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Extraído de «Abelha da China», XVIII de 16 de Janeiro de 1823, p, 69

António José de Gamboa nasceu em Lisboa a 26 de Agosto 1754, veio para Macau (cerca de 1775) onde se entregou à vida comercial, vindo a ser um grande capitalista (com o comércio do ópio) e proprietário de navios. Desempenhou o cargo de Procurador do Senado em 1793 e em 1795. (1) Em sua memória, existe na toponímia de Macau, 4 vias com o seu nome.

Rua do Gamboa 夜 姆() (2) 街 – começa na Rua da Alfândega, em frente da Calçada do Gamboa e termina na Rua das Lorchas, entre os prédios n.º 25 e 27. Tem um arco alpedrado junto da Travessa da Louça. (1) 夜 姆 () mandarim pīnyīn: yè mǔ  jiē ; cantonense jyutping: je6 mou5 gaai1

Travessa do Gamboa夜姆() (2) 巷 – começa na Rua do Gamboa ao lado do prédio n.º 3, e termina na Travessa das Virtudes. (1) 夜姆巷- mandarim pīnyīn: yè mǔ hàng; cantonense jyutping: je6 mou5 hong6

Calçada do Gamboa夜姆() (2) 斜巷 – começa no cimo da Calçada do Tronco Velho, junto do Largo de Santo Agostinho, e termina na Rua da Alfândega, em frente da Rua do Gamboa. (1) 夜姆斜巷- mandarim pīnyīn: yè mǔ xié hàng; cantonense jyutping: je6 mou5 je3 hong6

Beco do Gamboa – 夜姆() (2)  里. Também conhecida como 深巷仔. 夜姆里 – mandarim pīnyīn: yè mǔ lǐ; cantonense jyutping: je6 mou5 lei5. 深巷仔mandarim pīnyīn: shēn hàng zǐ; cantonense jyutping: sam1 hong6 zai2

(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume II, 1997, pp.291-292.

(2) Questionei o meu amigo Manuel Basílio sobre a grafia chinesa desta rua e com a sua autorização da qual muito agradeço, publico o texto e os anexos que me enviou:

“Boa pergunta.  Este topónimo, em chinês, apesar de me ter dado muitas voltas à cabeça, acabei por chegar a uma conclusão, que me parece ser mais lógica. Como bem sabe, os topónimos em chinês não estavam fixados, nem inscritos em qualquer relação ou cadastro das vias públicas do século XIX, oficialmente publicados.  Naquela altura, certos topónimos em chinês variavam consoante o tradutor e até o próprio Pedro Nolasco da Silva, ora utilizava um caracter, ora outro, em traduções que fazia ou aprovava para publicação no B.O., e um dos exemplos é relativamente à Rua e à igreja de Santo António.

No caso da Rua do Gamboa, o registo oficial mais antigo que encontrei, em chinês, foi o que consta do Cadastro das Vias Públicas Macau do ano de 1905, em que está registado 夜母街  (yé, noite; mou, mãe; e kái, rua).  Mais tarde, no Cadastro de 1925, aparece então registado 夜呣街  (com o caracter  , formado por  mou, com o radical  hâu, boca).  O radical 口hâu, em caracteres chineses, é uma característica do dialecto cantonense, devido aos seus sons específicos, quando falado. No entanto, nos Anuários de Macau, em vez de mou ou , utilizaram um outro caracter –  mou  (mulher que cria ou cuida um filho de outrem, isto é, ama seca), tendo repetido a mesma chapa em todas as edições subsequentes até 1957.  Dado que os residentes chineses, desde longa data, chamavam àquela via 夜呣街  (Yé Mó Kái), portanto, com a publicação do Cadastro das Vias Públicas e Outros Lugares da Cidade de Macau, de 1957, fixou-se finalmente “Yé Mó Kai” para a designação, em chinês, da Rua do Gamboa (o mesmo caracter usado no Cadastro de 1925).  O termo “Yé Mó” é, sem dúvida, o que faz mais sentido, visto que naqueles tempos havia em Macau vadios e refugiados, sobretudo, no período da Rebelião Taiping  (1851-1864), conhecidos pelo nome de “lanchaes” (lán châi), que aqui não conseguiam trabalho e meios de subsistência e, por isso, praticavam roubos pela cidade e a Rua do Gamboa era um dos alvos, por ser uma via principal.  O topónimo 夜呣  (Yé Mó) deveria ter sido derivado do termo homófono 夜摩  (Yé Mó), que significa gatuno, conforme registado no Dicionário Chinês-Português, editado pelo Governo da Província no ano de 1962, sendo autores A. Melo, Pe. Ngan e Pe. Hó.  Infelizmente, em Macau, continua a haver designações em chinês cujos caracteres estão incorrectamente escritos, casos como a de “Tap Seac”, “Lou Seac T’óng” (antiga Rua do Mastro, hoje Rua Camilo Pessanha), etc., muitas vezes por culpa dos tradutores daqueles tempos e que, até agora, continuam sem a devida rectificação.  Macao sã assi! “

CADASTRO 1905
CADASTRO 1925

Aconselho a leitura de Manuel Basílio: “Uma rua em Macau com estranha denominação em chinês” disponível em: https://cronicasmacaenses.com/2020/02/12/rua-do-gamboa-uma-rua-em-macau-com-estranha-denominacao-em-chines/.

Extraído de «O Procurador dos Macaistas», I-35 de 31 de Outubro de 1844 5.ª feira

Continuação da reportagem já postada em anos anteriores (1) (2) de Adam M´Cay publicado no jornal “The Sun”. (3)  

The Sun, Vol. VI, Issue 1774, 21 October 1919», p. 6.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/10/21/noticia-de-21-de-outubro-de-1919-imperial-portugal-colony-of-macao-i/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/10/21/noticia-de-21-de-outubro-de-1919-imperial-portugal-colony-of-macao-ii/

(3) M´CAY, Adam – “The Sun”, Vol. VI, Issue 1774, 21 October 1919, p. 6

Templo de Lin Fong (foto do autor: 2015)

No dia 3 de Setembro de 1839, reinado de Daoguang, o comissário Imperial Lin Zexu (1) acompanhado por Deng Tingzhen, (que era nesse ano Vice-Rei de Liangguang – Guangdong e Guangxi), que chegaram a Cantão em Março desse ano, vieram da Casa Branca/Qianshan (2) para Macau, acompanhados por centenas de soldados, através da Porta do Cerco. À espera do Comissário Imperial Lin Zexu estavam o Procurador José Baptista de Miranda e Lima, com o grau de mandarim outorgado pelo Imperador Wan-Li (1573-1620) (e não, o então Governador Adrião Acácio da Silveira Pinto – 1837-1843) e uma guarnição de cem soldados alinhados ao longo dos dois lados da rua e três bandas de música.

Lin Zexu declarou a Miranda e Lima a proibição do armazenamento e comércio de ópio dentro da cidade e se fosse encontrado algum estrangeiro com essa substância, deveriam reportar às autoridades chinesas e prenderem-no. Em nome de Macau, o Procurador concordou e prometeu cooperar com o Governo do Império Celeste, aceitando ficarem os portugueses neutrais no conflito sino-britânico e não permitir às forças invasoras inglesas usarem como base Macau durante o conflito.

Lin Zexu e o Vice-Rei de Liangguang, Deng Tingzhen apenas ficaram umas horas em Macau, pois ao meio-dia desse dia o Comissário retornou para Casa Branca/Qianshan, sendo acompanhado pelos portugueses até à Porta do Cerco.

Estátua de Lin Zexu no Templo de Lin Fong (foto do autor: 2015)

Em Macau, existe um Memorial no Templo de Lin Fong fundado em 1997 e uma Fundação Lin Zexu, criada em 1998, para promover e estudo da sua actuação nas guerras de ópio e sua relação com o território (3)

https://en.wikipedia.org/wiki/Lin_Zexu

(1) Lin Zexu (1785-1850) (Lin Tse-hsü; Yuanfu) , comissário imperial da dinastia Qing, vice-Rei de Liangguang (Guangdong e Guangxi) no ano de 1840, sucedendo a Deng Tingzhen vice-Rei de 1836 a 1839), governador geral, conhecido pelor seu papel na Primeira Guerra do Ópio de 1839–42. O Imperador Daoguang apoiou as políticas de linha dura defendidas por Lin, mas depois culpou-o pela guerra desastrosa para a China.

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/qianshan-casa-branca/

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 87)

Sobre este assunto aconselho leitura de José Simões Morais em: https://hojemacau.com.mo/2016/05/02/lin-zexu-visita-macau/

Notícia de 5 de Abril de 1838, o chinês Kuo-si-ping, apanhado m flagrante delito de venda de ópio, “é enforcado em Macau por ordem dos mandarins …”

Extraído de« BPMT», XIII-14 de 8 de Abril de 1867, p. 78

O jornal «The Canton Register» de 1939, sobre os acontecimentos ocorridos em 1838, relata o mesmo episódio mas datando-o de 7 de Abril

Extraído de «TSYK»,  III-22 de 1 de Março de 1866, p. 96.

NOTA 1: O 2.º tenente da armada (cavaleiro da Torre e Espada) António José Caminha era, nesse ano, o comandante da Lorcha Amazona.

NOTA 2: Ilha de Machau – 孖洲, está localizada a sul da Ilha de Lantau, pertencendo ao  denominado “Soko Islands”, administrada pela R.A.E. de Hong Kong e  é inabitada.

Pormenor de mapa de Hong Kong, retirada de http://www.chinatouradvisors.com/maps/Hong-Kong-Lantau-Island-Map.

Notícia da noite de 25 para 26 de Outubro de 1872, publicada na «Gazeta de Macau e Timor» (1)

“PIRATAS – Na noite de 25 para 26, foi assaltada pelos piratas uma botica de opo cozido na ilha da Lapa; roubaram opio e outros objectos no valor aproximadamente de $400. Accudiu aos gritos de socorro, uma força de escuna Príncipe D. Carlos, commandada pelo zeloso guarda marinha Fonseca Regala, a qual não conseguiu prender os piratas, pois que, como é costume entre os chinas, os gritos de socorro são dados, sempre depois da retirada d´aquelles.”

(1) «Gazeta de Macau e Timor», I-6 de 29 de Outubro de 1872, p. 3

Leitura das páginas 523 e 524 referente a “Macau” do livro de 1843, de Philip Alexander Prince “Parallel History: Being an Outline of the History and Biography of the World”, 3.º Volume dedicado à “Modern History, from the outbreak of the french revolution to the presente day” (1)
CAPA – edição de 2018

(1) PRINCE, Philip Alexander – Parallel History: Being an Outline of the History and Biography of the World, Contemporaneous Arranged, Volume 3 (Modern History, from the outbreak of the french revolution to the presente day), 2nd edition, London, Whittaker & Co, Ave Maria LA. 1843, 776 p.
https://books.google.pt/books?id=FnJCAAAAIAAJ&pg=PA458&lpg=PA458&dq=Philip+Alexander+Prince+1843&source=bl&ots=VpEGrp6pzT&sig=ACfU3U2Z4nXgA9kUMBqVdr_f2LaNBVp1Xw&hl=pt-

Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», II- 21, de 10 de Fevereiro de 1874.

O episódio referido, assalto e roubo do ópio na Praia Grande, foi a 9 de Setembro de 1873 e relatado no mesmo jornal em 14 de Outubro.

Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», II- 4, de 14 de Outubro de 1873

O suplemento Ilustrado do jornal «Notícias de Macau», de 23 de Dezembro de 1972, documenta a homenagem promovida no dia 18 de Novembro, no jardim da Flora, em memória de Alfredo Augusto d’Almeida, (1) cidadão macaense que, sempre comum perfil modesto, tanto pugnou pela preservação do património histórico, cultural da sua terra, com especial carinho pela flora e aspectos paisagísticos. Foi descerrado um busto deste dedicado funcionário do Leal Senado, esculpido por Oseo Acconci.” (2)
O busto colocado no corredor central do Jardim da Flora, moldado em gesso em 1971, tem uma inscrição em português e chinês

A
ALFREDO AUGUSTO DE ALMEIDA QUE EM VIDA
TANTO AMOR DEDICOU A ESTE JARDIM
1898-1971

(1) Alfredo Augusto de Almeida (21 de Janeiro de 1898 – 13 de Novembro de 1971) –Autodidacta,naturalista e botanista amador, funcionário municipal e público por muitos anos, trabalhou no Serviço de  Obras Públicas e ao serviço do Leal Senado, renovou e transformou o espaço verde do Jardim da Flora, introduzindo novas espécies de flores, árvores de fruto e até uma pequena fauna.
Foi devido ao seu interesse e entusiasmo pelas plantas e jardins que planeou muitos espaços públicos de Macau. Preservou e recuperou muitas pedras que tinham alguma ligação histórica à cidade que estavam para destruição mormente aqueles que foram sujeitos ao vandalismo no período «1-2-3» de 1966, preservadas nas paredes do Leal Senado e na Fortaleza do Monte.
Era Tetraneto do Primeiro Barão de Porto Alegre, Januário Agostinho de Almeida (1759 -1825), um dos comerciantes de ópio mais ricos de Macau nos inícios do século XIX.
Segundo o que refere Jorge Forjaz (3) «Alfredo Augusto de Almeida não herdou a fortuna dos seus antepassados e, por isso, foi toda a vida um humilde funcionário público e municipal. Mas herdou as suas virtudes, a sua grandeza de alma e um nobre coração.
Filho de Macau, da mais ilustre aristocracia macaense, este homem foi sempre leal e honesto, nobre e respeitador no trato social e amigo da sua terra como poucos. Os jardins de Macau devem-lhe muito e o da Flora deve-lhe quase tudo, inclusivamente a classificação científica de todas as plantas e animais que lá existiam.
O Museu Arqueológico da Fortaleza do Monte foi ele que o salvou, foi ele que o colocou ali.
Era um self made man, lia e consultava as autoridades em botânica e na arqueologia; por isso o Prof. Williams, de St. Francis Xavier College, perito em botânica, nunca vinha a Macau que não fosse a sua casa; o mesmo fez sempre o brigadeiro e historiador Sir Lindsay Ride, que tinha por ele o maior apreço; o então Governador Jaime Silvério Marques (1959-1962) correspondia-se frequentemente com este funcionário, a quem tanto apreciara e elogiara durante o seu Governo de Macau.
Em 1935, ele reconstruiu o jardim da Igreja de S. Lourenço, sob as indicações da Srª D. Laura Lobato.
Oseo Acconci, que tanto o estimava, moldou o seu busto, um mês antes da sua morte.». (3)
(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 5, 1998
(3) FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses , Volume I, 1996
Outra bibliografia consultada:
RIDE, Lindsay; RIDE, May; WORDIE, Jason –  The Voices of Macao Stones,1999.
ARAÚJO, Amadeu Gomes de – Diálogos em Bronze, Memórias de Macau, 2001-