Archives for posts with tag: Padre Manuel Teixeira

Continuação da publicação dos postais constantes da Colecção intitulada “澳門老照片 / Fotografias Antigas de Macau / Old Photographs of Macao”, emitida em Setembro de 2009 pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau/Museu de Macau (1)

Coreto da Avenida Vasco da Gama

Contíguo a este largo (onde está o monumento a Vasco da Gama, planeado para ser levantado em 1898, mas só inaugurado a 31 de Janeiro de 1911) e do lado da estrada da Victoria procede-se actualmente à construção d´um coreto para música, ao centro d´um pequeno jardim, sendo este jardim fechado por duas rampas circulares d´acesso da Avenida para a estrada da Victoria que devem produzir um lindo efeito.” (artigo do engenheiro Augusto César d´ Abreu Nunes (2) , em 1898, publicado no “Jornal Único”) (3)
Os actuais Jardim da Vitória e Jardim de Vasco da Gama, são o que resta da antiga Avenida Vasco da Gama, aberta em 1898, por ocasião do IV Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia.
Essa avenida, que com mais propriedade, se deveria chamar alameda ou mesmo pequeno parque, tinha 500 metros de comprimento e 65 de largura. Progressivamente, a partir de 1935, foi retalhada para receber equipamentos urbanos como o campo desportivo do Tap Seac, as escolas primária oficial Pedro Nolasco da Silva e Luso-chinesa Sir Robert Ho Tung, uma piscina municipal e mais tarde, uma unidade hoteleira (Hotel Estoril)” (4)
Ao longo da Avenida corriam dois parques de árvores de S. José (Ficus chloro-carpas) que lhe davam um aspecto bucólico de frescura campestre… (… ) Do lado N. a Avenida terminava pelo Jardim da Vitória , que era de forma circular com 58 m de diâmetro, sendo torneado pela rua central da Avenida. (5)
(1) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/postais/
(2) A avenida Vasco da Gama foi projectada pelo engenheiro Augusto César d´Abreu Nunes.
(3) O “Jornal Único” publicou-se, num único número, no dia 20 de Maio de 1898,
com óptima apresentação e interessante colaboração, em comemoração do 4. º Centenário do Descobrimento do Caminho Marítimo para a Índia (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
(4) ESTÁCIO, António J. E.; SARAIVA, António M. P. – Jardins e Parques de Macau. Instituto Português do Oriente, 1993, p. 36.
(5) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol. I, 1999, pp. 228.

Continuação da publicação dos postais constantes da Colecção intitulada “澳門老照片 / Fotografias Antigas de Macau / Old Photographs of Macao”, emitida em Setembro de 2009 pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau/Museu de Macau (1)

加思欄花園 (2)  – Jardim de S. Francisco – S. Francisco Garden
Década de 1890

Na encosta situada nos limites da “cidade cristã” e sobranceira à Baía da Praia Grande, estabeleceram os franciscanos espanhóis, em 1580, um convento que tinha anexo uma horta ou jardim conhecido como “Jardim do Bispo” Parte deste jardim, ao que supomos, compreendia um pouco da zona superior do actual Jardim de S. Francisco.
É o único jardim situado no que é hoje a “baixa” da cidade. No entanto o seu aspecto e localização em relação ao mar são bem diferentes do inicial. Construído em meados do século XIX, foi projectado por Matias Soares. (3) Era fechado por uma balaustrada e portas, tendo um horário variável de abertura ao público, consoante se tratasse do Verão ou do Inverno. (4) Foi um verdadeiro passeio público pois era frequentado pelos membros de abastada famílias macaenses, que ali se deslocavam a fim de ouvir a Banda Militar, e mais tarde, a Municipal, actuar num coreto que existiu até 1935. (5) Era limitado, a sul, pelas águas da Baía da Praia Grande, antes da execução dos aterros que alargavam a área da cidade mas provocaram a perda de vistas e a alteração da insolação do jardim” (6)

Foto pessoal de Maio de 2017

(1) Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/postais/
(2) 加思欄花園mandarim pīnyīn: jiā sī lán huā yuán; cantonense jyutping: gaa1 si1 laan4 faa1 jyun4.
Este jardim entrou na toponímia chinesa com o nome de «Ká-Si-Lán-Fá Yun» isto é «Jardims dos Castelhanos», devido ao Convento de S. Francisco, que confinava com ele do lado ocidental e que foi fundado pelos franciscanos castelhanos.
(3) Matias Soares que projectou e fiscalizou a construção de S. Francisco foi depois para Hong Kong, onde construiu um magnífico bungalow em Saiyinpun com uma horta e um jardim. Ele transmitiu o gosto das flores a seu filho, Francisco Paulo de Vasconcelos Soares. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol. I, 1999, pp. 205-207)
Francisco (Frank) Paulo de Vasconcelos Soares foi um rico comerciante em Hong Kong, corrector imobiliário em Kowloon. Faleceu em 1953 e na antiga propriedade da família, hoje urbanizada,  está localizada a “Soares Avenue”-
(4) O Jardim ficava aberto das 6.00 horas às 24.00 horas durante o Verão (Maio a Setembro) e as 7.00 horas às 21.00 horas durante o Inverno (Outubro a Abril)
(5) Em 1861 a banda militar tocava ao sol-pôr nos domingos e quintas feiras. Depois foi substituída pela banda municipal, até que esta última foi dissolvida a 9 de Outubro de 1935.
(6) ESTÁCIO, António J. E.; SARAIVA, António M. P. – Jardins e Parques de Macau. Instituto Português do Oriente, 1993, p. 26

Relatório do inspector interino dos incêndios, capitão Frederico Guilherme Freire Corte Real de 28 de Abril de 1872, do incêndio que se deflagrou numa barraca em Sá Kong (1) no dia anterior pelas 21.00 horas e se propagou a mais 32 barracas que arderam completamente. Uma das barracas servia como “hospital” estando neles doentes que foram depois transferidos para «uma casa ali próxima que se alugou». Outra das barracas servia de depósito do referido “hospital”, onde estavam quatro cadáveres de doentes que tinham falecidos nesse dia, à tarde, e aguardavam enterro. De registar, dois feridos, um deles com queimaduras graves que foram transportados para o Hospital S. Rafael.

BGMT XVIII-19, 1872

(1) Sa Kong era uma pequena área situada entre a Rua Brás da Rosa, a Estrada de Coelho do Amaral e as Avenidas de Horta e Costa e do Almirante Lacerda. Hoje está praticamente incluída na zona de San Kiu. O saneamento de Sa Kong onde havia um cemitério chinês (milhares de cadáveres sepultados conforme informação de P. Teixeira) (2) iniciou-se em 1900 durante a governação de Horta e Costa.
Em 1895, Lu Cao ou Lou Kau, (3) comerciante chinês que emigrou para Macau da cidade de Xinhui (Guangdong) cerca de 1860, para dedicar-se ao comércio do ópio e do jogo comprou na zona de Sá Kong uma área  para construir um bairro residencial de rendas baratas com lojas de comércio. Uma das ruas desse bairro tem a toponímia de “Rua do Lu Cao”
(2) TEIXEIRA, P. Manuel –Toponímia de Macau Volume II, 1999
(3) Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/lou-cheok-chin-lu-cao/

 

 

Colecção de 10 postais (postal: 16 cm x 11 cm) intitulada

澳門老照片 / Fotografias Antigas de Macau / Old Photographs of Macao”

emitido em Setembro de 2009 pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau/Museu de Macau (1), com legendas no verso de cada postal em chinês, português e inglês. Separação de cores e impressão na Tipografia Seng Si Lda.
Preço: 25 patacas. Esta minha, comprada no Museu de Macau
No interior da contracapa a fotografia do Museu de Macau com indicação da morada. Praceta do Museu de Macau, n.º 112, telefone (853) 28357911 Fax: (8539 28358503 e horário de funcionamento: 10h00 – 18h00, excepto às segundas-feiras
(1) 澳門老照片 / Fotografias Antigas de Macau / Old Photographs of Macao.  Instituto Cultural do Governo da R. A. E. de Macau/Museu de Macau, Setembro de 2009 , 1.ª edição, ISBN 978-99937-0-113-2
澳門老照片 mandarim pīnyīn: ào mén lǎo zhào piān,; cantonense jyutping: ou3 mun3 lou5 ziu3 pin3
O primeiro postal:

燒灰爐 /Àrea do Chunambeiro /Chunambeiro area
澳門十九世九十年代/Macau – década de 1890/ Macao – 1890s

A área do Chunambeiro era o antigo lugar de Macau, próximo da fortaleza de Bom Parto, no extremo sul da baía da Praia Grande. Nesse local havia antigamente fornos de cal de ostras, e também foi o local da antiga fundição de artilharia e casa de pólvora de Manuel Tavares Bocarro no século XVII (1) (2) (3)
Nessa altura para vir da Barra à Praia Grande era necessário atravessar a colina pois a marginal terminava no Chunambeiro. (4) O projecto do primeiro lanço de 135 metros da extensão da muralha de Bom Parto e aterro marginal da Praia Grande do Chunambeiro à Fortaleza do Bom Parto foi aprovado em 17 de Janeiro de 1873. (5)
O aterro do Chunambeiro foi iniciada em 1871 sob a direcção de Vicente de Paulo Portaria e continuada no mesmo ano pelo tenente Henrique Augusto Dias de Carvalho, condutor das Obras Públicas, segundo ele diz no seu relatório de 30 de Junho desse ano. (3)
(1) BOXER, Charles Ralph (anotada por) – Ásia Sínica e Japónica, Vol II. Instituto Cultural/Centro de Estudos Marítimos de Macau, 1988, 245 p.
(2) Existia no Chunambeiro a fundição de artilharia de bronze de Manuel Tavares de Bocarro de 1625 a 1656. Foi capitão-geral ou governador desta cidade de 1657 a 1664. Faleceu em Macau ou em Goa (3)
Segundo Marques Pereira in Ta-Ssi-Yang Kuo III (edição 1984), p.126, nota 2:
Manuel Tavares Bocarro fundiu peças em Macau desde 1626 a 1631.É possível que depois fosse para a India onde fundiu em 1641 a peça existente no Museu de Artilharia ou foi fundida mesmo em Macau por ordem do governador da Índia, Telles de Menezes?
(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997.
(4) Chunambeiro de chunambo ou chuname (6) que significa no Oriente cal de ostra – e por haver neste sítio antigamente em Macau também fornos para a queima desse marisco.
Existe presentemente a Rua do Chunambeiro (existia nos fins do século XIX ou princípios do Século XX o Largo do Chunambeiro) que começa na Praça de Lobo de Ávila  e termina na Calçada do Bom Parto. Em chinês chama-se Siu Fui Lou Kai (7)  que significa Rua do Forno do Cal.
(5) Em 1 de Outubro de 1869, o major de artilharia, Francisco Maria da Cunha, inspector das Obras Públicas, informava que em 1 de Julho a 30 de Setembro se fizera uma casa da guarda em S. Sancha «pela necessidade de estabelecer uma estação de polícia em um dos sítios mais isolados da cidade, mais importante pelas casas de campo que ali existem, e ponto quási obrigatório da passagem da povoação da Barra para a Praia Grande, atravessando a montanha intermédia».
Boletim da Província de Macau e Timor, XVI, n.º 3 de 17-01-1870.
(6) “Chunambeiro – forno para fabricação de chunambo ou local onde se fabricava chunambo.
Chunambo– cal obtida pela calcinação de conchas de ostras.”
BATALHA. Graciete – Glossário do Dialecto Macaense, 1977, pp. 144/145.
Charles Boxer (in Àsia Sinica e Japónica, Vol II, p. 234, nota 7) (1) refere: “Xinamo, Chunname ou Chunambo como cal obtida pela calcinação de conchas de mariscos. O motivo de admissão do termo indiano é que a cal da Ásia se faz de outro material. O étimo é o maliada Chunnambra, relacionado com o neo-arcaico chunã, sânscrito churna.”.
7) mandarim pīnyīn: shāo lú huī jiē; cantonense jyutping: siu 1 fui1  lou4 gaai1

Fotos de Macau (com as respectivas  legendas) publicados na imprensa brasileira em 1933.

“O farol da Guia, o primeiro construído nos mares da China”

NOTA: creio que a esta estrada foi-lhe dada o nome de “Estrada do Engenheiro Trigo”. Começa entre a Calçada do Paiol e a Estrada de Cacilhas, em frente da estrada dos Parses e circunda a Colina da Guia a meia encosta e vem terminar na própria estrada, um pouco acima do ponto de partida. Adriano Augusto Trigo foi director das Obras Públicas de Macau entre 1919 e 1925. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol II, 1997)

“A linda Avenida da Praia Grande”

NOTA: a Rua da Praia Grande foi cimentada em 1924-1925. Nesta rua erguiam-se as mais elegantes mansões do território como as dos condes de Senna Fernandes, de Carlos Pais de Assunção, Luís Aires da Silva, Major Aurélio Xavier, General António Joaquim Garcia, José Ribeiro, Simplício de Almeida, Dr. João Jaques Floriano Alvares, Constâncio José da Silva, Alexandrino Gonzaga de Melo, Maria do Carmo Piter e também algumas famílias chinesas ricas. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol II, 1997)

“A fachada da célebre Igreja de S. Paulo, construída em 1602 com o auxílio dos japoneses católicos, devorada por um incêndio no dia 26 de Janeiro de 1835”

NOTA: A igreja originariamente feita de palha é de 1565; esta igreja foi incendiada e foi construída outra de madeira e coberta a telha, em 1573. Nova igreja foi edificada na colina e no local onde existem as actuais ruínas de S. Paulo em 1579. Esta igreja foi incendiada em 1601 e nesse mesmo ano iniciaram a reconstrução (1602-1603), com motivos decorativos feitos por artistas japoneses. Embora a igreja reconstruída tenha sido reaberta na véspera de Natal de 1603, e que terá custado 30,00 taéis, só ficou concluída em 1640. (TEIXEIRA, Manuel – Japoneses em Macau)

“Vista parcial do Porto”

NOTA: Vista do Porto Interior, com a Ilha da Lapa no fundo à esquerda.

“O Forte do Monte da Guia construída em 1765 que fez frente às forças holandesas que marchavam sobre a cidade, naqueles dias tristes em que os holandeses queriam tirar a Portugal o poderio ultramarino”

NOTA: A foto mostra a fortaleza de S. Paulo do Monte (e não Monte da Guia), originariamente chamada de Nossa Senhora do Monte. A conclusão da Fortaleza de S. Paulo foi em 1626 (e não em 1765), conforme inscrição epigráfica sobre a porta de acesso. Esta fortaleza teve um papel decisivo no repelir o ataque holandês no dia 24 de Junho de 1622.

 A nova «Escola do Santíssimo Rosário / :聖玫瑰學校»  situado na Rua de S. Paulo (1), foi inaugurado no dia 14 de Janeiro de 1973.
O moderno edifício escolar destinado ao ensino infantil e primário, substitui um casarão velho e em ruínas que já não oferecia nenhumas condições de funcionamento. Este edifício tem 18 salas, amplas, bem arejadas e iluminadas. No dia 2 de Janeiro de 1973 começaram a funcionar as aulas já no novo edifício.
Nesse ano lectivo estava matriculados 400 alunos, de ambos os sexos. O seu director era o Padre Elias Marçal Periquito, S.J., há longos anos em Macau.(2)
Presidiu à inauguração o Bispo de Macau, D. Paulo José Tavares, tendo assistido representantes de ordens religiosas, masculinas e femininas que exerciam o apostado em Macau.

Paulo José Tavares, Bispo de Macau, procede à bênção das instalações da nova escola.
Na foto (esq para dir): ????, Pe. Joaquim Guerra, Bispo Paulo Tavares, Pe. Elias Periquito , Pe João Guterres, ????

A Diocese de Macau que exercia (e ainda exerce) um papel muito importante no ensino em Macau particularmente no sector da população chinesa tinha no ano de 1973 cerca de 22 250 alunos sendo 10 925 rapazes e 11 325 raparigas, distribuídos por 37 edifícios escolares, neles funcionando 87 escolas, assim discriminadas: 29 escolas infantis; 35 escola primárias; 17 escolas secundárias-liceais; 1 escola normal; 1 escola de enfermagem (Escola de Enfermagem das Franciscanas Missionárias de Maria desde 1958); 2 escolas profissionais; 1 academia de música e 2 seminário menor. Pertenciam ao quadro de professores 808 elementos leigos.

Um grupo de pequenos que se exibiu no dia da inauguração
Recreio no largo terraço da escola

(1) No princípio de 1954, o Padre Joaquim Guerra, S.J. que foi expulso da China em 1952, fundou o Centro de Nossa Senhora do Rosário. Destinava-se a dispensário e catecumenato. Presidiu à inauguração o Bispo D. João de Deus Ramalho. Era um rés-do-chão dum prédio na Rua de Estalagens n.º 5. Devido a dificuldades económicas, em Setembro deste ano, o dispensário deixou de existir, passando a funcionar ali uma pequena escola para os pobres do bairro. Mas no segundo semestre, os alunos eram já uns cem pelo que em 7 de Outubro de 1954 transferiu-se para o n.º 37 da mesma rua, um prédio de três andares. No ano escolar de 1955/56 contava com 200 alunos e 4 professores. Em Março de 1958, a Escola do Rosário estabeleceu-se definitivamente na Rua de S. Paulo, ocupando três casas contíguas, de igual construção, os n.ºs 39, 41 e 43.

http://www.oclarim.com.mo/en/2016/06/17/escola-do-santissimo-rosario-to-close-in-2017/

Após o ensino de 62 anos, o estabelecimento escolar fechou as portas a 1 de Setembro de 2017, após a conclusão do ano lectivo de 2016/2017. Aquando do fecho possuía educação secundária, primária e um jardim de infância, com 25 professores e um total de 80 alunos (nas décadas de 70 e 80 devido à «onda migratória» chegaram a ter cerca de mil alunos) e a razão  apontada pela Diocese foi a diminuição progressiva do número de alunos. Também terá contribuído para o fecho o alegado uso abusivo, não autorizado pela Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) do método pedagógico “Montesson” (Taiwan) (3)
(3) «Jornal Tribuna de Macau» 10 de Junho de 2016 – Escola do Santíssimo Rosário tem os dias contados
http://jtm.com.mo/local/escola-santissimo-rosario-tem-os-dias-contados/
(2) O Padre Elias Marçal Periquito, S.J., ficou encarregado da Escola desde Março de 1959, porque o anterior, o Padre António Tam ficou encarregado da Escola Estrela do Mar.
Informações e fotos (preto e branco) extraídos de:
TEIXEIRA , Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982.
«Macau, B. I. T.» VIII-11/12, 1973.

A Associação Promotora da Instrução dos Macaenses APIM) que foi fundada em 17 de Setembro de 1871 (1) para preencher a lacuna deixada no ensino pela retirada dos professores jesuítas do Seminário de S. José nesse ano, fundou a Escola Comercial (inicialmente “Collegio Comercial”) que começou a funcionar a 8 de Janeiro de 1878. (2)

«Boletim da Província de Macao e Timor» 1871, XVII – 40.

Os Estatutos da APIM foram aprovados por Portaria Provincial n.º 51 de 29-09-1871 do governador António Sérgio de Sousa e publicados no «Boletim da Província de Macao e Timor» de 2-10-1871. Tinha 15 artigos sendo de salientar:
Art. 2.º. O fim da associação era fundar e manter sob a denominação de “Collegio Comercial”, uma casa de educação e de instrução ….
Art. 3.º. (…) …  O capital proveniente de 40 acções de $ 500 cada uma…
Art. 4.º. O valor das acções poderá ser pago imediatamente, ou em 5 soluções anuais de $ 100, pagáveis no começo do ano.
A comissão administrativa com a data de 02-10-1871 publicava um anúncio no «Boletim da Província de Maca0 e Timor» XVII-42 de 16 de Outubro, convidando o público a subscrever as acções desta Associação. Os sócios accionistas foram 31 que entraram com a prestação de cem patacas: alguns pagaram por uma vez a quantia total, outros, em prestações anuais durante 5 anos.
O total da quantia dos accionistas fundadores totalizou $11 000. Juntou-se a esse capital o remanescente dos fundos da “Nova Escola Macaense”, entregue por Alexandrino António de Melo, Visconde do Cercal, na importância de $ 9 417,53. (3)
A Escola Comercial (depois denominada Escola Comercial “Pedro Nolasco”, por este, Pedro Nolasco da Silva, ter sido a alma do empreendimento e seu grande dinamizador) começou a funcionar no dia 8 de Janeiro de 1878 sob a chefia de João Eleutério d’Almeida, numa casa particular.
A lista dos primeiros professores:
José Vicente de Jesus – classe elementar de Português, Geografia, História, Aritmética, Álgebra. Escrituração Comercial  e Catecismo.
Theodosio Rodrigues – classe superior de Português, História e Geografia, classe inferior e superior de Ingês.
João de Lycopolis de Faria Marçal – língua chinesa.
Ly Langshan – língua chinesa.
Câncio Jorge – caligrafia.
Dr. Bernardo Maria das Neves d´Araújo Roza – prelecções sobre rudimentos de ciências naturais (duas vezes por semana)
O edifício situado no alto da Calçada do Gamboa, na Praça do Gamboa n.º 2, construído em 1920, foi sede da Escola Comercial até o ano 1966, ano da inauguração do edifício (actual Escola Portuguesa) no cruzamento das Avenidas D. João IV e do Infante D. Henrique (projecto de arquitectura de Raul Chorão Ramalho e executado pelo construtor civil Osseo Acconci)
Outras referências à Escola Comercial
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/escola-comercial/
(1) Acta da instalação da associação promotora da instrução dos macaenses:
Aos 17 de Setembro de 1871, em Macau, e na residência do cidadão Maximiano António dos Remedios, senior, estando reunidos os abaixo assignados, se resolveu por unanimidade instalar a “Associação Promotora da Instrução dos Macaenses”, cujos estatutos foram n´este acto lidos, discutidos, e aprovados; e tendo-se procedido à eleição da comissão administrativa, foram eleitos por aclamação os seguintes cavalheiros:
Maximiano António dos Remedios, senior, presidente
João Joaquim Braga, tesoureiro
Pedro Nolasco da silva, junior, secretário
Lourenço Marques, vogal
Vicente de Paulo Portaria, vogal
António Manuel Pereira, vogal
Filomeno Maria da Graça, vogal
Além dos eleitos assinaram esta data:
Joaquim Braga, Domingos Clemente Pacheco, José Homem de Carvalho, José Elleuterio d´Almeida, Antonio dos Remedios, José A. dos Remedios, Albino António da Silva, Miguel Aires da Silva e Maximiano Antonio dos Remedios, junior.
De salientar que do grupo fundador da Associação, estavam representados os comerciantes portugueses de Hong Kong nomeadamente Maximiano Antonio dos Remedios, João Joaquim Braga, Filomeno Maria da Graça e os capitalistas de Macau, Lourenço Marques, António Manuel Pereira e Vicente de Paulo Portaria.
Entre os membros fundadores há quatro da família Remédios: o 1.º presidente da APIM, Maximiano António dos Remédios (12-09-1808/ 1-02-1875) e os seus três filhos: António dos Remédios (14-11-1839), José António dos Remédios (19-03-1842) e Maximiano, júnior (26-05-1872). Só a família Remédios contribuiu com a quantia de $1400 patacas. (António -$200; José – $500; Maximiano senior- $400; Maximiano Junior- $300.
Por isso o Padre Teixeira (  ) refere o seguinte:
Concordamos inteiramente com esta palavras tão justas ( elogio e gratidão ao benemérito Maximiano António d Remédios por essa iniciativa por parte de Leôncio Ferreira num jornal local) ; mas o facto é que o nome de Maximiano dos Remédios foi totalmente obliterado e hoje só é lembrado o do secretário, (na altura, um jovem) Pedro Nolasco da Silva. Pois bem, não há hoje nada que recorde o seu nome , sendo salientados outros que ficam muito aquém destes. Esperamos que a Associação venha a reparar esta ingratidão
TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1981
(2) Francisco da Silva Magalhães insinuou no seu jornal “O Oriente” que na projectada organização da escola comercial, a APIM não tinha em vista a instrução, mas fim um fim oculto e um motivo meramente político, nomeadamente o pretexto para chamarem de volta a Macau os jesuítas.
A APIM reagiu publicando um anúncio no «Boletim do Governo de Macau e Timor» XVIII- 10, 1872, em forma de “PROTESTO”:
(3) Alguns cavalheiros opuseram-se à transferência das quotas dos remanescentes da “Nova Escola Macaense” para a nova associação. Ver anterior referência à «Nova Escola Macaense» em;
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/05/noticia-de-5-de-janeiro-de-1862-nova-escola-macaense/