Archives for posts with tag: 1866

O Governador José Maria da Ponte e Horta decretou, por prejudicial aos costumes da sociedade, a abolição da Roda dos expostos da Santa Casa de Misericórdia de Macau e proibiu a esta instituição o recolhimento das raparigas abandonadas.
Em 1 de Janeiro de 1857, existiam 45 expostos e, em 31 de Dezembro de 1866, 107. O movimento total, nos dez anos, foi de 2.286 expostos. O presidente da comissão encarregada de estudar as  necessidades da Santa Casa, P.e Jorge António Lopes da Silva (1)  diz, no seu relatório:
A sua mortalidade é tão extraordinário  que aparece não ter exemplo em parte alguma pois, nos dez últimos anos, a mortalidade foi de 95,5 por cento, quase todos chineses» (2)
O Decerto entrou em vigor a 8 do mesmo mês e ano, devendo no entanto a Santa Casa continuar a tratar dos enjeitados que tinha a seu cargo nessa data. Como a Portaria não conseguiu deter a prática, a «Roda» deixou de existir mas as crianças abandonadas à porta da Santa Casa continuaram a ser recebidos. (3)
De 1855 a 1866 foram admitidas na Roda, em Macau, 2.241 criança expostas, morrendo 2.151. Em Dezembro de 1866 havia 79 crianças para amamentar e 29 desmamadas (3)

Portaria n.º 11 de 2 de Fevereiro de 1867

Extraído do «Boletim do Governo de Macau» XIII-6. 11 de Fevereiro de 1867

Portaria n.º 16 de 8 de Novembro de 1866

Extraído do «Boletim do Governo de Macau» , XII-46 de 12 de Novembro de 1866.
(1) Anterior referência à “Roda dos expostos”:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/04/01/noticia-de-1-de-abril-de-1929-poema-santa-infancia/
(2) Anteriores referências ao Padre Jorge António Lopes da Silva que foi governador do Bispado de 1866 a 1870 durante o período da vacatura do bispado em Macau de  1857-1877:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-jorge-antonio-lopes-da-silva/
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 3, 1995.

«B. O. do Governo da Província de Macau e Timor». XLI-4 de 25 de Janeiro de 1895

Faleceu em Macau no dia 19 de Janeiro de 1895, o 1.º e único Barão de Assumpção/Assunção (título criado por D. Carlos I em 6-5-1890), João Corrêa Paes D´Assumpção. (1)

“Ordem d´Armada” de 30 de Junho de 1846
«Annaes maritimos e coloniaes», n.º 3, p. 26.
Lista dos “ Officiaes da Fazenda d´Armada, segundos aspirantes”
«Almanak estatistico de Lisboa»,  Volume 1, 1848, p. 39.

Oficial da Armada, esteve em Macau pela 1.ª vez como comissário da corveta «Infante D. Henrique», voltando novamente em 1854, quando fixou residência em Macau.

«The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, …,» 1868.

Durante largos anos foi contador/secretário  da Junta da Fazenda Pública de Macau, Timor e Solor. Foi também 1.º oficial do Corpo dos Oficiais e superintendente da fiscalização da importação e exportação do ópio em Macau,. Em 1891 foi arrolado como um dos 40 maiores contribuintes de Macau.

Cemitério de S. Miguel
http://www.macaneselibrary.org/PublicE-o/p37.htm 

Encontrei esta nota curiosa de felicitação ao comendador por se ter livrado da cegueira do olho direito após tratamento do tratamento duma conjuntivite!

«O Correio Macaense» VI-15 de 24 de Maio de 1889

(1) João Corrêa Paes D´Assumpção (Paço de Arcos 1825 – Macau 1895) foi cavaleiro (1865), comendador da Ordem Militar de Cristo (ordem honorífica portuguesa que herdou o nome da extinta Ordem de Cristo (1834), cavaleiro da ordem de N.ª Srª da Conceição de Vila Viçosa (1888) e cavaleiro da Real Ordem do Cambodja. Foi também cônsul do Brasil (1892)

«Bol. Gov de Macau» XII-9 de 26-02-1866

Dados biográficos recolhidos de FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, Volume I, 1996,p. 293.

No dia 19 de Novembro de 1864, foi entusiasticamente recebido e com grandes festejos o Corpo do Voluntários Artilheiros de Hong Kong, (1) armados e com artilharia, (fizeram exercício no campo de S. Francisco) sob o Comando do Coronel Lindesay Brine. (2) Durante os três dias de permanência (chegou a 19 e partiu a 21) fizeram-se em Macau grandes festas, reinando a melhor camaradagem e cordialidade entre portugueses e ingleses. (3) (4)

“Visit of the Hong-Kong Volunteer Corps to Macao, the Parade in Front of the Pavilion” (4)

Após esta visita, o Corpo de Voluntários de Hong Kong, no dia 24 de Junho de 1866, ofereceu em Macau uma espada ao Governador José Rodrigues Coelho do Amaral como sinal de reconhecimento, pela cordial recepção que teve nesta cidade nessa visita. (5) (6)
Esta mesma visita mereceu também uma referência na “Carta da Tia Pancha a Nhim Miquela” escrita em «3 de janero de 1865» (7):
Outro dia Voluntario inglez d´Hong Kong já vem Macáo! Qui lai di bonito! eu já vai olá também. Macáo parece França, tudo gente fallá. Tem tifin (8), revista di tropa, salva de vinte un há tiro, balsa (9) à note qui bonito, gastá cô tudo aquelle flamancia três mil fóra pataca. Algum gente qui nunca gostá assilai cuza, (10) já vai olá cova de Sam Francisco Xavier (11) eu tamêm muito querê pra santo, mas nunca vai“
(1) O Regimento de Hong Kong, também conhecido como “Os Voluntários”(“The Royal Hong Kong Regiment (The Volunteers) –  皇家香港軍團(義勇軍”), foi formado em Maio de 1854 aquando da redução militar da guarnição inglesa em Hong Kong devido à Guerra da Crimeia. Devido aos frequentes ataques dos piratas na costa da China, para manutenção da ordem, foram chamados voluntários para incorporação num regimento. No total de 99 europeus foram recrutados, a maioria de nacionalidade britânica, mas também portugueses, escandinavos e alemães. O regimento foi desmobilizado e reactivado conforme as necessidades até que em 1878 definitivamente se institui uma força militar denominada “Hong Kong Artillery and Rifle Volunteer Corps” e depois em 1917 como “Hong Kong Defence Corps”- a única força militar existente em Hong Kong durante a I Grande Guerra.
https://en.wikipedia.org/wiki/Royal_Hong_Kong_Regiment
http://www.rhkr.org/history/
(2) Almirante Lindesay Brine (1834-1906) oficial da Armada Real Britânica. Tenente em 1854, “Commander” em 1862, “Captain” em 1868, Vice Almirante em 189. Retirado em 1894. Foi depois nomeado Almirante em 1897. Nomeado comandante da canhoneira “Opossum” que estava em serviço nas águas da Índias Orientais e China, em 1 de Maio de 1860 e depois colocado em Hong Kong, no Corpo de Voluntários. Em 27 de Maio de 1865 nomeado comandante do  “HMS Racer” estacionado no Mediterrâneo.
É autor do livro “The Taeping Rebellion In China; A Narrative Of Its Rise And Progress, Based Upon Original Documents And Information Obtained In China
(3) GOMES, Luís G – Efemérides da História de Macau, 1954)
(4) Ver anterior postagem sobre esta mesma visita “Notícia da visita a Macau do dia 19 a 21 de Novembro de 1864 do Corpo de Voluntários de Hong Kong”, publicada no suplemento do dia 21 de Janeiro de 1865 do jornal «The Illustrated London News»”, em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/19/noticias-de-19-a-21-de-janeiro-de-1865-visita-do-corpo-de-voluntarios-de-hong-kong-a-macau/
(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
(6) Ver anterior postagem em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/06/24/noticia-de-24-de-junho-de-1866-oferta-duma-espada-ao-governador-coelho-do-amaral/
(7) Ta-Ssi-Yang –Kuo  Tomo I. p. 324.
(8) Tifin – o mesmo que “lunch”
(9) Balsa – fogo de artifício chinês, muito comum em Macau até à década de 20 (séc. XX) depois caiu em desuso. Este fogo de artifício era chamado porque os foguetes eram colocados em balsas ou baldes Construía-se uma armação em bambu, espécie de torre de dois ou três andares, e em cada andar punha-se uma balsa de foguetes. Acendia-se a primeira, esta ao explodir pegava fogo à segunda e assim sucessivamente. (BATALHA, Graciete Nogueira – Glossário do DIalecto Macaense. Coimbra, 1977).
(10) Assilai cuza – duma tal coisa.
(11) Cova de Sam Francisco Xavier – refere-se à antiga sepultura do Santo na Ilha de Sanchoão e à peregrinação que os macaenses fizeram a essa ilha em Novembro de 1864.
Ver anterior postagem em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/12/03/noticia-de-3-de-dezembro-de-1866-a-cruz-dos-macaenses-na-ilha-de-sanchoao

Extraído do «B. G. M.», XII-43, 1866.

Notícia no Boletim do Governo de Macau, em 1866: execução da pena de morte do chinês Chan Chat-tai, por pirataria. O pirata foi descoberto e preso pela polícia de Macau.
Extraído do «Bol do Governo de Macau», XII-36, 3 de Setembro de 1866,p. 144

No dia 24 de Agosto de 1866, o Corpo de Voluntários de Hong Kong ofereceu em Macau uma espada ao Governador José Rodrigues Coelho do Amaral como sinal de reconhecimento, pela cordial recepção que tiveram nesta cidade, na sua visita em 19 de Novembro de 1864. Na mesma ocasião foi entregue ao Sr. Presidente da Câmara Municipal uma escrivadinha de prata que pelo mesmo motivo foi oferecida à municipalidade.(1)
B. G. M. XII-26 , 1866,

(1) Ver:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/01/19/noticias-de-19-a-21-de-janeiro-de-1865-visita-do-corpo-de-voluntarios-de-hong-kong-a-macau/

Extraído do «B. G. M. »XII-23 de 4 de Junho de 1866,
A mesma companhia lírica francesa sob a direcção do Sr. Maugard deu mais duas representações no mesmo teatro
Extraído do «B. G. M.» XII-25 de 18 de Junho de 1866.