Archives for posts with tag: Mosteiro de Santa Clara

Edital que os Ministros da Casa da Câmara mandaram por pelos lugares públicos desta cidade, com o parecer do governador do bispado, António de Morais Sarmento, (1) para que não se recolhesse freira nenhuma no Convento de Santa Clara, conforme ordens dos Vice-reis do Estado da Índia.

Extraído de «Arquivos de Macau« 2.ª série, Vol I, n. 4, Junho –Agosto de 1941, pp 205-206

(1) D. Diogo Correia Valente S.J. (bispo de Macau de 1630 a 1633) faleceu em 1633 e devido à ocupação e à independência de Portugal da Espanha, desde 1633, o deterioramento das relações entre estes dois países e as guerras contínuas influenciaram a nomeação do novo bispo dos quais resultou a longa vagatura da Diocese, durante quase 80 anos. O novo bispo de Macau foi D João de Casal, (bispo de 1690 a1735), nomeado em 1690 por D. Pedro II, mas só terá chegado a Macau em 1692.

O Padre António de Morais Sarmento, governador episcopal (ou vigário capitular nomeado pelo Cabido da sé de Macao?) de 1684 a 1691, foi encarregado pelo vice-rei da Índia em Maio de 1684 de «certas diligências em Macao». O Vice-Rei da Índia, invocando haver nele atitudes contrárias aos interesses do Padroado (dizia-se que o Padre Sarmento favorecia em Macau os clérigos regulares (teatinos, como então se chamava aos jesuítas) em 22 de Dezembro de 1691 queixava-se ao rei porque o governador do bispado favorecia os missionários estrangeiros contra as regalias do padroado e sugeriu a sua substituição pelo que o Governador do Bispado foi, até à chegada do novo bispo, o Cónego José da Silva. (TEIXEIRA, P. Manuel – Macau e a sua Diocese, Tomo II, 1940, p.149) e SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume I, 1997)

Ver anteriores referências ao Convento de Santa Clara em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/convento-de-santa-clara/

Extraído de «Gazeta de Macau» n.º II de 8 de Janeiro de 1825.

NOTA : sobre este incêndio ver anterior referência neste Blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/12/31/noticia-de-31-de-dezembro-de-1824-incendio-do-convento-de-santa-clara/

Continuação da leitura da conferência realizada na Sociedade de Geografia de Lisboa, em 5 de Junho de 1946, pelo tenente-coronel de engenharia Sanches da Gama e publicada no Boletim Geral das Colónias de 1946. (1) (2)
………………………………………………………………………………..continua
(1) Ver anterior postagem em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/06/05/noticia-de-5-de-junho-de-1946-leitura-macau-e-o-seu-porto-i/
(2)  «BGC» XXII -253, 1946.

In «BGM», XII-34, 866.

Duas notícias do dia 8 de Novembro referentes ao Colégio de Santa Rosa de Lima:
A primeira, do dia 8 de Novembro de 1846, data em foi reorganizado o Colégio de Santa Rosa de Lima para educação de meninas (1)
A segunda, do dia 8 de Novembro de 1876, por Decreto, o governo da Metrópole com os rendimentos do recolhimento de S. Rosa e do Mosteiro de S. Clara constitui uma doação para o Colégio de S. Rosa de Lima, que tinha o valor aproximado de cem mil patacas, incluindo todos os edifícios, propriedades, foros e capitais, que foram destinados à sustentação do colégio (2)
No ano anterior (1875), o Convento de Santa Clara (onde funcionava desde 1857 o Recolhimento de Santa Rosa) fundiu-se com o Recolhimento de Santa Rosa, com o nome de Colégio de Santa Rosa de Lima.

colegio-de-s-rosa-de-lima-1907-man-fookColégio de Santa Rosa de Lima em 1907
Atribuída ao fotógrafo Man Fook

Entre estas duas datas, alguns apontamentos mais importantes:
21-12-1848 – As Filhas de Caridade de S. Vicente de Paula, que se estabeleceram em Macau devido aos esforços do Bispo D. Jerónimo José da Mata, assumiram a direcção do Recolhimento de Santa Rosa de Lima, destinado à educação de meninas. O recolhimento funciona a partir de 1849 até 1857 no extinto Convento de Santo Agostinho, sob a direcção do Prelado da Diocese. (1)
02-10-1856 – Foi ordenado por decreto que o recolhimento para a educação das pessoas do sexo feminino, denominado de Santa Rosa de Lima e estabelecido no edifício do extinto convento de Santo Agostinho fosse anexado ao Mosteiro de Santa Clara. (1)
22-01-1857 – Provisão do Bispo D. Jerónimo José da Mata reorganizando o Recolhimento de Santa Rosa de Lima para a educação de meninas pobres anexando-o ao Mosteiro de Santa Clara de acordo com o Decreto anterior. (1)
06-07-1857 – Tendo sido transferido para o Convento de Sta Clara a escola de meninas que funcionava no convento de S. Agostinho, foi este transformado em Hospital Militar até 1872, ano em que foi construído o Hospital Conde de S. Januário. O convento foi depois comprado por Artur Basto que o transformou em sua residência. Com a morte foi adquirido pela Companhia de Jesus e, sob o nome de Residência de Nossa Senhora de Fátima serve de casa de repouso aos jesuítas. (1)
30-1-1875 – A Portaria Provincial n.º 19 desta data determina a incorporação na Fazenda, segundo a lei dos bens móveis e imóveis do Convento de Sta Clara, por ter falecido a última religiosa. (3)
Os Estatutos do Colégio foram publicados em Fevereiro de 1875 e em 4-03-1875 foi nomeada regente do colégio D. Theresa da Annunciação Danemberg, senhora de esmerada educação e muitas virtudes e para professoras sras. D. Lydia Francisca da Santa Cruz e D. Leonidia Maria da Conceição. Estas três senhoras residiam há muitos anos no convento e viram-se sem amparo com a morte da última freira. (2)

colegio-de-s-rosa-de-lima-directoria-1934O Colégio de Santa Rosa de Lima, em 1934

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982.
(3)  Por Portaria Provincial n.º 19 de 30 de Janeiro de 1875, o governador José Maia Lobo d´Ávila determinou o seguinte:
Tendo falecido a ultima religiosa do convento de Santa Clara, (4) e devendo pelas leis em vigor serem incorporadas na fazenda todos os bens pertencentes ao mesmo convento, e sendo necessário proceder a um inventário geral dos mesmos bens: hei por conveniente nomear para este efeito uma comissão composta do secretário da Junta de Fazenda João Correa Paes d´Assompção, do delegado interino do Procurador da Coroa e Fazenda, o advogado Albino António Pacheco e o P. Capelão Vicente Victor Rodrigues Esta Comissão em 15 de Março de 1875 tomou posse de todos os bens móveis e de raiz, e da administração do mesmo extinto convento num valor total de $ 77.983,25.”
(4) Em 1834, pelo decreto de Joaquim António de Aguiar, foram extintos os conventos em Portugal . Esta lei teve a sua repercussão no ano seguinte em Macau, em 1835, mas o governo local continuou a respeitar a existência das Claristas, mantendo-as no seu convento de Sta. Clara até à morte da última religiosa que faleceu a 18 de Fevereiro de 1875.

O Conde Dom Luís de Meneses, Vice-Rei da Índia, (1) perante a falta de moradores na cidade, providenciou, proibindo o convento de receber mulheres para religiosas e ordenando às mesmas que casassem com os portugueses que se achavam na cidade.(2)(3)
Outra notícia de 26 de Dezembro de 1718 : “O Senado regozija-se ao fazer o balanço do ano: «… com os rendimentos se ve esta Cidadde dezempenhada das maiores dividas, como são a da Caza da Misericordia em maioria de dez mil taeis, e a do rei de Siam em três, e a de hum Armenio, o Cabbido, e alguns Moradores
Manuel Favacho (4) faleceu, deixando dote de casamento para 20 órfãs. Deixou ainda 400 pardaus para se  celebrar na Igreja da Madre de Deus a novena e festa do Espírito Santo; e legou  aos jesuítas a administração da viagem à Cochinchina durante alguns anos. É provável que a doação às meninas órfãs levasse o Senado a fundar o Recolhimento da Santa Casa, de que nos fala Frei José de Jesus Maria. De facto, a 26-12-1718, o Senado determinou que se destinasse meio por cento para a sustentação das «meninas órfãs, filhas de Portugueses, que com o beneplacito  do Procurador, e mais Irmãos da santa casa, se fara nela um recolhimento  com mais uma Senhora  grave para Mestra das ditas Órfãs e duas servideiras, dando a cada uma três pardaus para seu subsídio , do dito por cento, e o que restar ficasse em um cofre depositado na mesma Casa da Misericordia para dote das órfãs.»
As vocações religiosas femininas eram numerosas; em 1678 , o V.R.D. Rodrigo da Costa (1686-1690) ordenara ao Senado que  proibisse, sob pena de 500 pardaus, que qualquer rapariga ingressasse no  Mosteiro de St.ª Clara.
A 7 de Maio de 1718, o Conde de Ericeira D. Luís de Meneses V. R. da Índia (1717-1720), dá as seguintes providências sobre as freiras de St.ª Clara: «Porque sou informado que uma das causas da decadencia da Cidade de Macau é a falta de moradores portugueses, e que esta procede da quantidade de mulheres que, tendo dotes com que poder  casar, se meteram a maior parte freiras; e , para evitar este prejuizo, ordeno e mando que, estando completo o numero de Religiosos do Convento daquela Cidade, se não recebam mais mulheres para religiosas, e se casem com os dotes que tiverem com os portugueses que se acharem na dita Cidade, para assim  se remediar a falta que esta experimenta de moradores e se frequente o comercio e se aumente a terra; e o Governador da Cidade de Macau  e o Senado da Camara dela darão inviolavel desta minha ordem».
É claro que esta ordem ficou letra morta; e o número máximo de freiras, que era de 33, foi elevado para 40 pelo bispo D. João do Casal em 17 de Janeiro de 1713.(3)
Luís Carlos Meneses 5.º Conde Ericeira(1) Luís Carlos Inácio Xavier de Meneses, 5º conde da Ericeira, 1º marquês do Louriçal, (1689 — Goa, 1742), homem com grandes conhecimentos literários e artísticos e um bom estratega militar, foi vice-rei e capitão-general da índia portuguesa entre 1717 e 1720 e entre 1740 e 1742. Considerado como um dos bons governantes do Oriente na primeira metade do Setecentos.
(2) GOMES, Luís Gonzaga. Efemérides da História de Macau, Notícias de Macau, 1954, 267 p.
(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997.
(4) Manuel Favacho foi vereador, grande mercador (proprietário de barcos de mercadorias) de Macau, no século XVIII.
25-10-1713 – O Senado precisava de mais de 6 000 taíes para as despesas dum ano, mas nada possuía, antes devia dinheiro. Os religiosos e o clero declararam que só podiam emprestar pouco mais de 1 000 taíes; ora o povo não podia dar as restantes 5 000. Resolveu que a vereação do ano seguinte pagasse primeiro as dívidas: 300 e tantos taéis a Manuel Favacho, 700 e tantos à Ouvidoria; 1 000 a Misericórdia. Para isso, aumentava-se um e meio por cento dos direitos.
1713 -Manuel Favacho deixa à Santa Casa 2 000 pardaus; um quarto para viúvas e órfãos; um quarto para missas por sua alma; e o resto para desempenhar a prata da Santa Casa e da Igreja de S. Lázaro. Deixa mais 1000 pardaus para dote anual de casamento duma órfã , filha de portugueses e ou de irmão de St.ª Casa.
(SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau , Vol.2, 1997)

No dia 8 de Março de 1828, faleceu na sua casa na Rua do Hospital, Marta da Silva Merop (Mierop) , (1) fazendo-lhe o enterro o Cura da Sé, Cónego António José Victor, que registou o seu assento de óbito no respectivo livro da Sé: «aos oito do mês de Março de 1828, nesta cidade, faleceu Martha da Silva Merop com todos os sacramentos, fez testamento e Codicilo »(2) (3) Foi sepultada na capela-mor da Igreja do Convento de S. Francisco.
“O seu marido era o inglês Tomas Merop, com quem casou religiosamente em Macau, (4) o qual no seu testamento declara: «A minha querida esposa, Marta da Silva , deixo a soma de dez mil libras e a minha casa da Rua do hospital e toda a mobília. Se ela mudar de ideias de passar toda a vida em Macau e vier para a Europa, deve receber mais três mil libras. É meu desejo que ela case após a minha morte, com uma condição: se ela casar com um português, receberá apenas cinco mil libras, quer venha para a Europa ou não. Se casar com um indivíduo doutra raça, receberá dez mil libras, e mais três mil libras se vier para Europa. Quer se conforme ou não com os meus desejos no respeitante ao casamento, deixo-lhes os meus livros e a mobília, a minha placa, relógio, anel, roupas, impressos, vinhos, instrumentos músicos e artigos curiosos, juntamente com a minha casa»
Marta não foi para Europa nem casou pela segunda vez; passou toda a vida em Macau” (1)
No  testamento que deixou, feito a 3 de Março de 1828, diz:
«Eu Martha da Silva Merop, viuva de Thomaz Merop, moradora n´esta cidade de Macau (…)  natural d´esta Cidade do santo Nome de Deus na China, filha de Pae e mai gentios (…) fui casada com Thomas Merop ora defundo in facie Ecclesiae segundo manda a  Santa Madre Igreja (…)  deste Matrimónio não tive filho algum (…) não tenho herdeiros descendentes nem ascendentes. (…) deixo por ora… (5)
Deixou o seguinte:
$ 1 000 para 1 000 missas por sua alma
$ 400 para ofícios solenes
$ 1 400 para pobres recolhidos
$ 400 para pobres de porta
$ 900 para fazer um depósito e com os juros celebrar festas anuais na Sé
$ 20 000 à Santa Casa de Misericórdia
$ 5 000 ao Mosteiro de Santa Clara
$ 5 000 ao Convento de S. Francisco
$ 20 000 às educandas do Recolhimento de S. Rosa de Lima devendo casa uma receber ainda $ 200 quando se casar
Deixou ainda várias somas às suas numerosas afilhadas e escravas que deveriam ficar livres após a sua morte. (1)
Marta MeropO seu retrato (6) em corpo inteiro pintado por volta de 1815, ocupa lugar de honra na galeria de benfeitores da Santa Casa de Misericórdia, na sala de Actos.
(1) Marta da Silva Van Mierop (1766 -1828), foi abandonada à nascença e recolhida pela Santa Casa da Misericórdia em meados do século XVIII. Casa com o inglês Thomas Kuyck Vam Mierop, sobrecarga da Companhia das Índias inglesa que lhe deixa em testamento parte da sua fortuna. Torna-se assim a mulher mais rica de Macau, famosa armadora e benfeitora da cidade.
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – Vultos Marcantes em Macau, 1982, pp. 103-104.
(3) Codicilo – alteração ou aditamento de um testamento (FIGUEIREDO, Cândido – Dicionário da Língua Portuguesa, Volume I, 1986.
(4) Afirmação do Padre Manuel Teixeira mas que não se encontra registo do casamento em Macau. Outros referem concubinato. (5)
(5) Para uma melhor compreensão da história de vida desta benfeitora , aconselho a leitura, disponível na net, de
PUGA, Rogério Miguel – A Vida e o Legado de Marta da Silva Van Mierop in Women, Marruiage and Family in Macao
http://www.academia.edu/3785773/A_Vida_e_o_Legado_de_Marta_da_Silva_Van_Mierop
(6) José Tomás de Aquino, (7) em carta endereçada à Santa Casa pedia desculpas «quanto à demora dos retratos de Francisco Xavier Roquete que legou $ 62 000 a essa Instituição e de Maria da Silva Merop; os quais foram executados pelo retratista china VÓ Qua, mas sob o meu contorno e direcção» (2)
(7) José Tomás de Aquino ( 1804-1852), educado no Real Colégio de S. José de Macau, partiu para Lisboa em 1819, por indicação do pai, para estudar  Medicina.  Estudou no Colégio Luso-Britânico e formou-se em »Matemática, Desenho e Comércio». Regressou a Macau em 1825. Além de proprietário de navios e negociante era também «arquitecto».  Dirigiu a construção de muitas residências e edifícios em Macau, reedificou, modificou, alterou muitos outro edifícios oficiais. Saliento a construção do Teatro Luso-Britânico (1839); reconstrução da Sé Catedral (concluída em 1850); reconstrução da igreja de S. Lourenço em 1847 (reedificada em 1898); construção do Palácio do Barão de Cercal na Praia Grande (posterior Palácio do Governo); construção do Palacete da Flora e a construção da casa do Barão de Cercal na Rua da  Prata n.º 4.
TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1952.
NOTA : também Patrícia Lemos abordou este assunto na «Revista Macau», em 2014 : “De Marta a macaense”, disponível em:
http://www.revistamacau.com/2014/03/05/de-marta-a-macaense/

Um artigo de José de Torres  (1) comentando uma foto de ” Macau- Vista da Praia Grande do Porto Exterior”, publicado no semanário ilustrado ” Archivo Pittoresco” de 1864. (2)
ARCHIVO PITTORESCO VII-44 1864 MACAU Porto Exterior

Macau- Vista da Praia Grande do Porto Exterior

A gravura que precede representa a parte direita da vista da cidade de Macau, tomada do alto da Penha. Alcança pela orla marítima da Praia Grande, ou porto exterior, desde o palacio do governo, que fica fronteiro ao mastro de bandeiras que se vê no primeiro plano, até à ponta em que está o forte de S. Francisco.
Correndo com avista a estampa da esquerda para a direita, distingue-se primeiro de frente um templo com duas torres, que é a parochial de S. Lourenço; por detrás d´elle o seminario diocesano; mais ao longe o elegante frontispício do antigo collegio de S. Paulo, da companhia de Jesus, que hoje serve de portico ao cemiterio publico; logo em seguida a mais importante fortaleza da cidade, chamada do Monte; ao descair d´ella para a praia as duas torres da sé episcopal; na elevação extrema o monte e forte da Guia; na baixa da ponta de S. Francisco o mosteiro de Santa Clara.
Macau é hoje uma das mais importantes possessões portuguezas, pela sua população, industria commercial e navegação. Não obstante o que já se disse d´ella n´este semanário, não nos despedimos de consagrar, em occasião opportuna, mais algumas paginas à singular e authentica historia d´este estabelecimento.
                                                       JOSÉ DE TORRES 
ARCHIVO PITTORESCO VII-44 1864 Artigo MACAU Porto Exterior(1) “José de Torres (1827-1874) escritor e jornalista açoriano que se notabilizou como bibliófilo e investigador da história açoriana. Reuniu uma volumosa colecção de documentos relativos aos Açores, hoje na Biblioteca Pública e Arquivo de Ponta Delgada, a que deu o nome de Variedades Açorianas, a qual constitui hoje um acervo precioso para o estudo da história e cultura açorianas. Foi sócio correspondente da Academia Real das Ciências de Lisboa e membro de várias sociedades científicas estrangeiras.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jos%C3%A9_de_Torres
José de Torres, à data do início da publicação, o redactor principal do Archivo Pittoresco, e um dos principais autores que também contribuíram para a divulgação dos estudos históricos já desde os tempos da sua colaboração com [6] O Panorama, faz um elogio glorioso ao nascimento do novo periódico literário, incutindo-lhe uma importância, que sem ser vangloriosa, o remeteria para um lugar de destaque nos periódicos literários portugueses da época.DIAS, Eurico – O Archivo Pittoresco (1857-1868). Subsídios para sua História  http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/RecursosInformativos/ActasdeColoquiosConferencias/textos/ConfArqPit.pdf
(2) Archivo Pittoresco: semanário ilustrado foi um jornal publicado em Lisboa, entre 1857 e 1868, pela Castro Irmão e C.ª Lda, apreciado em Portugal e no Brasil. Famoso pela qualidade da sua ilustração, pretendia fomentar “a nossa gravura em madeira, dar relevo à palavra e abrir campo em que as vistas curiosas espaireçam pelas criações da arte, da natureza ou da fantasia”.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Arquivo_Pitoresco
AFONSO, Graça – O Archivo Pittoresco e a evolução da Gravura de Madeira em Portugal http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/RecursosInformativos/ActasdeColoquiosConferencias/textos/ArchivoPGravura.pdf.

NOTA: esta mesma ilustração foi inserida posteriormente no livro de Rocha Martins ” História das Colónias Portuguesas” (no meu “post” de 28-04-2015 ) (3) com a legenda “MACAU – PÔRTO DE MACAU”.
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/04/28/leitura-historia-das-colonias-portugue-sas-de-rocha-martins/

ANO III- 60 1956 Colégio S. R. Lima “O «COLÈGIO DE SANTA ROSA DE LIMA» anexo ao antigo Convento de Santa Clara e a cargo das Franciscanas Missionárias de Maria, é um dos modelares estabelecimentos de ensino da Província.” (1956) (1)

Os estatutos e regulamento para o Colégio de Santa Rosa de Lima como casa de educação para o sexo feminino, foram publicados em 1875 pelo governador José Maria Lobo d´Ávila (portaria n.º 23 de 18-02-1875) após a extinção do mosteiro de Santa Clara.
O ensino ministrado nesse colégio era o elementar, ou instrução secundária que compreendia: línguas portuguesa, francesa e inglesa; história sagrada; desenho; música de canto e piano; educação física; higiene e economia doméstica.
A pedido do bispo D. António Joaquim de Medeiros, as Irmãs Canossianas tomaram conta desse Colégio em 1889, dirigindo-o até 1903.
Convidadas pelo bispo D. João Paulino de Azevedo e Castro, as Franciscanas chegaram a Macau a 17 de Novembro de 1903, instalando-se no Mosteiro de Santa Clara e tomando a direcção do Colégio. Ambos os edifícios lhes foram cedidos pelo Governo juntamente com os bens do antigo Mosteiro e do antigo Recolhimento de S. Rosa de Lima (o recolhimento fechou em 1875 após o falecimento da última clarissa)
A 30 de Novembro de 1910, o Governo ordenou a saída das Franciscanas do Colégio, o qual era então frequentado por 130 alunas de diferentes nacionalidades, sendo muito delas internas. A escola foi confiada a pessoal leigo a 7 de Janeiro de 1911, ficando reduzida a 40 alunas.
A 10 de Dezembro de 1911, foi arrendado o edifício do antigo Mosteiro de Santa Clara para aquartelamento e tropas expedicionárias, determinando-se que o Colégio de S. Rosa de Lima passasse para outro edifício particular; felizmente esta medida não pegou, continuando o colégio sob a direcção de pessoal leigo.
Em 1932, voltaram as Franciscanas a dirigir o Colégio. A secção chinesa iniciou-se em 1933. (3)
Em Setembro de 1975, o curso de inglês deste colégio, passou para a Escola Matutina (2) e o curso chinês desta passou para o Colégio de S. Rosa (Rua de Santa Clara). A Instrução Primária portuguesa no Colégio funcionou até 1999, permanecendo aí a secção chinesa.

ANO III - 62 1956 Colégio D. Bosco“O COLÉGIO D. BOSCO, de linhas modernas e airosas, é um dos mais modernos estabelecimentos de ensino da Província. “ (1956) (1)

 “ A 24 de Julho de 1941, a Santa Casa da Misericórdia entregou ao Bispo de Macau, D. José da Costa Nunes, o seu Asilo dos Órfãos, com os seus 30 rapazes e a 15 de Agosto desse ano foi confiado aos Salesianos. Enquanto se não levantava edifício próprio, os órfãos portugueses ficaram instalados no Orfanato da Imaculada Conceição juntamente com os chineses.
Em 1940, o Governo concedeu um terreno em Mong Há e a 10 de Novembro de 1941, fez-se a inauguração do aterro para os futuros pátios do colégio.
A 6 de Fevereiro de 1949, foi lançada nesse terreno a primeira pedra dum edifício que se chamou “ COLÉGIO D. BOSCO”, de Artes e Ofícios, destinado ao Ensino Técnico e Profissional, sendo seu primeiro Director, o Pe. António Giacomino.  António Bastos foi o arquitecto que preparou todos os planos”  (3)
(1) MACAU Boletim Informativo, Ano III, 1956
(2) Na Avenida do Dr. Rodrigo Rodrigues, edifício que foi demolido em 1998 para construir no mesmo lugar o actual “Colégio de Santa Rosa de Lima English Secondary” (Av. Dr.Rodrigo Rodrigues, n.º 367).
(3) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau. Direcção dos Serviços de Educação e Cultura, 1981, 423 p.

Duas fotos retiradas de SERÕES (1) , panoramas de Macau, tirados em 189.., a primeira do Alto da Montanha da Penha e a segunda, do Alto do Monte de S. Januário

“À direita do leitor: a «Bahia da Praia Grande»; no primeiro plano o « Matto do Bom Jesus»; à esquerda o «porto interior» com a «Ilha Verde». Ao fundo e à esquerda as alturas de «Chin-san», de «Passaleão» e de «Pac-Seac»; à direitas fortalezas do «Monte», da «Guia» e de «S. Francisco», na ponta da Praia Grande – As duas igrejas ao centro da estampa são as de «S. Lourenço» e de «S. José»”

“À esquerda do leitor a bahia da «Praia Grande», tendo na ponta da respectiva margem o forte do «Bom Parto» e a montanha da «Penha». Ao fundo, as montanhas da ilha da «Lapa»; a fortaleza de «S. Paulo do Monte» e o porto interior com a «Ilha Verde». No primeiro plano o edifício de «Santa Clara», os bairros de «S. Lourenço», do «Campo», etc.”

(1) SERÕES, Março de 1902, Vol. II, N.º 10