Archives for posts with tag: Padre Manuel Teixeira
Extraído de «Abelha da China», XVIII de 16 de Janeiro de 1823, p, 69

António José de Gamboa nasceu em Lisboa a 26 de Agosto 1754, veio para Macau (cerca de 1775) onde se entregou à vida comercial, vindo a ser um grande capitalista (com o comércio do ópio) e proprietário de navios. Desempenhou o cargo de Procurador do Senado em 1793 e em 1795. (1) Em sua memória, existe na toponímia de Macau, 4 vias com o seu nome.

Rua do Gamboa 夜 姆() (2) 街 – começa na Rua da Alfândega, em frente da Calçada do Gamboa e termina na Rua das Lorchas, entre os prédios n.º 25 e 27. Tem um arco alpedrado junto da Travessa da Louça. (1) 夜 姆 () mandarim pīnyīn: yè mǔ  jiē ; cantonense jyutping: je6 mou5 gaai1

Travessa do Gamboa夜姆() (2) 巷 – começa na Rua do Gamboa ao lado do prédio n.º 3, e termina na Travessa das Virtudes. (1) 夜姆巷- mandarim pīnyīn: yè mǔ hàng; cantonense jyutping: je6 mou5 hong6

Calçada do Gamboa夜姆() (2) 斜巷 – começa no cimo da Calçada do Tronco Velho, junto do Largo de Santo Agostinho, e termina na Rua da Alfândega, em frente da Rua do Gamboa. (1) 夜姆斜巷- mandarim pīnyīn: yè mǔ xié hàng; cantonense jyutping: je6 mou5 je3 hong6

Beco do Gamboa – 夜姆() (2)  里. Também conhecida como 深巷仔. 夜姆里 – mandarim pīnyīn: yè mǔ lǐ; cantonense jyutping: je6 mou5 lei5. 深巷仔mandarim pīnyīn: shēn hàng zǐ; cantonense jyutping: sam1 hong6 zai2

(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume II, 1997, pp.291-292.

(2) Questionei o meu amigo Manuel Basílio sobre a grafia chinesa desta rua e com a sua autorização da qual muito agradeço, publico o texto e os anexos que me enviou:

“Boa pergunta.  Este topónimo, em chinês, apesar de me ter dado muitas voltas à cabeça, acabei por chegar a uma conclusão, que me parece ser mais lógica. Como bem sabe, os topónimos em chinês não estavam fixados, nem inscritos em qualquer relação ou cadastro das vias públicas do século XIX, oficialmente publicados.  Naquela altura, certos topónimos em chinês variavam consoante o tradutor e até o próprio Pedro Nolasco da Silva, ora utilizava um caracter, ora outro, em traduções que fazia ou aprovava para publicação no B.O., e um dos exemplos é relativamente à Rua e à igreja de Santo António.

No caso da Rua do Gamboa, o registo oficial mais antigo que encontrei, em chinês, foi o que consta do Cadastro das Vias Públicas Macau do ano de 1905, em que está registado 夜母街  (yé, noite; mou, mãe; e kái, rua).  Mais tarde, no Cadastro de 1925, aparece então registado 夜呣街  (com o caracter  , formado por  mou, com o radical  hâu, boca).  O radical 口hâu, em caracteres chineses, é uma característica do dialecto cantonense, devido aos seus sons específicos, quando falado. No entanto, nos Anuários de Macau, em vez de mou ou , utilizaram um outro caracter –  mou  (mulher que cria ou cuida um filho de outrem, isto é, ama seca), tendo repetido a mesma chapa em todas as edições subsequentes até 1957.  Dado que os residentes chineses, desde longa data, chamavam àquela via 夜呣街  (Yé Mó Kái), portanto, com a publicação do Cadastro das Vias Públicas e Outros Lugares da Cidade de Macau, de 1957, fixou-se finalmente “Yé Mó Kai” para a designação, em chinês, da Rua do Gamboa (o mesmo caracter usado no Cadastro de 1925).  O termo “Yé Mó” é, sem dúvida, o que faz mais sentido, visto que naqueles tempos havia em Macau vadios e refugiados, sobretudo, no período da Rebelião Taiping  (1851-1864), conhecidos pelo nome de “lanchaes” (lán châi), que aqui não conseguiam trabalho e meios de subsistência e, por isso, praticavam roubos pela cidade e a Rua do Gamboa era um dos alvos, por ser uma via principal.  O topónimo 夜呣  (Yé Mó) deveria ter sido derivado do termo homófono 夜摩  (Yé Mó), que significa gatuno, conforme registado no Dicionário Chinês-Português, editado pelo Governo da Província no ano de 1962, sendo autores A. Melo, Pe. Ngan e Pe. Hó.  Infelizmente, em Macau, continua a haver designações em chinês cujos caracteres estão incorrectamente escritos, casos como a de “Tap Seac”, “Lou Seac T’óng” (antiga Rua do Mastro, hoje Rua Camilo Pessanha), etc., muitas vezes por culpa dos tradutores daqueles tempos e que, até agora, continuam sem a devida rectificação.  Macao sã assi! “

CADASTRO 1905
CADASTRO 1925

Aconselho a leitura de Manuel Basílio: “Uma rua em Macau com estranha denominação em chinês” disponível em: https://cronicasmacaenses.com/2020/02/12/rua-do-gamboa-uma-rua-em-macau-com-estranha-denominacao-em-chines/.

Em 18 de Dezembro de 1582, as autoridades de Macau reconheceram oficialmente Felipe II de Espanha, como seu soberano, (Filipe I de Portugal) com a condição desta cidade servir de intermediária obrigatória das Filipinas nas suas relações com a China e que nada traísse aos olhos dos chineses da sua comunidade de soberano. Os mandarins perceberam, porém, bem depressa a mudança de regime (1)

Extraído de «Ephemerides da semana» in Bol. Gov. Macau», XIII-2, 14 de Janeiro de 1867, p. 8.

Em 1583, (2) foi criado o (Leal) Senado de Macau pelos bons ofícios de D. Belchior Carneiro. D. Leonardo de Sá viria a presidir às primeiras eleições do Senado (D. Belchior morreu pouco depois). Na origem desta importante instituição estava o facto de os portugueses residentes em Macau, receosos de se tornarem simples súbditos espanhóis (união ibérica -1580), terem deliberado em reunião presidida pelo Bispo D. Belchior Carneiro, criar uma forma de administração que lhes desse alguma independência. Nasce assim o Senado (foi autorizada a continuação do uso da bandeira portuguesa, com a aprovação do Vice-Rei da Índia, D. Francisco de Mascarenhas. Três anos depois, 10 de Abril de 1586, o Vice-Rei Duarte de Menezes concedeu ao mesmo Senado o estatuto e privilégios de Cochim (Évora e Coimbra), passando Macau s ser considerada como cidade portuguesa com o nome de Cidade do Nome de Deus do Porto de Macau na China. Com o Governo Municipal nasceu o cargo de Procurador, especificamente, em Macau, um dos mais importantes da hierarquia do senado. Tinha, entre outras funções, a de gerir as relações com a China; foi criada também uma guarda de segurança e muda-se o nome de “povoação” para “cidade” (3)

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.

(2) 1583 – Fundação do Leal Senado – O Senado foi fundado pouco depois de 18 de Dezembro de 1582. (TEIXEIRA; Pe. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997, pp. 48-49.)

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume I, 2015, p. 84

Pedro Germano Marques viúvo, com 75 anos, faleceu na Sé a 15 de Dezembro de 1874. (1) Da 4ª geração da família macaense “Marques” de Macau, nasceu a 21 de Abril de 1799. Foi escrivão da Câmara. Era dotado de grande habilidade para o desenho (2) tendo desenhado e dirigido, entre outras obras, o primeiro projecto para o Teatro D. Pedro V, o primeiro teatro de estilo ocidental na China. Foi inaugurado em 1860 (a actual fachada foi delineada pelo Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo em 1873 e restaurada em 1918 por José Francisco da Silva). Foi sepultado na Igreja de Sto. Agostinho.(3)

Fachada do teatro c. 1971

(1) “ No registo de nascimento é Pedro Germano; no de casamento é Pedro Gregório; e no registo de óbito é Pedro Germano! No entanto a documentação civil que se lhe refere chama-o sempre Pedro Germano” (FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume II, 1996, p. 562

(2) “Pedro Marques não era arquitecto nem engenheiro, mas tinha engenho e arte e foi ele que desenhou e dirigiu a construção do edifício, que saiu apurada. O Teatro D. Pedro V revela uma rara combinação das arquiteturas clássicas grega e romana coma portuguesa, de que resultou uma obra que nos encanta e dignifica” (TEIXEIRA, P.e Manuel – O Teatro D. Pedro V,1971, p.7)

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 216

Ver anteriores referências em https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/pedro-germano-marques/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/teatro-d-pedro-v/

A Calçada de S. Francisco Xavier (1) recorda-nos os tempos em que todo Macau em peso com o governador e o Senado acorria à festa e procissão de S. Francisco Xavier, um dos padreiros da cidade, que se celebrava em S. Paulo no dia 10 de Dezembro, visto no dia 3 desse mês (3-12-1552 – data do falecimento do Santo em Sanchoão) se estar celebrando na Igreja de Nossa Senhora dos Anjos do Convento de S. Francisco a novena da Imaculada Conceição, padroeira de Portugal. 

O Padre José Montanha, S.J. (2) escrevia de Macau em 1742 sobre esta festa nomeadamente na Ordem da Procissão:

«Faz-se nesta Cidade em dez de Dezembro hindo na Procissaõ o Gouv.ºr e atraz do Palio com afua vella na maõ ; e entaõ o Prefeito da Congregaçaõ vay atraz da cherola do braço do Santo, e naõ hindo o G.ºr vay entaõ atraz do Palio cõ sua vella de cera na maõ.

Diante de toda a Procissaõ  vaya Cruz grande que leva hum Irmaõ da Congregacam.

O Primeiro Guiaõ de Saõ Francisco Xavier Peregrino, e a cherolla de Saõ Joaõ Francisco Regis.

O Terceiro Guiaõ, e cherolla de Saõ Luis Gonzaga.

O Quarto Guiaõ, e cherolla de Santo Estanslao Kostka.

O Quinto Guiaõ, e cherolla dos Santos Martires de Jappam.

O Sexto Guiaõ, e cherolla de Saõ Francisco Borja.

O Septimo Guiaõ, e cherolla de Nosso Padre Santo Ignacio de Loyolla, Fundador da Companhia.

O Oitavo Guiaõ, e cherollas das Santas Onze mil Virgens.

O Nono Guiaõ, e cherollas de Saõ Miguel Arcanjo.

O Decimo Guiaõ, e cherolla de JESUS, segue-se a sua Cruz, e confraria, e os Irmaons em ordem com as suas capas brancas, e tochas nas maons, e o Perfeito com a fua vara de prata na maõ, esta confraria lhe pafsou a Bulla o Papa Sixto Quinto.

O Undecimo Guiaõ, e cherolla da Senhora da Annunciada com a fua Cruz, e os Irmaons estudantes com suas vellas nas maons.

O Duodecimo Guiaõ de Sam Francisco Xavier, e cherolla com fua Reliquia do braço do santo, que levão quatro Religiozos da Companhia naõ Sacerdotes.

Ultimamente se segue a Commonidade com a sua Cruz. Depois o Palio.

E atraz huma Companhia de soldados formados com seus oficiais»

(1) A calçada de S. Francisco Xavier começa na Rua de S. Paulo, entre o Pátio do Sol e o prédio n.º 35 desta rua, e termina junto do muro da vedação das ruínas de São Paulo, ao cimo da Rua da Ressurreição e junto da entrada para o Pátio do Espinho.

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-jose-montanha/

TEIXEIRA, Padre Manuel – Toponímia de Macau, Volume II, pp. 13-14

Uma colecção de 12 postais (dimensão do postal: 15 cm x 10,4 cm), no interior duma capa e contracapa (total: 23,2 cm x17,5 cm) intitulada “Património Arquitectónico de Macau / 澳門建築文物 / Architectural Heritage of Macau” contendo desenhos de Ung Vai Meng (do ano de 1983), editado pelo Instituto Cultural de Macau – Departamento do Património Cultural. Impressos na Tipografia Welfare Co-Macau .

Comprado na década de 90 na Livraria Portuguesa

Capa e contracapa
Verso (interior) da capa e contracapa

Apresento três postais desta colecção, desenhos das três mais antigas igrejas de Macau: Igreja de S. Lázaro (1); Igreja de S. Lourenço (2); Igreja de S. António (3)

Do manuscrito do Padre Fr. Jozé de Jesus Maria Arrabino (4)

«Em o seguinte anno de 1558 até o de 69, achando-se já aqui alguns Padres da Sagrada Companhia de Jesus (…) com sua boa assistência e idéa entrarão a formar duas ou três pequenas igrejas de S. Lázaro, S. Lourenço e S. António, e junto a esta (que há dúvidas em qual fosse a primeira) concorrerão para se fazer um comodo hospicio em que os ditos Padres podessem habitar, servindo-lhe de espiritual conçolação, pela indigência de sacerdotes e Ministros que havia, suposto que com brevidade concorreraõ …»

Igreja de S. Lázaro – 聖母堂 – St. Lazarus Church
Ung Vai Meng 4-05-1983
Igreja de S. Lourenço – 老愣佐堂 – St. Lawrence´s Church
Ung Vai Meng 11-05-1983
Igreja de S. António – 聖安多尼堂 – St. Anthony´s Church
Ung Vai Meng  data?

澳門建築文物 mandarim pīnyīn: ào mén jiàn  zhú wén wù; cantonense jyutping: ou3 mun4 gin3 zuk1 man4 mat6

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lazaro-n-sra-da-esperanca/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lourenco/

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-antonio/

(4) «Asia Sinica, e Japonica: Macao conseguido, e perseguida» obra póstuma do Padre Fr Jozé de Jesus Maria Arrabino, escrito entre 1744 e 1745, livro IV, e I, p. 76 in TEIXEIRA, Padre Manuel – Macau e Sua Diocese I, 1940, p. 166.

“A 12 de Novembro, Lady May L. Ride, viúva de Sir Linsay Ride, veio a Macau, acompanhada dum arquitecto, para tratar de erigir uma lápide de bronze a Sir Lindsay, que faleceu em Hong Kong em 17 de Outubro (1) e cujas cinzas foram trazidas para o Cemitério Protestante de Macau.

O arquitecto é o Dr. E. S. T. Cusdin, que acaba de ser convidado pera vir de Londres a Hong Kong, a fim de elaborar, o projecto da expensão da universidade inglesa; foi ele também que há vários anos delineou o projecto do “Queen Elizabeth Hospital” de Kowloon e ainda a residência de Sir Lindsay Ride em Hong Kong e muitos outros edifícios. Veio com a sua esposa e ambos visitaram os pontos turísticos de Macau acompanhados por Roque Choi e pelo Padre M. Teixeira, que lhes relatou a história de cada um regressando ambos nessa tarde a Hong Kong com Lady Ride. Prometeram voltar para examinarem melhor a cidade e a sua arquitectura característica e sobretudo os projectos para o desenvolvimento das ilhas da Taipa e Coloane, que este hábil e experimentado arquitecto mostrou desejos de conhecer.

Extraído de «MACAU BIT», XII-9/10, de Novembro/Dezembro de 1977, p. 18

(1) Ver anterior referência em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/lindsay-tasman-ride/

Extraído de «BGC», XXI-244, OUT1945 pp. 133 -138

De Hong Kong vieram para Macau, durante a Guerra do Pacífico, milhares de refugiados portugueses. Os rapazes ficaram privados das suas escolas; quanto à crianças e às raparigas, fácil lhes foi matricular-se nas escolas de Macau, tais como os Colégios de S. Rosa de Lima, do Sagrado Coração, de N. Sra. De Fátima, etc. Os rapazes, porém, não tinham nenhuma escola secundária, onde pudessem continuar os estudos violentamente interrompidos. Foi então que um dos mais categorizados refugiados, Porfírio Maria Nolasco da Silva, sugeriu que se solicitasse a vinda dos jesuítas irlandeses de Hong Kong para abrirem aqui um Colégio Inglês para esses rapazes.

A 27 de Outubro de 1942, chegaram a Macau os PP. Henry O´Brien e Brian Kelly; a 3 de Dezembro de 1942, chegaram os PP. Jeremias McCarthy e Thomas Cooney para com os primeiros iniciarem a escola. McCarthy e Coney instalaram-se na Residência dos Jesuítas da Vila Flor; O´Brien e Kelly no Seminário. A 1 de Janeiro de 1943 passaram os quatro para um edifício que o Governo pôs à sua disposição na Rua de S. Lourenço, (1) ficando superior o Padre O´Brien. A 4 de Janeiro desse ano, inauguraram nesse edifício o Colégio de S. Luís Gonzaga, (2) tendo no dia 18 celebrado, na Igreja de S. Lourenço, a missa do Espirito Santo, acompanhada a cânticos por um grupo de refugiados portugueses de Hong Kong.

Depressa se descobriu que o edifício da Rua Central era inadequado para acomodar o número de alunos que requeriam a matrícula e assim o Dr. Pedro Lobo assegurou muito obsequiosamente um outro edifício para o Colégio da Praia Grande.” (3)

Terminada a guerra em 1945, os refugiados regressaram a Hong Kong assim como os professores e alunos. Os jesuítas também foram para reabrir as suas escolas, encerradas durante a ocupação japonesa (1941-1945)

(1) O Padre Teixeira refere mais adiante que o edifício estava na Rua Central. (3)

S. Luis Gonzaga por Francisco Goya cerca de 1798

(2) Luís Gonzaga S.J (1568 — 1591), jesuíta italiano, Santo da Igreja Católica e patrono da juventude da igreja católica. Em 1729, o Papa Bento XIII declarou Luís de Gonzaga como o santo padroeiro dos jovens estudantes. Em 1926, ele foi nomeado padroeiro de toda a juventude cristã pelo Papa Pio XI. Devido à maneira de sua morte, ele foi considerado um santo padroeiro das vítimas da peste. Por sua compaixão e coragem diante de uma doença incurável, Luís Gonzaga tornou-se o patrono de pacientes com SIDA e de seus cuidadores. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_de_Gonzaga

 (3) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982, p. 350

Extraído de «BPMT», XIII-43 de 28 d

O governador Macau homenageado era José Maria da Ponte e Horta (26-10-1866 a 2-08-1868)

Maximiano António dos Remédios filho de António dos Remédios e de Rita de Sousa Peres nasceu em S. Lourenço a 12.09.1808 e faleceu S. Lourenço a 1.02.1875. Rico negociante e proprietário, arrolado em 1871 como um dos 40 maiores contribuintes de Macau. A 17.09.1871, reuniu em sua casa um grupo de macaenses que constituíram o núcleo fundador da «Associação Promotora da Instrução dos Macaenses» (APIM). Na eleição da 1.ª direcção Maximiano dos Remédios foi eleito presidente.

Maximiano dos Remédios tinha uma propriedade na chácara de S. José, vulgarmente conhecida por chácara de Manochái sita na Calçada das Chácaras (lugar onde havia várias chácaras) local hoje junto de Santa Sancha. A 17 de Abril de 1902, o provedor da Santa Casa da Misericórdia, (SCM) propôs e a Mesa concordou em comprar por $2 000 a «Chácara de S. José» pertencente à viúva de Maximiniano António dos Remédios, contínua ao Hotel BoaVista (comprada pela SCM em 15 de Novembro de 1901 para aí instalar Hotel Sanatório) com intenção de aumentar a área de construção.

Anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/maximiano-antonio-dos-remedios/

Informações retiradas de: FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, VOL. III, 1996, p. 40; TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol. I, 1997 p. 303, 311,

Extraído de «BPMT», XIV-38 de 21 de Setembro de 1868, p. 179

Governador de Macau –António Sérgio de Souza (3-08-1968 / 22-03-1872) Governador do Bispado (1866-1870) – Padre Jorge António Lopes da Silva (natural de Macau) nomeado em 1866, pelo Arcebispo de Goa. Era Mestre Escola, e pároco de S. Lourenço antes da nomeação.

A Igreja paroquial de S. Lázaro é dedicada Nossa Senhora da Esperança cuja estatua se vê no altar-mor; dos dois lados da nave ficam os altares do Sagrado Coração e de S. José. No cruzeiro, ergue-se uma cruz de granito, em cuja base se lê: «Cruz da Esperança, Ano 1637». Contíguo à igreja, fica o Asilo de S. José, construído por ocasião da epidemia de 1895 e que hoje é o albergue. A jurisdição espiritual da Paróquia de S. Lázaro não é local, mas pessoal, abrangendo toda a população chinesa de Macau, sendo por isso a maior e mais populosa freguesia da cidade.” (TEIXEIRA, P. Manuel – Macau e a sua Diocese I, 1940, p.171.)

Anteriores referências a esta Igreja: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lazaro-n-sra-da-esperanca/

Em 17 de Setembro de 1883, escreve Adolfo Loureiro (1) a propósito do Hotel Macao (2) (desde 1880, sob a direcção de Pedro Hing Kee) (3):

«Fiquei hoje definitivamente instalado nos meus aposentos que são completamente independentes e mobilados conforme as minhas indicações. Na varanda coberta lá estão as frescas e cómodas cadeiras, ou sofás de rota; no salão uma grande mesa para estantes, plantas e desenhos, secretárias, pequena mesa para quando quiser almoçar ou jantar no meu quarto, etc., etc,; no quarto de cama, um leito enorme e de armação, mesas, toilettes, guarda roupa, cabides; finalmente, uma pequena galeria envidraçada, dando para um páteo interior, e nela a sala de banho com uma daquelas banheiras chinesas de barro com esmaltes que fazem lembrar as antigas tinas de banho gregas ou romanas. Estou optimamente instalado e encontro no dono do hotel que é um cristão, o maior desejo de me ser agradável… (…) O jantar foi servido com profusão, com boa ordem e com uma cozinha, meio inglesa, meio portuguesa que me não desagradou. Quando terminei, ao chegar à janela vi o governador (Tomás de Sousa Rosa) que ia ao seu passeio. Acompanhei-o.» (4)

Por volta de 1900, encontra-se no Tourist Book de Hong Kong o seguinte anúncio: (4)

Macao Hing Kee’s Hotel – A perfectly new Building – 30 bedrooms – A confortable family Hotel – Five Minutes from the Wharves steamer – Every thing of the Best – Charges very moderate.

(1) O engenheiro Adolfo Loureiro, encontrava-se em Macau a fazer estudos sobre a viabilidade da construção de um dique no porto interior. Anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/adolfo-loureiro/

(2)

Em primeiro plano os Correios, a seguir, o «Macao Hotel», c. 1900

Velho hotel oitocentista «Hotel Hing Kee» (“Nam Van Heng Ki Chau Tim”) com a fachada principal virada a leste para a Rua da Praia Grande com o número 101 (Directório de 1890, p. 57), propriedade de P. L. Hing-Kee. Depois «Macao Hotel» (explorado por William Farmer (ou «New Macao Hotel», a partir de 1923) remodelado em 1927-1928 pelo comendador Lou Lim Ioc  com o nome de «Hotel Riviera» (encerrou em 1969) e, dois anos mais tarde, demolido. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-macao/

DIRECTÓRIO DE MACAU DE 1890, p. 57

No Directório de Macau de 1879, vem mencionado um Hotel com o nome de «Macau Hotel» (Ou Mun Tai Chao Tim), propriedade de Joaquim Pereira de Campos, na Rua de Praia Grande n.º 15 (com gerência de António Gomes da Silva Telles e Augusto Siqueira)

DIRECTÓRIO DE MACAU DE 1879, pp. 28 -29

(3) O Engenheiro Adolfo Loureiro no seu livro ”Oriente” descreve-o «um china rechonchudo e prazenteiro que me recebe de modo expansivo, falando-me, em vozes mansas, um português ininteligível e que me obriga a recorrer ao inglês, língua em que sou menos forte do que ele no português» (4)

(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, ICM, 1997, p.75