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No dia 1 de Fevereiro de naufragou no baixo da Prata, a galera portuguesa “Joven Idhap” de José Vicente Jorge, (1) a qual tinha largado, em 23 de Janeiro deste ano, (2) de Manila para Macau, com 35 praças de tripulação, 2 passageiros – um chinês e outro filipino – e um rapazito filho de um dos marinheiros. Esta galera de 375 toneladas e 41 centésimos foi construída, no ano de 1847, em Bordéus (3) (4)
O «Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor»(5) traz o relato completo deste acidente. Reproduzo somente duas colunas desse comunicado.
(1) José Vicente Caetano Jorge (1803-1857) estudou ciência náutica no Colégio do seminário de S. José, após o que enveredou por uma bem sucedida carreira de negociante e exportador, em navios próprios, grangeando uma sólida fortuna. Esteve também ligado ao negócio da emigração (6) de trabalhadores chineses para as colonias espanholas da América Central e do Sul. (7)
Segundo Luís G. Gomes (3) (bem como Beatriz Basto da Silva) José Vicente Caetano Jorge faleceu em 31 de Março de 1956, com 53 anos de idade. Segundo Jorge Forjaz (8) foi a 31 de Março de 1857, com 54 anos de idade.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-vicente-jorge-1803-1857/
(2) O navio “Joven Idhap“ tinha partido de Macau no dia 4 de Janeiro para Manila, onde chegou a 11, com retorno a 23 de Janeiro do mesmo ano, com uma carga de arroz. Do «Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor» II-11 de 5 de Janeiro de 1856.
Portuguese barque Joven Idhap, laden with rice, from Manila to Macao in January , 1856; two men died in the boats” (The Nautical Magazine and Naval Chronicle for 1857. Journal of Papers on Subjects  connected with maritime affairs)
(3) “31-03-1856 – Faleceu, com 53 anos de idade, o acreditado comerciante desta praça José Vicente Jorge, que ocupou por várias vezes o cargo de Procurador do Senado de 1840 a 1845 tendo sido agraciado pelos relevantes serviços prestados ao governo, com várias condecorações”  (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954).

A “Villa d´Alva”, residência de José Vicente Caetano Jorge em Hong Kong, ficava na “Macdonnell Road”. Demolida na década de 30 ? do século XX . (8)

(4) «Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor» II – 11 de 5 de Janeiro de 1856.
(5) «Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor» II-16 de 9 de Fevereiro de 1856.
(6) De 1851 a 1894, data do último regulamento que aborda em Boletim Oficial a emigração chinesa, vamos acompanhar o percurso do fenómeno, que deve o seu arranque europeu (via Hong Kong) a dois pioneiros franceses, Guillon e Durand; dispunham de engajadores chineses já prácticos nessa actividade bem à vista do próprio Império do Meio. Seguiu-lhes o macaense José Vicente Caetano Jorge, tendo este começado por levar 250 cules contratados para Callao de Lima (Peru), na barca Sophia, de que ele mesmo era proprietário (SILVA, B. B. da – Emigração dos Cules, 1994).
(7) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume II, 1996, p. 256
(8) Segundo o site “Gwulo: Old Hong Kong”,
m>https://gwulo.com/node/36130#15/22.2757/114.1615/Map_by_ESRI-Markers/100

Relação dos navios e lorchas portugueses da praça de Macau existentes no ano de 1858, elaborado pelo Capitão interino do porto, Guarda Marina António Fernandes da Cunha  e publicado nos «Annaes do Consultivo Ultramarino» do ano de 1959.

Baía de Praia Grande c. 1855, artista chinês desconhecido, guache

Extraído do «BGC»  XXIII – 260, 1947
Funeral do Governador Artur Tamagnini Barbosa em Macau – 1940 

Artur Tamagnini Barbosa filho primogénito de Artur Tamagnini de Abreu da Mota Barbosa (1) e de Fátima Carolina Correia de Sousa. Nasceu em Lisboa em 31-08-1881 e veio para Macau ainda bebé chegando no transporte África a 22-01-1882. Cursou o Seminário de S. José e o Liceu de Macau até à idade de 19 anos, em que regressou a Portugal com a família em 1900.
Governador de Macau por três vezes: de 1-07-1918 a 12-04-1919; 19-06-1926 a 19-11-1930 sendo exonerado a 2-1-1931;  e nomeado em 25-11-1936 para novo mandato que se iniciou a 11-07-1937  até sua morte. (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, volume II, 1997)

O governador faleceu pelas 7h30 do dia 10 de Julho de 1940,  no Palácio de Santa Sancha. O cadáver foi depositado no Salão Nobre do Leal Senado da Câmara de Macau até o dia de funeral que se realizou pelas 11 horas do dia 11 de Julho, sendo o féretro conduzido até à Sé Catedral onde ficou depositado até seguir para Portugal. Mas devido à Guerra do Pacífico somente foi transladado para Portugal em 7 de Dezembro de 1946, a bordo do paquete “Quanza” (2)
NOTA: Meu pai que chegou a Macau em 1936 como soldado de artilharia referia muitas vezes que fez parte das sentinelas (nos primeiros dias na Sé Catedral) que revezavam o corpo do Governadornuma das alas/corredor da Sé Catedral onde o corpo estavaassim como esteve integrado na guarda de honra no dia 7 de Dezembro que acompanhou o féretro da Sé Catedral até ao cais, onde os restos mortais foram transportados para o paquete “Quanza
Ver anteriores referências a este Governador em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/artur-tamagnini-barbosa/
(1)  Artur Tamagnini de Abreu da Mota Barbosa (1852 – ?) esteve pela 1.ª vez em  Macau de 1877 a  1880 como 2.º oficial da administração de fazenda militar e depois contador interino da junta de fazenda de Macau e Timor e pela 2.ª vez em Macau e Timor de 1882 a 1897  como quartel mestre do 1.º Batalhão do Regimento da Infantaria. Pertenceu à Comissão de Contas da primeira Direcção do Grémio Militar eleita a 1 de Janeiro de 1880  e foi  eleito vogal efectivo da Direcção a 3 de Janeiro de 1888.
(2) Paquete «Quanza» (1928 – 1968)
Navio de passageiros da Companhia Nacional de Navegação. Deslocava 11 550 toneladas (em plena carga) e media 133,53 metros de comprimento por 16,05 metros de boca. Movia-se graças à força de 2 máquinas, de 4 000 cv, que lhe permitiam navegar à velocidade de 13 milhas/hora. A sua tripulação era constituída por 162 membros. Podia receber a bordo 518 passageiros, distribuídos por várias classes.
http://alernavios.blogspot.pt/2010/11/quanza.html

Desembarque do Governador de Macau no regresso de Hong Kong

Extraído de «BGC»  XXVI-297, 1950.

Antes do Baptizado das praças indígenas

Realizou-se na Gruta de Nossa Senhora de Fátima do Aquartelamento de Mong-Há, no Dia de Reis, o baptizado de algumas praças indígenas de Angola e da Guiné em serviço na guarnição militar e Macau. Neste dia de 6 de Janeiro de 1951, 24 praças de Angola e 16 da Guiné tornaram-se cristãs . A cerimónia foi presidida pelo Bispo, D. João de Deus Ramalho (1) e foi coadjudado pelos Padres: Cónego Morais Sarmento, Cónego Fernando Maciel, Capitão Capelão João Abranches (Chefe dos Serviços Religiosos da Guarnição), Pe. António Gonçalves, Pe. Benjamim Videira Pires e Pe. Juvenal.

Durante a cerimónia

A vasta parada do Aquartelamento de Artilharia de Mong Há encontrava.se repleta, assistindo grande quantidade de povo, além das deputações de todas as Unidades da Guarnição.

Outro aspecto da cerimónia

Foi depois servido, no quartel da Companhia Indígena de Caçadores da Guiné, (2) um «copo de água», oferecido pelo Comandante e Oficiais desta Unidade tendo-se trocado discursos entre o Comandante da zona de Aquartelamentos Major José J. da Silva e Costa e o Bispo D. Joaõ de Deus Ramalho. (3)

O bispo D. João de Deus Ramalho, baptizando um dos praças

Este evento foi também noticiado no «Boletim Geral das Colónias» de Março de 1951 (4)
(1) O Bispo da Diocese era D. João de Deus Ramalho – 罗若 (1890-1958). bispado de 1942-1954; Bispo Emérito de Macau entre 1954 e a data da sua morte. Jesuíta, chegou a Macau em 1924, tendo sido colocado em 1926 como missionário de Shui-Hing (Zhaoqing) – 肇庆 tendo chegado a Superior e Vigário Geral da missão em 1940 Nomeado Bispo de Macau em 1942, foi importante a sua acção missionária durante a Guerra do Pacífico, acolhendo, ajudando e alojando (comprou casas para o acolhimento dos refugiados) os refugiados entre os quais se encontravam missionários que estavam nos territórios vizinhos.
Ver anteriores referências a este Bispo em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-joao-de-deus-ramalho/
(2) A 1.ª Companhia Indígena de Caçadores Expedicionária da Guiné desembarcou a 9 de Abril de 1949 em Macau e foi colocada na Taipa sob o comando do capitão de Infantaria Manuel Maria Pimentel de Bastos. (5) Em 7 de Abril de 1950 recolheu da Taipa e fixou-se nas Barracas metálicas de Mong Há e depois no Asilo de Mong Há até ser extinta em 28 de Junho de 1951, por embarque no N/M Rovuma (1 oficial, 2 cabos e 200 praças indígenas)
O Batalhão de Caçadores n.º 1 e n.º 2 destacado de Angola chegaram a 13 de Setembro de 1949, no navio Colonial.
As várias Companhias integrantes do Batalhão n.º 1 ficaram nas Ilhas: Coloane e Taipa (após a saída da 1. ª Companhia Indígena de Caçadores Expedicionária da Guiné). Algumas Companhias terá mudado para Macau. Foi extinta em 28 de Junho de 1951, por embarque no N/M Rovuma (5 oficiais, 6 sargentos, 9 cabos e 650 praças indígenas).
As Companhias do Batalhão n.º 2 ficaram em Macau (aquartelamentos de San Kiu, Porta do Cerco, Mong Há). Uma Companhia que estava em Mong Há mudou-se para Coloane. Foi também extinta em 28 de Junho de 1951, por embarque no N/M Rovuma ( 8 oficiais, 12 sargentos, 17 cabos e 683 praças indígenas) (CAÇÃO. Armando A. A. – Unidades Militares de Macau, 1999)
(3) Extraído texto e fotos de «Mosaico» Vol I-6, Fevereiro 1951.
(4) «BGC» XXVI-309 MAR1951 p. 167
(5) Manuel Maria Pimentel de Bastos, capitão de infantaria, poeta, enquanto expedicionário em Macau, teve uma intervenção cultural significativa no território. Foi o primeiro Vice-Presidente da Direcção para o ano de 1950 (e um dos fundadores) do “Círculo Cultural de Macau”.
Referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-m-pimentel-bastos/

O navio Jesus Maria José que, em 2 de Janeiro de 1637, seguia de Macau para Manila com grande quantidade de oiro, drogas, etc, foi capturado no Estreito de Singapura pelos navios holandeses que andavam a cruzar nessas paragens. De entre as cartas que caíram nas mãos do «inimigo da Europa» havia uma de Luís de Pacheco, antigo vereador de Macau, em que declarava que o comércio português em Nagasáqui, no ano de 1636, fora tão grande que, só para os direitos de el-rei, em Macau, couberam 204 000 taéis. (1) (2)
T. Volker, no seu livro (3), pp. 197-198, descreve a carga do navio “Jesus Maria Joseph” que foi saqueada e vendida em Malaca (onde terá chegado a 14 de Janeiro de 1637)
(1) Está também, referenciado com o mesmo nome, a fragata, barco ou navio Jesus, Maria, José ou J. M. J. em 1705, pertencente a Francisco L. de Carvalho. Foi neste barco que viajaram, em 1705, para Batávia alguns mercadores chineses, com conhecimento do Senado e também o transporte de 3500 picos de sândalo, altos e baixos para Timor, em 10 de Outubro de 1706. Em Dezembro de 1709 (registo de 21-12-1709) era proprietário do barco Francisco Xavier Doutel, já referenciado em anterior postagem (4) (PIRES, Benjamim Videira – A Vida Marítima de Macau no Século XVIII, 1993, p. 19)
(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(3) VOLKER, T – Porcelain and the Dutch East India Company: As Recorded in the Dagh –registers of Batavia Castle those of Hirado and Deshima and other contemporary papers 1602-1682. Leiden, E. J. Bril, 1971
Disponível para leitura (algumas páginas omitidas)  na net
(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-xavier-doutel/

Extraído de “A Visitor´s Handbook. Publicity Office, Macao” e publicado no “The Statesman’s Year-Book: Statistical and Historical Annual of the States of the World for the year 1953”, com edição de S. H. Steinberg.