Archives for posts with tag: Bazar Chinês

A 13 de Abril de 1783 deu-se na Rua do Bazarinho (1) a morte dum chinês, que causou grande apreensão. O Senado reuniu- se a 19 de Abril para discutir sobre a «morte feita na noite do dia treze do d.º mez, a hum china assistente em huma botica na Rua do  Bazarinho do Bairro de S. Lourenço e q. achara p. sette testemunhas compreendido e culpado na mesma morte, q. as mesmas testemunhas na devaça declarão»

Essa devassa foi feita a 14 de Abril. O governador D. Francisco de Castro, (2) não tendo a certeza de «quem fosse verdadeiramente o matador», mas que lhe parecia haver «suficiente prova para vir no conhecimento do dito matador», mandou consultar três advogados, que exerciam a sua profissão em Macau há muitos anos, estes confirmaram que a prova era suficiente para se julgar que o culpado era aquele que as testemunhas declararam na devassa.

Este termo do Leal Senado, de 19-04-1783, está assinado pelo escrivão da Câmara, Jacinto da Fonseca e Silva, e por António Gonçalves Guerra.

(1) Rua do Bazarinho que os chineses chamam de Soi-Sau-Sai-Kai (水手西街) isto é, Rua dos Marinheiros, a oeste, para distinguir doutra Rua dos Marinheiros, que ficava a sul. Chamava-se Bazarinho para o distinguir do Bazar Grande em S. Domingos. Começa na Travessa do Mata-Tigre, ao lado do Pátio da Ilusão, e termina na Calçada de Eugénio Gonçalves, quase em frente a Rua das Alabardas (hoje Rua da Alabarda). (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, p. 449-450)

(2) António José da Costa, negociante (estava já em Macau desde 1730), que foi chamado a substituir em 05-01-1780 o governador João Vicente da Silva Meneses (falecido a 4 de Janeiro), em 28-08-1780, por doença de que veio a morrer em 03-02-1781, entrega o Governo ao Fidalgo Cavaleiro D. Francisco Xavier de Castro. Este era filho do ex-governador Rodrigo de Castro. Exerce funções até Agosto de 1783. A 18 de Agosto de 1783, toma posse o Capitão. Geral, Bernardo Aleixo de Lemos e Faria. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 1, 2015, pp. 304 e 308)

Extraído de «BOGPM», n.º 8 de 20 de Fevereiro de 1926, p. 121

Comparando com os mesmos sinais de 1966 – postagem de 18-04-2012 (1) – os sinais procedidos de dois tiros de peça dados da mesma fortaleza, em 1926, passaram a ser procedidos de toques de sereia, em 1966, e os sinais nocturnos assinalados pelas disposições de uma a três “bolas” (em 1926) passaram a ser sinalizados pela disposição vertical, por lâmpadas de cores (combinação de amarelo e vermelho).

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/18/sinais-de-incendio-na-fortaleza-do-monte/

Extraído de «BPMT»,  XIV-2 de 13 de Janeiro de 1868, p. 6

NOTA: Bernardino de Senna Fernandes era, nessa data, major e inspector de incêndios

Extraído de «BPMT»,  XIV-2 de 13 de Janeiro de 1868, p. 6
Extraído de «BPMT», XIV-2 de 13 de Janeiro p. 8

Mais dois postais com fotos datadas de c. 1902, da colecção (10 postais), intitulada “MACAU ANTIGA, ETERNA”  – fotografias das primeiras décadas do século XX – com legendas em três línguas, publicada pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. M / Arquivo Histórico de Macau, em 2015. (1)

Postal – Hotel Boa Vista, c. 1902 (2)
Postal – Hotel Boa Vista, c. 1902, verso

NOTA: Data errada, a mesma foto, foi publicada em postal pela “Graça & Co”, de Hong Kong e datada “cerca de 1890

Postal – Rua da Felicidade, c. 1902 (3)

NOTA – outra data errada e mal legendada, não se trata da Rua de Felicidade. Será provavelmente uma rua do Bairro Chinês (Bazar).

“É referida como sendo a Rua da Felicidade, mas é uma outra rua de Macau, que ainda não consegui saber qual seria. Rua da Felicidade é que não é por causa das varandas e de os edifícios terem dois andares.” (informação de R. Beltrão Coelho)

Postal – Rua da Felicidade, c. 1902, verso

Aliás esta foto, está também em postal, de “Graça & Co” de Hong Kong com indicação “Chinese town –Gambling Houses and Chinese Restaurants”, c. 1890.

LOUREIRO, João – Postais Antigos MACAU, 2.ª edição, 1997, p. 101

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/10/07/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-ii/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/25/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-i/

(2) Anteriores referências ao Hotel Bela/Boa Vista em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-bela-vista-boa-vista/

(3) Anteriores referências à Rua da Felicidade em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-da-felicidade/

Continuação da leitura do livro “CHRONICA PLANETARIA (Viagem à Volta do Mundo) ” de José Augusto Correa, publicado em 1904 (1), referido em anterior postagem (2)

“Á noite animam-n´o as casas de tan tan, onde a jogatina é desenfreada. Esta parte da cidade abunda em pateos, que no Porto têm o nome de ilhas, e no Rio de Janeiro o de cortiços; becos sem sahida, onde se aglomera e amontôa uma população miserável e infecta. Foi aqui que a cólera-morbus estabeleceu o seu quartel – general, estendendo as suas devastações ao bairro europeu, onde já tem ceifado muitas vidas, especialmente no elemento estrangeiro. No dia seguinte ao da minha chegada morreram de cólera dois soldados brancos da guarnição. A cidade, aparte o bairro chinez, é edificada sobre cinco pequenas colinas; Guia (a maior), Penha de França, Mong-há, D. Maria, S. Francisco e Gruta de Camões, cobertas de abundante arvoredo. Os valles que as separam são formosas avenidas bordadas de luxuriante vegetação. O clima é relativamente ameno, especialmente comparado com o das cidades vizinhas. Os hotéis teem fogões nos quartos, signal de que os invernos são rigorosos.

Os macaenses, typo moreno e sympathico, orgulhosamente de ser os mais patriotas dos portuguezes, porque nunca se entregaram a Hespanha, durante os setenta anos do seu domínio sobre Portugal. Por isso a sua Camara Municipal chama-se Leal Senado. Este profundo patriotismo parece, todavia, modificado nos últimos tempos, não por culpados filhos da terra, mas sim dos governos portuguezes contemporaneos , que esqueceram por completo, as gloriosas tradições que fizeram o lusitanos de outr´ora, o primeiro povo colonizador do mundo. Fallei com muitos filhos de Macau, n´esta e nas cidades de Cantão e Victoria, a bordo dos vapores, queixando-se todos amarga e violentamente do abandono, da negligência e especialmente dos vexames das auctoridades portuguezas.Frequentemente são para alli mandados funcionários que não estão á altura dos seus cargos, por vários motivos, do que resulta o aumento da repulsão que os naturaes começam a sentir pela metropole. Ainda nos últimos tempos o caso do major Bragança, que esbofeteou um macauense, traz indignados os leaes portuguezes. (…) 

O bairro chinez é interessantíssimo pela originalidade de todo e pela sua grande, extraordinaria animação, especialmente à noite, com as casas de jogo muito bem illiminadas interior e exteriormente. O mercado de fructa, á luz de candieiros de petróleo e de copinhos de papel de seda colorido, é tudo quanto no género há de mais curiosos. O principal rendimento de Macau é fornecido pelas casas de jogo. Na cidade há muitas fortunas particulares, principalmente de chinezes que enriquecem no seu paiz e veem viver para Macau, felizes e tranquilos na suavidade das leis portuguezas, comparadas com as leis e costumes chinezes. O Leal Senado deve olhar um pouco mais para o bairro china, que é imundo e fétido. Não lhe faltam recursos para melhoramentos locaes, porque além de provêr às suas e às necessidades de Timor, ainda lhe sobra dinheiro. (…) ………continua

(1) CORREA, José Augusto – Cronica Planetaria (Viagem à volta do mundo), 2.ª edição. Editora: Empreza da História de Portugal, Lisboa, 2.ª edição, 1904, 514 p. Illustrada com 240 photogravuras; 15,5 cm x 21 cm.

 (2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/07/04/leitura-chronica-planetaria-de-jose-augusto-correa-i/

Extraído de «BPMT»,  XIV – 21 de 23 de Maio de 1868, p. 97

Anteriores referências a Jerónimo Pereira Leite (1812-1882) que foi ajudante de campo de Governador Ferreira do Amaral e que nesta data era comandante do Corpo da Polícia de Macau. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jeronimo-pereira-leite/

NOTA: No sítio “GeneallFamília Pereira Leite”, encontrei: “Luís Pereira Leite de Elvas casou em Lisboa com Petronilha Rosa e foram pais, em 1812, do que viria a ser general Jerónimo Pereira Leite, o qual casou com Firmina Smith Gonçalves Serva. Fez a sua carreira militar nos Açores, Goa e finalmente Macau onde foi ajudante às ordens do governador Ferreira do Amaral e Comandante da Polícia de Macau. Foi condecorado com a Ordem da Torre Espada por feitos numa das batalhas do cerco do Porto em 1832, onde foi ferido gravemente. Morreu em Lisboa em 1882. ” .https://geneall.net/pt/forum/46185/familia-pereira-leite-elvas/#a410362

Extraido de «Gazeta de Macau», n.º VI de 7 de Fevereiro de 1824.

Extraído de «B.G.P. de M.T.e S., Vol II-N.º 11.

O mesmo incêndio foi relatado por outras fontes, já anteriormente publicados neste blogue:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/04/noticia-de-4-de-janeiro-de-1856-grande-incendio-do-bazar-chinez-em-macau
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/04/noticia-de-4-de-janeiro-de-1856/

 Duas datas referenciadas por Luís Gonzaga Gomes: a data da posse do governo de Macau e da partida ao fim de 11 anos como governador:
18-09-1851 – Foi exonerado o Conselheiro Capitão de Mar e Guerra Francisco António Gonçalves Cardoso do cargo de Governador da Província de Macau e nomeado o Capitão-Tenente da Armada Isidoro Francisco Guimarães Júnior, comandante da corveta D. João I para o substituir. No dia 19-11-1851, o Capitão-Tenente da Armada Isidoro Francisco Guimarães desembarcou às 15.00 horas sendo recebido pelo Governador cessante Francisco António Gonçalves e demais autoridades. Após a recepção, no Palácio do Governo, o Governador cessante dirigiu-se à Sé, para buscar o bastão que havia depositado aos pés de Nossa Senhora da Conceição, dirigindo-se, em seguida, ao Monte, seguido das autoridades. Após a entrega do bastão e das chaves da Fortaleza e troca de discursos, dirigiram-se os dois governadores para o Leal Senado, afim de o novo Governador assinar o auto da posse, findo o qual voltou à Sé, para depositar novamente o bastão aos pés da Nossa Senhora da Conceição. Isidoro Francisco Guimarães, durante os anos da sua inteligente e próspera governação, conseguiu restaura por completo o estado financeiro da província que, encontrando-se em 1852 deficitário, em 48.309 patacas, apresentou, em 1862, um saldo de 104.633 patacas.
30-01-1863 – Partiu para a metrópole, ao cabo de catorze anos de residência em Macau e onze de governo, o Conselheiro Izidoro Francisco Guimarães . Ao tomar conta do Governo, encontrou a caixa pública exausta e com grandes dívidas aos servidores do estado, mal chegando para as despesas o subsídio da metrópole. O Conselheiro não impôs um único tributo. Fiscalizou unicamente com rigor os existentes, empregando a mais severa economia, conseguindo, em menos de três anos, não só pagar em dia mas dispensar o subsídio da metrópole, não obstante as despesas terem aumentado do ano para ano com as obras públicas e a força naval e com socorros de avultadas somas para outras províncias, deixou a caixa com um saldo de milhares de patacas. Introduziu notáveis melhoramentos na colónia despendendo para isso grandes quantias, como como o novo Palácio do Governo, aumento sobre o mar de quase toda a linha da Praia Grande, além da reconstrução do Bazar, depois do incêndio que o reduziu a cinzas, reconstrução do Bazar, depois do incêndio que o reduziu a cinzas, reconstrução que tornou aquela parte importante da cidade, não só maior, pelos acréscimos sobre o rio, como muito mais regular e elegante. Foi também ele quem concluiu, satisfatoriamente para Portugal, os tratados com o Sião, Japão e China, que trouxeram muita honra para Portugal, bem como idênticas vantagens alcançadas pelas outras nações estrangeiras. ” (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
Anteriores referências a este governador neste blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/11/19/noticia-de-19-de-novembro-de-1851-novo-governador-isidoro-francisco-guimaraes/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/isidoro-francisco-guimaraes/

Extraído do «Bol. G.P.M.T.S.» VI–8. 851.