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Partiu da Rada no dia 23 de Abril de 1862, o navio do Estado “Martinho de Mello” comandado pelo 1.º tenente Álvaro Andrea, com destino a Lisboa, com escalas por Moçâmedes, Benguela e Luanda. Além da carga (1), levava para Lisboa, 16 militares de Timor que regressavam a Portugal, 20 praças do Batalhão de Macau, incapazes para o serviço, 5 civis, sem emprego. Para Luanda, levava 1 preso sentenciado a degredo M. F. Borralho (2) e 3 soldados do Batalhão de Macau que de Luanda seguiriam para Moçambique.

Levava também o 2.º tenente da armada, José Maria da Fonseca (3) finda a sua comissão, com a família.

Extraído de «BGM», VIII-21, de 26 de Abril de 1862, p. 85

(1)

Extraído de «B.G.M.», VIII-16 de 20 de Março de 1862, p.64

(2) Está referenciado nas “Famílias Macaenses” de Jorge Forjaz na p.59, Manuel Francisco Pereira Borralho nascido em Lisboa cerca de 1820 mas com indicação que faleceu em Macau. Este é antepassado do jornalista Leonel Borralho. Ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leonel-borralho/

(3) O 2.º tenente José Maria da Fonseca foi Capitão do Porto de Macau de 1855 a 1861. Acompanhou na qualidade de secretário do governador Isidoro Guimarães na missão ao Sião em 1859.

Extraído de «BGM», VIII-21 de 26 de Abril de 1862
CONTINUA …….. Extraído de «BGM», VIII-18 de 5 de Abril,

Extraído de «BGM» VII-21 de 27 de Abril de 1861, p. 82

Em 1859/1860 uma esquadra prussiana composta pela fragatas «Arcona», e «Thetis», (1) escuna «Frauenlob» e clipper «Elbe» iniciou no Rio de Janeiro uma viagem (expedição Eulenburg) com destino ao Japão, onde chegaria no fim de verão de 1860. A esquadra era comandada pelo Capitão Henrik Ludvig Sundevall (comandante da «Acona») e a fragata «Thetis» era comandada pelo capitão (mais tarde nomeado vice-almirante) Eduard von Jachmann.(2) A esquadra com excepção do clipper «Elbe» que seguiu viagem directa para Singapura (cidade onde embarcaria o diplomata Friedrich Albrecht zu Eulenburg que seguia para China para concluir o tratado de comércio com o imperador Qing), fez escala em Cape Town (África do Sul).

Em 2 de Setembro de 1860, a esquadra foi apanhada por um tufão em Yokohama (com perdas de vidas entre a tripulação, uma mulher e 47 homens). O resto da esquadra seguiu viagem de regresso com paragem em Shanghai em 1961 e depois Macau onde estiveram três dias.

Na viagem de regresso apesar das más condições do barco devido à  sua  longa viagem à Ásia, Eduard von Jachmann conseguiu levar a fragata, depois de uma tempestade severa que se danificou muito, nas águas de América do Sul, até S. Salvador da Baía (Brasil) , onde ficou para conserto.

«SMS Thetis», inicialmente «HMS Thetis» c. 1867. https://en.wikipedia.org/wiki/HMS_Thetis_(1846)

(1) «HMS Thetis», fragata construída para a real armada Inglesa, início em 1843 (entrgue em 846) com 36 peças a bordo. Em Fevereiro de 1847 encalhou em Lisboa tendo sido enviado para Plymouth para reparação. Após 9 anos ao serviço da armada inglesa, foi vendida (trocada por 2 canhoneiras a vapor), em 1855, ao governo prussiano e integrado na armada naval germânica como navio de treino dos cadetes; em 1867 como navio escola, treino de artilharia. Em 1871, dado como incapaz para a armada. Convertido em armazém de carvão, afundou-se em 1894.

Eduard K. E. von Jachmann

(2) Eduard Karl Emanuel von Jachmann (Danzig 1822 – Oldenburg 1887), primeiro vice-almirante nomeado na armada prussiana. Em 1840 entrou para marinha, depois de alguns anos na marinha mercante. Em 1848, foi nomeado comandante da corveta «SMS Amazone»; e entre 1859 e 1862, comandante da fragata «Thetis» (expedição Eulenburg à Ásia) e depois da fragata «Arcona». Esteve ao serviço até 1878. https://en.wikipedia.org/wiki/Eduard_von_Jachmann

Extraído de «BGM», VI- 20 de 21 de Abril de 1860, p.78

Ver anterior referência em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/vapor-fei-seen/

Extraído de «O Procurador dos Macaístas», n.º 4, de 27 de Março de 1844

O Governador era José Gregório Pegado, que iniciou em 6 de Outubro de 1843 até 21 Abril de 1846 (posse de João Maria Ferreira do Amaral) tendo embarcado a 28 de Maio de 1846 e falecendo em Áden, no seu regresso a Portugal nesse ano.

NOTA: a 6 de Março de 1844, foi iniciada a publicação do seminário literário e político “ «O Procurador dos Macaístas», fundado por Manuel Maria Dias Pegado. O jornal seguiu até 2 de Setembro de 1845.

“O ambiente de optimismo e confiança no futuro ecnómico de Macau manteve-se, em crescendo, por todo aquele ano. O relatório do Comissário das Alfândegas Chinesas da Lapa, publicado em Junho, é francamente favorável e animador. Ali se referem as várias indústrias macaenses em progresso, se aponta a importância das corridas de cavalo, ainda que improvisadas, como factor de grande relevância para o turismo. E mais, exalta-se a inauguração do primeiro troço de oito quilómetros da estrada Macau-Seac Ki, construída pela Repartição das Obras Públicas, em terra vizinha, com a colaboração das autoridades desse território, em 18 de Março, com a presença do Governador Tamagnini, para além da Porta do Cerco.

Esta estrada macadamizada valorizou decisivamente a economia de Macau e as suas relações comerciais com o “hinterland”. A Companhia de Autocarros Kee Kuan lança carreiras para aquele território, dezenas de automóveis atravessam a Porta do Cerco, levando veraneantes e caçadores, principalmente aos Sábados e Domingos, organizam-se piqueniques e caçadas às rolas, perdizes e narcejas, ou então, pescarias à “asa vermelha”, nos meandros do rio e dos ribeiros e riachos afluentes.

Ainda nos lembramos desses passeios. Visitámos muitas localidades cujos nomes nos eram familiares: Chin Sán, Chôi Mei, Ku Oc, Tong Ká, Li Tchai, Seac Ki, Vong Mau Tché, as Águas Quentes e Choi Hang, terra de nascimento de Sun Iat Sen. Na nossa memória ficaram as merendas saboreadas em troços de estrada, à sombra e ao ramalhar de grandes árvores de pagode, os bambuais vergando ao sopro da viração, os búfalos mergulhados nas águas lamacentas das várzeas, com o focinho de fora, os camponeses atravessando pequenas pontes de pedra, a sorrir para nós, e o cheiro penetrante e enjoativo da espiga de arroz, quando madura, que nos perseguia durante todo o trajecto. Era uma vida boa!” (http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30018/1706)

Sobre a estrada Macau – Seak Kei/Shiqi, ver anterior referência em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/16/noticia-de-16-de-marco-de-1928-estrada-macau-seac-kei/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/03/18/noticia-de-18-de-marco-de-1928-a-nova-estrada-macau-seak-kei/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/04/13/noticias-do-mes-de-abril-de-1934-ecos-de-macau/

O Ministro da Inglaterra em Pequim depôs na Gruta de Camões em Macau, numa cerimónia impressionante, com piquetes de marinheiros da canhoneira inglesa «Tarântula» (1) e da Portuguesa «Pátria», uma bela coroa de louros esculpida em bronze e assente sobre uma placa contendo a seguinte inscrição: – A tribute of admiration to Louis de Camões from British Residents in China 1928.

Gruta de Camões – 1950

Nesse mesmo ano, em 1928, visitou Macau a canhoneira «Sebastiano Caboto», (2)  de Itália. Os seus oficiais e marinheiros deslocaram-se a pé, com o cônsul italiano, em romagem à gruta de Camões. Depuseram flores e prestaram homenagem junto do Poeta) (3)

 (1) «HMS Tarantula», um dos quatros navios da Armada inglesa construído em 1915 que interveio na I Guerra Mundial, como “insect-class gunboats” (pequenos navios próprios para navegar em rios e perto da costa). Após a I Grande Guerra, foi colocado na “China Station” de Abril de 1919 a Janeiro de 1924 e depois incorporado no “British Pacific Fleet”. Abatido ao efectivo, foi afundado de propósito como alvo, na baía de Bengala, em 1 de Maio de 1946. (https://en.wikipedia.org/wiki/HMS_Tarantula)

“HMS Tarantula, an Insect-class gunboat of the Royal Navy that served (briefly) as flagship of the British Pacific Fleet!” (1)
“The Italian gunboat Sebastiano Caboto on a river in China, 1935” (2)

(2) Em 1910, o governo italiano decidiu construir dois navios de Guerra que pudessem patrulhar os rios chineses especialmente no rio Yangtze (onde estavam muitos comerciantes italianos, com frequentes ataques de piratas). O mais pequeno “Ermano Carlotto” que deveria ser construído na China, devido à  I Grande Guerra , só foi concluído em 1921. O maior “Sebastiano Caboto” (778 toneladas) iniciado em Palermo em 1911, ficou pronto em 1913 e foi enviado para a China (chegou a Shanghai em Abril de 1914), mas devido à guerra, abandonou a China que nessa altura era ainda neutral. Voltou depois tendo estado ao serviço na China (Shanghai, Tianjin e Yangtze) nas décadas de 20 e 30 (século XX) (http://www.navypedia.org/ships/italy/it_of_caboto.htm) +(https://i.redd.it/uz34jpk2cwu21.jpg)

(3) (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, pp. 200-203)

Extraído de «TSYK»,  III-22 de 1 de Março de 1866, p. 96.

NOTA 1: O 2.º tenente da armada (cavaleiro da Torre e Espada) António José Caminha era, nesse ano, o comandante da Lorcha Amazona.

NOTA 2: Ilha de Machau – 孖洲, está localizada a sul da Ilha de Lantau, pertencendo ao  denominado “Soko Islands”, administrada pela R.A.E. de Hong Kong e  é inabitada.

Pormenor de mapa de Hong Kong, retirada de http://www.chinatouradvisors.com/maps/Hong-Kong-Lantau-Island-Map.

Extraído de «O MACAENSE»,  I-1, 28FEV1882 p .4

Sapatião (chinês: siáu-tíng) – barco pequeno e ligeiro da China (DALGADO, Sebastião Rodolpho- Glossário luso-asiático)

Tancá – pequena embarcação chinesa a remos, geralmente tripuladas por mulheres (tancareiras) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/tancares

Extraído de «TSYK»,  III Ano, n.º 25 de 22 de Março de 1866, p. 112

A barca portuguesa «Josephita e Almira», de 1142 toneladas, saiu do porto de Macau a 24 de Janeiro de 1866 sob o comando do capitão Valério dos Remédios, com destino a Havana, com 537 passageiros chinas. O capitão face ao conflito com os seus oficias que o acusaram de falta de comando durante a revolta que foi sufocada, preferiu ficar em Batávia, tenho o navio, saído no dia 11 de Fevereiro com o mesmo destino, sob o comando de Richard Lee.

Extraído de «BGM», XII-5 de 29 de Janeiro d 1866, p. 20

O relatório do Capitão François Hendrik Willem, capitão do porto de Batávia foi enviado pelo gerente do consulado holandês N. G. Peter em Cantão – auto feito perante o capitão do porto da Batávia onde desembarcou o capitão Valério dos Remédios e seus subordinados, oficiais e marinheiros – traduzido para francês, foi publicado no Boletim do Governo XII-12 de 19 de Março de 1866.

Continuaçao no mesmo boletim…
Extraído de «Boletim do Governo de Macau», XII n.º 12 de 19 de Março de 1866, pp. 45-46

Extraído de «BGM»,  IX-10 de 7 de Feveeiro de 1863, p.39

NOTA: O Governador de Macau, Isidoro Francisco  Guimarães foi recebido a bordo da galiota do Governo de Hong Kong pelo secretário colonial de Hong Kong, William Thomas Mercer (1821–1879), que exerceu esta cargo de 1854 a 1868. O Governador de Hong Kong era Sir Hercules Robinson (1824-1897) que governou Hong Kong de 9 de Setembro de 1859 a 11 de Março de 1865. William Thomas Mercer viria a ser governador/administrador de Hong Kong, interino de 15 de Março de 1865 a 11 de Março de 1866. Anterior referência em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/04/21/noticia-de-21-de-abril-de-1866-visita-do-governador-de-hong-kong/