Archives for posts with tag: 1701-1800

A 13 de Abril de 1783 deu-se na Rua do Bazarinho (1) a morte dum chinês, que causou grande apreensão. O Senado reuniu- se a 19 de Abril para discutir sobre a «morte feita na noite do dia treze do d.º mez, a hum china assistente em huma botica na Rua do  Bazarinho do Bairro de S. Lourenço e q. achara p. sette testemunhas compreendido e culpado na mesma morte, q. as mesmas testemunhas na devaça declarão»

Essa devassa foi feita a 14 de Abril. O governador D. Francisco de Castro, (2) não tendo a certeza de «quem fosse verdadeiramente o matador», mas que lhe parecia haver «suficiente prova para vir no conhecimento do dito matador», mandou consultar três advogados, que exerciam a sua profissão em Macau há muitos anos, estes confirmaram que a prova era suficiente para se julgar que o culpado era aquele que as testemunhas declararam na devassa.

Este termo do Leal Senado, de 19-04-1783, está assinado pelo escrivão da Câmara, Jacinto da Fonseca e Silva, e por António Gonçalves Guerra.

(1) Rua do Bazarinho que os chineses chamam de Soi-Sau-Sai-Kai (水手西街) isto é, Rua dos Marinheiros, a oeste, para distinguir doutra Rua dos Marinheiros, que ficava a sul. Chamava-se Bazarinho para o distinguir do Bazar Grande em S. Domingos. Começa na Travessa do Mata-Tigre, ao lado do Pátio da Ilusão, e termina na Calçada de Eugénio Gonçalves, quase em frente a Rua das Alabardas (hoje Rua da Alabarda). (TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, p. 449-450)

(2) António José da Costa, negociante (estava já em Macau desde 1730), que foi chamado a substituir em 05-01-1780 o governador João Vicente da Silva Meneses (falecido a 4 de Janeiro), em 28-08-1780, por doença de que veio a morrer em 03-02-1781, entrega o Governo ao Fidalgo Cavaleiro D. Francisco Xavier de Castro. Este era filho do ex-governador Rodrigo de Castro. Exerce funções até Agosto de 1783. A 18 de Agosto de 1783, toma posse o Capitão. Geral, Bernardo Aleixo de Lemos e Faria. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 1, 2015, pp. 304 e 308)

D. Alexandre Pedrosa Guimarães (1) publica uma Pastoral contra o traje feminino usado em Macau desde 1557: “ … He a primeira que as mulheres de qualquer condição, e estado nunca mais tornem a entrar nos templos com condes, que são estes trapos sujos e porcos, que amarrão na testa …”

Senhora macaense (e outras figuras) com saraça e bioco (2) armado Pena sobre papel – Esboço de George Chinnery (1825-1852)

No dia 8 de Abril, o povo de Macau protesta contra esta Pastoral e a 30 de Junho de 1780, os pais e mães de família de Macau, apresentam apresenta ao vigário-geral do Bispado, uma exposição de mais de 100 páginas, cujo resumo, segundo Mons. Teixeira, é o seguinte: (3)

“I. Em Goa as mulheres usam o sari, que se envolve pela cabeça e é diferente do trajo português.

II. Idem, em Diu e Damão.

III. As mulheres usam também os seus trajos tradicionais em Bombaim, Ceilão S. Tomé, Costa de Coromandel e Bengala.

IV. Nos domínios portugueses da América as mulheres envolvem-se numas toalhas, cobrindo a cabeça com um pano.

V. Na Europa, incluindo Lamego, Coimbra e Porto, usam mantilhas. (4)

Este uso é legítimo e necessário:

1.º Por ser denominado conde (5) forrado de papel, fingindo um bró (6) de fronte agudo de altura de três dedos sobre que se amarra um pano branco de três pontas para segurar a tal forma de bró de fronte, e nele se possa segurar o pano ou saraça (7) com uma fita. 2.º Também porque este uso é imemorial de dois para três séculos sem contradição nem ter havido no dito uso escândalo nem ocasião de pecado.

3.º E sim porque o Exmo. Sr. D. Bartolomeu, Bispo (8) que foi desta cidade mais de dez anos e que nela teve geral aprovação por suas pias e virtuosas demonstrações de muita caridade; e com a mesma repartia as mulheres pobres os panos de segurar os denominados condes para que as mesmas pudessem ir às Igrejas gozar os ofícios e Santos Sacramentos.

4.º Logo, porque pela proibição feita por Sr. D. Alexandre, Bispo desta Cidade, se tem seguido escandalosas murmurações, procedimentos irregulares, descomposturas pelos adros das Igrejas, e muitas tem deixado de frequentar os Santos Sacramentos pelo pejo e vergonha de não irem compostas conforme a sua criação (…)” e seguia-se o protesto.

Apesar desta Pastoral, as mulheres continuaram com o seu vestido tradicional, que ainda usavam em meados do século XIX.”

Senhora de Macau com saraça, com o seu criado Pena sobre papel – Esboço de George Chinnery (1825-1852)

(1) D. Alexandre da Silva Pedrosa Guimarães (1727-1799) foi eleito Bispo de Macau a 13 de Julho de 1772. Chegou a Macau a 23-08-1774, tomando posse a 04-09-1774. Tomou posse do cargo de Governador e capitão-Geral de Macau, interinamente, a 25-06-1777. Adepto incondicional da política pombalina, e acérrimo inimigo dos jesuítas, deixou de ser governador a 1 de Agosto de 1778, (3) com a queda do Marquês de Pombal, e falecimento do Rei D. José em 1777. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-alexandre-da-silva-pedrosa-guimaraes/

(2) Bioco – Véu, rodeandoo rosto, em forma de coca (do castelhano, espécie de capuz). De tradição mourisca (9)

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume I, 2015, p. 303.

(4) Mantilha – espécie de manto de seda, ou de outro tecido, com que as mulheres cobrem a cabeça e parte do corpo geralmente até um pouco abaixo da cintura (9)

(5) Condê (do tâmul) – penteado que consiste em repuxar o cabelo e armá-lo em grande nó que se prende na nuca com ganchos geralmente de prata. Em Macau usou-se o termo para designar o pano branco com que se armava e prendia a saraça que servia de véu (9)

(6) Bró – palavra usada no Brasil para designar o penteado feminino constituído por um monte de cabelo repuxado e arrumado no alto da cabeça. (9)

(7) “Da análise do documento em estudo parece poder-se concluir que este nome era atribuído ao véu ou espécie de Mantilha com que as mulheres cobriam a cabeça e o busto. Supomos que, neste caso, se trate, apenas de ambiguidade no uso dos termos uma vez que as mulheres usariam além do baju ou do quimão, duas saraças ou panos-saraças: um para servir de saia e outro para mantilha – iguais, ou muito parecidos, nas dimensões e nos desenhos. Estes panos podiam ser de algodão estampado (provavelmente batik) ou em seda, por vezes bordada ou pintada, trazidas da Índia e, ao que parece, mais tarde também de Manila” (9)

Saraça (do malaio sarásah) – tecido de cor, geralmente de algodão, com que se enrolam da cintura para baixo as malaias e algumas índias cristãs (DALGADO, Sebastião R.  – Glossário Luso-Asiático , 1919, Vol. II, p. 293).

A saraça era um vestido fino de algodão que se usava por cima do baju ou quimão. Nos pés usavam chinelas, pouco dispendiosas, mas, com o manto, seria necessário calçar sapatos com as respectivas fivelas. (3) (9)

(8) D. Bartolomeu Manuel Mendes dos Reis (1720 – 1799), doutorado em Teologia pela Universidade de Coimbra em 29 de Novembro de 1752, foi nomeado Bispo de Macau, em Dezembro de 1752 (confirmado em 29 de Janeiro de 1753), tendo chegado a Macau e tomado posse em 1754. Durante o seu episcopado, por causa da perseguição promovida pelo Marquês de Pombal e supressão da Companhia de Jesus, em Portugal, os jesuítas foram expulsos de Macau e sequestrados os bens, ficando a Diocese de Macau gravemente prejudicada. O bispo, desgostoso com a expulsão dos jesuítas, partiu para Portugal em 1765. (3)

(9) AMARO, Ana Maria – O Traje da Mulher Macaense, 1989, pp. 124, 181, 183 e 185)

O mais antigo sino em Macau é o que se acha no campanário da igreja de S. Clara, cuja inscrição diz:

Em vez de ARO deve ser ORA; e significa: «Roga por nós, bem-aventurada Madre Clara. Ano do Senhor de 1674»

Francisco Tavares deve ser filho de Manuel Tavares Bocarro, (1) o grande fundidor de sinos e canhões em Macau por um quarto de século. Frei Manuel de Madalena de Lampreia, O. F. M., natural de Macau, foi várias vezes guardião ou superior do Convento de S. Francisco e em 1674 era comissário do Convento de S. Clara (2)

Segue-se o sino de N. Sra da Guia no qual se lê:

Foto de 1998

No outro lado do mesmo sino lê-se:

D. Diogo de Pinho Teixeira foi Capitão-Geral de Macau de 1706 (posse do cargo a 5 de agosto, dia da celebração anual à Nossa Senhora das Neves, celebrada na capela de Nossa Senhora da Guia) (3) a 1710. Posteriormente nomeado para a Capitania de Diu 1716 regressando a Goa em 1719.

Domingos Pio Marques (de Noronha e Castelo Branco) nasceu em Macau, a 06-05-1783 e faleceu a 8-02-1840; sepultado no jazigo de família no Cemitério de S. Miguel) sendo filho de Domingos Marques e de Maria Ribeiro Guimarães. (4) Domingos Pio Marques, proprietário e armador, cavaleiro, comendador da Ordem de Cristo, e comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa (1825), foi ao Brasil em 1819, como representante do Leal Senado, para saudar D. João VI, que por decreto de 06-02-1818, outorgara ao Leal Senado o tratamento de «Senhoria».

D. Frei Francisco de N. Senhora da Luz Chacim, O. F. M., foi bispo de Macau de 1804 a 1828, falecendo a 31 de Janeiro de 1828. (5)

(1) Manuel Tavares Bocarro que possuía uma fundição de canhões em Macau de 1625 a 1664, informava que em 1635, o baluarte da Guia tinha 5 peças, i. é, uma colubrina, um pedreiro e 3 sagres, todas de metal; Marco d´Avalo afirmava que, em 1638, tinha 4 ou 5 peças.

(2) TEIXEIRA, P: Manuel – A Voz das Pedras de Macau, 1980, pp. 110-111.

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/08/05/noticia-de-5-de-agosto-festa-de-nossa-senhora-das-neves-ii/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/05/5-de-agosto-festa-de-nossa-senhora-das-neves-i-2/

(4) Domingos Marques (1730-1787) e sua mulher estavam sepultados na Igreja de S. Agostinho. A lápide foi removida em 1960 para as ruínas de S. Paulo onde foi partida em dois pedaços em 1967, e depois depositada  na Fortaleza do Monte. (2)

(5) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-francisco-de-n-s-da-luz-chacim/

“O Irmão jesuíta João Alvares (1) salvou a «copiosa e escolhida» livraria do Colégio de S. Paulo. Os jesuítas já em 1760 tinham notícia do decreto pombalino de 1759; a 9 de Outubro de 1760, Álvares escreveu ao Padre Inácio Málaga, S. J., procurador da Província das Filipinas, a relatar o que se passara em Goa desde Setembro de 1759 a Fevereiro de 1760. Prevendo que o malfadado decreto chegasse em breve a Macau, tratou de salvar o arquivo de S. Paulo, de que ele fora copista durante tantos anos. Comprou quatro caixas de madeira chinesa, forrou-as com papel vermelho e marcou-as com os n.ºs de 1 a 4. Nelas meteu o arquivo. Em cada caixa meteu uma nota que declarava o conteúdo com a data de 14 de Março de 1761. Nesse mesmo ano, o Capitão D. António Pacheco levou para Manila os 4 caixotes e entregou-os ao Padre Málaga para o futuro os reenviar para Macau. Eram mais de 40 maços de papel, originais, alguns cadernos isolados e vários documentos soltos. Os livros manuscritos, quase todos em folha, eram 100, dos quais pelo menos 23 não forma encadernados. O Inventário só menciona 3 livros impressos: Língua Japonesa, Dicionário de Tunkim e Bullarum Collectio.” (2)

(1) O Irmão João Álvares (Alvarez) foi a princípio colaborador e depois sucessor do Padre José Montanha, S. J., (3) no trabalho de copista do Arquivo de S. Paulo. Em 1742, recebeu ordem do Padre Domingos Pinheiro, Vice-Provincial da China (1741-1745) para copiar os originais da documentação do Arquivo. Auxiliado por 7 copistas, lançou-se ao trabalho e de 1744 a 1748 produziu 50 volumes das cartas escritas pelos jesuítas da Índia, da China e do Japão. Este precioso Arquivo foi remetido para Madrid em 1773 e hoje encontra-se lá em 3 sítios diferentes: Biblioteca da Real Academia de la Historia, Archivo Nacional e Biblioteca Nacional.

(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume I, 2015, pp. 257, 260 e 284.

(3) O Padre José Montanha, S. J., foi designado pelo Provincial da Companha em Portugal para rever e compilar toda a documentação da Companhia de Jesus arquivada no Colégio de Macau, onde chegou em 1742. O método usado foi a cópia sistemática desse arquivo, com ajuda de um grupo de amanuenses. O padre José Montanha e o Irmão Jorge Álvares (seu continuador neste trabalho) começaram o processo de cópia dos documentos importantes do estabelecimento do Colégio de S. Paulo ou neles guardados em Novembro de 1742 (a partir de 3 de Outubro de 1742, segundo outra fonte) Produziu e enviou em 1744 alguns códices de “Jesuítas na Ásia”. (2) (3)

MONTANHA, José, Padre – Apparatos para a historia eccleziastica do Bispado de Macao, ( corresponde à história geral da missão do Japão dos anos 1583-1587) 1749-1752, 31×25 cm A. H. U., Contém uma das mais completas descrições da Igreja e do Colégio de São Paulo, baseada nos testemunhos anteriores que o autor pôde recolher e compilar na Livraria do mesmo. Extraído de: “SANTOS, Domingos Maurício Gomes dos  – Macau Primeira Universidade Ocidental do Extremo oriente in http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30021/1742

Ver anterior referência ao Padre Montanha em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-montanha/

(3) Em 1998, foi publicado um catálogo e guia “JESUÍTAS NA ÁSIA”,(2 Vols. Coordenação de Francisco G. Cunha Leão. Lisboa: ICM: IPPA: Biblioteca da Ajuda)  contendo 9462 sumários de documentos, existentes na Biblioteca da Ajuda, que formam o núcleo de uma das mais ricas e importantes colecções que existem sobre a Ásia e a presença portuguesa. Na Biblioteca da Ajuda existe um total de 30.000 folhas, distribuídas modernamente por 61 códices.

Extraído de «Gazeta de Lisboa», n.º 44, quinta feira, 7 de Dezembro de 1752, p 601.

(2) D. Bartolomeu Manuel Mendes dos Reis (1720–1799), doutorado em Teologia pela Universidade de Coimbra em 29 de Novembro de 1752, foi nomeado Bispo de Macau, em Dezembro de 1752 (confirmado em 29 de Janeiro de 1753), tendo chegado a Macau e tomado posse em 1754. Durante o seu episcopado, por causa da perseguição promovida pelo Marquês de Pombal e supressão da Companhia de Jesus, em Portugal, os jesuítas foram expulsos de Macau e sequestrados os bens, ficando a Diocese de Macau gravemente prejudicada. O bispo, desgostoso com a expulsão dos jesuítas, partiu para Portugal em 1765. (1)

Em 14 de Junho de 1772, foi transferido para a Diocese de Mariana, no Brasil, mas conservou-se em Lisboa; e, como fosse obrigado, depois de 6 anos, a ir administrara sua nova diocese, resignou em 1779, vindo a falecer em Lisboa em 7 de Março de 1799, com 79 anos de idade sendo sepultado na igreja do Convento de Jesus. (2)

Sobre o seu mandato episcopal, o Padre Teixeira refere: “Que ajuizar dêste prelado? Faltam-nos dados concretos em que possamos basear-nos para emitir um juízo seguro. À parte a luta contra a escravatura, que no-lo torna simpático, só conhecemos dêle a altivez das suas respostas e os seus modos rudes e bruscos que, numa época d transição para o Liberalismo, excitavam a animosidade e provocavam o descontentamento das autoridades civis. Quanto ao seu rebanho, também parecia viver afastado dêle, de maneira que o seu governo episcopal, numa época em que o laicismo assestava as suas baterias contra a religião, a autoridade e a tradição, foi bastante falho e pouco menos que infrutífero” (2)

(1) De 1765 até 23 de Agosto de 1774, ano de chegada do novo bispo, o governador do bispado foi o Padre Francisco Vaz, chantre da Sé; o novo bispo foi D. Alexandre da Silva Pedrosa Guimarães,  bispo de Macau de 1772 a 1789. Foi eleito em 1 de Janeiro de 1772 e confirmado em 8 de Março de 1773. Chegou a Macau a 24 de Agosto de 1774.

(2) TEIXEIRA, P.e Manuel – Macau e a Sua Diocese II, 1940, pp. 235-250 

Anteriores referências a este bispo neste blogue em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-bartolomeu-m-mendes-dos-reis/

O holandês A. E. van Braam Houckgeest, (1) que foi chefe em Cantão da feitoria da Companhia Holandesa da Índia Oriental (terminou em 1799) e conhecia bem Macau por ter aqui vivido muito tempo (c.1758 – 1773), dedicou 100 páginas a esta terra no 2.º volume (2) da sua obra “Voyage de l´Ambassade de la Compagnie des Indes Orientales  Hollandaises vers l´Empereur de la Chines dans les annes 1794 et 1795.” (3) (4)

MAPA DA CHINA – sinalizado o trajecto efectuado pela embaixada
“Voyage de l´ambassade  de la Compagnie des Indes Orientales Hollandaises vers L´empereur de la Chine, en1794 et 1795”. (3)

(1) André Éverard Van Braam Houckgeest (1739-1801);

(2) O Volume II começa com o diário datado de 31 de Janeiro de 1795.

(3) VAN BRAAM HOUCKGEEST, Andreas Everardus – Voyage de l’ambassade de la Compagnie des Indes Orientales hollandaises vers l’empereur de la Chine, dans les années 1794 et 1795. Le tout tiré du Journal d’André Everard Van Braam Houckgeest. Publié en Français par M. L. E. Moreau de SaintMéry, Philadelphia, 1798. (5) Tradução em inglês, em 1798 – An authentic account of the embassy of the Dutch East-India company, to the court of the emperor of China, in the years 1794 and 1795, Vol. I. NOTA : Disponível para leitura em: https://babel.hathitrust.org/cgi/pt?id=dul1.ark:/13960/t9766fx46&view=1up&seq=330. https://catalog.hathitrust.org/Record/100123369

(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 1, 2015, p. 328.

(5) “References to Van Braam’s book are made to this edition, but the text of the quotations is taken from the English edition of 1798, published under the title: An Authentic Account of the Embassy of the Dutch East-India Company to the Court of the Emperor of China, in the Year 1794 and 1795 . . . Taken from the Journal of André Everard Van Braam . . . Translated from the original of M. L, E. Moreau de Saint-Méry. With a correct chart of the Boute. London: Printed by R. PhilUpa, No. 71, Saint Paul’s Churchyard, 1798. Footnote page references are given to both editions.https://www.americanantiquarian.org/proceedings/44806869.pdf

No dia 28 de Novembro de 1735, em Macau, grandes demonstrações de pesar ordenadas pelo Vice-Rei de Cantão, pela morte do Imperador Iông-Tcheng, ou Yung Cheng (雍正 Yongzheng) (1) com tiros de ampulheta, por espaço de 24 horas, salva no fim, pela Fortaleza do Monte e luto pelos homens bons da governança (2)

PEREIRA, A. Marques – Ephemerides Commemorativas da Historia de Macau e …  1868, pp. 118-11

 (1) Yongzheng 雍正 (13-12-1678/8-10-1735) (nome de nascimento: Yinzhen 胤禛) foi o quarto imperador da Dinastia Manchu, e terceiro imperador Qing, tendo reinado de 1722 a 1735. Embora com um reinado de menor duração (13 anos) comparado ao do seu pai (imperador Kangxi) e do seu filho (imperador  Qianlong) governou a China num período de paz e prosperidade, embora se conste que era muito cruel nas punições e castigos aos seus inimigos.

(2) GOMES, Luís G.  – Efemérides da História de Macau, 1954.

NOTA – Governava Macau, Cosme Damião Pereira Pinto que chegou da Índia a 4 de Agosto e tomou posse a 24 de Agosto e governará Macau no seu 1.º mandato de 24-08-1735 a 27-08-1738; o 2.º mandato seria de 25-08- 1743 a 29-08-1747. O 4.º bispo de Macau, D. João do Casal que lhe entregou o Governo, faleceria a 20 de Setembro de 1735, com 94 anos de idade e 43 anos e três meses de governo do bispado. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume I, 2015 p. 253) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/cosme-d-pinto-pereira/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-joao-do-casal/

Entrou em Macau no dia 23 de Agosto de 1708, desgovernada e desmastreada por um tufão que a assaltara, a fragata Nossa Senhora das Neves que vinha de Goa, comandada pelo capitão-de-mar-e-guerra Jerónimo de Mello (Pereira), trazendo como passageiros, feitor por sua Magesta Miguel Pinto, Tenente D. Henrique de Noronha e o Capitão de Infantaria António de Albuquerque Coelho, (1) que mais tarde seria Governador de Macau. (2) (3)  

A fragata entrou no porto desarvorada, sem mastros nem leme, e a ré sem beque, (e, por isso, saracoteando-se) sendo precizo ir (outras) em embarcações rebocá-la para dentro, por cauza do grande temporal que apanhou na altura de 19 graos (golfo de Tonquim, junto à ilha de Hainão). Ficou em Macau, de invernada para se consertar” (4)

“A fragata N.ª Sra.ª das Neves, de Sua Majestade (ou do estado da Índia, a que Macau e Timor estavam sujeitos), chegou pela primeira vez à cidade do Nome de Deus, na primeira metade de Agosto de 1703 sob o comando do capitão-de-mar–e-guerra Luís Teixeira Pinto e trazendo o governador e capitão-geral desta cidade José da Gama Machado (tomou posse a 15-08-1703).  Recolheu a fragata a Goa, antes do Inverno, levando o governador cessante (Pedro Vaz de Sequeira). No dia 23 de Agosto de 1708, o mesmo barco de guerra chega de Goa… (…). A sua oficialidade, entretanto, causou grande inquietação na Cidade do Nome de Deus. Foi o caso do célebre romance amoroso entre António Albuquerque Coelho (1) e a órfã Maria de Moura. A infantaria da fragata, com o seu comandante, aquartelou na Casa de Campo de S. Francisco (que, por volta de 1780, era de Francisco Josué, natural de Vila do Mato, Beira, e seu pai; em 1801, de um filho do mesmo nome). Albuquerque demorou-se em Macau, com os seus soldados e a fragata, até ao 1.º de Agosto de 1714, dia do enterro, na Igreja de S. Francisco, de sua esposa, falecida do segundo parto. Em 13-11-1715, a Sr.ª das Neves já não existe por talvez nunca se ter recomposto do temporal que a colheu, em 1708, e da invernada seguinte em Macau.” (3)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-albuquerque-coelho/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/08/23/noticia-de-23-de-agosto-de-1708-fragata-nossa-senhora-das-neves/

(2) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1952

 (3) PIRES, Benjamim Videira – A Vida Marítima de Macau no Século XVIII, 1993, p. 26

(4) BRAGA, Jack  M.  – A Voz do Passado, 1987,p.25

Neste dia de 24 de Dezembro de 1708, morre em Pequim um dos mais célebres jesuítas portugueses, que prestou grandes serviços à Igreja e à China e que, como Presidente do Tribunal das Matemáticas, honrou Portugal e a ciência europeia. Trata-se do Padre Tomás Pereira também chamado Tomé Pereira., tenho inicialmente o nome de “Sanctos” Pereira (1), nascido a 1 de Novembro de 1645, em S. Martinho do Vale, diocese de Braga. Ao chegar a Macau em 1672, o Padre Fernando Verbiest, S. J., então altamente conceituado em Pequim, elogiou os seus predicados perante o Imperador, que imediatamente mandou a Macau dois mandarins para o levarem à corte; para lá foi transportado em cadeirinha, chegando à capital chinesa em Janeiro de 1673. (2)
Padre Tomás Pereira foi matemático, astrónomo, geógrafo e diplomata. (3) Em 25 de Setembro de 1663 entrou para a Companhia de Jesus. Em 15 de Abril de 1666 embarcou para a Índia, continuando os seus estudos em Goa, chegando a Macau em 1672, onde aprendeu na língua e cultura chinesa Tomás Pereira viveu na China até à sua morte em 1708 (4) no antigo Observatório Astronómico de Pequim. Foi também músico, (5) sendo autor de um tratado sobre a música europeia que foi traduzido para Chinês, e também construtor de um órgão e de um carrilhão que foram instalados numa igreja de Pequim. É considerado o introdutor da música europeia na China. (6)

OBSERVATÓRIO DE PEQUIM (gravura do século XVIII)

Sobre Tomás Pereira, ver anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-tomas-pereira/
e
https://www.revistamacau.com/2014/04/16/tomas-pereira-e-o-imperador/
(1) https://orientalistasdelinguaportuguesa.wordpress.com/tomas-pereira/
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997.
(3) Tomás Pereira participou nas negociações do Tratado de Nerchinsk (1689), que é considerado o primeiro tratado subscrito pela China com uma potência da Europa, neste caso o Grão-Principado de Moscou.
(4) Sobre a sua morte escreve o Padre Miguel de Amaral, S. J.: «Depois de sofridos grandíssimos trabalhos (por causa da malfadada questão dos ritos), (7) no dia 23 de Dezembro de 1708, na tarde do Domingo em que tinha cumprido todos os requisitos para ganhar o jubileu do papa Clemente para alcançar de Deus a paz entre os príncipes cristãos, foi a segunda vez acometido com o acidente de apoplexia que pôs fim à sua vida pela uma hora depois da meia noite de 24 de Dezembro do dito ano» (1)
(5) “Quando foi recebido pelo Imperador Kangxi, este tocou no su clavicórdio algumas canções chinesas que sabia de cor; acto contínuo, o Padre Pereira reproduziu-as em música, executando-as no seu clavicímbalo com tal perfeição que o Imperador exclamou: «Estas ciências dos europeus são verdadeiramente admiráveis, Estas ciências dos europeus são verdadeiramente admiráveis. Este homem é um génio maravilhoso!». Mandou-lhe dar 24 peças de seda, dizendo: «Estes vossos vestidos não prestam; aí tendes com que vos vestir». (1)
Aconselho leitura “Os jesuítas e a música em Macau e Pequim” de Ana Luísa Balmori_Padesca em
file:///C:/Users/ASUS/Documents/PARA%20ELIMINAR%20-%20DOWNLOADS/Os%20jesu%C3%ADtas%20e%20a%20M%C3%BAsica.pdf
(6) https://pt.wikipedia.org/wiki/Tom%C3%A1s_Pereira
(7) O episódio da Controvérsia dos Ritos em que após a proibição das missões na China, graças aos seus argumentos, Tomás Pereira conseguiu junto do imperador, que o Édito de Tolerância ao Cristianismo fosse publicado.

Chegada a Macau do novo Bispo D. Fr Hilário de Santa Rosa (1) no dia 5 de Novembro de 1742-, segundo documento da época:
«De acordo em distancia de sete legoas, tendo a Nau dado fundo com vento contrario defronte da Ilha dos Ladroens, escreve S. Exa. ao guardião de S. Francisco avizando.-o que no seu Convento inteiramente se desejava recolher, e como chegasse primeiro a bordo dum escaler, ou escucha dos Padres da Companhia a buscar para terra quatro Padres seus que vinhão no mesmo navio, persuadido por elles S. Exa. se embarcou também, e por ser já tarde quando chegarão pernoitamos todos no Collegio de São Paulo, adonde S. Excia. Foi com todo o applauzo recebido, sem que a tarde a noite fosse impedimento para o Governador desta Praça, Manuel Pereira Coutinho (1738-1743), lhe ter prevenido na praia uma companhia de soldados, e o seu Palanquim que não aceitou por hir com os padres; ao mesmo tempo se deu salva de artelharia.
No dia seguinte e sedo se recolheu oculto ao Convento de S. Francisco, adonde foi comprimentado de todas as Relligioens, Clero, Senado e Nobreza desta Cidade. Esteve nelle perto de três semanas primorosamente assistido, em quanto se lhe preparavam casas para residir»  (2)
Frei Hilário de Santa Rosa foi nomeado Bispo de Macau em 1739, e chegou ao território em 1742, tomando posse da Diocese. O rei D. João V em 1744 dá ao Fr. Hilário o Paço Episcopal. Durante o seu episcopado, mandou reparar a Sé Catedral deixando um fundo ao Cabido e foi muito crítico do costume local da compra das crianças. Regressou a Portugal em 1750 tendo resignado ao bispado em 1752. Faleceu em 1764. Consta-se que não lhe encontraram nenhum tostão na sua posse, pois dava tudo aos pobres.
(1) “14-03-1742 – Frei Hilário de Santa Rosa, O. F.M., embarca em Lisboa na fragata S. Pedro e S. João, de que era Capitão de mar-e guerra João Pereira de Carvalho. Vinham na mesma fragata 4 jesuítas (um deles o famoso Padre Montanha) e 2 franciscanos. Os 2 franciscanos eram Fr. Albino de Assunção e Fr. José de Jesus Maria; este, nos poucos anos que aqui se demorou (1742-1746), escreveu a preciosa obra «Azia Sinica e Japonica», que C. R. Boxer publicou com anotações, em 2 volumes. (2)
“12-11-1742 – O Bispo D. Fr. Hilário tomou posse da diocese por procuração, sendo procurador o P.e José de Almeida, cura da Sé. A 13, o bispo informa o Senado que no dia 17, sábado, pelas 3 horas da tarde «determina dar entrada publica, na forma costumada, deste Convento para a Sé, esperando em tão benignos e atenciosos ânimos obrem o que em tal occazião com os mais bispos se pratica». (2)
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 2, 1997.
Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-frei-hilario-de-santa-rosa/