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«BGC» XXVI, n.º 295 Janeiro de 1950.

NOTA: O Hotel «Chong Iong» («Chong Iong Tai Chau Tim») era nas décadas de 30 e 40 do século XX um dos hotéis mais frequentados por chineses e ficava na Avenida Almeida Ribeiro n.º 54-60. Terá fechado no princípio da década de 50 (século XX)

Mais dois “slides” digitalizados da colecção “MACAU COLOR SLIDES – KODAK EASTMAN COLOR” comprados na década de 70 (século XX), se não me engano, na Foto PRINCESA.
(1)

Casa Memorial do Dr. Sun Yat-sen – 澳門國父紀念館 (2)

O Dr. Sun Yat-sen não terá vivido nesta casa, (3) mas sim os seus familiares. Conhecida como a “Mansão do Sun”, foi construída em 1912 numa imitação-mistura de traços arquitectónicos do estilo mourisco como residência para sua primeira esposa, (de 1885 a 1915) Lu Muzhen -盧慕貞 (1867-1952) que aí viveu desde 1913 com suas duas filhas, Sun Yan (孙延), Sun Wan (孙) e seu filho Sun Ke. Morou em Macau por 40 anos, falecendo aos 85 anos (1952).
A casa foi reconstruída em 1931 por ter sido muito danificada pela explosão do paiol da Flora. (3)
A casa, hoje museu, é um edifício alto de três andares com varandas ornamentadas e pátios espaçosos, localizado na Rua Silva Mendes, n.º1. Existe uma estátua de bronze do Dr. Sun Yat-sen na área exterior Casa Memorial.
O Mercado Municipal Almirante Lacerda, mais conhecido por Mercado Vermelho, (4) que ficou pronto em junho de 1936 (5) situa-se do lado oriental da Avenida Almirante Lacerda. É uma estrutura de três pisos em forma de paralelepípedo. Tem um espaçoso piso térreo e o 1.º piso possuem bancas fixas, vendendo os mais diversos produtos frescos ao passo que o 2-º piso é constituído por uma torre central. Quando se construiu o Mercado, a área a noroeste da Avenida era uma vasta zona de hortas e as zonas adjacentes (Av. Ouvidor Arriaga, Av. de Horta e Costa) eram pouco povoadas, com algumas residências de famílias abastadas ou de altos funcionários coloniais.
Na segunda metade de 1934, a arquitectura foi concebida por Júlio Alberto Basto, o cálculo da estrutura da obra encarregava-se o 3.º conde, Bernardino de Sena Fernandes, e o desenho foi feito por Wong Lam e Tse Shing. A obra da construção do mercado iniciou-se no princípio de 1935 e concluída em Junho de 1936.
(1) https://www.google.com/search?sxsrf=ACYBGNSn7Rmv6jkuR-8RXyab3nyp4y78NQ:1567866434430&q=nenotavaiconta+slides+coloridos+de+Macau
(2) 澳門國父紀念館 – mandarim pīnyīn: Àomén Guófù Jìniànguǎn; cantonense jyutping: ou3 mun4 gwok3 fu6 gei2 nim6 gun2.
Este “slide” é da década de 60 (século XX), antes de 1966, já que a Casa Memorial apresenta-se toda engalanada para as comemorações do dia 10 de Outubro, dis nacional da República da China -中華民國 (Zhōnghuá Mínguó). Esta data deixou de ser comemorada em Macau, após os acontecimentos de 1-2-3 de 1966.
(3) Em 13 de Fevereiro de 1912, Sun Yat-Sen renunciou ao cargo de Presidente provisório da República da China, tendo voltado a Macau em Maio de 1912 (após 17 anos desde que ele visitou o território pela primeira vez) e Junho de 1913. Em Maio de 1912, O Dr. Yat-Sem, acompanhado por sua filha mais velha, Sun Wan, ficou duas noites num pavilhão no Jardim de Lou Lim Ieoc que era o presidente do Hospital Kiang Wu, onde o Dr Sun trabalhara como médico.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/casa-memorial-sun-yat-sen/
(4) Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/mercado-vermelho/
http://www.archives.gov.mo/pt/featured/detail.aspx?id=120
(5) Em Agosto de 1933, a Comissão de Terras concordou com o pedido de concessão de terras apresentado pelo Leal Senado da Câmara relativo ao uso gratuito de um terreno de 1,450 (mil e quatrocentos e cinquenta) metros quadrados, sito na Avenida Almirante Lacerda para construir um mercado.
SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 4, 1997.

Durante as “1.ªS JORNADAS DE DERMATOLOGIA E VENEREOLOGIA DE MACAU” que decorreu nos dias 25 a 28 de Novembro de 1994, (no ano em que decorreram várias reuniões científicas para comemorar os 120 anos do Hospital) no auditório da Escola Técnica do Centro Hospitalar Conde de S. Januário, a Comissão Organizadora dessas jornadas, organizou uma exposição de pinturas de cinco artistas que residiam na altura em Macau.

CAPA

O produto da venda do catálogo e 20% do lucro dos quadros vendidos na exposição destinavam-se à futura Associação dos Doentes com Lupus.

CONTRA-CAPA

Apresento o catálogo da exposição (patrocionador: BCM) de 24 páginas (capa: 24 cm x 24 cm) com o design de Isabel Pyrrait, imprimido na Tipografia Martinho.

1.ª Página

A exposição dos quadros que decorreu no átrio da entrada do Centro Hospitalar Conde de S. Januário, teve a concepção de Isabel Pyrrait e Vicente Bravo.
Os artistas representados foram: Isabel Pyrrait, Joana Ling, Konstantin Bessmertnyi, Kwo Woon e Vicente Bravo.

Um dos quadros exposto de Kwok Woon (1) – O Sonho do Oriente

(1) Kwok Woon – pintor profissional, nascido em Cantão em 1942, em Macau desde 1980 e falecido em 2003,. Membro fundador do “Círculo dos Amigos de Cultura de Macau”
Ver biografia num artigo do pintor Mio Pang Fei, sobre Kwok Woon, disponível em
http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30004/1449
e a propósito de uma exposição póstuma intitulada “Velejar no Sono””, em 2016 onde se apresentou 40 obras/séries deste artista, ver em
https://www.gov.mo/pt/noticias/124067/

Baía da Praia Grande c. 1854, guache de pintor chinês desconhecido
Macau: Praia Grande vista do norte; a baía, a colina da Penha ao longe (à esquerda)

Baía da Praia Grande c. 1855, guache de pintor chinês desconhecido
Macau: Praia Grande vista do sul; a baía, a colina/fortaleza do Monte ao longe (centro) e a colina/fortaleza da Guia ao longe (à direita)
Baía da Praia Grande c. 1870, guache de pintor chinês desconhecido
Macau: Praia Grande vista do norte; a baía, com um barco a vapor com rodas de pás a entrar,  a colina da Penha ao longe (à esquerda) e as árvores da fortaleza de S- Francisco (á direita)

“A Praia Grande” s/ d 1825-1852
George Chinnery (em Macau de 1825-1852)
A baía da Praia Grande com o Fortim de S. Pedro à direita e ao longe, a colina da Penha com a ermida.
“A Praia Grande vista do norte c. 1830
Litografia dum quadro de George Chinnery (em Macau de 1825-1852)
A baía da Praia Grande vista do norte, com o Fortim de S. Pedro à direita e ao longe, a colina da Penha com a ermida.
“A Praia Grande vista do sul” c. 1830
Litografia dum quadro de George Chinnery (em Macau de 1825-1852)
A baía da Praia Grande vista a sul, com o Forte do Monte (ao longe a esquerda), a Igreja e a fortaleza de S. Francisco (à direita)

NOTA: George Chinnery (1774-1852) – nasceu em 1774 em Tipperay, Londres, e faleceu em Macau em 1852. Célebre como pintor de retratos, viveu cerca de 50 anos na Ásia -Índia e Macau (1825-1852). Trabalhou em redor da região do rio da Pérola entre Macau e Cantão (Guangzhou). Até morrer manteve um atelier com muitos aprendizes. Foi mestre do grande retratista chinês Lam Qua. (1) A maior parte dos seus trabalhos eram encomendas destinadas a satisfazer ricos comerciantes. .Foi em Macau que executou um grande número de esboços, desenhos e aguarelas relativos à paisagem e vida quotidiana naquele território.
Anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/george-chinnery/
Quadros/desenhos com este tema “Praia Grande” do pintor George Chinnery já postados anteriormente:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/11/25/noticia-25-de-novembro-de-1974-1-o-dia-de-circulacao-bi-centenario-do-nascimento-de-george-chinnery-1774-1974/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/11/25/noticia-25-de-novembro-de-1974-1-o-dia-de-circulacao-bi-centenario-do-nascimento-de-george-chinnery-1774-1974/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/03/noticia-de-2-de-janeiro-de-1851-translada-cao-dos-restos-mortais-do-conselhei-ro-amaral/
(1) Sobre Lam Qua-林官; (1801-c. 1860) (Guan Qiaochang ou Kwan Kiu Cheong 關 喬 昌),ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/lam-qua-%E6%9E%97%E5%AE%98-guan-qiaochang-1801-c-1860/

Foto publicada no «Boletim da Sociedade Luso Africana do Rio de Janeiro», n.º 9, 1934, p. 142 – Número especial Comemorativo da 1.ª Exposição Colonial Portuguesa – Porto.
São cinco edifícios térreos, de traça portuguesa, dispostos em arco que faziam parte das instalações do antigo Leprosário de Ká Hó, e que ficaram devolutos. O Leprosário foi construído em 1885, para acomodar os leprosos de Macau, bem longe da cidade. Na verdade, uma das primeiras iniciativas dos portugueses, assim que se estabeleceram solidamente em Macau, foi construir um leprosário. Pouco depois de completada a construção da Igreja de S- Lázaro – uma das três igrejas fundacionais erigidas entre 1558 e 1560 – foi construído um leprosário.
Na «Breve Monografia de Macau» (p.204) da autoria dos chineses Yin Guangren e Zhang Rulin, (1) refere que “A sudoeste da cidade, fora das muralhas, existe um Fafengsi (2)  Nesta igreja vivem os leprosos bárbaros, vigiados de fora por soldados. Os internados recebem uma mensalidade para a respectiva manutenção” Ao longo dos séculos, o leprosário de Macau mudou-se várias vezes, desde a Colina de D. Maria até às Portas do Cerco, para o distrito de Basalan (Pac Sá Lan) na Ilha de D. João e finalmente para os confins de Ká Hó .
Em 1991, O Instituto de Acção Social de Macau assumiu o controlo do Leprosário de Ká Hó e transformou parte dos edifícios num Lar de Idosos que passou a ser gerido em 2004 pela Federação das Associações dos Operários de Macau. (3)

Leprosário de Ká Hó, em Coloane, anos 30 de século XX

Sobre a Leprosaria de Ká Hó, em Coloane, ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leprosaria-de-ka-ho/
(1) YIN Guangren; ZHANG Rulin – Breve Monografia de Macau. I. C. do Governo da R.A.E. Macau, 2009.
(2) Fafengsi – templo dos leprosos. Também conhecido como Mafengsi, Igreja de S. Lázaro, que fica na Rua de S. Lázaro. Como havia uma leprosaria atrás da igreja, passou a ser conhecida como Fafengsi. (1)
(3) As Ruas Antigas de Macau, IACM, 2016, p.303.

VISTA FRONTAL DO TEMPLO DE A MA
George Chinnery ca 1833
Tinta em papel (sem data)

Do Diário de Rebecca Chase Kinsman: (1)
Outro dia fomos visitar a “Jos House” ou templo (Pagode da Barra) no outro lado da cidade, cerca de ¾ de milha da nossa casa (2). É um lugar muito notável – jaz ali uma enorme aglomeração de rochas tombadas, como que atiradas por alguma terrível convulsão da natureza – ficando a mais alta a 130 ou 150 metros do mar. Confronta com o porto interior de Macau. O templo fica entre rochas e é dedicado à “Rainha do Céu”, a quem eles chamam a “Santa Mãe”. O templo é feito de sólidas rochas com pequenos templos ou oratórios um por cima do outro, sendo as escadas talhadas ou cortadas na rocha. Entre as fendas crescem árvores, e as videiras e flores rebentam onde quer que encontrem terra.

VISTA COM TERRAÇO DO TEMPLO DE A-MA
George Chinnery ca 1833-36
Aguarela sobre papel (sem data)

No oratório que fica mais acima estava um padre com a cabeça rapada, vestido de cabaia larga e negra chin chinning jos, ou seja, rezando.
Estava sentado num banquinho com uma espécie de mesa diante dele sobre a qual se via um vaso de cobre côncavo e outro mais pequeno aparentemente de madeira – ele tinha duas espécies de varetas de bombo na mão com que batia nele alternadamente, rezando ao mesmo tempo numa monótona espécie de canto – as únicas palavras que podíamos distinguir eram ah! Ma (4) – frequentemente repetidas – a palavra chinesa para Mãe é Má. Provavelmente, o bonzo estava rezando à “Santa Mãe” por vento favorável por alguns juncos ou barcos chineses prontos a partir para qualquer viagem. Parecia muito solene … (3)
(1) Sobre Rebecca Chase Kinsman , ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/10/13/noticia-de-13-de-outubro-de-1843-cartas-de-rebecca-chase-kinsman-chegada-a-macau-i/
(2) A família estava hospedado em casa de R. Lejee (membro da casa de Wetmore & Co.) que ficava na Praia Grande, de dois andares (o primeiro para os criados e o segundo para a família) com um jardim ladeado dum alto muro.
(3) Extraído de TEIXEIRA, Padre Manuel – Macau no Séc. XIX visto por uma jovem americana, pp. 56/57.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/03/17/leitura-macau-no-sec-xix-visto-por-uma-jovem-americana/
(4) “Não repetia ah! Má, mas O Mi To Fo, isto é, AMITHABA, buda invocado por eles” (3)