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O Colégio Imaculada Conceição fundado por iniciativa do comendador Albino da Silveira (1) foi inaugurado, em 15 de Março de 1864, sob a direcção das Irmãs do Instituto de S. Paulo de Chartres, discursando nessa ocasião Bernardino de Sena Fernandes, o Governador Coelho do Amaral e o Padre Vitorino de Almeida; em virtude do Decreto de 20 de Setembro de 1870, que excluía do ensino professores estrangeiros, o Colégio fechou em Setembro de 1871, sendo reaberto em 24 de Novembro de 1872, falando nessa ocasião a “sympathica e talentosa jovem Maria José”, (2) o Padre Vitorino de Almeida, o Governador da Colónia, Visconde de S. Januário, e o Governador do Bispado, o Padre António Luís de Carvalho. Os discursos de Maria José Pereira e do Visconde de S. Januário podem ler-se na «Gazeta de Macau e Timor», 1.º anno, n.º 10 de 26 de Setembro de 1872 (3)

O comendador Albino da Silveira, estando em Shanghai, abriu uma subscrição para a fundação de um Colégio feminino em Macau, encarregando-se ele de mandar vir da França as mestras, as Irmâs de Caridade de S. Paulo de Chartres O seu projecto, a requerimento de Bernardino de Sena Fernandes, aprovado por Portaria de 26 de Dezembro de 1863, (4) e autorizada a sua continuação por Portaria de 17 de Março de 1868, (4) o qual o Colégio apenas durou por mais três anos. Em Setembro de 1871, devido ao decreto de 20 de Setembro de 1870 (exclusão do ensino em Macau dos professores estrangeiros), as professoras retiraram-se, encerrando-se o estabelecimento.

(1) Albino da Silveira (Macau 1823- Macau 1902) filho de Francisco Cândido Pereira da Silveira e de Francisca Carlota Pereira da Silveira, naturais de Macau, foi empregado, em Cantão, em casa de Robinnet, negociante de sedas e depois em casa de Jardine, Matheson & CO. Mais tarde foi para Shanghai, em casa de Dent & Co e por fim estabeleceu-se em Hong Kong, onde serviu de guarda-livros da “Union Insurance Society of Canton” recebendo, ao reformar-se uma pensão vitalícia desta Sociedade. O comendador foi em Hong Kong Presidente do Club Lusitano, do Círculo Católico, da Confraria de SSmo Sacramento e da Sociedade de S. Vicente de Paulo por 25 ano Nomeado sócio ordinário, em 1892, da Sociedade de Geografia de Lisboa. A comenda da Conceição foi-lhe atribuída pelo Governo Português em 1893. Era também Cavaleiro de S. Silvestre. Em Shanghai foi vice-consul de vários fundou um jornal português “O Aquilão”, de duração efémera. Faleceu em Macau, na residência do Comendador Lourenço Marques, onde vivia. (3)

A filha do comendador Ana Joaquina da Silveira, estudou no Colégio da Imaculada Conceição até Junho de 1870, quando foi para França para continuar os estudos. Foi uma das primeiras alunas macaenses a ingressar no Instituto da Congregação de S. Paulo, e em 1876, tomou o hábito em Chartres  com o nome de Soeur Basilide Joseph e lá faleceu. (5)

(2) Maria José Pereira, nascida em 18 de Outubro de 1861 é filha de Bartolomeu António Pereira e de Belmira da Encarnação e casou com Leôncio Alfredo Ferreira. (6) Maria José foi aluna distinta do Colégio da Imaculada Conceição 

(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942, p. 453

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-da-imaculada-conceicao/

(5)) TEIXEIRA, P. Manuel – A Educaçao em Macau, 1982, p. 315

(6)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leoncio-alfredo-ferreira/

Na esplanada da Gruta de N. Sra. De Lurdes, na Penha, existia, mesmo ao centro, uma lápide de mármore, (1) contendo duas placas de cobre; na placa superior, as armas de D. João Paulino com o seu nome e as palavras: Adveniat Regnum tuum; na inferior, esta inscrição: (2)

Na parte inferior: O CABIDO DA SÉ CATEDRAL DE MACAU OFERECE E DEDICA ESTE MONUMENTO

Na parte superior: TRANSLADADO EM 6-2-1923 PARA A VILA DAS LAGES DO PICO – AÇORES

D. João Paulino de Azevedo e Castro nasceu a 4 de Fevereiro de 1852 na Vila das Lages do Pico, Açores, sendo filho de Amaro Adriano de Azevedo e Castro e de Maria Albina Carlota de Bettencourt. Terminados os estudos em Coimbra, licenciou-se em teologia na Universidade em Julho de 1879, sendo ordenado sacerdote em Angra a 31 de Agosto desse ano. Leccionou no Seminário de Angra, de que foi nomeado reitor em 1888; confirmado bispo de Macau por Leão XIII a 9 de Junho de 1902, foi sagrado a 27 de Dezembro; partiu de Lisboa a 23 de Março de 1903, chegando a Macau a 4 de Junho (trouxe consigo o seminarista teólogo José da Costa Nunes, que ficou a estudar no Seminário). Por provisão de 17 do mês seguinte fundou o «Boletim do Governo Eclesiástico da Diocese de Macau»

A 17 de Novembro de 1903, recebeu as Franciscanas Missionárias de Maria, a quem confiou o Colégio de S. Rosa de Lima; a 13 de Fevereiro de 1906, recebeu os Salesianos, a quem confiou o Orfanato da Imaculada Conceição. Em 1907-1908, conseguiu que as Missões Estrangeiras de Paris cedessem à Diocese de Macau a Missão de Shiu-Hingem troca da Missão de Hainão. Em 1917, publicou o livro intitulado «Os Bens das Missões Portuguesas na China», colectânea de artigos aparecidos no «Boletim Eclesiástico da Diocese». Faleceu na residência da Penha, em Macau a 17 de Fevereiro de 1918.(3)

(1) Esta lápide desapareceu do sítio durante a guerra sino-japonesa.

(2) Tradução: «Cristo, Alfa e Ómega. Aqui jaz D. João Paulino de Azevedo e Castro, bispo de Macau, homem dotado de profunda piedade para com Deus, insigne pela integridade de costumes, merecedor do amor e louvor da Pátria, o qual faleceu em Macau a 17 de Fevereiro de 1918. A paz seja contigo, bem como a alegria dos Santos (os gozos celestes)»

(3) Retirado de TEIXEIRA, P. Manuel – A Voz das Pedras de Macau, 1980, pp.82-83

Mais dois postais com fotos datadas de c. 1902, da colecção (10 postais), intitulada “MACAU ANTIGA, ETERNA”  – fotografias das primeiras décadas do século XX – com legendas em três línguas, publicada pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. M / Arquivo Histórico de Macau, em 2015. (1)

Postal – Hotel Boa Vista, c. 1902 (2)
Postal – Hotel Boa Vista, c. 1902, verso

NOTA: Data errada, a mesma foto, foi publicada em postal pela “Graça & Co”, de Hong Kong e datada “cerca de 1890

Postal – Rua da Felicidade, c. 1902 (3)

NOTA – outra data errada e mal legendada, não se trata da Rua de Felicidade. Será provavelmente uma rua do Bairro Chinês (Bazar).

“É referida como sendo a Rua da Felicidade, mas é uma outra rua de Macau, que ainda não consegui saber qual seria. Rua da Felicidade é que não é por causa das varandas e de os edifícios terem dois andares.” (informação de R. Beltrão Coelho)

Postal – Rua da Felicidade, c. 1902, verso

Aliás esta foto, está também em postal, de “Graça & Co” de Hong Kong com indicação “Chinese town –Gambling Houses and Chinese Restaurants”, c. 1890.

LOUREIRO, João – Postais Antigos MACAU, 2.ª edição, 1997, p. 101

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/10/07/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-ii/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/25/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-i/

(2) Anteriores referências ao Hotel Bela/Boa Vista em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-bela-vista-boa-vista/

(3) Anteriores referências à Rua da Felicidade em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rua-da-felicidade/

Os dois primeiros postais com fotos datadas de c. 1902, da colecção (10 postais), intitulada “MACAU ANTIGA, ETERNA”  – fotografias das primeiras décadas do século – com legendas em três línguas, publicada pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. M / Arquivo Histórico de Macau, em 2015.(1)

Vista panorâmica da Baía da Praia Grande, de c. 1902
NOTA. Esta mesma foto já tinha sido editada em postal por “Graça &Co” de Hong Kong, com indicação de c. 1890 (LOUREIRO, João – Postais Antigos Macau, 2.ª edição, 1997, p.26)
Postal – Vista panorâmica da Baía da Praia Grande, de c. 1902, verso
Colina da Penha vista do mar, c. 1902
Postal – Colina da Penha vista do mar, c. 1902, verso

NOTA ACTUALIZADA EM 09-11-2020: Numa recente troca de informações a propósito das fotos desta colecção, Rogério Beltrão Coelho, (a quem expresso o meu agradecimento pela ajuda que me prestou) autor e editor de excelentes álbuns, precursores na divulgação das fotos antigas de Macau (2), revela o seguinte: “Esta foto “Vista panorâmica da Baía da Praia Grande”,  foi publicada no «Jornal Único», de 1898, em foto atribuída a Carlos Cabral. Eu próprio tenho afirmado ser assim, mas hoje tenho dúvidas se a fotos seriam mesmo do Carlos Cabral e julgo ter fundamento para duvidar”. Ver anterior postagem sobre o «Jornal Únicohttps://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jornal-unico/

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/09/25/postais-coleccao-macau-antiga-eterna-i/

(2) Nomeadamente os que possuo: “Álbum Macau 1844-1974” (1989) – Fundação Oriente; “Macau Retalhos passado-presente-futuro” (1990) – Livros do Oriente; “Álbum Macau, sítios, gentes e vivências” (1990) (com Cecília Jorge) – Livros do Oriente; “Álbum Macau-3, sítios, gentes e vivências” (1993) (com Cecília Jorge) – Livros do Oriente. ; “Álbum Macau, memória da cidade” (texto de Cecília Jorge) – (2005) – Livros do Oriente

Continuação da leitura do livro “CHRONICA PLANETARIA (Viagem à Volta do Mundo) ” de José Augusto Correa, publicado em 1904 (1), referido em anterior postagem (2)

“Á noite animam-n´o as casas de tan tan, onde a jogatina é desenfreada. Esta parte da cidade abunda em pateos, que no Porto têm o nome de ilhas, e no Rio de Janeiro o de cortiços; becos sem sahida, onde se aglomera e amontôa uma população miserável e infecta. Foi aqui que a cólera-morbus estabeleceu o seu quartel – general, estendendo as suas devastações ao bairro europeu, onde já tem ceifado muitas vidas, especialmente no elemento estrangeiro. No dia seguinte ao da minha chegada morreram de cólera dois soldados brancos da guarnição. A cidade, aparte o bairro chinez, é edificada sobre cinco pequenas colinas; Guia (a maior), Penha de França, Mong-há, D. Maria, S. Francisco e Gruta de Camões, cobertas de abundante arvoredo. Os valles que as separam são formosas avenidas bordadas de luxuriante vegetação. O clima é relativamente ameno, especialmente comparado com o das cidades vizinhas. Os hotéis teem fogões nos quartos, signal de que os invernos são rigorosos.

Os macaenses, typo moreno e sympathico, orgulhosamente de ser os mais patriotas dos portuguezes, porque nunca se entregaram a Hespanha, durante os setenta anos do seu domínio sobre Portugal. Por isso a sua Camara Municipal chama-se Leal Senado. Este profundo patriotismo parece, todavia, modificado nos últimos tempos, não por culpados filhos da terra, mas sim dos governos portuguezes contemporaneos , que esqueceram por completo, as gloriosas tradições que fizeram o lusitanos de outr´ora, o primeiro povo colonizador do mundo. Fallei com muitos filhos de Macau, n´esta e nas cidades de Cantão e Victoria, a bordo dos vapores, queixando-se todos amarga e violentamente do abandono, da negligência e especialmente dos vexames das auctoridades portuguezas.Frequentemente são para alli mandados funcionários que não estão á altura dos seus cargos, por vários motivos, do que resulta o aumento da repulsão que os naturaes começam a sentir pela metropole. Ainda nos últimos tempos o caso do major Bragança, que esbofeteou um macauense, traz indignados os leaes portuguezes. (…) 

O bairro chinez é interessantíssimo pela originalidade de todo e pela sua grande, extraordinaria animação, especialmente à noite, com as casas de jogo muito bem illiminadas interior e exteriormente. O mercado de fructa, á luz de candieiros de petróleo e de copinhos de papel de seda colorido, é tudo quanto no género há de mais curiosos. O principal rendimento de Macau é fornecido pelas casas de jogo. Na cidade há muitas fortunas particulares, principalmente de chinezes que enriquecem no seu paiz e veem viver para Macau, felizes e tranquilos na suavidade das leis portuguezas, comparadas com as leis e costumes chinezes. O Leal Senado deve olhar um pouco mais para o bairro china, que é imundo e fétido. Não lhe faltam recursos para melhoramentos locaes, porque além de provêr às suas e às necessidades de Timor, ainda lhe sobra dinheiro. (…) ………continua

(1) CORREA, José Augusto – Cronica Planetaria (Viagem à volta do mundo), 2.ª edição. Editora: Empreza da História de Portugal, Lisboa, 2.ª edição, 1904, 514 p. Illustrada com 240 photogravuras; 15,5 cm x 21 cm.

 (2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/07/04/leitura-chronica-planetaria-de-jose-augusto-correa-i/

O livro “CHRONICA PLANETARIA (Viagem à Volta do Mundo) ” de José Augusto Correa, (1) publicado em 1904 (2) é um relato de viagem à volta do mundo que o autor começou em Lisboa, no dia 15 de Março de 1902 na estação do Rossio:

Partida da estação central do Rocio, Lisboa, às 11 horas e 6 minutos da manhã de sábado, 15 de Março de 1902. Dia esplendido e sol. Em seguida aos abraços de despedida e á grata operação de fotografar o grupo de amigos que compareceram, dissemos, o Soares e eu, um último adeus á cidade amada de Herculano. (…)

e terminou na mesma cidade, a 19 de Setembro de 1902: A 7 de setembro e ao som de hymnos festivaes que saudavam a aurora anniversaria da independencia do Brazil, (…) deixei o solo paraense para bordo do «Jerome», que em doze dias me transportou à formosa cidade de Ulysses, termo, como fôra princípio, da minha viagem circular planetária.

Exemplar encadernado, com lombada em pele, bem encadernada., mas com desgaste (contornos das capas)
Exemplar com uma dedicatória do autor numa folha incorporada antes da folha de rosto,  “offerece José Augusto Correa, Lisboa, 24 de Fevereiro de 1905

Da estadia em Macau de 20 de Junho a 22 de Junho, o autor descreve-o nas páginas 352 a 362 (III Parte- De Alexandria a Hong Kong pp. 251 a 1370)

Infelizmente das 240 fotogravuras que o livro apresenta, somente uma foto (a Praia Grande) é de Macau.

20 de Junho – Entre as três próximas cidades: Vistoria (Hong Kong), Macau e Cantão, há uma regular carreira de vapores de roda, som serviço de restaurante. Em três horas de bôa marcha, vence-se as quatro milhas que separam Hong Kong, isto é, a China inglesa, de Macau, a China portugueza.

Foi por uma tarde límpida e formosa que avistei o pharol da Guia, e a linda capellinha contigua, a alvejar por entre a ramaria. Apparece depois o bello quartel mourisco, hoje, hospital de colericos, (3) a monumental fachada de S. Paulo, os campanarios de S. Lourenço, toda a magnifica edificação da Praia Grande, d´entre a qual sobresahe o palácio do governador, e no extremo oposto o hotel-sanatorio da Boavista, elevado no meio de um caracol maravilhosamente pittoresco. Todo este conjunto impressiona encantadoramente o forasteiro que pela primeira vez aporta à cidade do Santo Nome de Deus de Macau.

O porto, d´este lado da minúscula peninsula, é inacessível a embarcações de alto bordo. É preciso dobrar a ponta da Boavista e ir fundear no porto interior, que defronta o bairro chinez. Este é extenso mas sujo, com exterior apparencia de remota antiguidade. (…)   …………………. continua.

(1) José Augusto Corrêa nasceu em Vigia (Vigia, também chamada de Vigia de Nazaré, é um município brasileiro do estado do Pará) mas passou a maior parte do tempo na Europa sobretudo em Lisboa e Paris. Era da Academia de Ciências de Portugal e editou várias obras de caráter teológico, filosófico e literário entre 1894 e 1926. Na sua obra “Crônica Planetária”, de 1902, Augusto Corrêa escreveu sobre sua passagem pela terra natal em agosto do referido ano: “22 de Agosto de 1902,- eram nove horas e meia da manhã quando pisei o sólo da pátria idolatrada, (Belém – capital de Pára) depois de uma ausência de vinte e sete anoshttps://www.culturavigilenga.com/copia-biografias

(2) CORREA, José Augusto – Cronica Planetaria (Viagem à volta do mundo), 2.ª edição. Editora: Empreza da História de Portugal, Lisboa, 2.ª edição, 1904, 514 p. Illustrada com 240 photogravuras; 15,5 cm x 21 cm

(3) O “hospital de colericos” (sic)  – Hospital (militar) de Sam Januário foi construído em 1872, destinado a militares, nunca foi quartel mourisco, nem foi para doentes com cólera. De 1896 a 1901 houve uma epidemia de peste bubónica em Macau (e arredores) e em 1902 surgiu uma epidemia de cólera em Cantão : “15-03-1902 – O B. O. acautela para a necessidade de tomar medidas preventivas face à epidemia de cólera que grassa na província de Cantão. O B. O. n.º 30 considera-a já extinta” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia de História de Macau, Volume 4, 1977)

Mais uma colecção com 10 postais, intitulada “A Harmonia das Diferenças”  – fotografias do princípio aos meados do século XX (1902 -1950)  – com legendas em três línguas, publicada pelo Instituto Cultural do Governo da R. A. E. M / Arquivo Histórico de Macau, em 2015 (preço de venda, na altura, MOP 50.00).

INVÓLUCRO EXTERIOR DOBRÁVEL – cada lado: 21,8 cm x 15,3 cm x 0,4 cm

Nesta colecção de postais, “Macau – A Harmonia das Diferenças”, dos primeiros decénios de novecentos, uma ilustração da comédia humana em Macau, secularmente harmónica na diversidade étnico cultural: povo anónimo em actos públicos da cidade china e da cidade crsitã, personalidades de cococ e cartola, gentes das procissões, jovens universitários do interior, uma banda escolar chinesa de instrumentos ocidentais. Nada de “exótico” filtra os olhares: todos convivem na cidade aberta”.

INVÓLUCRO EXTERIOR DOBRÁVEL, parte interna

Todos os postais têm as seguintes dimensões: 20 cm x 14 cm.
O postal com a data mais antiga, 1902, é uma foto da “Orquestra Juvenil de Santa Cecília”

Orquestra Juvenil de Santa Cecília, c. 1902

NOTA 1: Uma das mais antigas orquestras com o nome de Santa Cecília é a “Orquestra da Academia Nacional de Santa Cecília (em italiano, Orchestra dell’Accademia Nazionale di Santa Cecilia), também conhecida como Orquestra de Santa Cecília, que tem sede em Roma, e foi fundada em 1908.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Orquestra_de_Santa_Cec%C3%ADlia
NOTA 2: Nesse ano, o bispo era D. João Paulino de Azevedo e Castro (1852-1918), bispo de Macau de 1902 a 1918, açoriano e um dos vultos religiosos na história missionária no Extremo Oriente. Do ponto de vista músico-cultural, foi um dos principais promotores da reforma sacro-musical através da formação de uma geração de sacerdotes imbuídos do espírito da restauração litúrgica.
A abertura do ano lectivo no Seminário de S. José, cujo reitor era António Maria Alves (reitor de 1902 a 1907), no dia 6 de Setembro de 1903,  foi aberta por um hino do próprio D. João Paulino e executada pelos alunos que participavam da orquestra do Seminário, regida pelo Pe. J. Lau.
http://www.revista.brasil-europa.eu/137/Musica-sacra-Macau.html

Verso do postal

NOTA 3: no “XV Festival Internacional de Música de Macau”, no dia 7 de Outubro de 1997, na Sé Catedral, homenageou-se a Santa Cecília, cantando a “Missa de Santa Cecília “, composta pelo compositor Francês Gounod, e interpretada pela Orquestra Sinfónica de Xangai, sob a batuta do maestro Patrick Fournillier, e por solistas internacionais.

Anúncio de 1902, da Companhia de navegação «CANTON, MACAO, AND WEST RIVER STEAMERS», publicado pelo jornal « The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits…»,
Este anúncio, de 1902,  é igual ao que foi publicado em 1904 (1) no mesmo Jornal «The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits…»
Mantém-se o agente em Macau: A. A. de Mello e o navio que fazia a ligação Hong Kong – Macau – Hong Kong era o “Heung Shan” (2) de 1055 tons (capitão: W. E. Clarke; oficial chefe: T. Hamlin; engenheiro chefe: J. B. Paterson e o comissário de bordo: C. M. d´Eça).
A viagem custava por cada travessia $4.00 (HK dólares), a refeição a bordo $1.50.

«Heung Shan» no Porto Interior, cerca de 1890

A ligação Cantão – Macau – Cantão era feita pelo navio “Lung Shan” (3) de 141 ton. A viagem custava $5.00 (HK dólares), a refeição a bordo $1.50.
Anteriores referências sobre este tema:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/a-a-de-melo-co/
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/06/13/anuncio-de-1904-canton-macao-and-west-river-steamers/
(2) O barco a vapor «Heung Shan» foi construído em 1890 (data do lançamento: 22 de Fevereiro de 1890) pela empresa “Ramage & Ferguson, Leith” para a “Hong Kong, Canton & Macao Steamboat Co. Ltd., Hong Kong 
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/09/18/noticia-de-18-de-setembro-de-1906-barco-heung-shan/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/05/14/noticia-de-14-de-maio-de-1917-macau-na-imprensa-australiana/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/06/14/postal-de-1890-navio-heung-shan-atracado-em-macau/)
(3) Não consegui obter informações deste barco. Com o mesmo nome “LUNG SHAN”, a mesma empresa “Hong Kong, Canton & Macao Steamboat Co. Ltd.” , mandou construir um navio de carga em 1923 que em 1938 foi vendida a uma empresa italiana que o rebaptizou de “Marco Polo”.
http://www.combinedfleet.com/Maruko_t.htm

Livro do Dr. J. António Filippe de Moraes Palha, (1) de 1929, “De Portugal a Macau Através da Historia”  (2) que segundo o autor é:
Ensaio de uma narração historica por factos concatenados e raciocinados na sucessão dos tempos e nas suas relações com os factos gerais, mais particularmente os que se referem à China

CAPA: 20,5 cm x 13,5 cm
LOMBADA (gasta): 1.5 cm

As primeiras páginas com o título “A Propósito” datado de 3 de Janeiro de 1930, refere o autor:
Não é um trabalho histórico, no sentido rigoroso da palavra, o que apresentamos aqui; apenas uma compilação de factos históricos correntes, sobre alguns dos quais se vem discreteando aqui e ali, nas cavaqueiras amenas, e, por vezes, em apaixonadas discussões, que se sucedem interminavelmente desde quando esses factos como tais surgiram. Outros há que, por sua natureza, são tão claros, evidentes e incontroversos que em si encerram um poder mágico de convicção imediata; não se prestam sequer a que possam ser alterados ou adulterados na sua essência e quando o fossem, apenas de tudo, provocariam pelo menos o silêncio de quem presenciasse a um tal propósito, para não contrariar por cortesia a quem a isso se dispusesse….
Índice dos temas:
Fundação de Portugal, continental e colonial – pp. 3 –32
Macau através dos tempos – pp. 33-111
A guerra de opio – pp- 111-120
A China e o ópio – pp. 120-123
A China abatida no seu secular prestígio que vem opondo – pp. 123-166
O Clima de Macau – pp. 166 – 172
Sanidade em Macau – pp 172 – 212
Situação económica de Macau – pp. 212-223
O documento – em fac-simile – apresentado pelo autor (pp.187-188) – um ofício do Cartório da Santa Casa de 20 de Janeiro de 1902 (assinado: Albino António Pedruco) de reconhecimento e manifestação do alto apreço que a meza da Santa Casa lhi tributa. Foi aprovada por unanimidade esta moção”.
Este documento foi apresentado face à insinuação e acusação infamante que então lhe foi assacada aproveitando-se da circunstância de o autor se encontrar em Timor em cumprimento da sua missão, e somente tendo conhecimento posterior quando estava em Portugal. Então promoveu à sua conta o apuramento da verdade (já que não encontrou o devido apoio oficial) tendo: “ levou o sumisso o autor ou os autores da acusação, como sucede sempre em casos tais com os da sua laia que só nas trevas se acoitam”
(1) PALHA, J. António Filippe de Moraes – De Portugal a Macau Através da Historia, 1929, Impresso naTyp: – Mercantil de N.T.Fernandes e Filhos. 223 p., 20,5 cm x 13,5 cm x 1.5 cm
NOTA: Este meu exemplar tem algumas folhas mal paginadas: pp. 151-154 “metidas” entre pp.146 -147 e depois da p.150 segue a p.159 em diante.
Ver a biografia do Dr. J. António Filippe de Moraes Palha em anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-a-f-de-moraes-palha/

Publicado na «Revista Colonial», de 1921 a propósito de um artigo publicado pelo «Hong Kong Daily Press»
(1) «Revista Colonial», ANO IX, II série, n.º 6, Dezembro de 1921, p. 183
Na primeira página (na capa) deste número da “Revista Colonial” está inserido o retrato do General de Engenharia Joaquim José Machado, cuja biografia vem na página 174 desse mesmo número. (2)
Salienta-se desta biografia a nomeação do general, em 1909, como Alto-comissário para delimitação de Macau.
Na verdade já em 1902, o General Joaquim José Machado foi enviado por Portugal à China, para acertar a convenção relativa aos limites de Macau (ilhas) mas as diligências diplomáticas não foram conclusivas. Apesar da ratificação do Tratado entre os dois países, em 1888, este assunto permaneceu pendente, até 1909 quando recomeçaram em Pequim as negociações sobre a delimitação de Macau entre o Conselheiro/ General Joaquim José Machado (nomeado Alto Comissário de Portugal) e o Mandarim Kao-Erh-Chie.
Em 13 de Novembro de 1909, suspenderam-se, após 4 meses de negociações, as conferencias entre o General Joaquim José Machado, e Kao-Ohr-Kim, representante chinês, para a fixação definitiva dos limites de Macau, indicando o Comissário português o recurso à arbitragem. A missão portuguesa era composta pelo General Joaquim Machado (Alto-Comissário); Capitão Demétrio Cinatti (Comissário Auxiliar); Capitão J.M.R. Norton de Matos (Secretário) e Pedro Nolasco da Silva (Intérprete). A parte chinesa era composta por Kao-Ohr-Kim; Shun-Pau-Ho, Superintendente da Polícia de Cantão; Tsung-Yuen-Pi sub-perfeito Marítimo de Tch´in-San; e o Secretário-Intérprete Hou-To-Na. As duas conferências realizaram-se numa sala da residência do Cônsul de Portugal em Hong Kong, João Leiria. Os delegados chineses não aceitaram a proposta de nomeação de uma comissão para definir as delimitações de Macau, a propósito das Ilhas.
Em 1921, o assunto foi submetido à Conferência de Washington mas foi invocado pela China que o governo revolucionário de Cantão não tinha representação na Conferência.(3)
(2)

http://purl.pt/26919

(3) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.