Archives for category: Governadores e Capitães Gerais

Extraído do «B. G. M.», XII-43, 1866.

“Siu vice-rei de Cantão e Kuangsi, em resposta passo a comunicar que recebi uma participação do Mandarim Y se Kuang-Chou, dizendo, que, um guia lhe dera parte em segredo em como alguns dos cúmplices no assassino do Governador Portuguez Amaral fugiram para Hu-Nan; que elle se oferecia a ir com gente prende-los. Em consequência escolheram-se logo às escondidas, soldados hábeis e com eles foi persegui-los até a villa de Ló-Chang na cidade de Xan-Chou (1); onde o guia indicou uma embarcação pequena, dizendo ser dos cúmplices em questão, e que estavam realmente nella uma chamado Ko-Ahon, e outro Li-Apao. A vista disto cahiram os soldados sobre a dita embarcação, e como della mostrassem resistência fazendo fogo, os soldados o fizeram também sobre eles; de que resultou cahir ferido no mar o LI-Apao, e morreo afogado. E tendo andado os soldados em busca do corpo não o puderam encontrar. O Ko-Ahon foi apanhado e levado para Cantão para ser examinado; e como se achava gravemente ferido com arma cortante, foi mandado curar-se. A copia junta é a confissão do Ko-Ahon.Eis o que tenho a comunicar em resposta ao Conselho do Governo Portuguez, 29 da 8.ª Lua do anno 29 de Taukuang, (2) 14 de Outubro de 1849 – Traduzido por mim – João Rodrigues Gonsalves” (3)
(1)Na cidade da província de Cantão (Guangdong) – Chaozhou潮州, referenciado em textos romanizados  como Siu Chao , ChiuChow  ou Teochew.
(2) Imperador Daoguang – 道光帝 (1782-1850); reinado 1820-1850
(3)Ta Ssi Yang Kuo Série I – Vols I e II, 1899,1900, pp. 365.
Sobre o Governador Ferreira do Amaral ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-m-ferreira-do-amaral/

Extraído de «BGC»,  XXI-244, 1945.

No dia 7 de Outubro de 1954, em substituição do Sr. Coronel António Cirne Rodrigues Pacheco, (1) assumiu, o Comando Militar da Guarnição de Macau, o Coronel Rui Pereira da Cunha (2) que desembarcou nesta Província no dia 5 de Outubro de 1954. Exerceu o cargo até 16 de Maio de 1956 (3)
O Governador Almirante Joaquim Marques Esparteiro esteve no dia 8 de Outubro, no Quartel General, a fim de retribuir os cumprimentos da véspera (o novo comandante militar esteve no Palácio do Governo, acompanhado do seu ajudante, tenente Mendonça, onde apresentou cumprimentos ao governador) tendo ali sido recebido com todas as honras militares. Passou revista à guarda de honra, +restada pelo Esquadrão Motorizado.
(1) O Coronel António Cirne Rodrigues Pacheco, que exerceu o cargo de Comandante Militar desde 14 de Maio de  1952,  regressou a Portugal no dia 7 de Outubro para frequentar o curso de Altos Comandos. Os oficiais da guarnição militar ofereceram no dia 2 de Outubro, ao Comandante cessante, no Clube Militar um almoço de despedida. No dia 4 de Outubro, o Coronel Cirne Pacheco despediu-se de todos os oficiais do Quartel General.
Ver anteriores referências  em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-cirne-pacheco/
(2) Ver anteriores referências  em
https//nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rui-pereira-da-cunha/
(3) «M. B. I.» II-29, 1954.

Tomou posse, no dia 3 de Outubro de 1843, do governo d´esta cidade o chefe de divisão da armada José Gregorio Pegado- 彼亞度 (1)
Foi no governo de José Gregório Pegado, (2) que se iniciou a ocupação da ilha da Taipa, depois de uma memorável visita de cortesia ao vice-rei Ki-Yin (3), alto comissário de Cantão que prometeu «fechar os olhos» ao nosso estabelecimento na mencionada ilha. Na Taipa Pequena mandou depois Ferreira do Amaral fazer um pequeno forte (terminado em Setembro de 1847. Em 20 de Agosto de 1851 o Governador Francisco António Gonçalves Cardoso procedeu à ocupação da Taipa Grande. Só mais tarde as duas Taipas (outrora três) se uniram geograficamente. Pegado faleceu em Adem no seu regresso a Portugal de 1846, tendo embarcado em Macau, em 28 de Maio desse ano. (4)
José Gregório Pegado, pela sua distinção e mestria no manejo dos fai-chis, (5) durante um jantar que lhe ofereceu, em Cantão, o delegado e alto-comissário imperial, Ki-Ying, ouviu da boca deste os seguintes elogio e garantia: –V. Exa é um homem tão polido nas maneiras e simpatizo tanto consigo, que nada lhe posso recusar. Recomendarei confidencialmente ao vice-rei dos dois Kuóns que feche os olhos ao estabelecimento dos portugueses na (ilha da) Taipa“.
Depois de ocupar militarmente toda a península de Macau, desde as muralhas à Porta do Cerco, o heroico governador João Maria Ferreira do Amaral executou essa promessa verbal, incumbindo o capitão do porto, Pedro José da Silva Loureiro, em Abril de 1847, de construir a Casa Forte da Taipa. Depois de difíceis negociações com os mandarins limítrofes e com o vice-rei de Cantão, a bandeira portuguesa arvorou-se pela primeira vez nessa ilha ao 9 de Setembro de 1847. Em 1879 foi também ocupada a Taipa Quebrada ou Ilha de Maria Nunes e aí levantado um quartel, no antigo edifício do hospital, hoje Centro de Recuperação Social.
A 23 de Dezembro de 1864, os habitantes de Coloane pediram que uma força militar portuguesa os fosse proteger contra os piratas. Um destacamento de 10 polícias dirigiu-se imediatamente para aquela ilha. A administração dos três novos territórios (note-se que então a Taipa eram duas ilhas) organizou-se em 1878. (6)

MAPA DE 1884 – PLANTA DA PENÍNSULA E PORTO DE MACAU
de A. Ferreira Loureiro
Em baixo, à esquerda, a Ilha da Taipa Quebrada e Ilha da Taipa Grande ou Kaikong

(1) PEREIRA, A. Marques –  Ephemerides Commemorativas da história de Macau e
(2) José Gregório Pegado governador de 3-10-1843 até 13-02-1846, data do embarque para Macau do Conselheiro Capitão de Mar e Guerra João Maria Ferreira do Amaral que tomou posse como Governador a 21 de Abril de 1846.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-gregorio-pegado/
(3) O ex-governador Adrião Acácio da Silveira Pinto (governador de 22-02-1837 até 3-10-1843) foi nomeado em 10-10-1843, pelo Governador José Gregório Pegado (em sessão do Senado de 10 de Outubro), Embaixador de Portugal para tratar com os Plenipotenciários chineses sobre as condições da existência política de Macau. O e governador seguiu no dia 27 de Outubro para Vampu, no brigue de guerra Tejo, do comando do Capitão-Tenente Domingos Fortunato de Vale. Acompanharam-no o Procurador da Cidade, João Damasceno Coelho dos Santos e o intérprete interino, José Marinho Marques. (7) No dia 4 de Novembro a missão diplomática seguiu de Vampu para Cantão, em escaleres, residindo, depois de realizada a conferência, na casa de campo do Mandarim graduado Pau-Teng-Kua e no Consulado da França, onde se realizou as reuniões, durante dez dias, com o segundo delegado chinês. A missão não conseguiu que fosse relevado o foro pago pela colónia nem dispensada a demarcação do limite para fora dos muros do Campo de Stº António,
Ver anterior referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/11/04/noticia-de-4-de-novembro-de-1843-conferencia-luso-chinesa-em-cantao/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/adriao-a-silveira-pinto/
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 3, 1995.
(5) Faichis – “Pauzinhos” para levar a comida à boca.. Termo macaense usado pelos chineses desta região e também pelo portugueses de Macau e Hong Kong (BATALHA, Graciete – Glossário do Dialecto Macaense, 1977
Ver em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/10/os-antigos-cozinheiros-ambulantes-de-macau-1953-i/
(6) PIRES, Benjamim  Videira – Os Governadores e a vida de Macau no Século XIX.
http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30007/1510
(7) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-martinho-marques/

Foi inaugurado no dia 28 de Setembro de 1894, o Liceu Nacional de Macau criado pelo decreto de 27 de Julho de 1893 (assinado pelo Ministro da Marinha, João António de Brissac das Neves Ferreira), instalado no Convento de Santo Agostinho com uma simples visita do Governador Horta e Costa. Não se realizou nenhuma solenidade por a família real se encontrar de luto. Estiveram presentes na inauguração os professores do Seminário e da Escola Central  (1)
Portaria n.º 92, de 14 de Abril de 1894: «Tendo sido posta em vigor na província por portaria provincial n.º 89 desta data a carta de lei de 27 de Julho de 1893 que criou o Lyceu Nacional de Macau: Hei por conveniente determinar que o edifício do extincto convento de Santo Agostinho seja entregue ao reitor do mesmo Lyceu para alli serem devidamente instalados os estabelecimentos criados pela citada carta de lei»

Convento de Santo Agostinho – o primeiro edifício que albergou o Liceu em Macau

Segundo Pedro Nolasco da Silva, o primeiro a solicitar do Governo da Metrópole a criação do liceu foi D. António Joaquim Medeiros, bispo de Macau. O Liceu era sustentado pelo Governo, mas recebeu para a sua criação de um subsídio do cofre municipal, atribuído pela vereação do
Leal Senado de 1893-1894, no valor de $ 4 000 anuais para a manutenção do ensino. Teve apoio também da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses (subsídio anual de 500 mil reis)
O Regulamento foi aprovado pelo Governador José Maria de Sousa Horta e Costa  por Portaria n.º 164, de 14-08-1894.
No dia 16 de Abril de 1894, no palácio do governo de Macau, foi conferido auto de posse aos seguintes professores:
1.ª cadeira – língua e literatura portuguesa – Horácio Poiares
2.ª cadeira – língua francesa –Mateus de Lima
3.ª cadeira – língua inglesa – P.e Baltazar Estrócio Faleiro
4.ª cadeira – língua latina – João Albino Ribeiro Cabral
5.ª cadeira  – matemática elementar – Wenceslau de Morias
6.ª cadeira – física, química e história natural – Dr. José Gomes da Silva
7.ª cadeira – geografia e história – João Pereira Vasco – tomou posse a 14-05-1894
8.ª cadeira – filosofia elementar – Camilo Pessanha
9.ª cadeira – desenho – Abreu Nunes
O reitor interino foi Dr. José Gomes da Silva.
No mesmo dia e local se fez a primeira reunião do Conselho Escolar, numa das salas do palácio (posta à disposição pelo Governador. Nessa sessão foi resolvido por unanimidade a eleição de Camilo Pessanha como Secretário do Conselho.
Começou apenas com 30 alunos.
O porteiro – Francisco Xavier Brandão
O contínuo – Clementino José Borges
Guarda da Biblioteca – Damião Maximiano Rodrigues (2)
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) Informações retiradas do livro TEIXEIRA, Monsenhor Manuel – Liceu de Macau, 1986.

Um pequeno artigo do Governador de Macau, António José Bernardes de Miranda, (1) a propósito da Exposição Colonial do Porto de 1934, (2) publicado na “Acção Colonial“(3)
(1) Anteriores referências a este governador:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-jose-bernardes-de-miranda/
(2) Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/1-a-exposicao-colonial-portuguesa/
(3) «Acção Colonial», número comemorativo da Exposição Colonial do Porto, de 1 de Outubro de 1934. Director: Frederico Filipe