Archives for category: Transportes

Neste dia de 28 de Maio de 1799, morre em Macau, o capitão de mar-e-guerra Joaquim Carneiro Machado Castelo Branco. (1) A sua sepultura está na capela mor da igreja de S. Agostinho com um lápide em epitáfio latino:

MEMORIAE JOAKHIMI CARNERO MACHADO CASTELLO BRANCO,  DUCIS MARIS % BELLI REGALIUM ARMORUM GOENSIS, PROFESSI     IN  ORDINE  CHRISTI,  QUI,  NATUS  IN  CIVITATE  PORTUENSI, OBIIT   IN   MACAO   DIE   XXVIII   MAII   ANNO   DOMINI   MDCCXCVIII   HANC PETRAM D. C. O. D. R. C. B.                       ANNO MDCCCV

«No ano de 1805, D. R. Castelo Branco ofereceu, dedicou e consagrou esta lápide à memória de Joaquim Carneiro Machado Castelo Branco, capitão-de-mar-e-guerra das armadas reais de Goa, professo na Ordem de Cristo, que, nascido na cidade do Porto, faleceu em Macau no dia 28 de Maio do ano do Senhor de 1799»

O assento de óbito da freguesia de S. Lourenço diz: «Joaquim Carnrº Machado, cazado co D. Josefa Correa, faleceo com todos os Sacramentos, com (Testamtrº Manuel Vicente de Barros) aos 28 de Maio de 1799 annos, e foi sepultado no Convento de Stº Agostinho, e p.ª consto fiz este que assignei (ass.) P. Francisco Jozé António».

Joaquim Machado foi vereador do Senado em 1776; capitão de navios e proprietário do barco “N. Sra. Do Amparo e Almas Santas”, (1782) e da chalupa “Emulação” que faziam o comércio com a Costa de Coromandel, Costa do Malabar e Surrate em 1783. Sua esposa Josefa Correia (nascida da Costa), filha de António José da Costa (foi governador interino de Macau de 1780 até morrer em 1781) e de Antónia Correia (viúva de Nicolau de Fiúmes), faleceu a 25 de Janeiro de 1803. Eles tiveram uma filha: Ana Joaquina Carneiro Machado Castelo-Branco. (2) (3)

(1) p. 332 do «Archivo heraldico-genealogico: contendo notícias historico-heraldicas, genealogias e duas mil quatrocentas e cincoenta e duas cartas de brazão d´armas, das famílias que em Portugal as requereram e obtiveram» de Augusto Romano Sanches de Baena e Farinha de Almeida Sanches de Baena (Visconde de Sanches de Baena), 1872

(2) TEIXEIRA, P. Manuel – A Voz das Pedras de Macau, 1980 p. 62-63

(3) “Ana Joaquina Carneiro Machado Castelo-Branco, casou em S. Lourenço, a 17-12-1793 com António d´Eça d´Almada e Castro, natural de Lisboa. Seus descendentes família Almada e Almada e Castro foram os pioneiros na colónia de Hong Kong, onde deixaram até hoje bom nome” (SILVA, Beatriz Basto da- Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997)

Relato sumário das acções realizadas pela Canhoneira “Tejo” desde a saída de Macau no dia 21 de Maio até voltar a 27 de Maio de 1876, período em que esteve, no dia 24 de Maio, em Hong Kong, nos festejos do aniversário natalício da Majestade Britânica (1)

Extraído de «BPMT», XXII – 23 de 3 de Junho de 1876

O primeiro tenente Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, (2) foi nomeado comandante da Canhoneira “Tejo” (3) em despacho de El-Rei de 4 de Março de 1876, em substituição do primeiro tenente da armada Fernando Augusto da Costa Cabral (4)

Extraído de «BPMT», XXII – 24 de 10 de Junho de 1876,

(1) Rainha Vitória (24 de Maio de 1819 – 22 de Janeiro de 1901) do Reino Unido de 1837 até à sua morte

(2) Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, (1844 -1923) (reformado com o posto de Almirante), filho do Governador João Maria Ferreira do Amaral, Tinha 5 anos quando o pai foi assassinado, assentou praça na marinha aos 12 anos de idade; em 1855 era aspirante; e em 1861 completou o curso sendo promovido a guarda marinha em Agosto de 1866 e a primeiro-tenente em 1874. Nesse meio tempo, comandou os seguintes navios: «Penha Firme», o couraçado «Vasco da Gama, em que foi à inauguração do canal de Kiel na Alemanha; imediato da corveta «Mindelo», da fragata «D. Fernando» e comandante da corveta «Duque da Palmela». Como comandante do vapor «Tete» participou na expedição à África Oriental, tomando parte em três combates. Governou S. Tomé e Moçâmedes em 1878 e 1879. Em 1882 nomeado governador de Angola e em 1886 governador da Índia. Ministro da Marinha em 1892 e ministro interino dos Negócios estrangeiros em 1898.

Foi comandante da Estação Naval de Macau de 1876 a 1878. Em 1878 levou a Bangkok na canhoneira «Tejo», o Governador de Macau Carlos Eugénio Correia da Silva, que lá foi em missão diplomática. Esta missão regressou a Macau a 20 de Março de 1878. Ferreira do Amaral que não se dava bem com o governador Correia da Silva, (episódio que relatarei em próxima postagem) recusou receber o mandarim da Província de Cantão que vinha a Macau, em Julho de 1878, pois não podia suportar a afronta à memória do pai. Na véspera entregou o Comando da canhoneira ao oficial imediato e foi para o Hong Kong. O governador vingou-se, pedindo a sua exoneração a El Rei, e Ferreira do Amaral foi exonerado do comando com regresso imediato ao reino. (TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com Macau, 1988, pp. 117-118.)

(3) Ver anteriores referências à Canhoneira «Tejo» em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canhoneira-tejo/

Na Revista “O Occidente”, XIII- n.º 418 de 1 de Agosto de 1890, na página 171 aparece um apontamento quanto à duração da estadia em Macau da canhoneira, na nota de rodapé do artigo “Apontamentos sobre a Marinha de Guerra dos Diversos Países – Marinha de Guerra Portuguesa”::

(4) Fernando Augusto de Costa Cabral (1839-1901), filho de António Bernardo da Costa Cabral, 1.º conde de Tomar e 1.º marquês de Tomar, instaurou o “Cabralismo” em Portugal) )   irmão de António Bernardo da Costa Cabral, 2.º conde de Tomar, foi oficial na marinha, contra-almirante, condecorado com a medalha da Crimeia e cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, e foi ajudante de campo do rei D. Carlos. O pai adoeceu gravemente em Nápoles, , em princípios de Setembro de 1885, sendo trzido para Portugal a bordo da corveta Estefânia, então sob o comando do seu filho Fernando Augusto da Costa Cabral. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Bernardo_da_Costa_Cabrall

No dia 26 de Maio de 1673, (um dia depois do seu quadragésimo aniversário) faleceu em Beijing, o primeiro jesuíta chinês, Manoel de Siqueira, natural de Macau e ordenado em Coimbra.

Retiro alguns extractos da biografia deste jesuíta descrito pelo Padre Manuel Teixeira (1):

“Nasceu em Macau a 25 de Maio de 1633; foi baptizado com o nome de Manoel ou Emmanuel de Siqueira, sendo filho de António de Siqueira, chinês, e de mãe também chinesa. Em chinês chamava–se Cheng Ma-no Wei-hsin. A 20 de Dezembro de 1645, com 12 anos de idade, o missionário da Cochinchina, P.e Alexandre de Rhodes, S. J., levou–o consigo de Macau para Roma por via terrestre. Ao passar pela Pérsia, os tártaros que iam na mesma caravana, julgando que Siqueira era um moiro turco disfarçado, planearam raptá-lo ao atravessar a Turquia. Ao saber disto, Rhodes meteu-o secretamente num convento dominicano de Erevan, na Arménia, onde aprendeu a língua arménia em seis meses que ali esteve. Só chegou a Roma a l de Janeiro de 1650, levado por outro missionário da Cochinchina, P.e Francesco della Roca, S. J. Ali começou os seus estudos e, em 17 de Outubro de 1651, ali ingressou no Noviciado Jesuítico de Santo André…. (…) Foi para Portugal, em fins de 1661, para o Colégio jesuítico de Coimbra. Ali foi ordenado sacerdote, provavelmente no fim do seu terceiro ano de Teologia, no primeiro semestre de 1667… (…)

REGRESSO À CHINA – O P.e Giovanni Filippo Marini, S. J., missionário na China, tinha ido à Europa recrutar padres para esta Missão. Conseguiu o que queria e, a 13 de Abril de 1666, partiram de Lisboa, na nau Capitânia “Nossa Senhora da Ajuda”, em companhia de João Nunes da Cunha, vice-rei da Índia, os seguintes jesuítas: Marini, Manuel de Siqueira e Nicolau da Fonseca, ambos chineses; Jean Baptiste Maldonado, de Tournai, Bélgica; seis italianos: Ludovico Azzi, de Luca, Cláudio Filippo Grimaldi e Filippo Fieschi, de Génova, e três de Palermo: Giuseppe Candone, Datio Algiata e Francesco Castiglia; e ainda quatro portugueses: Francisco da Veiga e Reinaldo Borges (padres) e os escolásticos Tomás Pereira e António Duarte. Eram 14, mas dois morreram na viagem; os outros 12 chegaram a Goa a 13 de Outubro. Demoraram-se ali perto de dois anos. É que as missões da China e da Cochinchina estavam sob a perseguição, não podendo lá entrar os missionários. … (…) Siqueira estudou a língua canarim e missionou em Chaúl.

Finalmente, ele pode partir para Macau com os seguintes companheiros: Filippo Fieschi, Ludovico Azzi, Giuseppe Candone, Manuel Ferreira, Francisco da Veiga e Jean de Haynin; embarcaram em Goa, a 14 de Maio de 1668, na nau “Nossa Senhora da Penha de França”, que chegou a Malaca dois meses depois; após uma demora de nove dias, aportaram a Macau a 19 de Agosto, três meses e seis dias após a partida de Goa (4).

EM MACAU voltou a estudar o chinês que já havia esquecido, juntando-se aos estudantes do Colégio de S. Paulo. O P.e Maldonado, que chegara um ano antes, escrevia acerca dos dois cursos que se devam nesse famoso Colégio: Fervet in duplici academia linguarum studium, alterius sinicae, alterius annamiticae: “ferve em duas academias o estudo das línguas, uma chinesa, outra anamita“. Oito padres estudam a língua anamita e seis, incluindo Siqueira, a chinesa.

NA CHINA – Depois de ter estudado o chinês, Siqueira partiu para Cantão disfarçado em fim de 1669, acompanhado provavelmente pelo irmão coadjutor António Fernandes. A religião católica havia sido proscrita pelos Quatro Regentes a 4 de Janeiro de 1665; os missionários foram exilados para Cantão em 1666. Só o dominicano chinês Gregório Ló circulava pelas províncias. Agora era a vez do jesuíta chinês Siqueira que escolheu, não as províncias do Norte, como o dominicano, mas a de Kwangtung. A Província Jesuítica do Japão, a que pertencia Siqueira, havia criado em 1665 as missões de Kwangtung e Hainan. Foi, pois, em Kwangtung que exerceu ele o seu apostolado nos anos de 1669 e 1670. Trabalhavam ali mais dois jesuítas sob a perseguição. A esse trio se deveu o baptismo de 500 crianças, expostas pelos pais na margem do rio. Batizaram também vários adultos, tendo-se convertido 150 em 1670.

Durante a viagem no barco especial em que iam para Beijing, na companhia do italiano Cláudio Filippo Grimaldi e do austríaco Christian Wolfang Henriques Herdtricht que foram destinados a Pequim, no dia 8 de Setembro de 1671, por ordem do imperador recém eleito Kang-hi, Manuel Siqueira ia já gravemente doente, pois o Inverno era extremamente rigoroso; Grimaldi também adoeceu e foi o austríaco que tratou dos dois. Siqueira estava tuberculoso e só saiu do hospício depois da Primavera. Apenas durou um ano, vindo a falecer a 26 de Maio de 1673.

A sua pedra sepulcral no Cemitério de Chala, em Beijing, tem o seguinte epitáfio:

“P.e Manuel Siqueira, de nacionalidade chinesa e pátria macaense; jovem foi para Roma e aí ingressou na Companhia de Jesus, primeiro chinês da mesma Companhia que recebeu o sacerdócio; terminados com louvor os estudos de Filosofia e Teologia, regressou aos seus para pregar o Evangelho. Faleceu em Pequim no Ano da Salvação de 1673, a 26 de maio, na idade de 38” (1) (2)

(1) TEIXEIRA, Manuel – O primeiro padre jesuíta chinês in “RC: Revista de Cultura”, Macau, n-º 10 – Abril – Junho, 1990, p. 25-29. Este artigo está disponível para leitura em: http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30010/1555

(2) Ele não tinha 38, mas 40 anos de idade, pois nasceu a 25 de Maio de 1633.

Extraído de «BGC» XXVI-300, JUNHO de 1950, p. 270

Episódio relatado no «Boletim do Governo de Macau», já postado em 6 de Maio de 2018, (1) , agora segundo o jornal australiano “The Mercury” (2)

PIRATICAL ATTEMPT TO CAPTURE THE STEAMER IRON PRINCE. We extract from the “China Mail,” of 8th May, the ‘ ‘following account of a desperate piratical attempt to capture “the Iron Prince”, a screw steamer, formerly employed in the colonial trade. “The Iron Prince”, screw passenger steamer, of 203 tons, and 35-horse-power, with a crew of fifteen and thirty-one passengers, carrying also in addition to two boxes of specie, sixty eases of opium, the latter being worth over 40,000 dollars, left Hong Kong as usual on the 6th May, for Macao, a distance of over forty miles. After starting, the captain, remarking  that some of the Chinese passengers had come with him on the steamer’s previous voyage from Macao, took the fire caution of taking six of the twelve muskets that were in his cabin in the centre of the ship to the small after cabin on the starboard side, and mentioned his suspicion that all was not right to the mate. In this after-cabin, where there were previously six muskets, he loaded the six which he had taken from his own cabin. There was also in the cabin a loaded five-barrelled Deane’s revolver and he had about his person a small five-barrelled loaded revolver. He had the sense to take all ammunition and caps out of his own cabin. Of 31 passengers 26 were Chinese, including  1 woman ; tlie rest, consisting of a French doctor, a Mr. Hyeem, one Parsee, one Jew, and one Irish lady (a Mrs Dunn), who arrived at Hong Kong from Singapore on Tuesday, and was going to join her husband at Macao. Of the crew of 16, including the captain, 8 were Chinese, the rest being the captain, (na Englishman), the mate (Portuguese), and the engineer (Moorman), I Lascar, 1 Malay, 1 Moorman, and 2 Munilmen.  After passing the ” Brothers,” nearly midway to Macao, the captain finding some of the passengers required luncheon, sat down about two o’clock by himself – in the small saloon in front of his cabin. Just as he was the act of commenoing his tiffin, ,he noticed some of the Chinese passengers looking in at each of the two  doors. He immediately jumped up, and told his boy to bring his lunch after, and drew the attention of the mate to two Chinese junks near at hand, which apparently had  no decided course, and were crowded. In about a quarter, of an hour a third junk appeared, when suddenly a yell was given, stinkpots wore thrown Into the captain’s cabin and engine house, and the attack commenced. The first thing the captain did was to call all the crew and passengers aft. In less than a minute the engineer was shot through the right arm, the mate stabbed near the captain’s cabin door and disabled, one of the Manila crew killed and thrown overboard by the pirates. Mrs. Dunn, while rushing from the captain’s cabin aft, was wounded about the neck and shoulders, and the Lascar was killed when in the act of getting a musket from the cabin. The captain, while in the act of preparing for defence, In the after-cabin, received likewise a slight sword cut across the forehead and fingers. At this stage, the captain shot dead the man who struck him, and likewise in the buck the two men whom the pirates lind plnceil, one after the other at the wheel, to clinnge the steamer’s course. ………………………Continued

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/05/06/noticia-de-6-de-maio-de-1862-assalto-ao-vapor-ingles-iron-prince/

(2) “The Mercury” (2) (Hobart, Tasmania 1860-1954) no dia 29 Julho de 1862 p. 4

https://trove.nla.gov.au/newspaper/article/8809139

NOTA: este mesmo episódio “PIRATICAL ATTEMPT TO CAPTURE THE STEAMER IRON PRINCE” também está relatado em «The Sydney Morning Herald» (NSW : 1842 – 1954), 18 de Julho de 1862,  p. 5, consultável (com melhor grafia)  em: https://trove.nla.gov.au/newspaper/article/13231534

Anuário de Macau, 1922

A empresa «Botelho Bros.» foi fundada em Hong Kong por irmãos macaenses:  Braz Joaquim Heitor Botelho (1), o seu irmão mais velho, António Alexandrino Heitor Botelho Jr (2) e o mais novo, Pedro Vicente Heitor Botelho.(3) São filhos de António Alexandrino Heitor Botelho (Macau 21.10.1852 – HK antes de 1920) e de Melânia Joana da Luz Vieira (1854 – HK 23.2.1937) que casaram na Catedral de Hong Kong em 18.4.1874 e tiveram 8 filhos e são netos de Guilherme Sabino Heitor Botelho (Macau 30.12.1823 – Macau 26.3.1868 e de Paulina Francisca Salatwicky Piter (4)

A empresa tinha sede no Alexandra Building em Hong Kong e filiais em Shanghai, São Francisco e Nova Iorque e dedicava-se à importação, exportação e agência de navios, sendo agentes exclusivos da Mala Real Espanhola. Em 1918, a empresa tinha a sede na “Ormsby Villas” (5)

(1) Braz Joaquim Heitor Botelho (HK 26.2.1876 – Macau 6.7.1919, sepultado em Hong Kong) foi o fundador da empresa. Casou em Hong Kong a 3.10.1897 com Francisca Maria Lima Yvanovich.

(2) António Alexandrino Heitor Botelho Jr (HK 11.1.1875 – HK 13.2.1908). Casou com Sara Balbina dos Remédios. A 29.12.1895 em Hong Kong

(3) Pedro Vicente Heitor Botelho (HK 22.7.1879 – Tientsin. China).Foi comerciante em Shanghai e Manila. Depois fixou residência em Hong Kong onde foi presidente do «Club Recreio» em Kowloon. Casou com Maria Christina Rosello (Manila 27.10.1887 – HK em 1988). O 2.º filho deste casal, António Alexandrino Rosello Botelho (nascido em Manila em 1905) foi o fundador das firmas «A. A. R. Botelho & C.ª», «Lanena Shipping Corp.» e da «Botelho Shipping Corp.», todas em Manila.

(4) Segundo Padre Teixeira, terá sido um ascendente desta família “que deu o nome primeiro ao Largo, depois ao Cais e subsequentemente à Calçada do Botelho. Este toponímico é muito antigo, pois já se menciona em 1727. Supomos que lhe foi dado por ali viver Botelho. TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume II, 1997

(5) Lista Oficial dos jurados de 1918 da Colónia de Hong Kong – Braz J. H. Botelho e Pedro V. H. Botelho. https://gwulo.com/jurors-list-1918

NOTA I – Informações biográficas da família Botelho foram recolhidas de: FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Vol I, 1996 e https://www.geni.com/people/Guilherme-Botelho/6000000061019194845

NOTA II – Em 1925 ainda existia a empresa nas mãos da família Botelho (sede: Peking Road, 64)  como comprova este anúncio no «Comacrib  Directory of China», 1925

NOTA III – «Transportes Marítimos do Estado» (TME) (ou Comissão Administrativa dos Serviços de Transportes Marítimos) foi uma empresa estatal de navegação portuguesa criada em 1 de Fevereiro de 1916 com a entrada de Portugal na Primeira Guerra Mundial, tendo ficado responsável pela manutenção e exploração dos navios confiscados à Alemanha. Foi extinta em 1 de Fevereiro de 1925 após sindicância por gestão danosa da empresa. https://pt.wikipedia.org/wiki/Transportes_Mar%C3%ADtimos_do_Estado

A «Gazeta de Macau e Timor, (1) noticiava a partida no dia 30 de Abril de 1873, da cidade de Goa para Macau, do brigue «Concordia», levando a bordo 41 praças mouras para a polícia de Macau, requisitadas pelo governador Visconde de S. Januário, sob o comando do tenente José dos Santos Vaquinhas (2) e de um sargento europeu.

«Gazeta de Macau e Timor», I- 37 de 3 de Junho de 1873

O mesmo jornal de 17 de Junho, (3) dava a notícia da chegada breve a Macau do brigue, por notícias de Penang (4) onde fez escala (faria ainda outra escala em Singapura no dia 2 de Junho). Noticiava ainda que os mouros seriam alojados no novo quartel em S. Lázaro. (5) O brigue «Concordia» chegou a Macau no dia 17 de Junho de 1873

«Gazeta de Macau e Timor», I- 39 de 17 de Junho de 1873,

(1) «Gazeta de Macau e Timor», I- 37 de 3 de Junho de 1873, p. 3

(2) José dos Santos Vaquinhas, tenente em 1873, da Guarnição de Macau e Timor, ocupa interinamente o cargo de Comandante do Posto Militar da Taipa e Coloane, que se encontrava vago em Março de 1874. Nomeado comandante militar da Taipa e Coloane de 04-06-1874 a 30-06-1874 e depois já Major, segundo comandante da guarda policial de Macau, em 1883. Em 1888, como inspector dos incêndios, foi nomeado responsável pelas operações sanitárias devido ao surto de “cólera morbus” declarado a bordo do transporte de guerra “Índia”, e ficou contagiado, falecendo em 1888, na sequência de complicações de ordem cerebral (6)

José dos Santos Vaquinhas tem vários artigos sobre Timor (história da colonização, usos e superstições, etc) que foram publicados entre 1881 a 1887 no «Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa», de que era correspondente. Ver anteriores referências de José do Santos Vaquinhas https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-dos-santos-vaquinhas/

(3) «Gazeta de Macau e Timor», I- 39 de 17 de Junho de 1873, p. 2

(4) Penang é um estado da Malásia, geograficamente dividido em duas partes: ilha de Penang (Pulau Penang) e Seberang Perai (estreita faixa no continente malaio)

(5) Terá sido um alojamento (casa) provisório até ser construído um novo quartel, o chamado «Quartel dos Mouros”, que foi inaugurado em 15-08-1874, na Barra. (7) O novo edifício especificamente destinado a aquartelar a companhia de mouros do Corpo da Polícia de Macau, foi construído segundo o projecto do arquitecto italiano Cassusso. Em 1905 foi transformado para nele se instalarem a Capitania dos Portos e a Polícia Marítima. (87)

(6) “16-08-1888 – Vindo de Hong Kong com tropas portuguesas em trânsito, chegou à Baía de Cacilhas o transporte de guerra Índia, tendo-se declarado a bordo «cólera morbus”, contraída na colónia britânica. De 20 de Agosto a 9 de Setembro fez-se um cordão sanitário com centro de operações na Guia, para isolar aquela zona. O responsável Major José dos Santos Vaquinhas, inspector de incêndios, acabou por ser contagiado e morreu, na sequência de complicações de ordem cerebral e apesar do seu caso ser inicialmente de cólera benigna.” https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/08/16/noticia-de-16-de-agosto-de-1888-pandemia-de-colera-morbus/

(7) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/quartel-dos-mouros/

(8) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.