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Extraído de «BPMT», XIII-34 de 26 de Agosto de 1867, p. 199

… continua

NOTA: O Governador era José Maria da Ponte e Horta (26 Outubro de 1866 a 1868). A 18 de Agosto de 1867 foi eleito Deputado às Cortes por Macau, o anterior governador, o Conselheiro José Rodrigues Coelho do Amaral que governou Macau de 22-06-1863 a 1866.

O Colégio Imaculada Conceição fundado por iniciativa do comendador Albino da Silveira (1) foi inaugurado, em 15 de Março de 1864, sob a direcção das Irmãs do Instituto de S. Paulo de Chartres, discursando nessa ocasião Bernardino de Sena Fernandes, o Governador Coelho do Amaral e o Padre Vitorino de Almeida; em virtude do Decreto de 20 de Setembro de 1870, que excluía do ensino professores estrangeiros, o Colégio fechou em Setembro de 1871, sendo reaberto em 24 de Novembro de 1872, falando nessa ocasião a “sympathica e talentosa jovem Maria José”, (2) o Padre Vitorino de Almeida, o Governador da Colónia, Visconde de S. Januário, e o Governador do Bispado, o Padre António Luís de Carvalho. Os discursos de Maria José Pereira e do Visconde de S. Januário podem ler-se na «Gazeta de Macau e Timor», 1.º anno, n.º 10 de 26 de Setembro de 1872 (3)

O comendador Albino da Silveira, estando em Shanghai, abriu uma subscrição para a fundação de um Colégio feminino em Macau, encarregando-se ele de mandar vir da França as mestras, as Irmâs de Caridade de S. Paulo de Chartres O seu projecto, a requerimento de Bernardino de Sena Fernandes, aprovado por Portaria de 26 de Dezembro de 1863, (4) e autorizada a sua continuação por Portaria de 17 de Março de 1868, (4) o qual o Colégio apenas durou por mais três anos. Em Setembro de 1871, devido ao decreto de 20 de Setembro de 1870 (exclusão do ensino em Macau dos professores estrangeiros), as professoras retiraram-se, encerrando-se o estabelecimento.

(1) Albino da Silveira (Macau 1823- Macau 1902) filho de Francisco Cândido Pereira da Silveira e de Francisca Carlota Pereira da Silveira, naturais de Macau, foi empregado, em Cantão, em casa de Robinnet, negociante de sedas e depois em casa de Jardine, Matheson & CO. Mais tarde foi para Shanghai, em casa de Dent & Co e por fim estabeleceu-se em Hong Kong, onde serviu de guarda-livros da “Union Insurance Society of Canton” recebendo, ao reformar-se uma pensão vitalícia desta Sociedade. O comendador foi em Hong Kong Presidente do Club Lusitano, do Círculo Católico, da Confraria de SSmo Sacramento e da Sociedade de S. Vicente de Paulo por 25 ano Nomeado sócio ordinário, em 1892, da Sociedade de Geografia de Lisboa. A comenda da Conceição foi-lhe atribuída pelo Governo Português em 1893. Era também Cavaleiro de S. Silvestre. Em Shanghai foi vice-consul de vários fundou um jornal português “O Aquilão”, de duração efémera. Faleceu em Macau, na residência do Comendador Lourenço Marques, onde vivia. (3)

A filha do comendador Ana Joaquina da Silveira, estudou no Colégio da Imaculada Conceição até Junho de 1870, quando foi para França para continuar os estudos. Foi uma das primeiras alunas macaenses a ingressar no Instituto da Congregação de S. Paulo, e em 1876, tomou o hábito em Chartres  com o nome de Soeur Basilide Joseph e lá faleceu. (5)

(2) Maria José Pereira, nascida em 18 de Outubro de 1861 é filha de Bartolomeu António Pereira e de Belmira da Encarnação e casou com Leôncio Alfredo Ferreira. (6) Maria José foi aluna distinta do Colégio da Imaculada Conceição 

(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942, p. 453

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-da-imaculada-conceicao/

(5)) TEIXEIRA, P. Manuel – A Educaçao em Macau, 1982, p. 315

(6)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leoncio-alfredo-ferreira/

Extraído de «BGM»,  XI-2 de 9 de Janeiro de 1865, p.6

Por portaria de 26 de Dezembro de 1863, o governador de Macau, José Rodrigues Coelho do Amaral, deferia o requerimento feito por “Bernardino de Sena Fernandes, por si e em nome de vários outros moradores de Macau, (para) que lhe concedesse autorização para estabelecer uma escola de meninas dirigida por mestras francezas, irmãs do Instituto de S. Paulo”. Em 15 de Março de 1864, estas religiosas inauguravam o Colégio da Imaculada Conceição, usando da palavra Bernardino de Sena Fernandes, o Governador J. R. C. do Amaral e  o Padre Vitorino de Sousa Almeida. Por Portaria Régia de 17 de Março de 1868, foi autorizada a continuação do Colégio da Imaculada Conceição. Em Setembro de 1871, devido ao decreto de 20 de Setembro de 1870 (exclusão do ensino em Macau dos professores estrangeiros), as professoras retiraram-se, encerrando-se o estabelecimento.

Em 28 de Setembro de 1872, reuniram-se na Gruta de Camões, os subscritores do Colégio da Imaculada Conceição e nomearam para a Comissão Directora, as senhoras Maria Pereira Marques, esposa de Lourenço Marques, presidente, Maria Bernardina dos Remédios, esposa de Maximiano António dos Remédios, vogal e vice-presidente, e Fátima Leite, esposa de Jerónimo Pereira Leite, secretária. O Colégio foi novamente inaugurado em 24 de Novembro de 1872 (Domingo), discursando a jovem Maria José Pereira, filha de Bartolomeu António Pereira e de Belmira de Encarnação Pereira, o Padre Vitorino de Sousa Almeida, o Governador Visconde de S. Januário e o Governador do Bispado, Padre António Luís de Carvalho; neste dia foi de novo o Colégio confiado às Irmãs do Instituto de S. Paulo, em número de cinco.” (1)

(1) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982, pp. 308-309

Referências anteriores : https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-da-imaculada-conceicao/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/orfanato-da-imaculada-conceicao/

Extraído de «BGM», IX-35 de 8 de Agosto de 1863 pp. 139-140

Surgiram duas notícias, uma a 22 de Março (1) e outra a 27 de Março (2), do ano de 1869, referente ao mesmo assunto: “modelo do Farol da Guia”, (3) oferecido ao ex-governador de Macau, José Rodrigues Coelho do Amaral (1863-1866) (4) pela comunidade estrangeira de Macau chefiada por H. D. Margesson.

(1) «Boletim da Província de Macau e Timor», XV-12 de 22 de Março de 1869, pp. 70/71

(2) «O Independente» I – 30 de 27 de Março de 1869, p. 263

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/24/noticia-24-de-setembro-de-1865-farol-da-guia/

(4) Referências anteriores a este Governador em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-rodrigues-coelho-do-amaral/

«TSYK» I-33, 19 de Maio de 1864,.

NOTA: Nesta data, o Governador Coelho do Amaral encontrava-se ausente do território., Partiu em missão diplomática, a 26 de Abril de 1864 como Ministro Plenipotenciário  para Tientsin para a troca das ratificações do tratado (Tratado de Tianjin -天津 条约), de 13 de Agosto de 1862 (assinado pelo ministro plenipotenciário e anterior governador do território, Isidoro Francisco Guimarães). No dia 14 de Maio, partiu de Shanghai para Tientsin. Os plenipotenciários chineses declararam em Tientsin a intenção do seu Governo de não o ratificar. Coelho do Amaral protestou, em 18 de Junho, contra a recusa nomeadamente as objecções dos delegados chineses relativamente à interpretação do artigo nono. Eles defendiam que Macau não podia deixar de ser considerado um território chinês, Coelho do Amaral regressou a Macau, sem o ratificar.
Sobre o Governador José Rodrigues Coelho do Amaral,  de  22 de Junho de 1863 a 25 de Outubro de 1866, ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-rodrigues-coelho-do-amaral/

No dia 24 de Abril de 1864, virou-se, no rio de Macau, a barca portuguesa «Tremelga», por estar à cunha e sem lastro a bordo (1)
A barca Tremelga de 371 ton., comandado por G. Marques, deu entrada a 25 de Junho de 1863 no porto de Macau, vindo de Singapura, tenho ancorado no rio. O consignatário da barca era L. Marques.

TSYK, I-30, 28 de Abril de 1864

O relatório do sinistro elaborado em 3 de Maio pelo Capitão do Porto de Macau, João Eduardo Scharnichia (2) de 1864 e dirigido ao Presidente do Conselho do Governo, Dr. João Ferreira Pinto (3) foi publicado no «Boletim Governo de Macao», X-19 de 9 de Maio de 1864, p. 75.

O mesmo Boletim traz o “Expediente Geral” n.º 124, assinado pelo secretário do Governo, Gregório José Ribeiro, de 4 de Maio de 1863 (sic) que confirma a recepção do relatório e aprova as medidas que foram tomadas por João Eduardo Scharnichia desde que o sinistro teve lugar até que o navio voltasse à sua posição natural, bem como louvar os indivíduos indicados no ofício.

«TSYK» I-36 de 9 de Junho de 1864

(1) GOMES. Luís G. – Efemérides da Historia de Macau, 1952.
(2) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-eduardo-scarnichia/
(3) Na ausência do Governador José Rodrigues Coelho do Amaral (de 22-06-1863 a 25-10-1866) que partiu de Macau a 26 de Abril de 1864, para Tientsin, (4) como Ministro Plenipotenciário Enviado Extraordinário de Portugal na China, na intentada missão das ratificações do tratado de 13 de Agosto de 1862, o Conselho do Governo foi chefiada pelo Dr João Ferreira Pinto, como aconteceu anteriormente aquando da partida do anterior governador Isidoro Francisco Guimarães em 30 de Janeiro de 1863 até à chegada do governador Coelho do Amaral em 22 de Junho de 1863.
Sobre o governador José Rodrigues do Amaral, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-rodrigues-coelho-do-amaral/
(4) O Conselheiro Isidoro Francisco Guimarães, governador de Macau de 1851 a 1863 presidiu à missão diplomática que partiu de Macau em 23 de Abril de 1862, chegando a Xangai a 3 de Maio e a Tien-Tsin a 26 do mesmo mês. O Tratado de Tien-Tsin (天津 条约 – Tratado de Tianjin) foi assinado a 13 de Agosto. Regressou a Macau em 9 de Setembro.

No dia 19 de Novembro de 1864, foi entusiasticamente recebido e com grandes festejos o Corpo do Voluntários Artilheiros de Hong Kong, (1) armados e com artilharia, (fizeram exercício no campo de S. Francisco) sob o Comando do Coronel Lindesay Brine. (2) Durante os três dias de permanência (chegou a 19 e partiu a 21) fizeram-se em Macau grandes festas, reinando a melhor camaradagem e cordialidade entre portugueses e ingleses. (3) (4)

“Visit of the Hong-Kong Volunteer Corps to Macao, the Parade in Front of the Pavilion” (4)

Após esta visita, o Corpo de Voluntários de Hong Kong, no dia 24 de Junho de 1866, ofereceu em Macau uma espada ao Governador José Rodrigues Coelho do Amaral como sinal de reconhecimento, pela cordial recepção que teve nesta cidade nessa visita. (5) (6)
Esta mesma visita mereceu também uma referência na “Carta da Tia Pancha a Nhim Miquela” escrita em «3 de janero de 1865» (7):
Outro dia Voluntario inglez d´Hong Kong já vem Macáo! Qui lai di bonito! eu já vai olá também. Macáo parece França, tudo gente fallá. Tem tifin (8), revista di tropa, salva de vinte un há tiro, balsa (9) à note qui bonito, gastá cô tudo aquelle flamancia três mil fóra pataca. Algum gente qui nunca gostá assilai cuza, (10) já vai olá cova de Sam Francisco Xavier (11) eu tamêm muito querê pra santo, mas nunca vai“
(1) O Regimento de Hong Kong, também conhecido como “Os Voluntários”(“The Royal Hong Kong Regiment (The Volunteers) –  皇家香港軍團(義勇軍”), foi formado em Maio de 1854 aquando da redução militar da guarnição inglesa em Hong Kong devido à Guerra da Crimeia. Devido aos frequentes ataques dos piratas na costa da China, para manutenção da ordem, foram chamados voluntários para incorporação num regimento. No total de 99 europeus foram recrutados, a maioria de nacionalidade britânica, mas também portugueses, escandinavos e alemães. O regimento foi desmobilizado e reactivado conforme as necessidades até que em 1878 definitivamente se institui uma força militar denominada “Hong Kong Artillery and Rifle Volunteer Corps” e depois em 1917 como “Hong Kong Defence Corps”- a única força militar existente em Hong Kong durante a I Grande Guerra.
https://en.wikipedia.org/wiki/Royal_Hong_Kong_Regiment
http://www.rhkr.org/history/
(2) Almirante Lindesay Brine (1834-1906) oficial da Armada Real Britânica. Tenente em 1854, “Commander” em 1862, “Captain” em 1868, Vice Almirante em 189. Retirado em 1894. Foi depois nomeado Almirante em 1897. Nomeado comandante da canhoneira “Opossum” que estava em serviço nas águas da Índias Orientais e China, em 1 de Maio de 1860 e depois colocado em Hong Kong, no Corpo de Voluntários. Em 27 de Maio de 1865 nomeado comandante do  “HMS Racer” estacionado no Mediterrâneo.
É autor do livro “The Taeping Rebellion In China; A Narrative Of Its Rise And Progress, Based Upon Original Documents And Information Obtained In China
(3) GOMES, Luís G – Efemérides da História de Macau, 1954)
(4) Ver anterior postagem sobre esta mesma visita “Notícia da visita a Macau do dia 19 a 21 de Novembro de 1864 do Corpo de Voluntários de Hong Kong”, publicada no suplemento do dia 21 de Janeiro de 1865 do jornal «The Illustrated London News»”, em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/19/noticias-de-19-a-21-de-janeiro-de-1865-visita-do-corpo-de-voluntarios-de-hong-kong-a-macau/
(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
(6) Ver anterior postagem em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/06/24/noticia-de-24-de-junho-de-1866-oferta-duma-espada-ao-governador-coelho-do-amaral/
(7) Ta-Ssi-Yang –Kuo  Tomo I. p. 324.
(8) Tifin – o mesmo que “lunch”
(9) Balsa – fogo de artifício chinês, muito comum em Macau até à década de 20 (séc. XX) depois caiu em desuso. Este fogo de artifício era chamado porque os foguetes eram colocados em balsas ou baldes Construía-se uma armação em bambu, espécie de torre de dois ou três andares, e em cada andar punha-se uma balsa de foguetes. Acendia-se a primeira, esta ao explodir pegava fogo à segunda e assim sucessivamente. (BATALHA, Graciete Nogueira – Glossário do DIalecto Macaense. Coimbra, 1977).
(10) Assilai cuza – duma tal coisa.
(11) Cova de Sam Francisco Xavier – refere-se à antiga sepultura do Santo na Ilha de Sanchoão e à peregrinação que os macaenses fizeram a essa ilha em Novembro de 1864.
Ver anterior postagem em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/12/03/noticia-de-3-de-dezembro-de-1866-a-cruz-dos-macaenses-na-ilha-de-sanchoao

Extraído do «B. G. M.», XII-43, 1866.

No dia 24 de Agosto de 1866, o Corpo de Voluntários de Hong Kong ofereceu em Macau uma espada ao Governador José Rodrigues Coelho do Amaral como sinal de reconhecimento, pela cordial recepção que tiveram nesta cidade, na sua visita em 19 de Novembro de 1864. Na mesma ocasião foi entregue ao Sr. Presidente da Câmara Municipal uma escrivadinha de prata que pelo mesmo motivo foi oferecida à municipalidade.(1)
B. G. M. XII-26 , 1866,

(1) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/19/noticias-de-19-a-21-de-janeiro-de-1865-visita-do-corpo-de-voluntarios-de-hong-kong-a-macau/