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Duas fotografias publicadas no Anuário de Macau de 1922 (as mesmas fotos estão reproduzidas em outras publicações dessa época com maior nitidez) com os títulos de “MACAU ARTÍSTICO” e “MACAU RENASCENTE”

MACAU ARTÍSTICO
Vista parcial da cidade; à direita vê-se o porto exterior da Rada de Macau; à esquerda o porto interior
MACAU RENASCENTE
Vista parcial da cidade: à esquerda o Bairro de Patane; à direita a Ilha Verde e a antiga estrada de comunicação entre a cidade e aquela ilha. Ao norte e sul da estrada vêem-se os aterros feitos nessa época pela Direcção das Obras dos Portos com o produto das dragagens e as docas em construção e o varadouro do Patane. Ao fundo avista-se a ilha da Lapa-

Encontrei num alfarrabista esta fotografia colada a um pequeno papelão com a seguinte inscrição

N, R. P. GONÇALVES ZARCO
HONG KONG
20-12-1959

Pelo posicionamento da tripulação e enquadramento da fotografia, lembrei-me de uma outra foto publicada na revista “MacaU” (1) que foi tirada no mesmo barco em Junho de 1963, também na altura estacionada em Hong Kong.

Ao centro (na foto) vemos o comandante, capitão-de-fragata Malheiro do Vale, tendo à sua esquerda o imediato, capitão-tenente Rosa Coutinho, e, à sua direita, o 1.º tenente Cristóvão Moreira, o oficial mais antigo do aviso português na altura. (1)

O N. R. P. Gonçalves Zarco (2) foi o primeiro aviso a entrar em Macau em 1935, e o último navio da Armada Portuguesa que esteve em comissão de soberania em Macau e Timor.
A última missão de nove anos em Macau foi de 14 de Outubro de 1956 (3) a 28 de Março de 1964. A sua partida após ter cumprido a sua gloriosa missão de nove anos consecutivos, no Oriente, teve honras de fogo de artifício (4) e “na véspera, em jeito de despedida, os marinheiros organizaram um cortejo em riquexós, pelas ruas da cidade, cantando e queimando panchões”. (1) A chegada a Lisboa foi a 16 de Maio de 1964, “a aguardar a tripulação no cais estavam apenas os familiares, nada de entidades oficiais, nem mesmo da marinha, tão pouco a imprensa. Restava-lhes a consolação do dever cumprido e o feito de terem conseguido trazer para Portugal aquela relíquia naval, que, com galhardia, desempenhou durante nove anos consecutivos a última missão de soberania de um navio da Armada Portuguesa, nas águas de Macau e Timor“(1)

https://arquivohistorico.marinha.pt/viewer?id=14925&FileID=4116

(1) TOMÉ, EDUARDO – A Última Missão Naval de Soberania no Oriente. MacaU, II série, n.º 58, Fevereiro de 97, pp.6-22.
(2) O aviso «Gonçalves Zarco» (igual ao aviso «Gonçalo Velho») foi uma classe de avisos coloniais de 2ª classe ao serviço de Marinha de Guerra Portuguesa. Os dois navios da classe, foram construídos nos estaleiros Hawthom-Leslie (Inglaterra) em 1933, encomendados ao abrigo do Programa Naval Português da década de 1930. Como avisos coloniais, os navios foram projetados com o objetivo reforçar e manter a capacidade de presença naval nos vários territórios do Império Colonial Português, assegurando aí, a soberania de Portugal.
Os navios da classe foram baptizados com os nomes de dois dos navegadores portugueses envolvidos na descoberta das ilhas do Atlântico: Gonçalo Velho Cabral e João Gonçalves Zarco.
Depois da Segunda Guerra Mundial, em 1946, os navios foram equiparados a fragatas, recebendo o prefixo F nos seus números de amura, pintado no costado.

Aviso de 2ª classe «Gonçalves Zarco» – por volta de 1940

Classe GONÇALO VELHO:
GONÇALO VELHO – F 475 (1933 – 1961) – efectuou quatro comissões de serviço em Macau entre 1937 e 1954
GONÇALVES ZARCO – F 476 (1933 – 1964) – efectuou três comissões de serviço em Macau, em 1934, 1939 e a última de 1955 a 1964, (durante os quais passou 17 meses na Índuia Portuguesa, 20 meses em Timor)
Os avisos foram alvo de grandes modificações durante os anos cinquenta. Em 1959 foram substancialmente modernizados, sendo equipados com armamento e sensores para guerra anti-submarina.
Ambos os navios deixaram de ser empregues como unidades combatentes em 1961. O Gonçalo Velho foi, imediatamente, abatido ao serviço, mas o Gonçalves Zarco foi transformado em navio hidrográfico, alterando a referência da amura para A 5200 e mantendo-se em serviço até 1964, ano em que foi activo (seria então o navio de guerra mais velho em serviço, em todo o mundo).
Apanhou, em Macau, dois violentos tufões, o «Glória», em 1957 e em 1962 quando estava em Hong Kong o «Wanda»

O NRP Gonçalves Zarco em Macau, 1950
http://jcsnavy.weebly.com/marine-naval-and-military-posts/nrp-goncalves-zarco-1950

Aviso de 2ª classe «Gonçalves Zarco»
Deslocamento: 1 784 tons (outras fontes: 1174 tons) (1933); 1 500 tons (1959)
Comprimento: 81,5 m; Boca: 10,8 m; Calado: 3,5 m; Sensores: radar de navegação e ASDIC (1959); Propulsão: 2 turbinas a vapor de 2 000 SHP, servidas por dois eixos permitiam atingir os 16,5 nós, de velocidade máxima.
Armamento: 3 peças de 120 mm e 2 peças de 40 mm (1933); 3 peças de 120 mm, 5 peças de 40 mm, 4 morteiros lança bombas, 2 calhas lança-bombas de profundidade (1959)
Tripulação/Equipagem: 142 homens
Informações e referências de:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Classe_Gon%C3%A7alo_Velho#/media/File:Portuguese_sloop_Gon%C3%A7alves_Zarco_in_the_1940s.jpg
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/goncalves-zarco/
(3) “ 14-10-1956 – Vindo do estado da Índia Portuguesa chegou ontem dia 14 o Aviso de 2.ª classe «Gonçalves Zarco» da nossa Marinha de Guerra.” (MBI IV-77, 1956)
“20-10-1956 – A fim de receber beneficiações, partiu para Hong Kong no passado dia 20 o Aviso «Gonçalves Zarco» do comando do capitão-tenente António Garcia Braga.”  (MBI IV-78, 1956)
Regressaria a Macau no dia 8 de Março de 1957 trazendo a bordo para o Porto Interior o novo governador, Capitão-tenente Pedro Correia de Barros.
“15-07-1963 – Após reparações seguiu para Timor. Chegados a Timor, não havia condições de reabastecer o navio de combustível pelo que a 9 de Setembro deram um pulo atè Darwin. O governador de Timor era Alberty Correia. O Gonçalves Zarco saiu de Timor a 2 de Janeiro de 1964. Chegou a Hong Kong a 12 de janeiro de 1964 – atracou ao cais da Royal Navy onde estiveram 4 dias.
Partida 10 de Março de 1964, para Hong Kong com objectivo de efectuar  uma inspecção geral, rasparem e pintarem o fundo” (1)
(4) “Its departure was heralded with fireworks and a large turnout odf the people of Macau who saw it as the end of an  era.”
GARRETT, Richard J. – The Defences of Macau, Forts, Ships and Weapons over 450 Years!.Hong Kong University Press, 2010.

Faleceu na madrugada do dia 16 de Abril, o único matador de touros africano, Ricardo Chibanga, aos 76 anos de idade. (1)
Em sua memória lembro aqui a faena na corrida inaugural (que terminava ajoelhado e de costas perante o touro) que se realizou em 1 de Agosto de 1966, na praça de touros construída em bambu nos aterros do Porto Exterior (sensivelmente à frente do Quartel de S. Francisco onde actualmente está o comando da PSP), integrada na 1.ª tourada realizada em Macau, organizada pelo empresário Alfredo Ovelha e patrocinada pela STDM. (2)

Cerimónia de abertura da 1.ª tourada à Portuguesa em Macau
Foto de Lei Chiu Vang 李超宏 (3)

O toureiro Manuel dos Santos foi o cabeça de cartaz e efectuaram-se nove corridas entre 1 e 20 de Agosto desse ano. (4)
(1) Natural de Moçambique, Ricardo Chibanga veio para Portugal nos anos 76, tendo sido apoiado por Manuel dos Santos (toureiro e empresário). A alternativa de matador de touros foi na Real Maestranza de Caballaria de Sevilha (Espanha) a 15 de agosto de 1971, tendo sido apadrinhado por António Bienvenida, com o testemunho de Rafael Torres. Em Portugal, apresentou-se como matador de touros na praça do Campo Pequeno, em Lisboa, no dia 19 de agosto de 1971, tendo toureado ao lado do matador espanhol José Luis Galloso.
Na Golegã onde vivia existe uma rua com o seu nome: “Rua Ricardo Chibanga, Matador de Touros, Aluno da Escola de Toureio da Golegã”
(2) Ver anterior postagem em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/02/04/slide-colorido-de-macau-turistico-da-decada-de-60-seculo-xx-v-touradas-em-macau/
(3) Lei Chiu Vang,-  李超宏  (mandarim pīnyīn: lǐ chāo hóng; cantonense jyutping: lei5 ciu1 wang4). Ver pequena biografia em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/10/27/postais-fotografias-de-ou-ping-ii-e-lei-chiu-vang/
(4) Para quem ainda não conheça parte da vida do toureiro Manuel dos Santos, nomeadamente a sua vinda a Macau em 1966, aconselho a leitura da reportagem de Helena Matos intitulada “Suerte entre dos”, disponível em:
http://observador.pt/especiais/suerte-entre-dos/

Em 1922, novo edifício das Repartições públicas na Ilha da Taipa, onde se encontrava também instalada a estação postal.
A Administração do Concelho Municipal da Taipa e Coloane, criada em 1 de Dezembro de 1869, em 28 de Agosto de 1879. deixa de funcionar na fortaleza da Taipa e começa a «funcionar na povoação nas casas que lhe pertencem». (1)
O edifício das repartições públicas seria restaurado e passaria a ser a sede da Câmara Municipal das Ilhas (2)

O mesmo edifício visto de perfil (3)

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3.
(2) Em 31 de Dezembro de 2001, o município que estava depois da passagem para a Região Administrativa Especial de Macau, como provisório bem como os seus respectivos órgãos municipais, foram abolidos, dando lugar a um novo órgão administrativo, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM]. O IACM está subordinado à Secretaria da Administração e Justiça.
(3) Esta mesma foto foi republicada em 1927 no livro COLOMBAN, Eudore de – Resumo da História de Macau, 1927. Ver anterior referência em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/02/01/fotos-de-1927-v-as-ilhas-taipa-e-coloane/

Uma imagem de Macau «Panoramic view of the town and port of Macao », publicada originalmente no magazine  “The Illustrated London News” volume LV, 27 de Novembro de 1869.

https://www.ukmacauhouse.com/?lightbox=image_hyw
A mesma imagem, colorida
http://alteagallery.com/stock_detail.php?ref=15153&search=

Uma imagem com pormenores diferentes (ano: ?) com uma legenda em alemão:

https://www.worthpoint.com/worthopedia/macau-macao-china-panoramic-view-1730866981
A anterior imagem (canto esquerdo)  amplificada
A mesma imagem (canto direito) amplificada

O entusiasmo da queima de panchões, nos dias festivos do Ano Novo Lunar, atinge todas as idades, e nem o estampido abranda a tarefa, embora por vezes se sintam atemorizados com o estralejar contínuo dos petardos.
Sacodem-se, assim, todos os azares da vida e o mau agoiro que venha prejudicar a felicidade pelo ano fora.
São crenças ainda conservadas no rol das superstições que influenciam este povo milenário, conservador das suas tradições que lhe apontam normas de vida, para que tudo se oriente para a felicidade, tal como ele a concebe.” (1)
(1) Extraído de p.9, «Macau Boletim de Informação e Turismo», Vol XII, n.ºs 1 e 2,  1977.

Do espólio deixado pelo fotógrafo Harrison Forman (1904-1978) (1), que se encontra disponível no “AGSl Digital Photo Archive (2), encontram-se 175 excelentes fotografias de Macau. Destas, 16 fotografias referem-se aos trabalhos executados para a demolição do monumento que já estava erguido e instalado na colina de D. Maria II, para as Comemorações do IV Centenário de Macau 1555 -1955 que deveria ter dado início no dia 1 de Novembro de 1955 – ver anteriores referências em (3)
As fotografias documentam todo o processo de demolição, como o empilhamento dos sacos de arreia na frente à base do monumento (para obrigar a queda do monumento para trâs), colocação e montagem das cargas explosivas com toda a segurança e o monumento demolido (queda para trás em direcção ao mar)
Aconselho a total visualização das fotografias (as fotos não estão na sequência correcta da demolição) que estão catalogadas no sítio electrónico como:

Part of Set
Harrison Forman Collection – China
Photographer’s Note: Macau: The monument of Macau
Photographer: Forman, Harrison, 1904-1978

São no total 16 excelentes fotografias a preto e branco que documentam com pormenor e enquadramentos interessantes o acontecimento.
Apresento como exemplo três destas fotografias:

Title : Macau, truck in front of monument before demolition
https://collections.lib.uwm.edu/digital/collection/agsphoto/id/26625/rec/18
Title: Macau, man setting explosives at base of monument
https://collections.lib.uwm.edu/digital/collection/agsphoto/id/26639/rec/22
Title: Macau, ruins of demolished monument on waterfront
https://collections.lib.uwm.edu/digital/collection/agsphoto/id/27737/rec/9

(1) Harrison Forman (1904-1978) fotógrafo americano e jornalista (“The New York Times” e “ National Geographic”) Durante a II Guerra Mundial, estava na China, tendo o feito grandes reportagens da guerra  uma entrevista com  Mao Zedong.
A sua colecção de diários e o espólio fotográfico estão no “American Geographical Society Library”.
https://en.wikipedia.org/wiki/Harrison_Forman

Title: Macau, portrait of Harrison Forman and Dr. Pedro Jose Lobo, Macau’s leading citizen
Description: On right, Macau’s chief economic minister and leader in local gold trading (p. 270).
https://collections.lib.uwm.edu/digital/collection/agsphoto/idMacau’s leading citizen/28160/rec/85

(2) “AGSl Digital Photo Archive – Asia and Middle East” na “American Geographical Society Library (University of Wisconsin-Milwaukee).
“The Harrison Forman Photo Collection contains over 3,800 prints and over 300 negatives. This is a fraction of the total Forman collection, sized at 98,000 images, most of which are in 35mm slide format.”
https://uwm.edu/libraries/agsl/harrison-forman-collection/
https://uwm.edu/libraries/wp-content/uploads/sites/59/2014/07/China.pdf
(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2018/11/01/ainda-a-proposito-do-iv-centenario-de-macau-novembro-de-1955/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/11/01/noticia-de-1-de-n ,ovembro-de-1955-programa-das-comemora-coes-do-iv-centenario-de-macau-1555-1955/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/02/selos-postais-comemorativos-da-fundacao-de-macau-1955/