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Mercado de rua
Avenida Almeida Ribeiro cruzamento com a Avenida da Praia Grande e
um bocado da Avenida do Infante D. Henrique
Porto Interior- Ponte Cais – Barco da Carreira Macau-Hong Kong

No dia 4 de Dezembro de 1916, foram apreendidos 220 latas de petróleo da marca «Crocon» que foram trazidas para Macau sem o respectivo manifesto. (Processo n.º 463 – Série P, Boletim do Arquivo Histórico de Macau)
A empresa «Asiatic Petroleum Co, Ltd» de Hong Kong, solicitou ao Governo de Macau para que lhe fossem entregues aquelas latas com o combustível, pois alegava terem sido roubados pelos piratas em Au Tau, e pelos mesmos trazidos depois, para Macau. Pedido este que não foi atendido, por aquela Companhia não ter podido provar o direito alegado, sendo o referido petróleo, vendido, posteriormente, em hasta pública.(Boletim do A. H. M.)
A «Asiatic Petroleum Company» foi fundada em 1903 pelas empresas petrolíferas «Shell» e «Royal Dutch» para operar no mercado asiático. A sede estava nessa altura em Shanghai. Em 1951, a República Popular da China nacionalizou a empresa como retaliação da confiscação do petroleiro “Yung Hao”, (1) perdido pelos Britânicos em Hong Kong.

https://www.wrecksite.eu/wreck.aspx?133738

(1) Construído no Japão como petroleiro (navio de carga) com o nome de «Kuroshio Maru», construído em 1938, afundado em 9 de Janeiro de 1945 perto de Takao (Taiwan) pela aviação americana na Guerra do Pacífico. Foi recuperado em 1946 e posteriormente dado à China com despojo de guerra, rebaptizado com o nome de Yung Hao (容浩). Mas o Governo Britânico que o recuperou, não o deixou sair de Hong Kong, utilizando-o de 1951 a 1960 com o nome de “Surf Pilot” tendo este participado como navio de apoio na Guerra da Coreia. Devido ao mau estado do barco, foi dado como incapaz e afundado perto da Ilha de “Pulau Aur”, na Malásia.
https://en.wikipedia.org/wiki/SS_Kuroshio_Maru

O Beco da Rede começa na Calçada da Barra, entre os prédios n.ºs 13 e 15 e termina na encosta da Colina da Penha. Este toponímico deriva de outro desaparecido, chamado Ponte da Rede, ali em frente.
“A 2 de Dezembro de 1828, o mandarim Tso-Tang, de apelido Fom, publicou um edital, dizendo que os chinas anciãos de Macau lhe haviam representado «que o Portuguez Leiria na Ponte da Rede mandou fazer hum muro, que cercou o quadro, em que se pretendia fabricar a torre da Fortuna, (1) pelo que indo em pessoa indagar, achei ser verdade todo o referido na representação deles. Por tanto além de ter eu mandado ao Procurador para mandar parar a ditta obra; ordeno tbem a vós todos os pedreiros, e picadores de pedras, que não façaes mais obra naquele terreno, nem leveis para ali mais pedras, com cominação de serdes agarrados, e castigados»
Supomos que o português Leiria é Hermenegildo António Leiria, natural de Lisboa, filho de José António Leiria e de Maria de Jesus; casou em 3 de Março de 1829 com Eugénia Maria Inácia Cortela, filha de António Joaquim Cortela (falecido a 1-06-1842) e de Ana Josefa de Azevedo (falecida a 21-01-1830), neta paterna de Lourenço Baptista Cortela (2) e de Mariana Muniz da Rosa (falecida a 5-11-1788) e materna de Bernardo Manuel de Azevedo e de Inácia Vicência Gomes.
Hermenegildo António Leiria morreu afogado em 1 de Agosto de 1836, à vista de Macau, pelo naufrágio do navio Suzana, onde ele vinha (3)”(4)
(1) ”2-12-1828 – O tchó-t´óng proibiu os pedreiros de continuarem a construção dum muro, propriedade do português Leiria, na Ponta da Rede, por essa obra vir a cercar dum terreno, onde os chineses pretendiam edificar a Torre da Fortuna” (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)
(2) Da família Cortela. Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/05/12/noticia-de-12-de-maio-de-1806-vulto-ilustre-de-macau-do-seculo-xix-joao-francisco-rodrigues-goncalves/
(3) Este registo de óbito em S. Lourenço não está correcta segundo Jorge Forjaz: faleceu «no naufrágio do dia 31 de Agosto de 1836 sucedido ao navio Suzana aonde vinha de passagem o qual Navio deo a costa nas praias de Nameam em Sanchoão em que o dito Leiria enterrado » segundo o escrivão Gonçalves no Livro dos Termos das Eleições.»FORJAZ, Jorge – Família Macaenses, Volume II, 1996.
(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997.

Notícia publicada no «Boletim Geral do Ultramar» de 1964 (1)

Uma foto tirada do Quartel da Guia em 09-12-1964, a ponte cais do Porto Exterior e o P/V Macau» (2)

Quando a “Sociedade de Turismo e Diversões de Macau – S.T.D.M.” ganhou a concessão exclusiva de exploração de jogo em Macau nos anos 60 do século XX, assumiu também a gestão da Ponte-cais n°16 para dinamizar o transporte marítimo no Porto Interior principalmente as ligações com Hong Kong. Mas o rápido desenvolvimento do território com a introdução dos “hidroplanadores”e a modernização dos navios até então existentes ( a STDM possuía o “Fat Shan”) exigiu que as ligações marítimas com Hong Kong passassem a ser no Porto Exterior onde se construiu uma Ponte-Cais, precisamente onde havia a rampa de subida dos primeiros hidro-aviões de Macau e sensivelmente na mesma direcção do Hangar Militar.

Anúncio de 1966

O navio P/V «Macau» foi construído em 1931 (inicialmente movido “a carvão”) com o nome de «Princess Margaret» para operar nos portos do Reino Unido. Tinha um peso de 2523 toneladas, 99m de comprimento, velocidade de 20,5 nós e podia transportar cerca de 1250 passageiros. Em 1952 passou a usar “óleo” e foi vendido em 1962 à «Shun Tak Shipping Co. Ltd.», pertencente a Stanley Ho, passando a chamar-se «P/V Macau».
Terá terminado em meados a final dos anos 80s (ainda viajei numa viagem nocturna com partida às 23h00 e chegada a Hong Kong às 6H00, numa “camarata” com camas de beliche, em 1984)
Sobre o transporte marítimo dos anos 60s para Hong Kong, recomendo a leitura dos artigos escritos pelo meu colega do liceu, Jorge Bastos: “Os antigos «ferries» Macau-Hong Kong, dos anos 60s”, disponível em:
https://cronicasmacaenses.com/2013/04/03/os-antigos-ferries-macau-hong-kong-dos-anos-60s-por-jorge-basto/
(1) «BGU»  – XL 473/474, 1964.
(2) Repetição duma fotografia do meu álbum, já publicada em anterior postagem:
https//nenotavaiconta.wordpress.com/2014/12/09/noticia-de-9-de-dezembro-de-1964-fotos-do-porto-exterior/

http://marinhadeguerraportuguesa.blogspot.pt/2015/08/a-evolucao-dos-navios-da-armada-real.html
Em Novembro de 1869 a galera “Viajante” (1) embarcação mercante pertencente à firma «Bessone & Barbosa» que partiu de Lisboa para Macau (com antecedência de dois dias da corveta «Estephânia» que ia representar Portugal na inauguração do canal de Suez) (2) sob o comando do capitão José Sabino Gonçalves (com vinte marinheiros) atravessou o canal de Suez, no dia 22 de Novembro (3) sendo o primeiro navio de bandeira portuguesa a fazer este. Esta nova via de navegação encurtava muito as viagens que se faziam ao Oriente pelo trajecto africano.

http://www.ancruzeiros.pt/ancdrp/viajante

(1) “Este navio de três mastros com casco em teca foi construído em 1850 nos estaleiros de Damão; os mesmos que já haviam realizado a fragata «D. Fernando e Glória». O «Viajante» era um navio de 377 toneladas, que media 35 metros de comprimento. Armou, sucessivamente, em galera e em barca. O seu primeiro proprietário foi a casa Bessone & Barbosa, que o utilizou no transporte de chá para a Europa. Em 1863 chegou a assegurar uma leva de tropas coloniais da metrópole para Moçambique, fazendo assim prova da sua versatilidade. Seis anos mais tarde, em Novembro de 1869, o «Viajante» (que se dirigia para Macau, sob o comando do capitão José Sabino Gonçalves) foi o primeiro navio de bandeira portuguesa a franquear o canal de Suez, essa nova via de navegação que encurtava, de maneira significativa, as viagens para o Oriente. A 2 de Outubro de 1917, quando navegava de Lisboa para o Funchal com mercadoria diversa, o «Viajante» foi afundado por um submarino alemão não identificado. Apesar da zona de naufrágio do navio se situar a umas 180 milhas náuticas da terra firme mais próxima (a ilha de Porto Santo), todos os seus tripulantes (12 homens) se salvaram.”
http://marinhadeguerraportuguesa.blogspot.pt/2015/08/a-evolucao-dos-navios-da-armada-real.html
(2) “A 15 de Agosto de 1869 as águas do Mar Vermelho entraram nos lagos Amargos que já recebiam as águas do Mediterrâneo através do lago Timsah. A inauguração, que realizou-se no dia 17 de Novembro de 1869 no meio de grandes e exuberantes festejos, foi presenciada por Eça de Queiroz que publicou no Diário de Notícias o relato do acontecimento com o título “De Port-Said a Suez ou Carta sobre a inauguração do Canal de Suez” inserida nas Notas Contemporâneas. O Cairo sofreu profundas alterações como uma ligação rodoviária com Ismailia e a construção propositada de um teatro para que, durante a inauguração, pudesse ser representada a ópera Aida encomendada propositadamente a Verdi, que não chegou a acabá-la a tempo”.
http://www.ancruzeiros.pt/ancdrp/o-canal-de-suez
(3) A inauguração desta nova via de navegação foi a 17 de Novembro de 1869. Cinco dias após a inauguração a barca Viajante acabou por ser o primeiro barco português a atravessar o canal, embora esta data não seja consensual.
“Durante muitos anos tentou-se provar que a Viajante fora o único barco português presente nas cerimónias da inauguração. Estalaram polémicas e defensores vieram defender cada qual a sua dama até que, muito recentemente, já na década de 90, apareceu o diário de bordo da altura que confirmou a sua passagem pelo canal, mas 10 dias após da inauguração, ficando assim a Viajante apenas com o título do primeiro barco português a atravessar o canal.”
http://www.ancruzeiros.pt/ancdrp/viajante 
“A corveta «Estefânia», o melhor vaso de guerra português na época, foi enviado ao Egipto de forma a representar Portugal na inauguração do canal de Suez (também presentes, em representação de Portugal, o escritor Eça de Queirós e o conde de Resende Luís de Castro Pamplona). Porém, em pleno Mar Mediterrâneo, numa zona denominada «gata», desencadeou-se uma daquelas tempestades que só acontecem aos «lusíadas». A deficiente acção dos marinheiros e a frustrante surpresa que a tempestade provocou, acrescidas de alguns pormenores técnicos, deve ter “inibido” bastante o vaso de guerra que, desconjuntado, não pode figurar a tempo nas cerimónias oficiais em Port Said. Tinha largado do Tejo, com a antecedência de dois dias da corveta «Estefânia», a galera «Viajante» embarcação mercante pertença da firma «Bessone & Barbosa», comandada pelo capitão José Sabino Gonçalves que, às suas ordens, tinha vinte marinheiros. A galera dirigia-se a Macau e, muito próxima do navio de guerra, sofreu o mesmo temporal, mas bem manobrada conseguiu entrar em Port Said galhardamente. Era o dia de inauguração do Canal de Suez…”
Ler este “episódio” em: “CARTA DE ÉVORA – O capitão José Gonçalves Sabino – O 1º piloto do Canal do Suez? – II – por Joaquim Palminha Silva” disponível em
https://aviagemdosargonautas.net/2015/08/11/carta-de-evora-o-capitao-jose-goncalves-sabino-o-1o-piloto-do-canal-do-suez-ii-por-joaquim-palminha-silva/
NOTA: Sobre o capitão José Sabino Gonçalves aquando da sua morte, escreveu (assinado Abrantes) a sua Necrologia no jornal, «O Occidente»  XXXII-n.º 1098 de 30 de Junho de 1909 p. 143.

Extraído de «Bol. Gov. Macau» IX-4, 1862.

Decreto n.º 226 de 1913 (1) em que autoriza o Governo de Macau a contratar com a «Norddeutscher Lloyd» (2) de Bremen, um serviço de navegação directa entre Lisboa e Hong Kong, para Macau. A linha do Extremo Oriente desta empresa que partia de Lisboa, fazia escalas por Argel, Genova, Port-Said, Suez, Aden, Colombo, Penang, Singapura, Hong Kong, Tsingtau (Qingdao-青岛市), Nagasaki, Kobe e Yokohama.
Se esta autorização foi efectivada, não sei, mas creio que este contrato pouco duraria pois em 1914 com o início da I Grande Guerra muitos navios desta empresa refugiaram-se nos EUA e foram confiscados pelo governo americano em 1917.
(1) Extraído da «Revista Colonial» 2.º Ano, n.º 13, 1913.
(2) A «Norddeutscher Lloyd» (NDL) foi uma companhia de navegação alemã fundada em 1857 que se tornou uma das mais importantes companhias marítimas do Império Alemão no final do século XIX e início do século XX. A «Norddeutscher Lloyd» contribuiu para o desenvolvimento econômico e industrial das cidades de Bremen e Bremerhaven. A «Norddeutscher Lloyd» acabou por se juntar à sua rival «Hamburg-Amerika Linie» em 1970, formando a actual «Hapag-Lloyd».
href=”https://pt.wikipedia.org/wiki/Norddeutscher_Lloyd”.

A companhia ficou conhecida pelos seus quatros transatlânticos da Classe Kaiser:

«SS Kaiser Wilhelm der Grosse» 1897 – afundado em 26 de Agosto de 1914 – I Guerra Mundial.
«SS Kronprinz Wilhelm» 1901- confiscado pelos EUA em 1917- mudou de nome: «USS Von Steuben»
«SS Kaiser Wilhelm II» 1902 – confiscado pelos EUA em 1917; mudou de nome «USS Agamemnon»
«SS Kronprinzessin Cecilie» 1906 – confiscado pelos EUA em 1917; mudou de nome «USS Mount Vernon»
 A chamada «entrepontes», a acomodação mais barata nestes navios, em 1913 http://www.norwayheritage.com/p_shiplist.asp?co=ndlaa