Archives for category: Templos Chineses

Dois postais, com as mesmas dimensões: 17,8 cm x 12,5 cm, impressos em Hong Kong, com fotografias de Wong Wai Hong. Legendas em chinês e inglês.

MCO-001     媽閣廟 (1) Ma Gao Temple     Macau

Verso do postal MCO-001

Pagode da Barra

Ma Gao Temple – A temple founded 500 years ago is dedicated to the Goddess of Sea Ma Gao. A legend tells that the first Portuguese arrival when asking for the name of the place was misunderstood by the locals for the name of the temple. The city was hence named “Macau” after the name of the temple “Ma Gao”.“

COM-051     媽祖聖像 (2) Statue of A-Ma     Macau
Verso do postal COM-051

Estátua da Deusa A-Má

Statue of A-Ma – The statue of Goddess of Sea in Alto de Coloane is designed by artist Leong Man Nin and is carved from Chinese white jade – then world´s highest white jade statue at 19, 99 m.”

(1) 媽閣种廟mandarim pīnyīn: mā gé zhǒng miào; cantonense jyutping: maa2 gok3 cung4 miu6 (2) 媽祖聖像mandarim pīnyīn: mā zǔ shèng  xiàng; cantonense jyutping: maa2 zou2 sing3zoeng6

Templo de Lin Fong (foto do autor: 2015)

No dia 3 de Setembro de 1839, reinado de Daoguang, o comissário Imperial Lin Zexu (1) acompanhado por Deng Tingzhen, (que era nesse ano Vice-Rei de Liangguang – Guangdong e Guangxi), que chegaram a Cantão em Março desse ano, vieram da Casa Branca/Qianshan (2) para Macau, acompanhados por centenas de soldados, através da Porta do Cerco. À espera do Comissário Imperial Lin Zexu estavam o Procurador José Baptista de Miranda e Lima, com o grau de mandarim outorgado pelo Imperador Wan-Li (1573-1620) (e não, o então Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto – 1837-1843) e uma guarnição de cem soldados alinhados ao longo dos dois lados da rua e três bandas de música.

Lin Zexu declarou a Miranda e Lima a proibição do armazenamento e comércio de ópio dentro da cidade e se fosse encontrado algum estrangeiro com essa substância, deveriam reportar às autoridades chinesas e prenderem-no. Em nome de Macau, o Procurador concordou e prometeu cooperar com o Governo do Império Celeste, aceitando ficarem os portugueses neutrais no conflito sino-britânico e não permitir às forças invasoras inglesas usarem como base Macau durante o conflito.

Lin Zexu e o Vice-Rei de Liangguang, Deng Tingzhen apenas ficaram umas horas em Macau, pois ao meio-dia desse dia o Comissário retornou para Casa Branca/Qianshan, sendo acompanhado pelos portugueses até à Porta do Cerco.

Estátua de Lin Zexu no Templo de Lin Fong (foto do autor: 2015)

Em Macau, existe um Memorial no Templo de Lin Fong fundado em 1997 e uma Fundação Lin Zexu, criada em 1998, para promover e estudo da sua actuação nas guerras de ópio e sua relação com o território (3)

https://en.wikipedia.org/wiki/Lin_Zexu

(1) Lin Zexu (1785-1850) (Lin Tse-hsü; Yuanfu) , comissário imperial da dinastia Qing, vice-Rei de Liangguang (Guangdong e Guangxi) no ano de 1840, sucedendo a Deng Tingzhen vice-Rei de 1836 a 1839), governador geral, conhecido pelor seu papel na Primeira Guerra do Ópio de 1839–42. O Imperador Daoguang apoiou as políticas de linha dura defendidas por Lin, mas depois culpou-o pela guerra desastrosa para a China.

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/qianshan-casa-branca/

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 87)

Sobre este assunto aconselho leitura de José Simões Morais em: https://hojemacau.com.mo/2016/05/02/lin-zexu-visita-macau/

POSTAL – MACAU – Treaty Table (1)
Foto: 譚永強 Tam Weng Keong (2)

À mesa onde, em Julho de 1844, foi assinado o tratado comercial sino-americano (3)

Verso do postal, com legenda (5 línguas)

(1) Coleccão Macau – LH105; 17,5 cm x 12,5 cm. Anteriores referências a esta mesa em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/tratado-de-wanghia/

(2) 譚永強   – mandarim pīnyīn: tán yǒng qiáng; cantonense jyutping: taam4 wing5 koeng4

 (3) Macau, suplemento da revista «Via Latina», Maio 1991, p. 60

Do livro de Artur Levy Gomes, “Esboço da História de Macau 1511-1849”, editado pela Repartição Provincial dos Serviços de Economia e Estatística Geral (Secção da Propaganda e Turismo) de Macau, em 1975, já postado em 18-05-2018 (1) retiro as seguintes reproduções (mesmas fotografias também publicadas por outras fontes)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/05/18/leitura-esboco-da-historia-de-macau-1511-1849/

Extraído de «BGM», IX- 42 de 21 de Setembro de 1863, p. 172

A Rua da Barca começa na Estrada de Adolfo Loureiro junto da Rua de Francisco Xavier Pereira e termina na Rua de João de Araújo, em frente da Rua da Pedra.

Luís Gonzaga Gomes escreveu em 18-05-1942 (1) o seguinte:   “Mas qual será a origem toponímica desta extravagante nomenclatura em sítio onde não existem vestígios de ponte (Travessa da Ponte Nova) ou de barcas (Rua da Barca). A necessidade de conquistar o terreno por meio de expropriações e de aterros, para construção de novas e espaçosas vias, e o consequente aformoseamento da cidade fizeram desparecer o que havia de mais pitoresco em certos lugares tipicamente chineses cuja existência é, no entanto, ainda recordada nos nomes por que são designadas certas ruas. Ora, uma das áreas consideradas das mais perigosas para a saúde da população da cidade era a que ficava em volta do Templo de Lin K´ai. (蓮溪廟). (2) É ela conhecida pelo nome de Sân- K´iu  (新桥) que significa – Ponte Nova – e um das ruas que serve esta zona é denominada Tôu- Sun-Kái, (渡船街) isto é, a Rua dos Tôu, ou das Barcas.

Se pudéssemos voltar algumas dezenas de anos atrás, isto é, antes da drenagem e do aterro desta zona, teríamos visto na realidade uma ponte de pedra, colocada entre as actuais ruas de João de Araújo e da Pedra. Esta última, chamava-se assim porque era ali que vivia um grupo de operários chineses dos mais pobres, cujo mister consistia no trabalho de lapidação de blocos de granito, utilizados em obras de cantaria ou na de pavimentação de lajeados. Quanto à ponte, foi esta primitivamente construída com bambus, mas como este material se deteriorava, obrigando a constantes reparações, substituíram-na mais tarde, por uma de pedra, custeada a expensas dos moradores do referido bairro. A ponte era imprescindível porque sem ela não lhes seria possível ir até ao Templo de Lin- K´âi venerar as divindades da sua devoção, visto o local onde se encontravam edificada tal casa de culto estar separada da outra margem por um riachozinho. (Regato de lótus)

Esta derivação do braço do delta que banha o Porto Interior, entrava na zona de Sân- k´iu nas alturas do edifício onde funcionou o Cinema U-Lók (娛樂) e, serpeando até ao templo onde formava um largo charco, seguia depois em direcção à antiga aldeia de Mong Há, através das ruas da Barca e da Ressurreição, para ir ligar – se outra vez ao delta, depois de ter regado com as suas barrentas águas a entrada do convento budista de P´ôu Tchâi-Sim-Un (普濟禪院) .(3)

Como a ponte não bastasse para o grande movimento das pessoas que por ela diariamente transitavam, muitos moradores deste bairro, para entrar na cidade, tinham de fazer a travessia do riacho em tán-ká (tancá) que nesse tempo costumavam varar em grande número nas duas margens. Ora, nessa época as estâncias de madeira e os estaleiros chineses estavam também instalados nesse local e, como ainda não existiam barcos a vapor, foi esse o período da sua maior prosperidade. Por isso, inúmeros tôu da navegação costeira entravam constantemente nesses estaleiros a fim de sofrerem as beneficiações de que careciam para o prosseguimento das suas viagens. Os chineses passaram então a chamar Tôu-Sun-Kái à rua que servia esses estabelecimentos e este nome passou para o português na sua tradução da Rua da Barca.” (1)

(1) GOMES, Luís Gonzaga – Curiosidades de Macau Antigo. ICM, 1996, ISBN-972-35-0220-8, pp. 41/42

(2) Templo Lin Kai  (蓮溪廟), na Travessa da Corda n.ºs 25-31 está  situado ao lado do Cinema Alegria do Bairro San Kio. Antigamente, havia um riacho chamado Lin Kai (Regato Lótus) que passava por Bairro San Kio. O templo foi fundado à margem direita do riacho, sendo denominado Templo Lin Kai. Este templo foi construído em 1830 e, mais tarde, os habitantes locais reuniram fundos para reconstruí-lo e ampliá-lo, o que aconteceu entre 1875-1908. Desde então o templo tem sido conhecido por “Templo Novo de Lin Kai” e é dedicado a 15 Deuses e deusas. Ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-de-lin-kai/

(3) Templo de Pou Chai Sim Un (普濟禪院), também conhecido por “Templo de Kun Iam Tong”, na Avenida Coronel Mesquita. Ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/26/postais-macau-artistico-vi/

Duas fotografias de Macau, 1924, com legendas.

Continuação da história da Deusa da Ma Chou (A MÁ), iniciada nas postagens anteriores (1) e na sequência da  emissão dos selos da colecção “Lendas e Mitos VDeuses da Ma Chou”,no dia 23 de Abril de 1998, pelo “CTT – Correios e Telecomunicações de Macau”.

O NASCIMENTO DE MO NIANG

“Antes do seu nascimento, na Era de Jian Long Yuan da Dinastia Song (ano de 960), consta que a sua mãe sonhou uma vez que Bodhisattva Guanyin lhe tinha dado uma pílula e que, logo depois de a ter tomado, um relâmpago vermelho vindo fo Noroeste entrou em casa, produzindo uma luz muito brilhante e deixando no ar um perfume especial. Em breve, a mãe deu à luz um bebé do sexo feminino e, porque este não havia chorado, deu-lhe o nome de Mo Niang.” (2)

O AMULETO DE COBRE OFERECIDO PELO GÉNIO

“Mo Niang, desde muito pequena mostrou ser muito inteligente. Na escola, com apenas oito anos, bastava-lhe uma leitura para nunca mais se esquecer do que tinha lido. Um dia, Mo Niang e uma companheira foram passear por um jardim. Quando estavam a apreciar um poço de água tão cristalina como um espelho, subiu de repente um génio do fundo do poço e entregou um amuleto de cobre a Mo Niang, desaparecendo rapidamente nas nuvens. É esta a lenda muito conhecida “ O amuleto de Cobre oferecido pelo génio” (2)

A ASCENSÃO DA DEUSA

Do amuleto de cobre dado pelo génio, Mo Niang aprendeu a fazer magia e tornou-se uma figura muito amada e respeitada pelos seus conterrâneos, visto que auxiliava os aldeões a afastar o mal e a eliminar os desastres. No ano em que Mo Niang completou vinte e oito anos de idade, subiu a uma montanha no dia do Culto dos Antepassados e ascendeu ao céu.” (2)

A PRESENÇA DA RAINHA DO CÉU

De ali em diante, Mo Niang faz sentir a sua presença, de vez em quando, sobre o mar, salvando pessoas em perigo e servindo de guia na navegação dos barcos.” (2)

(1) nenotavaiconta

(2) Deuses da Ma Chou, O Primeiro Conjunto de Selos de Macau, em Prata. CTT,1998

Na sequência das postagens anteriores (1) – emissão dos selos da colecção “Lendas e Mitos VDeuses da Ma Chou”,no dia 23 de Abril de 1998, pelo “CTT – Correios e Telecomunicações de Macau”, apresento os quatro selos em offset e de prata (primeiro conjunto de selos de Macau, em prata).

O design desta emissão, composta por quatros selos, representa «O nascimento de Mo Niang»; «O amuleto de cobre oferecido pelo génio»; «A ascensão da deusa» bem como «A presença da rainha do céu». Os desenhos representam Ma Chou como uma jovem, linna, elegante e distinta, no estilo dominante das Dinastias Tang e Song” (2)

Exemplar n.º API2947 – Autorizado pelos CTT
Quatro selos no valor (cada) de 4 patacas; dimensão: 30 mm x 40 mm Desenho: Poon Kam Ling
Quatro selos de prata (qualidade Ag 999); dimensão: 30 mm x 40 mm; peso: 8 g (quatro selos) Desenho: Poon Kam Ling

Deusa da MA CHOU (A MÁ)

“Na mitologia milenária chinesa Ma Chou (A MÁ) ou Tin Hau (Rainha do Céu, é a Deusa protectora do mar, estando a sua figura consagrada no Templo A MÁ e nos mais de vinte templos existentes em Macau. É igualmente venerada pelas comunidades chinesas espalhadas em vinte países e regiões do mundo, designadamente em Taiwan, onde existem mais de 800 templos do género. O templo original dedicado a Ma Chou fica situado em Meizhou no Distrito de Putian, na Província de Fujian, onde esta deusa nasceu e ascendeu ao céu… (…)”………………………continua (2)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/04/23/noticia-de-23-de-abril-de-1998-filatelia-lendas-e-mitos-v-deuses-da-ma-chou-i/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/04/24/filatelia-lendas-e-mitos-v-deuses-da-ma-chou-ii/

(2) Deuses da Ma Chou, O Primeiro Conjunto de Selos de Macau, em Prata. CTT,1998

Foi posto em circulação pelos Serviços de Correios e Telecomunicações de Macau, a partir do dia 29 de Abril de 1997, uma emissão extraordinária de quatro selos designada «媽閣廟 – Templo de A Má», (1) no valor de $ 3.50 patacas cada um e de um bloco com o selo no valor de $8,00 (2)

“COMPLETE SET” 4 selos diferentes (provavelmente retirados de uma folha miniatura de 16 selos (4×4)
“Inner Harbor of Macao and Ma Kok Temple, 1788.
John Webber (1752-1793), Macao, China,
Peabody Essex Museum 2006 Photo Sexton-Dykes “(3)

Este quadro embora datado de 1788, foi feito em desenho, em finais do século XVIII, por John Webber (1751 – 1793) que participou na 3.ª expedição à volta do Pacífico comandada por James Cook (morto pelos nativos, em 1789, no Havai). John Webber regressou a Inglaterra em 1780. Durante a expedição produziu imenso material quer escrito/rascunhos quer em esboços/desenhos (em pastel, lápis de cor e aguarelas) que após o seu regresso, serviram de base para os seus quadros (completados/gravados/ coloridos) publicados após 1784 (4)

(1) Das várias versões sobre a edificação do Templo Chinês da Barra, que parece ter sido construído nos princípios da dinastia Ming (actual estrutura base datada do reinado de Wan Li – 萬曆 (1573-1621), transcrevo a versão mais popular, descrita pelo Padre Teixeira (1) 

“Um dia, uma donzela de Fukien (Fujian 福建)quis embarcar num dos juncos que estavam de abalada para o sul. Mas todos lhe recusaram a passagem, visto ela não ter dinheiro. Todos? Não. O mais pobre junco compadeceu da donzela e ofereceu-se a transportá-la gratuitamente para Cantão. No caminho, rebentou uma tempestade e todos os barcos se afundaram, excepto um. É que a donzela tomou o leme e guiou esse barco a um porto de refúgio. Ao desembarcar, ela subiu a um rochedo e não mais foi vista. Os barqueiros ficaram convencidos de que era a deusa Neang Má, que os havia salvo da tormenta e os conduzira a esse porto. Erigiram ali um templo em honra de Neang Má, o qual se chamou Ma-Kok-Miu (Templo do Promontório de Má), ou Má-Chu-Kok, sendo Má abreviatura de Neang-Má. TEIXEIRA, Pe. Manuel – Templo Chinês da Barra Ma-Kuok-Miu. Edição do Centro de Informação e Turismo, 1979 p. 10 

(2) Portaria n.º91/97/M – B. O. n.º 17 de 28 de Abril de 1997

(3) https://visualizingcultures.mit.edu/rise_fall_canton_04/gallery_places/pages/cwM_1788_M10471_MaKok.htm

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/john-webber/

Na sequência da postagem anterior – emissão dos selos da colecção “Lendas e Mitos VDeuses da Ma Chou”,no dia 23 de Abril de 1998, pelo “CTT – Correios e Telecomunicações de Macau”, (1) apresento o Bloco Filatélico n.º 0480007, com um selo de $ 10,00 (dez patacas) em que foram emitidos 1 800 000 exemplares.

Bloco filatélico – Desenho de Poon Kam Ling

Ao longo dos tempos, o nome da Deusa A MÁ e o nome da Cidade de Macau têm sido conhecidos simultâneamente e, por sua vez, MACAU é o nome português da Cidade a que chamamos em chinês «Porto da Deusa A MÁ». Há mais de 5 séculos que a figura da Deusa A MÁ têm sido venerada pelos numerosos pescadores que construíram o Templo A MÁ para o seu culto, continuando ainda hoje, a manter em permanente queima, incenso e pivetes, em sua homenagem.” (2)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/04/23/noticia-de-23-de-abril-de-1998-filatelia-lendas-e-mitos-v-deuses-da-ma-chou-i/

(2) Deuses da Ma Chou, O Primeiro Conjunto de Selos de Macau, em Prata. CTT, 1998