôr, floresceu
(3) Nhonha – menina solteira ou senhora casada nova
(4) Ade – pato; em português, adem = pato real
(5) Chúa – chuva. Mulá é corrupção de molhar
(6) Nhonhónha – plural de nhonha
(7) Mogarim – do indiano mogra ou mogri : flôr, de forte e delicioso perfume, do Jasminum Sambac. As mulheres chinesas, principalmente as prostitutas, enfeitavam-se com essa perfumada flôr.
(8) Tankaréra – Tancareira – mulher chinesa que tripula o “tancar” – barco
(9) Masqui – vem do malaio – masqui seza – apesar de ser, ainda que seja
(10) Vento suzo Panhá vento suzo = apanhar vento sujo
(11) Ficá côr de jambulan – ficar negro pois jambulan, a fruta tem a cor roxa-escura.
(12) Vanda dêntro – da banda de dentro; do lado de dentro me responderam
(13) por lôgo – lógo
(14) Ôlo – olho
(15) Chuchú – espetar (provalvelmente derivado de chuço)
(16) Góta góta – gotas sobre gotas, em quantidade
(17) Gudan  – gudão – rés-do-chão, loja. Também significa armazéns, csas térreas para arrecadação de mercadorias.
(18) Manso manso – de mansinho, de vagar, com cuidado, com cautela.
(19) Québrá buian – partir  o boião
PEREIRA, J. F. Marques – TA-SSI-YANG-KUO, série I -Vols I e II. Lisboa, 1899-1900, 812 p.

No dia 25 de Setembro de 1869, a canhoneira a vapor «Camões» do comando do Capitão-Tenente Gregório José Ribeiro foi enviada até à ilha dos Ladrões, à procura do barco que na tarde do dia 24, atacara a barca da Confederação Germânica do Norte (1) «Apenrade» (2) , nas proximidades da ilha Potoe, não conseguindo, porém, encontrar quaisquer vestígios dos piratas cuja lorcha veio a ser capturada, na madrugada do dia 28 sob um violento temporal, no canal conhecido por Broadway. (3)
Este episódio vem noticiado  em dois jornais (disponíveis na net).

No « The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits Settlements, Malay States Siam, Netherlands India, Borneo, The Philippines, &c.» (4)
Set, 24: Piratiacl attack on the German barque «Apenrade», near Macao, 1869″
pirataria-25set1869-i

e no « Sacramento Daily Union, Volume 38, Number 5821, 23 November 1869» (5)
pirataria-25set1869-iiConsiderable sensation has been created in Hongkong by a piratical attack of a most daring nature, made upon the N. G. bark Apenrade, while lying at anchor becalmed near Macao Roads. The captain was wounded, but not seriously, and one of the crew is missing. One of the men concerned in the murder of Williamson is in custody, and admits having followed the boat from Tientsin.

O S.S. «Apenrade», em 18 de Setembro de 1906, encalhou ficando danificado e afundou-se na Ilha Stonecutter em Hong Kong. (6)
pirataria-25set1869-iiiA barca de nacionalidade alemã, propriedade de Michael Jebsen,  era um navio de transporte de cargas, construído em 1892  nos estaleiros de Hamburgo por Blohm & Voss, de 973 ton. e com uma velocidade 10 nós. (7)
 
Outra informação recolhida:  a barca estava atracada nos portos de Singapura no dia 8 de Maio de 1869 (8)
pirataria-25set1869-iv(1) A Confederação Germânica do Norte ( 1867-1871) (no mapa: a vermelho) foi formada em 1867, após a dissolução da Confederação Germânica (fundada em 1815)  Integrava 22 estados do norte da Alemanha, e durou apenas até a fundação do Império Alemão, em 1871. Teve, porém, o condão de fortalecer o controle da Prússia sobre a Alemanha setentrional (papel semelhante desempenhou a Zollverein no sul do país). Ficaram de fora da Confederação a Áustria e a Baviera.
pirataria-25set1869-vhttps://en.wikipedia.org/wiki/North_German_Confederation
https://en.wikipedia.org/wiki/North_German_Confederation#/media/File:Map-NDB.svg
(2) Na pronúncia alemã, Apendorade é hoje a cidade  de Abenrá ou Aabenraa (Schleswig, Dinamarca). A cidade pertencia à Prússia e portanto  à Confederação Germânica do Norte de 1864 a 1871, data em que passou a pertencer ao Império Germânico. Em 1920 por plebiscito, a cidade foi cedida à Dinamarca.
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(4) «The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits Settlements, Malay States Siam, Netherlands India, Borneo, The Philippines, &c. »
https://books.google.pt/books?id=WYxEAQAAMAAJ&pg=PR53&lpg=PR53&dq=apenrade
(5) «Sacramento Daily Union, Volume 38, Number 5821, 23 November 1869».
http://cdnc.ucr.edu/cgi-bin/cdnc?a=d&d=SDU18691123.2.24
pirataria-25set1869-vi(6) Ilha Stonecutter ( 昂船洲; cantonense jyutpingngong5 syun4 zau1) – ilha na baía Vitória de Hong Kong. Com os aterros deixou de ser ilha e passou a fazer parte da península de Kowloon.
(7) http://www.wrecksite.eu/wrecked-on-this-ay.aspx?In4uSHWnpvKQ8xNnEMpQaQ==
(8) « The Straits Times»,  de 8 de Maio de 1869, p. 4.
http://eresources.nlb.gov.sg/newspapers/Digitised/Article/straitstimes18690508.2.14.aspx

cx-fosforo-hotel-central-vOutra caixa de fósforos do Hotel Central (1) , esta da década de 50 (século XX).
cx-fosforo-hotel-central-iEsta caixa mais pequena que a anterior (2), rectangular (dimensões: 5,5 cm x 2, 7 cm x 0,9 cm); num dos lados com fundo preto e letras a amarelo e o logótipo do hotel no canto superior direito (a branco).

Hotel Central
Macau

cx-fosforo-hotel-central-iiNo outro lado, fundo amarelo com os caracteres chineses a preto  (leitura da direita para a esquerda); o logótipo do hotel no canto superior direito (a branco).

門 澳
店 酒 央 中
TEL: 5III (1o LINES)

cx-fosforo-hotel-central-iiiA “cabeça” dos fósforos de cor azul claro
Na parte lateral indicação de do endereço rádio-telegráfico, registado em Hong Kong.

cx-fosforo-hotel-central-ivCable : “HOTCENTRAL” HONGKONG

cx-fosforo-hotel-central-vi(1) Acerca do «Hotel Central», ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/29/anuncios-hotel-central-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/08/21/anuncios-de-hoteis-em-1957/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/08/11/caixa-de-fosforos-hotel-central-i/
 

KONG CHAI CHI - RÓTULOS DE FÓSFOROS LogoOutra folha de “figurinhas de papel” da colecção “KON CHAI CHI”, adquirida no Museu de Macau, emitida pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau. (1)
Esta folha é dedicada ao tema “rótulos das embalagens de panchões”. (2)
A figurinha individual em as seguintes dimensões: 5,7 cm x 3,7 cm. Os rótulo em si têm a mesma largura(3,2 cm) variando na altura desde 3,2 cm a 5,2 cm.
jogos-kong-chai-chi-panchoes-ijogos-kong-chai-chi-panchoes-iiPANCHÕES /  爆竹 (3) / Fire crackers
“Em Macau durante o calendário das festas chinesas ouves o rebentamento de panchões por toda a cidade. Isto é para afugentar os maus espíritos e trazer  boa sorte  e alegria. A indústria do fabrico de panchões foi uma das mais importantes na vida económica e social de Macau.”.
Apresenta 24 rótulos de embalagens de panchões sobretudo de empresas sediadas em  Macau embora hajam algumas de Hong Kong e China. Como na rotulagem e fabrico das caixas de fósforos, nos “panchões”, as empresas/firmas /lojas de venda  com sede em  Macau  tinham patentes registadas em Macau mas possuíam fábricas na China. O  mesmo acontecendo os que tinham patentes registadas em Hong Kong e os panchões eram fabricados em Macau.
1 – YICK LOONG FIREWORKS CO.
Proprietário: Tang Bick (Rick)  Tong
A firma retalhista tinha a sua loja/escritório registada em Macau com o nome de “Iec-long” ou “Yec Long” na Rua Miguel Aires n.º 14. (Anuário de 1938)
A fábrica estava na Rua Fernão Mendes Pinto – Taipa
jogos-kong-chai-chi-panchoes-iiijogos-kong-chai-chi-panchoes-ivjogos-kong-chai-chi-panchoes-vjogos-kong-chai-chi-panchoes-vijogos-kong-chai-chi-panchoes-vii2 – WANG YICK FIREWORKS CO.
Empresa com escritório em Macau na Rua Praia do Manduco n.º 18.
jogos-kong-chai-chi-panchoes-viiiMas  o exemplar seguinte com a marca “CAMEL”, era produzido na China  “MADE IN CHINA” mas exportado por Macau.
jogos-kong-chai-chi-panchoes-ix3 – KWONG YUEN STEAMER WHARFS ST.
Registada em Macau com o nome de “Kuong Un” ou “Kuong Ngui” na Rua Miguel Aires n.º 12 ( Anuário 1938)
jogos-kong-chai-chi-panchoes-x4 – KWONG MAN LUNG
Não consegui informação sobre esta empresa.
jogos-kong-chai-chi-panchoes-xiijogos-kong-chai-chi-panchoes-xi5 – KWONG HING TAI
Registada em Macau com o nome de “Kuong Heng Tai”; a loja de vendas estava  na Rua das Lorchas  s/n (Anuário de 1938).
Mais recente, no Anuário de 1966,  estava registada uma empresa “Kuong Hing Tai” com escritório na Ponte Cais n.º 11 e fábrica na Estrada Ferreira de Amaral – Taipa.
jogos-kong-chai-chi-panchoes-xiii6 – KWAN YICK FIREWORKS Co.
Proprietário: Tang Bick Tong
Registada em Macau com o nome de “Kuan Iek”, escritório na Rua da Praia do Manduco n.º 23, e fábrica na Taipa. (Anuário de 1950)
jogos-kong-chai-chi-panchoes-xvjogos-kong-chai-chi-panchoes-xiv7 – HING CHEONG YEUNG HONG
Não consegui informação sobre esta empresa mas tem no rótulo uma indicação “curiosa” – “MADE IN PORTUGUESE MACAU”
jogos-kong-chai-chi-panchoes-xvi8 – EXEMPLARES “MADE IN MACAU”
Mas com patente registada em Hong Kong e exportado por “Li & Fung Ltd. Hong Kong”
jogos-kong-chai-chi-panchoes-xviiEste  rótulo tem também “Manufactered in MACAO (Portuguese)” mas exportado por Hong Kong por “”DISTRIBUTORS J. P. VASUNIA & Co Hong Kong”.
jogos-kong-chai-chi-panchoes-xviii(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/kong-chai-chi/
(2) Panchão (conhecido no Ocidente pela descrição dos primeiros europeus viajantes como “estalos da China”) – foguete chinês, pequeno pacotinho de pólvora que rebenta sem subir ao ar.
(3) 爆竹  – mandarim pīnyīn: bào zhú; cantonense jyutping:  baau3 zuk1
(4) Os rótulos das embalagens com indicação de morada correspondem sempre ao endereço da firma retalhista e nunca ao local da fábrica.
Referências anteriores à importância do fabrico de “panchões” em Macau ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/panchoes/