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O entusiasmo da queima de panchões, nos dias festivos do Ano Novo Lunar, atinge todas as idades, e nem o estampido abranda a tarefa, embora por vezes se sintam atemorizados com o estralejar contínuo dos petardos.
Sacodem-se, assim, todos os azares da vida e o mau agoiro que venha prejudicar a felicidade pelo ano fora.
São crenças ainda conservadas no rol das superstições que influenciam este povo milenário, conservador das suas tradições que lhe apontam normas de vida, para que tudo se oriente para a felicidade, tal como ele a concebe.” (1)
(1) Extraído de p.9, «Macau Boletim de Informação e Turismo», Vol XII, n.ºs 1 e 2,  1977.

Do espólio deixado pelo fotógrafo Harrison Forman (1904-1978) (1), que se encontra disponível no “AGSl Digital Photo Archive (2), encontram-se 175 excelentes fotografias de Macau. Destas, 16 fotografias referem-se aos trabalhos executados para a demolição do monumento que já estava erguido e instalado na colina de D. Maria II, para as Comemorações do IV Centenário de Macau 1555 -1955 que deveria ter dado início no dia 1 de Novembro de 1955 – ver anteriores referências em (3)
As fotografias documentam todo o processo de demolição, como o empilhamento dos sacos de arreia na frente à base do monumento (para obrigar a queda do monumento para trâs), colocação e montagem das cargas explosivas com toda a segurança e o monumento demolido (queda para trás em direcção ao mar)
Aconselho a total visualização das fotografias (as fotos não estão na sequência correcta da demolição) que estão catalogadas no sítio electrónico como:

Part of Set
Harrison Forman Collection – China
Photographer’s Note: Macau: The monument of Macau
Photographer: Forman, Harrison, 1904-1978

São no total 16 excelentes fotografias a preto e branco que documentam com pormenor e enquadramentos interessantes o acontecimento.
Apresento como exemplo três destas fotografias:

Title : Macau, truck in front of monument before demolition
https://collections.lib.uwm.edu/digital/collection/agsphoto/id/26625/rec/18
Title: Macau, man setting explosives at base of monument
https://collections.lib.uwm.edu/digital/collection/agsphoto/id/26639/rec/22
Title: Macau, ruins of demolished monument on waterfront
https://collections.lib.uwm.edu/digital/collection/agsphoto/id/27737/rec/9

(1) Harrison Forman (1904-1978) fotógrafo americano e jornalista (“The New York Times” e “ National Geographic”) Durante a II Guerra Mundial, estava na China, tendo o feito grandes reportagens da guerra  uma entrevista com  Mao Zedong.
A sua colecção de diários e o espólio fotográfico estão no “American Geographical Society Library”.
https://en.wikipedia.org/wiki/Harrison_Forman

Title: Macau, portrait of Harrison Forman and Dr. Pedro Jose Lobo, Macau’s leading citizen
Description: On right, Macau’s chief economic minister and leader in local gold trading (p. 270).
https://collections.lib.uwm.edu/digital/collection/agsphoto/idMacau’s leading citizen/28160/rec/85

(2) “AGSl Digital Photo Archive – Asia and Middle East” na “American Geographical Society Library (University of Wisconsin-Milwaukee).
“The Harrison Forman Photo Collection contains over 3,800 prints and over 300 negatives. This is a fraction of the total Forman collection, sized at 98,000 images, most of which are in 35mm slide format.”
https://uwm.edu/libraries/agsl/harrison-forman-collection/
https://uwm.edu/libraries/wp-content/uploads/sites/59/2014/07/China.pdf
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/11/01/ainda-a-proposito-do-iv-centenario-de-macau-novembro-de-1955/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/11/01/noticia-de-1-de-n ,ovembro-de-1955-programa-das-comemora-coes-do-iv-centenario-de-macau-1555-1955/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/02/selos-postais-comemorativos-da-fundacao-de-macau-1955/

Três fotografias antigas de Macau, provavelmente do princípio do século XX, extraídas do “Boletim de Geografia de Lisboa” (1)

Porta do Cerco em Macau, s.d.
Jogadores de Fantan em Macau, s.d.
Antigo palácio do governador de Macau, c. 1908

(1) http://www.socgeografialisboa.pt/wp/wp-content/uploads/2017/11/SGL-Boletim-133-Ano-2015.pdf 

Natal já sã ontem
Azinha-azinha ano passá
Otrung´a ano mais ta sai
… e assí  azinha sete anos já chegá

nenotaivaiconta
Tá bemfêto… tá malfêto
Iou nâm sabe, bonito iou achâ
Unsóm isquevê más bêm-fêto
Assí chapâ, más bom postâ

Iou co muto tanto pacencia
Létra a letra já isquevê
Tánto-tánto papel já esfolâ
Redaçam bôm, já escolhê
Olâ olâ sabe, já copiá
Foto bonitéza, nunca na isquecê
Chegâ hora, tudo juntado, imprensâ

Assi pra nâm engalinhá
Só desejá bom vento colhê
E rezá, pedi pa Dios ung´a ano más

nenotavaiconta sã assi, j´olá?

Mais dois postais ( 18 cm x 12 cm), mais duas excelentes fotografias de Macau. (!)
A primeira de Ou Ping (2), de 1969,  a lembrar os arcos monumentais comemorativos do Dia Nacional da China. Antes de 1966, eram construídos para o dia 1 de Outubro (República Popular da China) e depois desmontavam-se para edificarem outros no mesmo sítio para o dia 10 de Outubro (República da China….). Pelo meio, comemorava-se o 5 de Outubro (sem os arcos mas com outras cerimónias oficias) e como estudante celebrava-se alegremente 3 feriados. Após os acontecimentos de 1966 (1,2,3) aboliram-se os festejos nacionalistas de 10 de Outubro.
A segunda de Lei Chiu Vang (3)
Esta foto documenta um dos costumes da comunidade piscatória “tanká” (palavra chinesa empregada para referir à população cantonense que vive e trabalha em barcos os chamados tancareiros ou homens do mar- população flutuante do Sul da China) Os miúdos que faziam toda a sua vida nas lorchas/sampanas, quando começavam a saber andar, eram-lhes postos à cintura um ou dois “boiões” para servirem de sinalização/bóias caso caíssem ao mar.
(1) Da colecção do Museu de Arte de Macau.
Ver anterior referência em:

(2) Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/lei-chiu-vang/
(3) Lei Chiu Vang,-  李超宏  (mandarim pīnyīn: lǐ chāo hóng; cantonense jyutping: lei5 ciu1 wang4) foi um prestigiado fotógrafo de Macau, sócio honorário da Associação Fotográfica de Macau, membro da Real Associação Fotográfica do Reino Unido, sócio da Associação de Estudo de 35mm de Hong Kong e sócio vitalício da Associação Fotográfica Chinesa de Hong Kong. Foi fotógrafo do jornal Ou Mun durante mais de quarenta anos e, durante as horas vagas, dedicava-se a tirar fotografias nas ruas e ruelas do território, registando em película variados aspectos do quotidiano das diversas camadas sociais de Macau, assim como diversas paisagens do território.
https://www.iacm.gov.mo/files/boletim/072004/mon_07_11_p.htm

Dois postais (1) da colecção MAM, de 18 cmx 12 cm, com duas excelentes fotografias de Ou Ping, fotógrafo de Macau.
Lembro-me muito bem destes “ardinas” de Macau que a pé ou, os mais afortunados, de bicicleta, distribuíam logo pela manhã (muitas vezes ainda antes de amanhecer) os jornais (chineses e portugueses), pondo nas caixas de correio das residências dos assinantes, ou como este, verdadeiros malabaristas ao atirarem para as varandas dos 1.ºs e 2.º andares das casas, sem deixarem de pedalar.
歐平mandarin pīnyīn: ōu píng ; cantonense jyutping : au1ping4
Ou Ping trabalhou para o Jornal Ou Mun mais de 40 anos. Foi Presidente da Sociedade Fotográfica de Macau e sócio honorário da Sociedade Internacional de Imagem de Hong Kong. Foi convidado pela Associação de Fotógrafos da China, para em Pequim, integrar no Festival Internacional de Cinema da Ásia. Participou em muitas exposições tanto em Macau como no estrangeiro.
http://www.macaucreations.cn/artist/view/34.html
NOTA: Pode ver e ouvir (em cantonense) este artista aquando duma sua exposição:
Reminiscence – Macao Old Photos Collection Exhibition
https://www.youtube.com/watch?v=F3vUdlgXJCk
(1) Da «Colecção do Museu de Arte de Macau», comprado em 2015.

Uma foto de José Neves Catela (1), publicada no “Magazine BERTRAND”, de 1930 (2) intitulada:

Um templo chinês de Macau”, (3)

(1) Anteriores referências de José Neves Catela ( 1901-1951) em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/jose-neves-catela/ 
(2) “Magazine BERTRAND”, IV – 41, 1930.
Director: João de Sousa Fonseca.
A revista que se intitulava “O melhor Magazine da língua portuguesa” com “Assuntos inteiramente inéditos e exclusivos e ainda “«Magazine Bertrand» não ilude com promessas mas satisfaz sempre com as suas realizações. É um «Magazine» português e feito para dignificar a língua portuguesa, respeitando-a”, tinha o preço de assinatura para “Índia, Macau e Timor” semestral: 35$00 e anual 68$00 e sendo registado $37$40 e 72$80 respectivamente.
(3) Templo de Kun Iam Tong – 觀音堂, um dos templos mais antigos, fundado no século XIII.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-de-kun-iamkun-iam-tong-%E8%A7%80%E9%9F%B3%E5%A0%82/