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Extraído de «BGM», X-28 de 11 de Julho de 1864, p. 110

Por decreto de 5 de Julho de 1865, passaram os procuradores da cidade que desde 1853 eram eleitos pelo povo, a ser de nomeação régia, sob proposta do Governador feita de entre os elegíveis para vereadores (1) (2) (3)

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.

(2) “5-07-1865 – Decretada a desvinculação total e definitiva da Procuratura em relação ao Senado. Por decreto desta data o Procurador foi desligado do Senado. O Procurador dos Negócios Sínicos de Macau desempenha, em conformidade com o Decreto desta data, as funções de Administrador do Concelho de Macau, acumulando-as ainda com as de membro da Junta da Justiça e Vereador da Câmara Municipal. Procuradores do Senado de Macau : 1865 -1866 – José Bernardo Goularte. SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume II, 2015, p. 174; Volume IV, 2015, p. 62.

(3) Almanach Luso Chinez para o anno de 1866, p. 43

Almanach Luso Chinez para o anno de 1866, p. 43

Aconselho leitura de ARESTA, António – Os estudos sínicos no panorama da história da educação em Portugal. In: Administração: revista de administração pública de Macau. – Volume X, nº 38 (Dezembro 1997), p. 1045-1070. https://www.safp.gov.mo/safppt/magazines/WCM_003513

Em 28 de Junho de 1966, o Observatório Meteorológico de Macau (1) instalou-se -se na Fortaleza do Monte que nesse dia abriu as portas ao público/turistas. O anterior observatório de dimensões reduzidas esteve desde 1901 no morro do Bispo, depois ao lado do Hospital Central Conde de S. Januário no antigo forte de S Jerónimo. (2) (3)

POSTAL – 18 cm x 12,3 cm – Serviço Meteorológico
Fotografia de Ho Kuok Man (4)

(1) Em 1976, a Fortaleza do Monte foi desmilitarizada e em Abril de 1995, neste sítio, teve início o planeamento do museu de Macau. A construção do Museu iniciou-se em Setembro de 1996 e foi inaugurado a 18 de abril de 1998.

(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Vol. III, 2015, pp. 63, 229 e 357. https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/16/leitura-o-servico-meteoro-logico-de-macau/ https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/observatorio-meteorologicoservicos-meteorologicos-e-geofisicos/

(3) 1912 – Mapa de Macau editado pelo Leal Senado nesta data assinala o Observatório Meteorológico no local do antigo Fortim de S. Jerónimo, o qual ali começou a funcionar em 1905 (2.º suplemento do B. O. n.º 28 de 1910) (2)

1931 – Faz 50 anos o serviço de observação meteorológica de Macau, tão necessário em terra de tufões. Foi instalado nos finais do séc. XIX, quando este ramo de saber se desenvolveu graças a Verrier, director do Observatório de Paris; para tanto contribuíram os Padres Dechevrens, Faura, Froc e Algué, o observatório de Manila, em geral, e o de Zicawei. Antes disto, as observações meteorológicas socorriam-se em Macau, apenas, de um barómetro da Capitania dos Portos. (2)

(4) Da colecção “Macau Life Postcards” – fotografias de Ho Kuok Man. Edição: Mercearia Tin Fu, Rua de Mercadores 5, Macau. Impresso em Macau, 1994.

O macaense Carlos Humberto da Silva (1) pronunciou no Leal Senado uma conferência integrada na Semana do Ultramar intitulada «Alguns Aspectos Antropológicos das Influências Portuguesa e Chinesa em Macau”

Distinguiu dois tipos de macaenses: o «pioneiro» e o «recente».

Disse ele que o primeiro, também conhecido por «português oriundo de Macau» é sob o ponto de vista, um ocidental completamente português no pensar, no sentir, nos hábitos, nos costumes e até tem o que vulgarmente se chamam os «defeitos da raça». Quanto ao segundo tipo, disse que, «a partir da segunda metade do século passado, quebradas as barreiras artificiais do afastamento entre os portugueses e chineses, uns e outros entraram em franco contacto de onde resultou um entendimento que fez desabrochar uma atracção mútua que se diria existir em estado latente de ambos os lados.

Como é natural essa aproximação não tem cessado, de então para cá, bem antes pelo contrário. Nestas três ou quatro décadas pode-se dizer que o número de cruzamentos em relação à população portuguesa de Macau, atinge cifras importantes. O ritmo crescente de casamentos e cruzamentos dá a impressão duma avalanche pela sofreguidão com que parecem querer reaver o tempo perdido.

Não devemos estar longe da verdade se dissermos que este novo elemento da vida macaense é hoje o elemento mais numeroso da sua população portuguesa, porque, evidentemente, este «macaense recente» está posto em pé de igualdade, como é natural, com todos os outros portugueses. É igualmente evidente que a influência chinesa na sua vida é decisiva, para o que, bastaria o facto de geralmente a mãe ser chinesa ou de, em muitos casos, ambos os pais terem ascendência chinesa próxima também. “ (2)

(1) Carlos Humberto da Silva (1908-1990), diplomado pelo Instituto Superior de Estudos Ultramarinos, foi secretário do Leal Senado da Câmara de Macau, do qual também foi presidente (2-01-1965 a 9-03-1965, por motivos de saúde, substituído pelo Vereador Francisco de Paula Barros e pelo Vice Presidente José dos Santos Maneiras). (3) Bibliotecário do Centro de Estudos de Antropologia Cultural e do Museu de Etnologia de Lisboa. Co-fundador do Grande Prémio de Macau. Agraciado com a Medalha de Mérito Desportivo do Governo de Macau. Casado com Beatriz Emília Nolasco da Silva.

FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses, vol. III, 1996, p.720. Veja-se https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/carlos-humberto-da-silva/

(2) TEIXEIRA, Pe. Manuel – A Medicina em Macau, Volumes III-IV, 1998, pp. 182-183.

(3) SILVA, Beatriz Basto – Cronologia da História de Macau, Vol. IV, 2015, p. 64

Programa (bilingue: português e chinês) da visita/exibição que a equipa nacional de ginástica da R. P. China efectuou a Macau em 16 de Junho de 1985, com organização do Leal Senado e colaboração da “Asan Pacific Sports Promotion (Hong Kong) Co. Ltd”. A exibição foi no Forum de Macau.

CAPA: dimensão 21,5 cm x 21 cm; 12 páginas
Patrocinadores
Extraído de «BPMT», Vol. XXII, n.º 23 de 3 de Junho de 1876, p. 92

“Todos anos se repete, constituindo uma das mais curiosas tradições da cidade. No dia 13 de Junho os representantes do Leal Senado cumprem um velho ritual iniciado em 1783: o pagamento do soldo a Santo António na Igreja com o mesmo nome.

É que o padroeiro de Lisboa (e de Pádua) presta serviço militar em Macau desde 1725, ano em que foi alistado com a patente de soldado. Seis décadas mais tarde, em 1783, foi promovido a capitão. O pagamento do soldo remonta a essa época e era então de 240 taiés, o equivalente ao soldo de um capitão do exército português.

O pagamento sofreria prolongadas interrupções, desde o início do século XIX até meados do século XX. Anteriormente, o pagamento do soldo só havia sido interrompido por três anos, contra a vontade dos fiéis. No presente século, o soldo é pago sem interrupção desde os anos 50. Até à década de 70 a entrega do soldo à igreja era feito com todo o lustro dos grandes momentos. Não faltavam as autoridades da guarnição local e uma pequena força do exército a prestar as honras de ordenança ao Santo no adro da Igreja. Os sinos tocavam a repique quando o pároco recebia os representantes da edilidade.(2)

Actualmente o soldo pago pelo Leal Senado cifra-se em 45 mil patacas. Metade do contributo anual do Leal Senado reverte para o «pão dos pobres» (3) e o restante para gastos paroquiais. Em 1975 as forças militares portuguesas retiravam de Macau. Mas o Capitão da Cidade continuou no activo (1) (4)

(1) Leal Senado, Uma Experiência Municipal (1989-1997), p. 69.

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/06/18/festa-do-taumaturgo-portugues-santo-antonio-de-lisboa-em-18-de-junho-de-1955-capitao-da-cidade-de-macau/

(3) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2017/09/13/noticia-de-13-de-setembro-de-1903-1953-pao-dos-pobres-de-santo-antonio-em-macau/

(4) Esta tradição foi mantida até 1999 (ano da transferência da soberania de Macau para a R.P. da China).

Extraído do “B.O.”, n.º 23 de 6 de Junho de 1936, p. 467
Extraído de «BGC», XXII Agosto de1946, n.º 254/255, pp. 169-170

MAIO de 1719 – Chegou nova carta de Pequim do Padre João Mourão, reiterando a grande estima que o Imperador fizera do mimo que o Senado lhe ofereceu, mandando-lhe em recompensa 8 peças de óptima seda, e várias curiosidades de esmalte fabricadas por sua direcção, e outras mais de fino ouro; as de esmalte, por muito notáveis, foram mandada pelo Senado para Portugal de presente a El-rei, (o que depois soube o Imperador, e o estimou), tendo primeiro o Suntó feito aviso ao Senado para que fosse à cidade onde residia, para receber este precioso mimo, e uma chapa com expressão de elevada honra, que o Imperador lhe mandava; tudo veria a ser recebido com grande fausto (em 28 de Junho de 1719) (1)

Cumprimentando o Suntó com magnificência, e estando os nossos gravemente assistidos, entregou-se com muitas cerimónias o presente, entre duas fileiras de soldados e músicos; o presente foi conduzido pelos chinas em dois andores até à barca, vindo coberto com panos de seda amarela os caixões. Na ida levou o Senado um presente que ofereceu por mimo ao Suntó, que o agradeceu, correspondendo-lhe com outro de três balças de louça, um cesto de chá pelouro, carneiros e porcos que lhe mandou também à barca. (2)

NOTA: O Imperador da China era Kangxi (Seng Chou em cantonense) – 1662-1723 https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/imperador-kangxi-%E5%BA%B7%E7%86%99%E5%B8%9D-1654-1722/

(1) “28-06-1719 – Manuel Vicente Rosa, Pascoal da Rosa e Manuel Leite Pereira foram recebidos em Siu-Heng pelo Prefeito que lhes entregou os presentes do Imperador destinados ao Senado. Não receberam chapa, como esperavam, limitando-se o Prefeito a informar que o Imperador mandava dizer que vivessem os portugueses de Macau quietos e sossegados). (2)

(2) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume I, 2015, pp. 233-234)