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A paróquia de São Lázaro celebra hoje, a Festa de São Roque, com missa solene às 9 horas e 30, seguindo-se a procissão em devoção do “Santo Padroeiro contra a Peste”.(1)  O cortejo religioso vai percorrer algumas artérias do bairro de São Lázaro, tais como a Rua do Volong, Rua de São Miguel, Rua de São Roque e Rua Nova de São Lázaro. (2) (3)
A Festa e procissão de São Roque é tradicionalmente celebrada a 17 de Agosto, mas em Macau é sempre realizada no segundo Domingo de Julho, por causa de uma “epidemia” ocorrida em finais do século XIX. (4) Na altura, a população solicitou intervenção divina para o fim da “epidemia”, e como as doenças desapareceram, cumprindo a promessa a S. Roque, a população passou a realizar a sua festa em Julho.
(1) São Roque é o protector dos leprosos e padroeiro dos inválidos e de profissões ligadas à medicina.
(2) http://www.oclarim.com.mo/local/sao-roque-celebrado-a-8-de-julho/#more-13061
(3) A procissão em honra deste Santo só foi retomada na paróquia de S. Lázaro em 2008 (a última tinha sido em 1966), devido ao surto nesse ano, em Macau, da Síndrome Respiratória Aguda.
(4) A data é incerta, o mesmo jornal “O Clarim” (2) refere a data de 1889 mas consultando as várias fontes sobre efemérides relacionadas com Macau, não encontrei qualquer referência a enfermidades com relevância no ano de 1889.
Provavelmente estará mais relacionada com o ano de 1882 em que faz referência à preocupação das entidades oficiais face ao aumento progressivo dos “leprosos” e à dificuldade em alojá-los, (5) (6) bem como dos muitos focos de infecção nos depósitos de lixo, e valetas nas hortas do “Volong” e da «Mitra» (7), na freguesia de S. Lázaro.
(5) “6-07-1882 – Relatório do Administrador do Concelho das Ilhas, tenente José Correia de Lemos revela que o número de leprosos em Pac Sa Lan, na Ilha de D. João, é de 40 homens solteiros e 7 casados (sem as mulheres). As mulheres leprosas são 18 e foram admitidas já com a doença; 2 são casadas mas não estão com os maridos, 11 são solteiras, 5 são viúvas e 4 destas entraram já viúvas, trazendo consigo duas filhas menores. É-lhes proibida coabitação, mas é «impossível evitar que tenham correspondência». Os lázaros cultivam uma várzea para sua ocupação e sobrevivência. (8) (9)
10-07-1882O Administrador pede licença para mandar fazer 64 mudas de roupa de verão para os lázaros.É evidente o zelo, e a frequência dos contactos de acompanhamento. (8)
28-07-1882É regulada a admissão de lázaros no depósito de Pac Sa Lan, e determinadas medidas com respeito aos encontrados nas ruas. Determinado que o depósito destinado a indivíduo do sexo masculino seja completamente separado dos das mulheres. (8)
Boletim da Província de Macau e Timor, XXVIII-30 de 29 de Julho de 1882, pp. 254-255.
(6) “06-03-1884Ofício do Administrador ao Governo sugerindo Ká Hó para instalação da leprosaria e não a Ilha da Taipa. (8)
20-01-1885O Hospício para Lázaros, em Ka- Hó, depois de muita resistência e de alterações várias quanto à escolha do local, quer em Macau (D. Maria, Porta do Cerco) quer na Taipa e depois em Coloane, foi entregue pronto nesta data, com guarda e zona circundante delimitada. O apetrechamento só ficará completo em Maio deste ano.” (7)
(7) O secretário geral do Governo em 15 de Julho de 1882 (na ausência do Governador) J. A. Corte Real chamava a atenção do Presidente da Camara e administrador do concelho dos administradores de concelho e director das obras públicas para os focos de infecção por muitos e antigos depósitos de lixo, para a necessidade de limpeza e desobstrução de canos e valetas nas hortas do “Volong” e da «Mitra» e outros pontos de forma que se vão melhorando consideravelmente as condições hygienicas da cidade» e «reclamando por isso medidas extraordinárias, que colocando-os em condições materiaes regulares, possam remover-se os casebres , monturos e permanentes fôcos de infecção, que d´outra fôrma será impossível evitar»
(Boletim da Província de Macau e Timor, XXVIII- 28 de 15 de Julho de 1882, p. 238/239)
(7) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3.
(8) TEIXEIRA, P. Manuel – Taipa e Coloane, 1981, p.117 e 119.
Boletim da Província de Macau e Timor, XXVIII-30 de 29 de Julho de 1882, pp. 254-255

Macao
Praia Grande, vista da Colina da Penha, c. 1885
Gravura feita após fotografia, colorida posteriormente

A Praia Grande em 1885
O Dr. Augusto Pereira Tovar de Lemos (1) descrevia assim a Praia Grande no «Relatório do serviço médico da província de Macau e Timor referido ao anno de 1885»: (2)
«Esta enorme e larga rua (Avenida da Praia Grande), na maior parte pertencente á freguesia da Sé, é curva e talhada juntamente com a muralha que a limita pelo E, S e SO em amphiteatro. É arborizada. Em curva mais suave, segue-se uma extensa linha de prédios, qual deles o melhor. Ao centro d´esta rua está um bello palácio, que por muito tempo foi residência dos Governadores, acomodando actualmente as seguintes repartições públicas – junta da fazenda, tribunaes judiciaes, europeu e china, com os respectivos cartórios e repartição de decimas. E um bello estabelecimento; em harmonia coma amplidão e elegância das salas está a sua mobília. Estão em decência á altura e dignidade de taes repartições. Apenas há a notar e sentir que algumas salas interiores no rez do chão, e que servem para cartórios da repartição da procuratura, tenham pouco ar e pouca luz, resultando, já se vê, crescimento de humidade, e por tanto insalubres, em especial no tempo invernoso. A sala de tribunal é mais de decente, é magestosa.
Um outro palácio de mais subido gosto, segundo a maioria dos pareceres, se encontra ao seguir da mesma fileira de prédios na Praia Grande o qual olha para o S. ou talvez mais rigorosamente para SO. Todo o palácio, como o seu adorno, está em circunstâncias de receber os mais elevados dignitários estrangeiros, sem quebra de nossa dignidade nacional. N´elle reside o actual Governador (Tomás de Sousa Rosa), a quem se deve tanto o melhoramento do palácio com a útil e grandiosa idea de reunir a maior parte das repartições, não se poupando a esforços para que as referidas repartições, se alojassem com o decido conforto, e decência. Todos os prédios que em graciosa e suave curva limitam pelo N. a praia são belos, e como são pintados ou caiados a diversas cores, o conjunto forma um todo bello. A rua é toda arborizada do lado S No limite E fica um elegante edifício, o Grémio Militar, e por detraz d´este em mais elevado plano o vistoso e bom quartel de S. Francisco. Do lado S.O. fica a montanha arborizada da Penha.
Entre os prédios dos particulares os que mais se distinguem são os do sr. Commendador Senna Fernandes e o Hotel (Macao Hotel ) que é de bom gosto. A apparência  d´estes edifícios não está em geral em harmonia com as divisões das casas, que têem irregularidades, com algum prejuízo para a hygiene».
(1) O Dr. Augusto Pereira Tovar de Lemos ( ? – 1933), chefe de serviço honorário da província de Moçambique, chegou a Macau no transporte «África», no dia 1 de Janeiro de 1882, acompanhando como médico, o 1.º Batalhão do Regimento de Infantaria do Ultramar. A 10 de Maio de 1884, foi nomeado cumulativamente o serviço também do 3.º Batalhão. Foi nomeado de 2 de Maio a 19 de Novembro de 1844, Chefe interino do Serviço de Macau e Timor substituindo o Director, Dr. Lúcio da Silva que esteve nesse período em Portugal de licença graciosa  Foi depois chefe interino algumas vezes  (17 de Janeiro a 1 de Dezembro de 1885; 27 de Junho a 3 de Outubro de 1887 e de 18 de Janeiro a 2 de Julho de 1888) , substituindo o Dr. Gomes da Silva, ausente quer por licença graciosa quer em missão de serviço a Timor e Sião. Seguiu de viagem para Portugal em 15 de Outubro de 1889, para se tratar da saúde, não mais regressou. Faleceu no dia 30 de Janeiro de 1933 segundo « Diário da Manhã» Ano II-n.º 630, 3 Janeiro de 1933.

(2) Publicado no Boletim Oficial, 6 de Maio de 1886, p. 154.

Extraído da revista “As Colónias Portuguesas” ANNO VII, n.º 19, 20 de Outubro 1889.

Hoje, dia 23 de Agosto celebra-se a festa litúrgica de Santa Rosa de Lima. Amanhã dia 24, do ano de 1617, (precisamente 400 anos ) assinala a morte de Isabel Flores y Oliva, que ficou conhecida como Santa Rosa de Lima, mística da Ordem Terceira Dominicana,canonizada pelo Papa Clemente X em 1671 e a primeira santa nativa da América e padroeira do Peru. (1)

Painel numa coluna á entrada da Catedral Metropolitana de Buenos Aires, tirada em 2016

Em Macau, desde cedo o nome de Santa Rosa de Lima ficou ligada à educação principalmente para órfãs e meninas.
1.º Havia o Recolhimento de Santa Casa da Misericórdia cuja primeira referência aparece num termo do Senado de 26 de Dezembro de 1718 em que atribuía a este Recolhimento a sustentação das Meninas orphaans filhas de Portuguezes , q com o beneplácito do Procurador e mais Irmãons da casa, se fará nella hum recolhimento co mais huma S.ª grave p.r Mestra das Orphaans”
O Recolhimento foi fundado em 1726 sendo provedor de Santa Casa António Carneiro de Alcáçova; foi aprovado por João de Saldanha da Gama, vice-rei da Índia, “com a clausula de que haverá no d.º Recolhimento uma Mestra, que possa ensinar às Orfas as artes de que necessita uma mulher para governar a casa.”
Em 1737, a Santa Casa fechou o Recolhimento por falta de dinheiro. Em 1792, foi fundado por D. Marcelino José da Silva, bispo de Macau (1789-1808) um Recolhimento ou casa de educação para meninas órfãs”. Mais tarde esta Casa tomou o nome de Recolhimento de Santa Rosa de Lima. Em 1848, foi instalado na Casa das 16 colunas (posteriormente Instituto Salesiano) sob a direcção das filhas da Caridade de S. Vicente de Paulo, que no ano seguinte o transferiram para o extinto Convento de S. Agostinho; dali passou para o Mosteiro de S. Clara em 1857; mas em 1865, essas Irmãs saíram de Macau.
Em 1875 o governador José Maria Lobo d´Avila (portaria n.º 23 de 18-02-1875) determinou o seguinte: “ Tendo sua Majestade por decreto de 2 de Outubro de 1856 anexado o recolhimento de Santa Casa Rosa de Lima ao Mosteiro de Santa Clara, a fim de poder ali crear-se uma casa d´educação para o sexo feminino…(…)… Attendendo  a que é de toda a conveniência o acabar o estado excepcional em que ficou o recolhimento de Santa Rosa de Lima depois da extinção de mosteiro de Santa Clara, devendo segundo a letra do supracitado decreto crearse ali uma casa d´educação para o sexo feminino. “

Colégio de Santa Rosa de Lima anexo ao antigo Convento de Santa Clara em 1956

A direcção e administração directa do Colégio era exercida por uma comissão, mas a inspecção ficava a cargo do governo. O presidente era um prelado diocesano, sendo vice-presidente o juiz de direito, e os restantes membros: dois cidadãos nomeados pelo governador (sendo um deles tesoureiro) e um capelão que servia de secretário.
O ensino ministrado nesse colégio era o elementar, ou instrução secundária que compreendia: línguas, portuguesa, francesa e inglesa; história sagrada; desenho; música de canto e piano; educação física; higiene e economia doméstica.
A pedido do bispo D. António Joaquim de Medeiros ( bispo de 1884-1897),  as Irmãs Canossianas (Filhas Canossianas da Caridade) tomaram conta desse Colégio em 1889, dirigindo-o até 1903.
Em 17 de Novembro de 1903, as Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria que haviam instalados em Macau, no Mosteiro de Santa Clara, em 1903 e começaram a desenvolver trabalho missionário ligado ao ensino passaram também a dirigir o Colégio por ordem do bispo D. João Paulino de Azevedo e Castro (bispo de 1902-1918). Ambos os edifícios lhes foram cedidos pelo Governo juntamente com os bens do antigo Mosteiro e do antigo Recolhimento de Santa Rosa de Lima.
As Irmãs que chegaram a 27-1-1903 eram as seguintes:
Benedicta de S. Joaquim, Superiora (moreu em Tsingtao, 15-11-1921)
Leona du Sacre Coeur (moreu em Macau, 16-03-1956)
Antoine de Brive (moreu em Chefoo)
Edeltrud (morreu  em Macau)
Ambrosina (morreu em Macau, Fevereiro de 1953)
Zélia (morreu  em França)
Mais tarde chegaram as Irmãs Clotilde, M. da Apresentação, M. Chiara, M. Leónia e M. Dismas.
A 30 de Novembro de 1910, (I República Portuguesa) o Governo ordenou a saída das Franciscanas (o Colégio, nesse ano, tinha 130 alunas de diferentes nacionalidades, sendo muitas delas internas) e a escola foi confiada a pessoal leigo a 7 de Janeiro de 1911, ficando reduzida a 40 alunas.(2)
As Franciscanas só voltaram a dirigir o Colégio em 1932.

Pormenor do mesmo painel (2016)

(1) Rosa de Lima (1586 – 1617), nome de baptismo: Isabel Flores y Oliva, beatificada a 15 de abril de 1668 por Papa Clemente IX e canonizada a 2 de abril de 1671, por Papa Clemente X. A Festa litúrgica é no dia 23 de agosto (Calendário Romano) embora seja comemorada a 30 de agosto em Peru. É também padroeira das Filipinas.
Santa Rosa de Lima era muita devota de Santa Catarina de Sena, um dos padroeiros de Macau (declarado pela Vereação do Senado a 2 de Maio de 1646)  e venerada na Igreja de S. Domingos.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rosa_de_Lima
(2) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982.
Ver mais informações sobre o Recolhimento e Colégio de Santa Rosa de Lima em anteriores postagens:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-de-santa-rosa-de-lima/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/casas-de-recolhimento-de-santa-rosa-de-lima/

DESENHOS

Se medito no gozo que promete
A sua boca fresca e pequenina
E o seio mergulhado em renda fina,
Sob a curva ligeira do corpete;

Desejo, num transporte de gigante,
Estreitá-la de rijo entre meus braços,
Até quase esmagar nestes abraços
A sua carne branca e palpitante;

Como, da Ásia nos bosques tropicais,
Apertam, em espiral auriluzente,
Os músculos hercúleos da serpente
Aos troncos das palmeiras colossais. …
Camilo Pessanha (1)

Versão mais concentrada que substituiu ”Lúbrica” (primeira versão) (2)
(1) PESSANHA, Camilo – Clepsidra e Outros Poemas de Camilo Pessanha. Organização e Algumas Variantes por João de Castro Osório. Edições Ática, 6.ª edição, 1973, 210 p. p- 91.
(2)  “Ainda melhor posso agora situá-lo no grupo completo dos «Poemas Iniciais», porque surgiu uma versão nova, encurtada em mais de metade, com emendas por isto necessitadas, ou Já de melhor arte, que parece substituir, e foi, de acordo com a nova forma, intitulada, também mais própria e perfeitamente, « Desejos».
Está datada de 14 de Setembro de 1885, a mais antiga poesia de Camilo Pessanha, com o título “Lúbrica”, composta de catorze quadras e incluída na segunda edição de «Clepsidra». Quatro anos depois das quadras originais, introduziu algumas variantes e, modificando o título primitivo para “Desejos”, reescreveu essa poesia, de que se reproduz o manuscrito inédito e respectiva leitura” (João de Castro Osório – Breve esclarecimento sobre esta edição ) (1)

Dicionário Português – Chinês / 葡中字典 (1), mandado elaborar pelo Governo da Província e impresso na  Imprensa Oficial de Macau, em 1969, com 1864 páginas. (20 cm x 14 cm x 7 cm ).
Dicionário Português-Chinês 1969 CAPANo Prefácio, a Comissão (2),  encarregada na elaboração deste dicionário, salienta:
“… Este dicionário didáctico foi baseado nos dicionários português-inglês, da autoria do Padre Júlio Albino Ferreira, e inglês-chinês  «A Comprehensive English-Chinese Dictitionary», editado pela «The Commercial Press, Limited Shanghai, China». Servimo-nos igualmente para consulta e selecção de vocábulos, do Dicionário Prático Ilustrado português, do «Chinese-English Dictitionary», de Mathew´s, e de várias outras obras auxiliares.
Dicionário Português-Chinês 1969 LOMBADA

É de fácil manuseamento e essencialmente prático, contendo mais de 50 000 vocábulos em português, e seus correspondentes, em caracteres sínicos, com diversos significados, além das expressões e frases mais usuais em ambas as línguas.
Seríamos injustos se deixássemos de mencionar a pessoa de Rolando Agostinho dos Reis Ângelo que primeiro teve a honra de presidir a esta Comissão, no início deste seu trabalho, e que tão incansavelmente se houve no exercício do seu mister…”
A romanização dos caracteres chineses baseia-se em dialecto cantonense e os caracteres chineses são em formato tradicional.
(1) 葡中字典mandarim  pinyin: pú zhōng zì  diǎn;  cantonense jyutping: pou4  zung1 zi6 din2
(2) Comissão : Armando Maria de Sequeira Basto, Carlos Maria de Siqueira e António T. G. Dias.Armando Maria de Sequeira Basto (1918-?) foi intérprete tradutor oficial e solicitador judicial, filho de Abílio Maria da Silva Basto (1889-1976) que foi sub-chefe da Repartição Técnica do Expediente Sínico e intérprete do Consulado de Portugal em Cantão.)

O jornal «O Independente» de 5 de Novembro de 1892, anunciava a demonstração aeronáutica do Sr. Leo Hernandez, que já tinha actuado em Hong Kong (1) e de lá viria  até Macau para em Dezembro realizar uma ascensão às 9 horas da noite, elevando-se à altura de sete mil pés. O aeróstato (2) que se denominava Telegraph, tinha de largura 150 pés e de altura 75 pés e era iluminado por 500 luzes.
O mesmo jornal, de 24 de Dezembro, noticiava o seguinte: “Realizou-se na tarde de segunda -feira última a ascensão aeronáutica do sr. Leo Hernandez, partindo do campo do Lawn Tennis. (3) O aerostato elevou-se a uma altura considerável e tinha percorrido no sentido horizontal uma grande distância quando se viu desprender-se dele o pára-quedas com o auxílio do qual desceu o aeronauto, vindo a cair no mar em frente da vertente sueste da montanha da Guia, com espanto dos que presenciavam a queda. Leo Hernandez dirigiu-se em seguida a nado até uma das lanchas que estavam naquele sítio e que o recolheram, tanto a ele como ao pára-quedas e ao balão.
Foi escassa a concorrência dos espectadores no local da ascensão; mas os montes vizinhos viam-se apinhados de curiosos, que não se arrependeram de ali terem ido assistir ao espectáculo.
O mesmo jornal voltava a noticiar no dia 31 de Dezembro:
Fez no último sábado a sua ascensão; mas desta vez não lhe foi possível abrir de todo o pára-quedas, vendo-se obrigado a descer com o balão.
O pior é que o sr. Hernandez por duas vezes expôs em Macau a sua vida sem que levasse consigo um avo, tendo gasto nesta cidade todo o produto dos espectáculos.
Comenta Beatriz Basto da Silva: “Não se pode dizer que foi um sucesso, nem pelo que o aeronauto ofereceu, nem pelo produto  do espectáculo que esperava receber” (4)
NOTA: «O Independente» foi fundado em Agosto de 1868 por José da Silva (redactor, proprietário e responsável)  com uma periodicidade quinzenal, até 30-04-1874,  passando a semanal a 7 de Maio de 1878. Este periódico foi suspenso por diversas vezes, o que aconteceu em Julho de 1890 e em Novembro (17) de 1894, sendo retomada a sua edição em Julho (18) de 1891 e em Setembro (12) de 1897, respectivamente. O Padre Manuel Teixeira indica 24 de Julho de 1898 como a data do final desta publicação.
A 17 de Janeiro de 1889, por motivos de saúde, José da Silva passa o jornal a seu filho, Constâncio José da Silva (nº1, vol. 1) A 18 de Julho de 1891, José da Silva volta a aparecer como redactor principal. O seu redactor foi diversas ocasiões espancado, multado e preso por artigos publicados no seu jornal. Frequentemente criticava actos da administração pública e inseria diatribes contra pessoas particulares e contra os Jesuítas. (http://repositorio-aberto.up.pt/bitstream/10216/25639/2/tesemestculturaesociabilidades000103700.pdf)
(1) O jornal “The Hongkong Telegraph de 10 de Novembro de 1892  anunciava o espectáculo aéreo do mexicano Leo Bill Hernandez, em Hong Kong..
ANÚNCIO da exibição de Leo Hernandez“Leo Mexican Bill Hernandez, acrobat and aeronaut, would ascend from the West Point Praya. Then from the trapeze platform of his brilliantly illuminated balloon Mexican Bill would fire signal rockets from amid the clouds. The climax of his show had him floating to the ground on a fiery parachute – advertised as a stunt never done before.
The cost to the Inner Enclosure was $HK1; Outer Enclosure .50 cents; soldiers, sailors and children half price. With the 9pm deadline approaching gate receipts exceeded $HK100 – a considerable amount for the time!”
Informação retirado de Chic´s Webs: “Kai Tak -The Prior Years”
http://www.chingchic.com/kai-tak—the-prior-years.html
ANÚNCIO Balão von Charles
O aérostato apresentado no anúncio é do tipo “Balão von Charles” também conhecido como “Charlière”,  desenhado (1783) pelo físico Jacques Charles (1746-1823)
(2) Aeróstato – balão que se enche de ar aquecido ou de gás mais leve que o ar atmosférico e que por isso se eleva e se sustém na atmosfera. (http://www.priberam.pt/dlpo/aer%C3%B3stato)
Podem existir balões de voo livre, em que a deslocação é feita através da impulsão externa das correntes atmosféricas, e balões cativos, que não se deslocam, estando permanentemente presos ao solo.
(3) Clube de Ténis Civil de Macau localizado na Avenida da República n.º
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.