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Neste dia de 24 de Dezembro de 1708, morre em Pequim um dos mais célebres jesuítas portugueses, que prestou grandes serviços à Igreja e à China e que, como Presidente do Tribunal das Matemáticas, honrou Portugal e a ciência europeia. Trata-se do Padre Tomás Pereira também chamado Tomé Pereira., tenho inicialmente o nome de “Sanctos” Pereira (1), nascido a 1 de Novembro de 1645, em S. Martinho do Vale, diocese de Braga. Ao chegar a Macau em 1672, o Padre Fernando Verbiest, S. J., então altamente conceituado em Pequim, elogiou os seus predicados perante o Imperador, que imediatamente mandou a Macau dois mandarins para o levarem à corte; para lá foi transportado em cadeirinha, chegando à capital chinesa em Janeiro de 1673. (2)
Padre Tomás Pereira foi matemático, astrónomo, geógrafo e diplomata. (3) Em 25 de Setembro de 1663 entrou para a Companhia de Jesus. Em 15 de Abril de 1666 embarcou para a Índia, continuando os seus estudos em Goa, chegando a Macau em 1672, onde aprendeu na língua e cultura chinesa Tomás Pereira viveu na China até à sua morte em 1708 (4) no antigo Observatório Astronómico de Pequim. Foi também músico, (5) sendo autor de um tratado sobre a música europeia que foi traduzido para Chinês, e também construtor de um órgão e de um carrilhão que foram instalados numa igreja de Pequim. É considerado o introdutor da música europeia na China. (6)

OBSERVATÓRIO DE PEQUIM (gravura do século XVIII)

Sobre Tomás Pereira, ver anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-tomas-pereira/
e
https://www.revistamacau.com/2014/04/16/tomas-pereira-e-o-imperador/
(1) https://orientalistasdelinguaportuguesa.wordpress.com/tomas-pereira/
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997.
(3) Tomás Pereira participou nas negociações do Tratado de Nerchinsk (1689), que é considerado o primeiro tratado subscrito pela China com uma potência da Europa, neste caso o Grão-Principado de Moscou.
(4) Sobre a sua morte escreve o Padre Miguel de Amaral, S. J.: «Depois de sofridos grandíssimos trabalhos (por causa da malfadada questão dos ritos), (7) no dia 23 de Dezembro de 1708, na tarde do Domingo em que tinha cumprido todos os requisitos para ganhar o jubileu do papa Clemente para alcançar de Deus a paz entre os príncipes cristãos, foi a segunda vez acometido com o acidente de apoplexia que pôs fim à sua vida pela uma hora depois da meia noite de 24 de Dezembro do dito ano» (1)
(5) “Quando foi recebido pelo Imperador Kangxi, este tocou no su clavicórdio algumas canções chinesas que sabia de cor; acto contínuo, o Padre Pereira reproduziu-as em música, executando-as no seu clavicímbalo com tal perfeição que o Imperador exclamou: «Estas ciências dos europeus são verdadeiramente admiráveis, Estas ciências dos europeus são verdadeiramente admiráveis. Este homem é um génio maravilhoso!». Mandou-lhe dar 24 peças de seda, dizendo: «Estes vossos vestidos não prestam; aí tendes com que vos vestir». (1)
Aconselho leitura “Os jesuítas e a música em Macau e Pequim” de Ana Luísa Balmori_Padesca em
file:///C:/Users/ASUS/Documents/PARA%20ELIMINAR%20-%20DOWNLOADS/Os%20jesu%C3%ADtas%20e%20a%20M%C3%BAsica.pdf
(6) https://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_Pereira
(7) O episódio da Controvérsia dos Ritos em que após a proibição das missões na China, graças aos seus argumentos, Tomás Pereira conseguiu junto do imperador, que o Édito de Tolerância ao Cristianismo fosse publicado.

Começa na Rua Ferreira do Amaral, à entrada da Rua de Henrique de Macedo e termina na Calçada do Paiol, em frente da Travessa do Paiol.
Quem era esse homem?
Segundo Padre Teixeira (1) não se sabe se a «Calçada do Gaio» teria sido crismada em memória de Pedro Martins Gayo (Gaio) que foi  Capitão-Geral e governador de Macau, em 1611 mas «se não foi, bem merece que o seu nome seja perpetuado numa via pública»

«1612 – As viagens de Macau ao Japão foram oficialmente renovadas com a chegada do capitão-mor Pedro Martins Gaio no seu galeão São Filipe e Santiago a Nagasaqui a 17 de Agosto. O galeão português fora vendido à cidade de Macau por Dom Diogo de Vasconcelos, que para ali fora destacado como Capitão-mor dos «galeões da guarda da China» , em 1610.
Diogo de Vasconcelos, fora mandado de Goa com a sua bem equipada armada de seis galeões, uma pinaça, e duas galeotas com ordens não só para proteger a navegação portuguesa no mar da China contra os ataques dos holandeses, mas também para cooperar a com os espanhóis de Manila para expulsar os holandeses das Molucas»
Diogo recusou-se a cooperar com eles. Mais: os homens da sua armada envolveram-se em questões com os cidadãos de Macau e com as autoridades chinesas, por se ter recusado a pagar os direitos d ancoragem sob o pretexto de que os galeões eram navios do Rei e portanto estavam isentos dos pagamentos exigidos aos navios mercantes.
No Tribunal de investigação que depois se abriu em Manila, uma das testemunhas declarou que o capitão-mor de Macau, Pedro Martins e « Vicente Rodrigues (seu genro) hombre de autoridade e grande  amigo de el dicho Vasconcelos le habian pedido  e rogado que viniesse com la armada e no lo queria hacer porque era el dicho Vasconcelos mercador e traya 300 000 pessos de sua quenta e los queria emplear e hacer  otros tantos mas de ganancias» . A mesma testemunha acrescentou que, tanto o Bispo de Macau , como o imediato de Dom Nuno Soutomaior o instaram para cooperar com os espanhóis” (2)
Pedro Martins Gaio levou com ele Horacio Neretti (4) (o Capitão-mor da viagem de 1600) como enviado da Cidade de Macau, com a missão de obter do Shogun a confirmação do tratado para a renovação do comércio de Macau-Nagasáqui feito por Dom Nuno de Soutomaior em 1611. (3)  O Bakufu (Governo de cortina», como era chamado a ditadura militar de Tokugawa) mostrou-se favorável e graças à dedicação de Honda Kodzuke-no-suke e Goto Shozaburo, director da casa da moeda, foi passado o selo vermelho confirmando que os Kurofume ou «Navios Negros» podiam vir a Nagasáqui e comerciar, como haviam feito antes da perda da Grande Nau de André Pessoa». (1)
Pedro Martins Gaio e sua filha Maria Gaio, bem como seu genro Vicente Rodrigues, foram grandes benfeitores da Companhia de Jesus, dos Altares do Espirito (Confraria) e S. Miguel sendo todos sepultados na Igreja de S. Paulo.
Não há documento que indique a data do falecimento de Pedro Martins Gayo, mas sabe-se que o seu cadáver ficou incorrupto durante muito tempo e foi sepultado em lugar separado «para veneração». Maria Gayo faleceu a 1 de Fevereiro de 1644 e seu marido Vicente Rodrigues a 12 de Agosto de 1638. O casamento realizou-se antes de 1612. (1)
(1) TEIXEIRA, P. Manuel- Toponímia de Macau, Volume II, 1997 pp. 21-24
(2) BOXER, Charles Ralph – O Grande Navio de Amacau, 1989, pp. 69-71
(3) Além do navio de Dom Nuno partiu de Macau para Nagasaqui um grande junco, no qual iam como passageiros vários missionários jesuítas, mas afundou-se durante uma tempestade ao largo da costa de Fukien, onde aqueles que chegaram à terra foram mortos por chineses hostis. (2)
(4) Horácio Neretti Sudrini, italiano de Florença, veio para Macau comerciar nos fins do século XVI. Em 1598 encontrava-se em Macau. Neretti fez várias viagens ao Japão, designadamente 1600 e 1612. Foi sepultado em S. Paulo. (1)
東望洋斜巷 – mandarim pīnyīn: dōng wàng yáng xié xiàng; cantonense jyutping: dung1 mong6 joeng4 ce3 hong6

No campanário do Seminário de S. José (1) há dois sinos fundidos em Macau no ano de 1796, pelo artista fundidor e serralheiro José António Pederiva. Era natural de Brixen (Tirol) (2); aperfeiçoou o seu ofício em Colónia, casou enviuvou e voltou a casar em Macau, onde nasceram os filhos. Aqui deixou vasto trabalho na sua arte, nomeadamente canhões, testemunhado em requerimento que sobre ele fez ao Senado em 29 de Outubro de 1796. (3)

Fachada da Igreja do Seminário de S. José – 1957

(1) Há grande divergência entre os investigadores sobre a data da sua fundação. Sabe-se que já existia em 1749, (3) podendo situar seguramente o seu começo no segundo quartel do século XVIII. Existia, então, no sítio onde se levanta o actual edifício, conhecido durante muito tempo como Monte do Mato Mofino, um grupo de 3 casitas pertencentes a um homem rico, Miguel Cordeiro, que as ofereceu aos missionários jesuítas. Nelas se instalou o primitivo Seminário e delas se foi erguendo, ano a ano, gradualmente o grandioso maciço que ainda é conhecido entre os chineses: Sam Pá Tchai ou S. Paulo Menor. (M. B. I. Ano I, n.º 31, de 15 MAR 1955).
(2) José António Pederiva era natural de Fascia ??? – Itália., segundo o sítio recente (macaumemoria.mo), que refere ter extraído de TEIXEIRA, Manuel – Igreja do Seminário, s. d.
https://www.macaumemory.mo/entries_d8509df7777b42bc8cc55dcf44402f33?token=+pb7VLGA5VT0a8FGKdkgZg==&lgType=pt
(3) “22-02-1657 Fundação, pelos jesuítas, do Seminário de S. José. A Igreja é de 1750” SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau,  Volume 2, 1997.

Continuação da publicação dos postais de Macau digitalizados do «Jornal Único» de 1898 (1)
NOTA:Os chichés das vistas photographicoas foram tirados pelo photographo amador Carlos Cabral. Todos os trabalhos respeitantes a este «Jornal Único» foram executados em Macau

Sé Cathedral

Extractos do artigo de Arthur Tamagnini Barbosa “Sé Cathedral”, publicado no «Jornal Único» pp. 28-31

Fachada do antigo convento de S. Paulo

Extractos do artigo de A. Basto “Fachada do Antigo Convento de S. Paulo”, publicado no «Jornal Único» pp. 36-41.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jornal-unico/
http://purl.pt/32511/3/html/index.html#/1

No dia 11 de Julho de 1940, foi descoberto por dois religiosos lazaristas irmão Chala Maia e José Van Den Brandt, no cemitério de Ching Lung Ch´iao de Pequim, o túmulo de João Correa (Correia), que, morreu por acidente, da explosão de uma peça dum dos 4 canhões que Macau enviou ao Império Ming em 1624 (1) respondendo ao pedido de auxílio do próprio imperador. A pedra sepulcral fora destruída pelos boxers, em 1900, e os ossos foram removidos pelos dois lazaristas para uma nova sepultura. (2)
Em 1621,Pelo menos 3 e no máximo 10 canhões e pessoal para os manusear foram enviados de Macau à China para combater os Manchus. Devem ter sido 7 portugueses (3) entre os quais João Correa, (4) que morreu na expedição e foi enterrado na China.  Foram chamados pelo Imperador Tianqi 天啓(1621-28) (5) para ensinar artilharia em Pequim, embora esta fonte proponha a data de 1624. (6)
Pouco depois chegou à corte de Pequim um português chamado Gonçalo (ou Gonçalves) Teixeira vindo com embaixada e presente da cidade de Macau, o qual, vendo a insolência dos tártaros e o temor dos chineses, e julgando prestar serviço o reino de Portugal a favor a si, por qualquer coisa que lhe pudesse fazer ao rei da China, ofereceu aos mandarins, em nome da cidade, alguns portugueses para auxiliar contra os tártaros. A oferta agradou e o Conselho de Guerra despachou, então, o padre da Companhia, padre João Rodrigues (7) para que desse despacho a este negócio (8)

MAPA DA TARTÁRIA de J. Hondius, 1606

O Padre Semedo, S. J. que data este último episódio em 1622, refere:  “Preparam-se em Macau, 400 homens, sendo 200 soldados, entre eles muitos portugueses de cá outros de lá. A maioria era gente do país, mas não obstante chineses, nasceram, em Macau, e foram criados, a seu modo, entre portugueses, sendo portanto, bons soldados e grandes atiradores de espingardas maioria portugueses mas também alguns chineses, educados em Macau.” (7)
Semedo afirma ter visto em Nan-Tchâng o grupo expedicionário quando se dirigia a Pequim. Levaram como interprete o Padre João Rodrigues, S. J., da Província do Japão, (8). Esta expedição de socorro ao mandarim não terá sido feita de uma vez, pois há relatos de pedido em 1630. (9)
(1 ) Luís Gonzaga Gomes (2) refere esta data, 1624; Beatriz Basto da Silva (6) indica 1621; Álvaro Semedo – 1630 (8) e outros: 1622 (3).
(2) GOMES; Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(3) BRETSCHNEIDER, E – Mediaeval Researches from Eastern Asiatic Sources: Fragments Towards the Knowledge of the Geography and History of Central and Westen Asia from the 13th to 17th Century, Volume 2, 1888 ( reimpressão em 2000) p. 328.
https://books.google.pt/books?id=UQT_AQAAQBAJ&pg=PA328&lpg=PA328&dq=china+review+Bretschneider+1621&source 
(4) Sete artilheiros comandados por Pedro Cordeiro e António Rodrigues do Campo. Da explosão além da morte de João Correia, morreram três a quatro chineses. O manuseio dessas potentes armas de fogo deram origem a momentos dramáticos. Os militares chineses não estavam preparados para as usar.(8)
(5) Xizong 熹宗  (1605-1627),  16.º imperador da dinastia Ming com o nome de imperador Tianqi 天啓 (1620-1627)
https://en.wikipedia.org/wiki/Tianqi_Emperor
(6) SILVA, Beatriz Basto – Cronologia da História de Macau, Volume i, 1992; e Volume 4, 1997.
(7) O interprete Padre João Rodrigues, S. J., da Província do Japão, já visitara a China em 1612 com o intuito de conhecer as seitas idólatras da China, sobre as quais apoiavam as do Japão.
(8) SEMEDO, Álvaro – Relação da Grande Monarquia da China (tradução do italiano por Luís G. Gomes), I Vol, 1956, pp.262-266.
(9) “16-08-1630 – Foram eleitos seis adjuntos que deveriam tratar com o Senado sobre o pedido feito pelo Imperador da China, solicitando o envio de gente de guerra e armas, para a luta contra os tártaros”. (6) (8)

“Todos os anos a 13 de Junho, um herói da história chinesa Kwan Tai (Santo Kwan) (1) origina a organização de diversas festas em sua honra,
Em Macau, a maioria das festas é realizada por associações desportivas e de artes marciais que percorrem a cidade executando a dança do leão. Há a habitual peregrinação a lojas e outras casas comerciais e os patrões já sabem que têm de dar ao leão um lai si (um pacote vermelho contendo dinheiro), para mostrar a sua veneração a Santo Kwan.
Kwan Tai é um ídolo adorado pelos chineses e mesmo por alguns «gweilo» a viverem em Macau e em Hong Kong. Tem a particularidade de ser venerado pelas forças de segurança e pelas associações criminais secretas, por trabalhadores e capitalistas, cada um à sua maneira.
Porquê, este respeito a Kwan Tai, traduzido, aliás, no seu nome, dado por mandato imperial após a sua morte? (De realçar que a palavra «Tai» é o caracter chinês que dá nome ao imperador, o que Kwan Tai nunca foi). Kwan era o nome de família e o nome próprio era Yu ou – outro nome – Wan Cheung. Kwan Yu (1) ou Kwan Wan Cheung nasceu no final do primeiro século A. D., sendo aa data exacta desconhecida, morrendo no ano 219 de acordo com a História. Estava-se portanto na época conhecida na história da China como a dos Três Reinos.
Foi um destacado general do Reino Suk, (2) um dos três então existentes. Trabalhou lealmente para o rei Suk, Lau Bei, (2)  e ajudou-o a combater os seus inimigos (os outros dois reinos) na tentativa de unificar, ou controlar, toda a China. Guerreiro temido, era um especialista em artes marciais e sempre se salientava no campo da batalha.
Era também conhecido pela sua lealdade, piedade, sentido de justiça, benevolência e coragem… (…)
Descrito com ar magestoso, Kwan foia adorado  a ponto de depois de ter sido santificado com o título honorário de Kwan Tai,  ultrapassando até a imagem de um imperador feudal.
Rapidamente ganhou fama de vencer todos os demónios e, mesmo que se saiba pouco dele, não são poucas as pessoas que colocam estatuetas ou imagens de Kwan Tai nas suas casas, lojas, ou associações como forma de esconjurar os males.
É a divindade preferida dos polícias e dos criminosos. Se os primeiros admiram-no pelo seu poder, lealdade e bravura, as associações secretas louvam-lhe a justiça e lealdade aos seus pares (Kwan e Lau Bei tratavam-se por irmãos). Os trabalhadores, ou os comerciantes, os desportistas, cada classe tem a sua razão para o adorar
Extraído (artigo e fotos) de LIO, Peter – Kwan Tai, santo das artes marciais. Nam Van, n.º 2-1 de Julho de 1984, pp. 66-68
Em Macau existem dois templos dedicados a Kwan Tai: um na Ilha da Taipa – Templo de Kuan Tai na povoação de Cheoc Ka construído ente 1662 e 1837; lado a lado com o templo Tin Hau formando um único templo e outro na península, localizado na Rua Sul do Mercado de São Domingos construído em 1750 para ser o local de reunião de comerciantes (sede da associação. Como colocaram uma imagem do santo, com o tempo foi transformado em templo como hoje conhecemos.”
Anteriores referências em
SAM KAI VUI KUN ou KWAN TAI /三街會館或關帝古廟 
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-sam-kai-vui-kun-kwan-tai/
(1) Kwan Tai  關帝 ou Guan Yu 關羽 ou Guan Di/Ti 關帝 também conhecido como Kwan Kung
(2) Liu Bei 劉備– rei de Hanzhong 漢中王 e fundador do estado de Shu han no período dos Três Reinos e primeiro governante do Imperio Han,  de 221 a 223.

Na sequência da ida dos médicos Isidoro Lucci e João Baptista Lima para a corte imperial chinesa,  episódio referido em 26 de Setembro de 2015 (1), retiro do livro do Padre Teixeira (2) o seguinte:
O Padre Grimaldi, (3) sabendo que na Corte seria informada de que chegara outro médico ao pequeno domínio português, fez seguir viagem o padre Isidoro Lucci (desembarcado em Macau em 1691) para Pequim em Maio de 1692, acompanhado pelo cirurgião João Baptista Lima.
Chegados a Pequim, logo a vontade do Imperador se manifestou em demoradas conversas ou pedidos de informes médicos, e por fim, para experiência distribuiu-lhes alguns doentes, mas não pode deixar de ser reconhecido quanto o factor sorte favoreceu pouco o médico Lucci, na natureza dos casos que lhe couberam: uma mulher sofrendo de «afectos histéricos», um caso grave de tifo exantemático, uma varíola hemorrágica, um caso de reumatismo crónico e uma tuberculose em fase terminal.
A enfrentar quadros desesperados ou mesmos perdidos, não admira que as curas, no dizer de outro jesuíta em carta, igualmente de Pequim – «lhe não sucedessem bem e a medicina europeia delas não saisse com grande honra».
Mais afortunado foi o cirurgião Lima que ” as postemas, alporcas, chagas mal incarnadas e mal dos olhos” obteve resultados excelentes e com o tratamento e cura do jovem Príncipe – 9.º filho de Kang Hsi – conseguiu um êxito retumbante. Desbridou com um grosseiro ferro ao rubro, perante o assombro dos circunstantes e o desespero angustioso de Kang Hsi, um abcesso parotidiano em avançada fase de infiltração. E quando alta noite, ainda em atmosfera de pavor, a toda a pressa os mandaram chamar – a ele e ao médico Lucci – para atenderem o operado que tivera um delírio, depois de observar o doente, declarou que “o menino nada tinha, salvo o medo que com tantos estrondos os seus tinham causado”
O caso esteve muito sério e houve quem afirmasse – “se o menino morrer, não morre só» mas a cura rápida do doente tudo mudaria para bem e, como era justo, trouxe ao Lima uma grande fama.
Na opinião dos próprios padres, dentro da sua esfera, mostrara-se competente: “pois com longa experiência tinha boas receitas e melhores mãos, além da natural audácia com que não receava empreender em qualquer cura, ainda que dificultosa».
Um dia, o próprio Imperador adoeceu com febre alta e, os dois clínicos foram chamados. na ideia fixa de que os interesses da Missão não toleravam riscos , não fugiram ao exame mas para o resto e sobretudo ao tratamento «viesse o que viesse», naõ passariam de informações tóricas, sem indicação de qualquer medicamento alegando não haver em Pequim os remédios europeus adequados.
Kanghi desapontado reenviou Lucci para Macau vindo com o cirurgião Lima a 13 de Setembro de 1693, donde Lucci partiu para Tonquim onde faleceu em 1715.
Outra versão da história: OS JESUÍTAS FRANCESES E OS PORTUGUESES: Em 1687, entravam em Pequim os jesuítas franceses, sob a protecção de Luís XIV, que, apesar de pertencerem à mesma ordem, se mostraram logo rivais dos seus confrades portugueses. Citemos apenas um incidente: o imperador Káng-Hsi pretendia a todo o custo um médico europeu em Pequim e insistiu com os jesuítas portugueses para que lho enviassem. Estes, com muita repugnância, enviaram-lhe dois: o jesuíta italiano Isidoro Lucci, padre e médico, e o cirurgião chinês João Baptista Lima, que servia o Senado de Macau e se criara entre europeus em Goa, Batávia, Sião e outras partes. Saíram de Macau a 12 de Maio de 1692 e, chegaram a Pequim a 12 de Julho. Curaram vários doentes e quando Kang-Hsi adoeceu com febre alta, consultou o Dr. Lucci. Este, temendo que a Missão sofresse se o doente não sarasse logo, respondeu que não tinha remédio algum, “querendo acabar de vez com todas as perguntas e historias que o podiam embaraçar em tal doença”. O Dr. Lucci foi recambiado para Macau, aonde chegou com o Dr. Lima ao 13 de Setembro de 1693. Logo acudiram os jesuítas franceses “sem experiencia e sem doutrina, ou para adiantarem-se na Graça do Rei, ou para fazer oposição aos outros Padres… e estão agora ainda metidos nas mezinhas e coisas medicinais, o que tanto se adiantaram que o Rei mandou o Padre Bouvet… de buscar e trazer mezinhas para a Corte”. Os jesuítas tinham consigo quinquina; deram-na a Káng-Hsi e, como tinha passado a noite muito agitado, tomou-a e ficou livre da terça. Como era natural, ficou muito contente e agradecido.
http://www.library.gov.mo/macreturn/DATA/PP280/PP280275.HTM
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/09/26/noticia-de-26-de-setembro-de-1693-antonio-da-silva-cirurgiao-da-cidade/
(2) TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, Volumes III-IV, 1998.
(3) Claudio Filippo Grimaldi (chinês: 閔明我, Min Mingwo), (Itália 1638-Beijing 1712) foi um jesuíta italiano, missionário na China, astrónomo (director do observatório  astronómico imperial em Pequim), engenheiro e construtor. Partiu para a China a 15 de Abril de 1666 de Lisboano navio “ Nossa Senhora da Ajuda. Chegou a Goa em 13 de Outubro de 1666 e em Macau no final do ano. Chegou a Cantão em 1669. E em 1671 a Beijing.
Para mais notas biográficas, entre outros sítios,  ver em:
https://no.wikipedia.org/wiki/Claudio_Filippo_Grimaldi
http://www.treccani.it/enciclopedia/filippo-grimaldi_(Dizionario-Biografico)/