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No dia 9 de Agosto de 1698, tomou posse da capitania e governo de Macau, Pedro Vaz de Siqueira, (1) filho do embaixador ao Japão Gonçalo de Siqueira e Sousa. (2) Participou na reconquista de Ceilão e na defesa de Cochim, em 1659-1663. Seu filho António Siqueira Noronha (3) foi também Governador de Macau (durante o seu governo houve o episódio da morte de um chinês por um timorense, criado de João Soares Lisboa).  (4) (5)
(1) Pedro Vaz de Siqueira foi governador até 4 de Agosto de 1700. Viria a ser novamente governador de 22 de Julho de 1702 a 14 de Agosto de 1703.
(2) Gonçalo de Siqueira de Sousa, Capitão de Mar-e Guerra dos Galeões de Portugal primeiro embaixador enviado por D. João IV ao Japão, embaixada feita por sugestão do Padre António Cardim, S. J.. Gonçalo de Sousa reuniu.se, em 3 de Junho de 1645, em conferência com o Senado de Macau, com o Capitão-Geral Luiz Carvalho de Sousa, com o Governador do Bispado e Juízes, para tomar conhecimento das instruções sobre a embaixada ao Japão. Siqueira fora designado por decisão de D. Joaõ IV, em Lisboa a 29 de Dezembro de 1643. Para as despesas da embaixada, o Capitão Geral Luiz de Carvalho e Sousa convocou o povo do Senado no dia 6 de Junho desse ano, para o informar da necessidade de o mesmo concorrer com 40 mil patacas, pedido este que foi aceite unanimemente. (4) (6)
Em 9 de Agosto de 1645, o Senado resolveu não se arriscar a enviar a embaixada de Gonçalo de Siqueira de Sousa ao Japão sem advertir, primeiramente, a  El-Rei, que o embaixador não podia garantir consentimento para a pregação do Evangelho no Japão e que o rei deste país, após a malograda embaixada anterior de 1640, proibira a entrada dos portugueses por qualquer via. (4) (6)
(3) António Siqueira Noronha fidalgo-Cavaleiro, natural de Macau Tomou posse do Governo de Macau a 11 de Julho de 1711, segundo Charles R. Boxer. Outros autores propõem outras datas: 18 de Julho ou 22 de Julho. (4) (6) (7) Governou até 13-07-1714, data da posse de Dom Francisco Alarcão Sotto-Maior, que foi também Governador de Moçambique e Rios de Sena e Capitão-Mór da Armada do Canará e Costa do Sul. (4)
(4) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(5) “23-03-1712 – Neste dia mandou o Governador mattar hum moço de João Soares Lisboa na boca de huma pessa na Fortaleza do Monte pela morte que fes a hum China que se achava no matto cortando palha, e aos oito companheiros que não tiverão tanto culpa os mandou açoitar pelas ruas publicas da Cidade e depois vendidos em Manila para se pagarem os gastos que se fiserão com os Mandarins que os agarrarão, e com os parentes do defunto.”.(7)
Ver o mesmo episódio relatado em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/05/21/noticia-de-1743/
(6) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 1, 1997
(7) BRAGA, Jack  M. – A Voz do Passado, 1987.

Mais dois ”slides” digitalizados da colecção “MACAU COLOR SLIDES – KODAK EASTMAN COLOR”, comprados na década de 60 (século XX), se não me engano, na Foto PRINCESA (1)
Dois slides referentes ao Templo de Kun Iam (Kun Iam Tong -觀音堂)

“Um dia, dois pastorinhos da aldeia de Mong Há (Mong Há Tchun- aldeia do Vestíbulo ou aldeia que contempla Há Mun, ou aldeia que contempla Casa Grande ou Palácio) viram boiar nas águas do rio que banhava os pés da Colina de Mong Há (outrora chamada Kam Kok Lam – Colina do Cume de Oiro), uma estatueta de madeira da Kun Iam , deusa; colocaram-na num nicho, que mais tarde se transformou num templo; este foi ampliado nos fins do sec. XVII. No reinado de Man Lek (1572-1620) (2) foi construída a bonzaria Pou Tchai Sin Un, junto do templo. Esta bonzaria foi-se ampliando com novos pavilhões, que vieram a dar o actual Kung Iam Tong; este ofuscou o primitivo santuário que ficou sendo conhecido pelo nome de Kun Iam Ku Miu -觀音古廟 (Antigo Templo de Kun Iam)” (3) (6)

O actual edifício de Kun Iam Tong data de 1627, sendo o templo restaurado durante os reinos de Chia Ching (1795-1821) (4) e de Tong Chih (1862-1875) (5) (6)
(1) Ver anteriores slides desta colecção em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/artes/
(2) Imperador Wanli (Man Lek) – 萬曆; mandarin pinyin:: Wàn Lì; cantonense jyutping: maan6 lik6
(3) O Kun Iam Ku Miu 觀音古廟 (Antigo Templo de Kun Iam) também chamado Kun Iam Tchai ( Pequeno Kun Iam) fica ao sul da colina de Mong Há, perto do Kung Iam Tong, fora do alinhamento da Avenida Coronel Mesquita, em frente da Rua Madre Terezinha. Reconstruído em 1867.
觀音古廟 – mandarin pinyin: guān yīn gǔ miào; cantonense jyutping: gun3 jam1 gu2 miu6
(4) Imperador Jiaqing (Chia ching ) – 嘉慶帝: mandarin pinyin: Jiāqìng Dì; cantonense jyutping: Gaa1 hing3 dai3
(5) Imperador Tongzhi (Tong chih) – 同治帝 – mandarin pinyin: Tóng zhì Dì; cantonense jyutping: Tung4 ci4 dai3
(6) TEIXEIRA, Padre Manuel – Pagodes de Macau, 1982.
Anteriores referências ao Templo de Kun Iam
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-de-kun-iam/

Entre as várias fotografias que ilustram os locais de interesse turístico de Macau que é apresentado no folheto turístico de 1928 (1) constam estas duas, os monumentos de Vasco da Gama e da Vitória.
a-vistors-handbook-to-romantic-macao-jardim-de-vasco-da-gamaRetiro da parte “Historical” do mesmo folheto:
Delving into history we discover that not for nothing Macai gained its glorious title “Gem of the Orient Earth” – a title bestowed on Macao by Sir John Bowring, (2) on early Governor of majestic Hong Kong.
This lovely “Gem” has survived the test of the ages and the banners of Portugal still flutter to the breeze o´er “Holy City” of enchanting Macao, after almost four centuries of the vicissitudes of hazardous times.
Vasco da Gama, transcendent of navigators, sailed out of the Tagus one day, and discovered the Cape route to the Indies and Far Cathay: his followers went farther afield and founded Macao.
Authorities disagree regarding the date of the foundation of the Portugueses Colony. Morrison refers to Portuguese incidence as early as 1535, and sojourn in 1537; the Chinese records admit residence in 1550; but the Portuguese have adopted 1557 as the oficial date of the Colony´s establishment.
It was not till 1887, however, three hundred and thirty years later that by treaty China ratified the perpetual occupation by Portugal of the Colony of Macao and its dependencies…
a-vistors-handbook-to-romantic-macao-the-pillar-of-victory“…The Dutch were the first to invade this privileged trade centre of the Portuguese and even attempted to take Macao by force of arms. Their repulse in 1622 by a small volunteer garrison at Macau is un historical episode of considerable interest”
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/01/24/leitura-folheto-turistico-de-1928-a-visitors-handbook-to-romantic-macao/
john-bowring-4-o-governador-de-hk(2) Sir John Bowring 寶寧 (1792-1872), homem de muito saber (intelectual), economista político, escritor e editor, poliglota, tradutor literário, membro do Parlamento Britânico, reformador na área da educação e do próprio funcionamento do parlamento, exerceu vários cargos governamentais entre eles, foi o 4.º Governador de Hong Kong (13-04-1854 – Março de 1859). Foi durante a sua governação enérgica e “bélica” contra os chineses que desencadeou a Segunda Guerra do Ópio (1856-1860).
http://uudb.org/articles/sirjohnbowring.html
https://en.wikipedia.org/wiki/John_Bowring

cunha-rivara-relacao-de-varios-factos-verdadeiros-icunha-rivara-relacao-de-varios-factos-verdadeiros-iiFONTE: Relação de vários factos verdadeiros, etc, de Cunha Rivara, (1) publicados no Chronista de Hssimry
https://archive.org/stream/subsidiosparaah01frangoog/subsidiosparaah01frangoog_djvu.txt 
1 – Joaquim Heliodoro da Cunha Rivara (1809 — 1879) foi um médico, professor, intelectual, jornalista e político português. Não se sentindo atraído pela prática clínica médica, optou por iniciar uma carreira administrativa no Governo Civil de Évora, no qual ingressou em 1837; em Outubro desse mesmo ano foi nomeado professor de Filosofia Racional e Moral do Liceu de Évora, e em 1838 nomeado director da Biblioteca Pública de Évora (1838-1855). Secretário-geral do governador do estado da Índia de 1856 a 1870. Permaneceu em Goa 22 anos. Mais informações sobre a biografia em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Heliodoro_da_Cunha_Rivara 
NOTAS.
I – O arrátel era a unidade de base de peso do antigo Sistema Português de Medidas. Até à adopção do Sistema Métrico, no século XIX, o arrátel foi usado em Portugal, no Brasil e em outros territórios do Ultramar Português. Os valores absoluto e relativo do arrátel foram sendo alterados desde a Idade Média até serem fixados como equivalentes aos da libra (ibérica), por decreto do Rei D. Manuel I em 1499. A partir de então, o “arrátel” passou a ser o mesmo que “libra”.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Arr%C3%A1tel
II- “No dia 4 de abril de 1705 aportou a Macau o patriarcha da Antiochia, Carlos Thomaz Maillard de Toumon, commissario e visitador apostólico, com poderes de legado a latere, enviado pelas controvérsias que então havia na China entre jesuítas e missionários das mais ordens sobre as ceremonias chinezas e especialmente sobre os três seguintes pontos:
1.ª Se a palavra tien, conforme a doutrina dos letrados chinas e o sentir do imperador, significava o Deus verdadeiro, creador de todas as cousas.
2.ª Se o grande culto que os chinas prestavam a Confucius, seu grande mestre, e aos progenitores defuntos era meramente politico.
3.ª Se eram lícitos os quadros ou painéis em que os chinas, para memoria dos seus fallecidos ascendentes, que veneram, tèem escriptos os nomes d’elles.
Foi buscal-o ao navio em que vinha o padre Francisco Pinto, da companhia de Jesus, provincial do Japão e reitor do colegio que os jesuítas tinham em Macau, com outros padres seus subordinados. N’esse mesmo dia se hospedou o patriarcha n’uma propriedade que os mesmos padres tinham numa ilha próxima.
Ali o foram visitar o capitão geral e o bispo de Macau e lhe fizeram singulares offerecimentos. Não quiz, porém, o patriarcha deter-se, nem tão pouco entrar na cidade, e no dia seguinte partiu para Cantão.”
Ver o mesmo trabalho de  Cunha Rivara (2) em
Collecção de tratados e concertos de pazes que o estado da India portugueza fez com os reis e senhores com quem teve relações nas partes da Asia e Africa Oriental desde o principio da conquista até ao fim do seculo XVIII”
https://archive.org/stream/collecodetratad03estrgoog#page/n1/mode/2up”>https://archive.org/stream/collecodetratad03estrgoog#page/n1/mode/2up
III – Padre Jean-François Gerbillon (1654- Beijing 1707), (nome chinês: Zhang Cheng), jesuíta e matemático enviado por Luis XIV de França à China 1685.Chegou a Sião em 1685 e a Ningbo (China) em 1687 e finalmente a Beijing em 1688. Jean-François Gerbillon foi um dos cinco “Matemáticos do Rei” (os outros quatros: Jean de Fontaney (1643 – 1710); Joachim Bouvet (1656-1730); Tomás Pereira (1645-1708) e Antoine Thomas (1644-1709). O Padre Gerbillon e o padre Bouvet foram professores do Imperador Kangxi (1662-1722).
Uma biografia mais pormenorizada em:
tochastikon.no-ip.org:8080/encyclopedia/en/gerbillonJeanFrancois.pdf  
IV – Padre Tomás Pereira (1645 — 1708) foi um jesuíta, matemático, astrónomo, geógrafo e diplomata português. Em 25 de Setembro de 1663 entrou para a Companhia de Jesus. Em 15 de Abril de 1666 embarcou para a Índia, continuando os seus estudos em Goa, chegando a Macau em 1672. Tomás Pereira viveu na China até à sua morte em 1708 no antigo Observatório Astronómico de Pequim. Foi apresentado ao imperador Kangxi pelo colega jesuíta Ferdinand Verbiest. Foi também músico, sendo autor de um tratado sobre a música europeia que foi traduzido para Chinês, e também construtor de um órgão e de um carrilhão que foram instalados numa igreja de Pequim. É considerado o introdutor da música europeia na China.
Tomás Pereira e um padre francês, J.F. Gerbillon, foram escolhidos pelo imperador Kangxi para acompanharem a embaixada chinesa do ministro Songgotu – 索額圖 – e participarem como intérpretes – tradutores e conselheiros de direito internacional, nas negociações (foram conduzidas utilizando o latim),do primeiro acordo fronteiriço entre a China e a Rússia  terminando com o Tratado de Nerchinsk- 1689.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_Pereira
2 – Joaquim Heliodoro da Cunha Rivara (1809 — 1879) foi um médico, professor, intelectual, jornalista e político português. Não se sentindo atraído pela prática clínica, optou por iniciar uma carreira administrativa no Governo Civil de Évora, no qual ingressou em 1837; em Outubro desse mesmo ano foi nomeado professor de Filosofia Racional e Moral do Liceu de Évora, e em 1838 nomeado director da Biblioteca Pública de Évora (1838-1855). Secretário-geral do governador do estado da Índia de 1856 a 1870. Permaneceu em Goa 22 anos. Mais informações sobre a biografia em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Heliodoro_da_Cunha_Rivara

No dia 3 de Janeiro de 1601, na sua viagem de circum-navegação, Olivier van Noort encontrou, na Baía de Brunei, na costa de Bornéu, (1) uma pequena embarcação tripulada por japoneses, capitaneados por um portuense, Manuel Luíz, que residiu, durante muitos anos, em Malaca e Macau. Essa embarcação seguia de Nagasáqui para Manila.(2)
olivier-van-noort-1601-fotoOlivier van Noort  (1558 ou 1568 — 1627) navegador dos Países Baixos, o primeiro do seu país a circum-navegar a Terra (e o quarto após a de Juan Sebástian Elcano, 1522). A expedição comandada por Van Noort era composta por quatro navios : «Mauritius», de 275 toneladas, o «Hendrik Frederick», de 375 toneladas, e dois iates, de cerca de 50 toneladas cada, o «Eendracht» e o «Hoop»,  no total de 248 homens partiu de Roterdão a 13 de Setembro de 1598, e retornou a esta cidade, a 26 de agosto de 1601, com uma única embarcação, o «Mauritius», com apenas 45 sobreviventes , dos 248 que iniciaram a expedição. A narrativa da sua viagem foi publicada com o título “Beschrijving van de moeyelyke reis rondom de werldaar de globe, door Olivier van Noort, waarin zyne vreem de lotgevallen in voorkomen” (Amesterdão, 1612).
olivier-van-noort-1601-capaFolha de rosto da “Beschrijving van de moeyelyke reis rondom de werldaar de globe, door Olivier van Noort, waarin zyne vreem de lotgevallen in voorkomen” (Amesterdão, 1612).
https://pt.wikipedia.org/wiki/Olivier_van_Noort#/media/File:Olivier_van_Noort.png
(1) olivier-van-noort-1601-descricao-iolivier-van-noort-1601-descricao-iiin pp.59-60 de SAUNDERS, Graham – A History of Brunei. Oxford University Press, K.L., 1994.
https://books.google.pt/books?id=DUv8AQAAQBAJ&pg=PA59&lpg=PA59&dq=Olivier+van+Noort+Brunei+bay&source
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.

A construção do Colégio de S. Paulo (1594) ao qual dentro em breve (1602) seria acrescentada a majestosa Igreja a Madre de Deus, de que restam imponentes ruínas, partiu da ideia do Padre Visitador Vaglinani que na sua construção foi eficientemente auxiliado pelo padre Reitor Manuel Dias e a ultimaram com dispêndio de larga soma.
Na construção, uma das secções, logo lá individualizada, foi a da enfermaria, que aparece referida, pelo menos depois do acrescente «da varanda nova, com vistas para o rio» (porto interior),na verdade, a exposição recomendável (…)
Anexa à enfermaria estava a indispensável botica, a cargo de Irmão especializado e sempre proficiente.

postal-ruinas-de-s-paulo-dst-1986POSTAL – RUÍNAS DE S. PAULO
Colecção «MACAU DST»  s/data
(Provavelmente de 1986)

Eis uma carta escrita por um desses Irmãos boticários dirigida ao Padre Visitador Jerónimo Rodrigues em 21 de Dezembro de 1625 e cópia da mesma, ao Rev.mo Padre Geral no ano de 1626.
Por vezes tenho falado a V. Rev.ma dando-lhe várias razões para que haja por bem que eu não vá para fora da Casa curar nenhum enfermo e, também, por via do meu confessor o fiz saber a V. Rev.ma.
Mas como foram dadas, por várias vezes e de palavra, pareceu-me ajustá-las por escrito, as quais são as seguintes:
Primeiramente, tenho dificuldade de curar fora desta Casa, por não ser médico, porque um médico tem necessidade de saber muito bem latim, curso e medicinas e como V. Rev.ma sabe, das duas não sei nada e de latim sei muito pouco.
Vai em 6 anos que estou em Macau e todas as vezes que os Superiores me mandam fazer alguma cura, me escusei, vendo a minha insuficiência e, assim, sempre fui forçado, mais por lhes dar gosto e satisfazer o seu mandado, que para outro nenhum fim.
Ainda que algumas curas me sucederam bem, fiz muitos erros por não saber e alguns deles graves, de que fiquei com muitos escrúpulos, particularmente, de 3 de que fiz sabedor V. Rev.ma.
Não se pode dizer que há extrema necessidade, coo por vezes, me disseram alguns Superiores e alguns particulares, porque até Março passado estiveram (aqui) Estêvão Jorge e Diogo Marin, os quais curaram esta cidade 40 (?) anos.. Contudo, em seu tempo, me mandaram muitas vezes fora e agora têm aqui Luís de Azevedo que, ainda que não é médico de profissão, é muito bom latino e bom boticário e tem livros por onde estude. Sem nenhum encarecimento me atrevo a dizer que pode ser meu mestre, assim na medicina como na botica, afora outros mais que há na terra, ainda que, senão tão bons, também ajudam nas necessidades…”
… continua
SOARES, José Caetano – Macau e a Assistência. Agência Geral das Colónias, 1950.pp.28-32.

Um pequeno opúsculo sobre o padroado português na China de A. Marques Pereira, imprimido em Lisboa (“impresso requisitado por um amigo”) pela Imprensa de J. G. de Sousa Neves, (Lisboa), em 1873.
o-padroado-portuguez-na-china-1873-iDedicado a
o-padroado-portuguez-na-china-1873-iiPublicação de três cartas que o autor enviou à imprensa portuguesa em 1872 sobre a «Questão do Padroado – escolha e confirmação do Bispo de Macau»
A 1.ª enviou-a em 19 de Fevereiro de 1872 ao «Diário de Notícias» que a publicou na edição do dia 20; Publicação na «Gazeta do Povo», no dia 27, do artigo “Notícias de Macau e Questão do Padroado (observações sobre este assunto publicado na «Correspondência de Portugal» no dia 29 de Janeiro)
2 ª carta do autor à «Gazeta do Povo» em 29 de Fevereiro de 1872; a «Gazeta do Povo» publicou-a em 12 de Março com o título “Macau – Questão do padroado
3 . ª carta do autor à «Gazeta do Povo»  em 1 de Abril de 1872.

O Papa Gregório XIII instituiu a diocese de Macau, espalhada pela província da China e pelas ilhas do Japão e de Macau e outras terras e ilhas adjacentes que é confiada aos monarcas portugueses (Bula «Super Spécula Militantis Ecclésiae» de 23-1-1576). As dioceses de Goa e Macau, por exemplo, foram criadas respectiva e unicamente em 1537 e 1575.
Por isso no final do século XVI o Padroado Português do Oriente já possuía bastantes católicos (em Macau 3000). A diocese de Macau (com as missões em Malaca – e a cristandade de S. Pedro, Singapura – e a comunidade cristã de S. José, China) passou a ser os «restos» do Padroado Português do Oriente, em 1776. A Concordata de 1857 (Pio IX:21-II) limitou o direito do Padroado à igreja primacial de Goa, à igreja arquiepiscopal de Cangranor e às igrejas episcopais de S. Tomé de Meliapor, Cochim e Malaca (exceptuando a ilha de Pulo-Penang) e Macau (incluindo a província de Cantão e as ilhas adjacentes e excluindo a província de Quam-si e a ilha de Hong-Kong).
Até que finalmente, em 21 de Fevereiro de 1857, é acordado o Tratado sobre o exercício dos direitos do Padroado, negociado pelo Núncio e pelo Ministro Rodrigo da Fonseca Magalhães. O Padroado mantém-se na Índia em Goa, Cangranor, Cochim, Meliapor e Malaca, e na China, em Macau, sendo limitadas territorialmente algumas das circunscrições destas dioceses A eficácia da Concordata foi limitada, permanecendo as dúvidas sobre os limites das dioceses e os conflitos de jurisdição. Por isso, em Maio de 1867, o embaixador português junto da Santa Sé manifestava a necessidade de uma mais razoável circunscrição das dioceses da índia. Leão XIII escreveu então ao rei D. Luís, em Janeiro de 1886, propondo uma solução. Malaca e Singapura passavam, de Goa, para a jurisdição da diocese de Macau.
PEREIRA, A. Marques – O Padroado Portuguez na China. Lisboa, Imprensa de J. G. de Sousa Neves, 1873, 36 p.
Este livro está acessível à leitura em:
https://books.google.pt/books?id=FwzpC-5fN6cC&pg=PT4&lpg=PT4&dq=Quest%C3%A3o+do+Padroado+em+Macau
Sobre este assunto, aconselho ainda a leitura de:
CRUZ, Manuel Braga da – O Padroado Português no Oriente em:
http://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/19255/1/V0330102-239-255.pdf
e
MARTINS, Manuel Gonçalves – O Padroado Português do Oriente e os Factores Exógenos em
https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/2705/1/NeD53_ManuelGon%C3%A7alvesMartins.pdf