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Nos dias 20 e 21 de Abril de 1892 verificou-se em Macau uma greve que se estendeu pela primeira vez há muitos anos, a todo o comércio chinês, devido à questão dos monopólios do vinho chinês liu-pun (vinho de fermentação do arroz) que foi arrematado por um chinês de Hong Kong.
A questão foi encaminhada para resolução da corte, em Lisboa e o Visconde de Sena Fernandes (1) assumiu a questão do pagamento das taxas que o arrematante exigia, até vir resposta, o que de momento acalmou os ânimos (2) (3)
O jornal macaense “ O Oriente português”, (4) publicava no dia 21 de Abril, um artigo noticiando e comentando (uma picardia com outro jornal local “O Macaense”: «Mas também foi a primeira vez em que um jornal portuguez a procedeu de perto com a propaganda de que a greve é ilícita, o que é significativo?»)
………………………………………………………continua
Poderá visualizar todo o artigo, disponível em:
http://purl.pt/32515/3/html/index.html#/4-5
(1) Sobre o Visconde de Sena Fernandes, ver anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bernardino-de-senna-fernandes/
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)
(3) Os monopólios eram uma das fontes de receita para o território (taxas e impostos), mas por outro lado, encareciam os produtos (indirectamente atingiam os mais pobres, pois muitos  deles viviam dessas fontes de subsistência) e enriqueciam os comerciantes principalmente os que ganhavam a concessão. Estavam em causa os monopólios dos vinhos chineses, dos panchões, do salitre e do enxofre.
(4) «O Oriente Portuguez» Ano I, n.º 1. 26 de Abril de 1892. Redacção e Administração: Rua dos Prazeres n.º 1; Adm: A. V. da Silva; Por ano $5,00; Por Mês 50; N.º avulso: 20.

Saco de plástico com uma pega, de 45 xm x 33 cm da loja comercial “SAM TÓ CO” (tecidos) que ficava na Avenida Almeida Ribeiro n.º 15

Idêntico design em ambos os lados

Nessa morada e anterior à “Sam Tó”, estava o Bazar Bombaim “Bombaim Bazar” cujo proprietário era o indiano “Cheng Du”, vítima indirecta da invasão de Goa, Damão e Diu em 1961 pela União Indiana (1) pois foi-lhe confiscado a loja comercial e expulso de Macau (na altura, falava-se em mais 5 indianos comerciantes em Macau). Também os guardas mouros que estavam na Polícia foram dispensados e expulsos de Macau. O Cheng Du ficou em Hong-Kong onde terá reiniciado a sua actividade comercial.
(1) “17/18-12-1961 – Invasão de Goa Damão e Diu pela União Indiana que avança com um exército de cerca de 50 000 homens. Os resistentes, isolados há muito, são cerca de 3 500; rendem-se a 19 e ficam prisioneiros durante 6 meses. Alguns vêm a estabelecer-se em Macau, sendo repatriados para Lisboa, em 3 navios nacionais, aqueles que o desejarem. A ocupação militar dos territórios de Goa, Damão e Diu ditará a transferência do Tribunal da Relação de Goa para Moçambique, o que afecta naturalmente Macau por ver aumentada a distância a que ficará desse centro de decisão” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da história de Macau, Volume 5, 1998)

A 16 de Março de 1872, foi publicado no Suplemento ao n.º 11 do B. da Província de Macau e Timor (Vol XVIII) o Programa das formalidades na chegada do novo Governador e  do acto da posse do Visconde de S. Januário. (1)

Retrato de Januário Correia de Almeida, de autor não identificado, 1937.
http://actd.iict.pt/view/actd:AHUD21744

(1) Januário Corrêa de Almeida (1829-1901), Visconde de S. Januário, capitão de cavalaria e bacharel de matemática, tomou posse no dia 23 de Março de 1872 do cargo de Governador de Macau (para que tinha já sido nomeado em 19 de Janeiro anterior), governou até o dia 7 de Dezembro de 1874,data da posse do novo governador, José Maria Lobo d´Ávila. O Governador de Macau, Januário Correia de Almeida Visconde de S. Januário, fez a entrega do governo ao seu sucessor, no edifício do Leal Senado. À hora aprazada, dirigiu-se à Catedral a tomar o bastão do comando, depositado no altar de Nossa Senhora da Conceição, seguindo depois para os Paços do Concelho, onde procedeu à entrega do símbolo da autoridade (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995)
Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/januario-correa-de-almeida-visconde-conde-de-s-januario/

A lancha-canhoneira «Macau» que foi lançada à água em Kowloon (Hong Kong), (1) no dia 7 de Julho de 1909 após montadas as peças fabricadas em Glasgow (Inglaterra) pela casa Yarrow, foi vendida ao Japão a 12 de Março de 1943, por necessidades económicas (2) que a guerra ditou (3)
(1) Lancha-canhoneira de aço de 135 toneladas métricas, estava montava com duas peças H. (de 57 mm) e três metralhadoras (de 6,5 mm) Os hélices trabalhavam em túnel. Desempenhou várias comissões nos mares da China, (4) até ser tomada pelo Japão em 1945. (segundo ESPARTEIRO, Marques, p. 91 de
http://3decks.pbworks.com/f/Catalogo+dos+navios+brigantinos+(1640-1910)+-+Esparteiro.pdf
Segundo Ricardo Matias, num comentário à minha postagem de 27-09-2016:
A canhoneira Macau e duas dragas do porto de Macau, foram entregues às autoridades militares japonesas que ocupavam a China por troca com 10.000 sacos de arroz, foi uma troca desigual e forçada pela ameaça de invasão. O navio passou a chamar-se Maiko e com o final da Guerra caiu em mãos chinesas em Cantão, rebaptisado Wu Feng, passou em 1949 para a China Comunista e perdeu-se o rasto. A troca foi realizada em 15 Agosto 1943, mas o navio continuou na lista da Armada até 1945, uma maneira de mostrar aos americanos que não ajudávamos os japoneses “
Sobre esta lancha, aconselho ainda a leitura de:
http://naviosenavegadores.blogspot.pt/2008/09/marinha-de-guerra-portuguesa-o-nrp.html
(2) Já em 1926, devido à crise financeira, houve cortes significativos nos Serviços de Marinha com consequências na lancha canhoneira «Macau».
26-01-1926 – Por leitura do Relatório dos Serviços de Marinha, apresentado nesta data, se conhece o estado de dificuldades económicas que Macau passa. Em resultado da crise financeira são abatidos na lotação das canhoneiras «Macau» e «Pátria», os chegadores, impedidos e criados de câmara, cozinheiros e padeiros, todos eles indígenas de Moçambique” (3)
A lancha canhoneira «Macau» esteve em perigo de se afundar no tufão de 17-09-1926.
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
(4) Um das intervenções mais significativa da lancha canhoneira «Macau» (5) foi a 14 de Julho de 1910, contra os piratas que numa das suas frequentes acções de pirataria, raptaram uma dúzia de crianças duma escola entre Cantão e Macau e refugiaram-se com elas na ilha de Coloane pedindo às famílias resgates na ordem das 35 mil patacas, o que, naquele tempo, era uma fortuna. A preparação do ataque por parte da canhoneira, foi no dia 14 de Julho, tendo sido bombardeados toda a frente marítima da povoação de Coloane com Hotchiss semi-automáticas.(6)
Uma curiosidade resultante dos acontecimentos que se deram até esta data: além do pequeno monumento que se vê no jardim da vila, em memória da expulsão dos piratas e libertação da população, os chineses, agradecidos, ofereceram bandeiras comemorativas às diferentes forças que cooperaram na luta. Sabemos por documentos da época que a bandeira de seda vermelha oferecida ao Comandante da lancha- canhoneira «Macau» (o então Primeiro – Tenente Joaquim Mata Oliveira (7) – depois entregue à Sociedade de Geografia de Lisboa – tinha a seguinte bordadura em letras chinesas «Tributo de homenagem aos senhores Comandante, oficiais e praças da lancha-canhoneira «Macau» da grande nação portuguesa. À vossa protecção devemos o sossego que disfrutamos. Pequena homenagem prestada como todo o respeito por Leong-Cheong-Tak e seu filho Pak-Lok , oriundos da povoação da família Leong no distrito de San. Hui da dinastia Tá-Tsing»” (3)
(5) Outras referências à canhoneira «Macau» em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canhoneira-macau/
(6) Ver anteriores relatos em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/09/historia-de-piratas-i-ilhas-de-piratas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/21/historia-de-piratas-ii-ilhas-de-piratas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/07/historia-de-piratas-iii-ilhas-de-piratas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/12/14/historia-de-piratas-iv-ilhas-de-piratas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/07/leitura-os-piratas-em-coloane-em-1910/
(7) 1.º Tenente Joaquim Anselmo de Mata e Oliveira (1874-1948) veria a ser governador de Macau embora por pouco tempo, Março a Outubro de 1931. Partiu para Lisboa, em serviço, a 15 de Outubro, no cruzador «Adamastor» que sai da Ponte Nova do Porto Exterior. Só em 21 de Agosto de 1932, Macau teria novo governador: Tenente Coronel de Artilharia, António José Bernardes de Miranda. (3)

 O Imperador Kangxi (1) mandou como seu embaixador a D. João V, o Padre António de Magalhães, S. J., (2) com um rico presente e outro para o Papa Clemente XI. (3). A embaixada saiu da China a 3 de Março de 1721. Essa embaixada trazia presentes para o rei contidas em 60 caixas cuja avaliação foi de 300.000 cruzados. Só as 7 pérolas foram estimadas cada uma em 14.000 cruzados e entre outras coisas contavam-se flores artificiais feitas pelo próprio Imperador. A recepção à embaixada teve lugar no dia 22 de Dezembro.
(1) Imperador Kangxi – 康熙, (mandarim pinyin: Kāngxī, cantonense jyutping: Hong1 Hei1) (1654 — 1722; reinou de 1661 a 1722)) foi o terceiro imperador da dinastia Qing, a última dinastia imperial chinesa, de origem manchu e o segundo que reinou sobre a China toda.
Em 1692 decretou o Édito da Tolerância como prova de abertura e benevolência mas o as lutas intestinais entre ordens religiosas católicas apressaram o endurecimento da dinastia Qing já que “ a questão dos ritos” punha em causa o culto dos antepassados e a veneração a Confúcio.
(2) António de Magalhães – 張安多 (1677 – 1735),  missionário em Macau desde 1696 e em Pequim a partir de 1716. O Padre Magalhães foi depois embaixador de Portugal à China (1725); reentrou em Pequim a 19-11-1726 para preparar a embaixada de Alexandre Metelo de Sousa e Meneses e foi recebido em audiência no dia 24 desse mês pelo Imperador Yongzheng – 雍親 (mandarim pinyin: yōng qīn, cantonense jyutping: jung1 can1); (1678-1735: reinou de 1722-1735), filho do imperador Kangxi) que era menos flexível que o pai e logo revogou o Édito da Tolerância. António de Magalhães morreu em Pequim a 24 de Março de 1735. (4)
(3) “Visando aclarar a situação real, em 1701 Clemente XI tomou a decisão de enviar a Pequim uma delegação em representação da Santa Sé, que chegou a Pequim em Dezembro de 1705. Ali, os enviados do Papa chegaram a entrevistar-se com o próprio Imperador Kangxi, e discutiram com os jesuítas sobre as práticas litúrgicas seguidas pelos católicos chineses. A visão que se impôs finalmente em Roma foi contrária às teses defendidas pelos jesuítas. Clemente XI em 1712 publicou um documento no que proibia aos cristãos chineses, sob pena de excomunhão, a participação em rituais de culto aos antepassados e em muitas das formas rituais confucianas, bem como o uso do nome Shàngdì para se referir a Deus.
Kangxi mostrou-se escandalizado ao conhecer o documento, cuja linguagem considerou arrogante e irrespeitosa para a sua autoridade como imperador.Em 1721, Kangxi publicava o seu famoso decreto pelo qual se proibiam as missões cristãs na China.”
https://pt.wikipedia.org/wiki/Kangxi
(4) “1721/1726. – O Imperador K´ang-hsi mandou como seu embaixador a D. João V o Padre António de Magalhães, S. J., com um rico presente e outro para o Papa. O Padre Magalhães foi depois embaixador de Portugal à China (1725); reentrou em Pequim a 19-11-1726 para preparar a embaixada de Alexandre Metelo de Sousa e Meneses e foi recebido em audiência do Imperador Yung Cheng a 24 desse mês. Morreu em Pequim a  24 de Março de 1735”
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997
NOTA: sobre a embaixada de Alexandre Metelo d Sousa e Meneses, aconselho a  leitura de “ A embaixada de Alexandre Metelo d Sousa e Meneses: Negociações com a China do século XVII” de João de Deus Ramos , disponível em:
http://www.ipris.org/files/2/10_A_embaixada_de_Alexandre.pdf

O Governador José Maria da Ponte e Horta decretou, por prejudicial aos costumes da sociedade, a abolição da Roda dos expostos da Santa Casa de Misericórdia de Macau e proibiu a esta instituição o recolhimento das raparigas abandonadas.
Em 1 de Janeiro de 1857, existiam 45 expostos e, em 31 de Dezembro de 1866, 107. O movimento total, nos dez anos, foi de 2.286 expostos. O presidente da comissão encarregada de estudar as  necessidades da Santa Casa, P.e Jorge António Lopes da Silva (1)  diz, no seu relatório:
A sua mortalidade é tão extraordinário  que aparece não ter exemplo em parte alguma pois, nos dez últimos anos, a mortalidade foi de 95,5 por cento, quase todos chineses» (2)
O Decerto entrou em vigor a 8 do mesmo mês e ano, devendo no entanto a Santa Casa continuar a tratar dos enjeitados que tinha a seu cargo nessa data. Como a Portaria não conseguiu deter a prática, a «Roda» deixou de existir mas as crianças abandonadas à porta da Santa Casa continuaram a ser recebidos. (3)
De 1855 a 1866 foram admitidas na Roda, em Macau, 2.241 criança expostas, morrendo 2.151. Em Dezembro de 1866 havia 79 crianças para amamentar e 29 desmamadas (3)

Portaria n.º 11 de 2 de Fevereiro de 1867

Extraído do «Boletim do Governo de Macau» XIII-6. 11 de Fevereiro de 1867

Portaria n.º 16 de 8 de Novembro de 1866

Extraído do «Boletim do Governo de Macau» , XII-46 de 12 de Novembro de 1866.
(1) Anterior referência à “Roda dos expostos”:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/04/01/noticia-de-1-de-abril-de-1929-poema-santa-infancia/
(2) Anteriores referências ao Padre Jorge António Lopes da Silva que foi governador do Bispado de 1866 a 1870 durante o período da vacatura do bispado em Macau de  1857-1877:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-jorge-antonio-lopes-da-silva/
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 3, 1995.

Pequena notícia publicada no Anuário de Macau de 1922, em português, francês e inglês,  retirada do «Bulletin Commercial d´Extrême-Orient»,  acerca do comércio do ópio. Informava que sete oitavas partes do ópio importado na China traziam etiquetas provando que o ponto de partida e da produção é Osaka e não Macau, como tinha sido injustamente atacado, nomeadamente a nível da «Association International contre l´Opium»
Recorda-se que Portugal esteve presente, em Dezembro de 1920, na constituição da chamada a «Comissão do Ópio» abreviatura da internacional «Comissão Consultora do Tráfico do Ópio e Outras Drogas perigosas». Dali resultaram duas conferências em 1924  onde não se chegaram a uma conclusão sobre a maneira de suprimir a produção ilegal do ópio. Só em 1927 foi concluída o “Regulamento do tráfego do ópio e seus derivados”). A situação económica de Macau estava muita boa no período de 1918 a 1921 devido sobretudo ao rendimento do exclusivo do ópio e a aplicação do regime sobre o regulamento de 1927 foi aplicado em Macau em Julho desse ano. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4)