Archives for posts with tag: Incêndios

Na tarde do dia 29 de Julho de 1875, pelas 17H00, deflagrou um incêndio numa casa situada na Rua da Cadeia Pública. (1) Foi debelado com a ajuda dos elementos militares (Força Naval e Batalhão de Infanteria) e do Corpo da Polícia de mar e terra.

Extraído de «BPMT», XXI-n.º31 de 31 de Julho de 1875, p. 134

(1) O Leal Senado mudou o nome da «Rua da Cadeia» para «Rua Dr. Soares», em memória dos serviços prestados no território do Dr. José Caetano Soares. A rua começa na Rua dos Cules, entre a Calçada do Tronco Velho e o Beco da Cadeia, e termina na Avenida Almeida Ribeiro, ao lado do edifício dos Paços do Concelho. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-da-cadeia-rua-do-dr-soares/

Anteriores referências ao capitão e inspector interino dos incêndios, Frederico Guilherme Freire Corte Real, ver em; https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/frederico-g-freire-corte-real/

Extraído de «B.G.P.M.T.S.», 1 de Julho de 1854, p. 130

“Que de hoje em diante o signal de alarme geral ou rebate passará a ser de três tiros de peça disparada pelo Forte de S. Pedro com intervalo de 10 segundos, e repetido pela Fortaleza do Monte, em lugar de um tiro e um foguete, como estava determinado em o & 4.º da ordem do dia N.º 17 de 15 de Maio de 1851”

O Código de sinais indicativos de tufão do Observatório Meteorológico de Macau foi actualizado  em 6 de Agosto de 1920 (MO/AH/AC/SA/01/08094). Para o caso dos incêndios, a 1 de Fevereiro de 1923, deixou-se de ser dados  sinais com tiros de artilharia para aviso de incêndios (embora mais tarde, em 1926, fosse restabelecido este aviso)

Extraído de «BOGPM», n.º 8 de 20 de Fevereiro de 1926, p. 121

Comparando com os mesmos sinais de 1966 – postagem de 18-04-2012 (1) – os sinais procedidos de dois tiros de peça dados da mesma fortaleza, em 1926, passaram a ser procedidos de toques de sereia, em 1966, e os sinais nocturnos assinalados pelas disposições de uma a três “bolas” (em 1926) passaram a ser sinalizados pela disposição vertical, por lâmpadas de cores (combinação de amarelo e vermelho).

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/04/18/sinais-de-incendio-na-fortaleza-do-monte/

Extraído de «BPMT»,  XIV-2 de 13 de Janeiro de 1868, p. 6

NOTA: Bernardino de Senna Fernandes era, nessa data, major e inspector de incêndios

Extraído de «BPMT»,  XIV-2 de 13 de Janeiro de 1868, p. 6
Extraído de «BPMT», XIV-2 de 13 de Janeiro p. 8
Extraído de «B.G.M», X-52 de 26 de Dezembro de 1864, p. 206

Incêndio dum barco com palha encalhado na praia de Mong Há, sinal de fogo no Patane por aviso da Fortaleza do Monte, na madrugada do dia 11 de Novembro de 1863. O fogo ainda se propagou a duas outras embarcações mas a polícia daquele distrito conseguiu extinguir o fogo.

Extraído de «BGM» IX-50 de 16-11-1863, p. 202

No dia 5 de Novembro de 1834, um violento incêndio destruiu 500 moradias. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954 e SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Volume 3, 1995 e Volume II, 2015)

Nas efemérides publicadas em 1908 no «The Directory & Chronicle for China, Japan…», periódico editado anualmente em Hong Kong, menciona este incêndio “Great Fire in Macao…”, datando-o a 12 de Novembro de 1834. A. Marques Pereira não menciona este acontecimento nas suas “Ephemerides Commemorativas da História de Macau”

Relembro que o Serviço de Incêndios de Macau, de modo informal existe desde 1851 e só em 2 de Maio de 1883 foi criado o primeiro «Regulamento dos Serviços de Incêndio de Macau» Até esta data, os incêndios eram debelados pelos próprios moradores, bem como pelo pessoal das fábricas e das lojas. O «Regulamento dos Serviços de Incêndio», publicado no Boletim Oficial de 10 de Agosto de 1883, conferiu ao serviço um carácter oficial, regular e organizado: constituído por um efetivo de 60 pessoas, instalados no antigo Convento de S. Domingos. Em 1914, passou a integrar a Direção das Obras Públicas. No ano seguinte, há lugar a nova reorganização e os serviços de incêndio passam a ser coordenados pelo Major de Infantaria, João Carlos Craveiro Lopes. Em 1916, já existiam três estações em Macau. A Taipa e Coloane tinham também os seus próprios postos de incêndio.(FARIA, Alice Santiago – Corpo de Bombeiros https://hpip.org/pt/heritage/details/2238

Ver anteriores postagens sobre incêndios em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/incendios/

Extraído de «BGM», IX- 42 de 21 de Setembro de 1863, p. 172

A Rua da Barca começa na Estrada de Adolfo Loureiro junto da Rua de Francisco Xavier Pereira e termina na Rua de João de Araújo, em frente da Rua da Pedra.

Luís Gonzaga Gomes escreveu em 18-05-1942 (1) o seguinte:   “Mas qual será a origem toponímica desta extravagante nomenclatura em sítio onde não existem vestígios de ponte (Travessa da Ponte Nova) ou de barcas (Rua da Barca). A necessidade de conquistar o terreno por meio de expropriações e de aterros, para construção de novas e espaçosas vias, e o consequente aformoseamento da cidade fizeram desparecer o que havia de mais pitoresco em certos lugares tipicamente chineses cuja existência é, no entanto, ainda recordada nos nomes por que são designadas certas ruas. Ora, uma das áreas consideradas das mais perigosas para a saúde da população da cidade era a que ficava em volta do Templo de Lin K´ai. (蓮溪廟). (2) É ela conhecida pelo nome de Sân- K´iu  (新桥) que significa – Ponte Nova – e um das ruas que serve esta zona é denominada Tôu- Sun-Kái, (渡船街) isto é, a Rua dos Tôu, ou das Barcas.

Se pudéssemos voltar algumas dezenas de anos atrás, isto é, antes da drenagem e do aterro desta zona, teríamos visto na realidade uma ponte de pedra, colocada entre as actuais ruas de João de Araújo e da Pedra. Esta última, chamava-se assim porque era ali que vivia um grupo de operários chineses dos mais pobres, cujo mister consistia no trabalho de lapidação de blocos de granito, utilizados em obras de cantaria ou na de pavimentação de lajeados. Quanto à ponte, foi esta primitivamente construída com bambus, mas como este material se deteriorava, obrigando a constantes reparações, substituíram-na mais tarde, por uma de pedra, custeada a expensas dos moradores do referido bairro. A ponte era imprescindível porque sem ela não lhes seria possível ir até ao Templo de Lin- K´âi venerar as divindades da sua devoção, visto o local onde se encontravam edificada tal casa de culto estar separada da outra margem por um riachozinho. (Regato de lótus)

Esta derivação do braço do delta que banha o Porto Interior, entrava na zona de Sân- k´iu nas alturas do edifício onde funcionou o Cinema U-Lók (娛樂) e, serpeando até ao templo onde formava um largo charco, seguia depois em direcção à antiga aldeia de Mong Há, através das ruas da Barca e da Ressurreição, para ir ligar – se outra vez ao delta, depois de ter regado com as suas barrentas águas a entrada do convento budista de P´ôu Tchâi-Sim-Un (普濟禪院) .(3)

Como a ponte não bastasse para o grande movimento das pessoas que por ela diariamente transitavam, muitos moradores deste bairro, para entrar na cidade, tinham de fazer a travessia do riacho em tán-ká (tancá) que nesse tempo costumavam varar em grande número nas duas margens. Ora, nessa época as estâncias de madeira e os estaleiros chineses estavam também instalados nesse local e, como ainda não existiam barcos a vapor, foi esse o período da sua maior prosperidade. Por isso, inúmeros tôu da navegação costeira entravam constantemente nesses estaleiros a fim de sofrerem as beneficiações de que careciam para o prosseguimento das suas viagens. Os chineses passaram então a chamar Tôu-Sun-Kái à rua que servia esses estabelecimentos e este nome passou para o português na sua tradução da Rua da Barca.” (1)

(1) GOMES, Luís Gonzaga – Curiosidades de Macau Antigo. ICM, 1996, ISBN-972-35-0220-8, pp. 41/42

(2) Templo Lin Kai  (蓮溪廟), na Travessa da Corda n.ºs 25-31 está  situado ao lado do Cinema Alegria do Bairro San Kio. Antigamente, havia um riacho chamado Lin Kai (Regato Lótus) que passava por Bairro San Kio. O templo foi fundado à margem direita do riacho, sendo denominado Templo Lin Kai. Este templo foi construído em 1830 e, mais tarde, os habitantes locais reuniram fundos para reconstruí-lo e ampliá-lo, o que aconteceu entre 1875-1908. Desde então o templo tem sido conhecido por “Templo Novo de Lin Kai” e é dedicado a 15 Deuses e deusas. Ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-de-lin-kai/

(3) Templo de Pou Chai Sim Un (普濟禪院), também conhecido por “Templo de Kun Iam Tong”, na Avenida Coronel Mesquita. Ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/26/postais-macau-artistico-vi/

Warren Delano Jr. (13 de Julho de 1809 – 17 de Janeiro de 1898) – comerciante americano, nascido em New Bedford, Massachusetts, da família “Delano” muito conhecida nos EUA (é avô materno do presidente dos EUA, Franklin Delano Roosevelt) Aos 24 anos (1833) foi para a China, para trabalhar na “Russell & Company “ , empresa pioneira no comércio com a China. Ao longo da sua estadia, Warren Delano Jr. fez uma grande fortuna comercializando ópio em Cantão (Guangzhou). Na China viveu em Cantão, e com a família em Macau. Casou no dia 1 de Novembro de 1843, com Catherine Robbins Lyman (1825 –1896). Tiveram 11 filhos dos quais os dois primeiros nasceram em Macau: a filha Susan Maria Delano (13-10-1844-29-06-1846) que faleceu em Macau com apenas 18 meses (transladada para o cemitério de Fairhaven, Massachusetts/EUA) e a 2.ª filha, Louisa Church Delano (Macau 04-06-1846 – Newburgh NY/EUA 26-05-1869). Warren Delano Jr. com a família regressou aos EUA em 1846/47. (1) (2) (3)

Extraído de «O Procurador dos Macaístas», II-7 de 17 de Abril de 1845

(1) Warren Delano Jr. era o filho mais velho do capitão Warren Delano e de Deborah Perry Church Delano. Após a morte de sua mãe em 1827, seu pai, Warren Delano que trabalhava no comércio marítimo da Nova Inglaterra, casou com Elizabeth Adams, uma viúva do capitão Parker da Marinha dos Estados Unidos. Estudou na Academia Fairhaven aos 15 anos e aos 17 anos, tornou-se comerciante no sector de importação. Aos 24 anos (1833) foi para a China (Cantão/Guangzhou) para trabalhar na “Russell & Company”, pioneira no comércio do ópio com a China. No início de 1843, Delano Jr. tornou-se sócio-chefe da maior empresa americana que lidava com a China. (2) (4)

A filha Sara e o seu irmão Philippe em 1864 após retorno aos EUA, de Hong Kong, onde viveram três anos.

(2) https://en.wikipedia.org/wiki/Warren_Delano_Jr. https://www.geni.com/people/Capt-Warren-Delano-Jr/6000000001637221067 https://www.geni.com/photo/view/6000000001637221067?album

A família Delano em um retrato de família em Algonac, 1889

(3) Regressou aos EUA em 1846/47, contudo Warren Delano Jr. perdeu grande parte de sua fortuna na crise de 1857 (pânico financeiro nos Estados Unidos). Em 1860, ele voltou à China, mas desta vez foi para Hong Kong, onde consegui reconstruir a sua fortuna. Durante a Guerra Civil dos EUA, Delano Jr. forneceu ópio ao Departamento Médico do Departamento de Guerra dos EUA (1861 a 1865)

(4) John Perkins Cushing – também sócio da “Russell & Company “- precedeu Warren Delano Jr. e iniciou um relacionamento próximo com uma autoridade chinesa chamada Howqua. (5) Os dois haviam estabelecido uma base “offshore” – um armazém flutuante ancorado – onde os navios da “Russell & Company” descarregavam seu contrabando de ópio antes de continuarem o Delta do Rio das Pérolas até Cantão com sua carga legal.

Howqua, 1830. Retrato de George Chinnery

(5) Wu Bingjian – 伍秉鑑 (1769 – 1843), conhecido como “Houqua” ou “Howqua”, (浩官” – pīnyīn: hào guān; cantonense:  hou5 gun1 – nome com o qual comerciava) foi o mais importante e próspero comerciante dos negócios  “Hong” (comerciantes chineses intermediários em Cantão/Guangzhou), fundado pelo seu pai, Wu Guorong. Howqua era o mais importante comerciante em Cantão,um dos poucos autorizados a negociar seda e porcelana com os estrangeiros Foi considerado o mais rico do mundo nessa época, quando o negócio era entre a China e o Império britânico (século XIX – 1.ª guerra do Ópio). Dos 3 milhões de dólares de compensação exigidos pelos ingleses no Tratado de Nanjing (1842),  Howqua contribuiu sózinho com 1 milhão. Faleceu no ano seguinte. https://en.wikipedia.org/wiki/Howqua