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Anúncios publicados no «Boletim do Governo de Macao», IX- 3 , 20 de Dezembro de 1862 p. 12.
NOTA: não sei se o proprietário desta loja será o mesmo José Maria da Silva (nascido a 26-11-1824 e falecido em 24-Julho de 1898) que fundou o jornal “Independente”, quinzenário político e noticioso, em 1867. O jornal viria a ser suspenso por ordem do Governador, almirante António Sérgio de Sousa, em 18-06-1869, tendo reaparecido e suspenso várias vezes tenho o seu redactor José da Silva sido mais de uma vez agredido, multado e preso pelos seus virulentos artigos de crítica contra a administração pública e ataques pessoais. Está também referenciado como proprietário da tipografia onde era impresso o jornal e onde posteriormente em 10-10-1869, foi publicado o hebdomadário político “O Oriente”, fundado pelo Dr. Francisco da Silva Magalhães, tendo por administrador João Albino Ribeiro Cabral. Este jornal também viria a ser suspenso em 14 de Outubro de 1872 pelo Governador Januário Correia de Almeida Visconde e depois Conde de S.. Januário.(GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954)

Na noite de 11 de Outubro de 1950, no Teatro D. Pedro V, incluído no Ciclo de Concertos da cantora macaense Maria Margarida Gomes, (1) o Círculo Cultural de Macau (C. C. M.) organizou o segundo recital, (2) este dedicado a Schubert. (3) Colaborou neste concerto a pianista Maria Amália de Carvalho e Rego (4) que, pela primeira vez tomou parte de um programa do Círculo Cultural de Macau.
O programa foi dividido em 4 grupos de 3 “lieder”, sendo estes escolhidos com a intenção de mostrar a evolução sentimental do Autor, desde a época das ingénuas composições de sabor lírico até ao tempo das obras dramáticas, revelando as suas desilusões e o seu sentido da proximidade do fim.
No intervalo de cada um dos grupos de “lieder”, Luís Gonzaga Gomes, chefe da secção musical do C. C. M. proferiu alguns comentários técnicos e biográficos sobre Schubert e a sua obra, que revelaram profundos conhecimentos de musicista e uma facilidade de expressão digna de relevo.” (5)
Este acontecimento cultural foi também noticiado no «Boletim Geral das Colónias» (6) acompanhado com duas fotos.
(1) Maria Margarida de Alacqoque Gomes, irmã de Luis Gonzaga Gomes, estudou canto e piano no «Trinity College» de Londres e é autora do livro «A Cozinha Macaense» (7)
(2) O primeiro recital foi realizado no dia 16 de Setembro de 1950 aquando da primeira apresentação pública do Circulo Cultural de Macau (após a tomada de posse no dia 1 de Setembro dos Corpos Gerentes dos fundadores do Círculo Cultural). Nesta apresentação também realizada no Teatro D. Pedro V, constava de uma conferência de Hernâni Anjos sob o tema: “Afinidades Transitórias: do simbolismo português – Camilo Pessanha – ao Romantismo alemão – Henrique Heine (estudo retrospectivo” e de um recital dedicado a “Schumann” cantada por Maria Gomes.
(3) Franz Schubert por Wilhelm August Rieder,
Óleo pintura, após aguarela em 1875.
Franz Peter Schuber (1797-1828) , compositor austríaco do fim da era clássica, escreveu cerca de seiscentas canções (o “lied” alemão) bem como óperas, sinfonias, e sonatas.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Franz_Schubert
(4)Maria Amália de Carvalho e Rego, “pianista sobejamente conhecida e apreciada pelo público de Macau e Hong Kong, onde tem actuado várias vezes, sempre com geral agrado “ (segundo a mesma revista) (5), é filha de Francisco Ernesto Palmeira de Carvalho e Rego, já citado em anteriores postagens (8)
(5) Extraído de «Mosaico», I-3, 1950.
(6) Extraído de «BGC» XXVI–306, 1950.
(7) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/maria-margarida-gomes/
(8) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/francisco-de-carvalho-e-rego/

Sedder Street

A revista portuguesa “Ilustração Portugueza” de 1919 (1) publica em meia página, uma notícia com o título “As festas da paz em Hong Kong”, ilustrado com quatro fotos:
“ Foram deslumbrantíssimos os festejos feitos em Hong Kong, para comemorar a vitória dos aliados. Nas ruas engalanadas viam-se muitas bandeiras portuguezas. As nossas gravuras representam Sedder Street olhando para o Pico Vitória e a cidade alta. O edifício Príncipe na Rua Chater. Ao fundo o edifício Jardine.”

A cidade alta
Aspectos do edifício Príncipe
Praça das Estátuas (Statue Square)

 (1) «Ilustração Portugueza», II série, n.º 711 de 6 de Outubro de 1919.

(2) A I Guerra Mundial iniciada em 28 de Julho de 1914, terminou a 11 de Novembro de1918. A República Chinesa entrou na 1.ª Grande Guerra em 1917 ao lado dos aliados. Terá participado com 200000 homens para os campos da batalha tendo falecidos 2000 (informação que fixei há muitos anos, não me recordando da fonte).

HMS Triumph firing at German positions at Tsingtao, China, in October 1914” (4)

A armada Naval germânica na China (comandada por Maximilian Graf Spee) estava sediada em Tsingtao (3) e em 1914, com o início da guerra, os navios do esquadrão do leste asiático estavam espalhados em diversas colónias  do Pacífico pelo que reagruparam-se nas nas Ilhas Mariana do Norte com destino ao Atlântico mas o esquadrão foi  destruído na Batalha das Malvinas.  em Agosto de 1914, pela a armada anglo-japonesa (4) no extremo sul do continente americano  A mesma armada anglo-japonesa, participou depois após passar por Hong Kong no chamado “Cerco de Tsingtao” entre 31 de Outubro e 7 de Novembro de 1914.
(3) Qingdao ou Tsingtao (青岛) é uma cidade na província de Shandong, na República Popular da China. É um porto no mar Amarelo, na península de Shandong.

(4) O navio “HMS Triumph” construído em 1902 e que foi destacado para a Estação Naval Britânica na China em 1913 participou neste batalha naval. Em 1915 foi transferido para o Mediterrâneo tendo participado na «Campanha de Dardanelos» contra o Império Otomano e em 25 de Maio de 1915 foi torpedeado e afundado pelo célebre submarino  alemão U-21. (https://en.wikipedia.org/wiki/HMS_Triumph_(1903))

Extraído de «BGU» XLI-483, 1965.
Extraído de PEREIRA, A. Marques –  Ephemerides Commemorativas da História de Macau …., 1868.

Em 24 de Setembro de 1865, acendeu–se pela primeira vez, nesta cidade o Farol da Guia, oferecido ao Governador José Rodrigues Coelho do Amaral, pela comunidade estrangeira de Macau, chefiada por H. D. Margesson (1) sendo o primeiro que se acendeu, na costa da China.

AVISO AOS NAVEGANTES 

(1)  H. D. Margesson era negociante/ comerciante em Macau durante mais de vinte anos (até finais da década de 80 do século XIX) e tinha a sua firma na Rua Central, n.° 17. Com o nome de “MARGESSON & CA”. O gerente era Mortimer E. Murray.
Em 1879, trabalhava nessa firma Francisco P. de Senna e António C. da Rocha.
Em 1885, trabalhava (ainda) na firma Francisco P. de Senna e outro funcionário, Themiro Maria Gutierrez. Publicitava como agentes de várias companhias de seguro e de companhias de vapores

Directório de Macau para o anno de 1879
Directório de Macau para o anno de 1885

NOTA: as duas fotografias são da Cristiana, tiradas em Maio de 2017.

Extraído da «Revista Colonial» 1921.

 

Capa da revista «MACAU CELEBRATION CITY» n.º 2 que foi apresentada no n.º 1, como “Anúncio” (1) e estava projectada a saída para Abril de 1997. Desconheço se este número efectivamente se concretizou.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/09/07/macau-e-o-dragao-revista-macau-celebration-city-i-anuncio-de-1996-c-a-m/

Extraído de «Revista Colonial», 1921.

16 -09-1921 – Tendo uma lancha da capitania ocorrido ao pedido de socorro feito por uma sampana chinesa, que estava sendo vítima das exigências de fiscalização, que uma embarcação com soldados chineses armados pretendia exercer, dentro das nossas águas no Porto Interior, um dos soldados chineses apontou dois revólveres ao patrão da lancha, sendo esta obrigada a retirar-se. Ao sinal de alarme dado pela lancha portuguesa acudiu um dos motores da Capitania que avançou em direcção à sampana. Os soldados chineses que se encontravam na embarcação refugiaram-se, então, na fronteira da ilha da Lapa, entrincheirando-se atrás duns rochedos, romperam vivíssimo fogo contra o motor, sendo imediatamente morto o maquinista. O motor respondeu ao fogo com dez tiros de peça disparados por Joaquim Nunes e só se retirou quando este, o patrão e um dos loucanes estavam já varados pelas balas.
Nova provocação aconteceu a 24 de Setembro de 1921 quando uma canhoneira chinesa fundeou no dia anterior nas águas do Porto Interior, retirando-se em seguida, para de novo repetir a sua provocação. Resolveu as autoridades adoptar uma atitude drástica, declarando o estado de sítio com suspensão de garantias pelo prazo de 8 dias, mas, em consequência de certas entidades inglesas terem intervindo, evitou-se um sério rompimento, sendo ordenada, no dia seguinte, a cessação da ordem do estado de sítio (1)
(1)  GOMES, Luís G- – Efemérides da História de Macau, 1954)