Archives for posts with tag: Convento de S. Agostinho

Neste dia de 28 de Maio de 1799, morre em Macau, o capitão de mar-e-guerra Joaquim Carneiro Machado Castelo Branco. (1) A sua sepultura está na capela mor da igreja de S. Agostinho com um lápide em epitáfio latino:

MEMORIAE JOAKHIMI CARNERO MACHADO CASTELLO BRANCO,  DUCIS MARIS % BELLI REGALIUM ARMORUM GOENSIS, PROFESSI     IN  ORDINE  CHRISTI,  QUI,  NATUS  IN  CIVITATE  PORTUENSI, OBIIT   IN   MACAO   DIE   XXVIII   MAII   ANNO   DOMINI   MDCCXCVIII   HANC PETRAM D. C. O. D. R. C. B.                       ANNO MDCCCV

«No ano de 1805, D. R. Castelo Branco ofereceu, dedicou e consagrou esta lápide à memória de Joaquim Carneiro Machado Castelo Branco, capitão-de-mar-e-guerra das armadas reais de Goa, professo na Ordem de Cristo, que, nascido na cidade do Porto, faleceu em Macau no dia 28 de Maio do ano do Senhor de 1799»

O assento de óbito da freguesia de S. Lourenço diz: «Joaquim Carnrº Machado, cazado co D. Josefa Correa, faleceo com todos os Sacramentos, com (Testamtrº Manuel Vicente de Barros) aos 28 de Maio de 1799 annos, e foi sepultado no Convento de Stº Agostinho, e p.ª consto fiz este que assignei (ass.) P. Francisco Jozé António».

Joaquim Machado foi vereador do Senado em 1776; capitão de navios e proprietário do barco “N. Sra. Do Amparo e Almas Santas”, (1782) e da chalupa “Emulação” que faziam o comércio com a Costa de Coromandel, Costa do Malabar e Surrate em 1783. Sua esposa Josefa Correia (nascida da Costa), filha de António José da Costa (foi governador interino de Macau de 1780 até morrer em 1781) e de Antónia Correia (viúva de Nicolau de Fiúmes), faleceu a 25 de Janeiro de 1803. Eles tiveram uma filha: Ana Joaquina Carneiro Machado Castelo-Branco. (2) (3)

(1) p. 332 do «Archivo heraldico-genealogico: contendo notícias historico-heraldicas, genealogias e duas mil quatrocentas e cincoenta e duas cartas de brazão d´armas, das famílias que em Portugal as requereram e obtiveram» de Augusto Romano Sanches de Baena e Farinha de Almeida Sanches de Baena (Visconde de Sanches de Baena), 1872

(2) TEIXEIRA, P. Manuel – A Voz das Pedras de Macau, 1980 p. 62-63

(3) “Ana Joaquina Carneiro Machado Castelo-Branco, casou em S. Lourenço, a 17-12-1793 com António d´Eça d´Almada e Castro, natural de Lisboa. Seus descendentes família Almada e Almada e Castro foram os pioneiros na colónia de Hong Kong, onde deixaram até hoje bom nome” (SILVA, Beatriz Basto da- Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997)

Duas pequenas notícias surgidas no jornal «O Independente» (1) sobre prisioneiros, um  estava na prisão do Monte e outro, na cadeia pública.

Extraído de «O Independente», I- 38, 21 de Maio de 1869, p. 330

Nesse ano, já estava em vigor o «Regulamento da Cadêa de Macao» (Portaria n.º 58 de 11 de Novembro de 1851), que foi complementada em 4 de Abril de 1859 (Portaria Provincial n.º 29). Neste mesmo ano, foi publicado um novo «Regulamento da Cadeia Pública de Macau» em 11 de Junho de 1859 (B.G.n.º 33).

Extraído de « BGPMTS», VI-52 de 15 de Novembro de 1851

Recorda-se que a cadeia em 1754 estava no terreiro de St.º Agostinho, que pertencia aos jesuítas, junto ao Convento de Sto Agostinho. Em 1776 passou para uma casa do Estado, junto ao Senado. Esta rua ainda hoje se chama do Tronco Velho; a nova cadeia deu o nome `Rua da Cadeia”, que em 1937 recebeu o nome de Rua Dr. Soares.

As condições da cadeia no Tronco Velho não eram boas apesar de durante anos ter sido feitas melhorias e alargamento do espaço, como o próprio Boletim Oficial («BGMT», XIV-18 de 2 de Maio de 1868) noticia em 1868:

Só com a construção da nova cadeia iniciada em 1884, em 5 de Setembro de 1909, os presos passaram para a cadeia na Colina de S- Miguel e em 1990 para as novas instalações, em Coloane.

Ainda a propósito da restituição do convento de Santo Agostinho e seguindo a leitura dos “3 Casos Milagrosos” descritos por BRAGA, Jack M. em A Voz do Passado, 1987 (1) (2) transcrevo o terceiro “CAZO MILAGROSO” que aconteceu durante os 10 anos em que o Convento de Santo Agostinho foi ocupado por “outros padres”.
“ Os retabolos e as Imagens dos Altares de St.º Agostinho estavão tão podres e destruídas do tempo e pelas formigas brancas que cairão no chão a pedaços, mas quando entrarão os Religiosos a tomar posse e entrega da Igreja repararão os P.es Capuchos e os mais circunstantes que a este acto assistirão que a Imagem de St.º Agostinho não só estava ilesa, mas com toda a encarnação tão viva que supposerão que os novos Religiosos a tinhão levado para Goa, e disendo eles que não, pois era a primeira vês que entravão na Igreja, huns e outros derramarão muitas lagrimas de alegria na consideração do muito com que o Santo Padre recebia a seus filhos.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/07/25/noticia-de-25-de-julho-de-1721-restituicao-do-convento-de-santo-agostinho-e-o-1-o-cazo-milagroso/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/08/06/leitura-restituicao-do-convento-de-santo-agostinho-e-o-2-o-cazo-milagroso-ii/

A propósito da restituição do convento de Santo Agostinho e seguindo a leitura dos “3 Casos Milagrosos” descritos por BRAGA, Jack M. em A Voz do Passado, 1987 (1), transcrevo um outro “CAZO MILAGROSO” que aconteceu durante os 10 anos em que o Convento de Santo Agostinho foi ocupado por “outros padres”.
Com a falta dos Religiosos tinha cessado a procissão dos Passos que se não fasia havião três anos deles irem para Goa, pelas razões que havião por cauza do Patriacha como consta em 1712. Fevereiro 14 succedeo que houvesse nesta Cidade huma grande carestia pela falta de mantimentos. Os Chinas attibuindo isto a não se fazer a procissão requererão ao Procurador do Senado para que fizesse andar pelas ruas aquelle homem de pao ás Costas (palavras delles) oferecendo-se para os gastos. Fes-se com efeito a procissão, cessou a carestia, e os Chinas contentes pagarão as despesas.”
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/07/25/noticia-de-25-de-julho-de-1721-restituicao-do-convento-de-santo-agostinho-e-o-1-o-cazo-milagroso/
Anteriores referências a esta procissão:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/25/noticia-de-25-de-marco-de-1708-tradicoes-que-se-continuam-ii-a-procissao-dos-senhor-dos-passos-ou-senhor-da-cruz-as-costas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/09/01/noticia-de-1-de-setembro-de-1709-a-excomunhao-do-bispo-o-patriarca-de-antioquia-e-os-frades-de-s-domingos/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/04/noticias-de-4-e-5-de-marco-de-2017-tradicoes-que-se-continuam-a-procissao-do-senhor-dos-passos-i-fotos-de-1974/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/03/10/noticia-de-10-de-marco-de-2019-o-senhor-dos-passos-em-1955/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/03/07/noticia-de-7-de-marco-de-1954-a-grande-devocao-ao-senhor-dos-passos-em-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/21/a-tradicional-procissao-do-senhor-dos-passos-1973/

Ephemerides Commemorativas… “  de AMP

A mesma notícia, com mais pormenor em BRAGA, Jack M. – A Voz do Passado, 1987
“25-07-1721 – Com a chegada do Navio de Vias veio Ordem do sr. Rey D. João 5.º para se restituir o Convento de St.º Agostinho aos seus Padres, os quaes se achavão desapossados havião dez anos e tantos mezes. O mesmo Sr. Lhes mandou huma Grande Custodia, e um Grande Calix para servirem nas Festividades da sua Igreja que tudo isto existe. Mandou ordem ao Senado desta Cidade para annoalmente lhe dar de esmolas 80 Taés, cujos ainda hoje cobrão. Dizem que S. M. F. lhe fizera isto em satisfação do comportamento que tiveram com o Sr. Patriarcha e atenção aos trabalhos que soffrerão por cauza delle. O seu Provincial o P.e Frei Francisco da Purificação logo enviou de Goa os padres para tomarem posse do Convento mas o que he mais digno de memoria são os cazos que acontecerão em o dito Convento os 10 annos (1) que esteve sem Padres. “
1.ª CAZO MILAGROSO
Eu passo a descrevelos – Entregando-se o dito Convento ao ordinário, deputou o Sr. Bispo ahum Clerigo que o habitasse, o qual logo nas primeiras noites experimentou huma tal opposição que espavorido o largou de todo, e não houve quem nelle quisesse assistir, sendo que o dezejavão os Clerigos, tanto pela sua grandesa como pela qualidade do sitio que muitas veses tentarão compra-lo a Religião para nelle faserem a Sé e nisto não há dúvida pelas dilligências que fiserão em Goa. Contão que os Chinas Genios quiseram de noite furtar as pedras do Adro da Igreja, e estes affirmavão constantemente que virão passear nelle um home com habito de Stº Agostinho muito velho, com grande barbas que lhes não deixava furtar pedras.”
(1) O Convento de Santo Agostinho e a sua Igreja passaram para a administração do Ordinário em 15 de Janeiro de 1712, devido à ausência dos padres do Convento, que foram presos para Goa, à ordem do Vice-Rei, em consequência das controvérsias provocadas pelo Patriarca de Antioquia, a quem prestavam obediência.

Ephemerides Commemorativas… “  de AMP

Referências anteriores ao Convento de S. Agostinho em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/convento-de-s-agostinho/

O Liceu que foi instalado no Convento de S. Agostinho em 1894, foi no ano de 1900, transferido para a Calçada do Governador (hoje Travessa do Padre Luís Frós, S.J.) instalando-se no edifício onde estava a Companhia Eléctrica (hoje demolido).
A 12 de Setembro de 1917, o Provedor da Santa Casa da Misericórdia, Joaquim Augusto dos Santos, informou a Mesa de que fora assinado o contrato do arrendamento do hotel Boa Vista entre a Santa Casa e a Repartição da Fazenda para nele se instalar o Liceu; em Dezembro desse ano, o Liceu passou para o hotel. A 20 de Abril de 1923, o governo comprou à Santa Casa o edifício da Boa Vista para o transformar de novo em hotel e o edifício do Asilo das Inválidas, no Tap Seac, para o Liceu; este passou para lá em 1924. (TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação e Macau, 1982), pp. 107-108.
NOTA: desenho sem identificação de autor.

Certidão de D. Sebastião Lobo da Silveira, (1) datada de 10 de Novembro de 1643, sobre a insubordinação / revolta dos soldados e a ajuda dos jesuítas:
“Lavrou a tal ponto a insubordinação e a revolta que os soldados do presídio desamparam S. Paulo. Os jesuítas saem do Colégio anexo à Fortaleza de S. Paulo, acorrem a ela e colocam-se ao lado do Capitão e ali conservam a pé firme dias e noites.
Silveira confessa que teve sempre os jesuítas a seu lado, “em particular neste último tempo que os soldados do presídio fugiram e largaram as forças (fortalezas) aleivosamente por maus conselhos dos religiosos dos três conventos, de S. Francisco, S. Agostinho e S. Domingos e de alguns seculares, que a seu tempo saberá
Achando-me só em grande aperto, me vali dos ditos Reverendos Padres da Companhia, os quais achei com particular vontade e verdadeiro ânimo para se empregarem com pessoas, vidas  e fazendas no serviço del-rei D. João IV, Nosso Senhor, acompanhando-me  de dia e de noite  neste Forte de S. Paulo, em que resido, e com sua indústria e diligência fizeram com alguns cidadãos dos principais da terra que tivessem particular cuidado de me assistirem» (2)
(1) Segundo Padre Teixeira, o capitão-geral D Sebastião Lobo da Silveira (1638-1644) não era boa peça. Essa insubordinação e revolta dos soldados deveu-se às despesas extraordinárias com a aclamação de D. João IV em 1642; para compensar, lançou mão dos soldos do presídio, que montavam a 1200 patacas mensais. Os soldados, vendo-se sem dinheiro, abandonaram os seus portos, deixando indefesas as fortalezas e revoltaram-se.(2)
Quando foi substituído em 1644 por Luís Carvalho de Sousa, o Senado da Cidade requereu ao novo governador a ao Governador do Bispado,  Padre Manuel Fernandes, a prisão de Sebastião Lobo d Silveira, por este ter sido a favor dos Espanhóis após a declaração de independência de 1640.
Dom Sebastião Lobo da Silveira saiu de Macau em 1644 e em 1647 foi embarcado em Goa rumo à Metrópole para aí ser julgado, no entanto o navio em que seguia veio a naufragar na costa do Natal. Os náufragos conseguiram passar para outro navio e seguiram para Moçambique, mas como Lobo Silveira era muito gordo, não conseguiu fazer o mesmo, deixaram-no e ele ali terá morrido.
No livro “Relaçam do naufragio que fizeram as naos Sacramento e nossa Senhora da Atalaia … de que era Capitão mór Luis de Miranda Henriques, na [sic] anno de 1647, etc”,  (3)
D Sebastião Lobo da Silveira, era assim descrito na p. 20:
D. Sebastião Lobo da Silveira era tão incapaz para marchar por ser muito pesado de gordura, e outros achaques, que lhe impediao andar poucos passos por seu pé, pelo que pediu aos grumetes, e officiaes, que o conduzissem, e por via do seu irmão D. Duarte Lobo, que de todos era bem quisto, se veio a concertar, que o acarretariao em huma rede, que se fez de linhas de pescar, dando a cada grumete oitocentos xerafins, a que se obrigou D. Duarte Lobo, e elle deu penhores de ouro…”
E sua morte assim relatado nas pp. 22-23:
(2) TEIXEIRA, Monsenhor Manuel – IV Centenário dos Dominicanos em Macau 1587-1987. Fundação Macau, 1987, 50 p.
(3) Consultável em:
https://books.google.pt/books?id=of9lAAAAcAAJ

Foi inaugurado no dia 28 de Setembro de 1894, o Liceu Nacional de Macau criado pelo decreto de 27 de Julho de 1893 (assinado pelo Ministro da Marinha, João António de Brissac das Neves Ferreira), instalado no Convento de Santo Agostinho com uma simples visita do Governador Horta e Costa. Não se realizou nenhuma solenidade por a família real se encontrar de luto. Estiveram presentes na inauguração os professores do Seminário e da Escola Central  (1)
Portaria n.º 92, de 14 de Abril de 1894: «Tendo sido posta em vigor na província por portaria provincial n.º 89 desta data a carta de lei de 27 de Julho de 1893 que criou o Lyceu Nacional de Macau: Hei por conveniente determinar que o edifício do extincto convento de Santo Agostinho seja entregue ao reitor do mesmo Lyceu para alli serem devidamente instalados os estabelecimentos criados pela citada carta de lei»

Convento de Santo Agostinho – o primeiro edifício que albergou o Liceu em Macau

Segundo Pedro Nolasco da Silva, o primeiro a solicitar do Governo da Metrópole a criação do liceu foi D. António Joaquim Medeiros, bispo de Macau. O Liceu era sustentado pelo Governo, mas recebeu para a sua criação de um subsídio do cofre municipal, atribuído pela vereação do
Leal Senado de 1893-1894, no valor de $ 4 000 anuais para a manutenção do ensino. Teve apoio também da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (subsídio anual de 500 mil reis)
O Regulamento foi aprovado pelo Governador José Maria de Sousa Horta e Costa  por Portaria n.º 164, de 14-08-1894.
No dia 16 de Abril de 1894, no palácio do governo de Macau, foi conferido auto de posse aos seguintes professores:
1.ª cadeira – língua e literatura portuguesa – Horácio Poiares
2.ª cadeira – língua francesa –Mateus de Lima
3.ª cadeira – língua inglesa – P.e Baltazar Estrócio Faleiro
4.ª cadeira – língua latina – João Albino Ribeiro Cabral
5.ª cadeira  – matemática elementar – Wenceslau de Morias
6.ª cadeira – física, química e história natural – Dr. José Gomes da Silva
7.ª cadeira – geografia e história – João Pereira Vasco – tomou posse a 14-05-1894
8.ª cadeira – filosofia elementar – Camilo Pessanha
9.ª cadeira – desenho – Abreu Nunes
O reitor interino foi Dr. José Gomes da Silva.
No mesmo dia e local se fez a primeira reunião do Conselho Escolar, numa das salas do palácio (posta à disposição pelo Governador. Nessa sessão foi resolvido por unanimidade a eleição de Camilo Pessanha como Secretário do Conselho.
Começou apenas com 30 alunos.
O porteiro – Francisco Xavier Brandão
O contínuo – Clementino José Borges
Guarda da Biblioteca – Damião Maximiano Rodrigues (2)
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) Informações retiradas do livro TEIXEIRA, Monsenhor Manuel – Liceu de Macau, 1986.

Extraído de «Boletim do Governo de Macau», 1868.

NOTA: o hábil macaense, Carlos Vicente da Rocha, foi também o autor do engenhoso maquinismo que funcionava com um candeeiro de petróleo e acendeu-se pela primeira vez a 24 de Setembro de 1865, no farol da Guia.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_de_Santo_Agostinho_(Macau)

O Convento de S. Agostinho (1) foi fundado por frei Francisco Manrique, natural de Espanha, donde partiu para Manila em 1575. Foi ali vigário provincial. Ao deixar este cargo em Março de 1584, embarcou para Macau, em Setembro seguinte, num navio português, de que era proprietário Bartolomeu Vaz Landeiro, no qual vinha o seu sobrinho Vicente Landeiro. O navio foi dar às costas do Japão devido a uma tempestade, e depois de dois meses de demora chegou a Macau, no dia 1 de Novembro de 1584. Foi obrigado a deixar Macau por má vontade que em Macau reinava contra os castelhanos e foi para Malaca. Regressou a Macau onde aportou a 1 de Novembro de 1586, trazendo consigo dois confrades padres Diego Despinal e Nicolau de Tolentim; dirigiram-se ainda a Cantão antes do dia 6 de Julho de 1587, mas foram obrigados a regressar a Macau. Fundou aqui um convento da sua ordem (embora intimidado por muitas oposições locais) em fins de 1586.
Três anos mais tarde, por ordem do rei de Espanha, (22 de Agosto de 1589) o convento passou para os portugueses. O Padre Provincial de Goa, Frei Luís do Paraíso, mandou a Macau o seu comissário Frei Pedro de S. Maria e com ele Frei Pedro de S. José e Frei Miguel dos Santos, que tomaram posse do convento a 22 de Agosto de 1589. Foram estes frades portugueses que em 1591 transferiram o convento (2) para o actual Largo de S. Agostinho e construíram a Igreja anexa de Nossa Senhora da Graça (vulgarmente conhecida por Igreja de Santo Agostinho). Foi reconstruída em 1814. (3)
(1) Anteriores referências da Igreja de Santo Agostinho
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-agostinho/
(2) Embora “Querem outros que só fosse a mudança de algumas portas, e não de todo o corpo do convento, por se não encontar notícia nem vestígios do que se pretende dar por mais antigo
PEREIRA, A. Marques – Ephemerides commemorativas da hostória de Macau, 1868
(3) TEIXEIRA, Pe. M. – Macau e as suas Ilhas , Volume I, 1940

Hoje, dia 23 de Agosto celebra-se a festa litúrgica de Santa Rosa de Lima. Amanhã dia 24, do ano de 1617, (precisamente 400 anos ) assinala a morte de Isabel Flores y Oliva, que ficou conhecida como Santa Rosa de Lima, mística da Ordem Terceira Dominicana,canonizada pelo Papa Clemente X em 1671 e a primeira santa nativa da América e padroeira do Peru. (1)

Painel numa coluna á entrada da Catedral Metropolitana de Buenos Aires, tirada em 2016

Em Macau, desde cedo o nome de Santa Rosa de Lima ficou ligada à educação principalmente para órfãs e meninas.
1.º Havia o Recolhimento de Santa Casa da Misericórdia cuja primeira referência aparece num termo do Senado de 26 de Dezembro de 1718 em que atribuía a este Recolhimento a sustentação das Meninas orphaans filhas de Portuguezes , q com o beneplácito do Procurador e mais Irmãons da casa, se fará nella hum recolhimento co mais huma S.ª grave p.r Mestra das Orphaans”
O Recolhimento foi fundado em 1726 sendo provedor de Santa Casa António Carneiro de Alcáçova; foi aprovado por João de Saldanha da Gama, vice-rei da Índia, “com a clausula de que haverá no d.º Recolhimento uma Mestra, que possa ensinar às Orfas as artes de que necessita uma mulher para governar a casa.”
Em 1737, a Santa Casa fechou o Recolhimento por falta de dinheiro. Em 1792, foi fundado por D. Marcelino José da Silva, bispo de Macau (1789-1808) um Recolhimento ou casa de educação para meninas órfãs”. Mais tarde esta Casa tomou o nome de Recolhimento de Santa Rosa de Lima. Em 1848, foi instalado na Casa das 16 colunas (posteriormente Instituto Salesiano) sob a direcção das filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo, que no ano seguinte o transferiram para o extinto Convento de S. Agostinho; dali passou para o Mosteiro de S. Clara em 1857; mas em 1865, essas Irmãs saíram de Macau.
Em 1875 o governador José Maria Lobo d´Avila (portaria n.º 23 de 18-02-1875) determinou o seguinte: “ Tendo sua Majestade por decreto de 2 de Outubro de 1856 anexado o recolhimento de Santa Casa Rosa de Lima ao Mosteiro de Santa Clara, a fim de poder ali crear-se uma casa d´educação para o sexo feminino…(…)… Attendendo  a que é de toda a conveniência o acabar o estado excepcional em que ficou o recolhimento de Santa Rosa de Lima depois da extinção de mosteiro de Santa Clara, devendo segundo a letra do supracitado decreto crearse ali uma casa d´educação para o sexo feminino. “

Colégio de Santa Rosa de Lima anexo ao antigo Convento de Santa Clara em 1956

A direcção e administração directa do Colégio era exercida por uma comissão, mas a inspecção ficava a cargo do governo. O presidente era um prelado diocesano, sendo vice-presidente o juiz de direito, e os restantes membros: dois cidadãos nomeados pelo governador (sendo um deles tesoureiro) e um capelão que servia de secretário.
O ensino ministrado nesse colégio era o elementar, ou instrução secundária que compreendia: línguas, portuguesa, francesa e inglesa; história sagrada; desenho; música de canto e piano; educação física; higiene e economia doméstica.
A pedido do bispo D. António Joaquim de Medeiros ( bispo de 1884-1897),  as Irmãs Canossianas (Filhas Canossianas da Caridade) tomaram conta desse Colégio em 1889, dirigindo-o até 1903.
Em 17 de Novembro de 1903, as Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria que haviam instalados em Macau, no Mosteiro de Santa Clara, em 1903 e começaram a desenvolver trabalho missionário ligado ao ensino passaram também a dirigir o Colégio por ordem do bispo D. João Paulino de Azevedo e Castro (bispo de 1902-1918). Ambos os edifícios lhes foram cedidos pelo Governo juntamente com os bens do antigo Mosteiro e do antigo Recolhimento de Santa Rosa de Lima.
As Irmãs que chegaram a 27-1-1903 eram as seguintes:
Benedicta de S. Joaquim, Superiora (moreu em Tsingtao, 15-11-1921)
Leona du Sacre Coeur (moreu em Macau, 16-03-1956)
Antoine de Brive (moreu em Chefoo)
Edeltrud (morreu  em Macau)
Ambrosina (morreu em Macau, Fevereiro de 1953)
Zélia (morreu  em França)
Mais tarde chegaram as Irmãs Clotilde, M. da Apresentação, M. Chiara, M. Leónia e M. Dismas.
A 30 de Novembro de 1910, (I República Portuguesa) o Governo ordenou a saída das Franciscanas (o Colégio, nesse ano, tinha 130 alunas de diferentes nacionalidades, sendo muitas delas internas) e a escola foi confiada a pessoal leigo a 7 de Janeiro de 1911, ficando reduzida a 40 alunas.(2)
As Franciscanas só voltaram a dirigir o Colégio em 1932.

Pormenor do mesmo painel (2016)

(1) Rosa de Lima (1586 – 1617), nome de baptismo: Isabel Flores y Oliva, beatificada a 15 de abril de 1668 por Papa Clemente IX e canonizada a 2 de abril de 1671, por Papa Clemente X. A Festa litúrgica é no dia 23 de agosto (Calendário Romano) embora seja comemorada a 30 de agosto em Peru. É também padroeira das Filipinas.
Santa Rosa de Lima era muita devota de Santa Catarina de Sena, um dos padroeiros de Macau (declarado pela Vereação do Senado a 2 de Maio de 1646)  e venerada na Igreja de S. Domingos.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rosa_de_Lima
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982.
Ver mais informações sobre o Recolhimento e Colégio de Santa Rosa de Lima em anteriores postagens:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-de-santa-rosa-de-lima/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/casas-de-recolhimento-de-santa-rosa-de-lima/