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A 13 de Julho de 1635, aportou a Macau o “London” o primeiro navio inglês que veio à China. (1) O investigador Rogério Puga (2) refere a data de 23 de Julho:  “Após a suposta estada do escocês William Carmichael em Macau, um grupo de ingleses, acompanhados pelo feitor português Gaspar Gomes, parte, por proposta do vice-rei Conde de Linhares, de Goa a bordo do London em Abril de 1635 (sob o comando de Mattthew Willis)  e chega à China a 23 de Julho, sendo recebidos com relutância quer pelos feitores portugueses que com eles viajam, quer pela oligarquia local. Gomes deve assegurar-se de que os marinheiros ingleses não causam distúrbios, não ofendem os residentes durante celebrações religiosas, ou bebem demasiado álcool, punindo severamente qualquer ofensa. De início não são os residentes de Macau que dificultam o desembarque dos ingleses, mas sim os portugueses que que viajem no London, travando as duas partes uma luta de interesses que termina duas semanas mais tarde, quando os agentes e três empregados da E.I.C. (“East India Company“) são autorizados a estabelecerem-se em terra- O vice-rei de Goa havia proibido secretamente o desembarque” (3)

A primeira viagem comercial dos ingleses à China seria em 1637 quando Carlos I envia à China o Cap. John Weddell para abrir comércio com o Império do Meio; essa expedição de três navios chegaram a Macau em 1637; daqui seguiu para Cantão, onde tentou entrar pela força. Mas aos 6 meses de tentativas inúteis, retirou-se. Dado à falta de tacto deste homem, os ingleses tiveram de esperar quase um século. (4) Só em 1715, os ingleses foram autorizados a construir nos subúrbios de Cantão e nas margens do rio uma feitoria e ali iam comerciar todos os anos os navios britânicos

(1) Segundo A. Marques Pereira (“Ephemerides Commemorativas…”) data retirada de “Chronology”

(2) Anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rogerio-miguel-puga/

 (3) PUGA, Rogério Miguel – A Presença Inglesa e as Relações Anglo Portuguesas em Macau (1635 -1793). 2009, pp. 41-42

CAPA

Este livro editado pelo Centro de História de Além-Mar da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa/Universidade dos Açores e pelo Centro Científico e Cultural de Macau, I.P. foi publicado em 2009, 207 p. (ISBN 978-989-95563-4-8), 24 cm x 17 cm.

Conracapa

Posteriormente foi publicado a versão inglesa (tradução suportada pela Universidade de Macau) com edição da Royal Asiatic Society Books/ Hong Kong University Press, em 2013 “The British Presence in Macau 1635-1793”.208 p. ISBN 978-988-8139-79-8; 23, 5 cm x 15,5 cm.

A versão inglesa está acessível para leitura em: https://hkupress.hku.hk/pro/con/878.pdf

Contracapa

(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. I e Vol. 2, 1997.

Data atribuída à chegada de Peter Mundy a Macau, o dia 5 de Julho de 1637 (1) (2) (3). No entanto, a frota onde vinha Peter Mundy) do capitão John Weddell e Nathaniel Mountney, comandantes da esquadra de quatro navios e duas pinaças enviada a Cantão em 1637 pela Courteen Association (com licença régia concedida em 1635 pelo rei inglês Carlos I) (4), chegou à Ilha da Montanha no dia 27 de Junho de 1637 e já no dia 28 de Junho, o próprio Peter Mundy com John Mountney e Thomas Robinson foram enviados à terra numa lancha com as cartas do rei e do Almirante dirigidas ao capitão General de Macau, Domingos da Câmara de Noronha para obter autorização para ancorar na Ilha da Taipa.
A tripulação dos navios estrangeiros estavam proibidos de ir à terra nem eram permitidas visitas a bordo – interditos todos os contactos dos estrangeiros com os locais – com excepção dos convites oficiais por parte as entidades de Macau (e nessa qualidade Peter Mundy pode visitar e descrever no seu diário (5) as impressões de Macau, bem como desenhos) ou a visita à frota inglesa do Procurador de Macau (no dia 28 de Junho de 1637) e do mandarim chinês no dia 1 de Julho.
Peter Mundy terá visitado ao Igreja e Convento de S. Paulo no dia 07-07-1637 (6)
Mais um pequeno extracto do diário (7) correspondente ao dia 8 de Outubro aquando da visita à cidade a convite do governador e do Conselho da Cidade a 4 individualidades, o comandante Weddell, o pastor, Cristopher Parr (comissário do Dragon) e Peter Mundy tendo este descrito o jantar “numa bela casa ricamente mobilada com baixela de prata, biombos, cadeiras, alcovas, tapeçarias …(…)
O nosso jantar foi servido em baixela, sendo a meu ver muito bom e saboroso; mas a maneira de servir era muito diferente da nossa, pois a cada pessoa era servida uma porção igual de cada espécie de carne, trazida em duas salvas de prata, sendo repetidas algumas vezes, pois antes de acabar um prato, já estava outro pronto para ser servido. O mesmo sucedia com as bebidas: cada um tinha uma taça de prata numa bandeja; apenas esvaziada, era de novo cheia com excelente e bom vizinho português pelos serventes que ali estavam prontos para esse fim. Havia também variada e boa música de canto, harpa e guitarra… (…)
… Neste lugar há muitos homens ricos, trajando à maneira de Portugal. As suas mulheres, como as de Goa, vestem-se com saraças e condês, (8) este sobre a cabeça e as outras do meio do corpo até aos pés, e andam calçadas de chinelas chatas, É este o trajo ordinário das mulheres de Macau. Só as de melhor categoria são transportadas em cadeiras à mão, como as cadeirinhas em Londres, todas totalmente cobertas algumas das quais são muito caras e ricas, trazidas do Japão. Mas quando saem sem elas, a patroa dificilmente se distingue da criada ou escrava pela aparência exterior, todas inteiramente cobertas, mas as suas saraças ou (?chailes) são de melhor qualidade. “(3)
No Volume III, Part. II do mesmo livro, logo no início, o autor descreve a partida de Macau: Dezembro de 1637/ Janeiro de 1638
(1) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 1, 1997.
(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Macau através dos séculos, 1977).
(4) Terá sido a primeira embaixada britânica de comércio à China. Em 13 de Julho de 1635, após autorização aos ingleses de comerciar nos portos portugueses, dava entrada em Macau, o primeiro barco inglês. (2)
(5) Peter Mundy (1600-1667?) natural da Cornualha, mercador, viajante, é considerado um dos mais famosos viajantes ingleses pelas suas muitas viagens pela Europa e Àsia.
Sir Richard Carnac Temple (1850-1931) e Miss Lavinia Mary Anstey editaram (adaptação e comentários) com o patrocínio da Hakduyt Society, em 1907, os diários de Peter Mundy com o título “The Travels of Peter Mundy in Europe and Asia (1608-1667)”  em 5 volumes.
As referências a Macau encontram-se principalmente no Vol. III, Part. 1:
Imagens extraídas de:
https://archive.org/stream/travelsofpetermu31mund#page/n7/mode/2up
(6) A data provável da conclusão da fachada de pedra da Igreja da Madre de Deus (SD. Paulo é de 1637.
(7) Ver anteriores referências a Peter Mundy em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/peter-mundy/
(8) O Condê era uma espécie de véu que cobria a cabeça e o tronco e a saraça um vestido de linho fino, que se segurava ao condê e ia da cintura aos pés. Quando o condê caía, apareciam as imodestas O bispo D. Alexandre Pedrosa Guimarães condenou este trajo em 1779, pois dizia ele, quando o condê «cai, se descompõem indecorosamente nos lugares mais modestos» (3)
No Volume III, Part. II do mesmo livro, logo no início, o autor descreve a partida de Macau: Dezembro de 1637/ Janeiro de 1638.
Imagens extraídas de:
https://archive.org/stream/travelsofpetermu32mund#page/n7/mode/2up

Foi reformada, nesta data,  a estadia de chineses residentes na cidade, proibindo-se aos proprietários de lhes alugar os seus chales, boticas e casas, a não ser àqueles que negociassem em comestíveis e aos artífices, devendo ser aquarteladas o mais possível no bazar, sendo ao mesmo tempo ordenada a construção duma muralha, desde as casas de António José da Costa até ao gudão (armazém) da Praia Pequena, a fim de se evitarem os contínuos embarques e desembarques dos chineses na cidade. Foram também proibidos o estabelecimento de quaisquer lojas chinesas de comestíveis ou bebidas fora do bazar e o aluguel de lojas situadas nas praias (1)
Recorda-se que D. Francisco Mascarenhas, Fidalgo da Casa Real, Capitão-Geral e primeiro Governador da Cidade de Macau, funções que assumiu em 17 de Julho de 1623, foi quem mandou cercar a cidade com uma muralha e aperfeiçoou o sistema de fortificação. Posteriormente foram-se acrescentando outras mais pequenas e “interiores” .

Mapa Macau Barreto Resende 1635As muralhas já existentes em Macau depois de 1630
Planta de Macau desenhada por Barreto de Resende para uma das vias originais do Livro das Fortalezas da Índia Oriental do cronista António Bocarro (ms. Goa, 1635) (2)

(1) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau.
(2) http://www.ub.edu/geocrit/sn/sn-218-53.htm-
Este mesmo mapa já publicado em anterior “post” (embora “a preto e branco”) com indicação de «Macau em 1632» :
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/09/leitura-ragionamenti-di-francesco-carletti-fiorentino-sopra-le-cose-da-lui-vedute-ne%C2%B4suoi-viaggi-si-dell%C2%B4indie-occidentali-e-orientali-come-d%C2%B4altri-paesi/