Archives for posts with tag: Teatro D. Pedro V

No dia 10 de Abril de 1988, organizado pelo Instituto Cultural de Macau, no Teatro D. Pedro V, foi exibido o filme português “O Bobo”, do realizador José Álvaro Morais. Um argumento com base na obra homónima de Alexandre Herculano, que já participara em diversos festivais internacionais e, dias antes, fora exibido no International Film Festival, em Hong Kong. A projecção seguiu-se um debate entre o cineasta e os espectadores. (1)O filme “O Bobo” que se estreou em 1987, mas que por dificuldade de produção, se prolongou por uma década para o terminar, é dirigido por José Álvaro Morais (falecido em 2004), (2) com argumento de Rafael Godinho, baseado na obra de Alexandre Herculano.
Actores:: Fernando Heitor, Paula Guedes, Luís Lucas.
Foi o primeiro filme português a arrecadar o prémio principal de um festival internacional de lista A (Locarno International Film Festival), arrecadando o Prémio do Júri em Locarno., em 1987.
O projecto inicial deste filme, uma adaptação de O Bobo de Alexandre Herculano, tornou-se, com o tempo, uma reflexão sobre a obra literária e a sua representação contemporânea. O filme é fascinante, porque reflecte, na sua construção, a passagem do tempo (acossado por inúmeras dificuldades de produção, o processo de feitura do filme foi longuíssimo) e as transformações da sociedade portuguesa nos anos a seguir ao 25 de Abril de 1974. Um filme fundamental na cinematografia portuguesa dos últimos 30 anos” (Texto: Cinemateca Portuguesa)
(1) Informação de «Revista de Cultura» N.º5 – Abril/Maio/Junho 1988, Instituto Cultural de Macau
(2) Biografia disponível em:
http://www.cineclubejoane.org/infofilmes/Todo%20o%20Jose%20ALVARO%20MORAIS.pdf

No dia 9 de Março de 1954, os capitalistas Senhores Ho Yin e Y. C. Liang e alguns empresários mais, em conjunto com a Comissão de Senhoras Pro-construção do “Colégio D. Bosco” levaram a efeito no Teatro Cheng Peng uma noite de ópera chinesa; o espectáculo, dado por profissionais, teve a acompanhá-lo, para melhor transmissão do texto cantado, uma versão escrita em português, nos programas distribuídos.
O produto da venda dos bilhetes (Patacas $ 15 044,00) reverteu como era intenção para a continuação da construção do colégio (inaugurado em 10 de Fevereiro de 1952) que, mesmo inacabado, já alberga e educação de centenas de órfãos.” (1)

A Sr.ª. Dr.ª Laurinda Marques Esparteiro, esposa do Governador, entregando uma taça a uma das principais actrizes chinesas.

Extraído de «BGU» XXIX – 347 – MAIO DE 1954 p. 205.

A Comissão de Senhoras Pro-construção do “Colégio D. Bosco” presidida quando se constitui, pela esposa do governador Albano de Oliveira, D. Helena Cremilda de Oliveira e depois pela D. Laurinda Marques Esparteiro (tendo nessa altura como tesoureira e secretária D.ª Raimunda Faria, esposa do Director da Fazenda, e a D.ª Angelina Pacheco Borges, mãe do então Subdirector do colégio Padre Albino Pacheco Borges) (2) levaram a efeito vários espectáculos, peditórios e festas, em benefício do novo colégio que ainda estava em construção como por exemplo estas referências:
07-07-1951- Realizou-se um animado arraial, no Ténis Militar e Naval em benefício do Colégio D. Bosco de Artes e Ofícios. (3)
17 e 18-03-1954 –Nestes dias realizou-se no Teatro Oriental um espectáculo a favor do fundo da construção do «Colégio D. Bosco por iniciativa do «Sport Macau e Benfica» de que é activo presidente o Sr. Alberto Dias Ferreira (4)
14 de Abril de 1954 – Entregue ao Colégio D. Bosco, para aquisição de instrumentos para a sua oficina, a quantia de patacas $ 440,85, resultante de uma subscrição junto dos alunos do Liceu, da Escola Comercial Pedro Nolasco, dos Colégios de Santa Rosa de Lima e do sagrado Coração e das Escolas Primárias Oficiais e Luso-Chinesa (5)
20-06-1954 – Recital de Canto e Piano no Teatro D. Pedro V a favor do Colégio D. Bosco (6)
20-06-1954 – Recital no Teatro D. Pedro V, da cantora Lígia Pinto Ribeiro, acompanhada pelo Prof Harry Ore. Fins beneficentes, a favor do Colégio D. Bosco) (5).
(1) «M.B.I.», I-15, 1954.
(2) «M.B.I», II -33, 1954.
(3) «MOSAICO» II- 12,1951,
(4) «M.B.I», I-16, 1954.
(5) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. 5, 1998.
(6) «M.B.I» I -21, 1954.
NOTA: Anteriores referências ao Colégio D. Bosco:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/colegio-d-bosco/

24 de Janeiro de 1959 – Inauguração a sétima temporada de concertos, da Delegação de Macau do Círculo de Cultural Musical com a apresentação do jovem e exímio filipino Redentor Romero, acompanhado pelo pianista da mesma nacionalidade, professor Regalado José, no Teatro D. Pedro I (1)
Quer Redentor Romero quer Regalado José foram artistas filipinos distintos e aclamados internacionalmente.
Redentor Romero (1930-2001) exímio violinista e maestro, foi o primeiro filipino a reger a Orquestra Sinfónica de Moscovo, a Royal Filarmónica, a Filarmónica Inglesa e a Filarmónica Chinesa de Beijing. Fundou a Orquestra Filarmónica Nacional Filipina em 1961 e dirigiu-a durante 40 anos. Fez muitas digressões acompanhando solistas internacionais.
Pode ouvi-lo por exemplo em:
“Hating Gabi (Antonio Molina) Redentor Romero violin Rey Paguio piano Divina Bautista piano”
https://www.youtube.com/watch?v=GK6WrC4jSoI
“Redentor Romero & Moscow Philharmonic Orchestra – Walay Angay”
https://www.youtube.com/watch?v=H1kcoXh3PQM
“My tribute to Red Romero.mp4. The Greatest Conductor and Violist of the Philippines.
Moscow Philharmonic Orchestra”
https://www.youtube.com/watch?v=QMvM_I-Ku-s

“Regalado José conducts an orchestra in an outreach performance”
https://lifestyle.inquirer.net/47961/the-legacy-of-regalado-jose/#ixzz5d4twqlxK

Regalado José (1927-2009) foi pianista, maestro (“Manila Symphony Orchestra”) e professor de piano. Graduado em Baltimore (Maryland) com o diploma de “Bachelor of Music” em 1952 e depois Mestrado em Música em 1953.
Ensinou piano cerca de seis décadas na “ UP College of Music” onde foi presidente e Professor Emeritus.
https://lifestyle.inquirer.net/47961/the-legacy-of-regalado-jose/
(1) «Anuário Estatístico de Macau», 1959 p. 73.

Extraído do «Boletim da Província de Macau e Timor» Vol XIV – 4, 1868.

O grupo «Hong Kong Ballet for All» organizado em Hong Kong em 1969, fez a sua primeira apresentação no Teatro D. Pedro V no dia 10 de Janeiro de 1970, por iniciativa e sob o patrocínio do Centro de Informação e Turismo de Macau.
Extraído de TEIXEIRA, P. Manuel – O Teatro D. Pedro V. pp. 43-44
Sobre o Teatro D. Pedro V, referências anteriores em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/teatro-d-pedro-v/

“ Com a presença do Governador e família, e com os artistas portugueses Vasco Barbosa, (1) violinista, Loureiro Dinis, cantor de «lied» e Grazi Barbosa, (2) pianista, realizou-se no teatro D. Pedro V, em 22 de Novembro de 1953, o I Concerto da temporada promovido pelo Circulo de Cultura Musical (3) e integrado nos festejos do 2.º aniversário de posse do Governador. (Almirante Joaquim Marques Esparteiro)

Vasco Barbosa e sua irmã Grazi Barbosa numa das suas interpretações.

Os irmãos Grazi e Vasco Barbosa, artistas de nome feito em Portugal e no estrangeiro, constituem um apreciável conjunto que o tempo e a sua vontade de triunfar transformarão em Artistas de excepcional categoria. Vasco Barbosa  é um violinista de apurada técnica, rara sensibilidade artística e conscienciosa interpretação das obras que executa, sempre com brilho, segurança e nitidez musical. Estas qualidades de virtuoso do violino pô-las ele à prova sobretudo na terceira parte do programa, onde o Rondó Caprichosos de Saint-Saens, a Campanella de Paganini, e o Sapateado de Sarasate saíram das cordas do violino com a grandiosidade com que foram imaginadas e compostas. Perante os entusiásticos aplausos do público, Vasco Barbosa, sempre acompanhado por sus irmã, tocou extra-programa a Dança Ritual do Fogo de Falla e o Voo de Moscardo de Rimsky –Korsakov.

Francisco Loureiro Dinis concedendo autógrafos às “fans” de Macau

Francisco Loureiro Dinis é um artista de vincada personalidade, possuidor de uma voz agradável  e bem timbrada e de uma dicção  perfeita em todas as línguas em que canta.
Preencheu esta Artista a segunda parte do programa com deliciosas canções dos melhores compositores estrangeiros e nacionais, e em todas se houve com perfeito domínio do bel-canto emprestando, ora a umas ora a outras, graciosidade poética, apaixonada emoção, vigor e arrogância, simplicidade e elegância. Loureiro Dinis é um cantor romântico que tanto interpreta com emotiva sensibilidade os cantares simples da gente do povo, como põe nas obras dos inspirados compositores todo o fogo ardente da suaalma de verdadeiro artista A Jota de Falla, a Canção da Índia de Rimsky-Korsakov e a canção portuguesa Macelada são peças que, pela maneira como foram cantadas, jamais o público de Macau esquecerá. “ (4)
(1) Vasco Luís Coimbra Barbosa (1930-2016), filho do violinista Luiz Barbosa (considerado o mais importante violinista português da sua geração e fundador do Quarteto de Cordas da Emissora Nacional),  foi um dos mais importantes violinistas portugueses do século XX e “concertino honorário” da Orquestra Sinfónica Portuguesa.
Como concertino (violino solista) de várias orquestras portuguesas e como solista percorreu o mundo em numerosos concertos em Portugal e no estrangeiro, com orquestra ou acompanhado de sua irmã Grazi Barbosa, em Espanha, Itália, Suiça, França, Áustria, Alemanha, Roménia, Grécia, Estados Unidos, África e Hong-Kong/Macau.
 https://pt.wikipedia.org/wiki/Vasco_Barbosa
(2) Grazi Barbosa, (1922-) irmã de Vasco Barbosa, foi uma consagrada pianista que acompanhou o irmão em inúmeras digressões artísticas e professora de piano no Instituto Gregoriano de Lisboa.
(3) A delegação de Macau do Círculo de Cultura Musical (com sede na Avenida da República s/n) foi inaugurada no dia 24 de Junho de 1952, por ocasião da visita do Ministro do Ultramar, Comandante Sarmento Rodrigues a Macau. Nesse dia, foi promovido o primeiro concerto com a apresentação de dois artistas portugueses de destacado valor e conhecido relevo no meio musical: o jovem (com 16 anos de idade) pianista Sérgio Varela Cid e o Director de Orquestra e violinista Silva Pereira.
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/circulo-de-cultura-musical/
(4) Extraído da reportagem inserida no «Macau Boletim Informativo» Ano I-8,  1953.

Extraído do «B. G. M.», XII-43, 1866.