Archives for category: Governadores e Capitães Gerais

A “Revista Colonial” (1) apresentava no seu número de Junho de 1914, na sua primeira página, um artigo sobre a “Bravura de portuguez”. É relatado a acção de valentia de dois portugueses, guardas do barco “Tai On” que fazia a carreira de Hong Kong para a China e que foi assaltado no dia 27 de Abril de 1914, no Rio Oeste, por piratas. Os guardas foram o macaense Leocádio Jorge da Silva e o antigo soldado da campanha dos cuamatos (2), António Dias.
(1) «Revista Colonial» ano II, n.º 18, 25 de Junho de 1914.
(2) Capitão José A. Alves Roçadas (1865-1926) que foi Governador de Macau (1908-1909), tendo sido nomeado governador do distrito de Huíla no Sul de Angola (1905) iniciou as operações militares de ocupação das terras do povo cuamato (no sul do distrito) onde fundou o Forte Roçadas.

Retirado do Boletim Geral das Colónias, 1934.
NOTAS: – A canhoneira “Saga” ( 嵯峨 ? ) era da marinha japonesa imperial. Lançado em 27 de Setembro de 1912, entrou em serviço em 18 de Novembro de 1912 e durante a Primeira Guerra Mundial acompanhou a principal frota japonesa na província de Shandong, na China e depois foi transferida à segunda frota aliada, operando no rio de Yangtze e nas águas litorais de China durante a década de 30. Na altura do ataque em Pearl Harbor, «Saga» estava baseada em Guangdong e foi atribuída à força japonesa que participou na invasão para a batalha de Hong Kong, onde ficou estacionada. Foi atingido por uma mina de mar em 26 de Setembro de 1944 fora de Hong Kong, e mais tarde rebocado de volta para Hong Kong para restauro. Em 22 de Janeiro de 1945, enquanto ainda estava no cais para reparação foi destruída durante um ataque aéreo, provavelmente pela “USAAF 14th Air Force Consolidated B-24 Liberators “ Dada como incapaz pela marinha em 20 Março de 1945.

https://en.wikipedia.org/wiki/Japanese_gunboat_Saga 

– O cruzador “Falmouth”, lançado à água em 19 de Abril de 1932 e em serviço desde 27 de Outubro de 1932. Em Março de 1940 incorporado na frota do extremo oriente baseada em Singapura. Fez toda a campanha da segunda guerra mundial no Oriente. Em Janeiro de 1952, transformado no navio escola “Calliope” Desmanchado em 1968.
– A inauguração da estrada Macau-Seac Ki foi a 18 de Março de 1928 por isso esta notícia de 1934 estará relacionada com uma reinauguração após melhoramentos/alargamento da via. Ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/16/noticia-de-16-de-marco-de-1928-estrada-macau-seac-kei/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/03/18/noticia-de-18-de-marco-de-1928-a-nova-estrada-macau-seak-kei/

O Governador Artur Tamagnini de Sousa Barbosa que substitui A. Bernardes de Miranda e posse do cargo publicado no Boletim Oficial de 10-04-1937 (foi o seu 3.º mandato como governador),  chegou a Macau no dia seguinte.
Publicado no BGC  1937.

NOTA: sobre este mesmo acontecimento de 1937, ver
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/04/10/noticias-de-10-e-11-de-abril-de-1937-a-recepcao-do-novo-governador-de-macau/
Sobre o Governador Artur Tamagnini Barbosa, ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/artur-tamagnini-barbosa/

Retirado do Boletim Geral das Colónias, II-17, NOVEMBRO de 1926, pp. 2-3.

Um artigo sobre Macau numa revista portuguesa de 1922, escrito por Silvestre de Santa Martha (1)

NOTA: A foto que acompanha o artigo, já tinha sido apresentada pela mesma revista em 1920 com o título “PROVÍNCIA DE MACAU – Praia Grande (Vista geral)”.
(1) SANTA MARTHA, Silvestre – MACAU in «Revista Colonial»,  Ano X, II série, n.º 8, Fevereiro de 1922, pp. 235/236.

Foi promulgado em 20 de Março de 1588, o primeiro regimento da Ouvidoria de Macau cuja existência datava de 1580, tendo Rui Machado sido o primeiro Ouvidor. (1) (2)
Desde Rui Machado do que foi, em 1580, o primeiro ouvidor, até Amaral, que foi o último (1837), Macau andou sempre em luta com os poderes excessivos que estes ouvidores usavam.
A Ouvidoria era tão odiada e achava-se em tal contradição com o bem-estar da Colónia, que D. João V aboliu-a.
Foi porém, restabelecida mais tarde, em 1784, na pessoa de Lázaro da Silva Ferreira.
A Ouvidoria, aumentada em breve com as jurisdições concedidas pelo alvará de 26 de Março de 1803, veio a ter um poder enorme.
A Fazenda, a Câmara, a Alfândega, a Misericórdia, os Órfãos, as Confrarias, as Capelas, os Presídios , os Defuntos e Ausentes, em geral, tudo quanto era administração, estava nas suas mãos, além do próprio ofício de julgador, letrado único na terra, de quem todos dependiam.
Com tal poder, a vontade do Ouvidor era pouco menos que lei.
Não tendo superior no ramo judicial, pois que na mesma Junta de Justiça e da Coroa eram os ouvidores os primeiros vogais, relatores, intérpretes das leis, e quem as aplicava e julgava de direito e de facto, o que era um Ouvidor, desde 1784, senão um pequeno rei?
Em 1738 principiaram os bens municipais a confundir-se com os da Fazenda Real, aproveitando-se o Ouvidor A. Pereira dos Santos deste facto, para se intrometer na administração do Senado.
Publicou, pois, um artigo de lei, em que dizia que, achando-se os bens do Senado misturados e confundidos com os da Fazenda Real, era por esse facto precisa a assistência do Ouvidor na administração do Senado.
Foi deste modo que os ouvidores entraram na administração do antigo Senado.
Este, mais ou menos maniatado pelas medidas tomadas, em 1784, pelo Governo da Índia, não pôde opor-se a semelhante intrusão.” (3)

Residência do Governador no ano de 1845 e fortim de S. Sebastião (Praia Grande)

(1) O primeiro ouvidor de Macau foi Ruy Machado que tomou posse do seu cargo em 1580.Os outros membros do Senado eram dois juízes  ordinários, três vereadores e um procurador da cidade, a cujo cargo estava a gerência dos dinheiros públicos. GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) “Em 1580, os portugueses habitantes de Macau procederam, por iniciativa própria, à eleição do Ouvidor e impuseram leis de Portugal em Macau. Foi esta a primeira tentativa de os portugueses habitantes de Macau estabelecerem no Território uma estrutura administrativa. Em 1586, o Senado de Macau voltou a pedir a cessação do poder jurisdicional do Capitão sobre Macau, e finalmente, obteve a autorização do Rei de Espanha. Em Fevereiro de 1587, o Rei de Espanha nomeou um Ouvidor para Macau para governar os assuntos de administração e de justiça.”
HG Siu Yu – A Administração de Macau ao Longo da sua História . Administração, n.º 34, vol. IX, 1996-4.º, 1015-1028.
(3) COLOMBAN, Eudore de – Resumo da História de Macau, 1927, pp.89-91.

O prédio N.º 27 da Praia Grande, denominado Palácio do Cercal (que estava arrendada ao Estado para habitação do Governador desde 1876 (1) tendo sido penhorado em execução movida pelo Chartered Bank of Índia, Australia & China, contra a Viscondessa do Cercal, foi posto em arrematação pelo Juízo de Direito, no dia 18 de Março de 1881, para ser arrematado a quem cobrisse a importância do valor de quatro quintas partes da sua avaliação, que era de $ 25.068,66  (2)
O Governo Central aprovou a compra por arrematação em praça do Palácio do Cercal por 20.080 patacas em 17 de Maio de 1881.

Postal da década 90 (século XX), da série MACAU 澳門 – LH101 –
澳督府 (3)- Government Palace
Verso do postal: em chinês, japonês, inglês, português e francês
“Former residence of the family of Baron of Cercal in 19th century, today is the Government Palace”

(1) 11-01-1876 – Contrato de arrendamento do Palácio do Visconde de Cercal, sito na Praia Grande, para habitação do Governador. Foi depois Palácio do Governo até 1999 e após essa data, sede oficial do Chefe do Executivo de Macau e do seu Governo.
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(3) 澳督府mandarim pīnyīn: ào dū fǔ; cantonense jyutping: ou3 duk1 fu2
Anteriores referências ao Palácio do Cercal
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/palacio-do-governo-do-cercal/