Archives for posts with tag: Recenseamentos

Em Fevereiro de 1942, chegam a Macau os primeiros grupos de refugiados de Hong Kong. São recebidos naturalmente entre familiares e amigos. O desporto e a arte reviveram com os novos elementos de Hong Kong que era preciso ocupar, animar. Um exemplo flagrante e ainda hoje lembrado foi o concerto de caridade que houve no Cine-Teatro Apolo, que mandou alargar o palco para caber a orquestra, de mais de cem instrumentos; dela faziam parte seis baixos, oito violoncelos, quatro pianos, etc, contando ainda o acompanhamento de um coro de para cima de cem figuras. Em vez de 200 mil, (1) Macau albergou 500 mil habitantes nesta época. Só em Novembro de 1945 é que se iniciou a repatriação dos refugiados portugueses de Macau para Hong Kong e tudo começou a voltar ao normal. (2)

(1) 1941 – A população de Macau (aumentada desde 1937 com os refugiados de Xangai e Cantão) subiu de 150 mil pessoas, em Dezembro deste ano, para 450 mil, logo nos primeiros meses de guerra (Fevereiro e Março de 1942) e chegou aos 500 mil. Depois da rendição do Japão desce para cerca de 150 mil. Em 20-12-1941, o B.O. n.º 51 publica avisos e anúncios sobre a distribuição de senhas de racionamento à população que se inicia a 23. (2) 

Boletim Oficial de Macau, n.º 51 de 20 de Dezembro de 1941 p. 878

(2) TEIXEIRA, P. M. – Macau Durante a Guerra, 1991, pp 33 -49); SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, pp. 271 e 274.

Anteriores referências aos refugiados: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/05/13/noticia-de-13-de-maio-de-1942-colegio-yuet-wah/

Extraído de «BGU», XXXI – 359, MAIO 1955, p. 199

Depois da ocupação japonesa de Hong Kong em finais de 1945, com o reacender do conflito entre nacionalistas e comunistas chineses na China, houve uma grande deslocação de emigrantes chineses do continente para Macau e Hong Kong. De Macau, muitos deles depois foram para Hong Kong, o que  explica a diminuição da população de Macau, nos dados estatísticos dos recenseamentos de 1950 (187772) e de 1960 (169299) comparando com os dados de Hong Kong: estima-se que entre 1945 e 1951 a população de Hong Kong de 600,00 passou a 2.1 milhões. https://en.wikipedia.org/wiki/1950s_in_Hong_Kong

Continuação da leitura da conferência realizada na Sociedade de Geografia de Lisboa, em 5 de Junho de 1946, pelo tenente-coronel de engenharia Sanches da Gama e publicada no Boletim Geral das Colónias de 1946. (1) (2)
………………………………………………………………………………..continua
(1) Ver anterior postagem em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/06/05/noticia-de-5-de-junho-de-1946-leitura-macau-e-o-seu-porto-i/
(2)  «BGC» XXII -253, 1946.

Extraído de “A Visitor´s Handbook. Publicity Office, Macao” e publicado no “The Statesman’s Year-Book: Statistical and Historical Annual of the States of the World for the year 1953”, com edição de S. H. Steinberg.

Desde 1805 que o pirata Cam Pau Sai (1) que se tornou posteriormente conselheiro de Estado em Beijing (2) andava assolando as costas do mar da China (e atacando os navios que saíam de ou viajavam para Macau) (3) com uma armada de cerca setecentos navios , entre juncos, lorchas e ouras embarcações mais pequenas. O governador Lucas José de Alvarenga (4) resolveu acabar com esta situação que desfraldava os negócios da cidade e incumbiu o desembargador Miguel José de Arriaga Brum da Silveira (5) para organizar uma esquadra naval.O desembargador conseguiu assim juntar o brigue  «Princesa Carlota», (6) de 16 peças e 100 homens de guarnição, o brigue«Belisário», (7) de 18 peças e 120 homens de guarnição e a lorcha «Leão» (8)  (piloto: José Gonçalves Carocha) de 5 peças e 30 homens de guarnição sob o comando do capitão de artilharia José Pinto Alcoforado de Azevedo  Sousa. (6) O comandante de uma fragata inglesa que se encontrava no porto, a pedido do Governador, prometeu juntar-se à frota, mas não saiu do porto de Macau.
A 15 de Fevereiro de 1809 deu-se o primeiro encontro (1.ª batalha naval das várias que os portugueses tiveram com este pirata na Boca de Tigre culminado com o último em 21 de Janeiro de 1810) (2). A frota naval portuguesa encontraram nas proximidades cerca de duzentos navios do pirata. Os portugueses dispararam continuamente os seus canhões e as suas espingardas sobre os juncos que tentavam aproximar-se, não conseguindo os piratas abordar os navios portugueses. Rezam as crónicas que o combate durou desde manhã até ao pôr-do-sol , acabando os piratas por bater em retirada com muitos portos e feridos. A lorcha Leão por ser a menor embarcação foi a mais fustigada pelos piratas por isso Gonçalves Carocha distinguiu-se pela sua coragem neste combate.
Ao saber desta vitória, a corte imperial propôs uma acção conjunta para acabar com os piratas. Foi por isso assinado em 23 de Novembro de 1809 uma convenção (por mim já referida na postagem de 21-05-2015) (2)
(1) O mesmo pirata é referenciado com outros nomes como Kam Pao Sai, Cang-Pau-Sai, Chang-Pau Sai, Cam-Pao-Tsai, Cam-Po-Sai, Apo-Sai, Apochai, Cam-Pau- Sai, Cam-Apó-Chá ou Quan Apon Chay.
(2) Ver anterior referência a este pirata e outras batalhas em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/21/noticia-de-21-de-janeiro-de-1810-o-celebre-pirata-cam-pau-sai/
(3) O Governador Lucas José de Alvarenga num relatório de 3 de Março de 1809, enviado para Portugal, informava que a população chinesa era cerca de 30 000 e os portugueses: 1641 masculinos e 2579 femininos. Entre os portugueses contavam-se os macaenses e os escravos cristãos. Informava ainda que havia 300 lojas chinesas, 20 “casas estrangeiras”, 15 igrejas ou capelas, e 257 militares.
(4) Ver anteriores referências a este governador Lucas José Alvarenga (1768- 1831) em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/lucas-jose-alvarenga/
(5) Ver anteriores referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/miguel-de-arriaga-brum-da-silveira/
(6) Brigue «Princesa Carlota» – Navio português de linha, construído em Macau na China pelo senado em 1805, pronto para o serviço no mesmo ano como Brigue de 120t com um decke de artilharia com 12 peças de artilharia e com 90 a 125 homens a bordo, com o nome de ‘Princesa Carlota’, empregue no serviço na Costa da China, em 1809 e 1810 combateu piratas chineses, incluído em forças navais de Macau; fora de serviço em 1810 (?). O Capitão de Artilharia José Pinto Alcoforado de Azevedo e Sousa, foi comandante da Brigue “Princesa Carlota” de 15-02-1809 a 15-09-1809. Em 1807, o armamento era de 10 peças de artilharia e 10 peças de 12 libras.
http://marinhadeguerraportuguesa.blogspot.pt/2011/09/navios-da-real-da-marinha-de-guerra.html
(7)
Brigue «Belizário»  –  Navio português de linha, construído em Macau na China pelo senado em 1801, lançado ao mar em 1801 e pronto para o serviço no mesmo ano, em 1809 aparelhou e armou de novo em Macau com um decke de artilharia com 20 a 24 peças de artilharia e com 90 a 130 homens a bordo, com o nome de ‘Belizário’, entrou nos combates contra piratas chineses em Macau em 1809 e 1810; fora de serviço em 1810 (?). Armamento em
1809: 20 peças de artilharia, 20 peças de 12 libras.
brigue-belisario-1809-1810http://marinhadeguerraportuguesa.blogspot.pt/2011/09/navios-da-real-da-marinha-de-guerra.html (7)

(8) Lorcha  «Leão» – navio português, construído em Macau, armado com 5 peças de artilharia e com 20t e foi lançado ao mar em 1807, montava 1 rodízio e 4 pedreiros, fez várias comissões de fiscalização na costa desde 1807, nesse ano combateu com outros navios, piratas chineses, fora de serviço em (?). Armamento em 1807 – 5 peças de artilharia, 1 rodízio e 4 pedreneiras.
http://marinhadeguerraport
uguesa.blogspot.pt/2011/01/navios-da-real-marinha-de-guerra_20.html
Informações retiradas de:
ANDRADE, José Ignacio de – Memórias dos feitos macaenses contra os piratas da China.
https://books.google.pt/books?id=oUsNAAAAYAAJ&pg=PA12&lpg=PA12&dq=Mem%C3%B3rias+dos+feitos+macaenses&source=
ESPARTEIRO, António Marques – Catálogo dos Navios Brigantinos (1640-1910) in
http://3decks.pbworks.com/f/Catalogo+dos+navios+brigantinos+(1640-1910)+-+Esparteiro.pdf
GOMES, Luís Gonzaga  – A destruição da esquadra de Kam Pau Sai in Páginas da História de Macau,  2010
MONTEIRO, Saturnino – Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa, Vol VIII, 1997.

Livro de “Apontamentos de Geographia Economica de Portugal e suas Colónias”, colhidos na aula da 2.ª cadeira da Secção Commercial do Instituto Industrial e Commercial do Porto regida pelo Ill.mo e Ex.mo Snr. Dr. José Augusto de Lemos Peixoto, pelo aluno do Curso Superior do Commercio, F. R. Gomes. (1)
Distribuído por três partes: a primeira é dedicada a «Portugal Continental», a segunda, às «Ilhas Adjacentes» e a terceira às «Possessões Ultramarinas».
apontamentos-de-geographia-economica-de-portugal-capaNa terceira parte: «Possessões Ultramarinas», a Secção II do Capítulo XI – Domínios portugueses na Ásia, é dedicado à Província de Macau (pp. 198-203), subdividida em três partes: descrição física, descrição política e descrição económica.
Algumas informações de Macau apontadas neste livro:
1 – A cidade de Macau tem 3 portos: a bahia ou rada de Macau (também chamada de Porto Exterior); o Porto Interior (o mais abrigado, pouco frequentado, não só pela sua profundidade, como também pelos bancos de d´areia e lôdo) e o chamado ancoradouro do sul que fica ao Sul, entre a ponta meridional da península e a ilha da Taipa (é o mais abrigado de todos, mas tem 250 metros de largo e a sua entrada é muito perigosa porque os canais que a ele conduzem, estão cobertos de bancos)
2 – População – A população, segundo o recenseamento de 1896, é de 78:627 habitantes, dos quaes, uma grande parte, isto é, cerca de 10:000 almas, vive em barcos. Esta população é constituída principalmente por chins, portuguezes e estrangeiros.
apontamentos-de-geographia-economica-de-portugal-pp-198-1993 – Povoações principaes – A única povoação digna de menção é a cidade do Santo Nome de Deus de Macau, que está situada na parte sudoeste da península, e tem 3 kilometros d´extensão, contando com os arrabaldes; é habitada promiscuamente por chinezes e christãos, mas como já dissemos, há um bairro exclusivamente chinez, onde mais se aglomera a população. A cidade fica voltada para a rada ou porto exterior e disposta em amphitheatro, o que lhe dá um aspecto formoso; é separada de território chinez por uma muralha, levantada sobre o isthmo, em 1573, pelos chinezes; n´esta muralha há uma porta, chamada da Porta do Cerco, guarnecida por uma grande força chineza, e é por essa porta que se estabelece a comunicação entre a nossa colonia e o imperio chinez.
4 – Força militar – A guarnição militar da província compõe-se das seguintes forças: 1 companhia europea de artilheria de guarnição, 1 companhia europea d´infanteria, 1 corpo de polícia e 1 banda de musica, tudo com o effectivo mínimo de 474 homens.
5 – Viação – Na província há apenas a viação ordinária: toda a cidade é circuitada por uma larga avenida, importante como estrada militar e como passeio d´habitantes; há ianda caminhos sem importância.
6 – Fontes de receita – A principal fonte de riqueza, é o imposto que o governo lança sobre as loterias chinezaz (a do Pacapio e do Vaeseng) e sobre o jogo do Fantan; este imposto é enorme, porque o chinez é um povo, eminentemente jogador.
(1) Apontamentos de Geographia Economica de Portugal e suas Colónias, colhidos na aula da 2.ª cadeira da Secção Commercial do Instituto Industrial e Commercial do Porto regida pelo Ill.mo e Ex.mo Snr. Dr. José Augusto de Lemos Peixoto. Volume I. Porto, Papelaria e Typographia Academica, 1905, 212 p., 21,5 cm x 16 cm.

Abril 1822 – A população cristã de Macau era de 5.929 almas, das quais 4.315 são classificados como escravos.” (1)

Vista da Praia Grande 1825 Artista Chinês desconhecidoVista da Baía da Praia Grande do Sudeste
Artista Chinês desconhecido c. 1825

Sir Andrew Lyungstedt nos seus “Estudos Históricos dos Estabelecimentos dos Portugueses na China”, publicados em 1836 em Boston, considera a população formada de três classes, que são os naturais ou mestiços, descendentes de portugueses, de malaios, de chinas, de japoneses, etc.; os chins propriamente ditos; e os estrangeiros, ou europeus. Os que chama naturais, diz que, em 1583, eram em Macau em número de 900, entre mulheres, escravos, e outra gente vinda da Ásia.
No fim do século XVII esta população chegava a 19 500 pessoas, mas em 1821 não era de mais de  4 600, homens livres, escravos, e oriundos de todas as nações, incluindo os chins convertidos, sem contar 186 homens de batalhão, 19 freiras e 45 frades.
Em 1830 esta população era avaliada em 4 628 indivíduos, excluindo os militares e eclesiásticos; sendo 1 202 homens brancos, 2 149 mulheres brancas, 350 escravos  do género masculino, 779 do feminino, e mais 38 homens e 110 mulheres de diferentes castas. Os portugueses nascidos em Portugal ou nos seus domínios não passavam de 90. A população chinesa, que tinha sido já muito densa, mas que rareara pela estagnação do comércio, avaliava-se em 1834 em 30 000 indivíduos (2)
(1) SILVA, Beatriz Basto de – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.)
(2) TEIXEIRA, P. Manuel –  Macau Através dos Séculos, 1977.

História das Colónias Portuguesas  CAPAROCHA MARTINS
da Academia das Ciências de Lisboa
HISTÓRIA DAS COLÓNIAS PORTUGUESAS
OBRA PATRIÓTICA
SOB O PATROCÍNIO DO “DIÁRIO DE NOTÍCIAS”

História das Colónias Portuguesas  1.ª PáginaO livro (1) foi composto e impresso em 1933 embora na última página esteja impresso “acabou de se compor o original deste livro, aos 16 de Março de 1934”
História das Colónias Portuguesas  ENCO meu exemplar está encadernado com capas da brochura
Este livro é um das mais apreciados da longa bibliografia do autor (2), ilustrado com numerosas vinhetas ao longo do texto, estampas em folhas à parte e 9 mapas desdobráveis (um deles de Macau).
No prefácio
…A «História das Colónias Portuguesas», que escrevi sob este desígnio, é o pequeno varinel, obra de um artífice humilde, singrando a caminho da alma popular, tripulado por sombras, duendes, fantasmas heróicos a vizinharem com algumas evocações de vivos que ajudaram a cimentar o Império Colonial Português.”
História das Colónias Portuguesas  MAPA 1933“A colónia de Macau é constituída pela cidade do Santo Nome de Deus de Macau, com uns 78.000 habitantes em 10 quilómetros quadrados. Seu principal comércio é o do charão, ópio e sêdas, mas a maior riqueza do encantador domínio é o seu magnífico pôrto. Em construção, embora tardia, aumentar-lhe-á os réditos e a importância. Constitui um governo, um bispado e uma comarca.”
Os capítulos referentes a Macau estão nas páginas 349 a 382 e na terceira parte, dedicado ao Macau do ano 1886 a 1919, nas páginas 647 a 650.
CAPÍTULO XXVII – DA ENTRADA DOS PORTUGUESES EM MACAU ATÉ AO FIM DO DOMÍNIO CASTELHANO.
A acção portugueza contra um pirata chinês- Povoação do Porto de Santo Nome de Deus – Vexames de mandarins e de governadores. (pp. 351- 356)
CAPÍTULO XXVIII – A VIDA DE SUJEIÇÂO DA COLÓNIA
Indiferença da metrópole-Conflitos civis e religiosos – oriente contra os «bárbaros do ocidente». (pp. 357-362)
História das Colónias Portuguesas  MACAU 1897CAPÍTULO XXIX – MACAU E A CELESTIAL DINASTIA
Como continuaram os vexames – Vistas dos ingleses sobre Macau – Uma vitória portuguesa sobre os piratas. (pp. 363-369)
História das Colónias Portuguesas  Palácio do GovernoCAPÍTULO XXX – A LIBERTAÇÃO DE MACAU
A Inglaterra e a posse de Hong Kong – Influência deste acontecimento na vida da cidade de Santo Nome de Deus – O governador João Ferreira do Amaral e os chineses. (pp. 370 – 377)
História das Colónias Portuguesas  Porto de MacauCAPÍTULO XXXI – MACAU E O RECONHECIMENTO DA SUA INDEPENDÊNCIA
Trabalhos diplomáticos – As dificuldades com a China – Os estudos para as obras do pôrto. (pp. 378 – 382)
CAPÍTULO LV – A GRANDE NECESSIDADE DA CONSTRUÇÂO DO PÔRTO DE MACAU
Diligencias para realizar as obras do pôrto – Acção dos governadores – Os religiosos e a instrução nas colónias. (pp.647 -650)
(1) MARTINS, Rocha – História das Colónias Portuguesas. Diário de Notícias, Lisboa Tipografia da Emprêsa Nacional de Publicidade, Lisboa 1933, 698 p. : il. Mapas, quadros. Dimensões: 20 cm x 13,5 cm x 3,5 cm.
Rocha Martins(2) Francisco José da Rocha Martins, mais conhecido por Rocha Martins (Lisboa, 1879 — Sintra, 1952), foi um jornalista, historiador e activista político português (monárquico convicto mas liberal, colaborador nos primeiros momentos do Estado Novo, tornar-se-ia um activo oposicionista do salazarismo), um dos mais prolíficos escritores da primeira metade do século XX, publicando uma vasta obra de divulgação histórica para além de ter publicado diversas biografias e muitas novelas e romances históricos de grande sucesso. Jornalista profissional, trabalhou em diversos jornais e revistas de Lisboa, entre as quais as revistas Serões (1901-1911) (3) e Illustração portugueza  (1903-1923) (4).
http://pedroalmeidavieira.com/indexbh.asp?p/785/1089//R/1723/
Colaborou no argumento do filme «Bocage», longa metragem de ficção portuguesa, musicado, realizada por Leitão de Barros no ano de 1936.(5)
(3) http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/Periodicos/Seroes/Seroes.htm
(4) http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/IlustracaoPort/IlustracaoPortuguesa.htm
(5) Ver cenas do filme em  https://www.youtube.com/watch?v=3gGSdGiRcRM

Em 20 de Fevereiro de 1924 foi atribuído pelo Governo da Província um louvor ao Chefe da Policia de Investigação Criminal, Lao Ngui, pela habilidade e grande zelo demonstrados nas diligências a que procedeu, em Cantão, para a descoberta dos falsificadores de notas do Banco Nacional Ultramarino, e apreensão das máquinas empregadas neste fabrico. (1)
Um exemplar de uma nota de cinco patacas (pagável em Macau em moeda corrente) do Banco Nacional Ultramarino de 1 de Janeiro de 1924 apresentado no site (2)

NOTA BNU 5 ptcs 1924À esquerda, um navio a vapor (emblema do banco) (3) e
à direita um junco (referente a Macau)

NOTA BNU 5 ptcs 1924 verso
Recorda-se que no ano de 1924 a “Colónia” teve uma quebra das receitas por perda da exploração do exclusivo do ópio “descera das 263 668 patacas de média mensal para cerca de 22 000 nesse mês de Julho, com uma perspectiva para o mês de Agosto, que dizem, a custo chegará a 70 000 (carta do gerente em Macau, Monteiro Lopes, enviada a 29 de Julho de 1924). (4)
Também nesse ano, 1924, devido a tumultos em Cantão, muitos refugiados procuraram Macau. Foi a primeira vez que Macau ultrapassou os 100 mil habitantes, tendo cerca de 193 175. Quando os tumultos passaram nem toda a gente regressou a Cantão. A população em Macau baixou, mas mesmo assim registaram-se 120 mil habitantes. (1)
(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4.
(2) A nota foi impressa por “Thomas De La Rue & Company Limited, London, England.
http://www.worldbanknotescoins.com/2014/09/macau-banknotes-5-patacas-1924-banco-nacional-ultramarino.html
Emblema BNU(3) Da redacção dos primeiros Estatutos do BNU consta que o selo do Banco terá por emblema um navio a vapor com a legenda na parte superior “Banco Nacional Ultramarino” e na inferior “Colónias, Comércio e Agricultura
(4) Citado em: http://banconacionalultramarino.blogspot.pt/2011/07/bnu-macau.html

Carta escrita por Ebenezer Townsend Jr., supercargo (oficial dos navios mercantes, encarregado da carga e dos assuntos comerciais da viagem) a bordo do “Neptune” (1) na sua viagem pelo Pacifico Sul, Cantão e Penang, entre 1796-1799.

«Caro Irmão…
À 1 P.M. (24 de Outubro) ancorámos na rada de Macau numa profundidade de cinco braças e fomos a terra buscar um piloto para Cantão – a nossa primeira tarefa foi ir visitar o Governador (2) e a seguir o Comodoro dos navios ingleses na Taipa, que eram então comandados pelo Capitão Turner. Suponho que não tínhamos obrigação de ir cumprimentar este inglês, mas é costume, e eu senti satisfação ao ouvir ali um cavalheiro inglês que havia estado algum tempo na América e pensava que a casa pública de Butler em New Haven era melhor em que tinha estado e preguntou-me se já lá tinha estado – fundada em Peters, ordinariamente chamada a única casa pública…(…)
Há grande número de belos edifícios. A cidade é muralhada e muito bem fortificada. O chamado porto interior é bom com cerca de 13 pés de água, mas as fragatas ancoram na Taipa. Há agora treze navios de velas redondas e vários barcos menores no porto interior. O tufão não lhes causou prejuízos, pois o porto é como um lago. Os barcos que aqui estão carregam de cem a centenas de toneladas.
No verão é lugar de residência para os sobrecargos e empregados da East India Company, visto que nessa estação não se faz negócio em Cantão, e aqui podem viver mais economicamente e mais agradavelmente do que em Cantão.
Eu, porém, vi pouco que me agradasse. Vi poucas mulheres portuguesas nas ruas, mas elas estavam de tal forma cobertas com um véu que eu não posso dizer se eram bonitas ou feias; porém, se é verdade o que dizem, eu poderia ter examinado mais intimamente as suas feições por uma pequena compensação.
Comprámos ovos e laranjas – cem por meio dólar – e bom vinho no hotel – uma garrafa por ¾ de dólar.
Há cerca de doze igrejas (3) e uns 4.000 habitantes (4) no máximo; eles vão à igreja, mas são falhos de iniciativa. No início o estabelecimento era muito florescente; mas a riqueza, que o ergueu, foi provavelmente a causa do seu declínio; tornaram-se faustosos e enervados”

The Diary of Ebenezer Townsendhttps://archive.org/details/extractformsicdi00town

(1) The Original Diary of Ebenezer Townsend, Jr. While on Board the Supercago of the «Neptune» 1798  in TEIXEIRA, M – Macau através dos séculos , p 31.
(2) O Governador nesse ano, era D. Cristóvão Pereira de Castro (1797-1800)
(3) Sé, S. Lourenço, St.º António, S. Lázaro, S. Paulo, S. José, S. Domingos, S. Agostinho, S. Francisco, Stª. Clara, St.º Casa e N. Sr.ª da Penha.
(4) A 8-8-1777, o Bispo D. Alexandre Pedrosa Guimarães dizia que «todos os Cristãos de Macau assim velhos como moços e crianças de peito, pretos e brancos de yum e de outro sexo não chegarão a 6.000 e muito fracos» (TEIXEIRA, M. – Macau e a sua Diocese, II, p. 261); Bocage em 1789-1790 dizia que havia em Macau «cinco mil nhon´se chinas cristãos».