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Ephemerides Commemorativas… “  de AMP

A mesma notícia, com mais pormenor em BRAGA, Jack M. – A Voz do Passado, 1987
“25-07-1721 – Com a chegada do Navio de Vias veio Ordem do sr. Rey D. João 5.º para se restituir o Convento de St.º Agostinho aos seus Padres, os quaes se achavão desapossados havião dez anos e tantos mezes. O mesmo Sr. Lhes mandou huma Grande Custodia, e um Grande Calix para servirem nas Festividades da sua Igreja que tudo isto existe. Mandou ordem ao Senado desta Cidade para annoalmente lhe dar de esmolas 80 Taés, cujos ainda hoje cobrão. Dizem que S. M. F. lhe fizera isto em satisfação do comportamento que tiveram com o Sr. Patriarcha e atenção aos trabalhos que soffrerão por cauza delle. O seu Provincial o P.e Frei Francisco da Purificação logo enviou de Goa os padres para tomarem posse do Convento mas o que he mais digno de memoria são os cazos que acontecerão em o dito Convento os 10 annos (1) que esteve sem Padres. “
1.ª CAZO MILAGROSO
Eu passo a descrevelos – Entregando-se o dito Convento ao ordinário, deputou o Sr. Bispo ahum Clerigo que o habitasse, o qual logo nas primeiras noites experimentou huma tal opposição que espavorido o largou de todo, e não houve quem nelle quisesse assistir, sendo que o dezejavão os Clerigos, tanto pela sua grandesa como pela qualidade do sitio que muitas veses tentarão compra-lo a Religião para nelle faserem a Sé e nisto não há dúvida pelas dilligências que fiserão em Goa. Contão que os Chinas Genios quiseram de noite furtar as pedras do Adro da Igreja, e estes affirmavão constantemente que virão passear nelle um home com habito de Stº Agostinho muito velho, com grande barbas que lhes não deixava furtar pedras.”
(1) O Convento de Santo Agostinho e a sua Igreja passaram para a administração do Ordinário em 15 de Janeiro de 1712, devido à ausência dos padres do Convento, que foram presos para Goa, à ordem do Vice-Rei, em consequência das controvérsias provocadas pelo Patriarca de Antioquia, a quem prestavam obediência.

Ephemerides Commemorativas… “  de AMP

Referências anteriores ao Convento de S. Agostinho em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/convento-de-s-agostinho/

Em 23 de Setembro de chegou a Macau, na nau Rainha dos Anjos, Carlos Ambrósio Mezabarba, Patriarca de Alexandria e Legado do Papa. (1) Na mesma nau vinha uma carta de D. João V, com data de 21 de Março de 1720, recomendando ao bispo Casal (2) que recebesse bem o Legado e lhe pedisse absolviçãio das censuras.
O Legado desembarcou na Praia Pequena, no dia 26 de Setembro e foi bem recebido pelo bispo, governador, cidadãos e mais moradores da cidade. A nau «Rainha dos Anjos» regressou, em vésperas do natal de 1921, mas ardeu ao largo do Rio de Janeiro em 16 de Junho de 1722 e com ele os preciosos presente do Imperador da China para o Rei de Portugal (3)(4)
O Patriarca D. Carlos Melchior de Mezzabarba partiu de Macau a 07 de Outubro de 1720, para Cantão (de barco até à Casa Branca), a fim de seguir para Pequim. De notar que Mezzabarba foi bem recebido, ao contrário de Tournon; (5) porque Mezzabarba veio por Lisboa, mostrando que o Papa Clemente XI reconheceu os direitos do Padroado Português do Oriente, e Tournon não. (6)
(1) Carlo Ambrogio Mezabarba (1685 -1741) Ordenado padre em 1718 e consagrado Bispo em 1719. Em 18 de Setembro de 1719 foi nomeado por Clemente XI, patriarca titular de Alexandria. O pontífice enviou-o à China (Novembro de 1719) com o título de “Legato a latere” como legado pontifício a fim de resolver a questão dos ritos chineses mediando entre o imperador Kangxi de um lado e os missionários jesuítas do outro. Reuniu com o rei de Portugal em Lisboa e chegou a Macau em 1720. Esteve em Pequim de Dezembro desse ano até Fevereiro de 1721.Mezzabarba defendeu o decreto papal de 1715 e condenava os ritos o que desagradou o Imperador. Este esperava que o enviado papal pudesse explicar ao papa a posição do imperador. Mezzabarba deixou Pequim em Março de chegou a Macau em Maio de 1921.
Mezzabarba foi o sucessor de Carlo Tommaso Maillard de Tournon (legado de 1703 a 1707). (5)Mezbarba regressaria a Roma com os restos mortais de Tournon em finais de 1721). Devido ao insucesso da sua missão, esteve sete meses em Macau onde promulgou a carta pastoral aos missionários na China onde não tencionava suspender o decreto papal de 1715 mas introduzia oito permissões nos ritos. Saiu para Roma em Dezembro de 1721 via Brasil e Portugal chegando a Roma em Abril de 1723.
Em 23 de Julho 1725 foi nomeado Bispo de Lodi onde faleceu em 7 de Dezembro de 1741.
href=”https://it.wikipedia.org/wiki/Carlo_Ambrogio_Mezzabarba”>https://it.wikipedia.org/wiki/Carlo_Ambrogio_Mezzabarba
http://www.bdcconline.net/en/stories/m/mezzabarba-carlo-ambrogio.php
DUCREUX, Gabriel Marin – Continuacion a la historia eclesiástica general o Siglos del christianismo del Abade Ducreux que compreende desde o ano de 1700, em que a concluiu o autor, até ao actual Pontificado de P. Pio VI., pelos tradutores da dita obra. TOMO XIV, 1792, pp. 235-236.
CASTILLO y MAYONE, Joaquin del – Frailismonia, o grande historia de los frailes… obra escrita con toda …, 1836, pp. 129-130
(2) Anteriores referências ao Bispo D. João do Casal em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-joao-do-casal/
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(4) 6-05-1721 – Chegaram a Macau os presentes enviados pelo Imperador da China a D. João V e Clemente XI, sendo recebidos por três companhias de soldados e salvados pela fortaleza do Monte. Estes presentes vieram muito bem acondicionados, em 48 caixas acharoadas de amarelo, procedendo o Patriarca D. Carlos Melchior de Mezzabarba que, regressando de Pequim, entraria, no dia seguinte, com faustosa recepção de arcos triunfais, tropas, salvas, repiques e luminárias.(6)
(5) Carlos Tomás Maillard de Tournon, patriarca de Antioquia. Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-tomas-maillard-de-tournon/
(6) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 2, 1997)

Extraído de «Ephemerides da semana» de A. Marques Pereira  in Bol. do Gov. de Macau XII-36, 1866.
NOTAS:
1 – O governador era Diogo de Pinho Teixeira (tomou posse em 5 de Agosto de 1706 e governou até 28-07- 1710). Teve um mandato muito complicado com as constantes desavenças com o Senado de Macau e com o Bispado (por causa das contendas entre partidários do Patriarca de Antioquia e os do Padroado Real)
Anteriores referências neste blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/diogo-de-pinho-teixeira/
2 – O Patriaca de Antioquia desde 1701, era o legado apostólico Carlos Tomás Maillard de Tournon (1668-1710) que chegou a Macau, pernoitando apenas na Ilha Verde, a caminho de Cantão tendo sido enviado à China, pelo Papa Clemente XI, para acabar com as controvérsias entre os jesuítas e os missionários de outras ordens, sobre os Ritos Chineses. Faleceu em Macau a 8 de Junho de 1710, pouco depois de receber o barrete cardinalício.
Anteriores referências  aeste Patriarca em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-tomas-maillard-de-tournon/ 
3 – Devido à ocupação e à independência de Portugal de Espanha  e à disputa quanto à nomeação do novo bispo , desde 1633 (o último Bispo foi D. Diogo Correia Valente de 1630 a 1633) até 1690 ficou vaga o lugar de Bispo de Macau. O Bispo D. João do Casal (1641-1735), do hábito de S. Pedro, foi nomeado em 1690 por D. Pedro II, confirmado pelo Papa Alexandre VII, que na mesma data criou as Dioceses de Macau, Nanquim e Pequim, como distintas, cada um com o seu Bispo. D. João do Casal chegou a Macau tomando posse em 1692, instituiu o Cabido de Macau em 1698,  foi Provedor da Misericórdia, em 1706, e Governador Interino de Macau, em 1735. Faleceu em 20-09-1735, em Macau tendo sido sepultado na Sé Catedral-
Anteriores referências ao Bipso D. João do Casal em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-joao-do-casal/
Informações de: SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 1 e 2,  1997)

25-03-1708 – Neste dia se fes a Procissão do Sr. Crus as Costas pelas Ordinarios por ordem do Sr. Bispo, visto estarem os Padres de St.º Agostinho impedidos no seu convento por cauza de controvercias que tem havido a respeito do Patriarcha – Os Irmãos que acompanhavão o Sr. ião com Capa branca e murça rôxa. A Procissão foi athé S.m Domingos onde ficou ali. (BRAGA, Jack M.- A Voz do Passado, 1987).
PEREIRA, A. Marques – Ephemerides commemorativas da historia de Macau e das relações da China com os povos Christãos, 1868.

Por ordem do Bispo D. João do Casal, a procissão de Nosso Senhor dos Passos (ou da Cruz) foi feita pelos Ordinários, pelo facto dos padres agostinhos se encontrarem retidos no seu convento, em consequências do conflito entre eles e o patriarca da Antióquia, o Cardeal Carlos Mailard de Tournon.
A nomeação de D. Carlos Mailard de Tournon pela Santa Sé em 1702 para negociar com o imperador da China uma condenação formal dos ritos que se concluiu a 20 de Novembro de 1704, foi um pretexto da Santa Sé para neutralizar a influência dos jesuítas na corte de Pequim e enfraquecer assim o direito do padroado português sobre as dioceses chinesas. Aliás, o rei D. Pedro II de Portugal não aceitou em 1902 a indigitação do Cardeal. Talvez,por isso, no dia 2 de Abril de 1705 quando o Patriarca na sua rota para Pequim passou por Macau recusou entrar na cidade ficando hospedado por uma noite na Ilha Verde onde recebeu o Bispo D. João da Casal e o Governador da cidade. A missão de Tournon na China foi desastrosa, acabando por ser expulso, sob custódia para Macau onde chegou em 30 de Junho de 1707. A sua permanência em Macau agravou mais esse conflito entre Bispo D. João do Casal, na defesa do padroado português e os prelados que apoiavam o Patriarca da Antioquia, nomeadamente os Agostinos e os Dominicanos. Os Agostinhos  sofreram um interdito logo em 1707 (os dominicanos em 1709) acabando depois pelo encerramento do convento em 1712 (já depois da morte do patriarca) e os religiosos enviados para Goa.
A seguir, continuação da publicação das fotografias da Procissão do Senhor dos Passos de 1974.
Ver anterior artigo e fotos em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/04/noticias-de-4-e-5-de-marco-de-2017-tradicoes-que-se-continuam-a-procissao-do-senhor-dos-passos-i-fotos-de-1974/

cunha-rivara-relacao-de-varios-factos-verdadeiros-icunha-rivara-relacao-de-varios-factos-verdadeiros-iiFONTE: Relação de vários factos verdadeiros, etc, de Cunha Rivara, (1) publicados no Chronista de Hssimry
https://archive.org/stream/subsidiosparaah01frangoog/subsidiosparaah01frangoog_djvu.txt 
1 – Joaquim Heliodoro da Cunha Rivara (1809 — 1879) foi um médico, professor, intelectual, jornalista e político português. Não se sentindo atraído pela prática clínica médica, optou por iniciar uma carreira administrativa no Governo Civil de Évora, no qual ingressou em 1837; em Outubro desse mesmo ano foi nomeado professor de Filosofia Racional e Moral do Liceu de Évora, e em 1838 nomeado director da Biblioteca Pública de Évora (1838-1855). Secretário-geral do governador do estado da Índia de 1856 a 1870. Permaneceu em Goa 22 anos. Mais informações sobre a biografia em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Heliodoro_da_Cunha_Rivara 
NOTAS.
I – O arrátel era a unidade de base de peso do antigo Sistema Português de Medidas. Até à adopção do Sistema Métrico, no século XIX, o arrátel foi usado em Portugal, no Brasil e em outros territórios do Ultramar Português. Os valores absoluto e relativo do arrátel foram sendo alterados desde a Idade Média até serem fixados como equivalentes aos da libra (ibérica), por decreto do Rei D. Manuel I em 1499. A partir de então, o “arrátel” passou a ser o mesmo que “libra”.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Arr%C3%A1tel
II- “No dia 4 de abril de 1705 aportou a Macau o patriarcha da Antiochia, Carlos Thomaz Maillard de Toumon, commissario e visitador apostólico, com poderes de legado a latere, enviado pelas controvérsias que então havia na China entre jesuítas e missionários das mais ordens sobre as ceremonias chinezas e especialmente sobre os três seguintes pontos:
1.ª Se a palavra tien, conforme a doutrina dos letrados chinas e o sentir do imperador, significava o Deus verdadeiro, creador de todas as cousas.
2.ª Se o grande culto que os chinas prestavam a Confucius, seu grande mestre, e aos progenitores defuntos era meramente politico.
3.ª Se eram lícitos os quadros ou painéis em que os chinas, para memoria dos seus fallecidos ascendentes, que veneram, tèem escriptos os nomes d’elles.
Foi buscal-o ao navio em que vinha o padre Francisco Pinto, da companhia de Jesus, provincial do Japão e reitor do colegio que os jesuítas tinham em Macau, com outros padres seus subordinados. N’esse mesmo dia se hospedou o patriarcha n’uma propriedade que os mesmos padres tinham numa ilha próxima.
Ali o foram visitar o capitão geral e o bispo de Macau e lhe fizeram singulares offerecimentos. Não quiz, porém, o patriarcha deter-se, nem tão pouco entrar na cidade, e no dia seguinte partiu para Cantão.”
Ver o mesmo trabalho de  Cunha Rivara (2) em
Collecção de tratados e concertos de pazes que o estado da India portugueza fez com os reis e senhores com quem teve relações nas partes da Asia e Africa Oriental desde o principio da conquista até ao fim do seculo XVIII”
https://archive.org/stream/collecodetratad03estrgoog#page/n1/mode/2up”>https://archive.org/stream/collecodetratad03estrgoog#page/n1/mode/2up
III – Padre Jean-François Gerbillon (1654- Beijing 1707), (nome chinês: Zhang Cheng), jesuíta e matemático enviado por Luis XIV de França à China 1685.Chegou a Sião em 1685 e a Ningbo (China) em 1687 e finalmente a Beijing em 1688. Jean-François Gerbillon foi um dos cinco “Matemáticos do Rei” (os outros quatros: Jean de Fontaney (1643 – 1710); Joachim Bouvet (1656-1730); Tomás Pereira (1645-1708) e Antoine Thomas (1644-1709). O Padre Gerbillon e o padre Bouvet foram professores do Imperador Kangxi (1662-1722).
Uma biografia mais pormenorizada em:
tochastikon.no-ip.org:8080/encyclopedia/en/gerbillonJeanFrancois.pdf  
IV – Padre Tomás Pereira (1645 — 1708) foi um jesuíta, matemático, astrónomo, geógrafo e diplomata português. Em 25 de Setembro de 1663 entrou para a Companhia de Jesus. Em 15 de Abril de 1666 embarcou para a Índia, continuando os seus estudos em Goa, chegando a Macau em 1672. Tomás Pereira viveu na China até à sua morte em 1708 no antigo Observatório Astronómico de Pequim. Foi apresentado ao imperador Kangxi pelo colega jesuíta Ferdinand Verbiest. Foi também músico, sendo autor de um tratado sobre a música europeia que foi traduzido para Chinês, e também construtor de um órgão e de um carrilhão que foram instalados numa igreja de Pequim. É considerado o introdutor da música europeia na China.
Tomás Pereira e um padre francês, J.F. Gerbillon, foram escolhidos pelo imperador Kangxi para acompanharem a embaixada chinesa do ministro Songgotu – 索額圖 – e participarem como intérpretes – tradutores e conselheiros de direito internacional, nas negociações (foram conduzidas utilizando o latim),do primeiro acordo fronteiriço entre a China e a Rússia  terminando com o Tratado de Nerchinsk- 1689.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_Pereira
2 – Joaquim Heliodoro da Cunha Rivara (1809 — 1879) foi um médico, professor, intelectual, jornalista e político português. Não se sentindo atraído pela prática clínica, optou por iniciar uma carreira administrativa no Governo Civil de Évora, no qual ingressou em 1837; em Outubro desse mesmo ano foi nomeado professor de Filosofia Racional e Moral do Liceu de Évora, e em 1838 nomeado director da Biblioteca Pública de Évora (1838-1855). Secretário-geral do governador do estado da Índia de 1856 a 1870. Permaneceu em Goa 22 anos. Mais informações sobre a biografia em:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Joaquim_Heliodoro_da_Cunha_Rivara

25-08-1710 – Neste dia se alterarão fortemente os Chinas desta Cidade, na qual entrou hum Mandarim com seus soldados da Caza Branca, pela noticia que tiverão de que hum Português chamado Manoel Ayres de Oliveira (ou Manuel Álvares de Oliveira) Condestavel de hum Navio e cazado nesta cidade mattara hum China o qual depois de morto metteo em hum sacco ou Gune de Bangalla e o deitou ao mar, sem advertir que o dito sacco levava a sua marca. Forão taes as perturbações que os Chinas fiserão que depois de achar morto o Corpo do China no dito Sacco, que dellas resultou haver bastantes pancadas, que huns levarão, outros derão, não havendo mais remedio para se acabar esta tão grande história, do que prender o Ouvidor (Ouvidor Gaspar Martins) ao mattador no tronco, para se faser justiça nelle, porque as provas são verdadeiras de que elle fora o aggressor. Enviou-se para o  Baluarte de Bom Parto, (1)  e ahi se fes nelle a execução da morte, e para esta ter effeito tres veses quebrou o garrotte primeiro que morresse.  Assistirão a este acto de execução os P.es José d´Almeida e João Pereira, ambos da Companhia de Jesus, e tambem a mulher, e parentes do China morto e Ouvidor que era o Vereador mais velho Gaspar Martins.” (2)
NOTA: Nesse ano de  1710, a cidade de Macau vivia sobressaltada quer pela morte do Cardeal Patriarca Carlos Tomás Maillard de Tournon (a 8 de Junho) quer pelo permanente  conflito entre o Senado (com o apoio dos jesuítas) e o Governador Diogo de Pinho Teixeira (posse a 5-10-1706, com a residência na Fortaleza do Monte). Houve uma acalmia com a posse do novo governo de Francisco de Melo e Castro (em 28-07-1710) embora passado um ano depois, este fosse também desapossado pelo seu procedimento despótico (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 2)

Carte de lentrée de la Reviére de Canton 1750“Carte de l´Entrée de la Riviere de Canton”  c. 1750
A “Isle de Macao” com a península “de Macau” ao sul.

(1) A Fortaleza de Nossa Senhora do Bom Parto que se supõe ser amais antiga fortaleza de Macau, estava concluída em 1622. Desmantelada em 1892 e destruída posteriormente, quase por completo, com a construção da Avenida da República.
(2) BRAGA, Jack –  A Voz do Passado. 1964

Em 2 de Janeiro de 1706, o Imperador Hóng-Hei (Kang-hi) (1) que recebera pela primeira vez, em audiência o Patriarca de Antióquia, Carlos Tomás Maillard de Tournon, (2) em 31 de Dezembro de 1705, resolveu enviar o jesuíta Bouvet, como portador dum presente imperial para o Papa, o qual constava do seguinte:

  • dez formosas pérolas;
  • cinquenta peles zibelinas de côr preta;
  • dez colchas ou cobertores admiravelmente bordados em ambos os lados; e
  • trinta peças de seda da melhor da China de diversas cores e lavor.

O Imperador da China recomendou ao padre Bouvet (3) que pedisse ao papa o envio de matemáticos, músicos, médicos, cirurgiões e religiosos. O patriarca, que chegara ao porto de Macau, em 4 de Abril de 1705, hospedou-se, na Ilha Verde, recusando-se a entrar na cidade, não obstante os «singulares obséquios e oferecimentos» feitos pelo Bispo e pelo Capitão-Geral de Macau que o foram visitar, nesse mesmo dia, e, logo no dia seguinte, seguiu para Cantão.” (4)
(1) O Imperador Kangxi ( 康熙mandarim pinyin: Kāngxī, cantonense jyutping: Hong1 hei1) (1654 — 1722) foi o terceiro imperador da dinastia Qing, a última dinastia imperial chinesa, de origem manchu, e o segundo que reinou sobre a China toda, consolidando a conquista do território que estivera sob a soberania da anterior dinastia Ming.
(2) Charles-Thomas (Carlo Tommaso) Maillard de Tournon (1668 – 1710)  多樂 (Duō lè)  foi nomeado legado “a latere” do Padroado para a índia e China em 1701 e faleceu prisioneiro em Macau a 8 de Junho de 1710, envolvido na “Questão dos ritos” .
O patriarca chegou a Macau em 1707 e aqui veio a falecer, três anos mais tarde. Os Franceses e estrangeiros são unânimes em condenar os Portugueses, acusando-os de ter lançado o patriarca numa masmorra, onde veio a falecer “mártir” às mãos dos Portugueses. Mas a história verdadeira do que se passou em Macau é bastante diferente. Devido ao carácter ríspido e à atitude intransigente de Carlos Tomás Maillard de Tournon, Macau, sem culpa alguma na questão dos ritos chineses, sofreu grandes perturbações de 1707 a 1710. Acresce que esta cidade possuía nessa altura um prelado de antes quebrar que torcer, D. João do Casal.
Aos 17 de Junho de 1707, o patriarca entrava em Cantão, vindo de Pequim; chegaram também de Pequim dois mandarins com ordem de o remeterem com a sua comitiva, sob custódia, para Macau, e deram-lhes três dias para se preparar. Aos 30 de Junho entravam em Macau esses dois mandarins, e em nome do imperador Kang-Hsi, fizeram entrega do patriarca ao Senado, exigindo-lhe um recibo da entrega juntamente com os padres da sua comitiva, “athe chegarem os dous Padres Barros e Bouvallier que como seus enviados (o imperador) tinha mandado ao Papa, para concluzao destas teimas e contendas.
http://www.library.gov.mo/macreturn/DATA/PP280/PP280286.HTM
(3) Joachim Bouvet白晋 (mandarim pinyin: Bái jin: cantonense jyutping: Baak6 zeon3, ou (mandarim pinyin: Míng yuàn; cantonense jyutping: Ming4 jyun5) (1656 – 1730) foi um dos seis primeiros padres jesuítas franceses (preparados na Academia Francesa das Ciências) que foram para a China em 1687. Ficou em Pequim ensinando matemática e astronomia. Como sinólogo, focou o seu estudo no “I Ching” tentando encontrar uma ligação entre os clássicos chineses e a Bíblia. O imperador Kangxi esperava que o padre Bouvet esclarecesse em Roma a “questão dos ritos” mas este voltou à China sem uma resposta do Vaticano.
(4) GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau.