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Extraído do «BGC» XXVI n.º 307,  1951
NOTA: Esta mesma festividade noticiada por outra fonte –revista “Mosaico” de Macau- foi publicada em postagem anterior de 13/11/2014:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/11/13/noticia-de-13-de-novembro-de-1950-gruta-de-nossa-senhora-de-fatima-no-aquartelamento-de-mong-ha/

Em 23 de Setembro de chegou a Macau, na nau Rainha dos Anjos, Carlos Ambrósio Mezabarba, Patriarca de Alexandria e Legado do Papa. (1) Na mesma nau vinha uma carta de D. João V, com data de 21 de Março de 1720, recomendando ao bispo Casal (2) que recebesse bem o Legado e lhe pedisse absolviçãio das censuras.
O Legado desembarcou na Praia Pequena, no dia 26 de Setembro e foi bem recebido pelo bispo, governador, cidadãos e mais moradores da cidade. A nau «Rainha dos Anjos» regressou, em vésperas do natal de 1921, mas ardeu ao largo do Rio de Janeiro em 16 de Junho de 1722 e com ele os preciosos presente do Imperador da China para o Rei de Portugal (3)(4)
O Patriarca D. Carlos Melchior de Mezzabarba partiu de Macau a 07 de Outubro de 1720, para Cantão (de barco até à Casa Branca), a fim de seguir para Pequim. De notar que Mezzabarba foi bem recebido, ao contrário de Tournon; (5) porque Mezzabarba veio por Lisboa, mostrando que o Papa Clemente XI reconheceu os direitos do Padroado Português do Oriente, e Tournon não. (6)
(1) Carlo Ambrogio Mezabarba (1685 -1741) Ordenado padre em 1718 e consagrado Bispo em 1719. Em 18 de Setembro de 1719 foi nomeado por Clemente XI, patriarca titular de Alexandria. O pontífice enviou-o à China (Novembro de 1719) com o título de “Legato a latere” como legado pontifício a fim de resolver a questão dos ritos chineses mediando entre o imperador Kangxi de um lado e os missionários jesuítas do outro. Reuniu com o rei de Portugal em Lisboa e chegou a Macau em 1720. Esteve em Pequim de Dezembro desse ano até Fevereiro de 1721.Mezzabarba defendeu o decreto papal de 1715 e condenava os ritos o que desagradou o Imperador. Este esperava que o enviado papal pudesse explicar ao papa a posição do imperador. Mezzabarba deixou Pequim em Março de chegou a Macau em Maio de 1921.
Mezzabarba foi o sucessor de Carlo Tommaso Maillard de Tournon (legado de 1703 a 1707). (5)Mezbarba regressaria a Roma com os restos mortais de Tournon em finais de 1721). Devido ao insucesso da sua missão, esteve sete meses em Macau onde promulgou a carta pastoral aos missionários na China onde não tencionava suspender o decreto papal de 1715 mas introduzia oito permissões nos ritos. Saiu para Roma em Dezembro de 1721 via Brasil e Portugal chegando a Roma em Abril de 1723.
Em 23 de Julho 1725 foi nomeado Bispo de Lodi onde faleceu em 7 de Dezembro de 1741.
href=”https://it.wikipedia.org/wiki/Carlo_Ambrogio_Mezzabarba”>https://it.wikipedia.org/wiki/Carlo_Ambrogio_Mezzabarba
http://www.bdcconline.net/en/stories/m/mezzabarba-carlo-ambrogio.php
DUCREUX, Gabriel Marin – Continuacion a la historia eclesiástica general o Siglos del christianismo del Abade Ducreux que compreende desde o ano de 1700, em que a concluiu o autor, até ao actual Pontificado de P. Pio VI., pelos tradutores da dita obra. TOMO XIV, 1792, pp. 235-236.
CASTILLO y MAYONE, Joaquin del – Frailismonia, o grande historia de los frailes… obra escrita con toda …, 1836, pp. 129-130
(2) Anteriores referências ao Bispo D. João do Casal em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-joao-do-casal/
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(4) 6-05-1721 – Chegaram a Macau os presentes enviados pelo Imperador da China a D. João V e Clemente XI, sendo recebidos por três companhias de soldados e salvados pela fortaleza do Monte. Estes presentes vieram muito bem acondicionados, em 48 caixas acharoadas de amarelo, procedendo o Patriarca D. Carlos Melchior de Mezzabarba que, regressando de Pequim, entraria, no dia seguinte, com faustosa recepção de arcos triunfais, tropas, salvas, repiques e luminárias.(6)
(5) Carlos Tomás Maillard de Tournon, patriarca de Antioquia. Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-tomas-maillard-de-tournon/
(6) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 2, 1997)

Esta notícia do «Boletim Geral do Ultramar» terá sido a fonte original (1) para uma posterior reportagem inserida no «Diário da Manhã, “40 anos na vida de uma nação”, 1966 que foi publicada neste blogue em 24 de Agosto de 2017. (2)
(1) Extraído de «BGU»  XXXVII, 436-438.
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/08/24/noticia-de-24-de-agosto-de-1961-d-paulo-tavares-bispo-de-macau/
Anteriores referências a este bispo em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/08/24/noticia-de-24-de-agosto-de-1961-d-paulo-tavares-bispo-de-macau/

Foi a 13 de Setembro de 1903 que o Padre José António Gomes, então Pároco de Santo António, (1) fundou nesta igreja a benemérita «Obra do Pão dos Pobres», (2) cujo jubileu se celebrou no dia 13 de Setembro de 1953, com toda a solenidade. O 50.º aniversário da fundação do Pão dos Pobres em Macau foi um dia de duplo agradecimento: a Sto. António pelos inumeráveis favores dispensados a todos os benfeitores dos seus pobres; e a todos os benfeitores desta simpática obra de caridade. Socorreu milhares de lares indigentes, continuando no ano de 1953 a minorar a fome a 200 famílias com os dez picos de arroz que lhes distribui mensalmente, além de outras esmolas particulares em dinheiro. (3) Em 1955, a acção benéfica alargava-se para 250 pobres, na sua maioria chineses e concedia esmolas, no valor de $150,00 a pobres a quem o arroz não era distribuído.

O altar do Pão dos Pobres na igreja de Santo António (1953)

Durante os 50 anos (1903 – 1953), o Pão dos Pobres de Santo António distribuiu o elevado número de 17.790 picos de arroz, estendendo também por vezes a sua caridade aos pobres das suas missões da China.
O cofre colocado na Igreja Paroquial representava a maior fonte de receitas da Ora. Tinha um letreiro com uma indicação: “pão dos pobres”. O cofre rendia, em média, mensalmente a quantia de $300,00, pelo que com as ofertas generosas de algumas pessoas, não era preciso recorrer-se a peditórios. Outra fonte da receita provinha da Comissão Central de Assistência Pública que contribuía para esta Obra a soma de $166,66 mensais. Também o soldo de Santo António, (4) como Capitão da Cidade, concedido pelo Leal Senado das Câmara de Macau, na importância de $1.200,00anuais, revertia integralmente a favor desta Obra.
(1) O aparecimento da «Obra do Pão dos Pobres» deveu-se ao Reverendo Dr. António José Gomes, sacerdote ligado às iniciativas no campo do apostolado missionário e caritativo, pois a Santa Infância e as leprosarias muito ficaram a dever a este homem. Em 1953 era pároco o padre José António Monteiro. Após o seu falecimento ficou o Cónego Manuel Pinto Basaloco.
(2) A Obra Pão dos Pobres nasceu e cresceu em Toulon (França), sob os auspícios de Santo António e rapidamente se estabeleceu em um grande número de cidades da França, depois em Itália, Espanha, Portugal e outras nações da Europa. e depois em todos os continentes. Esta obra, em Macau, encontrava-se agregada à Paróquia de Sto. António e a sua administração estava a cargo do respectivo pároco.
(3) Recebeu dos seus generosos amigos e benfeitores, durante o mesmo período, a avultada soma de $ 187.421,43, contribuição sobretudo dos católicos macaenses e chineses.
(4) É muito remota a origem da concessão deste soldo, talvez se remonte às origens desta cidade. É curioso notar que este soldo esteve interrompido durante três anos, pelos meados do último quartel do século XVIII. Por esta altura pesadas tribulações caíram sobre Macau, o que levou o povo a considerar a crise como castigo pelo corte do soldo a Santo António. O que é certo é que o Senado se viu na contingência de lhe mandar «assentar a sua praça com o vencimento de Capitão da Cidade».
Informações e fotos retiradas de «Macau B. I.»,  1953 e 1955.

As imponentes ruínas da Igreja de São Paulo erecta, pelos jesuítas, em 1594 -1602, dá acesso uma magestosa a vasta escadaria maior, muito maior do que a do célebre Capitólio de Roma.
O Seminário, que lhe estava anexo, foi, no Século XVII, um grande centro de instrucção e influência política portuguesa no Extremo Oriente.
Depois da expulsão dos Jesuítas, pelo Marquez de Pombal, de 1759, passaram, Seminário e Convento, a servir de quartel militar, até que, em 1835 , toda a fábrica foi devorada por um incêndio. A fachada do templo, toda em lavrada cantaria trabalhada por obreiros japoneses, segundo os clássicos móldes jesuíticos, escapando ao pavoroso sinistro, conserva-se intacta em bom estado, sendo digna de sêr visitada pelos forasteiros.”
Do «Anuário de Macau» 1921.

Extraído de «Ephemerides da semana» de A. Marques Pereira  in Bol. do Gov. de Macau XII-36, 1866.
NOTAS:
1 – O governador era Diogo de Pinho Teixeira (tomou posse em 5 de Agosto de 1706 e governou até 28-07- 1710). Teve um mandato muito complicado com as constantes desavenças com o Senado de Macau e com o Bispado (por causa das contendas entre partidários do Patriarca de Antioquia e os do Padroado Real)
Anteriores referências neste blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/diogo-de-pinho-teixeira/
2 – O Patriaca de Antioquia desde 1701, era o legado apostólico Carlos Tomás Maillard de Tournon (1668-1710) que chegou a Macau, pernoitando apenas na Ilha Verde, a caminho de Cantão tendo sido enviado à China, pelo Papa Clemente XI, para acabar com as controvérsias entre os jesuítas e os missionários de outras ordens, sobre os Ritos Chineses. Faleceu em Macau a 8 de Junho de 1710, pouco depois de receber o barrete cardinalício.
Anteriores referências  aeste Patriarca em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-tomas-maillard-de-tournon/ 
3 – Devido à ocupação e à independência de Portugal de Espanha  e à disputa quanto à nomeação do novo bispo , desde 1633 (o último Bispo foi D. Diogo Correia Valente de 1630 a 1633) até 1690 ficou vaga o lugar de Bispo de Macau. O Bispo D. João do Casal (1641-1735), do hábito de S. Pedro, foi nomeado em 1690 por D. Pedro II, confirmado pelo Papa Alexandre VII, que na mesma data criou as Dioceses de Macau, Nanquim e Pequim, como distintas, cada um com o seu Bispo. D. João do Casal chegou a Macau tomando posse em 1692, instituiu o Cabido de Macau em 1698,  foi Provedor da Misericórdia, em 1706, e Governador Interino de Macau, em 1735. Faleceu em 20-09-1735, em Macau tendo sido sepultado na Sé Catedral-
Anteriores referências ao Bipso D. João do Casal em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-joao-do-casal/
Informações de: SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 1 e 2,  1997)

Artigo do jornal “Diário da Manhã”, 1966 –  “40 anos na vida de uma nação”
Paulo José Tavares – 维理mandarim pinyin: Dai Weili; (1920-1973) ordenado padre a 24 de Abril de 1943, com uma longa carreira diplomática na Secretaria de Estado da Santa Sé de 1947 a 1961, foi nomeado Bispo de Macau, a 24 de Agosto de 1961, Distúrbiospelo Papa João XXIII, tendo chegado e tomado posse no dia 27 Novembro de 1961 (e não, em 1964 como é noticiado no jornal). Tomou parte em todas as sessões do Concílio Vaticano II, de 1962 – 1965. Durante o seu governo, registou-se um desenvolvimento espectacular na área da assistência social aos necessitados e da educação da juventude dirigida pela Diocese de Macau. Durante o seu bispado (até 1973), houve a remodelação das paróquias da cidade de Macau com nova divisão territorial, a construção da igreja paroquial de Nossa Senhora de Fátima e a da missão de Nossa Senhora das Dores em Ká Hó e a ampliação de 20 estabelecimentos assistenciais e educacionais. Criou o Conselho as Escolas Católicas em 6 de Março na sequência dos distúrbios de «1,2,3) para defender a liberdade do ensino nas escolas católicas, mas não conseguiu manter o Seminário de S. José que fechou no Verão de 1967. Nomeou o primeiro padre chinês para Vigário Geral, António André Ngan Im Ieoc. Faleceu em Lisboa a 12 de Junho de 1973. Os seus restos mortais foram sepultados na terra natal, Açores.