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 Neste dia, 12 de Agosto de 1732, chega a Macau o navio «Corsário» trazendo o novo governador desta cidade, o Moço-Fidalgo António de Amaral e Meneses, (1) que tomaria posse do Governo a 18 de Agosto de 1731. Veio render a António Moniz Barreto.(2)

Ephemerides da semana” in «BGM», XII- 34, 20 de Agosto de 1866, p.137

(1) “18-08-1732 – Toma posse e exerce o cargo de Governador e Capitão-Geral de Macau, António de Amaral Meneses. Chegara a 12 do mês no navio Corsário. Já o pai, Belchior Amaral Meneses ocupara o mesmo cargo de 1682 a 1685. Natural de Goa, além de militar, era tanador-mor (3) com provas dadas. Teve que resolver problemas internos que foi encontrar em Macau e sentiu-se espartilhado pelos “Privilégios” concedidos ao Senado por D. Rodrigo da Costa, que o impediam de exercer autoridade junto dos Vereadores, com quem teve, assim como com o Ouvidor, várias discórdias. Em 1733 pede ao Vice-Rei da Índia que o substitua, por demais desgostoso com o governo. O pedido foi aceite em 1734 (Janeiro), data em que, não tendo sido nomeado substituto, foram abertas vias de sucessão. O governo ficou entregue ao Bispo de Macau, D João de Cazal (4) (5)

(2) António Moniz Barreto, natural de Angra de Heroísmo, Açores, filho de Guilherme Moniz Barreto. Conflitos com o Ouvidor, António Moreira de Sousa, a quem mandou prender. Levou um mandato de seis e não de três anos, (de 11 de Agosto de 1727 a 1731) como habitual, e teve sempre o apoio de Goa. (5)

O Moço Fidalgo António Moniz Barreto tomou posse do Governo de Macau, tendo sido um mau governador, segundo o Embaixador Alexandre Metelo de Sousa e Meneses. Mandou prender o Ouvidor António Moreira de Sousa com grilhões, numa fortaleza, mas conseguiu não só governar durante todo o seu triénio como dois anos mais.” (GOMES, Luís G. –Efemérides da História de Macau, 1954)

(3) No dicionário de Língua Portuguesa de Cândido de Figueiredo, não existe a palavra tanador mas sim tanadar – funcionário português que, na Índia, arrecadava as rendas das gancarias (assembleia de gancares – cultivadores de terras bravias na Índia Portuguesa)

(4) Um novo governador só é nomeado a 22 de Abril de 1738, tenho tomado posse a 25 de Agosto de 1738, Manuel Pereira Coutinho, natural de Goa. Não teve alterações notáveis no desempenho do seu mandato em Macau, deixando o cargo em 1743 e a cidade em 1744. (5)

Ephemerides da Semana” in «B.G.M.», XII-35, 27de Agosto de 1866, p. 142

(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol I, 3.ª edição, 2015.

No dia 28 de Novembro de 1735, em Macau, grandes demonstrações de pesar ordenadas pelo Vice-Rei de Cantão, pela morte do Imperador Iông-Tcheng, ou Yung Cheng (雍正 Yongzheng) (1) com tiros de ampulheta, por espaço de 24 horas, salva no fim, pela Fortaleza do Monte e luto pelos homens bons da governança (2)

PEREIRA, A. Marques – Ephemerides Commemorativas da Historia de Macau e …  1868, pp. 118-11

 (1) Yongzheng 雍正 (13-12-1678/8-10-1735) (nome de nascimento: Yinzhen 胤禛) foi o quarto imperador da Dinastia Manchu, e terceiro imperador Qing, tendo reinado de 1722 a 1735. Embora com um reinado de menor duração (13 anos) comparado ao do seu pai (imperador Kangxi) e do seu filho (imperador  Qianlong) governou a China num período de paz e prosperidade, embora se conste que era muito cruel nas punições e castigos aos seus inimigos.

(2) GOMES, Luís G.  – Efemérides da História de Macau, 1954.

NOTA – Governava Macau, Cosme Damião Pereira Pinto que chegou da Índia a 4 de Agosto e tomou posse a 24 de Agosto e governará Macau no seu 1.º mandato de 24-08-1735 a 27-08-1738; o 2.º mandato seria de 25-08- 1743 a 29-08-1747. O 4.º bispo de Macau, D. João do Casal que lhe entregou o Governo, faleceria a 20 de Setembro de 1735, com 94 anos de idade e 43 anos e três meses de governo do bispado. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume I, 2015 p. 253) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/cosme-d-pinto-pereira/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-joao-do-casal/

Edital que os Ministros da Casa da Câmara mandaram por pelos lugares públicos desta cidade, com o parecer do governador do bispado, António de Morais Sarmento, (1) para que não se recolhesse freira nenhuma no Convento de Santa Clara, conforme ordens dos Vice-reis do Estado da Índia.

Extraído de «Arquivos de Macau« 2.ª série, Vol I, n. 4, Junho –Agosto de 1941, pp 205-206

(1) D. Diogo Correia Valente S.J. (bispo de Macau de 1630 a 1633) faleceu em 1633 e devido à ocupação e à independência de Portugal da Espanha, desde 1633, o deterioramento das relações entre estes dois países e as guerras contínuas influenciaram a nomeação do novo bispo dos quais resultou a longa vagatura da Diocese, durante quase 80 anos. O novo bispo de Macau foi D João de Casal, (bispo de 1690 a1735), nomeado em 1690 por D. Pedro II, mas só terá chegado a Macau em 1692.

O Padre António de Morais Sarmento, governador episcopal (ou vigário capitular nomeado pelo Cabido da sé de Macao?) de 1684 a 1691, foi encarregado pelo vice-rei da Índia em Maio de 1684 de «certas diligências em Macao». O Vice-Rei da Índia, invocando haver nele atitudes contrárias aos interesses do Padroado (dizia-se que o Padre Sarmento favorecia em Macau os clérigos regulares (teatinos, como então se chamava aos jesuítas) em 22 de Dezembro de 1691 queixava-se ao rei porque o governador do bispado favorecia os missionários estrangeiros contra as regalias do padroado e sugeriu a sua substituição pelo que o Governador do Bispado foi, até à chegada do novo bispo, o Cónego José da Silva. (TEIXEIRA, P. Manuel – Macau e a sua Diocese, Tomo II, 1940, p.149) e SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume I, 1997)

Ver anteriores referências ao Convento de Santa Clara em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/convento-de-santa-clara/

Continuação da publicação dos postais de Macau digitalizados do «Jornal Único» de 1898 (1)
NOTA:Os chichés das vistas photographicoas foram tirados pelo photographo amador Carlos Cabral. Todos os trabalhos respeitantes a este «Jornal Único» foram executados em Macau

Sé Cathedral

Extractos do artigo de Arthur Tamagnini Barbosa “Sé Cathedral”, publicado no «Jornal Único» pp. 28-31

Fachada do antigo convento de S. Paulo

Extractos do artigo de A. Basto “Fachada do Antigo Convento de S. Paulo”, publicado no «Jornal Único» pp. 36-41.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jornal-unico/
http://purl.pt/32511/3/html/index.html#/1

Em 23 de Setembro de chegou a Macau, na nau Rainha dos Anjos, Carlos Ambrósio Mezabarba, Patriarca de Alexandria e Legado do Papa. (1) Na mesma nau vinha uma carta de D. João V, com data de 21 de Março de 1720, recomendando ao bispo Casal (2) que recebesse bem o Legado e lhe pedisse absolviçãio das censuras.
O Legado desembarcou na Praia Pequena, no dia 26 de Setembro e foi bem recebido pelo bispo, governador, cidadãos e mais moradores da cidade. A nau «Rainha dos Anjos» regressou, em vésperas do natal de 1921, mas ardeu ao largo do Rio de Janeiro em 16 de Junho de 1722 e com ele os preciosos presente do Imperador da China para o Rei de Portugal (3)(4)
O Patriarca D. Carlos Melchior de Mezzabarba partiu de Macau a 07 de Outubro de 1720, para Cantão (de barco até à Casa Branca), a fim de seguir para Pequim. De notar que Mezzabarba foi bem recebido, ao contrário de Tournon; (5) porque Mezzabarba veio por Lisboa, mostrando que o Papa Clemente XI reconheceu os direitos do Padroado Português do Oriente, e Tournon não. (6)
(1) Carlo Ambrogio Mezabarba (1685 -1741) Ordenado padre em 1718 e consagrado Bispo em 1719. Em 18 de Setembro de 1719 foi nomeado por Clemente XI, patriarca titular de Alexandria. O pontífice enviou-o à China (Novembro de 1719) com o título de “Legato a latere” como legado pontifício a fim de resolver a questão dos ritos chineses mediando entre o imperador Kangxi de um lado e os missionários jesuítas do outro. Reuniu com o rei de Portugal em Lisboa e chegou a Macau em 1720. Esteve em Pequim de Dezembro desse ano até Fevereiro de 1721.Mezzabarba defendeu o decreto papal de 1715 e condenava os ritos o que desagradou o Imperador. Este esperava que o enviado papal pudesse explicar ao papa a posição do imperador. Mezzabarba deixou Pequim em Março de chegou a Macau em Maio de 1921.
Mezzabarba foi o sucessor de Carlo Tommaso Maillard de Tournon (legado de 1703 a 1707). (5)Mezbarba regressaria a Roma com os restos mortais de Tournon em finais de 1721). Devido ao insucesso da sua missão, esteve sete meses em Macau onde promulgou a carta pastoral aos missionários na China onde não tencionava suspender o decreto papal de 1715 mas introduzia oito permissões nos ritos. Saiu para Roma em Dezembro de 1721 via Brasil e Portugal chegando a Roma em Abril de 1723.
Em 23 de Julho 1725 foi nomeado Bispo de Lodi onde faleceu em 7 de Dezembro de 1741.
href=”https://it.wikipedia.org/wiki/Carlo_Ambrogio_Mezzabarba”>https://it.wikipedia.org/wiki/Carlo_Ambrogio_Mezzabarba
http://www.bdcconline.net/en/stories/m/mezzabarba-carlo-ambrogio.php
DUCREUX, Gabriel Marin – Continuacion a la historia eclesiástica general o Siglos del christianismo del Abade Ducreux que compreende desde o ano de 1700, em que a concluiu o autor, até ao actual Pontificado de P. Pio VI., pelos tradutores da dita obra. TOMO XIV, 1792, pp. 235-236.
CASTILLO y MAYONE, Joaquin del – Frailismonia, o grande historia de los frailes… obra escrita con toda …, 1836, pp. 129-130
(2) Anteriores referências ao Bispo D. João do Casal em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-joao-do-casal/
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(4) 6-05-1721 – Chegaram a Macau os presentes enviados pelo Imperador da China a D. João V e Clemente XI, sendo recebidos por três companhias de soldados e salvados pela fortaleza do Monte. Estes presentes vieram muito bem acondicionados, em 48 caixas acharoadas de amarelo, procedendo o Patriarca D. Carlos Melchior de Mezzabarba que, regressando de Pequim, entraria, no dia seguinte, com faustosa recepção de arcos triunfais, tropas, salvas, repiques e luminárias.(6)
(5) Carlos Tomás Maillard de Tournon, patriarca de Antioquia. Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-tomas-maillard-de-tournon/
(6) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 2, 1997)

Extraído de «Ephemerides da semana» de A. Marques Pereira  in Bol. do Gov. de Macau XII-36, 1866.
NOTAS:
1 – O governador era Diogo de Pinho Teixeira (tomou posse em 5 de Agosto de 1706 e governou até 28-07- 1710). Teve um mandato muito complicado com as constantes desavenças com o Senado de Macau e com o Bispado (por causa das contendas entre partidários do Patriarca de Antioquia e os do Padroado Real)
Anteriores referências neste blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/diogo-de-pinho-teixeira/
2 – O Patriaca de Antioquia desde 1701, era o legado apostólico Carlos Tomás Maillard de Tournon (1668-1710) que chegou a Macau, pernoitando apenas na Ilha Verde, a caminho de Cantão tendo sido enviado à China, pelo Papa Clemente XI, para acabar com as controvérsias entre os jesuítas e os missionários de outras ordens, sobre os Ritos Chineses. Faleceu em Macau a 8 de Junho de 1710, pouco depois de receber o barrete cardinalício.
Anteriores referências  aeste Patriarca em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-tomas-maillard-de-tournon/ 
3 – Devido à ocupação e à independência de Portugal de Espanha  e à disputa quanto à nomeação do novo bispo , desde 1633 (o último Bispo foi D. Diogo Correia Valente de 1630 a 1633) até 1690 ficou vaga o lugar de Bispo de Macau. O Bispo D. João do Casal (1641-1735), do hábito de S. Pedro, foi nomeado em 1690 por D. Pedro II, confirmado pelo Papa Alexandre VII, que na mesma data criou as Dioceses de Macau, Nanquim e Pequim, como distintas, cada um com o seu Bispo. D. João do Casal chegou a Macau tomando posse em 1692, instituiu o Cabido de Macau em 1698,  foi Provedor da Misericórdia, em 1706, e Governador Interino de Macau, em 1735. Faleceu em 20-09-1735, em Macau tendo sido sepultado na Sé Catedral-
Anteriores referências ao Bipso D. João do Casal em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-joao-do-casal/
Informações de: SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 1 e 2,  1997)

25-03-1708 – Neste dia se fes a Procissão do Sr. Crus as Costas pelas Ordinarios por ordem do Sr. Bispo, visto estarem os Padres de St.º Agostinho impedidos no seu convento por cauza de controvercias que tem havido a respeito do Patriarcha – Os Irmãos que acompanhavão o Sr. ião com Capa branca e murça rôxa. A Procissão foi athé S.m Domingos onde ficou ali. (BRAGA, Jack M.- A Voz do Passado, 1987).
PEREIRA, A. Marques – Ephemerides commemorativas da historia de Macau e das relações da China com os povos Christãos, 1868.

Por ordem do Bispo D. João do Casal, a procissão de Nosso Senhor dos Passos (ou da Cruz) foi feita pelos Ordinários, pelo facto dos padres agostinhos se encontrarem retidos no seu convento, em consequências do conflito entre eles e o patriarca da Antióquia, o Cardeal Carlos Mailard de Tournon.
A nomeação de D. Carlos Mailard de Tournon pela Santa Sé em 1702 para negociar com o imperador da China uma condenação formal dos ritos que se concluiu a 20 de Novembro de 1704, foi um pretexto da Santa Sé para neutralizar a influência dos jesuítas na corte de Pequim e enfraquecer assim o direito do padroado português sobre as dioceses chinesas. Aliás, o rei D. Pedro II de Portugal não aceitou em 1902 a indigitação do Cardeal. Talvez,por isso, no dia 2 de Abril de 1705 quando o Patriarca na sua rota para Pequim passou por Macau recusou entrar na cidade ficando hospedado por uma noite na Ilha Verde onde recebeu o Bispo D. João da Casal e o Governador da cidade. A missão de Tournon na China foi desastrosa, acabando por ser expulso, sob custódia para Macau onde chegou em 30 de Junho de 1707. A sua permanência em Macau agravou mais esse conflito entre Bispo D. João do Casal, na defesa do padroado português e os prelados que apoiavam o Patriarca da Antioquia, nomeadamente os Agostinos e os Dominicanos. Os Agostinhos  sofreram um interdito logo em 1707 (os dominicanos em 1709) acabando depois pelo encerramento do convento em 1712 (já depois da morte do patriarca) e os religiosos enviados para Goa.
A seguir, continuação da publicação das fotografias da Procissão do Senhor dos Passos de 1974.
Ver anterior artigo e fotos em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/04/noticias-de-4-e-5-de-marco-de-2017-tradicoes-que-se-continuam-a-procissao-do-senhor-dos-passos-i-fotos-de-1974/

Em 11 de Agosto de 1727 : “Neste dia desembarcou António Monis Barreto vindo de Goa socceder no Gov.º a Ant.º da S.ª Telles por ter finalizado o seu tempo.”(1)
O Moço Fidalgo António Moniz Barreto (2) tomou posse do Governo de Macau, tendo sido um mau governador, segundo o Embaixador Alexandre Metelo de Sousa e Meneses. (2) Mandou prender o Ouvidor António Moreira de Sousa (3) com grilhões, e pondo-o incomunicável numa fortaleza, mas conseguiu não só governar durante todo o seu triénio que terminava a 11 de Agosto de 1930, como dois anos mais. (4).  Terá sido substituído depois de 14 de Dezembro de 1732. (5) (6)
(1) BRAGA, Jack M. – A Voz do Passado, 1987.
Há no entanto um erro histórico nesta informação. António da Silva Telo e Meneses (citado muitas vezes como Teles de Meneses) foi Governador de 9-09-1719 a 1722. António Moniz Barreto veio substituir António Carneiro de Alcáçova (governo de 6-09-1724 a 1727).
Capitães Gerais e Governadores de Macau: (5)
De 9 de Setembro de 1719 a 1722 – António da Silva Telo e Meneses
De 19 de Agosto de 1722 a 1723 – D. Cristóvão de Severim Manuel, (destituído em 22 de Julho de 1723) (7)
De 22 de Julho de 1723 a 1724 – António da Silva Telo e Meneses (2.º mandato)
De 6 de Setembro de 1724  a 1727 – António Carneiro de Alcáçova
De 11 de Agosto de 1727  a 1732 – António Moniz Barreto
(2) António Moniz Barreto, nasceu a 12-09-1683, em Angra de Heroísmo (Açores) , filho de Guilherme Moniz Barreto. Nomeado fidalgo a 10-06-1699. Casou em Macau. Morreu na fragata Nossa Senhora de Montalegre em 29-06-1751.
Doug da Rocha Holmes http://www.dholmes.com/rocha2.html
http://archiver.rootsweb.ancestry.com/th/read/PORTUGAL/1999-11/0941671130
(2) Alexandre Metelo de Sousa e Meneses que chegara a Macau a 10 de Junho de 1726, na nau Nossa Senhora da Oliveira (ficou hospedado na casa de Francisco Leite, que veio a ser Palácio do Governo e depois Palácio das Repartições – demolido) entregou  no dia 4 de Agosto de 1726, em Pequim, a  carta de D. João V ao Imperador da China, como embaixador de Portugal na China. Regressou a Macau no dia 08-12-1927 , para embarcar na Praia Pequena, para Lisboa a 17 de Janeiro de 1728 (chegou a Lisboa a 21 de Novembro de 1728, sendo nomeado conselheiros do Conselho Ultramarino). (4) (5)
(3) Dr. António Moreira de Sousa desembarcou em Macau do navio Sr.ª Ana e tomou posse do cargo de Ouvidor, para o qual havia sido nomeado no ano antecedente, a 3 de Agosto de 1726. O motivo da prisão terá sido o conflito entre o Ouvidor e o sargento-mor José Álvares de Queirós. Foi substituído a 7-09-1728, data em que chegou no Navio Nossa Senhora da Penha da França, vindo de Goa, António Fernandes Teixeira. (4)
Conta Fr. José de Jesus Maria entre Novembro e Dezembro de 1727: «No anno de 1727 se vio bem embrulhada esta cidade de dezunions entre as justiças, querendo não menos que prender hum ouvidor de El rey: entrava tambem o Cappitão Geral nestas tratadas; que como havia parcialidades logo se havião suscitar desordens e contendas; o embaixador que ahinda aqui se achava quiz com o seu respeito e prudencia serenar esta tormenta, mostrando a sua douta litteratura o que poidião e não podião fazer; pois que regulados não pellas leis, que ignorão, mas so pellos dictames da vontade e subornos de empenhos, sempre fazendo ao direito torto, obrarão o que quizerão…» (5)
(4) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(5) Capitães Gerais e Governadores de Macau:
De 22 de Junho 1718 a  1719 – António de Albuquerque Coelho
De 9 de Setembro de 1719 a 1722 – António da Silva Telo e Meneses
De 19 de Agosto de 1722 a 1724 – D. Cristóvão de Severim Manuel
De 6 de Setembro de 1724  a 1727 – António Carneiro de Alcáçova
De 11 de Agosto de 1727  a 1732 – António Moniz Barreto
De 18 de Agosto de 1732 a 1935  – António de Amaral Meneses (pediu para ser substituído) (5)
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 2, 1997
(6) Em 14 de Dezembro de 1732, realizou-se no Leal Senado de Macau uma sessão, para a qual foram convidados, além do capitão-governador (António Moniz Barreto), os prelados das diversas Religiões, os “homens bons” e as principais individualidades. Estava em jogo o futuro da colónia. Justificava-se a expectativa.
A situação era grave, a decadência bem evidente, o deficit temeroso. As “fintas” ou derramas que, de vez em quando, se poderiam lançar sobre os moradores, não chegariam sequer para as despesas ordinárias. Segundo vinha ditando a experiência, o comércio com os diferentes portos asiáticos vinha decaindo de ano para ano. O sândalo de Timor não rendia já o lucro de antes. Os restantes portos, frequentados pelos navios macaenses, encontravam-se em conjuntura semelhante.
Perante este horizonte nada prometedor, urgia lançar mão de novas medidas. A ideia básica seria tentar concretizar o velho sonho: impetrar a el-rei D. João V (1706-1750) a faculdade de Macau poder enviar, anualmente, um navio ao Brasil, sem ser obrigado a passar por Lisboa, para o pagamento de direitos, e de poder, no regresso, trazer prata. Era isto o que mais se desejava. Esperava-se despacho favorável a este pedido, tanto mais que a Cidade se encontrava depauperada pelas despesas havidas com a embaixada à China.
A resposta de Lisboa, porém, não fora favorável. Mantinha-se a negativa de antes. Como não ficariam os Macaenses, ao verem frustrado um plano em que tinham depositado todo o seu optimismo?
Na reunião de 14-10-1733 foi novamente o assunto ventilado, com o máximo interesse, na presença das autoridades civis e eclesiásticas e mais convidados. O bispo D. João do Casal (1690-1735), não pôde comparecer, por doença.
Publicado originalmente em: “Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa“, Jul.-Dez. 1976, pp. [117]-52.)
http://www.library.gov.mo/macreturn/DATA/PP219/PP219021.HTM
(7) Dom Cristóvão de Severim Manuel, não procedeu como devia, no governo da cidade, pois foi homem de vida dissoluta e pródigo, tendo contraído muitas dívidas, em Macau, que não pagou. Pelos motivos apontados, veio a ser destituído e o Governo foi de novo entregue ao seu antecessor, António da Silva Teles de Meneses
Ver em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/cristovao-de-severim-manuel/

O Conde Dom Luís de Meneses, Vice-Rei da Índia, (1) perante a falta de moradores na cidade, providenciou, proibindo o convento de receber mulheres para religiosas e ordenando às mesmas que casassem com os portugueses que se achavam na cidade.(2)(3)
Outra notícia de 26 de Dezembro de 1718 : “O Senado regozija-se ao fazer o balanço do ano: «… com os rendimentos se ve esta Cidadde dezempenhada das maiores dividas, como são a da Caza da Misericordia em maioria de dez mil taeis, e a do rei de Siam em três, e a de hum Armenio, o Cabbido, e alguns Moradores
Manuel Favacho (4) faleceu, deixando dote de casamento para 20 órfãs. Deixou ainda 400 pardaus para se  celebrar na Igreja da Madre de Deus a novena e festa do Espírito Santo; e legou  aos jesuítas a administração da viagem à Cochinchina durante alguns anos. É provável que a doação às meninas órfãs levasse o Senado a fundar o Recolhimento da Santa Casa, de que nos fala Frei José de Jesus Maria. De facto, a 26-12-1718, o Senado determinou que se destinasse meio por cento para a sustentação das «meninas órfãs, filhas de Portugueses, que com o beneplacito  do Procurador, e mais Irmãos da santa casa, se fara nela um recolhimento  com mais uma Senhora  grave para Mestra das ditas Órfãs e duas servideiras, dando a cada uma três pardaus para seu subsídio , do dito por cento, e o que restar ficasse em um cofre depositado na mesma Casa da Misericordia para dote das órfãs.»
As vocações religiosas femininas eram numerosas; em 1678 , o V.R.D. Rodrigo da Costa (1686-1690) ordenara ao Senado que  proibisse, sob pena de 500 pardaus, que qualquer rapariga ingressasse no  Mosteiro de St.ª Clara.
A 7 de Maio de 1718, o Conde de Ericeira D. Luís de Meneses V. R. da Índia (1717-1720), dá as seguintes providências sobre as freiras de St.ª Clara: «Porque sou informado que uma das causas da decadencia da Cidade de Macau é a falta de moradores portugueses, e que esta procede da quantidade de mulheres que, tendo dotes com que poder  casar, se meteram a maior parte freiras; e , para evitar este prejuizo, ordeno e mando que, estando completo o numero de Religiosos do Convento daquela Cidade, se não recebam mais mulheres para religiosas, e se casem com os dotes que tiverem com os portugueses que se acharem na dita Cidade, para assim  se remediar a falta que esta experimenta de moradores e se frequente o comercio e se aumente a terra; e o Governador da Cidade de Macau  e o Senado da Camara dela darão inviolavel desta minha ordem».
É claro que esta ordem ficou letra morta; e o número máximo de freiras, que era de 33, foi elevado para 40 pelo bispo D. João do Casal em 17 de Janeiro de 1713.(3)
Luís Carlos Meneses 5.º Conde Ericeira(1) Luís Carlos Inácio Xavier de Meneses, 5º conde da Ericeira, 1º marquês do Louriçal, (1689 — Goa, 1742), homem com grandes conhecimentos literários e artísticos e um bom estratega militar, foi vice-rei e capitão-general da índia portuguesa entre 1717 e 1720 e entre 1740 e 1742. Considerado como um dos bons governantes do Oriente na primeira metade do Setecentos.
(2) GOMES, Luís Gonzaga. Efemérides da História de Macau, Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997.
(4) Manuel Favacho foi vereador, grande mercador (proprietário de barcos de mercadorias) de Macau, no século XVIII.
25-10-1713 – O Senado precisava de mais de 6 000 taíes para as despesas dum ano, mas nada possuía, antes devia dinheiro. Os religiosos e o clero declararam que só podiam emprestar pouco mais de 1 000 taíes; ora o povo não podia dar as restantes 5 000. Resolveu que a vereação do ano seguinte pagasse primeiro as dívidas: 300 e tantos taéis a Manuel Favacho, 700 e tantos à Ouvidoria; 1 000 a Misericórdia. Para isso, aumentava-se um e meio por cento dos direitos.
1713 -Manuel Favacho deixa à Santa Casa 2 000 pardaus; um quarto para viúvas e órfãos; um quarto para missas por sua alma; e o resto para desempenhar a prata da Santa Casa e da Igreja de S. Lázaro. Deixa mais 1000 pardaus para dote anual de casamento duma órfã , filha de portugueses e ou de irmão de St.ª Casa.
(SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau , Vol.2, 1997)

MILAGRE
EM CUMPRIMENTO DA ORDEM DA
Mesa da confraria da Nossa Senhora dos Remedios do dia 12 de Abril do anno de 1829, Eu, José Maria Marim presidente da mesma fiz copiar fielmente “de verbo ad verbum” o milagre que se acha escripto no livro do archivo da mesma abaixo se ve

Memoriai do milagre, que a favor d´esta cidade do Nome de Deos de   Macau obrou a veneravel e santa imagem de Nossa Senhora   dos Remedios na occasião de caristia de mantimentos, que   experimentaram os seus moradores, pela falta de chuvas.

Das memorias antigas, que alguns curiosos deixaram escriptas, e tambem das tradicções de varias pessoas, que foram testemunhas de vista, consta, que no anno de 1703, sendo Bispo d´esta cidade o Exmo. Sr. D. Joaõ do Cazal, houve uma grande carestia de arrôs causada pela falta de chuva, por cujo motivo mandou o mesmo Exmo. Sr Bispo  se fizessem nas Igrejas Preces Publicas para impetrar de Deos o remedio a tão grande necessidade. Na noite de 28 de Abril houve huma Procissão de Penitencia, que sahio da Igreja de Sm Francisco, e visitando as Igrejas da Sé, de S. Paulo, de S. Domingos, e Sto. Agostinho, se recolheo no sobredito Convento: no dia 30 houve outra, que sahioda Igreja de Sto. Agostinho para a Cathedral levando-se a Imagem do mesmo Santo e como continuasse ainda o flagello da Divina Justiça até 3 de Maio, determinou ultimamente o Sr. Bispo, que se recorresse ao Soberano Patrocínio da Mai Santíssima dos Remedios: tirou-se no mesmo dia de tarde da sua Capella sitta na Igreja de Sm. Lourenço a Veneravel Imagem e collocada reverentemente em Andôr foi levada em Procissão pelos Conegos da Sé, com assistencia do Exmo. Sr. Bispo, de todo o Corpo Ecclesiastico, e Povo desta Cidade até à Cathedral, onde ficou depositada; logo no dia immediato, que foi sexta-feira, se deo princípio à sua Novena, e nesse mesmo dia com geral consolação de toda a cidade, principiou a chover ainda que pouco, mas no dia seguinte choveu com maior abundancia, continuando deste modo por todos os mais dias até o ultimo da Novena, em que devia tornar para Sm. Lourenço a Santa e Veneravel Imagem.

SMIRNOFF - Vista lateral Igreja S. Lourenço 1944Fachada Lateral da Igreja de S. Lourenço (1944)
George Smirnoff

Ella foi reconduzida na tarde desse dia com toda a pompa e solemnidade para a dita Igreja, e collocada ultimamente com a devida veneração na sua Capella; alli se renderam a Deos solemnemente as graças pelo altissimo benefício,
que pela sua bondade infinita, recebeo esta Cidade pela intercessão da Mai Senhora dos Remedios. Este grande milagre assim como cauzou nos gentios a maior admiração e espanto, infundio tambem nos Christãos hum intimo reconhecimento ao benefíco de Deos e de sua S.S. Mai. Permitta o mesmo Sr. que se perpetue nos nossos corações este reconhecimento para sermos gratos ao Deos das Mizericordias, e à Mai N. S. dos Remedios.
Esta he a fiel rellação do sobredito Milagre, que se julgou muito importante conservar no Archivo desta Confraria para brazão da mesma, e de todos os Confrades, e por esta cauza mandou o Prezidente actual o Rmo. Chantre Joaquim Soares a mim Secretário, da dita Confraria, que o transcrevesse neste Livro ad perpetuam rei memoriam. Eu José Maria Marim Secretário que o escrevi.. Eu Secretario actual da mesma, que o fiz escrever, sobscrevi e assignei
                   ANTONIO DE SENNA                          J. MARIA MARIM

Eu Braz de Mello Secretario da Confraria de N. S. dos Remedios fiz extrahir a copia deste Milagre, para o imprimir, sem acrescentar, nem diminuir coisa alguma, que duvida taça; e em que se assignarão comigo o Irmão Presidente Manuel Duarte Bernardino, o Irmão Thesoureiro Carlos Vicente da Rocha, o Irmão Procurador Jozé Maria da Fonseca, e mais Irmãos Conselheiros
Macau, 17 de Abril de 1841.

O altar de N. Sra. dos Remédios na Igreja de S. Lourenço foi erecto em 1618 (o segundo mais antigo desta Igreja; o mais antigo é o altar de S. Lourenço, orago da Igreja que foi erecto, com a mesma), data em que foi também ali colocada a estátua da mesma Senhora A actual estátua de N. Sra. dos Remédios foi benzida e inaugurada no dia 10 de Abril de 1931.(1)
NOTA: sobre este “milagre”, de uma outra fonte de informação, ver anterior referência em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/03/noticia-de-3-de-maio-de-1703-procissao-de-penitencia/
(1) TEIXEIRA, Pe. Manuel – Paróquia de S. Lourenço, 1936, p. 4;  pp.10-11