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Extraído de «BPMT», XIV- 20, de 16 de Maio de 1868

Dois alemães, William Gardner (13-01-1843) de Strassburg e seu amigo Wilhelm von der Bussche (10-01-1838) casaram com duas irmãs macaenses e estabeleceram em Macau no ramo da hotelaria. William Gardner, que era proprietário do “Hotel Oriental”, segundo o anúncio, investiu muito dinheiro em duas “máquinas de banhar”, (2) em 1868, que foram colocadas no extremo oeste da Praia Grande, cobrando para a sua utilização, em dinheiro que deveriam ser pagos adiantados no “Hotel de Macao”: $ 20 patacas por bilhete familiar para uma estação balnear;  $5 patacas para uma pessoa (mensal) ou 25 avos por banho (cada banho: 20 minutos).   Em 18 de Agosto de 1869, (1) o Hotel Oriental foi totalmente destruído pelo fogo. A mulher de Gardner e sua filha estavam a dormir no andar superior e os socorristas conseguiram subir as escadas,  apesar do fumo intenso e com grande dificuldade, resgatá-las.

A família abandonou Macau e William Gardner estabeleceu-se em Hong Kong no mesmo ramo, hotelaria / restauração. Na sua morte em Fevereiro de 1875, William Gardner deixou a quantia de HK$ 3.724 (3)

(1) O Hotel Oriental situado na Praça de Ponte e Horta teve um incêndio em 18-08-1869. (GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau , 1954) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2019/10/28/noticia-de-28-de-outubro-de-1867-anuncio-passeios-turisticos/

(2 As chamadas “Máquinas de banhar” eram muito populares nas praias da Europa desde o século 18 até princípios de 20. Eram uma espécie de cabana (alguns feitos de madeira) sobre rodas que serviam como um pequeno camarim para troca de vestuário e “toilette” e podiam ser puxadas da areia para a água. https://www.apartmenttherapy.com/history-of-the-bathing-machine-photos-facts-231324

Mermaids at Brighton” – William Heath (1795-1840), c. 1829. https://en.wikipedia.org/wiki/Bathing_machine
“Woman in bathing suit”(1893) – Foto de Wilhelm Dreesen (Image credit: Messy Nessy Chic)

Pode ver exemplos destas máquinas de banhar em: https://www.apartmenttherapy.com/history-of-the-bathing-machine-photos-facts-231324 https://www.apartmenttherapy.com/history-of-the-bathing-machine-photos-facts-231324

(3) LIM, Patricia – Forgotten Souls: A Social History of the Hong Kong Cemetery Royal Asiatic Society Hong Kong Studies Series. Hong Kong University Press, 2011, p. 359.

Extraído de «TSYK» III ano, n.º 30 de 26 de Abril de 1866, p. 142

NOTA: O governador de Hong Kong era Sir Richard Graves MacDonnell (麥當奴), (1814-1881) (1) que tomou posse em 11 de Março de 1866 (até 11 de Abril de 1872). Chegou a Hong Kong a 15 de Março no navio “Princess Royal” tendo estado anteriormente em governos coloniais na Gâmbia, St. Vicent, Sul da Austrália e Norte da Scotia. Foi nesse ano de 1866 que o comando da marinha dos EUA que estava sediada em Macau, se transferiu para Hong Kong. O Governador de Macau era José Rodrigues do Amaral (22-06-1863 a 26-10-1866)

Acompanhava-o Contra-Almirante George St. Vincent King, (2) Comandante em Chefe da China e estação Naval do Japão de 17 de Janeiro de 1865 a 18 de Janeiro de 1867.

(1) Ver anteriores referências a este governante de HK bem como anterior postagem desta visita relatada no «BGM» em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/04/21/noticia-de-21-de-abril-de-1866-visita-do-governador-de-hong-kong/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/sir-richard-g-macdonell-1814-1881/

(2) George St. Vincent King – 2.º filho do Vice almirante Sir Richard King (1774-1834) e de Sara Anne (filha do Almirante Sir John Thmoas Duckworth); Contra Almirante em 4 de Abril de 1862; Vice-almirante em 20 de Março de 1867 e Almirante em 20 de Abril de 1875. Por morte do seu irmão Sir Richard tornou-se Barão em 2 de Novembro de 1887,  e por licença a real de 13 de Fevereiro de 1888, tomou o nome de Sir George St. Vincent B. Duckworth King Morreu a 18 de Agosto de 1891 (aos 83 anos). PARKINSON, Jonathan – The China Station, Royal Navy: A History as seen through  the careers of the Commanders in Chief , 1864 – 1941, 2018

Jules Alphonse Eugéne Itier (1802-77), (1) francês, inspector de alfândegas, diplomata e amador fotográfico “daguerreotipista” (2) acompanhou Joseph Théodose Marie Melchior de Lagrené, (1800-1862, diplomata francês) na sua jornada para a China, em Dezembro de 1843, para concluir um tratado comercial com a China.(3) Itier documentou a conclusão do Tratado de Whampoa e viajou pela China de 1943 a 1846, escrevendo e tirando daguerreótipos do dia-a-dia do povo chinês, paisagens e monumentos chineses. Entre estes constam os da região de Guangdong nomeadamente Macau onde realizou vários “daguerreótipos” em 1844. Ao retornar à França, Itier escreveu um extenso diário da sua viagem à China“. (4).

Templo de Á Má, Outubro de 1844
Templo de Á Má, Outubro de 1844
Águas de Macau, Outubro de 1844
Águas da Ilha da Taipa, Outubro de 1844
Praia Grande com o Fortim de S. Pedro, Outubro de 1844

Anteriores referências:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jules-itier/
(1) http://en.wikipedia.org/wiki/Jules_Itier
(2) Daguerreótipo foi o primeiro processo comercial fotográfico (sem imagem negativa) com sucesso inventado por volta de 1837 por Louis Jacques Mandé Daguerre.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Daguerre%C3%B3tipo
(3) Tratado de Huangpu ou Whampoa, 1.º tratado franco-chinês em 1844. As negociações decorreram entre 13 de Outubro e 24 de Outubro de 1844
(4)Journal d´un Voyage en Chine 1843-1846 Vol 1
Por M Jules Itier, 1848
Journal d´un Voyage en Chine 1843-1846 Vol 2
Por M Jules Itier, 1848

Publicado no Boletim Oficial do dia 5 de Abril de 1884, um aviso do Correio de Macau, datado de 4 de Abril.

Extraído de «BPMT», XXX, n.º 14 de 5 de Abril de 1884
Tradução do aviso pelo 1.º interprete Pedro Nolasco da Silva

Ricardo de Sousa, primeiro director do Correio de Macau, aos 34 anos de idade (1867) (1)

No dia 27 de Fevereiro de 1884, foram publicadas Instruções provisórias para o Serviço do Correio de Macau, atendendo a que, como colónia portuguesa, fazia parte da União Postal Universal, conforme Declaração assinada em Paris a 1 de Junho de 1878, mas também devido a que, 5 anos decorridos, Macau ainda não entrara de facto na União por não haver estabelecido convenientemente a respectiva Repartição Postal. (1)

 A correspondência do serviço de Correio entre Macau e a Taipa/Coloane, passaria a ser transportada diariamente excepto em dias santificados, na lancha da carreira, numa caixa com duas chaves, uma na mão do Director dos Correios de Macau, outra na do Administrador da Taipa. O serviço dos Correios ficava no edifício inicialmente destinado a Hospital, que servia de Quartel na Taipa. (1) (2) (3)

(1) “1-03-1884 – Com um Director (Ricardo de Sousa) e três carteiros, foi o Correio Marítimo transformado, nesta data, em Repartição do Correio que viria a ser instalada, pouco depois em edifício próprio, à Praia Grande. Os selos que se encontravam em Macau desde 1878, entraram agora em circulação e passaram a ser obliterados pelo carimbo pré-adesivo” SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995  

(2) Ver anterior referência neste blogue em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/03/01/%EF%BB%BFnoticia-de-1-de-marco-de-1884-correios-de-macau/

(3) Disponível para leitura, uma postagem de Luís Frazão: “Cronologia das emissões tipo “Coroa” de Macau” em http://www.cfportugal.pt/index.php?option=com_content&view=article&id=120%3Acronologia-das-emissoes-tipo-qcoroaq-de-macau&catid=23%3Aboletim-no-407&Itemid=3

Extraído de «O Macaista Imparcial», I-80 de 13 de Março de 1837

NOTAS: O Governador de Macau era Adrião Acácio da Silveira Pinto (1837 a 1843)
A 3 de Novembro de 1828, os mandarins da Casa Branca e de Tch´in-Sán, respectivamente Lei e Chan, publicaram um edital, proibindo os chineses de causar distúrbios na cidade, por ocasião da representação dos auto chinas no Pagode da Barra A 4 desse mês, o mandarim da Casa Branca ordenou que fossem desmanchadas as barracas da Praia Pequena, Barra e outro lugares por serem coutos de maltrapilhos e publicou um edital, proibindo a construção de mais barracas nos referidos sítios (1)
Na Praia Pequena estava instalada uma alfândega chinesa (hopu grande) (2) no Pátio da Mina (freguesia de Santo António). Onde ficava o hopu grande?
A comissão do tombo das propriedades foreiras à fazenda pública, composta por Manuel Castilho, António de Azevedo e Cunha e Eduardo Marques, dizia no seu relatório de 19 de Maio de 1877:
«Julga a comissão conveniente chamar a atenção de S. Exa. o Sr. Governador (3) para o pateo da Mina que tem duas entradas pelas portas n.º B 19 e 32 na rua de N. S. do Amparo. Occupa a área que dantes constituí ao chamado Hopú grande da Praia pequena que foi derrubado por um dos governadores (4) antecessores de S. Exa…” (1)
(1) TEIXEIRA, P. Manuel – Toponímia de Macau, Vol. I.  ICM, 1997
(2) O Hopu pequeno estava instalado na Praia Grande
(3) Governador Carlos Eugénio Correia da Silva –1876 a 1879
(4) Governador João Maria Ferreira do Amaral – 1846-18491

Extraído de “A Aurora Macaense” I-1, 14 de Janeiro de 1843.

Notícia publicada em 22 de Dezembro de 1835 no “The Canton Register” (1) sobre a interferência do mandarim da Heung Shan/Casa Branca nos trabalhos de melhoramentos e aumento da extensão da praia na Praia Grande.
Recorda-se que os Mandarins tanto de Cantão como o da Casa Branca /Heong shan ou Heung san) interferiam muitas  vezes em Macau no que concerne às novas construções de estruturas nomeadamente às construções militares e outras construções  para novas estradas (2)

Vista da Praia Grande – 1834
George Chinnery
Sepsia sobre papel

(1) Extraído de “The Canton Register”, Vol 8, n.º 51, Dec 22 1835, p.202
«The Canton Register» foi o primeiro jornal (8 de Novembro de 1827) em língua inglesa na China, fundado pelos mercadores escoceses, James Matheson e seu sobrinho Alexander junto com o americano William Wigtman Wood, que foi o primeiro editor. Publicado no início de duas em duas semanas, era impresso em Cantão, mas depois transferido para Macau – de 1839 a Junho de 1843 – e a partir desta data impresso em Hong Kong. Terminou em 1936. Em 12-11-1835, surgiu o semanário “The Canton Press”, editado por Franklyn e depois por E. Moller. Este periódico passou também, em 1839, a ser impresso em Macau.
(2) – “12-05-1835 – Mais uma vez os Mandarins (o Suntó e o Juiz de Fora de Casa Branca) interferem com as construções militares e de estradas em Macau. Desta vez (v. 1829 e outras) pedimos e eles autorizam os concertos nas Fortalezas do Monte e da Guia, contando que nada se acrescente ao anterior. Por outro lado, mandam entulhar a estrada recentemente aberta por detrás da Guia.” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 4, 1995.
Ver outras referências a este jornal neste blogue em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/the-canton-register/