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Relato sumário das acções realizadas pela Canhoneira “Tejo” desde a saída de Macau no dia 21 de Maio até voltar a 27 de Maio de 1876, período em que esteve, no dia 24 de Maio, em Hong Kong, nos festejos do aniversário natalício da Majestade Britânica (1)

Extraído de «BPMT», XXII – 23 de 3 de Junho de 1876

O primeiro tenente Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, (2) foi nomeado comandante da Canhoneira “Tejo” (3) em despacho de El-Rei de 4 de Março de 1876, em substituição do primeiro tenente da armada Fernando Augusto da Costa Cabral (4)

Extraído de «BPMT», XXII – 24 de 10 de Junho de 1876,

(1) Rainha Vitória (24 de Maio de 1819 – 22 de Janeiro de 1901) do Reino Unido de 1837 até à sua morte

(2) Francisco Joaquim Ferreira do Amaral, (1844 -1923) (reformado com o posto de Almirante), filho do Governador João Maria Ferreira do Amaral, Tinha 5 anos quando o pai foi assassinado, assentou praça na marinha aos 12 anos de idade; em 1855 era aspirante; e em 1861 completou o curso sendo promovido a guarda marinha em Agosto de 1866 e a primeiro-tenente em 1874. Nesse meio tempo, comandou os seguintes navios: «Penha Firme», o couraçado «Vasco da Gama, em que foi à inauguração do canal de Kiel na Alemanha; imediato da corveta «Mindelo», da fragata «D. Fernando» e comandante da corveta «Duque da Palmela». Como comandante do vapor «Tete» participou na expedição à África Oriental, tomando parte em três combates. Governou S. Tomé e Moçâmedes em 1878 e 1879. Em 1882 nomeado governador de Angola e em 1886 governador da Índia. Ministro da Marinha em 1892 e ministro interino dos Negócios estrangeiros em 1898.

Foi comandante da Estação Naval de Macau de 1876 a 1878. Em 1878 levou a Bangkok na canhoneira «Tejo», o Governador de Macau Carlos Eugénio Correia da Silva, que lá foi em missão diplomática. Esta missão regressou a Macau a 20 de Março de 1878. Ferreira do Amaral que não se dava bem com o governador Correia da Silva, (episódio que relatarei em próxima postagem) recusou receber o mandarim da Província de Cantão que vinha a Macau, em Julho de 1878, pois não podia suportar a afronta à memória do pai. Na véspera entregou o Comando da canhoneira ao oficial imediato e foi para o Hong Kong. O governador vingou-se, pedindo a sua exoneração a El Rei, e Ferreira do Amaral foi exonerado do comando com regresso imediato ao reino. (TEIXEIRA, Mons. Manuel – Marinheiros Ilustres Relacionados com Macau, 1988, pp. 117-118.)

(3) Ver anteriores referências à Canhoneira «Tejo» em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/canhoneira-tejo/

Na Revista “O Occidente”, XIII- n.º 418 de 1 de Agosto de 1890, na página 171 aparece um apontamento quanto à duração da estadia em Macau da canhoneira, na nota de rodapé do artigo “Apontamentos sobre a Marinha de Guerra dos Diversos Países – Marinha de Guerra Portuguesa”::

(4) Fernando Augusto de Costa Cabral (1839-1901), filho de António Bernardo da Costa Cabral, 1.º conde de Tomar e 1.º marquês de Tomar, instaurou o “Cabralismo” em Portugal) )   irmão de António Bernardo da Costa Cabral, 2.º conde de Tomar, foi oficial na marinha, contra-almirante, condecorado com a medalha da Crimeia e cavaleiro da Ordem da Torre e Espada, e foi ajudante de campo do rei D. Carlos. O pai adoeceu gravemente em Nápoles, , em princípios de Setembro de 1885, sendo trzido para Portugal a bordo da corveta Estefânia, então sob o comando do seu filho Fernando Augusto da Costa Cabral. https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Bernardo_da_Costa_Cabrall

Extraído de «BPMT»,  XIV – 21 de 23 de Maio de 1868, p. 97

Anteriores referências a Jerónimo Pereira Leite (1812-1882) que foi ajudante de campo de Governador Ferreira do Amaral e que nesta data era comandante do Corpo da Polícia de Macau. https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jeronimo-pereira-leite/

NOTA: No sítio “GeneallFamília Pereira Leite”, encontrei: “Luís Pereira Leite de Elvas casou em Lisboa com Petronilha Rosa e foram pais, em 1812, do que viria a ser general Jerónimo Pereira Leite, o qual casou com Firmina Smith Gonçalves Serva. Fez a sua carreira militar nos Açores, Goa e finalmente Macau onde foi ajudante às ordens do governador Ferreira do Amaral e Comandante da Polícia de Macau. Foi condecorado com a Ordem da Torre Espada por feitos numa das batalhas do cerco do Porto em 1832, onde foi ferido gravemente. Morreu em Lisboa em 1882. ” .https://geneall.net/pt/forum/46185/familia-pereira-leite-elvas/#a410362

Extraído de «BPMT», XIV-20 de 16 de Maio de 1868
TSYK I-30 de 28 de Abril de 1864,

A autora destes versos será provavelmente, Adelaide Clotilde Gonzaga (1839-1888), 2.ª filha de Guilherme Gonzaga (1) e Maria Bárbara Rangel (2). Professora de língua e literatura portuguesa na Escola do Governo, em S. Lourenço, nomeada em 2 de Janeiro de 1872. Sendo solteira, do seu cunhado 2.º Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo (3) teve uma filha ilegítima, pelo que a criança nasceu no Hospital de S. José de Hong Kong a 16-10-1874 e foi baptizada, Adelaide Irene de Melo, na Catedral de Hong Kong. Parece que a mãe a confiou às madres, pedindo depois licença ao Governo para se ausentar para Lisboa durante um ano, mas nunca mais regressou. Em Lisboa foi professora e directora de uma escola de instrução primária.

O Boletim da Província de Macau e Timor n.º 19 de 06-05-1876 publicou a Portaria n.º 26 do Governador José Maria Lobo de Ávila (de 1874 a 1876) de 4-05-1876, exonerando-a, por abandono do lugar. Para este lugar foi nomeada D. Asteria Coelho dos Santos (4)

Extraído de «BPMT» XXII-nº 19 de 6 de Maio de 1876

(1) Guilherme Gonzaga, nascido na freguesia de S. Lourenço (c. 1810) comerciante em Macau, com negócios de fazendas, retrozarias e tabaco. Em 1844 era secretário da Associação do Montepio Geral de Macau. Casou em S. Lourenço a 22-06- 1836 com Maria Bárbara Rangel. Tiveram 4 filhas.

(2) Maria Bárbara Benedita Rangel (1813-1843), filha de Floriano António Rangel (1778-1843) e Ana Maria Antónia de Jesus Correia de Carvalho (1788-1843). Casou em 2.ª núpcias com Guilherme Gonzaga em 22-06-1836

(3) O 2.º Barão do Cercal, António Alexandrino de Melo (1837-1885) casou com a irmã Guilhermina Pamela Gonzaga (1841-1893), 3.ª filha do casal Guilherme Gonzaga/Maria Bárbara Rangel, na Igreja de S. Lourenço em 08-11-1858. Este casamento foi prejudicado pelas relações que o Barão mantinha com sua cunhada Adelaide, de quem viria a ter uma filha.

Informações de: FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volumes I. II e III, 1996 e http://pagfam.geneall.net/1020/pessoas.php?id=1072074

(4) 31-05-1876 – BPMT XXII- 26 de 24 de Junho de 1876

Publicado no Boletim Oficial do dia 5 de Abril de 1884, um aviso do Correio de Macau, datado de 4 de Abril.

Extraído de «BPMT», XXX, n.º 14 de 5 de Abril de 1884
Tradução do aviso pelo 1.º interprete Pedro Nolasco da Silva

Ricardo de Sousa, primeiro director do Correio de Macau, aos 34 anos de idade (1867) (1)

No dia 27 de Fevereiro de 1884, foram publicadas Instruções provisórias para o Serviço do Correio de Macau, atendendo a que, como colónia portuguesa, fazia parte da União Postal Universal, conforme Declaração assinada em Paris a 1 de Junho de 1878, mas também devido a que, 5 anos decorridos, Macau ainda não entrara de facto na União por não haver estabelecido convenientemente a respectiva Repartição Postal. (1)

 A correspondência do serviço de Correio entre Macau e a Taipa/Coloane, passaria a ser transportada diariamente excepto em dias santificados, na lancha da carreira, numa caixa com duas chaves, uma na mão do Director dos Correios de Macau, outra na do Administrador da Taipa. O serviço dos Correios ficava no edifício inicialmente destinado a Hospital, que servia de Quartel na Taipa. (1) (2) (3)

(1) “1-03-1884 – Com um Director (Ricardo de Sousa) e três carteiros, foi o Correio Marítimo transformado, nesta data, em Repartição do Correio que viria a ser instalada, pouco depois em edifício próprio, à Praia Grande. Os selos que se encontravam em Macau desde 1878, entraram agora em circulação e passaram a ser obliterados pelo carimbo pré-adesivo” SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995  

(2) Ver anterior referência neste blogue em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/01/%EF%BB%BFnoticia-de-1-de-marco-de-1884-correios-de-macau/

(3) Disponível para leitura, uma postagem de Luís Frazão: “Cronologia das emissões tipo “Coroa” de Macau” em http://www.cfportugal.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=120%3Acronologia-das-emissoes-tipo-qcoroaq-de-macau&catid=23%3Aboletim-no-407&Itemid=3

“O Porto Interior é formado por um braço do rio Sikiang. As províncias de Kuang-tung e Kuang-si, ou seja, os dois Kuangs são cortados em três sentidos por três rios – o Sikiang (Rio do Oeste), o Pehkiang (Rio do Norte) e o Chukiang (Rio do Este ou das Pérolas –Rio de Cantão)

O Sikiang e Pehkiang fundem-se num só ao chegarem a Sam-chui; é este que, com o nome de Sikiang, vai descendo numa linha tortuosa, recebendo afluentes e ramificando-se em numerosos braços até Mo-to, numa extensão de 57 milhas. Percorre ainda aproximadamente 9 milhas até ao Broadway, desviando-se para Macau pelo canal de Malau Chau; é um braço desse rio que forma o Porto Interior de Macau que mede duas milhas de comprimento da entrada da Barra até à Ilha Verde, medindo na sua maior largura uma milha e um quarto e meia milha na menor. A leste, Macau é limitado pelas águas do delta do rio Chu Kiang” (1)

24-02-1868 – Em Macau, nesta data, o aterro do rio, para o lado da Barra, achava-se já unido ao aterro do Pagode chinez, de modo que as povoações da Barra e Patane ficaram em comunicação pela estrada marginal (2). Miguel Aires da Silva concessionário das obras do cais e aterro, foi o homem que se abalançou à terragem da marginal do Porto Interior, ficando as obras concluídas em 4 de Março de 1881. (1)

(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Volume I, 1997.

(2) «Boletim da Província de Macau e Timor», XIV-8 de 24-02-1868.

Surgiram duas notícias, uma a 22 de Março (1) e outra a 27 de Março (2), do ano de 1869, referente ao mesmo assunto: “modelo do Farol da Guia”, (3) oferecido ao ex-governador de Macau, José Rodrigues Coelho do Amaral (1863-1866) (4) pela comunidade estrangeira de Macau chefiada por H. D. Margesson.

(1) «Boletim da Província de Macau e Timor», XV-12 de 22 de Março de 1869, pp. 70/71

(2) «O Independente» I – 30 de 27 de Março de 1869, p. 263

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/09/24/noticia-24-de-setembro-de-1865-farol-da-guia/

(4) Referências anteriores a este Governador em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-rodrigues-coelho-do-amaral/