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Extraído de «BGC», XXI-244, OUT1945 pp. 133 -138

De Hong Kong vieram para Macau, durante a Guerra do Pacífico, milhares de refugiados portugueses. Os rapazes ficaram privados das suas escolas; quanto à crianças e às raparigas, fácil lhes foi matricular-se nas escolas de Macau, tais como os Colégios de S. Rosa de Lima, do Sagrado Coração, de N. Sra. De Fátima, etc. Os rapazes, porém, não tinham nenhuma escola secundária, onde pudessem continuar os estudos violentamente interrompidos. Foi então que um dos mais categorizados refugiados, Porfírio Maria Nolasco da Silva, sugeriu que se solicitasse a vinda dos jesuítas irlandeses de Hong Kong para abrirem aqui um Colégio Inglês para esses rapazes.

A 27 de Outubro de 1942, chegaram a Macau os PP. Henry O´Brien e Brian Kelly; a 3 de Dezembro de 1942, chegaram os PP. Jeremias McCarthy e Thomas Cooney para com os primeiros iniciarem a escola. McCarthy e Coney instalaram-se na Residência dos Jesuítas da Vila Flor; O´Brien e Kelly no Seminário. A 1 de Janeiro de 1943 passaram os quatro para um edifício que o Governo pôs à sua disposição na Rua de S. Lourenço, (1) ficando superior o Padre O´Brien. A 4 de Janeiro desse ano, inauguraram nesse edifício o Colégio de S. Luís Gonzaga, (2) tendo no dia 18 celebrado, na Igreja de S. Lourenço, a missa do Espirito Santo, acompanhada a cânticos por um grupo de refugiados portugueses de Hong Kong.

Depressa se descobriu que o edifício da Rua Central era inadequado para acomodar o número de alunos que requeriam a matrícula e assim o Dr. Pedro Lobo assegurou muito obsequiosamente um outro edifício para o Colégio da Praia Grande.” (3)

Terminada a guerra em 1945, os refugiados regressaram a Hong Kong assim como os professores e alunos. Os jesuítas também foram para reabrir as suas escolas, encerradas durante a ocupação japonesa (1941-1945)

(1) O Padre Teixeira refere mais adiante que o edifício estava na Rua Central. (3)

S. Luis Gonzaga por Francisco Goya cerca de 1798

(2) Luís Gonzaga S.J (1568 — 1591), jesuíta italiano, Santo da Igreja Católica e patrono da juventude da igreja católica. Em 1729, o Papa Bento XIII declarou Luís de Gonzaga como o santo padroeiro dos jovens estudantes. Em 1926, ele foi nomeado padroeiro de toda a juventude cristã pelo Papa Pio XI. Devido à maneira de sua morte, ele foi considerado um santo padroeiro das vítimas da peste. Por sua compaixão e coragem diante de uma doença incurável, Luís Gonzaga tornou-se o patrono de pacientes com SIDA e de seus cuidadores. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_de_Gonzaga

 (3) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982, p. 350

No dia 8 de Outubro de 1960, realizou-se uma sessão de homenagem ao Infante D. Henrique. (1) À sessão, em que se fez a distribuição de prémios às alunas da secção portuguesa que mais se distinguiram nos estudos durante o ano lectivo de 1959-1960, presidiu sua Exa. o Governador da Província, tenente – coronel Jaime Silvério Marques, acompanhado de sua Exma. Esposa. O programa abriu com o Hino do Colégio, seguido de uma alocução proferida pela aluna Maria José Borges Martins.

A peça intitulada «O Infante de Sagres», (em 3 actos) adaptação de uma obra de J. Cortezão, ocupou o centro da festa. (2)

O «Infante» olhando o mar infindo
Uma cena da peça
«Frei Gaspar» (2) manifesta cepticismo

A sessão terminou com o Hino Nacional. (3)

(1) Um dos programas realizado em 1960 das “Comemorações, em Macau, do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique”, 

(2) No drama épico de Jaime Cortesão «O Infante de Sagres», representado em 4 actos pela 1.ª vez em Lisboa em Dezembro de 1916 – Frei Gaspar, Prior da Batalha vindo da corte para dissuadir o Infante (que estava em Sagres) da expedição a Tânger.

(3) Informações retiradas de “Comemorações, em Macau, do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique”, ver em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/16/leitura-comemora-coes-em-macau-do-v-centenario-da-morte-do-infante-d-henrique-ii/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/13/comemora-coes-em-macau-do-v-centenario-da-morte-do-infante-d-henrique-1460-1960-i/

Outras fotografias de José Neves Catela (tiradas entre 1934 e 1936) publicadas e legendadas em português, inglês e chinês no «Directório de Macau de 1936». 

Liceu Central de Macau – O Ginásio

NOTA I: “1933 – Foi determinado que o Liceu Central de Macau passe à categoria de Nacional (Boletim Geral das Colónias, Ano IX, Dezembro 1933, n.º 102 pp. 222)

Nos anos lectivos 1933/34 e 1934/35, o professor (interino) de Educação Física era Artur António Tristão Borges. No ano lectivo 1935/36, o professor era Firmino José Miranda da Costa e no ano lectivo seguinte encontrava-se vago.

24-11-1934 – BOGCM N.º 2 DE 12 DE Janeiro de 1935, p. 25

NOTA II: “16-08-1937 – É escolhido e dado ao Liceu o nome de Infante D. Henrique (P.P. n.º 2366 – B. O. n.º 34, p. 560 (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 259)

Igreja do Seminário de S. José
Um dos motores “Diesel” da estação geradora da Companhia de luz eléctrica

NOTA III: “1933 – Publicado no BO n.º 46 de 18 de Novembro de 1933, a escritura de contrato de concessão do exclusivo de fornecimento de energia eléctrica à Cidade de Macau pela Melco: ”The Macao ElectrIc Lighting Company Limited” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III,  2015, p. 239)

Sobre este fotógrafo, ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-neves-catela/

No dia de 23 de Agosto celebra-se a festa litúrgica de Santa Rosa de Lima (1).

Recordo o papel missionário ligado ao ensino do Colégio de Santa Rosa de Lima, em Macau, nomeadamente a acção educativa das Franciscanas Missionárias de Maria transcrevendo parte dum artigo (com fotos) não assinado, publicado no Boletim de Macau (2)

As alunas numa aula prática de Físico-Química

“O Colégio de Santa Rosa de Lima ficou debaixo da direcção das Franciscanas Missionárias de Maria (F.M.M.) (3) a partir de 1903. Foi no dia de 17 de Novembro de 1903, que as Franciscanas chegaram a Macau, tendo assistido ao seu embarque a própria fundadora do seu Instituto, a Reverenda Madre Maria da Paixão. Anos antes havia ela visitado Portugal por ocasião do sétimo centenário de Santo António de Lisboa, pelo qual ela tinha grande devoção, e daí levou gratas recordações do país.

Professoras dão aulas de costura

Assim não recusou o pedido (insistente) de D. João Paulino de Azevedo e Castro, para a vinda de um grupo de Religiosas para Macau. Foram instaladas na primitiva habitação das monjas de Santa Clara (4) (5) e, transformado o mosteiro em colégio de educação feminina, com o nome de Santa Rosa de Lima. Assim decorreram anos, quando em 1910, as Religiosas se viram obrigadas a tomar outro rumo, deixando atrás de si uma obra.

Preparando-se para a vida, aprendem também dactilografia

Retomaram esse lugar, quando D. José da Costa Nunes desejando haver uma casa de educação onde fossem instruídas meninas de origem portuguesa, resolveu fazer de Santa Rosa de Lima, um centro intelectual e religioso, admitindo alunas de todas as nacionalidades, qualquer que fosse a crença que professassem. Assim em 1932 era entregue a direcção às F.M.M. este estabelecimento, que, pouco a pouco, vai ampliando e remodelando surgindo do antigo edifício, um novo que foi inaugurado no dia de 24 de Março de 1934. Posteriormente, foi construída a igreja de Santa Clara que liga o Convento com o Colégio, benzida e inaugurada no dia 25 de Outubro de 1936, festa de Cristo Rei.

As alunas escuteiras numa aula de sinalização

No ano lectivo de 1955/1956 estavam inscritas um total de 929 alunas inscritas nas três sessões de ensino, (6) respectivamente: secção portuguesa com 220; secção chinesa com 355 e secção inglesa com 354. Os Cursos Secundários das Sessões Chinesa e Inglesa estavam oficialmente reconhecidos, dando o primeiro ingresso às Universidades da Ilha Formosa e o segundo à Universidade Católica de Washington.

Os desportos fazem parte das actividades diárias das alunas

Há ainda uma escola gratuita primária, para meninas pobres, chinesas, cujas aulas eram diários das 5 h às 7h da tarde. Essas aulas eram frequentadas por 158 crianças. Ministrava-se no Colégio o ensino de línguas estrangeiras, assim como o da música, tendo muitas alunas feito os exames do «Trinity College of Music» em Hong Kong.”

Na Igreja,durante uma festa religiosa no mês de Maio

(1) Rosa de Lima (Lima, 20 de abril de 1586 – Lima, 30 de agosto de 1617), nome de baptismo de Isabel Flores y Oliva, foi uma mística da Ordem Terceira Dominicana, beatificada em15 de Abril de 1668 por Papa Clemente IX e canonizada em 2 de Abril de 1671, Roma por Papa Clemente X. Santa Rosa é a primeira santa nativa da América e padroeira do Peru.

(2) Macau, Boletim Informativo da Repartição Provincial dos Serviços de Economia e Estatística Geral, Ano III, n.º 60, de 31 de Janeiro de 1956, pp. 8-9.

(3) 4-10-1903 – Partiram para Macau, vindas da Europa, (chegaram a 17-11-1903), as religiosas Missionárias Franciscanas de Maria, para dirigirem o Colégio de Sta. Rosa de Lima (iniciativa de D. João Paulino de Azevedo e Castro (1902-1918) para educação de pensionistas, e órfãs, esta gratuitamente). Acolhia, como internas, raparigas de vários pontos do Extremo Oriente – incluindo Tailândia. Depois de um interregno (1916-1932), voltaram, já em tempo de D. José da Costa Nunes. Em 1933 abriu a secção chinesa. Em 1936 é inaugurado o novo Colégio-Sede, resultante de ampliação. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 17)

 (4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/convento-de-santa-clara/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/igreja-de-santa-clara/

 (5) Até 1903, era dirigido pelas Filhas Canossianas da Caridade desde 1889. Antes das canossianas, o colégio, naquela altura chamado de recolhimento, albergou as clarissas, cujo convento foi destruído por um incêndio em 1824. As irmãs foram albergadas no Recolhimento de Santa Rosa de Lima. Com o falecimento da última clarissa em 1875, o recolhimento passou a chamar-se de Colégio de Santa Rosa de Lima.

(6) As línguas de ensino do colégio foram o português, o Inglês e o cantonense. O ano lectivo 1992-1993 foi o último ano do ensino em português do Colégio Santa Rosa Lima. 

No dia 4 de Agosto de 1882, foi a abertura duma escola de ensino da língua chinesa, (não havia nas ilhas crianças portuguesas) em Coloane, para crianças do sexo masculino de famílias pobres daquela vila. O tenente José Correa de Lemos (administrador do concelho) oficiou em 2 de Agosto de 1882, ao Governador Joaquim José Graça através do secretário do Governo o seguinte:

O China da firma Ngui-Ki offereceu a madeira precisa para as mesas dos estudantes e os cidadãos Sic Long Gui, Sic Kin Chau e a família Thin Vó tem fornecido os outros utensílios necessários. A despesa certa com esta escola é de $70 annuaes. (1) Esperava que no mesmo dia se abrissen as duas escolas, mas na Taipa não encontrei ainda casa apropriada para tal fim e talvez tenha de a estabelecer, pelo menos até fim d´este ano n´um recinto do pagode Thin Ao Mio, (2) – n´este caso só depois do dia 15, (3)  ella se poderá alli estabelecer, do que antecipadamente darei conhecimento a V. Sa.

Os chineses de Colovan a quem fiz traduzir o officio de V. Sa. Aprovando a criação da escolas, pedem me par a apresentar a V. Sa. Os seus protestos de infinita gratidão, esperando ve-lo recompensado de uma maneira justa pela vontade expressa e tendência natural para o desenvolvimento intellectual  da mocidade d´este concelho que revelou, mandando abrir duas escolas de instrucção; acrescentando que lhes é muito lisonjeiro ter sido este concelho a que pertencem onde se criaram escolas gratuitas para os chineses. “ (4)

(1) As escolas eram subsidiadas pelo Cofre Municipal do concelho

(2) Pagode Tin Hau, onde funcionou posteriormente a escola Kong Kau. https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/11/11/postal-da-ilha-de-coloane-da-decada-de-90-seculo-xx-v/

(3) A escola da Taipa foi inaugurada a 21 de Agosto de 1882. Posteriormente a 12 de Fevereiro de 1884, abriria a terceira escola na Ilha de D. João.

(4) TEIXEIRA, Padre Manuel – Taipa e Coloane, p. 98 e 100-101

CAPA

Revista (creio ser, número único uma publicação dos alunos finalistas, sem indicação do ano de impressão provavelmente da década de 80, depois de 1986 (ano da inauguração do novo complexo escolar no Porto Exterior, denominado Liceu de Macau) (1) com 26 p. intitulada “OS LUSITANOS” (29, 5 cm x 20,5 cm)
Era habitual surgirem este tipo de publicações que eram preparadas no período inicial do ano lectivo e impressas depois como forma de financiar (com a publicação de anúncios) a viagem dos finalistas desse ano (por altura da Páscoa)

CAPA -verso

A “Introdução” (p.3) é de Alfredo Vaz, presidente da Comissão de finalistas.

Página 4
CONTRACAPA

(1) O Decreto-Lei n.º 2/86/M; BO n.º 1 de 4-01-1986) designa o Complexo Escolar por Liceu de Macau, depois corrigida em novo diploma (Decreto-Lei n.º 38/86/M; BO n.º 36 de 6-09-1986) com a designação de Complexo Escolar de Macau. Em 1993 volta a designar-se Liceu de Macau. O Complexo Escolar englobava a “Escola Secundária do Infante D. Henrique” e a “Escola Preparatória do Dr. José Gomes da Silva”

Folheto (20 cm x 10 cm) da Direcção dos Serviços de Turismo promovendo a Livraria do Centro de Promoção e Informação Turística de Macau, em Lisboa (1)

(1) Avenida 5 de Outubro, 115 r/c . 1069-204 LISBOA

Extraído de «BPMT», XIII-27 de 8 de Julho de 1867, p. 157

José Martinho Marques (S. Lourenço 20-03-1810 – S. Lourenço 4-7-1867; sepultado no dia seguinte no Cemitério de S. Miguel) estudou no Colégio de S. José, onde se especializou em chinês, e foi aluno do Padre Joaquim Afonso Gonçalves. (1) Seguiu depois a carreira de intérprete do Governo de Macau e de várias legações estrangeiras Casou com Vicência Maria Baptista (1811-1885), em 1835. Tiveram 12 filhos. Publicou um “Tratado de Geografia” (em chinês) e “Princípios elementares da Música ao alcance de todos” (Macau, 1852), deixando inédito um “Dicionário china- portuguez”. Em prémio dos serviços prestados à legação francesa, foi condecorado com o grau de cavaleiro da Legião de Honra de França (2)

Anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-martinho-marques/

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-joaquim-afonso-goncalves/

(2) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século Dezanove”, 1942, pp.153-156

Primeiro número, Volume 1, do ”Boletim de Estudos de Macau”, do Instituto de Estudos de Macau da Universidade da Ásia Oriental. Publicado em Junho de 1988. (1)
Director: Prof Paul T.K.Lin, reitor da Universidade da Ásia Oriental.

O Preâmbulo ao Boletim é do Prof. Paul T.K. Lin.
O Índice geral e o resumo de cada umas das publicações em chinês, português e inglês.

O Índice em português

Os trabalhos apresentam-se todos em chinês à excepção de cinco, que estão em inglês sendo destes, dois deles do Dr. Jorge Rangel “A localização dos Serviços Públicos – Uma Tarefa Urgente” e “O Papel da Educação na Modernização de Macau”
(1) «Boletim de Estudos de Macau», Volume 1, publicação do Instituto de Estudos de Macau, da Universidade da Ásia Oriental, Macau, Junhode1988, 144 p., 25,5 cm x 18,5 cm

Extraído de «BGC», ANO XIII, Julho de 1937 p. 173-174

O bispo era D. José da Costa Nunes

NOTA: Ver anteriores referências a estas personalidades e o Instituto Canossiano https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/d-jose-da-costa-nunes/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/artur-tamagnini-barbosa/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/maria-anna-acciaioli-tamagnini/