Archives for category: Governadores e Capitães Gerais

“O Correio Macaense“, V-230 de 17 de Fevereiro de 1888

A “Herbert Dent & Ca.” foi uma empresa em Macau ligada a negócios com a China (seda, chá e  ópio) e por isso, como agentes, ligada às companhias seguradoras e empresas de navegação.
O representante em Macau era D. da Roza (muito possivelmente Daniel Francisco António Campos da Rosa.(1)
A empresa , em 1888, estava na Rua da Sé; em 1910 na Rua dos Prazeres n,º 2 e 4
Em 1910, apresentava-se em Macau como:
No mesmo ano, em Cantão
Herbert Fullartoon Dent foi baptizado a 5 de Fevereiro de 1849 (Londres). Faleceu a 6 de Fevereiro de 1920 com 71 anos de idade. Foi Comissário das alfândegas chinesas (sedas e chás) e fundador da companhia “Herbert Dent and Company”, para comércio com a China (principalmente com o ópio que introduzia em Cantão). Vivia com a família entre Cantão e Macau.(2)
Herbert Fullartoon Dent é da família DENT que fundou “Dent & Co.”  ou “Dent’s” que foi uma das maiores firmas britânicas (rival directa das outras duas mais conhecidas, a «Jardine, Matheson & Co» e a «Russell & Co.»), que com o comércio do ópio com a China, levaram à entrega de Hong Kong e onde depois sediaram e prosperaram.
O seu antepassado Thomas Dent foi o  fundador da firma . Chegou a Cantão em 1823 e com o sócio fundaram a «Davidson & Co».  Em 1824, Davidson saiu e a firma passou a denominar-se “Dent & Co.”. A firma “Dent & Co.” foi à falência em 1867. (2)

“The London Gazette, 9 September, 1921”

Herbert Dent adquiriu o Palacete de Santa Sancha em 1893, aos herdeiros do Barão do Cercal (neta) após o falecimento da Viscondessa do Cercal (em 16 de Dezembro de 1892.) por 8.000 patacas.
Em 1896, teve um processo entre a Administração e o proprietário, Herbert Dent, processo esse que envolveu a Direcção Geral das Obras Públicas, que não cedia que o proprietário murasse a propriedade.
A 28 de Janeiro de 1923, William Herbet Shelly Dent, filho de Herbert Dent vendeu essa propriedade ao Governo de Macau (governador Rodrigo José Rodrigues) por $32.500. Nesse ano 1923, um tufão provocou estragos consideráveis, levando à execução de obras no palácio.

A Chácara de Santa Sancha vista da Penha – c. 1925

(1) Daniel Francisco António Campos da Rosa (1850-1916), comerciante de chá e cônsul de França em Foochow (China). Faleceu em Macau na sua casa da Praça Lobo de Ávila.
FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol III, 1996
(2) http://www.thepeerage.com/p3627.html 

O Governador José Maria da Ponte e Horta decretou, por prejudicial aos costumes da sociedade, a abolição da Roda dos expostos da Santa Casa de Misericórdia de Macau e proibiu a esta instituição o recolhimento das raparigas abandonadas.
Em 1 de Janeiro de 1857, existiam 45 expostos e, em 31 de Dezembro de 1866, 107. O movimento total, nos dez anos, foi de 2.286 expostos. O presidente da comissão encarregada de estudar as  necessidades da Santa Casa, P.e Jorge António Lopes da Silva (1)  diz, no seu relatório:
A sua mortalidade é tão extraordinário  que aparece não ter exemplo em parte alguma pois, nos dez últimos anos, a mortalidade foi de 95,5 por cento, quase todos chineses» (2)
O Decerto entrou em vigor a 8 do mesmo mês e ano, devendo no entanto a Santa Casa continuar a tratar dos enjeitados que tinha a seu cargo nessa data. Como a Portaria não conseguiu deter a prática, a «Roda» deixou de existir mas as crianças abandonadas à porta da Santa Casa continuaram a ser recebidos. (3)
De 1855 a 1866 foram admitidas na Roda, em Macau, 2.241 criança expostas, morrendo 2.151. Em Dezembro de 1866 havia 79 crianças para amamentar e 29 desmamadas (3)

Portaria n.º 11 de 2 de Fevereiro de 1867

Extraído do «Boletim do Governo de Macau» XIII-6. 11 de Fevereiro de 1867

Portaria n.º 16 de 8 de Novembro de 1866

Extraído do «Boletim do Governo de Macau» , XII-46 de 12 de Novembro de 1866.
(1) Anterior referência à “Roda dos expostos”:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/04/01/noticia-de-1-de-abril-de-1929-poema-santa-infancia/
(2) Anteriores referências ao Padre Jorge António Lopes da Silva que foi governador do Bispado de 1866 a 1870 durante o período da vacatura do bispado em Macau de  1857-1877:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-jorge-antonio-lopes-da-silva/
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 3, 1995.

Continuação da entrevista dada pelo tenente de engenharia Raul Esteves ao «Diario Illustrado» (1)  cujo excerto publiquei em 22 de Janeiro de 2017 (2). Hoje a segunda parte, intitulada “ A questão do domínio portuguez” (3)
(1) «Diário Illustrado» 22JAN1909
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/01/22/noticia-de-22-de-janeiro-de-1909-a-defeza-de-macau/
(3) «Diario Illustrado» 26JAN1909

A visita do Comandante-em-chefe da esquadra Inglesa no Extremo-Oriente, vice-almirante Sir Charles Edward Lambe a Macau, no dia 20 de Janeiro de 1954, relatado no «Boletim Geral do Ultramar» de 1954 (1) e publicado neste blogue no dia 20 de Janeiro de 2018, (2) mereceu também uma reportagem mais pormenorizada no «Macau Boletim Informativo» (3)
Em visita oficial ao Governador da Província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, chegou a Macau no dia 20 do corrente, a bodo do «H.M.S. Alert», o Comandante-em-chefe da esquadra Inglesa no Extremo Oriente, Vice-almirante Sir Charles Edward Lambe.

O Comandante-em-chefe da Esquadra Britânica do Pacífico veio até à ponte da Capitania numa vedeta da Marinha Inglesa

Depois de receber, a bordo, os cumprimentos de boas-vindas do Secretário do Sr. Governador, do Comandante Militar de Macau, do Comandante do Aviso «Gonçalo Zarco, do Capitão dos Portos e do Cônsul de S. M. Britânica, o Vice-almirante Lambe desembarcou na Ponte n.º 1 da Capitania dos Portos, passando em seguida revista à guarda de honra, formada por uma companhia da nossa marinha de guerra.

O Vice-almirante Sir Charles Edward Lambe passa revista à guarda do honra formada por uma companhia do Aviso «Gonçalo Velho»

Dirigiu-se, depois, ao Palácio do Governo, à Praia Grande, onde apresentou cumprimentos ao Governador, que os retribui, a bordo do «Alert», sendo servido em seguida um almoço oferecido pelo Vice-almirante Lambe.

Sir Charles Edward Lambe e o Governador de Macau, Almirante Joaquim Marques esparteiro

À tarde, realizou-se uma recepção no Consulado Britânico a que assistiu o Governador e Esposa, e as mais destacadas entidades do nosso meio social.
O Governador e sua Esposa, homenagearam com um jantar, que se realizou no palácio da Praia Grande, o ilustre visitante, e que assistiram as principais individualidades da Província,

O Governador discursando no jantar de homenagem oferecido ao ilustre visitante no Palácio do Governo, à Praia Grande.

O comandante-em-chefe regressou a Hong Kong na manhã do dia 21, depois de, na companhia do Sr. Governador, ter visitado os pontos de maior interesse da Província.

O embarque, informal, fez-se também na Ponte n.º 1 da Capitania dos Portos, tendo aí comparecido várias individualidades de destaque.

(1) «Boletim Geral do Ultramar» XXIX-345, Março de 1954.
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/20/noticia-de-20-de-janeiro-de-1954-visita-oficial-do-comandante-das-forcas-navais-britanicas-no-extremo-oriente-i/
(3) «Macau Boletim Informativo» I-12 de 31 de Janeiro de 1954 pp-10-12.

“Plan de la ville et des environs de Macao” – 1846
MAPA de Paul François Dupont (1796-1879)
Bibliothèque Nationale de France (1)

No istmo que liga Macau à ilha de Heong Shan havia um destacamento português no Forte de Passaleão, (2) que o Governador Carlos Eugénio Correia da Silva (governo de 1875 a 1879) ali colocara para evitar as malfeitorias praticadas pelos chinas, mas em princípios de Janeiro de 1879, o vice-rei de Cantão exigiu que os soldados fossem retirados desse posto de COSAC (fora das Portas de Cerco), o que o governador cumpriu em 18 de Janeiro de 1879 (2)

Pormenor do mapa anterior – Istmo da Porta do Cerco

No Relatório de 31 de Agosto de 1908, o Governador Pedro Azevedo Coutinho (governo de 1907 a 1908) (3) refere que «o destacamento militar durante muitos anos, a partir de 1849, ocupava o forte de Passaleão, que algum tempo depois foi abandonada por o terreno compreendido entre esse forte e a Porta do Cerco considerado como zona neutra»
Oficialmente, “ O Destacamento em Cosac retira em consequência da “insalubridade do logar (4)
(1) http://lunamap.must.edu.mo/luna/servlet/detail/MUST~2~2~1121~1376:Plan-de-la-ville-et-des-environs-de?embedded=true&widgetType=detail&widgetFormat=javascript  

(2) TEIXEIRA, Pe. Manuel – Macau e a sua Diocese I, 1940.
(3) CAÇÃO, Armando A. A. – Unidades Militares de Macau, 1999
(4) Ordem n.º 2 do Quartel General no Governo da Província de Macau e Timor de 18 de Janeiro de 1879 – Ordem à Força Armada publicado no “Boletim da Província de Macau e Timor” XXV-n.º 3.

 Duas datas referenciadas por Luís Gonzaga Gomes: a data da posse do governo de Macau e da partida ao fim de 11 anos como governador:
18-09-1851 – Foi exonerado o Conselheiro Capitão de Mar e Guerra Francisco António Gonçalves Cardoso do cargo de Governador da Província de Macau e nomeado o Capitão-Tenente da Armada Isidoro Francisco Guimarães Júnior, comandante da corveta D. João I para o substituir. No dia 19-11-1851, o Capitão-Tenente da Armada Isidoro Francisco Guimarães desembarcou às 15.00 horas sendo recebido pelo Governador cessante Francisco António Gonçalves e demais autoridades. Após a recepção, no Palácio do Governo, o Governador cessante dirigiu-se à Sé, para buscar o bastão que havia depositado aos pés de Nossa Senhora da Conceição, dirigindo-se, em seguida, ao Monte, seguido das autoridades. Após a entrega do bastão e das chaves da Fortaleza e troca de discursos, dirigiram-se os dois governadores para o Leal Senado, afim de o novo Governador assinar o auto da posse, findo o qual voltou à Sé, para depositar novamente o bastão aos pés da Nossa Senhora da Conceição. Isidoro Francisco Guimarães, durante os anos da sua inteligente e próspera governação, conseguiu restaura por completo o estado financeiro da província que, encontrando-se em 1852 deficitário, em 48.309 patacas, apresentou, em 1862, um saldo de 104.633 patacas.
30-01-1863 – Partiu para a metrópole, ao cabo de catorze anos de residência em Macau e onze de governo, o Conselheiro Izidoro Francisco Guimarães . Ao tomar conta do Governo, encontrou a caixa pública exausta e com grandes dívidas aos servidores do estado, mal chegando para as despesas o subsídio da metrópole. O Conselheiro não impôs um único tributo. Fiscalizou unicamente com rigor os existentes, empregando a mais severa economia, conseguindo, em menos de três anos, não só pagar em dia mas dispensar o subsídio da metrópole, não obstante as despesas terem aumentado do ano para ano com as obras públicas e a força naval e com socorros de avultadas somas para outras províncias, deixou a caixa com um saldo de milhares de patacas. Introduziu notáveis melhoramentos na colónia despendendo para isso grandes quantias, como como o novo Palácio do Governo, aumento sobre o mar de quase toda a linha da Praia Grande, além da reconstrução do Bazar, depois do incêndio que o reduziu a cinzas, reconstrução do Bazar, depois do incêndio que o reduziu a cinzas, reconstrução que tornou aquela parte importante da cidade, não só maior, pelos acréscimos sobre o rio, como muito mais regular e elegante. Foi também ele quem concluiu, satisfatoriamente para Portugal, os tratados com o Sião, Japão e China, que trouxeram muita honra para Portugal, bem como idênticas vantagens alcançadas pelas outras nações estrangeiras. ” (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
Anteriores referências a este governador neste blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/11/19/noticia-de-19-de-novembro-de-1851-novo-governador-isidoro-francisco-guimaraes/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/isidoro-francisco-guimaraes/

Pequeno texto de Marx de Sori (1) extraído de «Macau Boletim Informativo», I-3, 1953.
Há um erro na datação deste episódio: é 1844 e não, pois José Gregório Pegado (2) foi governador de Macau de 1843 a 1846 (faleceu em Aden, no seu regresso a Portugal em 1846 tendo embarcado em Macau em 28 de Maio).
Segundo A. A. Bispo (3) o estadista Ki-ing (Ki-ying). Vice-Rei de Cantão, delegado e alto-comissário imperial nos dois Kuangs esteve em Macau em 1845. O Vice-Rei  viria a suicidar-se quando foi condenado  à morte pelo Imperador devido às negociações com ingleses e franceses, em 1858.
Depois da tomada de posse em 3 de Outubro de 1843, o governador José Gregório Pegado, fez uma visita de cortesia ao Vice-rei de Cantão Ki-Yin. Segundo o Padre Videira Pires, nessa visita o Vice-rei prometeu «fechar os olhos» à ocupação da Ilha da Taipa pelos portugueses.
“José Gregório Pegado, pela sua distinção e mestria no manejo dos fai-chis, durante um jantar que lhe ofereceu, em Cantão, o delegado e alto-comissário imperial, Ki-Ying, ouviu da boca deste os seguintes elogio e garantia: – “V. Exa é um homem tão polido nas maneiras e simpatizo tanto consigo, que nada lhe posso recusar. Recomendarei confidencialmente ao vice-rei dos dois Kuóns que feche os olhos ao estabelecimento dos portugueses na (ilha da) Taipa“.(4)
(1) O autor deste texto é António Filipe de Marx de Sori. Nasceu em Lisboa, a 9 de Fevereiro de 1833, foi primeiro-tenente da Armada, subdirector da Primeira Direcção e Chefe da Segunda Repartição da Secretaria de Estado dos Negócios da Marinha e Ultramar e membro do Conselho Geral de Estatística.
Publicou um livro “ Descobrimentos dos Portugueses nos séculos XV e XVI, Causas que os determinaram, sua importância e consequências mais notáveis que d´elles resultaram” Lisboa, Typografia de Castro Irmão, 1867.
Edição em EBook, Fevereiro 4, 2009.
https://www.gutenberg.org/files/27992/27992-h/27992-h.htm
(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-gregorio-pegado/
(3) BISPO, A. A. – A Gruta de Camões como Sábio por Excelência e Confúcio do Ocidente em paisagens sino-inglesas e em transfigurações românticas- da Literatura à Filosofia intercultural nos estudos de relações China/Ocidente in Revista Brasil-Europa – Correspondência Euro-Brasileira 137/6 (2012:3)
http://www.revista.brasil-europa.eu/137/Camoes-na-Filosofia-Intercultural.html
(4) PIRES, Benjamin Videira – Os Governadores e a vida de Macau no Século XIX in
http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30007/1510