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Extraído de «O Macaista Imparcial» I-97, 15 de Maio de 1837

Suntó – Funcionário chinês com o título de vice-rei ou governador-geral duma província na China. Do chinês Tsung Tu ou Tsung Tou ( DALGADO, Sebastião Rodolfo – Glossário Luso-Asiático, pp. 329-330).

NOTA: O novo Suntó (Chuntó ou Sumpto) de Cantão, em 1582, estranhando o nosso viver “como em terra portuguesa”, iniciou uma série de chapas (ofícios) com exigências, a troco da nossa posse da terra, só se calando com um bom saguate. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume I, 2015, p. 78)

Uma vista da “Bocca Tigris” (1) e Fortaleza (à esquerda) em 1857. The Illustrated London News

(1) “Bocca Tigris” (“boca do tigre”) ou “Bogue” é um estreito apertado no Delta do Rio da Pérola que separa actualmente Shiziyang no Norte e Lingdingyang no Sul perto da cidade de Humen na Província de Guangdong (Cantão). Por causa da sua localização estratégica – porta de entrada marítima para Guangzhou (cidade de Cantão), – o estreito estava fortificado e aí se deram algumas das principais batalhas da Primeira Guerra do Ópio.

Notas de um Irmão anónimo intituladas «Do que me lembre», assim deixou registados, entre outras circunstâncias, os últimos momentos de D. Belchior Carneiro: (1)

“Partimos de Goa na nau de D. João de Almeida … no ano de 1581 a 28 de Abril …. e chegámos a este Porto do Nome de Deus de Macau nas vésperas de Santiago de 81. Achámos aqui recolhido (em Casa de St.º António) o Padre Patriarca D. Belchior Carneiro, com grande edificação, pobreza e humildade … Só tinha um moço, de nome João, que o servia e acompanhava quando ia fora. Tinha mais outro moço, velho que parecia guzerate e lhe servia para levar o sombreiro de pé, quando ia a alguma visita … Ele comia um frango já requentado, por não poder comer … Muitas pessoas devotas se lhe ofereceram a lhe fazerem de comer em suas casas, mas de ninguém o quis aceitar … O seu cubículo era o de um padre secular, sem outra coisa mais que sua roupa que usava, o mais como qualquer padre, porque de tudo se desfez. …

Faleceu aos 19 dias do mês de Agosto de 83, de sua asma, (2) porque, como não comia, não tee forças para lançar fora um escarro, que se lhe atravessou na garganta … Era tido por um santo … só ouvi murmurar que renunciara, em vista de o acharem de menos no seu governo … por brando … “ (3)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-belchiormelchior-carneiro/

(2) Por um lado a falta de saúde: asma rebelde, ainda complicada de cálculos na bexiga tornarem-no um inválido e por mais de uma vez lhe puseram em risco de vida. Mas também os desentendimentos e fundas divergências, sobretudo com o Visitador Jesuíta Alexandre Vaglinani, (4) levaram-no, cerca de 1581, a renunciar às administrações a seu cargo Aquaviva, (5) o novo Geral da Companhia, pretendeu nomeá-lo Superior em Macau, mas Vaglinani discordou. (3)

Para o Dr. José Caetano Soares, clinicamente o caso afigura-se claro: – “asma intensa e prolongada, provávelmente, já com bronquiectasia ou até acentuado enfisema; pela velhice, e grande debilidade física – as habituais crises crdíacas de hipóstase e portanto fervores de secreções brônquicas espessas, dispneia forte, acessos de asfixia por espasmo, morte em síncope”. (3)

(3) SOARES, José Caetano – Macau e a Assistência, 1950, pp. 14-15.

(4) Alexandro ou Alexandre Valignano (:范礼安 Fàn Lǐ’ān) (1539 – Macau, 1606), foi um missionário jesuíta napolitano que ajudou a supervisionar a introdução do catolicismo no Extremo Oriente, especialmente no Japão. Valignano juntou-se à Companhia de Jesus em 1566 e em 1573 foi enviado como “Visitador” para o Oriente respondendo diretamente ao Superior Geral da Companhia de Jesus. A nomeação de um napolitano para supervisionar a ação missionária jesuíta do Padroado no Império português foi na época bastante controversa, e a sua nacionalidade, bem como a sua política expansionista e estratégia adaptacionista (defendia a adopção pelos jesuítas dos usos orientais – vestuário, linguagem e algumas práticas, ritos e costumes – o que mais tarde resultou na Controvérsia dos ritos na China, um conflito com a visão rígida dos dominicanos, que ditou o fim desta abordagem) levaram a muitos conflitos com o pessoal da missão. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Alessandro_Valignano)

(5) Claudio Acquaviva  (1543 – 1615), foi um padre jesuíta italiano, quinto superior geral da Companhia de Jesus, no período de 1581 a 1615

D. Alexandre Pedrosa Guimarães (1) publica uma Pastoral contra o traje feminino usado em Macau desde 1557: “ … He a primeira que as mulheres de qualquer condição, e estado nunca mais tornem a entrar nos templos com condes, que são estes trapos sujos e porcos, que amarrão na testa …”

Senhora macaense (e outras figuras) com saraça e bioco (2) armado Pena sobre papel – Esboço de George Chinnery (1825-1852)

No dia 8 de Abril, o povo de Macau protesta contra esta Pastoral e a 30 de Junho de 1780, os pais e mães de família de Macau, apresentam apresenta ao vigário-geral do Bispado, uma exposição de mais de 100 páginas, cujo resumo, segundo Mons. Teixeira, é o seguinte: (3)

“I. Em Goa as mulheres usam o sari, que se envolve pela cabeça e é diferente do trajo português.

II. Idem, em Diu e Damão.

III. As mulheres usam também os seus trajos tradicionais em Bombaim, Ceilão S. Tomé, Costa de Coromandel e Bengala.

IV. Nos domínios portugueses da América as mulheres envolvem-se numas toalhas, cobrindo a cabeça com um pano.

V. Na Europa, incluindo Lamego, Coimbra e Porto, usam mantilhas. (4)

Este uso é legítimo e necessário:

1.º Por ser denominado conde (5) forrado de papel, fingindo um bró (6) de fronte agudo de altura de três dedos sobre que se amarra um pano branco de três pontas para segurar a tal forma de bró de fronte, e nele se possa segurar o pano ou saraça (7) com uma fita. 2.º Também porque este uso é imemorial de dois para três séculos sem contradição nem ter havido no dito uso escândalo nem ocasião de pecado.

3.º E sim porque o Exmo. Sr. D. Bartolomeu, Bispo (8) que foi desta cidade mais de dez anos e que nela teve geral aprovação por suas pias e virtuosas demonstrações de muita caridade; e com a mesma repartia as mulheres pobres os panos de segurar os denominados condes para que as mesmas pudessem ir às Igrejas gozar os ofícios e Santos Sacramentos.

4.º Logo, porque pela proibição feita por Sr. D. Alexandre, Bispo desta Cidade, se tem seguido escandalosas murmurações, procedimentos irregulares, descomposturas pelos adros das Igrejas, e muitas tem deixado de frequentar os Santos Sacramentos pelo pejo e vergonha de não irem compostas conforme a sua criação (…)” e seguia-se o protesto.

Apesar desta Pastoral, as mulheres continuaram com o seu vestido tradicional, que ainda usavam em meados do século XIX.”

Senhora de Macau com saraça, com o seu criado Pena sobre papel – Esboço de George Chinnery (1825-1852)

(1) D. Alexandre da Silva Pedrosa Guimarães (1727-1799) foi eleito Bispo de Macau a 13 de Julho de 1772. Chegou a Macau a 23-08-1774, tomando posse a 04-09-1774. Tomou posse do cargo de Governador e capitão-Geral de Macau, interinamente, a 25-06-1777. Adepto incondicional da política pombalina, e acérrimo inimigo dos jesuítas, deixou de ser governador a 1 de Agosto de 1778, (3) com a queda do Marquês de Pombal, e falecimento do Rei D. José em 1777. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-alexandre-da-silva-pedrosa-guimaraes/

(2) Bioco – Véu, rodeandoo rosto, em forma de coca (do castelhano, espécie de capuz). De tradição mourisca (9)

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume I, 2015, p. 303.

(4) Mantilha – espécie de manto de seda, ou de outro tecido, com que as mulheres cobrem a cabeça e parte do corpo geralmente até um pouco abaixo da cintura (9)

(5) Condê (do tâmul) – penteado que consiste em repuxar o cabelo e armá-lo em grande nó que se prende na nuca com ganchos geralmente de prata. Em Macau usou-se o termo para designar o pano branco com que se armava e prendia a saraça que servia de véu (9)

(6) Bró – palavra usada no Brasil para designar o penteado feminino constituído por um monte de cabelo repuxado e arrumado no alto da cabeça. (9)

(7) “Da análise do documento em estudo parece poder-se concluir que este nome era atribuído ao véu ou espécie de Mantilha com que as mulheres cobriam a cabeça e o busto. Supomos que, neste caso, se trate, apenas de ambiguidade no uso dos termos uma vez que as mulheres usariam além do baju ou do quimão, duas saraças ou panos-saraças: um para servir de saia e outro para mantilha – iguais, ou muito parecidos, nas dimensões e nos desenhos. Estes panos podiam ser de algodão estampado (provavelmente batik) ou em seda, por vezes bordada ou pintada, trazidas da Índia e, ao que parece, mais tarde também de Manila” (9)

Saraça (do malaio sarásah) – tecido de cor, geralmente de algodão, com que se enrolam da cintura para baixo as malaias e algumas índias cristãs (DALGADO, Sebastião R.  – Glossário Luso-Asiático , 1919, Vol. II, p. 293).

A saraça era um vestido fino de algodão que se usava por cima do baju ou quimão. Nos pés usavam chinelas, pouco dispendiosas, mas, com o manto, seria necessário calçar sapatos com as respectivas fivelas. (3) (9)

(8) D. Bartolomeu Manuel Mendes dos Reis (1720 – 1799), doutorado em Teologia pela Universidade de Coimbra em 29 de Novembro de 1752, foi nomeado Bispo de Macau, em Dezembro de 1752 (confirmado em 29 de Janeiro de 1753), tendo chegado a Macau e tomado posse em 1754. Durante o seu episcopado, por causa da perseguição promovida pelo Marquês de Pombal e supressão da Companhia de Jesus, em Portugal, os jesuítas foram expulsos de Macau e sequestrados os bens, ficando a Diocese de Macau gravemente prejudicada. O bispo, desgostoso com a expulsão dos jesuítas, partiu para Portugal em 1765. (3)

(9) AMARO, Ana Maria – O Traje da Mulher Macaense, 1989, pp. 124, 181, 183 e 185)

A. Marques Pereira – Efemérides Comemorativas da História de Macau. (1)
POSTAL – RUÍNAS DA IGREJA DE S. PAULO, c. 1925

As relíquias e a imagem de S. Francisco Xavier, foram salvas deste incêndio e em 19 de Fevereiro foram depositadas na Igreja de Santo António. Foram depois transferidas para a Sé e mais tarde estiveram em poder duma senhora macaense, donde passaram para o Seminário de S. José. A Companhia de Jesus celebrou em 1994, o IV Centenário co Colégio Universitário de S. Paulo (2)

Anuário de Macau, 1922, p. 10

POSTAL – RUÍNAS DE S. PAULO/RUINS OF ST. PAUL/大三巴牌坊
M 9402 (16,3 cm x 11,3 cm). Produced by Tak Lee Trading Co

(1) «Boletim do Governo de Macau» XIII-4, 28 de Janeiro de 1867,  p.20.

(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, 2015, Volume II, p. 72

Anteriores referências a este incêndio e à Igreja de S. Paulo em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-da-madre-de-deus-s-paulo/

“22-06-1600 – Faleceu em Macau o P. Duarte Sande, S.J., (1) tradutor de uma das primeiras obras em latim, impressas em Macau – De Missione Legatorum Japonensium ad Romanam Curiam … Dialogus, Macau, 1589.” (2) Embora não seja consensual a data da sua morte, não quis deixar de salientar a importância da obra (3) que relata o Itinerário de quatro Príncipes japoneses, (4) mandados ao Papa Gregorio XIII, e de tudo quanto lhes sucedeu até se restituírem às suas terras

(1) O jesuíta Duarte de Sande,um dos primeiros missionários a introduzir as novas leis de adaptação à cultura, usos e costumes, bem como à língua chinesa, nasceu em 1547, na vila, hoje, cidade de Guimarães. Estudou Filosofia e Teologia no Colégio de Coimbra, e mais tarde ensinou Latim e Retórica, também nessa cidade, como era costume. Professou na Casa de S. Roque de Lisboa em 1562. Duarte de Sande segue para a Índia, em 1578, com um grupo de cinco jesuítas, a bordo da nau São Luís, precisamente onde vai uma das figuras mais emblemáticas da missionação na China, o padre Matteo Ricci (Duarte de Sande seria professor de Teologia de Matteo Ricci).   Duarte de Sande ficou sete anos na Índia. Foi reitor dos colégios da Companhia em Baçaim e o primeiro a ocupar as funções de Superior das Missões de Macau e da China (Zhaoqing) que só depois Matteo Ricci viria a ocupar. Morreu em Macau a 22 de Junho de 1600. https://www.oclarim.com.mo/todas/duarte-de-sande-jesuita-vimaranense/ http://araduca.blogspot.com/2013/02/escritores-vimaranenses-25.html

(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995. Na 3.ª edição, reformulada e aumentada da Cronologia de Macau, de 2015, não contém esta entrada mas esta: “17-01-1600 – «Carta Ânua do Colégio de Macau», dá notícia da vida e morte do Pe Duarte Sande, S. J. autor de uma das primeira obras em latim, impressas em Macau…..”

(3) De Missione Legatorum Iaponensium ad Romanam Curiam, rebusque in Europa, ac totum itinere animadversus Diálogus ex ephimeride ipsorum legatorum colledus, & in sermonem latinum versus ab Eduardo de Sande, Sacerdote Societatis lesu. In Macaensi portu Sinici regnum domo in Societatis lesu. Cum facultate ordinarij & superiorum. 1590. 4.° de VIII-412 pág., e mais 24 no fim sem numeração que compreendem o índice.

(4) A vinda de uma embaixada (embaixada Tensho ou Missão Tensho) de quatro jovens fidalgos japoneses, Miguel Chijiwa, Julião Nakaura, Martinho Hara e Mâncio Ito (todos entre 13 e 14 anos de idade), a vários reinos europeus no último quartel do século XVI (partiram de Nagasaqui a 20 de Fevereiro de 1582), organizada sob a égide da Companhia de Jesus, constituiu um marco histórico nas relações entre a Europa e o Japão. A passagem dos japoneses, primeiro por Portugal e Espanha e depois por várias cidades da Península Itálica, entre as quais sobressaem Veneza, Ferrara, Florença e, sobretudo, Roma, foi descrito em diário pelos próprios legados e depois traduzidos para Latim por Duarte de Sande, sacerdote da Companhia de Jesus. https://www.uc.pt/fluc/eclassicos/publicacoes/ficheiros/humanitas47/50_Costa_Ramalho.pdf http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30030/1916

Embaixada Tensho sendo recebida pelo papa Gregório XIII.
Autor desconhecido, 1655
https://pt.wikipedia.org/wiki/Embaixada_Tensh%C5%8D

Anterior citação de Duarte Sande neste blogue: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/06/27/noticia-de-27-de-junho-de-1748-desaparecimento-de-dois-chineses/

Hoje e amanhã, em Macau, realizam-se as cerimónias religiosas do Nosso Senhor dos Passos.E a propósito desta devoção, na continuação da postagem de dez postais impressos na Tipografia Seng Si Lda (5.000 exemplares) e emitidos pela Direcção dos Serviços de Turismo, em Fevereiro de 2006, publicitando “Eventos de Macau” (1). publico o postal referente à procissão. Postal, sem outras indicações (autores? datas?)

A Procissão do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos tem lugar anualmente no primeiro sábado e domingo da Quaresma e é parte da “Novena católica e da Festa em Honra do Senhor Bom Jesus dos Passos”.
A procissão conta com a participação do Bispo da Diocese de Macau, dos membros do clero e de um grande número de fiéis locais e estrangeiros, e é acompanhada pela Banda de Música das Forças de Segurança tocando a marcha fúnebre. Segue o caminho da “via dolorosa”, que representa o percurso de Jesus Cristo do Pretório ao Calvário referido na Bíblia. Actualmente, a procissão decorre ao longo de dois dias. Tem início na Igreja de Santo Agostinho e dirige-se à Igreja da Sé, fazendo o percurso inverso no segundo dia. Em designadas estações da “via sacra”, no percurso de regresso, uma mulher interpreta o papel de Verónica entoando um cântico triste enquanto um padre e os numerosos fiéis respondem com preces e cânticos, criando uma atmosfera de pesar. A procissão do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos tem uma longa história em Macau. Remonta a 1708, sendo um evento religioso característico e representativo da cidade.
http://www.culturalheritage.mo/pt/detail/2464/1
“Foram os Agostinhos espanhóis, vindos das Filipinas, que em 1586 terão introduzido, em Macau, o culto da Paixão de Cristo, nomeadamente a procissão dos Passos. A procissão do Senhor do Passos em Macau transcende o seu significado religioso. Em 1717, com a saída dos Agostinhos para Goa, a procissão deixou de se realizar. Nos anos seguintes verificou-se carestia e falta de alimentos em Macau. A população chinesa atribuiu a situação ao facto de não se realizar a procissão, tendo requerido ao Procurador do Senado “que fizesse andar pelas ruas aquele homem de pau às costas”, assim lhe chamavam. E, mais prontificaram-se a arcar com todas as despesas. Estávamos em 1721, e o Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos continua a sair anualmente, pela fé de uns e a crendice de outros. No século XIX, na sequência da extinção das Ordens Religiosas, a igreja de Santo Agostinho é entregue à Confraria de Nosso Senhor do Bom Jesus dos Passos, que tinha sido fundada pelos Agostinhos portugueses quando chegaram a Macau. A Confraria toma posse da Igreja e das casas anexa em 1887.Confraria que é, ainda hoje, responsável pela realização desta procissão. (LOPES, Fernando Sales in
https://pontofinalmacau.wordpress.com/2013/02/15/a-grande-procissao-dos-macaenses/
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/01/29/postais-da-direccao-dos-servicos-de-turismo-eventos-de-macau-2006-i/
Anteriores referências neste blogue desta Festividade Religiosa, Património Cultural Intangível do território:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/08/06/leitura-restituicao-do-convento-de-santo-agostinho-e-o-2-o-cazo-milagroso-ii/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/03/10/noticia-de-10-de-marco-de-2019-o-senhor-dos-passos-em-1955/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/25/noticia-de-25-de-marco-de-1708-tradicoes-que-se-continuam-ii-a-procissao-dos-senhor-dos-passos-ou-senhor-da-cruz-as-costas/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/03/04/noticias-de-4-e-5-de-marco-de-2017-tradicoes-que-se-continuam-a-procissao-do-senhor-dos-passos-i-fotos-de-1974/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/21/a-tradicional-procissao-do-senhor-dos-passos-1973/

No campanário do Seminário de S. José (1) há dois sinos fundidos em Macau no ano de 1796, pelo artista fundidor e serralheiro José António Pederiva. Era natural de Brixen (Tirol) (2); aperfeiçoou o seu ofício em Colónia, casou enviuvou e voltou a casar em Macau, onde nasceram os filhos. Aqui deixou vasto trabalho na sua arte, nomeadamente canhões, testemunhado em requerimento que sobre ele fez ao Senado em 29 de Outubro de 1796. (3)

Fachada da Igreja do Seminário de S. José – 1957

(1) Há grande divergência entre os investigadores sobre a data da sua fundação. Sabe-se que já existia em 1749, (3) podendo situar seguramente o seu começo no segundo quartel do século XVIII. Existia, então, no sítio onde se levanta o actual edifício, conhecido durante muito tempo como Monte do Mato Mofino, um grupo de 3 casitas pertencentes a um homem rico, Miguel Cordeiro, que as ofereceu aos missionários jesuítas. Nelas se instalou o primitivo Seminário e delas se foi erguendo, ano a ano, gradualmente o grandioso maciço que ainda é conhecido entre os chineses: Sam Pá Tchai ou S. Paulo Menor. (M. B. I. Ano I, n.º 31, de 15 MAR 1955).
(2) José António Pederiva era natural de Fascia ??? – Itália., segundo o sítio recente (macaumemoria.mo), que refere ter extraído de TEIXEIRA, Manuel – Igreja do Seminário, s. d.
https://www.macaumemory.mo/entries_d8509df7777b42bc8cc55dcf44402f33?token=+pb7VLGA5VT0a8FGKdkgZg==&lgType=pt
(3) “22-02-1657 Fundação, pelos jesuítas, do Seminário de S. José. A Igreja é de 1750” SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau,  Volume 2, 1997.

Continuação da publicação dos postais de Macau digitalizados do «Jornal Único» de 1898 (1)
NOTA:Os chichés das vistas photographicoas foram tirados pelo photographo amador Carlos Cabral. Todos os trabalhos respeitantes a este «Jornal Único» foram executados em Macau

Sé Cathedral

Extractos do artigo de Arthur Tamagnini Barbosa “Sé Cathedral”, publicado no «Jornal Único» pp. 28-31

Fachada do antigo convento de S. Paulo

Extractos do artigo de A. Basto “Fachada do Antigo Convento de S. Paulo”, publicado no «Jornal Único» pp. 36-41.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jornal-unico/
http://purl.pt/32511/3/html/index.html#/1

Notícia publicada em «O Oriente Português» de 26 de Abril de 1892: desabamento de uma parte do tecto acompanhado de vigas na Igreja de S. Lourenço no dia 24 de Abril, (domingo) quando os fieis assistiam à missa conventual celebrando a novena de Nossa Senhora dos Remédios. Felizmente não houve vítimas pois os devotos logo que se começaram a cair o estuque, correram para fora da igreja.

“O Oriente Português”, Abril 26, 1892.

A Igreja de S. Lourenço cuja data de construção precisa se ignora, mas segundo o Padre Teixeira: (1)
Ao tempo da criação da Diocese de Macau, em 23 de Janeiro de 1576, existiam já nesta cidade, segundo se lê na bula “Super Specula”, algumas capelas e outros lugares sagrados. É provável que entre êssas capelas e lugares sagrados esteja indicada a igreja de S. Lourenço, que no seu início devia ser uma pequena igreja de S. Lourenço. Nos preciosos manuscrito intitulado «Asia Sinica, e Japonica: Macao conseguido, e perseguido, obra pósthuma  do R.Pe. Fr. Jozé de Jesus Maria Arrabino»,  missionário nos Estados da India, escrito entre 1744 e 1745, livro IV, e I, p.76 lê-se « em o seguinte anno de 1558 até o de 69, achando-se já aqui alguns Padres da Sagrada Companhia de Jesus, como nos Memoriaes se acha descrito, com sua boa assistencia e idéa entrarão a formar duas ou três pequenas Igrejas de S. Lázaro, S. Lourenço e S. António…» (…)
…Ljungstedt em «Historical Sketch, diz: «a julgar por uma inscrição, esta igreja foi reconstruía em 1618.». mas não fala em construção; contudo, noutro lugar do mesmo livro, p. 155, escreve êle: « em 1593, o Senado comunicou a Filipe, Rei de Portugal, que Macau tinha uma Catedral com duas freguesias, uma misericórdia com dois hospitais e quatro congregações  religiosas, isto é, Agostinhos, Dominicanos, Jesuítas e Capuchinhos»; daqui se conclui que, segundo o mesmo Ljungstedt, a Igreja de S. Lourenço já existia muito antes de 1618… (…)”
De certeza sabe-se que a Igreja foi reconstruída pela primeira vez em 1618, de novo reedificada de Novembro de 1801 a 1 Novembro de 1803, e de Março de 1844 a 1846 e da última vez, em 1892 (após este desabamento), à custa das Obras Públicas de Macau (arquitecto Abreu Nunes), sendo bispo desta Diocese D. António Joaquim de Medeiros. (2)
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Macau e a Sua Diocese, I, 1940, p. 166-
(2) Sobre a a Igreja de S. Lourenço, ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-lourenco/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/08/10/noticia-de-10-de-agosto-de-258-morte-de-s-lourenco-e-leitura-paroquia-de-s-lourenco/

Por lei desta data, 17 de Abril de 1884, foi efectivamente concedida pelo Governo de Sua Majestade, à Irmandade do Senhor de Bom Jesus dos Passos (1) a posse do Templo de Santo Agostinho, (2) obrigando-se aquela a prover a reedificação e conservação do edifício e sustentação do culto (3) (4)
Na verdade, foi a acção de Lourenço Caetano Cortela Marques (1811-1902) que foi durante muitos anos Presidente da Confraria e que ao ver desabar essa igreja em 27 de Setembro de 1872, (5) apressou-se a requerer a posse dessa Igreja para a Confraria
Assim o Governador Visconde Sam Januário em 28 de Janeiro de 1873 por portaria n.º 16, concedeu a posse, “requerida pela Confraria do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos, da igreja de Sto Agostinho, obrigando-se a mesma Confraria a reedificar a referida igreja, e a prover de futuro a sua conservação e asseio”.

Boletim da Província de Macau e Timor, XIX, n.º 5 de 1/2/1873.

(1) A Confraria de Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos terá sido constituída, logo após a chegada a Macau dos agostinhos espanhóis, vindos das Filipinas em 1586 (2) pois nesse ano já se praticava o culto da Paixão de Cristo e se efectuava a procissão dos Passos. A Igreja de Nossa Sra. Da Graça, vulgarmente conhecida por Igreja de Sto Agostinho, está a cargo da Confraria do Senhor Bom Jesus dos Passos. Esta igreja foi sempre e continua a ser o centro do culto de Nosso Senhor dos Passos, cuja imagem é ali venerada (4)
(2) Fundado em Macau o convento de S. Agostinho, em fins de 1586 ou princípios de 1587, pelo agostinho espanhol Fr. Francisco Manrique, foi entregue aos agostinhos portugueses em 22 de Agosto de 1589. Encadeados nas múltiplas hipóteses da sua transferência, total ou parcial, para o sítio onde hoje existe, há manuscritos que nos afirmam ter-se mudado o local do convento para a Colina do Mato Mofino, em 1591, sítio actual da sua existência. Embora nos refiramos ao convento de S. Agostinho, o que realmente existe hoje é apenas a igreja e seus anexos, pois o que era o convento já não faz parte deste conjunto; é presentemente a «Vila Flor», residência dos religiosos da Companhia de Jesus” (“A Colina de Santo Agostinho e o seu Convento, artigo não assinado. in MACAU, Boletim Informativo III- 59,  15 de Janeiro de 1956, pp. 4-6)
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(4) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942 p. 193-195.

Boletim da Província de Macau e Timor XXX – n.º 25 de 21 de Junho de 1884

(5) O grande incêndio que em 1872 destruiu a capela‐mor, a sacristia e várias outras dependências. Não houve perdas de vida. No ano seguinte, a Confraria do Nosso Senhor Bom Jesus dos Passos requereu para si a igreja, com o compromisso de reedificar as partes derrubadas. Em 1887 já as obras estavam concluídas; no entanto, em 1889 a mesa da confraria resolveu reconstruir integralmente a igreja. O engenheiro Mateus Lima foi então requisitado para fazer a necessária vistoria e elaborar o caderno de encargos, vindo a empreitada a ser arrematada pelo mestre‐de‐obras chinês ou macaense Afoo. Foram também realizadas melhorias na sacristia, na torre e na casa da confraria. O templo voltou a ter culto a 9 de janeiro de 1900.
TEIXEIRA, Padre M. – Macau e a sua Diocese Volume I -Macau e as suas Ilhas. 1940, p. 180.
Ver anterior postagem em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/27/noticias-queda-do-tecto-da-igreja-de-santo-agostinho/

Exemplo de uma dádiva à Confraria

Boletim do Governo de Macau, n.º 8 de 24 de Fevereiro de 1868 p. 46.

Referências anteriores à Igreja de Santo Agostinho e à Procissão do Senhor:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-s-agostinho/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/procissoes/<