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O jornal «The Canton Register» de 15 de Setembro de 1831,  (1) dá notícia da saga de 14 japoneses naufragados na costa de Manila e depois enviados a Macau. Se houvesse benevolência por parte do Senado, a quem pediram ajuda, deveriam seguir por terra até Nimpo (Ninghpó, Liampo) e dali de barco para o Japão. O Procurador do Senado Floriano António Rangel, resolveu, apesar da tirania do Japão, atender à situação dos náufragos, que foram enviados para Cantão seguindo caminho para o seu país. (2)

https://babel.hathitrust.org/cgi/pt?id=mdp.39015080059747;view=1up;seq=5;size=150

(1) «The Canton Register» foi o primeiro jornal (8 de Novembro de 1827) em língua inglesa na China, fundado pelos mercadores escoceses, James Matheson e seu sobrinho Alexander junto com o americano William Wigtman Wood, que foi o primeiro editor. Publicado no início de duas em duas semanas era impresso em Cantão, mas depois transferido para Macau – de 1839 a Junho de 1843 – e a partir desta data impresso em Hong Kong. Terminou em 1936.
KING, Frank H.H.; CLARKE, Prescott (editores) – A Research Guide to China Coast Newspapers 1822 – 1911, pp. 41-44.
Um exemplar do semanário «The Canton Register», este de 1835 – Vol. 8, n.º 1, 6 de Janeiro de 1835. Editor: J. Slade.
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Neste número, apresenta um anuncio, em português, da “Jardine, Matheson % Co. “
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.

Notícia extraída do semanário “O Lusitano” no seu primeiro número (1), que aborda a greve que as “donas das casas das toleradas” fizeram face à publicação do novo Regulamento das meretrizes que foi publicado a 23 de Maio de 1898. (2)

Extraído de “O Lusitano” Vol I, n.º 1 de 28 de Agosto de 1898

(1) Neste dia, 28 de Agosto de 1898, foi publicado o primeiro número do semanário “O Lusitano”, com redação na Calçada do Gamboa, sendo órgão do Conselheiro Artur Tamagnini de Abreu da Mota Barbosa e tendo por principais colaboradores João Albino Ribeiro Cabral, Horácio Poiares e João Pereira. Cessou a publicação em Dezembro de 1899. Publicou 70 números até 24-12-1899 (SILVA, Beatriz Basto da- Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)
Artur Tamagnini de Abreu da Mota Barbosa (pai do Governador Artur Tamagnini de Sousa Barbosa), esteve em Macau de 1877 como 2.º oficial da administração de fazenda militar, fazendo parte do 3.º Batalhão do Regimento de Infantaria do Ultramar, onde exercia as funções de quartel-mestre. Foi depois nomeado, em 1879, contador interino da junta de fazenda de Macau e Timor. Voltou ao Reino em 1880. Regressou a Macau e 1882, tendo sido nomeado em 1884 inspector da fazendo provincial. Esteve colocado em Macau, 14 anos, 6 meses e 4 dias. (3)
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/artur-tamagnini-a-mota-barbosa/
João Albino Ribeiro Cabral (1839-1900) nascido do distrito da Guarda, veio para Macau frequentar o Seminário de S. José mas não chegou a ser padre tendo decidido ficar em Macau, onde foi tesoureiro da Junta de Fazenda Provincial e docente do Seminário S, José o o Liceu de Macau.
Avô do Dr. João Albino Cabral (1907-1983) que foi médico de 1.ª classe do quadro médico comum do Ultramar, colocado em Macau em 1939  e aqui exerceu até ao se u falecimento em 1983.
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Anteriores referências de:
O bacharel Horácio Afonso da Silva Poiares:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/horacio-poiares/
O bacharel João Pereira Vasco
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-pereira-vasco/
(2) 1.º Regulamento sobre a prostituição, em Macau, contendo as normas desta actividade profissional é de 11-09-1851.

REGULAMENTO DE 1898

Dado que as meretrizes continuaram a frequentar os restaurantes, as hospedarias e demais lugares proibidos, assim como continuavam a detectar-se irregularidades quanto ao registo e pagamento das taxas das casas toleradas, o Regulamento de 1898 (considerava “casa de meretrizes aquela em que houver uma ou mais mulheres cujo notório modo de vida seja prostituição ainda que tenha outro.”, veio salientar e precisar os locais determinando ao registo e pagamentos das taxas das casas toleradas. Assim “os registos serão feitos, quanto às casas chinezas, na Procuratura Administrativa dos Negócios Sínicos, e quanto às restantes na Administração do Concelho, pelos respectivos escrivães.”.
O Regulamento de 1898 classificava estas casas em três categorias para efeitos do pagamento de taxas: de 1ª classe todas as que tivessem mais de seis meretrizes, de 2a classe as que tivessem entre quatro e seis, e de 3a classe as que tivessem até três meretrizes
Sobre os aspectos da prostituição em Macau, sugiro a leitura de
NUNES, Isabel – Bailarinas e cantadeiras Aspectos da Prostituição em Macau
http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30015/1630

No dia 25 de Agosto de 1952, celebrando o quinto aniversário do “Notícias de Macau”, (1) o proprietário deste diário local, Hermann Machado Monteiro, (2) ofereceu, no restaurante “Fat Siu Lau”, um almoço a todo o pessoal do seu jornal (3)

O pessoal do “Notícias de Macau” confraternizando-se à mesa do almoço
O grupo formado pelo numeroso pessoal do “ Notícias de Macau”

(1) “25-08-1947 – O diário «Notícias de Macau» segue desde esta data até 20-02-1960, com 3 710 números.” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 4, 1997)
“25- 08-1953 – «Notícias de Macau» completou seis anos de existência, no dia 25. Único diário português que se publica em todo o Extremo Oriente. Proprietário: Hermann Machado Monteiro (director: Dr. Cassiano de Castro Fonseca.” ( «Macau Boletim Informativo»  I – 2, 1953.).
O Dr. Cassiano de Castro Fonseca, natural de Macau, médico municipal, foi director do “Notícias de Macau» até 1955 (16-03-1955 foi a festa de despedida no edifício daquele jornal; partiu para Portugal a 18-03-1955; faleceu em Lisboa no dia 07-08-1955).
Em 10-08-1955, foi nomeado director do “Notícias de Macau” o Dr. António Alberto de Barros Lopes ( «Macau  Boletim Informativo» III- 49, 1956)
“08-03-1960 – O periódico «Notícias de Macau» segue como diário desde esta data até 14-02-1962, com 577 números.” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 5, 1998)
(2) Herman Machado Monteiro (1899 – ?), republicano que após o golpe de 28 de Maio de 1926, em Portugal, se auto-exilou em Macau (segundo outras fontes, por ordem do Estado Novo por ser maçónico), esteve ligado ao comércio do ouro e foi o fundador, proprietário, editor e jornalista (polémico) do “Notícias de Macau” (25-08-1947 até 20-02-1960). Antes em 1927, Herman Machado Monteiro sucedeu a Rosa Duque na direção do periódico, “O Combate” (semanário de Macau de 06-01-1927 a  24-07-1927  Foi um dos fundadores do Rotary Club de Macau.
Em 14-10-1940, foi fixada, por 2 anos, residência em Coloane (deportado) ao cidadão Herman Machado Monteiro ( B.O. n.º 41 – S)
Anteriores referências ao jornal e a Herman Monteiro
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/noticias-de-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/herman-machado-monteiro/
(3) Extraído de «Mosaico», V- 25/26 de SET/OUT 1952, p. 62.

«As 5.35 horas da manhã de 13 de Agosto de 1931, (1) explodiu o Paiol da Flora, (2) devido aos grandes calores estivais. A explosão causou a morte das seguintes pessoas: 1.º sargento António Sousa Vidal, Henrique Ciríaco da Silva, funcionários das obras públicas, João Córdova, Natércia Duarte, criança de 11 anos, um filhinho do chefe da Polícia Carlos A. da Silva, um soldado africano e 15 pessoas chineses, sendo os feridos cerca de 50.(3)
O Palacete da Flora ficou reduzido a um montão de escombros; as casas fronteiriças, escalavradas; muitas casas arruinadas e muitíssimas com as janelas, portas e vidros partidos.
Nas três casas Canossianas houve muitos vidros partidos e algumas portas quebradas, mas não houve ferimentos, pois, sendo Verão, tanto as educandas como as órfãs chinesas estavam fora a passar as férias.
Uma bomba incendiária fez uma visita à Casa Canossiana de Mong Há: entrou por uma janela, forçando-a, pois, estava fechada, girou em volta da luz eléctrica, e saiu por outra janela do dormitório ds educandas, sem causar dano algum, além dum grande susto a uma rapariga, que naquela noite havia dormido ali. Atribui-se à protecção de Maria, de quem a pequena era muito devota, o não ter sido vítima do acidente. (4)
Outros estragos materiais mais significativos referenciados, para além das casas próximas do jardim que ficaram danificadas: a casa que Sun Fo tinha construído para a sua mãe, a casa memorial “Sun Yat Sen” na Av. Sidónio Pais: o coreto do jardim de Lou Lim Ioc que se encontrava em lugar diferente do actual, tinha a porta virada Av. Conselheiro Ferreira de Almeida.

A propósito dessa explosão, conta o Padre Teixeira (4) o seguinte episódio:
Nessa manhã, alguém telefonou da Taipa para Macau.
– Ouviu-se aqui um grande «estâmpido». Que aconteceu?
– O paiol da Flora foi pelos ares.
– Houve vítimas?
–  22 mortos e 50 feridos.
– Safa. Que «estâmpido» tremendo!
O caso do «estâmpido» passou de boca em boca e, durante vários dias, era «estâmpido» sem parar.
Nós tínhamos leitura no Seminário, durante as refeições. Sucedeu que o leitor foi o José Dias Bretão. Apareceu essa palavra no livro e ele, com ouvir tantas vezes pronunciar «estâmpido»., já estava um pouco confuso e leu assim mesmo.
Gargalhada geral!
O prefeito mandou que repetisse. E ele «estâmpido».
Por fim, mandou-o sair da estante, ameaçando-o com um castigo, pois julgava que estava a brincar. Só lhe levantou o castigo ao verificar que o rapaz tinha lido a sério.
Resultado: ficou sempre com a alcunha de «estâmpido».
(1) O Conselho do Governo destinou uma verba de 300 mil patacas destinado a ocorrer ao pagamento das despesas resultantes da destruição do Paiol Militar da Flora e à construção de um novo paiol nas Ilhas.
Boletim Oficial da Colónia de Macau de 14 de Agosto de 1931 – Suplemento ao n.º 32
Nomeação de uma comissão para propor as medidas a adoptar para se socorrer as vítimas da explosão do Paiol da Flora.
Boletim Oficial da Colónia de Macau de 14 de Agosto de 1931 – Suplemento ao n.º 32.
 (2) “Década de 20 – Posteriormente, no início de 20, procedeu-se à construção de um complexo sistema de túneis de características militares, que atravessam o subsolo da Colina da Guia, tendo sido instalado, na propriedade, um paiol que em 13 de Agosto de 1931, explodiu provocando a destruição do palacete da Flora “(ESTÁCIO, A. J. E e SARAIVA, A. M. P. – Jardins e Parques de Macau, p.30”
Em 28 de Junho de 1919, o governador aprovou o projecto da Repartição dos Serviços de Obras Públicas para a construção do novo paiol militar junto da Colina da Guia.

O Paiol da Flora estava situado num terreno por detrás do “Ténis da Flora” sensivelmente por detrás do actual Jardim Infantil D. José da Costa Nunes).

(3) O número de mortos e feridos variam conforme as fontes:
“Em 13 de Agosto de 1931, explodiu o paiol militar situado na Fonte de Inveja, causando 41 mortos, nos quais 7 foram crianças, e danificando um grande número de casas nos locais próximos. A explosão causou uma perda económica no valor de 400,000.00 dólares de Hong Kong para os proprietários e habitantes dos locais adjacentes”
http://www.archives.gov.mo/pt/featured/detail.aspx?id=106
11-08-1931 – Uma explosão no Paiol Novo da Flora provocou 24 mortos e 50 feridos e destruiu completamente o palacete da Flora. Várias casas ficaram em ruínas ou danificadas num raio de 3500 metros.”  (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997)
Boletim Oficial da Colónia de Macau, n.º 33 de 15 de Agosto de 1931
(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, pp. 221-222

O jardim do Palacete da Flora. Construção antiga melhorada em 1914-1915
1915, Fotógrafo: M. Russel, Copyright: Arquivo Histórico Ultramarino,
https://actd.iict.pt/view/actd:AHUD7626

NOTA: Recorda-se que o Palacete da Flora foi a perda material mais significativa da explosão do Paiol. Foram trinta toneladas de pólvora que destruíram tudo, num raio de 300 metros incluindo o palacete que era a residência de verão dos Governadores; na altura, estava lá instalado o Museu Luís de Camões e servia também como pavilhão de exposições de arte.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/02/06/leitura-uma-exposicao-de-arte-no-palacete-da-flora-1929/
Anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/paiol-da-flora/
Pode-se ver fotografias dos estragos causados pela explosão em:
http://www.archives.gov.mo/pt/featured/detail.aspx?id=106
Outras leituras e video disponíveis:
https://cronicasmacaenses.com/2012/11/08/macau-1931-explodiu-o-paiol-da-flora/
https://www.youtube.com/watch?v=ytRaoL50QEU
http://macauantigo.blogspot.com/2012/07/explosao-do-paiol-da-flora-agosto-1931.html
O «Diário de Notícias” (Portugal) datado de 12 de Setembro de 1931 falava-se da segunda edição da Volta a Portugal em bicicleta, com vitória de José Maria Nicolau na etapa Beja-Évora e conquista da camisola amarela, a campanha contra o analfabetismo, considerado “um grande problema nacional”, e também de “A Catástrofe de Macau”, sobre a terrível explosão do paiol da Flora, acompanhado da seguinte foto:
https://www.dn.pt/edicao-do-dia/12-set-2018/interior/contra-o-analfabetismo-9832957.html

26-07-1771 – Tomou posse, pela segunda vez, do cargo de Governador e Capitão-Geral Diogo Fernandes de Salema e Saldanha. (1) (2)
«Salema e Saldanha retoma o governo, vago pela morte de D. Rodrigo de Castro (3) mas este, em 1771, o navio em que vinha, saindo de Malaca, naufragou ao Sul de Cochim, sendo vários náufragos feridos pelos moiros, que mataram Manuel Caetano, escrivão do sindicante João Diogo Guerreiro e Alvim. O Governador salvou-se do naufrágio, mas faleceu na viagem para Macau» (4)
(1) GOMES, L.G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(2) O Fidalgo Cavaleiro Diogo Fernandes Salema e Saldanha tomou posse em 19 de Agosto de 1767. Terá sido governador de 1967 a 1770 e depois de 1771-1776. Por via de sucessão, tomou interinamente posse do cargo de Governador e Capitão Geral o Bispo da Diocese (desde 13-07-1772) D. Alexandre da Silva Pedrosa Guimarães no dia 25-06-1777 até Agosto de 1778. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 2,1997)
(3) O Moço Fidalgo D. Rodrigo de Castro, natural de Goa, tomou posse do Governo de Macau a 29-07-1752. Sendo substituído em 14-07-1755 por Francisco António Pereira Coutinho, voltou a governar esta cidade, em 29-07-1770 e, foi ainda nomeado pela terceira vez, em 1774, porém morreu na viagem para Macau.
(as fontes não coincidem sobre as nomeações dos governadores de Macau entre 1970- 1773) (1) (2) PEREIRA, A. Marques – Ephemerides Commemorativas … )
(4) TEIXEIRA, Manuel – Macau no Século XVIII, p. 551

No dia 11 de Julho de 1940, foi descoberto por dois religiosos lazaristas irmão Chala Maia e José Van Den Brandt, no cemitério de Ching Lung Ch´iao de Pequim, o túmulo de João Correa (Correia), que, morreu por acidente, da explosão de uma peça dum dos 4 canhões que Macau enviou ao Império Ming em 1624 (1) respondendo ao pedido de auxílio do próprio imperador. A pedra sepulcral fora destruída pelos boxers, em 1900, e os ossos foram removidos pelos dois lazaristas para uma nova sepultura. (2)
Em 1621,Pelo menos 3 e no máximo 10 canhões e pessoal para os manusear foram enviados de Macau à China para combater os Manchus. Devem ter sido 7 portugueses (3) entre os quais João Correa, (4) que morreu na expedição e foi enterrado na China.  Foram chamados pelo Imperador Tianqi 天啓(1621-28) (5) para ensinar artilharia em Pequim, embora esta fonte proponha a data de 1624. (6)
Pouco depois chegou à corte de Pequim um português chamado Gonçalo (ou Gonçalves) Teixeira vindo com embaixada e presente da cidade de Macau, o qual, vendo a insolência dos tártaros e o temor dos chineses, e julgando prestar serviço o reino de Portugal a favor a si, por qualquer coisa que lhe pudesse fazer ao rei da China, ofereceu aos mandarins, em nome da cidade, alguns portugueses para auxiliar contra os tártaros. A oferta agradou e o Conselho de Guerra despachou, então, o padre da Companhia, padre João Rodrigues (7) para que desse despacho a este negócio (8)

MAPA DA TARTÁRIA de J. Hondius, 1606

O Padre Semedo, S. J. que data este último episódio em 1622, refere:  “Preparam-se em Macau, 400 homens, sendo 200 soldados, entre eles muitos portugueses de cá outros de lá. A maioria era gente do país, mas não obstante chineses, nasceram, em Macau, e foram criados, a seu modo, entre portugueses, sendo portanto, bons soldados e grandes atiradores de espingardas maioria portugueses mas também alguns chineses, educados em Macau.” (7)
Semedo afirma ter visto em Nan-Tchâng o grupo expedicionário quando se dirigia a Pequim. Levaram como interprete o Padre João Rodrigues, S. J., da Província do Japão, (8). Esta expedição de socorro ao mandarim não terá sido feita de uma vez, pois há relatos de pedido em 1630. (9)
(1 ) Luís Gonzaga Gomes (2) refere esta data, 1624; Beatriz Basto da Silva (6) indica 1621; Álvaro Semedo – 1630 (8) e outros: 1622 (3).
(2) GOMES; Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(3) BRETSCHNEIDER, E – Mediaeval Researches from Eastern Asiatic Sources: Fragments Towards the Knowledge of the Geography and History of Central and Westen Asia from the 13th to 17th Century, Volume 2, 1888 ( reimpressão em 2000) p. 328.
https://books.google.pt/books?id=UQT_AQAAQBAJ&pg=PA328&lpg=PA328&dq=china+review+Bretschneider+1621&source 
(4) Sete artilheiros comandados por Pedro Cordeiro e António Rodrigues do Campo. Da explosão além da morte de João Correia, morreram três a quatro chineses. O manuseio dessas potentes armas de fogo deram origem a momentos dramáticos. Os militares chineses não estavam preparados para as usar.(8)
(5) Xizong 熹宗  (1605-1627),  16.º imperador da dinastia Ming com o nome de imperador Tianqi 天啓 (1620-1627)
https://en.wikipedia.org/wiki/Tianqi_Emperor
(6) SILVA, Beatriz Basto – Cronologia da História de Macau, Volume i, 1992; e Volume 4, 1997.
(7) O interprete Padre João Rodrigues, S. J., da Província do Japão, já visitara a China em 1612 com o intuito de conhecer as seitas idólatras da China, sobre as quais apoiavam as do Japão.
(8) SEMEDO, Álvaro – Relação da Grande Monarquia da China (tradução do italiano por Luís G. Gomes), I Vol, 1956, pp.262-266.
(9) “16-08-1630 – Foram eleitos seis adjuntos que deveriam tratar com o Senado sobre o pedido feito pelo Imperador da China, solicitando o envio de gente de guerra e armas, para a luta contra os tártaros”. (6) (8)

Neste dia de 1 de Julho de 1758, tomou posse da capitania Geral e Governo de Macau o Moço e Escudeiro Fidalgo Dom Diogo Pereira, natural de Baçaim, (1) filho de D. António Pereira, Moço Fidalgo e neto de D. João Pereira. (2)
Dom Diogo Pereira governou Macau até 4 de Julho de 1761, data da posse do novo governador, António de Mendonça Corte-Real, natural de Goa. (3).
Foi durante o governo de D. Diogo Pereira que em 3 de Setembro de 1759, em Portugal, o Marquês de Pombal acabou com a Companhia de Jesus e seus missionários. No primeiro aniversário do atentado contra D. José I, uma lei declarou-os rebeldes, traidores, adversários e agressores da pessoa do Soberano e seus Estados como tais, desnaturalizados, banidos e exterminados, resolvendo-se a sua expulsão do território nacional e dos domínios e proibindo-se toda a comunicação com eles por palavras ou escrito sem imediata e especial régia. No entanto, o cumprimento da ordem de prisão dos jesuítas em Macau só se efectuou em 05-07-1762 com a prisão dos primeiros 24 missionários S.J que se encontravam em Macau. (4)
NOTA: Foi nesse ano de 1758 que ficou concluída a Igreja do Seminário de S. José Na fachada da Igreja do Seminário de S. José há uma lápide que diz: « A primeira pedra deste templo dedicado a S. José  foi lançada no Ano da Redenção de 1746 pelos Padres da Companhia de Jesus, que o acabaram de construir no ano de 1758.» Foi decorado no ano de 1803; mas deteriorado pela intempérie, durante 200 anos, o bispo de Macau, D. João de Deus Ramalho, S. J. tratou de o restituir ao antigo protótipo no ano de 1953. (4)

A fortaleza de Baçaim foi fundada por Nuno Da Cunha, Governor da Índia Portuguesa, em 1524

Mapa de 1538

(1) Baçaim ou Bassein, (actualmente Vasai-Virar) na antiga Índia Portuguesa, importante cidade/porto no extremo sul de uma ilha, a cerca de 50 quilómetros ao norte de Bombaim, (hoje Mumbai)no estado de Maharashtra, no noroeste da Índia.
Pertenceu a Portugal entre 1534 e 1739, com excepção da ilha de Bombaim, a zona central da actual cidade, cedida por estes aos britânicos em 1665.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ba%C3%A7aim
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(3) “28-06-1758 – O Governador Francisco António Pereira Coutinho avisa o Senado de que o novo Governador D. Diogo Pereira se achava em Macau e tomaria posse a 1 de Julho. Coutinho, Moço e Escudeiro Fidalgo, natural de Taná, era filho de João Pereira Coutinho, neto de Manuel Pereira Coutinho., Cavaleiro Fidalgo, e bisneto de António Pereira Coutinho. Francisco António Pereira Coutinho foi governador de 14 de Julho de 1755 a 1758 (4)
(4) SILVA, Beatriz B. – Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997.