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Um aviso ao público de 18 de Agosto de 1856, publicado no Boletim do Governo (1), anunciando a apresentação em Macau, em Setembro de 1856, da Companhia Italiana do célebre funambulo, acrobático e mímico Luis Feroni (Fumoni ?)  para a realização de uma série de variadas, e escolhidas  representações de ginástica,  na Feitoria de Paiva na Rua da Prainha n.º 17 . (2)

«BGPMTS», II-44 de 22 de Agosto de 1856, p. 176

Rua da Prainha principia na Calçada de Francisco António, (1) do lado da numeração ímpar, e no Pátio de Francisco António, (2) do lado da numeração par, e termina na Calçada da Feitoria, (3) junto da Travessa do Cais.

(1) O homem que deu o nome à Calçada e ao Pátio foi o Dr. Francisco António de Seabra, natural do Brasil, o qual chegou a Macau em 1819 a bordo do navio Diana da praça do Rio de Janeiro. Possuía ali uma feitoria, na Calçada da Feitoria, (3) onde eram consertados os navios que ali entravam com fácil acesso pelo cais da Prainha. (4) Casou com Regina Seabra Joannes.

A 14 de Abril de 1830, o mandarim Tso-tang, de apelido Ien, publicou um edital, dizendo «que o carpinteiro Acão e outros ocultamente estavam concertando uma embarcação europeia do português (António) Martins, dentro da Feitoria de Francisco António, usurpando desta sorte o seu direito; e que, visto que pretendem fazer alguma obra, deverão dar parte». O Tso-tang proibiu que o carpinteiro continuasse a obra. (4)

(2) O Pátio de Francisco António (após o «Cadastro das Vias Públicas de 1874) era conhecido anteriormente por Armação de Francisco António ou Pátio do Esteio que começa na Rua do Almirante Sérgio e acaba na da Prainha (4)

(3) Calçada da Feitoria começa na Rua de S. José, junto da Rua do Barão, e termina na Travessa do cais, junto do Pátio de Chan Loc, de um lado, e junto da Rua da Prainha, do outro.

(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, ICM, 1997, pp. 34 e 427/428.

Extraído de «Gazeta de Macao», I-31, 22 de Agosto de 1839
«O Macaísta Imparcial», de 16-06-1836

«O Macaista Imparcial» publicou-se de 09-06-1836 (preço: 50 avos) a 04-07-1838. (n.º 158)

Último número de «O Macaísta Imparcial e Registo Mercantil» II-158 de 04-07-1838

Bi-semanal até 05-05-1837 e em 05-07-1837 (n.º 106) acrescentou o subtítulo «Registo Mercantil», depois passou a hebdomadário. (1)

«O Macaísta Imparcial e Registo Mercantil» I-106 de 05-07-1837

Foi seu fundador e redactor, Félix Feliciano da Cruz. (2) Impresso na Tipografia Feliciana, do próprio fundador.  Colaborou neste jornal, José Baptista de Miranda e Lima, (4) nomeadamente com apontamentos da história de Macau na secção ”Antiguidades de Macao”. Impunha-se ser imparcial embora de feição conservadora, mas em Agosto de 1936, entrou em oposição ao jornal «Cronica de Macao» (quinzenário de 12-10-1834 a 18-11-1836) e terminou a publicação por ordem censória do governador Adrião Acácio da Silveira Pinto.

1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/o-macaista-imparcial/

(2) Félix Feliciano da Cruz nasceu na Sé, cerca de 1810 e faleceu em Hong Kong a 1 de Março de 1879. Foi Irmão da Santa Casa de Misericórdia, eleito a 29-10-1837. Publicou a «Pauta Geral da Alfândega da Cidade de Macau», em 1844. (3) Trabalhou entre Cantão e Hong Kong tendo editado o «Anglo- Chinese Kalendar and Register», em 1832 e colaborado, em Cantão, no lançamento do «Canton Press” (1835 publicado em Cantão e depois, em 1844, publicado em Macau). Depois em Macau, foi proprietário da Tipografia Feliciana e Tipografia Armenia, e fundador, em Macau, de três jornais portugueses entre 1936 e 1844: «O Macaista Imparcial» de 09-06-1836 a 04-07-1838 (Tipografia Feliciana) «O Farol Macaense» de 23-07-1841 a 14-01-1842 (Tipografia Armenia) «Aurora Macaense» 14-01-1843 A 03-02-1844, semanário (Tipografia Armenia). F. F. da Cruz foi o editor do “Canton Commercial List” com os seus filhos e “compositores tipográficos” macaenses entre 1848 e 1856. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/felix-feliciano-da-cruz/

(3) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol. I, 1996, p. 965.

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-baptista-de-miranda-e-lima/

Extraído de «BGM», IX- 29 de 21 de Junho de 1863, p. 115

Francisco António Volong era filho de Job Volong e de Inês Volong. “Bom cristão, gozava do privilégio de ter em sua casa oratório particular“. Francisco António Volong casou com Ana Rosa das Chagas, filha de Francisco das Chagas e de Paula das Chagas, de quem teve os seguintes filhos: 1. Francisco António que casou com Rosa Maria 2. Vicente de Paulo que casou com Maria Madalena 3. José Joaquim, nascido a 18-09-1853 o qual faleceu a 29-08-1971

Ana Rosa Volong, viúva de Francisco António Volong, faleceu a 16 de Maio de 1868, com 45 anos de idade. Seu filho Francisco António Volong, natural de Cantão, faleceu a 15-08-1873, com 22 anos de idade…. (…). Volong deu o nome a um bairro de Macau, sito em S. Lázaro. O bairro de Volong era uma aglomeração chiqueiro, um perigosíssimo foco de infecção….Outrora era um bambual… (TEIXEIRA, P Manuel – Toponímia de Macau, Volume II, 1997, pp.315-316)

1894 – A Horta de Volong, um dos focos de infecção nas epidemias da peste e cólera, é por sua vez expropriada por utilidade pública em 1894 e saneada; é o local com uma área de 200 hectares, limitado ao norte pela Estrada do Cemitério, ao sul pela Rua Ferreira do Amaral, a leste pela Estrada da Flora e a oeste pela Rua de S. Lázaro. Entregue, em 1897, ao Senado, depois de a Repartição de Obras Públicas ter ali procedido a importantes obras tais como a abertura das ruas, à construção da canalização de esgoto e até dos alicerces das casas particulares. O bairro contíguo de S. Lázaro que fora um dos focos de epidemia da peste, de 1896, é por seu turno, saneado em 1900. Uma vez saneado nunca mais ali entrou a peste. (TEIXEIRA, P Manuel, – Toponímia de Macau, Volume I, 1997, pp.468/469)

Anteriores referências: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/horta-de-volong/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-volong/

NOTA : A propósito dum artigo sobre a Catedral de Macau, a revista “Archivo Pittoresco” (n.º 35 de Fevereiro de 1858, p. 276)  traz a seguinte informação sobre Francisco Volong:

Extraído de «BGPMTS»  I-34 de 9 de Junho de 1855 p-135

O procurador era Lourenço Caetano Cortela Marques mais conhecido pelo nome de Lourenço Marques (1811-1902). (1) Exerceu o cargo de Procurador do Leal Senado de 1851 a 1856 e de 1859 a 1865; em 1865 foi eleito vice-presidente do Leal Senado e em 1871 Presidente do mesmo

(1) Anteriores referências a este Macaense em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/comendador-lourenco-marques/

“No dia 13 de Maio de 1856 houve um leilão das casas denominadas do Barão sitas na rua da Praia do Manduco n.º 1 sendo de vinte mil patacas a base de licitação. As casas foram leiloadas pelo falecimento do proprietário Bernardo Estevão Carneiro” (1) (2)

O leilão foi publicitado no Boletim do Governo como “Avizo Judicial” de 24 de Abril de 1856 (3)

Extraído de «BGPMTS», II-27 de 26 de Abril de 1856, p. 108

No mesmo Boletim, na mesma página  e no nº seguinte, foi publicado outro anúncio, dos familiares do defunto (Bernardo Estevão Carneiro), Ana Maria Peres da Luz e Silva Carneiro (esposa) e Joaquim António Peres da Silva (genro) a contestarem a venda das Casas. (4)

Extraído de «BGPMTS », II-28 de 3 de Maio de 1856, p. 116

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954

(2) Bernardo Estevão Carneiro (1785-1854) – não se sabe em que ano veio para o Oriente, mas em 1819 já vivia em Manila destacando-se no comércio. Em 1831 veio para Macau onde em 1825 tinha comprado o palácio da Rua da Praia do Manduco, que fora do Barão de S. José de Porto Alegre. Foi um dos mais ricos comerciantes e proprietários do seu tempo. Exerceu por duas vezes o cargo de procurador do concelho. Era proprietário do chamado «Jardim do Carneiro», sito na Bela Vista que sua viúva vendeu mais tarde a Cleverly Osmond para servir de Cemitério Protestante. Casou pela 1.ª vez em Manila, com Gertrudes Maria Pereira e pela 2.ª vez em Macau (1837) com Ana Maria Peres da Luz e Silva (1807-1888). Joaquim António Peres da Silva (1806-1861) era o genro de Bernardo Estevão Carneiro, casado com a 1.º filha do 1.º casamento, Vicenta Sabina Carneiro, nascida em Manila (1817-1907). FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume I, pp. 661-662

3) Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor II-27 de 26 de Abril de 1856, p. 108

(4) Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor, II-28 de 3 de Maio de 1856, p. 116

Enxerto dum artigo na imprensa brasileira, sem identificação do autor, intitulado “A China, o ópio; horrores da emigração dos Culis” (1), com referência a Macau, na página 27

(1) «Revista Popular» do Rio de Janeiro de 1859-1862. http://bndigital.bn.br/acervo-digital/revista-popular/181773

Anteriores referências à emigração dos cules em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/emigracao-dos-cules/

Extraído de «O Oriente» I- 8 de 7 De Março de 1872

Extraído de «B.G.P. de M.T.e S., Vol II-N.º 11.

O mesmo incêndio foi relatado por outras fontes, já anteriormente publicados neste blogue:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/04/noticia-de-4-de-janeiro-de-1856-grande-incendio-do-bazar-chinez-em-macau
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/04/noticia-de-4-de-janeiro-de-1856/

TSYK I-38 de 23 de Junho de 1864.
TSYK I-40 de 7 de Julho de 1864.

J. De Amorie Van der Hoeven, (1825-1877) foi cônsul da Holanda em Cantão de 1855 a 1866, sucedendo a Tonco Modderman. (1) Van der Hoeven era comerciante de gengibre, especiarias e óleos de utilização na culinária, com uma empresa em Cantão desde 1848, com o seu nome ( estva registada também em Macau), no quarteirão dos estrangeiros nessa cidade. Em Fevereiro de 1856 chegaram a Cantão dois jovens holandeses Albrecht e Von Faber, mandados pelo Governo holandês para aprender a língua chinesa (os dois primeiros sinologistas holandeses) , ficando a cargo e à tutela do cônsul Van der Hoeven e em cuja casa residiram. No entanto os estudantes tiveram que sair de Cantão por causa do incidente com o barco chinês «Arrow», que viajava com bandeira inglesa. Foi tomado pelas autoridades chinesas sob o pretexto de pirataria e contrabando (doze marinheiros presos e torturados) em 8 de Outubro de 1856. Os ingleses consideraram este acto um insulto e ao falharam as negociações atacaram Cantãp em 23 de Outubro.
Os ingleses atacaram Cantão pela 2.ª vez em 3 de Dezembro e os chineses incendiaram as empresas e fábricas estrangeiras em 14-15 de Dezembro. Assim, todos os estrangeiros abandonaram Cantão. Van der Hoeven e os estudantes vieram para Macau a 8 de Novembro, mantendo Van der Hoeven oficialmente o título de cônsul de Holanda em Cantão. Em 1857 vivia numa bela mansão com um grande jardim na Praia Grande e os estudantes viviam no 2.º andar dessa residência. Depois destes dois estudantes (estiveram dois anos e meio em Macau) outros vieram para aprendizagem da língua chinesa (na correspondência do cônsul com os governantes holandeses, apontava-se a polémica de ser mais vantajosa a aprendizagem do chinês cantonense ou do mandarim).
Os ingleses e franceses ocuparam Cantão de Janeiro 1858 a Outubro de 1858. (2)
(1) Toco Modderman (1813 -1858) comerciante, que estava em Cantão desde a década de 40 foi nomeado em cônsul da Holanda nessa cidade de 1854 a 1855.
(2) KUIPER, Koos – The Early Dutch Sinologists (1854-1900) (2 vols): Training in Holland and China, Functions in the Netherlands Indies. Leiden; Boston:Brill, 2017.

TSYK I-38 de 23 de Junho de 1864

J. De Amorie Van der Hoeven, (1825-1877) foi cônsul da Holanda em Cantão de 1855 a 1866, sucedendo a Tonco Modderman. (1).

TSYK I-40 de 7 de Julho de 1864

Van der Hoeven era comerciante de gengibre, especiarias e óleos de utilização na culinária, com uma empresa em Cantão desde 1848, com o seu nome (estava registada também em Macau), no quarteirão dos estrangeiros dessa cidade. Em Fevereiro de 1856 chegaram a Cantão dois jovens Albrecht e Von Faber, mandados pelo Governo holandês para aprender a língua chinesa (os dois primeiros sinologistas holandeses) , ficando a cargo e à tutela do cônsul Van der Hoeven e em cuja casa residiram. No entanto os estudantes tiveram que sair de Cantão por causa do incidente com o barco chinês «Arrow», que viajava com bandeira inglesa, ter sido tomado pelas autoridades chinesas sob o pretexto de pirataria e contrabando (doze marinheiros presos e torturados) em 8 de Outubro de 1856. Os ingleses consideraram este acto um insulto ao falharam as negociações atacaram Cantão em 23 de Outubro.
Os ingleses atacaram Cantão pela 2.ª vez em 3 de Dezembro e os chineses incendiaram as empresas e fábricas estrangeiras em 14-15 de Dezembro. Todos os estrangeiros assim abandonaram Cantão. Van der Hoeven e os estudantes vieram para Macau a 8 de Novembro de 1856, mantendo  Van der Hoeven oficialmente o título de cônsul de Holanda em Cantão. Em 1857 vivia numa bela mansão com um grande jardins na Praia Grande e os estudantes viviam no 2.º andar dessa residência. Depois destes dois estudantes (estiveram dois anos e meio) outros vieram para aprendizagem da língua chinesa (na correspondência do cônsul com os governantes holandeses, apontava-se a polémica de ser mais vantajosa a aprendizagem do chinês cantonense ou do mandarim.
Os ingleses e franceses ocuparam Cantão de Janeiro 1858 a Outubro de 1858. (2)
1) Toco Modderman (1813 -1858) comerciante, que estava em Cantão desde a década de 40 foi nomeado cônsul da Holanda nessa cidade de 1854 a 1855.
(2) KUIPER, Koos – The Early Dutch Sinologists (1854-1900): Training in Holland and China, Functions ins the Netherlands Indies. Leiden; Boston, Brill, 2017.