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Extraído de «O Independente» I- 30, 27 de Março de 1869, p. 263
Retrato da Rainha D. Maria Pia de Portugal (1847-1911) em exposição na Sala do Retrato da Rainha no Palácio Nacional da Ajuda

Galera Maria Pia (1) registada em 1866 (Arquivo Histórico da Marinha), em homenagem à D. Maria Pia de Saboia (1847 – 1911) esposa do rei D. Luís I e Rainha Consorte de Portugal de 1862 até 1889. Era filha do rei Vítor Emanuel II da Itália e sua esposa, a arquiduquesa Adelaide da Áustria. Maria Pia ficou conhecida como O Anjo da Caridade e A Mãe dos Pobres por sua compaixão e causas sociais. (2)

(1) Referência anterior a esta Galera em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/02/noticias-de-2-de-setembro-1709-e-1871/ (2) https://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_Pia_de_Saboia

Henrique de Senna Fernandes nas suas memórias: (1)
“Em princípios de Março (8 de Março de 1935), as atenções de Macau concentravam-se na visita do aviso “Gonçalves Zarco” que, em viagem de soberania, mostrava ao Oriente o que era a proclamada Renovação da Marinha de Guerra Portuguesa. Era um navio de guerra novo que trazia a estas paragens a bandeira das Quinas, preenchendo uma lacuna deixada pelo velho cruzador “Adamastor”, que regressara a Lisboa um ano e tal atrás, para ser abatido. A visita fora esperada com orgulho e nervosismo, pois todos queriam admirar essa “moderna unidade de guerra”. Em 8 de Março, Sexta-Feira, Macau engalanava-se para a receber. Diz “A Voz de Macau“, em termos líricos:
“Às 13:30 horas, avistou-se o ‘Gonçalves Zarco’, ao longe, todo cinzento e cuja elegante silhueta se desenhava altiva no horizonte, primeira unidade naval das que o ilustre Chefe do Governo, Dr. Olivera Salazar, mandou construir em Inglaterra e veio até nós, os portugueses do Extremo Oriente, que comovidamente a contemplávamos, como se contempla amorosamente o torrão da Mãe-Pátria”.
As unidades da Marinha Privativa da Colónia dirigiram-se ao largo para fazer a escolta. Comandava-as a lancha-canhoneira “Macau”, onde se encontrava o Capitão dos Portos, 1° tenente Samuel Vieira. Atrás seguiam com altivez as lanchas “Demétrio Cinatti”, “Talone” e “Coloane”, os rebocadores “Neptuno” e “Berta”, dois motores da Capitania dos Portos, as lanchas n° 5 e 6 e duas lanchas mandarinas. A incorporar no cortejo figuravam também a lancha “Luntsing” das Alfândegas Chinesas e outras lanchas e motores particulares. Nessa “esquadra” iam funcionários civis e militares; muitas senhoras; escoteiros de Macau; Banda Municipal; pessoal civil e militar das ilhas de Taipa e Coloane; representantes de “A Voz de Macau” e dos periódicos chineses; representantes do comércio e indústria desta cidade; Leal Senado, Clero, etc.
As boas vindas foram dadas por meio de apitos e queima de panchões das lanchas. Ao entrar no canal, o “Gonçalves Zarco” deu a salva da ordenança, sendo respondido pela bateria de artilharia da Fortaleza da Guia. Então os juncos de pesca que se encontravam no porto, embandeirados, salvaram também o aviso ‘Gonçalves Zarco’ com as suas peças de carregar pela boca e queimando inúmeros panchões”.
Nunca em Macau assistimos a tão grandiosa recepção, imponentíssima, majestosa”, diz o articulista do “A Voz de Macau“. No Porto Exterior e na encosta da Guia, havia lágrimas em muitas pessoas, o patriotismo a tocar-lhes na corda sensível.
“Gonçalves Zarco”, sob o comando do então capitão-de-fragata Manuel Cardoso Quintão Meireles, (2) teve um acolhimento inesquecível. A hospitalidade de Macau, sempre fidalga, não regateou esforços para obsequiar os 133 homens, entre os quais 120 oficiais. Para muitos, depois de uma tão longa viagem pelo Oriente, Macau foi uma autêntica Ilha dos Amores. Voltando ao cinema, a inauguração do Apolo constituiu um rival para o Capitol. Já não estava sozinho em campo e, por isso, os filmes passaram a ser melhores do que quando se achava o único em campo. Com o desaparecimento do Vitória, o Apollo ficou com o exclusivo das películas da MGM, da United Artists e da Paramount. O Capitol reteve os filmes da RKO e da FOX”
(1) FERNANDES, Henrique de Senna – Cinema em Macau III (1932-1936)
(2) Trata-se, se não me engano, de Manuel Carlos Quintão Meireles (1880 – 1962), oficial da Marinha que combateu na I Guerra Mundial e em 1926, participou no golpe militar, tornando-se ministro dos Negócios Estrangeiros no segundo Governo de José Vicente de Freitas. Em 1951, foi candidato da oposição moderada às eleições presidenciais desse ano, mas acabou por desistir. (LOFF, Sofia Ferreira Manuel in
http://resistencia.centenariorepublica.pt/expo/index.php/bibliografias/52-meireles-manuel-carlos-quintao
Anteriores referências ao Aviso «Gonçalves Zarco»
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/aviso-goncalves-zarco/

NOTA: Documentário de 1936 da Cinemateca Digital onde se vê um desfile naval na frente ribeirinha de Lisboa, de vários Avisos, entre eles, o aviso de 2ª classe Gonçalves Zarco
http://www.cinemateca.pt/Cinemateca-Digital/Ficha.aspx?obraid=8425&type=Video

Extraído de «O Independente» I-28 de 12 de Março de 1869, p. 246

O mesmo acontecimento foi noticiado no «Boletim da Província de Macau e Timor» XV n.º 10 de 8 de Março de 1869 p. 60.

No dia 25 de Fevereiro de 1945, efectuou-se o segundo bombardeamento aéreo americano a Macau. Pela 11h05, um quadrimotor americano bombardeia a área perto do hipódromo, onde um avião japonês tinha feito uma aterragem de urgência e sido detido, uns dias antes.
Embora o bombardeamento não atinja os alvos, abre fogo sobre o navio mercante a vapor «SS Masbate» (1) registado com a bandeira panamiana (país neutral) e um navio desmantelado «Tung wei» que servia de alojamento para refugiados. Atingiram ainda  outras embarcações atracadas no Porto Interior, o Bairro Tamagnini Barbosa/Toi SanBairro Nossa, a casa dos pobres de Nossa Senhora de Fátima, o estádio e a esquadra da PSP, situados nas imediações da Porta do Cerco, e o Bairro 28 de Maio/Fai Chi Kei, resultando na destruição dos pavimentos das ruas e na rede de distribuição de electricidade. Quatro pessoas morreram  e várias ficaram feridas, entre as quais um súbdito norueguês, Tygve Jorgensen, comandante do «SS Masbate». (2)
Recorda-se que o primeiro bombardeamento aéreo de Macau por esquadrilhas da Força Aérea dos EUA foi a 16 de Janeiro de 1945. (3)
(1) Devido á falta de alimentos em Macau durante a guerra, o navio «Masbate» de742 ton de bandeira panamiana, propriedade dum chinês que estava ancorado no Porto Interior, foi utilizado por ordem de Salazar após auscultar a diplomacia nipónica, para efectuar uma viagem à Indochina. Em 23 de Dezembro de 1943, por pressão dos japoneses, o navio «Masbate» foi rebaptizado «SS Portugal» e assim, em 1944 (Março-Abril), o «SS Portugal/Masbate» efectuou a viagem e regressou da Indochina com carvão e alimentos (favas/feijões). Segundo a “Cronologia” publicado no livro ”Wartime Macau”, o segundo bombardeamento danificou uma escola católica e atingiu o «Masbate». O «Masbate» foi novamente atingido pelas bombas americanas em 11 de Junho de 1945 e ainda, em 5 de Julho de 1945, novo «raid» aéreo à ilha de Coloane embora sem estragos. A 6 de Agosto, deste ano, foi a destruição de Hiroshima pela bomba atómica.
GUNN, Geoffrey C. – Wartime Macau in the Wider Diplomatic Sphere, in Wartime Macau, under the Japanese Shadow”,HKU Press 2016, pp. 36 e 166-67
(2) FERNANDES, Moisés Silva – Sinopse de Macau nas Relações Luso-Chinesas 1945-1995 Cronologia e Documentos, 2000, p. 28/29.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/18/noticias-de-16-e-20-janeiro-de-1945-bombardeamento-aereo-de-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/02/26/noticias-na-imprensa-em-portugal-dos-dias-26-de-fevereiro-e-6-de-marco-de-1945-novo-bombardeamento-aereo-de-macau/

«BGPMTS» VII-8 de 21 de Fevereiro de 1852, p. 30

Anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/brigue-mondego/
NOTA : na publicação mensal “Annaes Maritimos e Coloniaes” de 1846 (disponível na net) aparece a colocação do então Guarda Marinha, de 26 anos de idade, Augusto Eduardo d´Alincourt-Braga (1820-1832)  do «Brigue Vouga» para a nau «Vasco da Gama» e no mesmo despacho , «mandado desembarcar da Nau».

Anúncio de 1902, da Companhia de navegação «CANTON, MACAO, AND WEST RIVER STEAMERS», publicado pelo jornal « The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits…»,
Este anúncio, de 1902,  é igual ao que foi publicado em 1904 (1) no mesmo Jornal «The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits…»
Mantém-se o agente em Macau: A. A. de Mello e o navio que fazia a ligação Hong Kong – Macau – Hong Kong era o “Heung Shan” (2) de 1055 tons (capitão: W. E. Clarke; oficial chefe: T. Hamlin; engenheiro chefe: J. B. Paterson e o comissário de bordo: C. M. d´Eça).
A viagem custava por cada travessia $4.00 (HK dólares), a refeição a bordo $1.50.

«Heung Shan» no Porto Interior, cerca de 1890

A ligação Cantão – Macau – Cantão era feita pelo navio “Lung Shan” (3) de 141 ton. A viagem custava $5.00 (HK dólares), a refeição a bordo $1.50.
Anteriores referências sobre este tema:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/a-a-de-melo-co/
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/06/13/anuncio-de-1904-canton-macao-and-west-river-steamers/
(2) O barco a vapor «Heung Shan» foi construído em 1890 (data do lançamento: 22 de Fevereiro de 1890) pela empresa “Ramage & Ferguson, Leith” para a “Hong Kong, Canton & Macao Steamboat Co. Ltd., Hong Kong 
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/09/18/noticia-de-18-de-setembro-de-1906-barco-heung-shan/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/05/14/noticia-de-14-de-maio-de-1917-macau-na-imprensa-australiana/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/06/14/postal-de-1890-navio-heung-shan-atracado-em-macau/)
(3) Não consegui obter informações deste barco. Com o mesmo nome “LUNG SHAN”, a mesma empresa “Hong Kong, Canton & Macao Steamboat Co. Ltd.” , mandou construir um navio de carga em 1923 que em 1938 foi vendida a uma empresa italiana que o rebaptizou de “Marco Polo”.
http://www.combinedfleet.com/Maruko_t.htm

“Na noite de 7 do corrente pelas oito horas, houve um incendio na povoação de Colo-an, defronte e a oeste da Taipa; queimaram-se de setenta a oitenta embarcações tancares que estavam em seco, e umas seis boticas, às quais se comunicou o fogo que principiou nos tancares”

Extraído do «Boletim do Governo da Província de Macau Timor e Solor», Vol. 6, 15 de Fevereiro de 1851