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Extraído de «BGC», VIII- 86/87 AGO/SET 1932 p.187

NOTAS: I – José Pedro Braga nasceu em Hong Kong em 3-8-1871  e faleceu em Macau (como refugiado de guerra de Hong Kong,  vivia com o filho José Maria Braga) em 12-02-1944 Era o 8.º filho de Vicente Emílio Rosa Braga (Macau 2-12-1834- Kobe 1900) e  de Carolina Maria de Noronha. Em 1927 foi o primeiro membro da comunidade portuguesa de Hong Kong a ser eleito para o «Sanitary Board» (hoje «Urban Council») e em 1929 foi convidado pelo Governador, Sir Cecil Clementi, para membro do «Legislative Council». Era cavaleiro da Ordem de Cristo, por decreto de 16-03-1919. Era também membro da Ordem do Império Britânico (O.B.E.) (FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume III, 1996, p.325) + https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jack-m-braga-jose-maria-braga/

II – «A Voz de Macau», periódico republicano, impresso na tipografia do mesmo nome, e publicado às terças, quinta e sábados, começou a 1 de Setembro de 1931, do director Henrique Nolasco da Silva, proprietário e redactor principal Domingos Gregório da Rosa Duque, assumindo este em 18 de Dezembro de 1932 a direcção do jornal de que era fundador e director de facto. Em 1 de Outubro de 1931, passou «A Voz de Macau» a ser diário, que manteve durante 16 anos (o primeiro a manter um jornal tanto tempo em Macau) até à sua morte em 16 de Agosto de 1947. (TEIXEIRA, Pe. Manuel – Imprensa Periódica Portuguesa no Extremo Oriente, ICM, 1999, pp. 144-148)

Ver também em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/a-voz-de-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/domingos-g-da-rosa-duque/   

III – Sobre a Companhia de Cimento da Ilha Verde ver em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fabrica-de-cimento-ilha-verde/ .

Entrou em Macau no dia 23 de Agosto de 1708, desgovernada e desmastreada por um tufão que a assaltara, a fragata Nossa Senhora das Neves que vinha de Goa, comandada pelo capitão-de-mar-e-guerra Jerónimo de Mello (Pereira), trazendo como passageiros, feitor por sua Magesta Miguel Pinto, Tenente D. Henrique de Noronha e o Capitão de Infantaria António de Albuquerque Coelho, (1) que mais tarde seria Governador de Macau. (2) (3)  

A fragata entrou no porto desarvorada, sem mastros nem leme, e a ré sem beque, (e, por isso, saracoteando-se) sendo precizo ir (outras) em embarcações rebocá-la para dentro, por cauza do grande temporal que apanhou na altura de 19 graos (golfo de Tonquim, junto à ilha de Hainão). Ficou em Macau, de invernada para se consertar” (4)

“A fragata N.ª Sra.ª das Neves, de Sua Majestade (ou do estado da Índia, a que Macau e Timor estavam sujeitos), chegou pela primeira vez à cidade do Nome de Deus, na primeira metade de Agosto de 1703 sob o comando do capitão-de-mar–e-guerra Luís Teixeira Pinto e trazendo o governador e capitão-geral desta cidade José da Gama Machado (tomou posse a 15-08-1703).  Recolheu a fragata a Goa, antes do Inverno, levando o governador cessante (Pedro Vaz de Sequeira). No dia 23 de Agosto de 1708, o mesmo barco de guerra chega de Goa… (…). A sua oficialidade, entretanto, causou grande inquietação na Cidade do Nome de Deus. Foi o caso do célebre romance amoroso entre António Albuquerque Coelho (1) e a órfã Maria de Moura. A infantaria da fragata, com o seu comandante, aquartelou na Casa de Campo de S. Francisco (que, por volta de 1780, era de Francisco Josué, natural de Vila do Mato, Beira, e seu pai; em 1801, de um filho do mesmo nome). Albuquerque demorou-se em Macau, com os seus soldados e a fragata, até ao 1.º de Agosto de 1714, dia do enterro, na Igreja de S. Francisco, de sua esposa, falecida do segundo parto. Em 13-11-1715, a Sr.ª das Neves já não existe por talvez nunca se ter recomposto do temporal que a colheu, em 1708, e da invernada seguinte em Macau.” (3)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-albuquerque-coelho/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/08/23/noticia-de-23-de-agosto-de-1708-fragata-nossa-senhora-das-neves/

(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1952

 (3) PIRES, Benjamim Videira – A Vida Marítima de Macau no Século XVIII, 1993, p. 26

(4) BRAGA, Jack  M.  – A Voz do Passado, 1987,p.25

Livro de Jack M. Braga (1) (2) “Primórdios da Imprensa em Macau”, trabalho publicado em português, anteriormente em quatro números sucessivos no “Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau”, iniciados em Dezembro de 1964 e em 1965 (3). O trabalho original em inglês foi publicado em 1963 pelo Centro de Estudos Ultramarinos (4).

(1) BRAGA, Jack M. – Primórdios da Imprensa em Macau. Edição do Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau, 1965, 120 p., 26,3 cm x 19 cm x 0,7 cm.

(2) Sobre Jack M. Braga ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jack-m-braga-jose-maria-braga/

(3) Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau. – Ano e vol. LXII, n.º 726 Dezembro (1964), p. 967-998. Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau. – Ano e vol. LXIII, n.º 727 (1965), p. 50-83. Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau. – Ano e vol. LXIII, n.º 728 (1965), p. 166-195. Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau. – Ano e vol. LXIII, n.º 729 (1965), p. 251-270

Página de rosto do livro xilogravado do Padre Miguel Ruggiere, S. J., impresso em Macau em 1585. Foi o primeiro livro impresso em Macau. (Arquivos da Companhia de Jesus em Roma; reproduzido de “Primórdios da Imprensa em Macau”, de Jack M. Braga, edição do Boletim Eclesiástico da Diocese de Macau-1965)

(4) BRAGA, J. M. – The beginnings of printing at Macao. Centro de Estudos Ultramarinos (Portugal). (Separata de STVDIA — Revista Semestral— N.º 12-Julho 1963), Lisboa, 109 p.

Este original, em inglês, contém um Anexo IV que não consta na versão portuguesa. Este Anexo IV contém cópias de duas cartas, a primeira endereçada por Miguel de Arriaga Brum da Silveira de Macau em 29 de Dezembro de 1818 à Sua Majestade e a resposta assinada por José Joaquim da Silva Freitas, Conde dos Arcos, Secretário de Estado, do Palácio de Rio de Janeiro em 1 de Outubro de 1819, com aprovação do pedido dos Padres do Colégio de S. José em utilizar o uso de máquinas impressoras de papéis e livros necessários para a missão evangelizadora.

Encontra-se disponível para leitura em: http://library.um.edu.mo/ebooks/b31042132.pdf. https://nla.gov.au/nla.obj-239503782/view?partId=nla.obj-239616841#page/n4/mode/1u        

Encadernação de época de lombada em papel

Livro fundamental para quem quiser saber cronologicamente por dias, meses e ano, a história de Macau, de Luís Gonzaga Gomes editado em 1954, pelo “Notícias de Macau», o XII volume da «Colecção Notícias de Macau, embora , como afirma o autor, não seja precursor, em Macau, deste tipo de documentação histórica por datas, numa sequência lógica.
Livro composto e impresso nas oficinas do Jornal «NOTÍCIAS DE MACAU», Calçada do Tronco Velho, n.º 6-8, Macau- Oriente (1)

Luís Gonzaga Gomes na sua introdução, elabora uma pequena “história” deste tipo de trabalho, e justifica a publicação do presente livro.
“ O primeiro trabalho no género do que presentemente apresentamos foi efectuado por A. Marques Pereira e publicado, e em números sucessivos do Boletim do Governo da Província de Macau e Timor de 1867. No ano seguinte, este trabalho foi editado, em forma de livro, por José da Silva, com o seguinte título “Ephemerides Comemorativas da História de Macau e das Relações com os povos christãos,”, por A. Marques Pereira, (2) antigo secretário da Legação de Portugal na China, Procurador dos Negócios Sínicos d Cidade de Macau, Membro honorário da Real Sociedade Asiática (Inglesa), Cavalheiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição, etc.
Em 1922 apareceu no Anuário de Macau um trabalho idêntico, porém, mais simplificado mas quase todo baseado nas “Ephemerides” de A. Marques Pereira.
Em 1842 a revista «Religião e Pátria» reproduziu, na íntegra, o trabalho aparecido no Anuário de Macau. Em 1944, o semanário «União» publicou trabalho idêntico mas, infelizmente, com muitas gralhas tipográficas, na parte respeitante às datas, registando, todavia, vários acontecimentos não mencionados em trabalhos anteriormente publicados.
Com o aparecimento de inúmeras obras de investigação, sobre assuntos referentes à actuação dos portugueses no Extremo-Oriente, conscienciosamente feitas por Jordão de Freitas, Frazão de Vasconcelos, Armando Cortesão, Manuel Múrias, Albert Kammerer, Dr. José C. Soares, C. R. Boxer, J. M. Braga, Pe. M. Teixeira, Pe. A. Silva Rego e outros, bem como a publicação dos “Arquivos de Macau”, surgiu a possibilidade de se elaborar um novo trabalho deste género, só com factos referentes a Macau, que publicamos, em 1950, na revista «Mosaico».
Este trabalho, depois de refundido e muito acrescentado, volta agora a aparecer, pela necessidade que existe duma obra, onde os que se interessem pela história desta província ultramarina podem encontrar breve notícia daquilo que lhes exigira muito tempo perdido em busca e rebusca por bibliotecas, pois tudo quanto se tem publicado sobre Macau…”

(1) GOMES; Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau. Notícias de Macau, 1954, 267 p., 18 cm x 11,5 cm x 2 cm.
Anteriores referências a L. G. Gomes em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/luis-gonzaga-gomes/
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-feliciano-marques-pereira/

Notícia de Macau, de 10 de Outubro de 1945, , enviada pelo correspondente especial da «Reuter, J. Braga (José Maria Braga) e publicada no «BGC»

Extraído de «BGC»  XXI-244 OEUT1945 pp. 136
Ver anteriores telegramas enviados de Macau após a guerra:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/10/10/noticias-de-10-de-outubro-de-1945-telegramas-de-macau-apos-a-guerra-i/

“Slide”digitalizado da colecção “MACAU COLOR SLIDES  KODAK EASTMAN COLOR” comprado em finais da década de 60 ou princípio de 70 (séculoXX), se não me engano, na Foto Princesa (1) Foi inaugurada a 16 de Setembro de 1954, em Macau, no então recente aterro da Praia Grande, em frente do antigo Palácio das Repartições Públicas o pedestal e a estátua que foi feita em pedra liós, da autoria do escultor Euclides Vaz, ao primeiro português que veio à China, Jorge Álvares. (2) (3)
O Engenheiro José dos Santos Baptista, Chefe da Repartição Técnica da Obras Públicas discursou, tendo salientado:
“ … após abertura do concurso promulgado pelo Ministro do Ultramar , o júri do concurso classificou , em primeiro lugar, o trabalho do escultor Euclides Vaz, a quem, em Setembro de 1953 , foi feita a adjudicação da obra. Em Maio deste ano (1954) chegaram a Macau, no paquete «Índia», todas as peças do monumento.
Elaborado o projecto da sua localização e montagem pela Repartição Técnica das Obras Públicas, é a respectiva execução posta a concurso e, depois, adjudicada ao empreiteiro Vá San. A montagem foi iniciada em fins de Julho e ficou concluída em fins de Agosto…. (…)
Falou de seguida, o Presidente do Leal Senado, António de Magalhães Coutinho, que traçou resumidamente a biografia de Jorge Àlvares.
Finalmente o Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro usou da palavra, enaltecendo profundamente o acto. Saliento uma pequena passagem:
“A viagem de Jorge Álvares e a documentação que lhe confirma o lugar de pioneiro nos contactos do Ocidente com o Imperio Celeste não foram completamente esclarecidos senão há cerca de 20 anos, conservando-se o seu nome injustamente esquecido durante mais de quatro séculos. Diversas causas para tal contribuíram, salientando-se dentre elas os terramotos de Janeiro de 1531 e de Novembro de 1755 que destruíram boa parte dos arquivos de Lisboa sobre os nossos feitos na ìndia e terras do Oriente e que dificultaram consequentemente trabalho de estudiosos e investigadores.
Por sua vez, o autor Ljungstedt, que escreveu o «Esboço histórico dos Estabelecimentos Portugueses na China» – obra editada em Boston em 1836 – prestou-nos muito mau serviço pelos erros e incorrecções que deixou escrito a nosso respeito que infelizmente fizeram escola por esse mundo fora. Segundo Ljungstedt fora o português Rafael Perestrelo quem primeiramente tinha chegado à China embora se saiba que só aqui esteve pelo menos um ano mais tarde… (…)”
Findo os discursos, a esposa do Governador, D. Laurinda Marques Esparteiro puxou o laço que prendia a Bandeira Nacional descerrando assim a estátua de Jorge Álvares.
Numa das faces de pedestal estão gravadas a profecia que sobre Jorge Álvares nos deixou o cronista João de Barros:
«E peró que aquela região de idolatria coma o seu corpo, pois por honra de sua pátria em os fins da terra pôs aquele padrão e seu descobrimento, não comerá a memória da sua sepultura, enquanto esta nossa escritura durara»
Recorda-se que em 1513, Jorge Álvares que largara algum tempo antes de Malaca num junco tendo a bordo o seu filho, aportava ao largo da barra do Rio cantão e lançava ferro no ancoradouro da Ilha de Tamão (Jack Braga identificou-a como a Ilha de Lintin) que nessa época era o centro de todo o comércio da China com o exterior.
Faleceu na Ilha de Tamão na sua quarta viagem para estas paragens, tendo desembarcado em Cantão onde ficou pouco tempo, no regresso à Ilha de Tamão faleceu, a 8 de Julho de m 1521, oito anos depois de ali ter aportado, ficando ali sepultado junto do padrão que ele havia levantado e ao lado do filho que aí falecera em 1513.
NOTA: A cerimónia da inauguração da estátua Jorge Álvares foi filmada por uma equipa técnica da empresa cinematográfica «Eurásia Filmes, Limitada» (4) sob a direcção de Eurico Ferreira para um documentário, que não sei se foi exibido mas que se perdeu a cópia.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/foto-princesa/
(2) «MACAU Boletim Informativo», Ano II, n.º 28 de 30-09-1954.
(3) Ver referências anteriores a este navegador, nomeadamente à inauguração da estátua:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jorge-alvares/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/estatua-de-jorge-alvares/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/06/22/leitura-caminhos-do-futuro-dos-horizontes-da-nacao-ii/
(4) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/23/noticias-23-11-1955-caminhos-longos-uma-iniciativa-arrojada-da-eurasia-filmes/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/09/03/filme-caminhos-longos-de-1955-artistas-chineses-de-cinema/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/07/noticia-filme-caminhos-longos/

A propósito da restituição do convento de Santo Agostinho e seguindo a leitura dos “3 Casos Milagrosos” descritos por BRAGA, Jack M. em A Voz do Passado, 1987 (1), transcrevo um outro “CAZO MILAGROSO” que aconteceu durante os 10 anos em que o Convento de Santo Agostinho foi ocupado por “outros padres”.
Com a falta dos Religiosos tinha cessado a procissão dos Passos que se não fasia havião três anos deles irem para Goa, pelas razões que havião por cauza do Patriacha como consta em 1712. Fevereiro 14 succedeo que houvesse nesta Cidade huma grande carestia pela falta de mantimentos. Os Chinas attibuindo isto a não se fazer a procissão requererão ao Procurador do Senado para que fizesse andar pelas ruas aquelle homem de pao ás Costas (palavras delles) oferecendo-se para os gastos. Fes-se com efeito a procissão, cessou a carestia, e os Chinas contentes pagarão as despesas.”
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/07/25/noticia-de-25-de-julho-de-1721-restituicao-do-convento-de-santo-agostinho-e-o-1-o-cazo-milagroso/
Anteriores referências a esta procissão:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/25/noticia-de-25-de-marco-de-1708-tradicoes-que-se-continuam-ii-a-procissao-dos-senhor-dos-passos-ou-senhor-da-cruz-as-costas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/09/01/noticia-de-1-de-setembro-de-1709-a-excomunhao-do-bispo-o-patriarca-de-antioquia-e-os-frades-de-s-domingos/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/04/noticias-de-4-e-5-de-marco-de-2017-tradicoes-que-se-continuam-a-procissao-do-senhor-dos-passos-i-fotos-de-1974/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/03/10/noticia-de-10-de-marco-de-2019-o-senhor-dos-passos-em-1955/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/03/07/noticia-de-7-de-marco-de-1954-a-grande-devocao-ao-senhor-dos-passos-em-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/21/a-tradicional-procissao-do-senhor-dos-passos-1973/

Ephemerides Commemorativas… “  de AMP

A mesma notícia, com mais pormenor em BRAGA, Jack M. – A Voz do Passado, 1987
“25-07-1721 – Com a chegada do Navio de Vias veio Ordem do sr. Rey D. João 5.º para se restituir o Convento de St.º Agostinho aos seus Padres, os quaes se achavão desapossados havião dez anos e tantos mezes. O mesmo Sr. Lhes mandou huma Grande Custodia, e um Grande Calix para servirem nas Festividades da sua Igreja que tudo isto existe. Mandou ordem ao Senado desta Cidade para annoalmente lhe dar de esmolas 80 Taés, cujos ainda hoje cobrão. Dizem que S. M. F. lhe fizera isto em satisfação do comportamento que tiveram com o Sr. Patriarcha e atenção aos trabalhos que soffrerão por cauza delle. O seu Provincial o P.e Frei Francisco da Purificação logo enviou de Goa os padres para tomarem posse do Convento mas o que he mais digno de memoria são os cazos que acontecerão em o dito Convento os 10 annos (1) que esteve sem Padres. “
1.ª CAZO MILAGROSO
Eu passo a descrevelos – Entregando-se o dito Convento ao ordinário, deputou o Sr. Bispo ahum Clerigo que o habitasse, o qual logo nas primeiras noites experimentou huma tal opposição que espavorido o largou de todo, e não houve quem nelle quisesse assistir, sendo que o dezejavão os Clerigos, tanto pela sua grandesa como pela qualidade do sitio que muitas veses tentarão compra-lo a Religião para nelle faserem a Sé e nisto não há dúvida pelas dilligências que fiserão em Goa. Contão que os Chinas Genios quiseram de noite furtar as pedras do Adro da Igreja, e estes affirmavão constantemente que virão passear nelle um home com habito de Stº Agostinho muito velho, com grande barbas que lhes não deixava furtar pedras.”
(1) O Convento de Santo Agostinho e a sua Igreja passaram para a administração do Ordinário em 15 de Janeiro de 1712, devido à ausência dos padres do Convento, que foram presos para Goa, à ordem do Vice-Rei, em consequência das controvérsias provocadas pelo Patriarca de Antioquia, a quem prestavam obediência.

Ephemerides Commemorativas… “  de AMP

Referências anteriores ao Convento de S. Agostinho em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/convento-de-s-agostinho/

Neste dia de 19 de Julho de 1733, ” mandou o juis Sendicante Manoel de Macedo Netto prender ao canarim Albuquerque o qual tirarão da Caza do Ouvidor António Moreira de Souza. O mesmo Sendicante mandou cercar a Caza do Ouvidor pelos Soldados e Officiaes e por a porta fechada não a querendo abrir, tendo os seus moços armados com armas de fogo, mandou o dito Sendicante traser huma bombarda da Fortaleza do Monte a qual dez disparar contra a porta, na qual tão somente fez hum buraco ou rombo com a balla, e fasendo-se outro tiro para a parede de tras igualmente fes outro buraco com a balla. E como mais ruina esperimentavão as Cazas vezinhas delle Ouvidor pelo extrondo da pessa, mandou o Sendicante parar os tiros e deixou os Soldados de Sentinella as portas; mas no Domingo 21 deste mes de manhãa foi o Sr. Bispo de Pekim que vivia em huas Cazas vesinhas as do Ouvidor tirar licença com o Sendicante para lhe fallar o que tendo alcançado, entrou dentro da Caza e sahio com o Ouvidor o qual levou para sua Caza onde ali ficou. “
BRAGA, Jack – A Voz do Passado, 1987.
“19-07-1733- O Sindicante Manuel Macedo Neto tendo mandado prender o canarim Albuquerque, que fez tirar da casa do Ouvidor António Moreira de Sousa, cercou a casa deste e fez disparar uma bombarda, que mandara vir da Fortaleza do Monte, contra a residência do Ouvidor, que a tinha defendida por escravos armados. Como os tiros da bombarda arruinassem mais as casas da vizinhança do que a do Ouvidor, o sindicante suspendeu o bombardeamento e deixou soldados de sentinela às portas, mas no Domingo, 21, o Bispo, que vivia numas casas próximas, com licença do sindicante, entrou em casa do Ouvidor e levou-o par a sua residência onde passou a morar.”
(GOMES, Luís G. –  Efemérides da História de Macau, 1954

TSYK I-32, 12 de Maio de 1864

Muralha e escadas do Bom Jesus
George Chinnery c. 1836

O Mato de Bom Jesus também chamado Monte de Bom Jesus é apenas um pequeno outeiro que pertencia a Inácia Vicência Marques da Paiva, natural de Macau, filha de Domingos Marques (natural da Beira) e de Maria Francisca dos Anjos Ribeiro Guimarães (natural de Macau).
O nome de Bom Jesus vinha-lhe da Capela do Bom Jesus, que ali existia, e à qual se refere J. M. Braga (1)  ao identificar os edifícios que aparecem numa chapa holandesa do século XVIII:
«À esquerda desta residência (das 16 colunas, hoje Instituto Salesiano) está uma colina que parece se a velha Horta do Bom Jesus. Sabe-se que havia, nessa colina, uma capela em honra do Bom Jesus Cristo, (construído por volta de 1744 por Francisco Xavier Doutel, (2) que depois governaria Timor de 1745 a 1749), o último passo da «Procissão dos Passos», em Macau, até à sua destruição. O desenho que se vê nesta gravura não é uma capelinha, mas um grande edifício (segundo Padre Teixeira, seria a mansão da família Marques ou da família Ribeiro Guimarães). Fica-se a cogitar o que poderia ter sido. O actual convento das Carmelitas ou o Carmelo (construído em 1951, e também já destruído) foi erigido nesta colina apenas há poucos anos» (BRAGA, J. M. – Algumas achegas para a iconografia de Macau. Arquivos de Macau, Março de 1965, p. 190)
Inácia Vicência faleceu viúva a 2 de Novembro de 1822, rica, tendo deixado à Santa Casa um legado de $ 10 000, que na época era uma fortuna.

MAPA DA PENÍNSULA DE MACAU DE 1889 (pormenor)  assinalando a Horta de Bom Jesus

O Monte de Bom Jesus foi depois comprado pelo comissário inglês das Alfândegas Chinesas, que vivia ali perto, numa grande casa na Rua da Boa Vista, que fica em frente do antigo Hotel Bela Vista (hoje, consulado de Portugal), do lado poente. O bispo de Macau, José da Costa Nunes (3) planeava construir ali um colégio pelo que incumbiu o reitor do Seminário de S. José, Padre Francisco Bonito Bragança de adquirir o terreno para a Diocese de Macau. A compra concretizou-se no dia 6 de Setembro de 1923 tendo a Diocese entregue ao Comissário das Alfândegas $ 5 000 00 de sinal. D. José da Costa Nunes não conseguiu concretizar a construção do colégio nem o plano de um hospital no Mato de Bom Jesus, pois partiu para Goa em Dezembro de 1941 sem o ter feito.
As Carmelitas vieram para Macau em 1941, ficando alojadas num terreno em Mong Há e em 1949, o bispo D. João de Deus Ramalho (4) ofereceu-lhes o mato de Bom Jesus para aí levantarem o seu Carmelo.
Hoje ainda está referenciada na Toponímia de Macau, a Calçada do Bom Jesus, que começa na Travessa do Bom jesus, entre a Calçada da Paz e a Travessa do Seminário e termina entre o prédio n.º 1 da Rua da Praia Grande e o prédio n.º 30 da Praça Lobo de Ávila. A Travessa do Bom Jesus começa na Rua da Penha e termina na Calçada do Bom Jesus entre a Travessa do Colégio e a Calçada da Paz. (5)
(1) Ver referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jack-m-braga-jose-maria-braga/
(2) Ver referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-xavier-doutel/
(3) Ver referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-jose-da-costa-nunes/
(4)  Ver referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-joao-de-deus-ramalho-%E7%BD%97%E8%8B%A5%E6%9C%9B/
(5)TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997,pp 124-131.