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O Colégio Imaculada Conceição fundado por iniciativa do comendador Albino da Silveira (1) foi inaugurado, em 15 de Março de 1864, sob a direcção das Irmãs do Instituto de S. Paulo de Chartres, discursando nessa ocasião Bernardino de Sena Fernandes, o Governador Coelho do Amaral e o Padre Vitorino de Almeida; em virtude do Decreto de 20 de Setembro de 1870, que excluía do ensino professores estrangeiros, o Colégio fechou em Setembro de 1871, sendo reaberto em 24 de Novembro de 1872, falando nessa ocasião a “sympathica e talentosa jovem Maria José”, (2) o Padre Vitorino de Almeida, o Governador da Colónia, Visconde de S. Januário, e o Governador do Bispado, o Padre António Luís de Carvalho. Os discursos de Maria José Pereira e do Visconde de S. Januário podem ler-se na «Gazeta de Macau e Timor», 1.º anno, n.º 10 de 26 de Setembro de 1872 (3)

O comendador Albino da Silveira, estando em Shanghai, abriu uma subscrição para a fundação de um Colégio feminino em Macau, encarregando-se ele de mandar vir da França as mestras, as Irmâs de Caridade de S. Paulo de Chartres O seu projecto, a requerimento de Bernardino de Sena Fernandes, aprovado por Portaria de 26 de Dezembro de 1863, (4) e autorizada a sua continuação por Portaria de 17 de Março de 1868, (4) o qual o Colégio apenas durou por mais três anos. Em Setembro de 1871, devido ao decreto de 20 de Setembro de 1870 (exclusão do ensino em Macau dos professores estrangeiros), as professoras retiraram-se, encerrando-se o estabelecimento.

(1) Albino da Silveira (Macau 1823- Macau 1902) filho de Francisco Cândido Pereira da Silveira e de Francisca Carlota Pereira da Silveira, naturais de Macau, foi empregado, em Cantão, em casa de Robinnet, negociante de sedas e depois em casa de Jardine, Matheson & CO. Mais tarde foi para Shanghai, em casa de Dent & Co e por fim estabeleceu-se em Hong Kong, onde serviu de guarda-livros da “Union Insurance Society of Canton” recebendo, ao reformar-se uma pensão vitalícia desta Sociedade. O comendador foi em Hong Kong Presidente do Club Lusitano, do Círculo Católico, da Confraria de SSmo Sacramento e da Sociedade de S. Vicente de Paulo por 25 ano Nomeado sócio ordinário, em 1892, da Sociedade de Geografia de Lisboa. A comenda da Conceição foi-lhe atribuída pelo Governo Português em 1893. Era também Cavaleiro de S. Silvestre. Em Shanghai foi vice-consul de vários fundou um jornal português “O Aquilão”, de duração efémera. Faleceu em Macau, na residência do Comendador Lourenço Marques, onde vivia. (3)

A filha do comendador Ana Joaquina da Silveira, estudou no Colégio da Imaculada Conceição até Junho de 1870, quando foi para França para continuar os estudos. Foi uma das primeiras alunas macaenses a ingressar no Instituto da Congregação de S. Paulo, e em 1876, tomou o hábito em Chartres  com o nome de Soeur Basilide Joseph e lá faleceu. (5)

(2) Maria José Pereira, nascida em 18 de Outubro de 1861 é filha de Bartolomeu António Pereira e de Belmira da Encarnação e casou com Leôncio Alfredo Ferreira. (6) Maria José foi aluna distinta do Colégio da Imaculada Conceição 

(3) TEIXEIRA, P. Manuel – Galeria de Macaenses Ilustres do Século XIX, 1942, p. 453

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-da-imaculada-conceicao/

(5)) TEIXEIRA, P. Manuel – A Educaçao em Macau, 1982, p. 315

(6)  https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/leoncio-alfredo-ferreira/

Extraído de «BGM»,  XI-2 de 9 de Janeiro de 1865, p.6

Por portaria de 26 de Dezembro de 1863, o governador de Macau, José Rodrigues Coelho do Amaral, deferia o requerimento feito por “Bernardino de Sena Fernandes, por si e em nome de vários outros moradores de Macau, (para) que lhe concedesse autorização para estabelecer uma escola de meninas dirigida por mestras francezas, irmãs do Instituto de S. Paulo”. Em 15 de Março de 1864, estas religiosas inauguravam o Colégio da Imaculada Conceição, usando da palavra Bernardino de Sena Fernandes, o Governador J. R. C. do Amaral e  o Padre Vitorino de Sousa Almeida. Por Portaria Régia de 17 de Março de 1868, foi autorizada a continuação do Colégio da Imaculada Conceição. Em Setembro de 1871, devido ao decreto de 20 de Setembro de 1870 (exclusão do ensino em Macau dos professores estrangeiros), as professoras retiraram-se, encerrando-se o estabelecimento.

Em 28 de Setembro de 1872, reuniram-se na Gruta de Camões, os subscritores do Colégio da Imaculada Conceição e nomearam para a Comissão Directora, as senhoras Maria Pereira Marques, esposa de Lourenço Marques, presidente, Maria Bernardina dos Remédios, esposa de Maximiano António dos Remédios, vogal e vice-presidente, e Fátima Leite, esposa de Jerónimo Pereira Leite, secretária. O Colégio foi novamente inaugurado em 24 de Novembro de 1872 (Domingo), discursando a jovem Maria José Pereira, filha de Bartolomeu António Pereira e de Belmira de Encarnação Pereira, o Padre Vitorino de Sousa Almeida, o Governador Visconde de S. Januário e o Governador do Bispado, Padre António Luís de Carvalho; neste dia foi de novo o Colégio confiado às Irmãs do Instituto de S. Paulo, em número de cinco.” (1)

(1) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982, pp. 308-309

Referências anteriores : https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-da-imaculada-conceicao/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/orfanato-da-imaculada-conceicao/

FOTO – MACAU- VISTA DA PRAIA GRANDE, c. 1890 (1)
Autor desconhecido

NOTA: a baía da Praia Grande, vista da Colina da Penha, ou possivelmente do Hotel Bela Vista. Ao fundo à direita, à beira mar, o Grémio Militar, construído em 1870 e no alto a Colina da Guia.

FOTO – MACAU – VISTA DA PRAIA GRANDE c. 1895 (2)
Autor desconhecido

NOTA: A baía da Praia Grande, vista da Colina da Guia ou possivelmente da Colina de S. Jerónimo. Ao fundo o Hotel Bela Vista, à beira da baia, e a Colina da Penha (Igreja da Penha).

(1) http://www.wattis.com.hk/gallery/photographs/9/5997/macao-praya-grande.html

(2) http://www.wattis.com.hk/gallery/photographs/9/6898/macau-view-of-praya-grande-towards-penha-hill.html

Baía da Praia Grande c. 1854, guache de pintor chinês desconhecido
Macau: Praia Grande vista do norte; a baía, a colina da Penha ao longe (à esquerda)

Baía da Praia Grande c. 1855, guache de pintor chinês desconhecido
Macau: Praia Grande vista do sul; a baía, a colina/fortaleza do Monte ao longe (centro) e a colina/fortaleza da Guia ao longe (à direita)
Baía da Praia Grande c. 1870, guache de pintor chinês desconhecido
Macau: Praia Grande vista do norte; a baía, com um barco a vapor com rodas de pás a entrar,  a colina da Penha ao longe (à esquerda) e as árvores da fortaleza de S- Francisco (á direita)

“Festa de arromba, porém, e que ficaria a marcar, foi a que o governador, Visconde de S. Januário deu, no dai 31 de Outubro, para assinalar o aniversário natalício do rei D. Luís, para a qual se tinham efetuado, com a devida antecedência, todos os preparativos, para que nada faltasse ao luzimento que se lhe pretendia imprimir. Era, portanto, esperada com grande ansiedade, na cidade, não se falava noutra coisa, e, efectivamente, a sua realização excedeu toda a expectativa.
Nessa noite, a Praia Grande, desde o largo do Chunambeiro (hoje Praça Lobo d´Avila) até ao quartel do batalhão, mostrou-se garridamente engalanada, sendo uma fita continua de balões multiformes e multicores, e as fachadas das moradias ao longo dessa avenida apresentavam-se primorosamente iluminadas, diligenciando os seus proprietários por se superarem uns aos outros em riqueza de ornamentação, originalidade e bom gosto, sendo de destacar o palácio do Barão do Cercal, que tinha no centro da elegante varanda uma luz eléctrica – autêntica novidade para a época – levando as espias até ao topo do mastro do consulado – era ele cônsul da Itália – balões de variedades cores.

Macau – Praia Grande
Fotografia de John Thomson, 1870 (1)
https://wellcomelibrary.org/item/b11767042#?c=0&m=0&s=0&cv=0&z=-0.3509%2C0.0056%2C1.789%2C0.8411

Na residência de B. E. Carneiro via-se o retrato de D: Luís a óleo, encaixilhado numa cercadura de cristal policromo e lanterninhas de diversas cores dispostas em arco nas janelas.
A varanda de Bernardino de Sena Fernandes. De todas a que mais sobressaía na Praia Grande, estava enfeitada com as letras V. L. I., encimadas por uma estrela, constituindo também atracções que obrigavam os transeuntes a deter-se para as admirar, as residências do Visconde do Cercal, cônsul do Brasil, a do Sr. Garcia e a do cidadão britânico Deacon, cônsul de Portugal em Cantão.
No mar, a iluminação mais surpreendente era a da lancha a vapor dos agentes de emigração, brilhantemente decorada à veneziana, e dois grandes lustres espargiam intensa luz em frente do peristilo do Palácio do Governo
Era tão grande a concorrência nas ruas, que as cadeirinhas – meios de transporte usados nessa época – dificilmente conseguiram prosseguir o seu caminho, obrigadas constantemente a longos compassos de enervante espera.
No Palácio do Governo, com o salão recentemente ampliado e intensamente iluminado por grande profusão de luzes e reflexos de cintilantes cristais dos lustres e candelabros bem como dos grandes espelhos que ornamentavam as suas paredes, iniciou-se o baile, a preceito, com a esposa do Governador de Hong Kong, sir Arthur Kennedy e este com a esposa de Carlos Correa Paes d´Assumpção.
O jardim, onde se armou um pavilhão chinês e se serviam refrescos, estava um brinquinho. As três salas contíguas ao salão do dossel estavam, porém, mobiladascomo nos anos anteriores, mas com mais profusão de luzez, tendo a segunda das salas sido toda forrada de branco e preparada para valsas e polcas. No elegante bufete, caprichosamente ornamentado e disposto, serviam-se, interminavelmente, os mais finos vinhos e gelados.
Lauta e rica fora a ceia com que pelas duas horas de manhã, se banqueteavam os convivas.”
…………………………………………………continua (2)
(1) John Thomson (1837-1921) efectuou a sua primeira visita à China entre 1868 e 1872, registando a vida e os costumes locais através da fotografia. Tirou mais de 200 fotografias obtidas compreendendo tiradas em Macau, Hong Kong, Guangzhou, Shantou, Fuzhou, Xiamen, Taiwan, Shanghai, Ningbo, Nanjing, Sichuan, Tianjin, Beijing e Pequim, entre outros locais.
http://www.gcs.gov.mo/showNews.php?DataUcn=78902&PageLang=P
Ver referências anteriores  em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/john-thomson/
(2) GOMES, Luís Gonzaga – Páginas da História de Macau, 2010, p.301
Referências anteriores em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/08/leitura-a-vida-em-macau-no-ano-de-1872-i-outubro/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/17/leitura-a-vida-em-macau-no-ano-de-1872-ii-17-de-outubro/

Continuação da publicação dos postais de Macau digitalizados do «Jornal Único» de 1898 (1)
NOTA:Os chichés das vistas photographicoas foram tirados pelo photographo amador Carlos Cabral. Todos os trabalhos respeitantes a este «Jornal Único» foram executados em Macau

Leal SenadoExtractos do artigo publicado neste jornal: “O Edifício do Leal Senado” de António Joaquim. Basto.

Porta do Cerco

Extractos do artigo publicado neste jornal: “A Porta do Cerco” de Artur Tamagnini da Motta Barbosa.

1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jornal-unico/
http://purl.pt/32511/3/html/index.html#/1

O Governador José Maria da Ponte e Horta decretou, por prejudicial aos costumes da sociedade, a abolição da Roda dos expostos da Santa Casa de Misericórdia de Macau e proibiu a esta instituição o recolhimento das raparigas abandonadas.
Em 1 de Janeiro de 1857, existiam 45 expostos e, em 31 de Dezembro de 1866, 107. O movimento total, nos dez anos, foi de 2.286 expostos. O presidente da comissão encarregada de estudar as  necessidades da Santa Casa, P.e Jorge António Lopes da Silva (1)  diz, no seu relatório:
A sua mortalidade é tão extraordinário  que aparece não ter exemplo em parte alguma pois, nos dez últimos anos, a mortalidade foi de 95,5 por cento, quase todos chineses» (2)
O Decerto entrou em vigor a 8 do mesmo mês e ano, devendo no entanto a Santa Casa continuar a tratar dos enjeitados que tinha a seu cargo nessa data. Como a Portaria não conseguiu deter a prática, a «Roda» deixou de existir mas as crianças abandonadas à porta da Santa Casa continuaram a ser recebidos. (3)
De 1855 a 1866 foram admitidas na Roda, em Macau, 2.241 criança expostas, morrendo 2.151. Em Dezembro de 1866 havia 79 crianças para amamentar e 29 desmamadas (3)

Portaria n.º 11 de 2 de Fevereiro de 1867

Extraído do «Boletim do Governo de Macau» XIII-6. 11 de Fevereiro de 1867

Portaria n.º 16 de 8 de Novembro de 1866

Extraído do «Boletim do Governo de Macau» , XII-46 de 12 de Novembro de 1866.
(1) Anterior referência à “Roda dos expostos”:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2014/04/01/noticia-de-1-de-abril-de-1929-poema-santa-infancia/
(2) Anteriores referências ao Padre Jorge António Lopes da Silva que foi governador do Bispado de 1866 a 1870 durante o período da vacatura do bispado em Macau de  1857-1877:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/padre-jorge-antonio-lopes-da-silva/
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(4) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol 3, 1995.

Celebra-se hoje, dia 19 de Março o Dia do Pai. Celebra-se no dia de São José, (José de Nazaré ou José, o carpinteiro), santo popular da igreja católica, marido de Santa Maria e pai terreno de Jesus Cristo.
Neste dia de 1868, a festa de S. José foi celebrada “com pompa e explendor na igreja do Seminário Diocesano”. Relato da notícia do «Boletim da Província de Macau e Timor»: (1)
NOTA: Em 1868, durante a vacância do Bispado em Macau (1857 a 1877), o governador do bispado era o Padre Jorge António Lopes da Silva (nomeado a 5 de Fevereiro de 1866-1870) (2)
O Governador era o major de artilharia José Maria da Ponte e Horta (26 de Outubro de 1866 a 13 de Maio de 1868, data da tomada de posse como governador, do Vice-Almirante António Sérgio de Sousa; no entanto este só chegou a Macau a 3 de Agosto de 1868). Por isso, num “ Directório” desse ano, em inglês, o Conselho do Governo que tinha a seguinte composição e apresentava o Governador como “ausente”.
O Juiz de Direito nesse ano era João Ferreira Pinho e o Comandante do Batalhão de Macau o tenente-coronel Vicente Nicolau de Mesquita
Quanto ao maestro Luigi Antenori, tenor Pizzioli e o barítono Reina ver anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/10/17/leitura-a-vida-em-macau-no-ano-de-1872-ii-17-de-outubro/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/04/01/noticia-de-1-de-abril-de-1867-espectaculo-de-opera-italiana-no-teatro-d-pedro-v/
(1) «Boletim da Província de Macau e Timor» XIV,  n.º 12, 23 de Março de 1868, p. 61
(2) Ver anterior referência em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/07/14/noticia-de-14-de-julho-de-1870-falecimento-do-padre-jorge-antonio-lopes-da-silva-e-a-escola-principal-de-instrucao-primaria/

http://marinhadeguerraportuguesa.blogspot.pt/2015/08/a-evolucao-dos-navios-da-armada-real.html
Em Novembro de 1869 a galera “Viajante” (1) embarcação mercante pertencente à firma «Bessone & Barbosa» que partiu de Lisboa para Macau (com antecedência de dois dias da corveta «Estephânia» que ia representar Portugal na inauguração do canal de Suez) (2) sob o comando do capitão José Sabino Gonçalves (com vinte marinheiros) atravessou o canal de Suez, no dia 22 de Novembro (3) sendo o primeiro navio de bandeira portuguesa a fazer este. Esta nova via de navegação encurtava muito as viagens que se faziam ao Oriente pelo trajecto africano.

http://www.ancruzeiros.pt/ancdrp/viajante

(1) “Este navio de três mastros com casco em teca foi construído em 1850 nos estaleiros de Damão; os mesmos que já haviam realizado a fragata «D. Fernando e Glória». O «Viajante» era um navio de 377 toneladas, que media 35 metros de comprimento. Armou, sucessivamente, em galera e em barca. O seu primeiro proprietário foi a casa Bessone & Barbosa, que o utilizou no transporte de chá para a Europa. Em 1863 chegou a assegurar uma leva de tropas coloniais da metrópole para Moçambique, fazendo assim prova da sua versatilidade. Seis anos mais tarde, em Novembro de 1869, o «Viajante» (que se dirigia para Macau, sob o comando do capitão José Sabino Gonçalves) foi o primeiro navio de bandeira portuguesa a franquear o canal de Suez, essa nova via de navegação que encurtava, de maneira significativa, as viagens para o Oriente. A 2 de Outubro de 1917, quando navegava de Lisboa para o Funchal com mercadoria diversa, o «Viajante» foi afundado por um submarino alemão não identificado. Apesar da zona de naufrágio do navio se situar a umas 180 milhas náuticas da terra firme mais próxima (a ilha de Porto Santo), todos os seus tripulantes (12 homens) se salvaram.”
http://marinhadeguerraportuguesa.blogspot.pt/2015/08/a-evolucao-dos-navios-da-armada-real.html
(2) “A 15 de Agosto de 1869 as águas do Mar Vermelho entraram nos lagos Amargos que já recebiam as águas do Mediterrâneo através do lago Timsah. A inauguração, que realizou-se no dia 17 de Novembro de 1869 no meio de grandes e exuberantes festejos, foi presenciada por Eça de Queiroz que publicou no Diário de Notícias o relato do acontecimento com o título “De Port-Said a Suez ou Carta sobre a inauguração do Canal de Suez” inserida nas Notas Contemporâneas. O Cairo sofreu profundas alterações como uma ligação rodoviária com Ismailia e a construção propositada de um teatro para que, durante a inauguração, pudesse ser representada a ópera Aida encomendada propositadamente a Verdi, que não chegou a acabá-la a tempo”.
http://www.ancruzeiros.pt/ancdrp/o-canal-de-suez
(3) A inauguração desta nova via de navegação foi a 17 de Novembro de 1869. Cinco dias após a inauguração a barca Viajante acabou por ser o primeiro barco português a atravessar o canal, embora esta data não seja consensual.
“Durante muitos anos tentou-se provar que a Viajante fora o único barco português presente nas cerimónias da inauguração. Estalaram polémicas e defensores vieram defender cada qual a sua dama até que, muito recentemente, já na década de 90, apareceu o diário de bordo da altura que confirmou a sua passagem pelo canal, mas 10 dias após da inauguração, ficando assim a Viajante apenas com o título do primeiro barco português a atravessar o canal.”
http://www.ancruzeiros.pt/ancdrp/viajante 
“A corveta «Estefânia», o melhor vaso de guerra português na época, foi enviado ao Egipto de forma a representar Portugal na inauguração do canal de Suez (também presentes, em representação de Portugal, o escritor Eça de Queirós e o conde de Resende Luís de Castro Pamplona). Porém, em pleno Mar Mediterrâneo, numa zona denominada «gata», desencadeou-se uma daquelas tempestades que só acontecem aos «lusíadas». A deficiente acção dos marinheiros e a frustrante surpresa que a tempestade provocou, acrescidas de alguns pormenores técnicos, deve ter “inibido” bastante o vaso de guerra que, desconjuntado, não pode figurar a tempo nas cerimónias oficiais em Port Said. Tinha largado do Tejo, com a antecedência de dois dias da corveta «Estefânia», a galera «Viajante» embarcação mercante pertença da firma «Bessone & Barbosa», comandada pelo capitão José Sabino Gonçalves que, às suas ordens, tinha vinte marinheiros. A galera dirigia-se a Macau e, muito próxima do navio de guerra, sofreu o mesmo temporal, mas bem manobrada conseguiu entrar em Port Said galhardamente. Era o dia de inauguração do Canal de Suez…”
Ler este “episódio” em: “CARTA DE ÉVORA – O capitão José Gonçalves Sabino – O 1º piloto do Canal do Suez? – II – por Joaquim Palminha Silva” disponível em
https://aviagemdosargonautas.net/2015/08/11/carta-de-evora-o-capitao-jose-goncalves-sabino-o-1o-piloto-do-canal-do-suez-ii-por-joaquim-palminha-silva/
NOTA: Sobre o capitão José Sabino Gonçalves aquando da sua morte, escreveu (assinado Abrantes) a sua Necrologia no jornal, «O Occidente»  XXXII-n.º 1098 de 30 de Junho de 1909 p. 143.

Faleceu a 14 de Julho de 1870, dum ataque repentino que o privou dos sentidos, o padre Jorge António Lopes da Silva, nascido em Macau, em 8 de Maio de 1817. Foi muito estimado por toda a população, tendo recebido, em Manila, aos 24 anos de idade a sagrada ordem de presbítero. Na volta a Macau, regeu a cadeira de Português, no Colégio de S. José e abriu, em sua casa, uma escola, donde saíram alguns padres e muitos guarda-livros. Foi depois convidado, pela Câmara Municipal para exercer a cadeira de professor de liceu, que fora então aberto, em Macau (1)
Não foi professor de liceu pois não havia ainda liceu em Macau. O Senado de Macau convidou a 14 de Abril de 1847 o Padre Jorge António Lopes da Silva para ser um dos primeiros mestres da futura Escola Principal de Instrução Primária. (2) O Padre respondeu a 27 do mesmo mês que aceitava ser um dos mestres das primeiras letras com o ordenado de 350 patacas anuais, pondo no entanto as seguintes condições: 1) levar consigo os meninos que estudavam em sua casa; 2) os requerimentos para admissão deveriam ser dirigidos não a ele, mas ao Senado; 3) que se alterasse o horário de inverno, pois o tempo do meio-dia às 2 horas lhe parecia curto para descanso de professores e alunos”, O Senado concordou e o Padre Jorge foi nomeado director e mestre da Escola Principal de Instrução Primária que foi inaugurada a 16 de Junho de 1847. A Escola ficou instalada em metade das casas do Recolhimento de S. Rosa de Lima. (3) (4)
A 14 de Junho de 1847, dois pretendentes oficiaram ao Senado: José Vicente Pereira oferecendo-se para mestre de inglês e francês dessa escola e John Hamilton pedindo-lhe um lugar de professor; a 22 de Novembro de 1847, o Senado comunicou ao Padre Jorge a nomeação de José Pereira e perguntando-lhe se carecia de mais outro professor. A Escola compreendia 3 cadeiras: uma de ensino primário, a cargo de Joaquim Gil Pereira, outra de português a cargo do Padre Jorge Lopes da Silva e outra de inglês e francês a cargo de José Vicente Pereira (3)
Apesar do seu limitado pessoal chegou a ter mais de 300 alunos.
Em fim de 1853, o Padre Jorge António Lopes da Silva pediu a demissão de director e mestre da escola. (5) Para a direcção da Escola foi nomeado o Padre Vitorino José de Sousa Almeida (6) que ficou só um ano pois o Senado teve de o despedir, ou por ter achado nele inaptidão ou por sua severidade pois que no cabo de um ano, estava deserta a aula das línguas portuguesas e latina.

Planta da Colónia Portuguesa de Macau
1870
Desenhada  por M. Azevedo Coutinho (7)

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(2) A 27 de Janeiro de 1847, o Senado de Macau oficiou a José Vicente Jorge, Francisco António Pereira da Silveira, Francisco João Marques e Padre António José Victor, comunicando-lhes que haviam sido nomeados para fazer parte duma comissão a fim de elaborar um plano de educação para a mocidade deste estabelecimento. A Escola Principal de Instrução Primária foi fundada pelo Senado de Macau por meio de uma subscrição pública. O  Senado comunicou a João Maria Ferreira do Amaral, governador de Macau entre 1846 e 1849, a 17 de Fevereiro de 1847 que
deliberou com os eleitos das freguesias  solicitar dentre os moradores abastados desta Cidade
Huma subscrição, cujo produto incorporado ao Capital agora existente de $ 5 000 (doado pelo inglês James Matheson feita a Adrião Acácio da Silveira Pinto, governador de Macau de 1837 a 1843), constitua hum fundo capaz de produzir hum rendimento, que junto  ao que este Senado agora despende com a sua escola de primeiras letras seja sufficiente para cubrir as despezas de huma Escola Principal de Instrução Primária: e na qual … se ensine também as línguas Ingleza e Franceza, cujo conhecimento he hoje reconhecidamente de suma utilidade, senão indispensável neste pais”. (3)
(3) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982
(4) Em Abril de 1849, a escola foi transferida para o Convento de S. Francisco; mas a 28 do mesmo ano, o Conselho de Governo comunicou ao Senado que, tendo de aquartelar nesse convento a força auxiliar vinda de Goa, a escola devia ser mudada para outro lugar; regressou então ao Recolhimento. (3)
(5) Segundo artigo publicado no «Echo do Povo» n.º 68 de 15-07-1960, o Padre Jorge Lopes da Silva rdeixou a direcção que ocupava porque obrigaram-no a aceitar o vicariato de S. Lourenço. Foi portanto, nomeado pároco de S. Lourenço e a 5 de Fevereiro de 1866, foi nomeado Governador do Bispado. O Padre Jorge Lopes da Silva foi nomeado em 1867 presidente duma comissão encarregada de estudar as necessidades da Santa Casa de Misericórdia, nomeadamente do recolhimento das raparigas abandonas à porta da Santa Casa, que levou posteriormente ao decreto do Governador José Maria da Ponte e Horta à abolição da Roda dos Expostos da Santa Casa, a 2 de Fevereiro de 1867.
(6) Padre Vitorino José de Sousa Almeida chegou a Macau a 2 de Janeiro de 1832 no Novo Paquete. Foi pároco de S. Lourenço de 1842 a 1852. (3)
(7) Ver referência a este Capitão em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/22/noticia-de-agosto-de-1952-clube-militar/