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Em 7 de Dezembro de 1836, o Governo Português, pela pasta de Marinha e Ultramar, decretou que nas províncias ultramarinas se imprimisse um Boletim, cuja redacção ficasse a cargo do secretário do governo. Dois anos mais tarde, cumpria-se em Macau esta determinação, aparecendo em 5 de Setembro de 1838 o Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor, sendo impresso na Tipografia Macaense, oficina do Dr. Samuel Wells Williams (1). Segundo o mesmo Decreto de 7 de Dezembro de 1836, art. 13.º, o Boletim destinava-se ao aparecimento das ordens, peças oficiais e de tudo o mais que fosse de interesse público; a portaria circular de 14 de Fevereiro de 1855 determinava que nesse se publicassem os documentos mais importantes existentes nos respectivos arquivos. (2) Suspendeu-se a publicação após cinco números, reaparecendo no ano seguinte em 8 de Janeiro de 1840, e continuando (com algumas interrupções) até hoje, assumindo posteriormente diversos outros nomes similares:
O Boletim do Governo da Província de Macau, Timor e Solor (5 de Setembro de 1838);
Boletim do Governo de Macau;
Boletim do Governo da Província de Macau e Timor;
Boletim do Governo de Macau e Timor;
Boletim da Província de Macau e Timor;
Boletim Oficial do Governo da Província de Macau e Timor;
Boletim Oficial do Governo da Província de Macau (2 de Janeiro de 1897)
Boletim Oficial da Colónia de Macau (7 de Janeiro de 1928)
Boletim Oficial de Macau. (7 de Julho de 1951)
(1) Esta tipografia pertencia ao Dr. Samuel Wells Williams, mas figurava como gerente Manuel Maria Dias Pegado para cumprir as formalidades da lei.
O Dr. Samuel Wells Williams (1812-1884) missionário protestante, linguista e sinologista americano (autor de livros e dicionários inglês- chinês e chinês-inglês e um dos primeiros dedicados ao dialecto cantonense em 1856; primeiro professor nos Estados Unidos da literatura e língua chinesa em 1877) (3)  foi editor de 1848 a 1851, da excelente revista «Chinese Repository» que principiou a publicar-se em Cantão e depois de 1842 até 1844, a revista (volumes XI e XII) foi editada em Macau, com excepção do número correspondente a Dezembro de 1844, por esta revista ter passado a ser impressa em Hong Kong. (4)
Manuel Maria Dias Pegado (1805 – ? ) fundou três jornais em Macau: o semanário «Gazeta de Macao» cujo primeiro número saiu a 17 de Janeiro de 1839 e terminou a 29 de Agosto de 1839, após 32 números; «O Portuguez na China» em 2-09-1839 (durou até 04-05-1843); o «Procurador dos Macaistas» em 06-03-1844 (até 22-09-1845) . É irmão de Guilherme José António Dias Pegado, (1803-1885) professor de Matemática na  Universidade de Coimbra, professor de Física da Escola Politécnica e deputado às Cortes em sucessivas legislatura a começar em 1834,  pelo círculo de Macau)
(2) Retirado de «Breve História do Boletim Oficial» em:
http://bo.io.gov.mo/galeria/pt/histio/boletim.asp
(3) Dois dos livros publicados em Macau
WIILIAMS, S. Wells – Easy lessons in Chinese: or progressive exercises to facilitate the study of that language specially adapted to the Canton Dialect . Macau, printed at the office of The Chinese Repository, 1842, 282 p.
Disponível para leitura em
https://books.google.pt/books?id=djnPbjYGHFIC&printsec=frontcover&source=gbs_ge_summary_r&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false
WIILIAMS, S. Wells – An English and Chinese Vocabulary in the Court Dialect.  Macau, printed at the office of The Chinese Repository, 1844, 440 p.
Disponível para leitura em:
https://books.google.pt/books?id=RQOSGIumLUQC&printsec=frontcover&source=gbs_ge_summary_r&redir_esc=y#v=onepage&q&f=false
(4) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/the-chinese-repository/

Foi em Junho de 1831 que surgiu o primeiro número do jornal publicado da Companhia Inglesa das Índias – “The Canton Miscellany” – que tinha tipografia em Macau. Publicação mensal e de índole literária, tinha como responsáveis John F. Davis (1795-1890) e C. Marjoribanks (1) (director do «East India Company») conservando-se apenas até Maio de 1832.

The Canton Miscellany N.º 1Canton Miscellany N.º 1 (1831) (2)

Contém muitas informações (do ponto de vista dos ingleses) sobre os portugueses na sua relação com a China (no N.º 3) e sobre Macau, sua história, e a evolução do seu comércio com os países asiáticos (nos N.ºs 4 – 5)

The Canton Miscellany N.º 1 - sumárioSumário do N.º 1

Logo no N.º 1 (2), encontramos  um poema  “The Boatman of Macao” pp. 62 -64. (autor:  John Seaworthy ?)

The Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao IThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao IIThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao IIIThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao IVThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao VThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao VIThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao VIIThe Canton Miscellany N.º 1-The Boatman of Macao VIII

The Canton Miscellany N.º 4- sumárioSumário do N.º 4
The Canton Miscellany N.º 5- sumárioSumário do N.º 5

Muitos dos artigos sobre a história de Macau é da autoria do sueco Andrew Ljungstedt pois foi neste periódico que publicou os primeiros passos do que viria a ser o seu livro, publicado em Macau (1832). Os artigos, numa feição mais ampla, foram ainda e depois publicados em «The Chinese Repository,» (3) em seguida deram origem a uma separata (1834) em Cantão e, finalmente, à edição, de novo em livro, em Boston (1836), com o título de «An Historical Sketch of the Portuguese Settlement in China, ando f the Roman Catholic Church and Missions in China». (4) O jornal «Echo Macaense» editou em português esta obra, de 1893 a 1896. Tem-se como maior valor deste livro a circunstância do autor se ter podido servir de documentos do arquivo municipal, entretanto desaparecidos. Parte do texto, referente à «Igreja Católica Romana em Macau» encontra-se em versão portuguesa na Academia das Ciências de Lisboa (Manuscrito Azul 1506).(5)
(1) Charles Marjoribanks,  iniciou a sua carreira em 1811 como escriturário oficial da “East India Company” em Cantão. Promovido  depois a  “supra-cargo”  chegando a Presidente da “Select Committee in China” em 1831.
“Charles Albany Marjoribanks (1794 – c December 1833) was a Scottish Liberal politician who sat in the House of Commons from 1832 to 1833. Marjoribanks was the son of Sir John Marjoribanks, 1st Baronet, MP and Lord Provost of Edinburgh.[1] As a young man he worked for the East India Company in Macao and, aged 30, he became a freeman of the city of Edinburgh. At the 1832 general election Marjoribanks was elected as the Member of Parliament (MP) for Berwickshire. He held the seat until his death the following year in 1833 at the age of 39.”
https://en.wikipedia.org/wiki/Charles_Albany_Marjoribanks
(2) “The Canton Miscellany”  no. 1-5 (1831)
https://babel.hathitrust.org/cgi/pt?id=nyp.33433010052656;view=1up;seq=9;size=50
The Chinese Repository Vol. 1(3) ” «The Chinese Repository» was a periodical published in Canton between May 1832 and 1851, to inform Protestant missionaries working in Asia about the history and culture of China, of current events, and documents. The Repository, the world’s first major journal of Sinology, was the brainchild of Elijah Coleman Bridgman, the first American Protestant missionary appointed to China. Bridgman served as its editor until he left for Shanghai in 1847, but continued to contribute articles. James Granger Bridgman succeeded him as editor, until September 1848, when Samuel Wells Williams took charge.”
https://en.wikipedia.org/wiki/The_Chinese_Repository
«The Chinese Repository» was a periodical published in Guangzhou [Canton] between 1832 and 1851 for the use of Protestant missionaries working in Southeast Asia.  The founding editor was Elijah Coleman Bridgman (until 1847), from 1848 until 1851, Samuel Wells Williams was the editor.  The periodical was published monthly between May 1832 and December 1851 – and (following BS 2286) there was a second edition of volumes 1-3. Each of the twenty volumes includes a subject index, a general index was published in 1851 (link below refers to 1940 reprint).”
http://www.univie.ac.at/Geschichte/China-Bibliographie/blog/2010/06/19/chinese-repository-1832-1851/”
(4) Ver referência anterior
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/andrew-ljungstedt/
(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.