Archives for posts with tag: Ruínas de S. Paulo

Arde o infinito
No altar de Paulo
Pelo céu aflito
A rasar as chamas
Voando num grito
Da fachada alta:
A última epístola
Lida pela alma
Da pátria. Tão tarde
Para a eternidade?

José Augusto Seabra (1)

牌坊聖迹  (2)
Ruins of St. Paul
Da colecção MACAU 澳門 LH 121

(1) SEABRA, José Augusto – Poemas do Nome de Deus. Instituto Cultural de Macau, 1990
(2)坊聖迹mandarin pīnyīn: pái fāng shèng jī; cantonense jyutping: paai43 fong1 sing3 zik 1 – tradução literal: ruínas local sagrado residência do bispo

As imponentes ruínas da Igreja de São Paulo erecta, pelos jesuítas, em 1594 -1602, dá acesso uma magestosa a vasta escadaria maior, muito maior do que a do célebre Capitólio de Roma.
O Seminário, que lhe estava anexo, foi, no Século XVII, um grande centro de instrucção e influência política portuguesa no Extremo Oriente.
Depois da expulsão dos Jesuítas, pelo Marquez de Pombal, de 1759, passaram, Seminário e Convento, a servir de quartel militar, até que, em 1835 , toda a fábrica foi devorada por um incêndio. A fachada do templo, toda em lavrada cantaria trabalhada por obreiros japoneses, segundo os clássicos móldes jesuíticos, escapando ao pavoroso sinistro, conserva-se intacta em bom estado, sendo digna de sêr visitada pelos forasteiros.”
Do «Anuário de Macau» 1921.

As imponentes ruínas da Igreja de São Paulo erecta, pelo jesuítas, em 1594 -1602, dá acesso uma magestosa a vasta escadaria maior, muito maior do que a do célebre Capitólio de Roma.
O Seminário, que lhe estava anexo, foi, no Século XVII, um grande centro de instrucção e influência política portuguesa no Extremo Oriente.
Depois da expulsão dos Jesuítas, pelo Marquez de Pombal, de 1759, passaram, Seminário e Convento, a servir de quartel militar, até que, em 1835 , toda a fábrica foi devorada por um incêndio. A fachada do templo, toda em lavrada cantaria trabalhada por obreiros japoneses, segundo os clássicos móldes jesuíticos, escapando ao pavoroso sinistro, conserva-se intacta em bom estado, sendo digna de sêr visitada pelos forasteiros.”

A «Gazeta das Colónias, semanário de propaganda e defeza das colónias» publicou no dia 10 de Julho de 1924, (1) na sua primeira página (era habitual em cada número do jornal, publicar um “Monumento Colonial”) uma fotografia intitulada:

«MACAU – A FACHADA DO ANTIGO CONVENTO DE S. PAULO»

Comparando esta foto com uma outra tirada cerca 1875, ainda se vê no lado direito as casas danificadas não pelo violento tufão de 1874, considerado na altura tufão mais violento de que há memória, mas sim pelo fogo que apareceu no dia seguinte, propagado pelo abatimento dos tectos sobre as fornalhas das fábricas de chá e as labaredas sopradas pelo vento. (2)

Ruínas de S. Paulo
1875
Fotografo desconhecido

“… As labaredas sopradas fogosamente pelo vento, que corria sem rumo certo e em desencontradas direcções, ganhavam as casas vizinhas e, dentro em pouco, eram bairros inteiros que ardiam. O clarão, que era enorme, espelhava-se num mar revolto e acendia as nuvens. Era belo e espantoso o espectáculo que os olhos viam, presos de horror e de maldição. Sôbre o fundo vermelho avultavam as paredes tisnadas das casas e as árvores sem copa e sem ramos. A formosa egreja de S. Paulo, edificada pelos jesuítas em louvor da Mãe Deus, numa pequena eminência, logo abaixo da fortaleza do mesmo nome, dominando uma grande parte da cidade, antes de ser tomada pelas chamas, estava deslumbrante, iluminada pelo clarão vivíssimo que a cercava. Parecia que a sua opulenta fachada, de boa fábrica arquitectónica, se afogueava num vermelho translúcido, como que engastada no anel de fogo que a rodeava. Nuvens de fumo e de poeira das derrocadas vizinhas toldavam-na de quando em quando, realçando assim, por contraste, o seu deslumbramento aos olhos de alguns de maior força de ânimo….”
A descrição do tufão e seus efeitos em Macau, baseados nos relatórios oficias de então, relatados pelo Eng. Carlos Alves (ALVES, Carlos – Os Tufões do Mar da China. Separata da Revista «Técnica», 1931, 12 p.)
(1) «GAZETA DAS COLÓNIAS», ANO I, N.º 2, Lisboa, 10 de Julho de 1924.
(2) Foi nos dias 22 e 23 de Setembro de 1874. Causou cerca de 4 000 mortos, (enterrados ou queimados para evitar epidemia), prejuízos da ordem de 1 milhão de patacas, as povoações da Taipa e Coloane quase que desapareceram. Destruiu grande parte do edifício do Leal Senado. A escuna Príncipe Carlos encalhou dentro da Ilha da Lapa; a canhoneira Camões encalhou numa várzea de arroz, a canhoneira Tejo aguentou-se apesar dos encontrões dos barcos desgarrados e foi parar à fortaleza da Barra; as vagas arrasaram a costa desde o forte de S. Francisco até à Barra arrombando das casas da Praia Grande, inundando os andares térreos. Dos estragos do tufão acrescenta-se aos do incêndio. As ruas do bazar só a nado se podia passar e graças às águas da inundação, ajudaram a extinguir os incêndios, tarefa que começou logo que o vento permitiu que as pessoas se aguentassem de pé.
Anteriores referências a este tufão em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1953-te-deum-em-cumprimen-to-do-voto-macau-e-o-tremendo-tufao-de-1874/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-tufao-e-o-farol-da-guia/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio/

A Praia Grande, a Avenida da República, a Colina da Penha, e a Igreja, em 1985
As Ruínas de S. Paulo, o Porto Interior e a Ilha da Lapa ao longe…em 1985

Retirado (disponível na net) em:
The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits … , 1904, p. 492

Artigo publicado no «Notícias de Macau» por Luís G. Gomes (1)
(1) Reproduzida depois no «Boletim Geral das Colónias», Ano XXIV, Maio de 1948, n.º 275 pp. 216-218.