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TSYK I-32, 12 de Maio de 1864

Muralha e escadas do Bom Jesus
George Chinnery c. 1836

O Mato de Bom Jesus também chamado Monte de Bom Jesus é apenas um pequeno outeiro que pertencia a Inácia Vicência Marques da Paiva, natural de Macau, filha de Domingos Marques (natural da Beira) e de Maria Francisca dos Anjos Ribeiro Guimarães (natural de Macau).
O nome de Bom Jesus vinha-lhe da Capela do Bom Jesus, que ali existia, e à qual se refere J. M. Braga (1)  ao identificar os edifícios que aparecem numa chapa holandesa do século XVIII:
«À esquerda desta residência (das 16 colunas, hoje Instituto Salesiano) está uma colina que parece se a velha Horta do Bom Jesus. Sabe-se que havia, nessa colina, uma capela em honra do Bom Jesus Cristo, (construído por volta de 1744 por Francisco Xavier Doutel, (2) que depois governaria Timor de 1745 a 1749), o último passo da «Procissão dos Passos», em Macau, até à sua destruição. O desenho que se vê nesta gravura não é uma capelinha, mas um grande edifício (segundo Padre Teixeira, seria a mansão da família Marques ou da família Ribeiro Guimarães). Fica-se a cogitar o que poderia ter sido. O actual convento das Carmelitas ou o Carmelo (construído em 1951, e também já destruído) foi erigido nesta colina apenas há poucos anos» (BRAGA, J. M. – Algumas achegas para a iconografia de Macau. Arquivos de Macau, Março de 1965, p. 190)
Inácia Vicência faleceu viúva a 2 de Novembro de 1822, rica, tendo deixado à Santa Casa um legado de $ 10 000, que na época era uma fortuna.
O Monte de Bom Jesus foi depois comprado pelo comissário inglês das Alfândegas Chinesas, que vivia ali perto, numa grande casa na Rua da Boa Vista, que fica em frente do antigo Hotel Bela Vista (hoje, consulado de Portugal), do lado poente. O bispo de Macau, José da Costa Nunes (3) planeava construir ali um colégio pelo que incumbiu o reitor do Seminário de S. José, Padre Francisco Bonito Bragança de adquirir o terreno para a Diocese de Macau. A compra concretizou-se no dia 6 de Setembro de 1923 tendo a Diocese entregue ao Comissário das Alfândegas $ 5 000 00 de sinal. D. José da Costa Nunes não conseguiu concretizar a construção do colégio nem o plano de um hospital no Mato de Bom Jesus, pois partiu para Goa em Dezembro de 1941 sem o ter feito.
As Carmelitas vieram para Macau em 1941, ficando alojadas num terreno em Mong Há e em 1949, o bispo D. João de Deus Ramalho (4) ofereceu-lhes o mato de Bom jesus para aí levantarem o seu Carmelo.
Hoje ainda está referenciada na Toponímia de Macau, a Calçada do Bom Jesus, que começa na Travessa do Bom jesus, entre a Calçada da Paz e a Travessa do Seminário e termina entre o prédio n.º 1 da Rua da Praia Grande e o prédio n.º 30 da Praça Lobo de Ávila. A Travessa do Bom Jesus começa na Rua da Penha e termina na Calçada do Bom Jesus entre a Travessa do Colégio e a Calçada da Paz. (5)
(1) Ver referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jack-m-braga-jose-maria-braga/
(2) Ver referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-xavier-doutel/
(3) Ver referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-jose-da-costa-nunes/
(4)  Ver referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-joao-de-deus-ramalho-%E7%BD%97%E8%8B%A5%E6%9C%9B/
(5)TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997,pp 124-131.

A principal festa da Paróquia de S. Lourenço é a de N. Sra. dos Remédios, celebrada sempre na segunda -feira in albis, na Igreja de S. Lourenço. (1) Consta de missa de oferecimento, Pontifical, Vésperas do Santíssimo, Sermão e Procissão. A novena começa no domingo de Páscoa” (2)
A festa e a procissão são promovidas pela Confraria da Nossa Senhora dos Remédios,
Os estatutos da Confraria foram confirmados, por bula do Papa Urbano VIII, em 2 de Outubro de 1626, sendo a mais antiga confraria da cidade de Macau (3)
O altar de N. Sra. dos Remédios na Igreja de S. Lourenço foi erecto em 1618, data em que foi também ali colocada a estátua da mesma Senhora A actual estátua de N. Sra. dos Remédios foi benzida e inaugurada no dia 10 de Abril de 1931. (4)

B. G. M. e T. XIV-18, 1868.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lourenco/
(2) TEIXEIRA, Pe. Manuel – Paróquia de S. Lourenço, 1936.
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954-
() Ver anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/04/28/noticia-de-28-de-abril-de-1703-milagre-da-nossa-senhora-dos-remedios/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/04/26/noticia-de-26-de-abril-de-1892-desabamen-to-na-igreja-de-s-lourenco-no-dia-24-de-abril/

Na sequência da ida dos médicos Isidoro Lucci e João Baptista Lima para a corte imperial chinesa,  episódio referido em 26 de Setembro de 2015 (1), retiro do livro do Padre Teixeira (2) o seguinte:
O Padre Grimaldi, (3) sabendo que na Corte seria informada de que chegara outro médico ao pequeno domínio português, fez seguir viagem o padre Isidoro Lucci (desembarcado em Macau em 1691) para Pequim em Maio de 1692, acompanhado pelo cirurgião João Baptista Lima.
Chegados a Pequim, logo a vontade do Imperador se manifestou em demoradas conversas ou pedidos de informes médicos, e por fim, para experiência distribuiu-lhes alguns doentes, mas não pode deixar de ser reconhecido quanto o factor sorte favoreceu pouco o médico Lucci, na natureza dos casos que lhe couberam: uma mulher sofrendo de «afectos histéricos», um caso grave de tifo exantemático, uma varíola hemorrágica, um caso de reumatismo crónico e uma tuberculose em fase terminal.
A enfrentar quadros desesperados ou mesmos perdidos, não admira que as curas, no dizer de outro jesuíta em carta, igualmente de Pequim – «lhe não sucedessem bem e a medicina europeia delas não saisse com grande honra».
Mais afortunado foi o cirurgião Lima que ” as postemas, alporcas, chagas mal incarnadas e mal dos olhos” obteve resultados excelentes e com o tratamento e cura do jovem Príncipe – 9.º filho de Kang Hsi – conseguiu um êxito retumbante. Desbridou com um grosseiro ferro ao rubro, perante o assombro dos circunstantes e o desespero angustioso de Kang Hsi, um abcesso parotidiano em avançada fase de infiltração. E quando alta noite, ainda em atmosfera de pavor, a toda a pressa os mandaram chamar – a ele e ao médico Lucci – para atenderem o operado que tivera um delírio, depois de observar o doente, declarou que “o menino nada tinha, salvo o medo que com tantos estrondos os seus tinham causado”
O caso esteve muito sério e houve quem afirmasse – “se o menino morrer, não morre só» mas a cura rápida do doente tudo mudaria para bem e, como era justo, trouxe ao Lima uma grande fama.
Na opinião dos próprios padres, dentro da sua esfera, mostrara-se competente: “pois com longa experiência tinha boas receitas e melhores mãos, além da natural audácia com que não receava empreender em qualquer cura, ainda que dificultosa».
Um dia, o próprio Imperador adoeceu com febre alta e, os dois clínicos foram chamados. na ideia fixa de que os interesses da Missão não toleravam riscos , não fugiram ao exame mas para o resto e sobretudo ao tratamento «viesse o que viesse», naõ passariam de informações tóricas, sem indicação de qualquer medicamento alegando não haver em Pequim os remédios europeus adequados.
Kanghi desapontado reenviou Lucci para Macau vindo com o cirurgião Lima a 13 de Setembro de 1693, donde Lucci partiu para Tonquim onde faleceu em 1715.
Outra versão da história: OS JESUÍTAS FRANCESES E OS PORTUGUESES: Em 1687, entravam em Pequim os jesuítas franceses, sob a protecção de Luís XIV, que, apesar de pertencerem à mesma ordem, se mostraram logo rivais dos seus confrades portugueses. Citemos apenas um incidente: o imperador Káng-Hsi pretendia a todo o custo um médico europeu em Pequim e insistiu com os jesuítas portugueses para que lho enviassem. Estes, com muita repugnância, enviaram-lhe dois: o jesuíta italiano Isidoro Lucci, padre e médico, e o cirurgião chinês João Baptista Lima, que servia o Senado de Macau e se criara entre europeus em Goa, Batávia, Sião e outras partes. Saíram de Macau a 12 de Maio de 1692 e, chegaram a Pequim a 12 de Julho. Curaram vários doentes e quando Kang-Hsi adoeceu com febre alta, consultou o Dr. Lucci. Este, temendo que a Missão sofresse se o doente não sarasse logo, respondeu que não tinha remédio algum, “querendo acabar de vez com todas as perguntas e historias que o podiam embaraçar em tal doença”. O Dr. Lucci foi recambiado para Macau, aonde chegou com o Dr. Lima ao 13 de Setembro de 1693. Logo acudiram os jesuítas franceses “sem experiencia e sem doutrina, ou para adiantarem-se na Graça do Rei, ou para fazer oposição aos outros Padres… e estão agora ainda metidos nas mezinhas e coisas medicinais, o que tanto se adiantaram que o Rei mandou o Padre Bouvet… de buscar e trazer mezinhas para a Corte”. Os jesuítas tinham consigo quinquina; deram-na a Káng-Hsi e, como tinha passado a noite muito agitado, tomou-a e ficou livre da terça. Como era natural, ficou muito contente e agradecido.
http://www.library.gov.mo/macreturn/DATA/PP280/PP280275.HTM
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/09/26/noticia-de-26-de-setembro-de-1693-antonio-da-silva-cirurgiao-da-cidade/
(2) TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, Volumes III-IV, 1998.
(3) Claudio Filippo Grimaldi (chinês: 閔明我, Min Mingwo), (Itália 1638-Beijing 1712) foi um jesuíta italiano, missionário na China, astrónomo (director do observatório  astronómico imperial em Pequim), engenheiro e construtor. Partiu para a China a 15 de Abril de 1666 de Lisboano navio “ Nossa Senhora da Ajuda. Chegou a Goa em 13 de Outubro de 1666 e em Macau no final do ano. Chegou a Cantão em 1669. E em 1671 a Beijing.
Para mais notas biográficas, entre outros sítios,  ver em:
https://no.wikipedia.org/wiki/Claudio_Filippo_Grimaldi
http://www.treccani.it/enciclopedia/filippo-grimaldi_(Dizionario-Biografico)/

Extraído do «BGC» XXVI-298, Abril de 1950, p. 177

O Serviço de Radiologia e Agentes Físicos era chefiada nesse ano pelo radiologista Dr. Abel Simões de Carvalho Júnior (1) e tinha somente no quadro um funcionário, o operador electroradiologista, Adriano Gomes da Silva
Na verdade, o custo total das aparelhagens foi de 225 883,62 patacas assim distribuídos:
1 – Aparelho de Raios X, portátil, Watson”. Custo – $5 615,27.
2 – Unidade completa “Picker”, de 500 Miliamperes, para fluoroscopia e radiografia com seriógrafo. Custo – $ 142 514,30 patacas.
3 – Aparelho de tomografia “Picker”. Custo -$ 77 754,05 patacas. (2)
Recorda-se que nessa data Abril de 1950 ainda funcionava o velho Hospital Militar Sam JanuárioAlbano que foi demolido a 18-11-1952, começando a 1.ª das 3 fases da construção do novo edifício baptizado com o nome de «Hospital Central Conde de S. Januário» , cuja primeira fase foi inaugurada a 10-06-1953 pelo Alm. Marques Esparteiro. O Hospital completo só terminaria em 1958.
(1) Abel Simões de Carvalho Júnior (1897 – ?), formado em Medicina, em 1922, foi colocado em Moçambique nesse ano. Em 1930, estagiou na Faculdade de Medicina da Universidade de Paris, a fim de se aperfeiçoar nos serviços de radiologia e electroterapia. Em 1949, foi nomeado para exercer o cargo de radiologista do quadro complementar de cirurgiões e especialista e por portaria de 28 de Maio (B. O. n.º 30) foi transferido por conveniência de serviço para a colónia de Macau. Esteve colocado em Macau até 1956, data em que a Junta de Saúde de 28 de Junho de 1956 o considerou incapaz de todo o serviço por sofrer de doença grave e incurável. Em 25-7-1956 embarcou de Macau para seguir para Portugal. Desligado de serviço para efeitos de aposentação (B.O. n.º 52 de 29-12-1956.
Além do serviço de radiologia, elaborou também os projectos da cozinha hospitalar do novo Hospital Central Conde de S. Januário (3)
Refira-se que na inauguração do primeiro bloco do novo edifício, a 10 de Junho de 1953, pelo Governador Almirante Marques Esparteiro, o Eng. José dos Santos Baptista, salientou a importante colaboração do médico-radiologista Abel de Carvalho na elaboração do projecto desse hospital.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/02/19/hospital-central-conde-s-januario-i/
(2) «Obras e Melhoramentos efectuados em Macau no Último Triénio» – Set.1947 a  Set. 1950, Imprensa Nacional, 1950.
(3) TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, volumes III-IV, 1998.

Notícia publicada em «O Oriente Português» de 26 de Abril de 1892: desabamento de uma parte do tecto acompanhado de vigas na Igreja de S. Lourenço no dia 24 de Abril, (domingo) quando os fieis assistiam à missa conventual celebrando a novena de Nossa Senhora dos Remédios. Felizmente não houve vítimas pois os devotos logo que se começaram a cair o estuque, correram para fora da igreja.

“O Oriente Português”, Abril 26, 1892.

A Igreja de S. Lourenço cuja data de construção precisa se ignora, mas segundo o Padre Teixeira: (1)
Ao tempo da criação da Diocese de Macau, em 23 de Janeiro de 1576, existiam já nesta cidade, segundo se lê na bula “Super Specula”, algumas capelas e outros lugares sagrados. É provável que entre êssas capelas e lugares sagrados esteja indicada a igreja de S. Lourenço, que no seu início devia ser uma pequena igreja de S. Lourenço. Nos preciosos manuscrito intitulado «Asia Sinica, e Japonica: Macao conseguido, e perseguido, obra pósthuma  do R.Pe. Fr. Jozé de Jesus Maria Arrabino»,  missionário nos Estados da India, escrito entre 1744 e 1745, livro IV, e I, p.76 lê-se « em o seguinte anno de 1558 até o de 69, achando-se já aqui alguns Padres da Sagrada Companhia de Jesus, como nos Memoriaes se acha descrito, com sua boa assistencia e idéa entrarão a formar duas ou três pequenas Igrejas de S. Lázaro, S. Lourenço e S. António…» (…)
…Ljungstedt em «Historical Sketch, diz: «a julgar por uma inscrição, esta igreja foi reconstruía em 1618.». mas não fala em construção; contudo, noutro lugar do mesmo livro, p. 155, escreve êle: « em 1593, o Senado comunicou a Filipe, Rei de Portugal, que Macau tinha uma Catedral com duas freguesias, uma misericórdia com dois hospitais e quatro congregações  religiosas, isto é, Agostinhos, Dominicanos, Jesuítas e Capuchinhos»; daqui se conclui que, segundo o mesmo Ljungstedt, a Igreja de S. Lourenço já existia muito antes de 1618… (…)”
De certeza sabe-se que a Igreja foi reconstruída pela primeira vez em 1618, de novo reedificada de Novembro de 1801 a 1 Novembro de 1803, e de Março de 1844 a 1846 e da última vez, em 1892 (após este desabamento), à custa das Obras Públicas de Macau (arquitecto Abreu Nunes), sendo bispo desta Diocese D. António Joaquim de Medeiros. (2)
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Macau e a Sua Diocese, I, 1940, p. 166-
(2) Sobre a a Igreja de S. Lourenço, ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lourenco/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/08/10/noticia-de-10-de-agosto-de-258-morte-de-s-lourenco-e-leitura-paroquia-de-s-lourenco/

Por lei desta data, 17 de Abril de 1884, foi efectivamente concedida pelo Governo de Sua Majestade, à Irmandade do Senhor de Bom Jesus dos Passos (1) a posse do Templo de Santo Agostinho, (2) obrigando-se aquela a prover a reedificação e conservação do edifício e sustentação do culto (3) (4)
Na verdade, foi a acção de Lourenço Caetano Cortela Marques (1811-1902) que foi durante muitos anos Presidente da Confraria e que ao ver desabar essa igreja em 27 de Setembro de 1872, (5) apressou-se a requerer a posse dessa Igreja para a Confraria
Assim o Governador Visconde Sam Januário em 28 de Janeiro de 1873 por portaria n.º 16, concedeu a posse, “requerida pela Confraria do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, da igreja de Sto Agostinho, obrigando-se a mesma Confraria a reedificar a referida igreja, e a prover de futuro a sua conservação e asseio”.

Boletim da Província de Macau e Timor, XIX, n.º 5 de 1/2/1873.

(1) A Confraria de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos terá sido constituída, logo após a chegada a Macau dos agostinhos espanhóis, vindos das Filipinas em 1586 (2) pois nesse ano já se praticava o culto da Paixão de Cristo e se efectuava a procissão dos Passos. A Igreja de Nossa Sra. Da Graça, vulgarmente conhecida por Igreja de Sto Agostinho, está a cargo da Confraria do Senhor Bom Jesus dos Passos. Esta igreja foi sempre e continua a ser o centro do culto de Nosso Senhor dos Passos, cuja imagem é ali venerada (4)
(2) Fundado em Macau o convento de S. Agostinho, em fins de 1586 ou princípios de 1587, pelo agostinho espanhol Fr. Francisco Manrique, foi entregue aos agostinhos portugueses em 22 de Agosto de 1589. Encadeados nas múltiplas hipóteses da sua transferência, total ou parcial, para o sítio onde hoje existe, há manuscritos que nos afirmam ter-se mudado o local do convento para a Colina do Mato Mofino, em 1591, sítio actual da sua existência. Embora nos refiramos ao convento de S. Agostinho, o que realmente existe hoje é apenas a igreja e seus anexos, pois o que era o convento já não faz parte deste conjunto; é presentemente a «Vila Flor», residência dos religiosos da Companhia de Jesus” (“A Colina de Santo Agostinho e o seu Convento, artigo não assinado. in MACAU, Boletim Informativo III- 59,  15 de Janeiro de 1956, pp. 4-6)
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942 p. 193-195.

Boletim da Província de Macau e Timor XXX – n.º 25 de 21 de Junho de 1884

(5) O grande incêndio que em 1872 destruiu a capela‐mor, a sacristia e várias outras dependências. Não houve perdas de vida. No ano seguinte, a Confraria do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos requereu para si a igreja, com o compromisso de reedificar as partes derrubadas. Em 1887 já as obras estavam concluídas; no entanto, em 1889 a mesa da confraria resolveu reconstruir integralmente a igreja. O engenheiro Mateus Lima foi então requisitado para fazer a necessária vistoria e elaborar o caderno de encargos, vindo a empreitada a ser arrematada pelo mestre‐de‐obras chinês ou macaense Afoo. Foram também realizadas melhorias na sacristia, na torre e na casa da confraria. O templo voltou a ter culto a 9 de janeiro de 1900.
TEIXEIRA, Padre M. – Macau e a sua Diocese Volume I -Macau e as suas Ilhas. 1940, p. 180.
Ver anterior postagem em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/27/noticias-queda-do-tecto-da-igreja-de-santo-agostinho/

Exemplo de uma dádiva à Confraria

Boletim do Governo de Macau, n.º 8 de 24 de Fevereiro de 1868 p. 46.

Referências anteriores à Igreja de Santo Agostinho e à Procissão do Senhor:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-agostinho/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/procissoes/<

«A vida da comunidade estrangeira de Macau passava-se entre danças, saraus, jantares, chás e passeios.
– Hoje tu, amanhã eu e a roda ia rolando …
Desta vez coube a vez à família Low e Harriet não se poupou a esforços para que tudo corresse bem.
11 de Abril de 1831 – Ocupada como uma abelha todo o dia, fazendo preparativos para o nosso sarau. Tirei tudo do meu quarto para o transformar numa sala de jantar, pois dá para sala de visitas e é magnífico. Dispus tudo com elegância e boa ordem, mas estava bastante cansada antes de chegarem os convidados.
Não importa; pois, apesar de tudo, devo dançar toda a noite.
*As 8 horas estávamos todas ataviadas e prontas. A tia Low vestia gaze da China sobre cetim branco, com um fino crepe cor de rosa sobre branco e a minha crepe azul cetim branco.
Adornámos o cabelo com flores naturais que alguns jovens nos enviaram para este fim.
Ibar foi o mestre de cerimónias. (1) Ele disse que se não sentia bem, mas que, para honra da Espanha, ele faria o melhor possível, e realmente ele conseguiu que tudo saísse muito agradavelmente. Tivemos ao piano Mrs. Daniell e Mr & Mrs P. (2) tocaram e cantaram lindamente aos intervalos. Houve também guitarrada e quatro músicos portugueses e nós dançámos ao som das suas rabecas.
Eu dancei em cada um das danças e quando o sarau terminou à 1.30, eu poderia ter dançado ainda muito mais. Estava justamente bastante excitada para me lembrar da fadiga.
Tivemos um belo jantar e tudo com estilo, asseguro-te eu. Reuniram-se cerca de quarenta e quatro pessoas americanas, inglesas, espanholas, portugueses, franceses, suecas, escocesas e não sei que mais.
Harriet Low em 1833. Pintura de George ChinneryConseguimos que o escocês dançasse “ à escocesa” e eu tomei parte nesta dança”… »

Harriet Low em 1833. Pintura de George Chinnery

(1) Ibar era o professor de espanhol de Harriet Low.
(2) Segundo Padre Teixeira, Mr & Mrs P que tocavam e cantavam muito bem seriam Sr. e Sra Pereira, uma das poucas famílias portuguesa com quem Harriett Low mantinha relações.
Extraído de TEIXEIRA, Padre Manuel – Macau no Séc. XIX visto por uma jovem americana. D.S.E.C., 1981.
Anteriores referências de Harriet Low em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/harriet-low/