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Continuação da leitura de parte do diário de viagem de Théodore Adolphe Barrot, diplomata e político francês (1801-1870), nomeadamente à sua passagem por Macau, em finais de 1837. (1) (2)

“…Je pris place dans un de ces bateaux, et mon bagage fut transporté dans un autre. Mon attention se partagea bientôt entre la vue de la ville, qui se déployait devant moi, et le costume des batelières. J’avoue que ce costume m’avait d’abord un peu surpris. En voyant leurs tuniques bleues, leurs capuchons rabattus, je fus au moment de les prendre pour des moines de Saint-Francois; mais mon erreur cessa quand je les vis de plus près, et qu’échauffées par l’exercice de la rame, elles relevèrent leurs capuchons. Leur chevelure noire était rassemblée sur le derrière de la tête, en une grosse tresse qui se relevait vers le sommet ; de longues aiguilles d’or l’attachaient et la réunissaient. Leurs jambes nues et leurs bras étaient entourés de gros anneaux d’argent ou de verre. Il y avait de la coquetterie dans cet ajustement, qui se distinguait d’ailleurs presque généralement par une excessive propreté. La vie rude et laborieuse de ces femmes n’avait point altéré la délicatesse de leurs formes, leur teint seul était légèrement bruni par le soleil. Je ne pus m’empêcher de faire une comparaison entre ces Chinoises et les femmes d’Europe dont la vie est occupée à des travaux pénibles ; le résultat, je dois le dire, fut loin d’être à l’avantage de ces dernières. Les Chinois appellent ces femmes, qui appartiennent à une caste particulière, tang-kia ou tang-kar (œufs de poisson). Cette caste vit constamment dans ses bateaux ; elle ne peut habiter la terre ; jamais elle ne pénètre dans l’intérieur des villes ou des terres, ses villages se composent d’un certain nombre de vieilles barques élevées sur des pieux le long du rivage. Les hommes sont occupés à la pêche ; les femmes et les enfans les accompagnent ou gagnent leur vie en conduisant les bateaux de passage. Je dois ajouter que ces pêcheurs sont loin d’être renommés pour la pratique des vertus patriarcales : les hommes sont d’habiles voleurs ou de dangereux pirates, et les femmes mènent, du moins dans l’établissement de Macao, une vie très irrégulière. 

La seule belle rue de Macao est la plage ; on l’appelle Praga-Grande ; c’est une rangée de belles maisons européennes, qui s’étendent le long d’un quai bien bâti, sur un espace d’environ un mille. Ces maisons appartiennent toutes aux négocians anglais établis à Canton ou à de riches Portugais. De cette rue principale s’échappe une foule de petites rues étroites et montueuses. Dans l’intérieur de la ville, on trouve quelques belles maisons, quelques églises et d’autres monumens ; la construction de ces édifices annonce que la colonie a eu ses jours de richesse et de prospérité. Toutefois la plus grande partie de Macao ne consiste qu’en de misérables masures. Au centre de la ville européenne est situé le Bazar ou la ville chinoise. C’est un tissu, si je puis m’exprimer ainsi, de petites rues d’une toise de large, bordées de chaque côté de magasins et de boutiques. Ce quartier de Macao est entièrement chinois, et quelqu’un qui n’aurait vu que ce bazar pourrait se former une juste idée des villes de l’empire céleste, car on m’a assuré qu’elles étaient toutes bâties sur ce modèle. Ce que je puis affirmer, c’est que le quartier marchand de Canton, le seul qu’un Européen puisse visiter, ne diffère en rien du bazar de Macao…” (continua)

(1) Théodore-Adolphe Barrot (1801 – 1870) – diplomata, cônsul e embaixador de França em vários países entre os quais Colômbia, Filipinas, Haiti, Brasil, Portugal, Bélgica e Espanha. Tornou.se senador antes da sua reforma (1864-1870). https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Adolphe_Barrot

Ver anterior postagem em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/01/18/leitura-un-voyage-en-chine-de-theodore-adolphe-barrot-1837-i/

(2) BARROT, Adolphe – Un Voyage en Chine. Première partie et deuxiéme partie. Voyez la relation de son voyage dans la Revue des Deux-Mondes: T.20, Novembre 1839.

Leitura completa da primeira parte em: https://fr.wikisource.org/wiki/Voyage_en_Chine/01

Na tarde do dia 27 de Maio de 1836, chegou a Macau a armada americana composta pela corveta “Peacock” comandada pelo capitão C. K. Stribbling, e onde vinha o comodoro E. P. Kennedy, e a escuna “Enterprize” comandada pelo capitão Archibald S. Camphell (o nome do comandante no jornal não está correcta)

O comandante do “Entreprize”, Archibald S. Camphell vinha já doente e faleceu no dia 3 de Junho, vítima de uma disenteria.

Extraído de «O Macaista Imparcial», Vol. I n.º1 de 9 de Junho de 1836, p. 3

No dia 4 de Junho, pelas 5 horas da tarde, foi o funeral tendo assistido o Governador Bernardo Joze de Sousa Soares Andrea (governo: 1833-1837) tenho o Batalhão de Príncipe Regente prestado as honras fúnebres. Ficou sepultado na campa n.º 49 do Cemitério Protestante.

CAMPA N.º 49 : “The remains of Archibald S. Campbell Esq. who died at Macao in command of the Schooner Enterprize June 3d 1836. AET: 40. Erected to the memory of Lieutenant Commandant Archibald S. Campbell by the Officers of the U. S. Ship Peacock and Schooner Enterprize 1836

(TEIXEIRA, P. Manuel – A Voz das Pedras de Macau, 1980, p. 286)

Continuação da postagem anterior (1) sobre um suplemento de 80 páginas dedicado ao Império Colonial Português e às comemorações nas Províncias Ultramarinas dos Centenários da Fundação e da Restauração de Portugal, nomeadamente à parte referente a Macau. (2)

MACAU – Parte sul da península macaísta, p. 63.
Macau, sentinela lusitana às portas da China, p. 64
Portugal Ultramarino 1940- MACAU – Edifício do Liceu , p. 54
Portugal Ultramarino 1940 – MACAU-Condução de hortaliças para o mercado , p. 57

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2021/05/22/leitura-o-seculo-numero-comemorativo-dos-centenarios-i/

(2) Disponível em: http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/RaridadesBibliograficas/OSeculo_Imperio/OSeculo_Imperio_item1/index.html

Catálogo de uma exposição de Aguarelas de Didier Rafael Bayle, (1) “ATÉ SEMPRE MACAU” que esteve exposta na Missão de Macau em Lisboa de 28 de Maio a 7 de Junho de 1991. (2)

Estiveram expostas 50 obras do autor de 1989-1990.

Esta exposição foi uma iniciativa da Fundação Oriente e da Missão de Macau em Lisboa.

A CAPA reproduz uma das obras do autor intitulada “VIELA VERMELHA” (1990), 36x55cm
CONTRA-CAPA – assinatura do autor

FICHA TÉCNICA: Design e Montagem da Exposição: Delfim Sardo e José Fabião; Design Gráfico: Guilherme Ung Vai Meng  e Cristina Mio U Kit; Fotografia: Agnelo Vieira  Impressão: Espaço Dois Gráfico.

As aguarelas expostas são criações dos dois anos (1989-1990) e nelas se pode facilmente notar o progresso artístico de Rafael Bayle. Uma maior certeza no uso da cor e na composição da pintura para recriar o ambiente favorito do artista. Também se nota, sobretudo nas suas panorâmicas da Praia Grande, nas suas vista da tradicional praça de «Fonte de Lilau», na belíssima vista do templo de «Tin- Háu», na ilha da Taipa, nas aprazíveis cenas no «Hotel Bela Vista» (local preferência do pintor) e outras, uma maior capacidade para recriar um beleza e serenidade internas.” (César Guillén-Nunez –“O Macau Pitoresco de Rafael Bayle”, pp.3-4 do Catálogo)

(1) Didier Rafael Bayle nasceu em Grenoble em 1955 sob o signo dos Gémeos. Estudou História e Belas Artes em Aix-en-Provence e, depois, no Instituto de Arte de Paris , onde  obteve, em 1976 o Certificado de Ensino das Artes Plásticas. Efectuou numerosas viagens na Europa, na América Central e do Sul e em 1982 estabeleceu-se em Hong Kong onde ensinou desenho na “French International School”. Percorreu o sudoeste asiático, registando em aguarelas as paisagens e cenas por que se apaixona. Fez várias exposições em Macau (Fevereiro de 1989, na Galeria da Livraria Portuguesa «MACAU») e em Hong Kong (1883-1985; 1987-1990). (dados retirados do Catálogo, pp. 5-7)

(2) BAYLE, Didier Rafael – Até sempre Macau. Catálogo de exposição de aguarelas-, Lisboa: Missão de Macau em Lisboa, 1991, 38 p.: il.; 25 cm x 24 cm.

NOTA: Foi posta em circulação pelos CTT em 1998, uma emissão extraordinária de selos designada «Macau vista por … Didier Rafael Bayle»

Poderá ver a biografia e algumas aguarelas deste pintor em: http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/30034/2013 http://www.icm.gov.mo/rc/viewer/20036/1336

Notícia curiosa surgida no jornal «O Independente» (1)  em que se anuncia o aparecimento pela primeira vez de «dois carrinhos» velocípedes  que percorreram rapidamente a Praia Grande e estradas do campo.

(1) «O Independente» I- 38 de 21 de Maio de 1869, p. 330

O mesmo acontecimento foi relatado pelo «BPMT» (2) de 17 de Maio.

(2) «BPMT», XV-20 de 17 de Maio de 1869

Dado que em ambos os periódicos, um de 17  e outro de 21 de Maio, referem “…esta semana …” pressuponho que o mesmo episódio tenha sido entre 14 a 16 de Maio de 1869

Extraído de «A Aurora Macaense», I – 19 de 20 de Maio de 1843, p. 85

“17-05-1913 – Queixa apresentada por William Farmer, (1) proprietário do «Macao Hotel», (2) contra o facto de os culis se servirem de um cais fronteiro ao seu hotel, na Praia Grande, para mictório – Providências tomadas pelo Governo.” (3)

Este episódio por mim já relatado em 17 de Fevereiro de 2017 (4), aparece também descrito por Vaudine England (jornalista correspondente da BBC,  em Hong Kong de 2006 a 2011) na página 28 do  seu livro  “The Quest of Noel Croucher: Hong Kong’s Quiet Philanthropis”, (5) bem como a carta que o proprietário do hotel, William Farmer, escreveu, queixando-se e pedindo providências, às entidades oficiais do governo – Administração civil.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/william-m-farmer/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/hotel-macao/

(3) GOMES, Luís G. – Catálogo dos M. M n.º 416.

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/02/17/noticia-de-17-de-fevereir

(5) ENGLAND, Vaudine – The Quest of Noel Croucher: Hong Kong’s Quiet Philanthropist. Hong Kong University Press, 1998, ISBN: 9789622094734, 436 p.

“Biography of unusual Hong Kong broker, philanthropist and curmudgeon, telling a story of Hong Kong 1900-1980”.

“A rua chique ainda era a Rua Central, para onde se subia depois da missa das onze na Sé, aos domingos, para conhecer as “novidades” expostas nas lojas dos “mouros”. Na “Royal Silk Store” de J. H. Bejonjee, vendia-se seda riscada para camisas a $1,08 a jarda, o mesmo acontecendo com crepe de seda pesado; o crepe da China estampado custava $1,30 a jarda; o crepe de setim pesado $2,00 a jarda. Camisas de seda Fuji para homem custavam $3,50 cada e pijamas de seda Fuji para homem $4,50 cada. Os preços nas lojas vizinhas do “mouro” Elias e do “mouro” Haaji ficavam uma pela outra. E havia quem se lamentasse do custo de vida!

Para benefício da elegância das senhoras de Macau, depois que Miss Dina Rosemberg exibira, com grande sucesso, lindos vestidos no Hotel Riviera, em Dezembro do ano anterior, surge, entre nós, Madame Lebon, uma francesa imponente e refinada, que abre um atelier, salvo erro de informação, na loja “Paradis des Dames”, à Praia Grande. É claro que o melhor da sociedade macaense acorreu ao atelier e começou a vestir-se à moda de Madame Lebon, que ditou cartas, desdenhou as costureiras caseiras do burgo e pontificou com o seu prestígio parisiense, para grande arrelia das algibeiras dos maridos e dos papás. Quando alguém titubeava quanto ao preço, Madame Lebon alçava o queixo e rematava em tom profundamente superior: – “Este vestido não é para toda a gente“.

O Carnaval, caído entre fins de Fevereiro e princípio de Março, era particularmente retumbante. Já não havia a guerra nem a meningite para ensombrar os ânimos. “A Voz de Macau”, ao relatar os festejos dos clubes, os cortejos das “tunas” e os “assaltos” em casas particulares, usava um tom alegre e brejeiro que traduzia a despreocupação da época, passados os pesadelos.

Por isso é que ninguém pareceu ligar às eleições na Alemanha, onde triunfou o partido nazi e subiu ao poder um nome praticamente desconhecido, Adolfo Hitler. A notícia veio publicada em 6 de Março, mas passou-nos indiferente. A imprensa local e de Hong-Kong preocupou-se mais com o famoso julgamento, na colónia vizinha, de Cheong Kwok Yau, um playboy chinês e, parece, filho único de pais milionários, que assassinara outro milionário, George Fung. Fora um crime passional que apaixonara a opinião pública, mesmo a estrangeira, e tanto na defesa como na acusação estavam envolvidas as mais prestigiosas figuras da advocacia inglesa.

O ano de 1933 ficou marcado, no futebol, pela luta renhida de dois grupos rivais, o Argonauta e o Tenebroso, que travaram o seu primeiro desafio em 7 de Fevereiro. Venceu o Argonauta por três bolas a duas num desafio memorável, disputado com alma, genica e intenso espírito desportivo

Mas é no hóquei que Macau marca os seus melhores tentos, adquirindo fama por todo o Extremo Oriente. Entra-se na idade de ouro daquela modalidade desportiva. Praticamente todos os domingos, grupos de Hong-Kong deslocam-se ao campo de Tap Seac. O treino dos nossos rapazes é tão eficiente que Hong-Kong apenas leva daqui derrotas. Toda esta preparação dá como resultado poder-se defrontar no ano seguinte a fortíssima selecção da Malaia. Os nossos “ases” do hóquei tornam-se ídolos da mocidade. Todos os garotos sonham poder exibir um dia as suas habilidades no relvado verde do Tap Seac e receber as mesmas aclamações… (…)”

Extraído de FERNANDES, Henrique de Senna – Cinema em Macau III (1932-36) in Revista da Cultura, n.º 23 (II Série) Abril/Junho de 1995, pp.151-152. Edição do Instituto Cultural de Macau.

Extraído de «O Portuguez na China», II-14 de 3 de Dezembro de 1840, N.º 64.

O navio «NEMESIS» (1) partiu a 28 de Março de 1840 de Liverpool (Inglaterra) com 60 homens, oficiais e marinheiros (nas suas operações na China, chegou a ter cerca 90 homens a bordo.) com destino ao Oriente, embora o plano de viagem fosse secreto, pois com a chamada “ 1.ª Guerra do Ópio”, em curso (1839 –1842) seria um teste para experimentar a eficácia do primeiro navio de guerra a vapor de ferro). (2) Era comandante do navio, William Hutcheon Hall (depois, em 1842, capitão Richard Collinson). Passou por Portugal (Cabo Finisterra a 2 de Abril) e esteve três dias em Funchal (chegada: 8 de Abril).  Chegou à costa da China em finais de 1840, passou por Macau a 2 de Dezembro. (3)

(1) “NEMESIS”, propriedade da “East India Company”, lançado em 1839, contruído nos estaleiros de “Birkenhead Iron Works”. Foi o 1.º navio de guerra oceânico britânico, de ferro (“steam iron ocean-going iron warship”). Os chineses apelidaram-no de “navio diabo”. https://en.wikipedia.org/wiki/Nemesis_(1839)

“The East India Company steamship Nemesis (right background) destroying Chinese war junks in Anson’s Bay during the Second Battle of Chuenpi, 7 January 1841” https://en.wikipedia.org/wiki/First_Opium_War

(2) O relatório da viagem bem como as intervenções militares na China foram descritos pelo comandante W. H. Hall e publicados em livro:  

(3) “On the 13th, the Nemesis, which had been for some days at anchor with the fleet, a few miles below Chuenpee, conveyed Captain Elliot down to Macao, while the rest of the fleet moved nearer up towards the Bogue, as if with the object of supporting the “negotiations” by a firm display of power. Captain Elliot’s stay at Macao was very short, and from the increased activity of our preparations at the Bogue, it became evident that the “negotiations” were not going on satisfactorily.” (p. 108 do livro citado)

Extraído do «BGPMTS» I-3 de 4 de Novembro de 1854

NOTA: O Dr. António Luíz Pereira Crespo, nascido em Marinha Grande foi nomeado cirurgião-mor de 1. ª classe da Província de Macau e Timor em 30-08-1852. Terá chegado a Macau em finais desse ano.

Extraído de «BGPMTS» VII-17 de 7-12-1852, p. 61

No Boletim Oficial de 1853, aparece este anúncio:

Extraído do «BGPMTS» VIII-25 de 28-07-1853, p. 102

Casou na Sé, a 16-01-1854, com Bárbara Joaquina da Silva. Com data de 01-08-1855, Dr. Crespo publicava o seguinte aviso no Boletim Oficial, acerca da vacinação “para prevenir o contágio das bexigas”. Este aviso foi repetido nos números seguintes bem como em anúncios de 1857.

Extraído de «BGPMTS» I- 42 de 4-08-1855, p. 168.

Dr. Crespo elaborou o Regulamento do Hospital Militar de Macau criado por portaria n.º 73, de 21-11-1855 (publicado no «Boletim do Governo da Província de Macao, Timor e Solor», Vol. II, n-º5). O Dr. Crespo regressou a Portugal em 1860, tendo sido nomeado em seu lugar o Dr. Lúcio Augusto da Silva.