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Uma nota inserida no «The Canton Register», Vol 8, DEC 8th, 1835, n-º 49, p. 195, (assinada com o nome de “Cícero”), acerca dos pintores chineses da escola de Lam Qua.
Lam Qua 林官  (1), foi um pintor chinês da província de Cantão, que com os seus retratos de estilo ocidental (muitos são retratos de mercadores estrangeiros e chineses de Cantão e Macau) criou uma “ fábrica /escola” de desenho e pinturas (onde se fazia também cópias de pinturas e depois quadros a partir de fotografia) na sua oficina em Cantão (na zona dos grandes armazéns estrangeiros) grande parte destinados a clientes ocidentais.
Foi o primeiro pintor chinês a ter uma exposição dos seus quadros no Ocidente

“View of Foreign Factories, Canton, 1825–1835” atribuído a Lam Qua
Lam Qua trabalhando num estúdio em Hong Kong c. 1850
Fotografia de John Thomson (2) (3)

Auto-retrato de Lam Qua cerca de 1840

 

Embora sempre referenciado como discípulo em 1820 de George Chinnery, (4) este terá negado que fosse um seu aluno. Chinnery ensinou muitos estudantes chineses e provavelmente por intermédio destes e dos próprios quadros de Chinnery, exerceram uma grande influência na pintura de estilo ocidental de Lam Qua.
Lam Qua é também conhecido por ter colaborado com o médico Peter Parker, (5) pintando os retratos dos doentes com patologia pré operatória, a maioria com  tumores  e deformidades (3)

 

Auto-retrato de Lam Qua c.1853-1854

 

Um dos quadros atribuídos a Lam Qua é o retrato do macaense Miguel António de Cortela
Miguel António Cortela, (1783 – 1844), 5.º filho de Inácio Baptista Cortela de Sousa e Albuquerque e de Mariana da Silva Faria, casou em casa, em 8 de Abril de 1829, com Ana Maria dos Remédios, (fal. a 1860) que corria perigo de vida , sendo ela viúva de Eduardo Organ e filha de  António Bernardino dos Remédios e de Maria Rita dos Remédios. Tendo-se ela restabelecido, receberam ambos as bênçãos nupciais em 12 de Novembro de 1829.
Miguel sucedeu a seu pai, cerca de 1820, nos cargos de Depositário Geral dos Cofres de Macau e tesoureiro dos Defuntos e Ausentes. Foi proprietário da barca «Tranquilidade» que naufragou na viagem de Macau para Solor em 1843 com 48 homens a bordo, que todos se salvaram. Tinha 1 das 82 acções da «Casa de Seguros» de Macau fundada em 1810
TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria dos Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942.
FORJAZ, Jorge – Família Macaenses, I Volume
(1) Guan Qiaochang (1801 – c.1860) (Lam Qua 林官; ou Kwan Kiu Cheong 關 喬 昌), é neto do famoso artista de Cantão, Spoilum (Guan Zuolin, activo entre 785 and 1810) e filho de Lamqua (com o mesmo nome) que terá herdado o estúdio familiar de pinturas. Com a colaboração de muitos dos seus alunos, produzia-se um grande número de quadros de pintura para exportação. Seu irmão Tinqua (Guan Lianchang- ca. 1809-1870) refinou o método de trabalho com produção em massa dos quadros quer a óleo quer de aguarelas.
https://visualizingcultures.mit.edu/rise_fall_canton_01/cw_essay04.html
林官 mandarim pīnyīn: lín guān; cantonense jyutping: lam4 gun1
(2) Sobre este fotógrafo, ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/john-thomson/
(3) https://en.wikipedia.org/wiki/Lam_Qua
(4) George Chinnery (1774 – 1852) que deixou a Inglaterra aos 28 anos de idade em 1802, e passou 23 anos na Índia e depois 27 na China, chegou a Macau em 1825 tendo aí falecido em 1852.
Ver anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/george-chinnery/
(5) De 1836 a 1855, Lam Qua produziu uma série de quadros de pacientes em tratamento com Peter Parker, médico missionário dos Estados Unidos. Parker que estabeleceu o primeiro hospital americano Guangzhou em 1835, introduzindo técnicas cirúrgicas novas (introdução de anestesia) como amputações e cirurgias reconstrutivas, contratou Lam Qua para pintar os retratos pré-operatórios dos pacientes que tiveram tumores grandes ou outras grandes deformidades. Algumas das pinturas agora fazem parte de uma coleção do trabalho de Lam Qua, realizado pela Universidade de Yale, na Coleção Peter Parker, na Biblioteca Médica Harvey Cushing / John Hay Whitney; outras estão no Museu Gordon, no Guy’s Hospital, em Londres.
http://whitney.med.yale.edu/gsdl/collect/ppdcdot/
https://library.medicine.yale.edu/find/peter-parker 
NOTA: Outro quadro de Lam Qua,de 1843, é : “A Praia Grande vista da varanda, residência do mercador Nathan Kinsman, já postado em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/23/noticia-de-23-de-fevereiro-de-1837-tomada-de-posse-do-governador-adriao-silveira-pinto/

O entusiasmo da queima de panchões, nos dias festivos do Ano Novo Lunar, atinge todas as idades, e nem o estampido abranda a tarefa, embora por vezes se sintam atemorizados com o estralejar contínuo dos petardos.
Sacodem-se, assim, todos os azares da vida e o mau agoiro que venha prejudicar a felicidade pelo ano fora.
São crenças ainda conservadas no rol das superstições que influenciam este povo milenário, conservador das suas tradições que lhe apontam normas de vida, para que tudo se oriente para a felicidade, tal como ele a concebe.” (1)
(1) Extraído de p.9, «Macau Boletim de Informação e Turismo», Vol XII, n.ºs 1 e 2,  1977.

Do espólio deixado pelo fotógrafo Harrison Forman (1904-1978) (1), que se encontra disponível no “AGSl Digital Photo Archive (2), encontram-se 175 excelentes fotografias de Macau. Destas, 16 fotografias referem-se aos trabalhos executados para a demolição do monumento que já estava erguido e instalado na colina de D. Maria II, para as Comemorações do IV Centenário de Macau 1555 -1955 que deveria ter dado início no dia 1 de Novembro de 1955 – ver anteriores referências em (3)
As fotografias documentam todo o processo de demolição, como o empilhamento dos sacos de arreia na frente à base do monumento (para obrigar a queda do monumento para trâs), colocação e montagem das cargas explosivas com toda a segurança e o monumento demolido (queda para trás em direcção ao mar)
Aconselho a total visualização das fotografias (as fotos não estão na sequência correcta da demolição) que estão catalogadas no sítio electrónico como:

Part of Set
Harrison Forman Collection – China
Photographer’s Note: Macau: The monument of Macau
Photographer: Forman, Harrison, 1904-1978

São no total 16 excelentes fotografias a preto e branco que documentam com pormenor e enquadramentos interessantes o acontecimento.
Apresento como exemplo três destas fotografias:

Title : Macau, truck in front of monument before demolition
https://collections.lib.uwm.edu/digital/collection/agsphoto/id/26625/rec/18
Title: Macau, man setting explosives at base of monument
https://collections.lib.uwm.edu/digital/collection/agsphoto/id/26639/rec/22
Title: Macau, ruins of demolished monument on waterfront
https://collections.lib.uwm.edu/digital/collection/agsphoto/id/27737/rec/9

(1) Harrison Forman (1904-1978) fotógrafo americano e jornalista (“The New York Times” e “ National Geographic”) Durante a II Guerra Mundial, estava na China, tendo o feito grandes reportagens da guerra  uma entrevista com  Mao Zedong.
A sua colecção de diários e o espólio fotográfico estão no “American Geographical Society Library”.
https://en.wikipedia.org/wiki/Harrison_Forman

Title: Macau, portrait of Harrison Forman and Dr. Pedro Jose Lobo, Macau’s leading citizen
Description: On right, Macau’s chief economic minister and leader in local gold trading (p. 270).
https://collections.lib.uwm.edu/digital/collection/agsphoto/idMacau’s leading citizen/28160/rec/85

(2) “AGSl Digital Photo Archive – Asia and Middle East” na “American Geographical Society Library (University of Wisconsin-Milwaukee).
“The Harrison Forman Photo Collection contains over 3,800 prints and over 300 negatives. This is a fraction of the total Forman collection, sized at 98,000 images, most of which are in 35mm slide format.”
https://uwm.edu/libraries/agsl/harrison-forman-collection/
https://uwm.edu/libraries/wp-content/uploads/sites/59/2014/07/China.pdf
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/11/01/ainda-a-proposito-do-iv-centenario-de-macau-novembro-de-1955/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/11/01/noticia-de-1-de-n ,ovembro-de-1955-programa-das-comemora-coes-do-iv-centenario-de-macau-1555-1955/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/02/selos-postais-comemorativos-da-fundacao-de-macau-1955/

Três fotografias antigas de Macau, provavelmente do princípio do século XX, extraídas do “Boletim de Geografia de Lisboa” (1)

Porta do Cerco em Macau, s.d.
Jogadores de Fantan em Macau, s.d.
Antigo palácio do governador de Macau, c. 1908

(1) http://www.socgeografialisboa.pt/wp/wp-content/uploads/2017/11/SGL-Boletim-133-Ano-2015.pdf 

Relato de um incêndio numa casa (defronte ao Hotel Albion) habitada pela família dum americano, Sr. Perkins no «The Canton Register» (1)

Rua de Macau  1835 – 1837
Desenho de George Chinnery

Recorda-se que nesse mesmo mês e ano, no dia 26, a bela Igreja de S. Paulo foi destruída por um violento incêndio, restando a arruinada frontaria.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/26/noticia-de-26-de-janeiro-de-1835-destruicao-da-igreja-de-s-paulo/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-da-madre-de-deus-s-paulo/
(1) “The Canton Register “, Vol. 8, N.º2, 1835.

O Liceu que foi instalado no Convento de S. Agostinho em 1894, foi no ano de 1900, transferido para a Calçada do Governador (hoje Travessa do Padre Luís Frós, S.J.) instalando-se no edifício onde estava a Companhia Eléctrica (hoje demolido).
A 12 de Setembro de 1917, o Provedor da Santa Casa da Misericórdia, Joaquim Augusto dos Santos, informou a Mesa de que fora assinado o contrato do arrendamento do hotel Boa Vista entre a Santa Casa e a Repartição da Fazenda para nele se instalar o Liceu; em Dezembro desse ano, o Liceu passou para o hotel. A 20 de Abril de 1923, o governo comprou à Santa Casa o edifício da Boa Vista para o transformar de novo em hotel e o edifício do Asilo das Inválidas, no Tap Seac, para o Liceu; este passou para lá em 1924. (TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação e Macau, 1982), pp. 107-108.
NOTA: desenho sem identificação de autor.

Mais dois postais ( 18 cm x 12 cm), mais duas excelentes fotografias de Macau. (!)
A primeira de Ou Ping (2), de 1969,  a lembrar os arcos monumentais comemorativos do Dia Nacional da China. Antes de 1966, eram construídos para o dia 1 de Outubro (República Popular da China) e depois desmontavam-se para edificarem outros no mesmo sítio para o dia 10 de Outubro (República da China….). Pelo meio, comemorava-se o 5 de Outubro (sem os arcos mas com outras cerimónias oficias) e como estudante celebrava-se alegremente 3 feriados. Após os acontecimentos de 1966 (1,2,3) aboliram-se os festejos nacionalistas de 10 de Outubro.
A segunda de Lei Chiu Vang (3)
Esta foto documenta um dos costumes da comunidade piscatória “tanká” (palavra chinesa empregada para referir à população cantonense que vive e trabalha em barcos os chamados tancareiros ou homens do mar- população flutuante do Sul da China) Os miúdos que faziam toda a sua vida nas lorchas/sampanas, quando começavam a saber andar, eram-lhes postos à cintura um ou dois “boiões” para servirem de sinalização/bóias caso caíssem ao mar.
(1) Da colecção do Museu de Arte de Macau.
Ver anterior referência em:

(2) Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/lei-chiu-vang/
(3) Lei Chiu Vang,-  李超宏  (mandarim pīnyīn: lǐ chāo hóng; cantonense jyutping: lei5 ciu1 wang4) foi um prestigiado fotógrafo de Macau, sócio honorário da Associação Fotográfica de Macau, membro da Real Associação Fotográfica do Reino Unido, sócio da Associação de Estudo de 35mm de Hong Kong e sócio vitalício da Associação Fotográfica Chinesa de Hong Kong. Foi fotógrafo do jornal Ou Mun durante mais de quarenta anos e, durante as horas vagas, dedicava-se a tirar fotografias nas ruas e ruelas do território, registando em película variados aspectos do quotidiano das diversas camadas sociais de Macau, assim como diversas paisagens do território.
https://www.iacm.gov.mo/files/boletim/072004/mon_07_11_p.htm