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No dia 5 de Março de 1849 foi abolido e expulso de Macau o Hopu pequeno (alfândega chinesa), que exercia a sua jurisdição superior no Hopu da Praia Grande. Aquele era de pouca importância; porém, o segundo, conhecido pela denominação de Hopu grande, tinha o prestígio da sua antiguidade e a força de muito poderio. A Praia Pequena era o sítio hoje conhecido pelo Largo do Ponte e Horta e seus arredores.

(Anuário de Macau, 1922, p. 13)

O Governador João Maria Ferreira do Amaral (1) proibiu aos hopus (alfândega chinesa) desta cidade de cobrarem quaisquer direitos às mercadorias exportadas de Macau para os portos da China, pedindo ao Vice-Rei de Cantão que mandasse retirar aos funcionários chineses que exerciam os seus cargos em Macau, dentro do prazo de oito dias. Os hopus exerciam a sua jurisdição superior no Hopu da Praia Grande e no da Praia Pequena, sítio hoje conhecido pelo Largo da Ponte e Horta e seus arredores. (2)

 “12-03-1849 – Não tendo o Vice-Rei de Cantão ordenado a retirada dos funcionários do Hopu, o Governador João Maria Ferreira do Amaral mandou pôr travessas na porta principal do Hopu, deixando abertas as outras, para uso dos que li viviam e fez postar um piquete de soldados e uma canhoneira de mar, em frente do Hopu, para protegerem o desembarque de todas as mercadorias e viveres, acabando assim com o último vestígio da interferência chinesa na administração desta colónia.” (2)

“13-03-1849 – O Governador João Maria Ferreira do Amaral ordenou à força pública que fizesse desaparecer todos os sinais da alfândega chinesa em Macau, ordenou esta que foi cumprida, imediatamente.” (2)

(1) Já em Fevereiro desse ano, o Governador Ferreira do Amaral tinha suspendido o pagamento de foro de Macau ao Governo Imperial da China (3) e impôs deveres fiscais à população do entreposto até às Portas do Cerco. A 16 de Fevereiro, Ferreira do Amaral pede ao Vice-Rei Xu Guangjin que mande retirar o Hopu de Macau (2)

(2) SILVA; Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, pp. 115-116

(3) Na opinião do historiador A. Vasconcelos de Saldanha em “Estudos Sobre as Relações Luso-Chinesas“, (pp. 208 a 210), Ferreira do Amaral não procedeu à suspensão do foro, objectivamente o que fez foi recusar corresponder-se com o mandarim por achar que o devia fazer apenas com o Vice-Rei de Cantão. E não abrindo a correspondência, não tomou conhecimento da ordem ali expressa para pagamento do foro. (2)

NOTA: Recorde-se que o Governador Ferreira do Amaral foi assassinado a 22 de Agosto de 1849. Ver anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joao-m-ferreira-do-amaral/

Extraído de «BPMT», XXI-9 de 27 de Fevereiro de 1875, p. 44
Extraído de «Gazeta de Macao», n.º IV de 24 de Janeiro de 1824, pp. 310 e 312

No dia 20 de Janeiro de 1824, embarcaram na fragata Salamandra o Comandante dela, Capitão de Mar-e-Guerra Joaquim Mourão Gracez Palha, futuro governador de Macau. (1) Foi muito obsequiado e saudado à hora da partida, tendo a fortaleza de S. Francisco salvado quando, dirigindo-se do Hopu da Praia Grande para bordo, a lancha que o conduzia passou a frente.“ (2) A fragata que esteve em Macau desde 23 de Setembro de 1823 até à partida em 20 de Janeiro de 1824, trouxe uma força de 200 marinheiros e oficiais vindos de Goa, (3) sob o comando do Major João Cabral de Estefique ocupando as fortalezas e impondo um Conselho do Governo. (2) (3) (4)

(1) De 1825 a 1827 é Governador de Macau, Joaquim Mourão Garcês Palha. Teve problemas financeiros e políticos, nomeadamente com as autoridades chinesas quer de Cantão quer de Pequim. Garcês Palha chegou a ser em 1848 governador geral da Índia. (2) Anteriores referências de Joaquim Mourão Garcez Palha em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/joaquim-mourao-garces-palha/

(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, pp. 38-40.

(3) De 1 de Julho a 23 de Setembro de 1823, a Cidade de Macau, foi governada exclusivamente pelo Senado. Em 23-09-1823, toma posse, em substituição do Senado, um conselho presidido pelo Bispo D. Fr. Francisco de Nossa Senhora da Luz Chacim, dele fazendo parte p Major João Cabral d´Estefique e um vereador aos meses (liberal). O termo de posse foi lido no Senado, mas a provisão era do Governador de Goa, D. Manuel da Câmara. Exactamente por este motivo, as nomeações não foram bem acolhidas. Entre outras razões, foi invocado que “se o povo de Goa pode dar autoridade, por que o não poderá o de Macau? (2)

(4) “23-09-1823 – Segundo os liberais do Senado, a fragata Salamandra era o centro do alegado movimento despótico e anti-constitucional que ameaçava Macau.” (2)

NOTA: “03-01-1824- Primeiro número do periódico “Gazeta de Macao”, substituto de “A Abelha da China”. Durou até fins de Dezembro de 1826. De periodicidade semanal, era impresso na Tipografia do Governo, a cargo do Leal Senado. O parque tipográfico veio a ser posteriormente emprestado ao Superior do Colégio de S. José, P.e Nicolau Rodrigues Pereira de Borja. (2)

Extraído de «O Independente», XI-1, 17 de Janeiro de 1889, pp. 2/3

Extraído de «O Independente», XI-1, 17 de Janeiro de 1889, pp. 2/3

Aviso de 1 de Dezembro de 1854, em português e chinês, de uma nova carreira de vapores entre Macau, Hong Kong, Vampú e Cantão, pela “Companhia Peninsular e Oriental de navegação a vapor”.(1) O vapor de Cantão para Hong Kong era aos sábados e fazia escala em Macau bem como o vapor de Hong Kong para Cantão, às terças feiras. (2) (3)

Extraído de «BGPMTS», I-8 de 9 de Dezembro de 1854, p. 32.

1 – “Peninsular and Oriental Steam Navigation Company” (Companhia Peninsular & Oriental de Navegação a Vapor) – uma das maiores companhias de navegação transoceânica a vapor em 1858 – de bandeira Britânica fundada em 1836  com 39 embarcações e toneladas: 49,416 (em 1891: 199 911 toneladas; em 1901: 313 343 toneladas). Sir Thomas Sutherland era o presidente e o maior acionista da Companhia. (MANTUANO, Thiago – A Revolução dos Vapores na Navegação Marítima Mantuano em: http://www.abphe.org.br/uploads/ABPHE%202017/3%20A%20Revolu%C3%A7%C3%A3o%20dos%20Vapores%20na%20Navega%C3%A7%C3%A3o%20Mar%C3%ADtima.pdf

(2) Extraído de «BGPMTS», I-8 de 9 de Dezembro de 1854, p. 32.

(3) “27-11-1858 – O Boletim do Governo n.º 5, desta data, publica o Regulamento dos preços de embarcação que levam passageiros, e de carga e descarga, da Praia Grande para bordo dos vapores, etc. fundeados em frente de Macau e das lorchas portuguesas entre Macau e Hong Kong, Macau-Vampú ou Cantão. O regulamento é assinado pelo procurador Lourenço Marques (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 151)

Anteriores referências em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/companhia-peninsular-e-oriental/

No seguimento da visita do Governador António Sérgio de Souza a Hong Kong no dia 5 de Novembro de 1869, para apresentar cumprimentos ao príncipe Alfredo, Duque de Edimburgo (1), este no regresso a Hong Kong, vindo de Cantão, no dia 9 de Novembro, visitou Macau (por um dia). Veio no navio “Fire Dart”, fundeando na Rada/Praia Grande, onde já estava a corveta inglesa “Rinaldo” (2) toda embandeirada em arco por ser aniversário do Príncipe de Gales (futuro rei Eduardo VII) (3) nascido em Londres a 9 de Novembro de 1841.

Extraído de «BPMT», XV-46 de 15 de Novembro de 1869, p. 206.

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2021/11/05/noticia-de-5-de-novembro-1869-governador-de-macau-em-hong-kong-na-visita-do-principe-alfredo-da-inglaterra-i/

(2) «HMS Rinaldo», construído em Portsmouth em 1 March 1858; lançado em 26 March 1860 , esteve ao serviço da marinha inglesa até 1884. Vendido em Abril 1884, para desmantelamento.

British Camelion-class sloop HMS Rinaldo ”
https://en.wikipedia.org/wiki/Camelion-class_sloop

(3) Eduardo VII (9 de novembro de 1841 – 6 de maio de 1910) , filho da rainha Vitória e do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota, foi Rei do Reino Unido e da Irlanda, dos Domínios Britânicos e Imperador da Índia de 22 de janeiro de 1901 até sua morte, sendo o primeiro monarca britânico da Casa de Saxe-Coburgo-Gota. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Eduardo_VII_do_Reino_Unido)

Notícia das comemorações, em Macau, do aniversário natalício do rei D. Luiz I, publicada no jornal “O Independente” de 6 de Novembro (1) que originalmente (na sua maior parte) foi retirada do “Boletim da Província de Macau e Timor”. (2)   

Extraído de «O Independente», Vol. I, n.º 10 de 6 de Novembro de 1868, p. 88
Rei D. Luís I, 1862

NOTA: D. Luís I (Lisboa, 31 de outubro de 1838 – Cascais, 19 de outubro de 1889), apelidado “o Popular”, foi o Rei de Portugal e Algarves de 1861 até à sua morte. Era o segundo filho da rainha D. Maria II e seu marido, o rei D. Fernando II, tendo ascendido ao trono após a morte prematura do seu irmão mais velho, o rei D. Pedro V. https://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_I_de_Portugal

Ver anterior referência em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/31/noticias-31-de-outubro-de-1872/

(1) «O Independente», Vol. I, n.º 10 de 6 de Novembro de 1868, p. 88

(2) «BPMT» XIV-44 de 2 de Novembro de 1868, p. 202

Extraído de «BPMT», XIII-40 de 7 de Outubro de 1867, p. 239

Da noite de 22 à madrugada de 23 de Setembro de 1874, um tufão violento atravessou a foz do Rio das Pérolas causando grandíssimas perdas, considerado na história de Macau como a Calamidade do Tufão de 1874.

Extraído de «BPMT», XX-39 de 26 de Setembro de 1874, p. 108

Anteriores referências a este tufão em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/22/noticia-de-22-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-i/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/09/23/noticia-de-23-de-setembro-de-1874-o-maior-tufao-da-historia-de-macau-ii-incendio-no-bairro-de-santo-antonio

Na tarde de 21 de Julho de 1951, no campo dos operários (pelado) (1) defrontaram-se os primeiros classificados do campeonato militar e do campeonato civil de futebol em miniatura, (2) saindo vencedor o grupo civil Leng Yee, que derrotou o adversário por 2-0

O grupo Leng Yee com a taça que ganhou
O capitão do grupo Leng Yee recebendo a taçadas mãos do sr. Ung Tchek  Ii, representante da Associação dos Cambistas Chineses, doadora da taça

Extraído de “Mosaico”, II-1 de Agosto de 1951

(1) Lugar actualmente ocupado pelo Hotel Grand Lisboa.

“Associação de Futebol em Miniatura de Macau (AFMM) – grande regozijo a notícia do despacho do Governador cedência dum terreno nos aterros da Praia Grande para a construção dum campo para a prática de futebol em miniatura” (3)

(2) Os Estatutos do Futebol em Miniatura (vulgo Bolinha) foram aprovados em 06-11-1943 – Portaria n.º 3251 (posteriormente foram actualizados a 08-05-1963, Portaria n.º 7:245, data em que o nº de equipas inscritas eram mais de 25) (4)

A.F.M.M. inaugurou a sua nova sede bem como o campo de jogos na Praia Grande a 29-08-1953, e iniciou o Campeonato de Bolinha, no dia 1 de Setembro, de 1953, o qual foi precedido dum festival desportivo de inauguração do campo de jogos e abertura do Campeonato de Macau. Inscreveram 24 grupos, 12 portugueses e 12 chineses, os quais disputaram a prova divididos em três séries diferentes. Os três primeiros classificados de cada série disputaram entre si o título de campeão, numa «poule final». O magnífico troféu posto à disputa intitulava-se “Taça Governador Joaquim Marques Esparteiro.” (3)

(3) «Macau Boletim Informativo», Ano I, n.º 2, 31 de Agosto de 1953, p. 13)

(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume III, 2015, p. 277).