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Na sequência da publicação em 5 de Janeiro de 2018 (1) sobre a “Nova Escola Macaense”, junto hoje mais alguns dados da cronologia desta Escola, aproveitando a data de 6 de Abril de 1861, em foram aprovados os Estatutos da Nova Escola Macaense, fundada pelo então 1.º Visconde do Cercal (depois Barão do Cercal) Alexandrino António de Melo (2) (3) e cuja inauguração se realizou, em 5 de Janeiro de 1862.

CONTINUA …………….. «BGM», VII-19 de 13 de Abril de 1861, p. 73

Foi inaugurada em 5 de Janeiro de 1862 a «Nova Escola Macaense», e nesse ano veio de Portugal como professor da Escola Macaense, o Cónego Guilherme F. da Silva, (regressaria ao reino a 21 de Março de 1885, vindo a falecer em Lisboa 3 anos mais tarde) (4)

Em 1865, devido a partida para Portugal do director geral da «Nova Escola Macaense», Barão do Cercal e do seu filho (a quem competia suceder-lhe em conformidade com os Estatutos), foi eleita uma comissão directora presidida por José Bernardo Goularte. (5)

Esta escola terminou em 21 de Outubro de 1867 por falta de meios para o sustentar, sendo oferecido o seu remanescente à futura “ Associação Promotora da Instrução dos Macaenses” (P.P. n.º 14 de 31 de Março de 1862, publicada nos Boletins n.º 25 e 27 de 1863)  (6)

(1) Ver anteriores referências a esta escola em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/nova-escola-macaense/

(2) Em 15 de Fevereiro de 1861, o Barão do Cercal propôs, em circular, a criação duma escola de ensino de línguas, principalmente a portuguesa e inglesa, para o sexo masculino, intitulada «Nova Escola Macaense», por existir grande carência de meios de instrução, como então se verificava na Colónia. Em 26 de Março do mesmo ano, o Governador Isidoro Francisco Guimarães autorizou o Barão de Cercal a organizar, anualmente, uma ou mais lotarias (7) para a manutenção dum estabelecimento de instituição para o sexo masculino que este pretendia fundar. A 1 de Novembro de 1861, o Barão do Cercal publicou uma carta, com esta data, no Boletim da Província n.º 48 de 2 de Novembro de 1861, dando conta do andamento da fundação da Nova Escola Macaense por ele promovida. A 27 de Fevereiro de 1862, foi confirmada ao Barão do Cercal de uma lotaria anual, com o capital limitado a doze mil patacas; bem como um subsídio anual de 1.000$00 reis para auxiliar a fundação dum estabelecimento de instrução primária e secundária, cujo ensino deveria ser gratuito para os pobres, cessando, porém tal concessão logo que estivesse reorganizada a Instrução Pública em Macau. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/alexandrino-antonio-de-melo/

(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 162

(5)

CONTINUA «TSYK» , 3.º Ano, n.º 4 de 26 de Outubro de 1865, pp. 15 e 16

«TSYK» , 3.º Ano, n.º 4 de 26 de Outubro de 1865, pp. 15 e 16
«TSYK» , 3.º Ano, n.º 5 de 3 de Novembro de 1865, pp. 19 e 20
«TSYK» , 3.º Ano, n.º 6  de 9 de Novembro de 1865, pp. 24

(6) “21-10-1867 – Foi encerrada a Nova Escola Macaense criada pelo Barão do Cercal, por falta de meios para o sustentar, sendo oferecido o seu remanescente ao Governo da Colónia, para criação de um liceu.” (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954) .

(7)

Extraído do «BGM, VIII-26 de 31 de Maio de 1862 p. 106

TCHÔI MÁU醉貓 (1) – Gato embriagado

É o termo comunmente empregado para designar um ébrio

TCHÔI TCHÜ災豬 (2) – Porco calamitoso

É o nome dum petisco feito com toucinho de porco sendo este termo empregado para se referir aos dorminhocos.

TCH´ÔI SIU吹簫 (3) Soprar a flauta

É o termo que, na gíria, se empregar se referir a um indivíduo que está entretido a mastigar uma vara da cana de açúcar.

(1) 醉貓mandarim pīnyīn: zuì māo; cantonense jyutping: zeoi3 maau1

(2)災豬 mandarim pīnyīn: zāi zhū ; cantonense jyutping: zoi1 zyu1

(3) 吹簫 mandarim pīnyīn: chuī xiāo; cantonense jyutping: ceoi1 siu1 – Flauta de bambu vertical

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, p. 144.

Reabriu no dia 10 de Março de 1982, o Arquivo Histórico de Macau, sob a direcção da Dra. Beatriz Basto das Silva, no edifício situado na Avenida Conselheiro Ferreira de Almeida, nº 91-93, após a cerimónia inaugural das novas instalações, presidida pelo Governador Almeida e Costa que salientou na ocasião o alcance cultural e a importância do Arquivo para a investigação do passado histórico do Território.

A assinalar a reabertura do Arquivo realizou-se uma exposição bibliográfico-documental, na qual estão patentes alguns dos exemplares raros da secção de livros de consulta reservada, entre os quais o «Nuovi Avisi dell´Indie de Portugalio» de 1580 – o seu mais antigo exemplar bibliográfico. (1) (2)

(1) Texto e fotos retirados de «Macau82 jornal do ano», GCS, 1982, p. 57-58.

(2) “Iniciada a sua formação há cerca de quatro anos, o Arquivo esteve instalado provisoriamente no edifício da na Biblioteca Sir Robert Ho Tung, onde a reorganização do seu património documental ficou sob a orientação, durante largos meses, do Padre António da Silva Rego. Constituída actualmente por sete fundos documentais. entre os quais os do Leal Senado e da Fazenda, que datam do século XVII – , a biblioteca do Arquivo inclui milhares de livros doados pela família do escritor Luís Gonzaga Gomes, entre os quais 600 obras chinesas (algumas raras) que permitem realizar um estudo comparativo da história de Macau. Por outro lado, o acervo do Arquivo integra ainda 150 mil documentos microfilmados provenientes de Hong Kong ou do Arquivo Histórico Ultramarino, em Portugal.” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 427.)

TCHÉONG AP醬 鴨  (1) – Pato feito com uma pasta de feijão

Este termo é empregado para se referir ao indivíduo que apanhou um trambolhão e ficou todo enlameado

TCH´EONG  SÁM長 杉 (2) Cabaia comprida

A cabaia comprida é o traje de cerimónia dos chineses que vestem por cima dela um colete chamado má-kuá, 馬褂 (3) quando pretendem apresentar-se a rigor.

(1)    mandarim pīnyīn: jiàng yā; cantonense jyutping: zoeng3aap3

(2) mandarim pīnyīn: cháng shān, ; cantonense jyutping: coeng4 caam3

(3) mandarim pīnyīn: mǎ guà ; cantonense jyutping: maa5gwaa3

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, p. 141.

Tcheng Tch´ói – 正菜 (1) – Brassica campestris, hortaliça genuína

É uma espécie de hortaliça salmourada e seca que entra frequentemente na preparação de caldos e na confeção de picados e recheios de bolos salgados. A palavra tcheng 正significa direito ou recto, portanto, este termo é aplicado a um indivíduo sério, isto é, que não é brejeiro. (2)

Mais conhecida como repolho chinês (brassica rapa, subespécie: pekinensis) muito utilizado na cozinha chinesa. (3)

Tcheng  Uân T´ân – 淨雲吞- (4) – Raviois simples

Os uân-t`ân 雲吞são picados de camarões envolvidos em delgada folha de massa, sendo geralmente servidos com o min 麵 (Macarrão), para se fazerem conhecidas e afamadas sopas de fitas. Dizem que o segredo da confecção dos uân-t´ân e do min foram revelados aos europeus, por Marco Polo, quando regressou da sua afamada viagem à China, transformando-se os min nos célebres macarrone e os uân-t´ân nos saborosos ravioli.(2)

淨雲吞 (5)

(1) – mandarim pīnyīn: zhēng  cài; cantonense jyutping: zeng3 coi3

(2)Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico», V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, p. 141.

(3) https://en.wikipedia.org/wiki/Chinese_cabbage

(4) 淨雲吞 mandarim pīnyīn: jìng yún tūn;  cantonense jyutping: zeng6 wan4 tan1

(5) Retirado de:  https://learning.hku.hk/ccch9051/group-21/items/show/25

Em 24 de Fevereiro de 1868, o aterro do rio, para o lado da Barra, achava-se já unido ao aterro do Pagode chinês, de modo que as povoações da Barra e Patane ficaram em comunicação pela estrada marginal (1)

Manuel de Castro Sampaio, no seu livro “Os Chins de Macau” (1867) informa (2): “Uma das primeiras povoações fica próxima da fortaleza da Barra e é por isso chamada Povoação da Barra. A outra acha-se na encosta outeiro da Penha, onde está a fortaleza do Bom Parto, e onde se encontram as mais lindas chácaras de Macau. Esta é conhecida pelo nome de Tanque-Mainato, nome derivado de um tanque de lavadeiros ou mainatos, como lhes chamam no paiz. As outras três povoações são denominadas de Patane, de Mong-ha e de S. Lázaro. Patane é de todas as cinco a mais importante, pela sua industria fabril e pelo seu comercio, principalmente, em madeiras de construção. Esta fica no litoral do porto interior, tendo Mong-ha do lado oposto, onde existe a maior parte dos agricultores e onde há alguma industria e comercio, como em todas as outras povoações, excepto a do Tanque-Mainato, onde pouca industria e nenhuma comercio há, por ser um povoado insignificante. A Povoação de S. Lázaro, que está em continuação  da cidade cristã, é onde principalmente habitam os chins que não tem abraçado o christianismo. Nesta povoação há além da Igreja de S. Lázaro que é o mais antigo templo de Macau, uma pequena capella a cargo de um sacerdote catholico, que se dedica a catechese”. (3)

Miguel Aires da Silva (4) concessionário das obras do cais e aterro, foi o homem que se abalançou à terragem da marginal do Porto Interior, ficando as obras concluídas em 4 de Março de 1881. (3)

Em 17 de Janeiro de 1873, o Governador Januário de Almeida, Visconde de S. Januário, ordenou a execução da primeira fase do alargamento do aterro marginal do Porto Interior e simultânea regularização do regime da corrente do rio, numa extensão de 160 metros, desde a Fortaleza da Barra até à Doca de Uóng-Tch´oi. (5)

NOTA: José Maria de Ponte e Horta governou Macau de 26-10-1866 a 16-05-1868. O Vice almirante Sérgio de Sousa chegou a Macau a 1-8-1868, tomou posse do governo a 3 de Agosto de 1868 e governou até 23 de Março de 1872, sucedendo o Visconde de S. Januário Correia de Almeida que governou de 23 de Março de 1872 a 7 de Dezembro de 1874. Na toponímia de Macau a Rua do Almirante Sérgio começa na Rua das Lorchas, a par da rua do  Dr Lourenço Pereira Marques e ao lado da Praça de Ponte e Horta e termina no Largo do Pagode da Barra

(1)

«Boletim da Província de Macau e Timor» , XIV-8 de 24-02-1868, p.45

(2) Sobre Manuel de Castro Sampaio, ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-de-castro-sampaio/

(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997,p 403

(4) Sobre Miguel Aires da Silva, ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/miguel-aires-da-silva/

(5) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954

Tcheng Leng U蒸鯪鱼 (1) – Sável cozido a banho-maria

O sável é um dos peixes mais apreciados que se encontram nas águas dos rios chineses. Embora a sua carne seja saborosíssima, quando se come este peixe, é preciso ter o máximo cuidado coma extrema abundância das suas espinhas. Por este motivo, tal termo é empregado, para dizer que as criadas de servir, que se tornaram amantes dos seus patrões, dão-lhes tantos trabalhos como as espinhas do peixe sável, sendo, portanto, necessário o máximo cuidado para evitar as complicações que elas lhes poderão causar. (2)

Tcheng Pèang蒸餅 (3) – Bolinho Cozido

É uma espécie de bolinho que servem nas casas de chá, sendo feito com arroz glutinoso. Este termo é empregado para se referir aos parasitas, pois o arroz glutinoso é extremamente aderente. (2)

(1) 蒸鯪mandarim pīnyīn: zhēng líng yú : cantonense jyutping: zing1 leng4 jyu4

(2) GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico»,V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, p. 141

(3) 蒸餅 mandarim pīnyīn: zhēng bǐng: cantonense jyutping: zing1 bing2

TCH´ÁU FU TCH´I   炒扶翅 (1) – Rins ou moelas viradas ao lume

É termo empregado pelos ratoneiros para se referirem aos relógios e cadeias de ouro roubados. A palavra tch´áu é aqui empregada em substituição da que significa “roubo” e fu- tch´i, para substituir as palavras “relógio” e “cadeia de ouro”

TCH´ÁU NGÂU TCHÁP炒牛雜 (2) – Carne de vaca misturada e voltada ao tacho.

É um prato feito com pedacinhos de carne de vaca misturados com variados condutos. Por ser um prato reles feito com misturas, este termo é empregado para se referir às prostitutas ordinárias.

TCH´ÁU PÁK KÁP NGÂN炒白鴿眼 (3) – Olhos de pombos virados ao tacho

Termo que se emprega para significar que se olha com desprezo, para as pessoas humildes.

Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico»,V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, pp. 140.

(1) 炒扶mandarim pīnyīn: chǎo fú chì; cantonense jyutping: caau2 fu4 ci3

(2) 炒牛雜mandarim pīnyīn: chǎo niú zá  ; cantonense jyutping: caau2 ngau4 zaap6

(3) 炒白鴿眼mandarim pīnyīn: chǎo bái gē yǎn; cantonense jyutping: caau2 baak6 gaap3 ngaan5

Extraído de «TSYK»- III Ano, n.º 18 de 1 de Fevereiro de 1866, p. 77

O busto (e a sua inauguração que foi anteriormente publicada neste blogue)(1), já em 1862, mereceu um “apontamento” no «Boletim do Governo de Macau» (VIII-17 de 19-03-1862, p. 66):

Retrato de Camões – Desenho de F. Gerard e L. Visconti – Gravura de F. Lignon (1817) POSTAL  (14, 5 cm x 10,3 cm) – Colecção “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas “, 1987

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/28/noticia-de-28-de-janeiro-de-1866-busto-de-camoes/

28-01-1866 – “Para solenizar a colocação do busto de Camões, encomendado por Lourenço Marques, proprietário da gruta do mesmo nome, a Bordalo Pinheiro, busto este cuja chegada a Macau foi noticiada, no Boletim do Governo n.º 17 de 29 de Março de 1862, realizou-se «uma escolhida reunião de damas e cavalheiros, nacionais e estrangeiros, n´aquelle ameno e delicioso recinto». Compareceu também, S. Exa. O Governador e mais autoridades, bem como os estudantes do seminário, tocando a interessante banda marcial dos alunos, composta de mais de 20 músicos. Alguns estudantes recitaram, a propósito, várias poesias escolhidas e adequadas, em português, latim, francês e italiano. O Sr. Sá Camello, alferes do batalhão de linha recitou poesia do Sr. António Serpa Pimentel intitulada «Camões na gruta de Macau» ”(GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954, pp. 26-27

1866 – O primeiro busto de Camões, na Gruta do Jardim de Manuel Pereira (1757-1826) foi substituído nesta data, por iniciativa do genro do rico negociante, Lourenço Caetano Cortela Marques, casado com Maria Ana Josefa Pereira. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p.177) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/28/noticia-de-28-de-janeiro-de-1866-busto-de-camoes/

TCH´ÁU HÁ炒 蝦 (2) – Camarão grelhado

É termo insultuosamente pornográfico mas de uso comum entre os chineses. (1)

TCH´ÁU KUÂI TÁN炒龜蛋 (3) Ovos de tartaruga virados ao tacho

Termo que se emprega paras e referir a pessoas velhacas e que recorre a expedientes ilícitos e imorais para conseguirem os seus fins. (1)

TCH´ÁU LÓNG SÂM炒狼心  (4) – Virar ao lume o coração dum lobo

Este termo significa a prática de qualquer acção feita com requintes de crueldade, ou um indivíduo de maus instintos. (1)

(1) Retirado de GOMES, Luís G. – Tropos Usados na Gíria Chinesa, in «Mosaico»,V-27/28 de Novembro e Dezembro de 1952, pp. 139

(2) mandarim pīnyīn: chǎo xiā; cantonense jyutping: caau2 haa1

(3) mandarim pīnyīn: chǎo  guī dàn; cantonense jyutping: caau2 gwai1 daan6

(4) mandarim pīnyīn: chǎo láng xīn; cantonense jyutping: caau2 long4 sam1