A visita do Comandante-em-chefe da esquadra Inglesa no Extremo-Oriente, vice-almirante Sir Charles Edward Lambe a Macau, no dia 20 de Janeiro de 1954, relatado no «Boletim Geral do Ultramar» de 1954 (1) e publicado neste blogue no dia 20 de Janeiro de 2018, (2) mereceu também uma reportagem mais pormenorizada no «Macau Boletim Informativo» (3)
Em visita oficial ao Governador da Província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, chegou a Macau no dia 20 do corrente, a bodo do «H.M.S. Alert», o Comandante-em-chefe da esquadra Inglesa no Extremo Oriente, Vice-almirante Sir Charles Edward Lambe.

O Comandante-em-chefe da Esquadra Britânica do Pacífico veio até à ponte da Capitania numa vedeta da Marinha Inglesa

Depois de receber, a bordo, os cumprimentos de boas-vindas do Secretário do Sr. Governador, do Comandante Militar de Macau, do Comandante do Aviso «Gonçalo Zarco, do Capitão dos Portos e do Cônsul de S. M. Britânica, o Vice-almirante Lambe desembarcou na Ponte n.º 1 da Capitania dos Portos, passando em seguida revista à guarda de honra, formada por uma companhia da nossa marinha de guerra.

O Vice-almirante Sir Charles Edward Lambe passa revista à guarda do honra formada por uma companhia do Aviso «Gonçalo Velho»

Dirigiu-se, depois, ao Palácio do Governo, à Praia Grande, onde apresentou cumprimentos ao Governador, que os retribui, a bordo do «Alert», sendo servido em seguida um almoço oferecido pelo Vice-almirante Lambe.

Sir Charles Edward Lambe e o Governador de Macau, Almirante Joaquim Marques esparteiro

À tarde, realizou-se uma recepção no Consulado Britânico a que assistiu o Governador e Esposa, e as mais destacadas entidades do nosso meio social.
O Governador e sua Esposa, homenagearam com um jantar, que se realizou no palácio da Praia Grande, o ilustre visitante, e que assistiram as principais individualidades da Província,

O Governador discursando no jantar de homenagem oferecido ao ilustre visitante no Palácio do Governo, à Praia Grande.

O comandante-em-chefe regressou a Hong Kong na manhã do dia 21, depois de, na companhia do Sr. Governador, ter visitado os pontos de maior interesse da Província.

O embarque, informal, fez-se também na Ponte n.º 1 da Capitania dos Portos, tendo aí comparecido várias individualidades de destaque.

(1) «Boletim Geral do Ultramar» XXIX-345, Março de 1954.
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/20/noticia-de-20-de-janeiro-de-1954-visita-oficial-do-comandante-das-forcas-navais-britanicas-no-extremo-oriente-i/
(3) «Macau Boletim Informativo» I-12 de 31 de Janeiro de 1954 pp-10-12.

Outro saco comercial da Sapataria António (anterior publicado em 02-03-2014) (1), do mesmo formato e tamanho (47,5 cm x 28 cm), também de plástico branco, com letras a preto e a vermelho. Este apresenta um “design” diferente e somente a indicação de “António shoes – 大光皮鞋”. (2) O “design” (idêntico em ambos os lados do saco) tem  o «“SNOOPY” a conduzir um carro com o formado de um sapato».
A loja estava situada na Rua de S. Domingos, n.º 25, com o n.º de telefone: 75534.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/03/02/saco-de-compras-sapataria-alex-antonio/
(2) 大光皮鞋  – mandarim pīnyīn: dà guāng pí xié; cantonense jyutping: daai6 gwong1 pei4 haai4
皮鞋tradução literal: sapatos de pele.

Extraído do «Boletim da Província de Macau e Timor» Vol XIV – 4, 1868.

«B. O. do Governo da Província de Macau e Timor». XLI-4 de 25 de Janeiro de 1895

Faleceu em Macau no dia 19 de Janeiro de 1895, o 1.º e único Barão de Assumpção/Assunção (título criado por D. Carlos I em 6-5-1890), João Corrêa Paes D´Assumpção. (1)

“Ordem d´Armada” de 30 de Junho de 1846
«Annaes maritimos e coloniaes», n.º 3, p. 26.
Lista dos “ Officiaes da Fazenda d´Armada, segundos aspirantes”
«Almanak estatistico de Lisboa»,  Volume 1, 1848, p. 39.

Oficial da Armada, esteve em Macau pela 1.ª vez como comissário da corveta «Infante D. Henrique», voltando novamente em 1854, quando fixou residência em Macau.

«The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, …,» 1868.

Durante largos anos foi contador/secretário  da Junta da Fazenda Pública de Macau, Timor e Solor. Foi também 1.º oficial do Corpo dos Oficiais e superintendente da fiscalização da importação e exportação do ópio em Macau,. Em 1891 foi arrolado como um dos 40 maiores contribuintes de Macau.

Cemitério de S. Miguel
http://www.macaneselibrary.org/PublicE-o/p37.htm 

Encontrei esta nota curiosa de felicitação ao comendador por se ter livrado da cegueira do olho direito após tratamento do tratamento duma conjuntivite!

«O Correio Macaense» VI-15 de 24 de Maio de 1889

(1) João Corrêa Paes D´Assumpção (Paço de Arcos 1825 – Macau 1895) foi cavaleiro (1865), comendador da Ordem Militar de Cristo (ordem honorífica portuguesa que herdou o nome da extinta Ordem de Cristo (1834), cavaleiro da ordem de N.ª Srª da Conceição de Vila Viçosa (1888) e cavaleiro da Real Ordem do Cambodja. Foi também cônsul do Brasil (1892)

«Bol. Gov de Macau» XII-9 de 26-02-1866

Dados biográficos recolhidos de FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume I, 1996,p. 293.

“Plan de la ville et des environs de Macao” – 1846
MAPA de Paul François Dupont (1796-1879)
Bibliothèque Nationale de France (1)

No istmo que liga Macau à ilha de Heong Shan havia um destacamento português no Forte de Passaleão, (2) que o Governador Carlos Eugénio Correia da Silva (governo de 1875 a 1879) ali colocara para evitar as malfeitorias praticadas pelos chinas, mas em princípios de Janeiro de 1879, o vice-rei de Cantão exigiu que os soldados fossem retirados desse posto de COSAC (fora das Portas de Cerco), o que o governador cumpriu em 18 de Janeiro de 1879 (2)

Pormenor do mapa anterior – Istmo da Porta do Cerco

No Relatório de 31 de Agosto de 1908, o Governador Pedro Azevedo Coutinho (governo de 1907 a 1908) (3) refere que «o destacamento militar durante muitos anos, a partir de 1849, ocupava o forte de Passaleão, que algum tempo depois foi abandonada por o terreno compreendido entre esse forte e a Porta do Cerco considerado como zona neutra»
Oficialmente, “ O Destacamento em Cosac retira em consequência da “insalubridade do logar (4)
(1) http://lunamap.must.edu.mo/luna/servlet/detail/MUST~2~2~1121~1376:Plan-de-la-ville-et-des-environs-de?embedded=true&widgetType=detail&widgetFormat=javascript  

(2) TEIXEIRA, Pe. Manuel – Macau e a sua Diocese I, 1940.
(3) CAÇÃO, Armando A. A. – Unidades Militares de Macau, 1999
(4) Ordem n.º 2 do Quartel General no Governo da Província de Macau e Timor de 18 de Janeiro de 1879 – Ordem à Força Armada publicado no “Boletim da Província de Macau e Timor” XXV-n.º 3.

 Duas datas referenciadas por Luís Gonzaga Gomes: a data da posse do governo de Macau e da partida ao fim de 11 anos como governador:
18-09-1851 – Foi exonerado o Conselheiro Capitão de Mar e Guerra Francisco António Gonçalves Cardoso do cargo de Governador da Província de Macau e nomeado o Capitão-Tenente da Armada Isidoro Francisco Guimarães Júnior, comandante da corveta D. João I para o substituir. No dia 19-11-1851, o Capitão-Tenente da Armada Isidoro Francisco Guimarães desembarcou às 15.00 horas sendo recebido pelo Governador cessante Francisco António Gonçalves e demais autoridades. Após a recepção, no Palácio do Governo, o Governador cessante dirigiu-se à Sé, para buscar o bastão que havia depositado aos pés de Nossa Senhora da Conceição, dirigindo-se, em seguida, ao Monte, seguido das autoridades. Após a entrega do bastão e das chaves da Fortaleza e troca de discursos, dirigiram-se os dois governadores para o Leal Senado, afim de o novo Governador assinar o auto da posse, findo o qual voltou à Sé, para depositar novamente o bastão aos pés da Nossa Senhora da Conceição. Isidoro Francisco Guimarães, durante os anos da sua inteligente e próspera governação, conseguiu restaura por completo o estado financeiro da província que, encontrando-se em 1852 deficitário, em 48.309 patacas, apresentou, em 1862, um saldo de 104.633 patacas.
30-01-1863 – Partiu para a metrópole, ao cabo de catorze anos de residência em Macau e onze de governo, o Conselheiro Izidoro Francisco Guimarães . Ao tomar conta do Governo, encontrou a caixa pública exausta e com grandes dívidas aos servidores do estado, mal chegando para as despesas o subsídio da metrópole. O Conselheiro não impôs um único tributo. Fiscalizou unicamente com rigor os existentes, empregando a mais severa economia, conseguindo, em menos de três anos, não só pagar em dia mas dispensar o subsídio da metrópole, não obstante as despesas terem aumentado do ano para ano com as obras públicas e a força naval e com socorros de avultadas somas para outras províncias, deixou a caixa com um saldo de milhares de patacas. Introduziu notáveis melhoramentos na colónia despendendo para isso grandes quantias, como como o novo Palácio do Governo, aumento sobre o mar de quase toda a linha da Praia Grande, além da reconstrução do Bazar, depois do incêndio que o reduziu a cinzas, reconstrução do Bazar, depois do incêndio que o reduziu a cinzas, reconstrução que tornou aquela parte importante da cidade, não só maior, pelos acréscimos sobre o rio, como muito mais regular e elegante. Foi também ele quem concluiu, satisfatoriamente para Portugal, os tratados com o Sião, Japão e China, que trouxeram muita honra para Portugal, bem como idênticas vantagens alcançadas pelas outras nações estrangeiras. ” (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
Anteriores referências a este governador neste blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/11/19/noticia-de-19-de-novembro-de-1851-novo-governador-isidoro-francisco-guimaraes/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/isidoro-francisco-guimaraes/

Pequeno texto de Marx de Sori (1) extraído de «Macau Boletim Informativo», I-3, 1953.
Há um erro na datação deste episódio: é 1844 e não, pois José Gregório Pegado (2) foi governador de Macau de 1843 a 1846 (faleceu em Aden, no seu regresso a Portugal em 1846 tendo embarcado em Macau em 28 de Maio).
Segundo A. A. Bispo (3) o estadista Ki-ing (Ki-ying). Vice-Rei de Cantão, delegado e alto-comissário imperial nos dois Kuangs esteve em Macau em 1845. O Vice-Rei  viria a suicidar-se quando foi condenado  à morte pelo Imperador devido às negociações com ingleses e franceses, em 1858.
Depois da tomada de posse em 3 de Outubro de 1843, o governador José Gregório Pegado, fez uma visita de cortesia ao Vice-rei de Cantão Ki-Yin. Segundo o Padre Videira Pires, nessa visita o Vice-rei prometeu «fechar os olhos» à ocupação da Ilha da Taipa pelos portugueses.
“José Gregório Pegado, pela sua distinção e mestria no manejo dos fai-chis, durante um jantar que lhe ofereceu, em Cantão, o delegado e alto-comissário imperial, Ki-Ying, ouviu da boca deste os seguintes elogio e garantia: – “V. Exa é um homem tão polido nas maneiras e simpatizo tanto consigo, que nada lhe posso recusar. Recomendarei confidencialmente ao vice-rei dos dois Kuóns que feche os olhos ao estabelecimento dos portugueses na (ilha da) Taipa“.(4)
(1) O autor deste texto é António Filipe de Marx de Sori. Nasceu em Lisboa, a 9 de Fevereiro de 1833, foi primeiro-tenente da Armada, subdirector da Primeira Direcção e Chefe da Segunda Repartição da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar e membro do Conselho Geral de Estatística.
Publicou um livro “ Descobrimentos dos Portugueses nos séculos XV e XVI, Causas que os determinaram, sua importância e consequências mais notáveis que d´elles resultaram” Lisboa, Typografia de Castro Irmão, 1867.
Edição em EBook, Fevereiro 4, 2009.
https://www.gutenberg.org/files/27992/27992-h/27992-h.htm
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-gregorio-pegado/
(3) BISPO, A. A. – A Gruta de Camões como Sábio por Excelência e Confúcio do Ocidente em paisagens sino-inglesas e em transfigurações românticas- da Literatura à Filosofia intercultural nos estudos de relações China/Ocidente in Revista Brasil-Europa – Correspondência Euro-Brasileira 137/6 (2012:3)
http://www.revista.brasil-europa.eu/137/Camoes-na-Filosofia-Intercultural.html
(4) PIRES, Benjamin Videira – Os Governadores e a vida de Macau no Século XIX in
http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30007/1510