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Faleceu a 14 de Julho de 1870, dum ataque repentino que o privou dos sentidos, o padre Jorge António Lopes da Silva, nascido em Macau, em 8 de Maio de 1817. Foi muito estimado por toda a população, tendo recebido, em Manila, aos 24 anos de idade a sagrada ordem de presbítero. Na volta a Macau, regeu a cadeira de Português, no Colégio de S. José e abriu, em sua casa, uma escola, donde saíram alguns padres e muitos guarda-livros. Foi depois convidado, pela Câmara Municipal para exercer a cadeira de professor de liceu, que fora então aberto, em Macau (1)
Não foi professor de liceu pois não havia ainda liceu em Macau. O Senado de Macau convidou a 14 de Abril de 1847 o Padre Jorge António Lopes da Silva para ser um dos primeiros mestres da futura Escola Principal de Instrução Primária. (2) O Padre respondeu a 27 do mesmo mês que aceitava ser um dos mestres das primeiras letras com o ordenado de 350 patacas anuais, pondo no entanto as seguintes condições: 1) levar consigo os meninos que estudavam em sua casa; 2) os requerimentos para admissão deveriam ser dirigidos não a ele, mas ao Senado; 3) que se alterasse o horário de inverno, pois o tempo do meio-dia às 2 horas lhe parecia curto para descanso de professores e alunos”, O Senado concordou e o Padre Jorge foi nomeado director e mestre da Escola Principal de Instrução Primária que foi inaugurada a 16 de Junho de 1847. A Escola ficou instalada em metade das casas do Recolhimento de S. Rosa de Lima. (3) (4)
A 14 de Junho de 1847, dois pretendentes oficiaram ao Senado: José Vicente Pereira oferecendo-se para mestre de inglês e francês dessa escola e John Hamilton pedindo-lhe um lugar de professor; a 22 de Novembro de 1847, o Senado comunicou ao Padre Jorge a nomeação de José Pereira e perguntando-lhe se carecia de mais outro professor. A Escola compreendia 3 cadeiras: uma de ensino primário, a cargo de Joaquim Gil Pereira, outra de português a cargo do Padre Jorge Lopes da Silva e outra de inglês e francês a cargo de José Vicente Pereira (3)
Apesar do seu limitado pessoal chegou a ter mais de 300 alunos.
Em fim de 1853, o Padre Jorge António Lopes da Silva pediu a demissão de director e mestre da escola. (5) Para a direcção da Escola foi nomeado o Padre Vitorino José de Sousa Almeida (6) que ficou só um ano pois o Senado teve de o despedir, ou por ter achado nele inaptidão ou por sua severidade pois que no cabo de um ano, estava deserta a aula das línguas portuguesas e latina.

Planta da Colónia Portuguesa de Macau
1870
Desenhada  por M. Azevedo Coutinho (7)

(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(2) A 27 de Janeiro de 1847, o Senado de Macau oficiou a José Vicente Jorge, Francisco António Pereira da Silveira, Francisco João Marques e Padre António José Victor, comunicando-lhes que haviam sido nomeados para fazer parte duma comissão a fim de elaborar um plano de educação para a mocidade deste estabelecimento. A Escola Principal de Instrução Primária foi fundada pelo Senado de Macau por meio de uma subscrição pública. O  Senado comunicou a João Maria Ferreira do Amaral, governador de Macau entre 1846 e 1849, a 17 de Fevereiro de 1847 que
deliberou com os eleitos das freguesias  solicitar dentre os moradores abastados desta Cidade
Huma subscrição, cujo produto incorporado ao Capital agora existente de $ 5 000 (doado pelo inglês james Matheson feita a Adrião Acácio da Silveira Pinto, governador de Macau de 1837 a 1843), constitua hum fundo capaz de produzir hum rendimento, que junto  ao que este Senado agora despende com a sua escola de primeiras letras seja sufficiente para cubrir as despezas de huma Escola Principal de Instrução Primária: e na qual … se ensine também as línguas Ingleza e Franceza, cujo conhecimento he hoje reconhecidamente de suma utilidade, senão indispensável neste pais”. (3)
(3) TEIXEIRA, Padre Manuel – A Educação em Macau, 1982
(4) Em Abril de 1849, a escola foi transferida para o Convento de S. Francisco; mas a 28 do mesmo ano, o Conselho de Governo comunicou ao Senado que, tendo de aquartelar nesse convento a força auxiliar vinda de Goa, a escola devia ser mudada para outro lugar; regressou então ao Recolhimento. (3)
(5) Segundo artigo publicado no «Echo do Povo» n.º 68 de 15-07-1960, o Padre Jorge Lopes da Silva rdeixou a direcção que ocupava porque obrigaram-no a aceitar o vicariato de S. Lourenço. Foi portanto, nomeado pároco de S. Lourenço e a 5 de Fevereiro de 1866, foi nomeado Governador do Bispado. O Padre Jorge Lopes da Silva foi nomeado em 1867 presidente duma comissão encarregada de estudar as necessidades da Santa Casa de Misericórdia, nomeadamente do recolhimento das raparigas abandonas à porta da Santa Casa, que levou posteriormente ao decreto do Governador José Maria da Ponte e Horta à abolição da Roda dos Expostos da Santa Casa, a 2 de Fevereiro de 1867.
(6) Padre Vitorino José de Sousa Almeida chegou a Macau a 2 de Janeiro de 1832 no Novo Paquete. Foi pároco de S. Lourenço de 1842 a 1852. (3)
(7) Ver referência a este Capitão em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/08/22/noticia-de-agosto-de-1952-clube-militar/

No dia 1 de Abril de 1867, iniciou no Teatro D. Pedro V, a primeira representação da Companhia de Ópera Italiana do Sr. Pompei com “O Barbeiro de Sevilha”, de Rossini. Faziam parte do elenco desta companhia as primas-donas Benchi e Marietta Verali, o tenor Pizzioli, o barítono Reina, o baixo Columbo, etc. Demoraram-se em Macau até meados de Julho e durante a estadia desta companhia em Macau, apresentaram a “Lúcia de Lammermoor”, “A Favorita” e o “Dom Pascoal” de Donizetti, “O Trovador”, a “Traviata”, o ”Rigoleto” e o “Ernani” de Verdi; e a “Sonambula “ de Bellini. (1) (2)
Há várias referências nos jornais da época das actuações desta Companhia de Ópera Italiana Pompei e vem referido também no livro sobre ópera de Nicholas Tarling “. (3)
He came to an agreement with an Italian opera company which, led by Cagli and Pompei, came to Australia by way of India. In May 1871 the combined companies gave a series of Italian operas.
A – “Daily Alta California”, Volume 20, Number 6627, 7 May 1868.
Article From China
http://cdnc.ucr.edu/cgi-bin/cdnc?a=d&d=DAC18680507.2.22
B –  “Daily Alta California”, Volume 20, Number 6660, 9 June 1868 – Page 2: Advertisements Column 4
https://cdnc.ucr.edu/cgi-bin/cdnc?a=d&d=DAC18680609.2.24.4
B –  “Daily Alta California”, Volume 20, Number 6642, 22May 1868 – Page 2 : Advertisements Column 3
https://cdnc.ucr.edu/cgi-bin/cdnc?a=d&d=DAC18680522.2.27.3
C – “Launceston Examiner”, Thursday, June 27, 1867.
http://trove.nla.gov.au/newspaper/article/36644476
(1) TEIXEIRA, Pe Manuel – Teatro D. Pedro V ,p. 31) e GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(2) 澳門编年史第四卷清后期
4月1日,由彭佩(Pompei)先生率领的意大利歌剧团首次在澳门上 演了罗西尼的《塞维利亚的理发师》。此次来澳门的演员有头牌女角贝钦 (Benchi)和马利埃塔·维拉利(Marietta Verali),男高音皮兹奥里(Pizzioli),男中音雷玛(Reima)和男低音歌伦布(Columbo)等。剧团在澳 门一直逗留到7月中旬,此间上演了多尼泽蒂的《卢西亚·德·拉麦莫 尔》、《宠姬》、《哦,上帝!》(0 Pascoal);威尔弟的《行吟诗人》、《茶花 女》、《西西尼晚祷》和贝里尼的《睡美人》。④
④施白蒂:《澳门编年史:19世纪》,第167页。
http://www.macaudata.com/upload_files/book/1061/1061/p-1784.html
(3) TARLING,  Nicholas – Orientalism and the Operatic World, 2015
https://books.google.pt/books?id=MBysCAAAQBAJ&pg=PA34&lpg=PA34&dq=Pompei+Italian+Opera+Company

REPARTIÇÃO DOS INCENDIOS

boletim-da-provincia-de-macau-e-timor-ano-1868-vol-xiv-n-o-2-reparticao-dos-incendios-iNo sabbado, 4 do corrente, pouco antes de 8 horas de noite, declarou-se incendio n´uma palhoça de ola, sita atraz do cemitério, o qual extinguiu-se logo, ardendo apenas a dita palhoça.
No domingo, 5 do corrente, às 71/2 horas de noite, declarou-se incendio n´uma loja de chá, n.º 77, sita na rua das Estalagens (1) e tendo empregado todos os meios que julguei mais acertados em tal cazo, consegui extinguir o incendio prontamente e sem novidade, ardendo somente o andar superior e o tecto d´essa loja, e ficando destelhadas uma loja contígua e um telheiro do Pagode por parte detraz, tendo lançado mão d´essa operação para evitar que se contaminasse o mesmo incendio.
O incendio teve lugar acidentalmente, pois tenho informações fidedignas, que estando se a torrar chá no andar superior da loja em questão, os criados a quem estava incumbido esse serviço, se retiraram d´ali e é durante a auzencia dos mesmos que teve logar o sinistro.
A 1.ª bomba que chegou com mais ardor e utilidade do serviço durante o incendio, foram os voluntarios Fermino Machado, António Rontero e Manuel Martins do Rego, tendo este ultimo corrido grave risco de vida pelo abatimento d´uma muro; e por isso os recommendo á favoravel consideração do Exmo. Conselho do Governo.

Quartel da Repartição dos incendios,
Macau 7 de janeiro de 1868
B.S. Fernandes
Major e inspector dos incendios. (2)

NOTA: Bernardino Senna Fernandes reorganizou os serviços de incêndio da cidade exercendo gratuitamente o cargo de inspector e as primeiras providencias conhecidas do governo de Macau sobre o serviço de incêndios é de 18 de Março de 1867, data em que foram aprovadas, provisoriamente, por portaria régia,. (GOMES; Luís G. – Efemérides da História de  Macau).
Ver anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/30/leitura-corpo-de-bombeiros-municipais-de-macau-em-1955/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/04/18/noticia-de-18-de-abril-de-1890-visconde-de-sena-fernandes/
(1) boletim-da-provincia-de-macau-e-timor-ano-1868-vol-xiv-n-o-2-reparticao-dos-incendios-ii O mesmo incêndio foi relatado por uma periódico da época:
(2) Boletim de Província de Macau e Timor (Ano 1868).

Um pequeno opúsculo sobre o padroado português na China de A. Marques Pereira, imprimido em Lisboa (“impresso requisitado por um amigo”) pela Imprensa de J. G. de Sousa Neves, (Lisboa), em 1873.
o-padroado-portuguez-na-china-1873-iDedicado a
o-padroado-portuguez-na-china-1873-iiPublicação de três cartas que o autor enviou à imprensa portuguesa em 1872 sobre a «Questão do Padroado – escolha e confirmação do Bispo de Macau»
A 1.ª enviou-a em 19 de Fevereiro de 1872 ao «Diário de Notícias» que a publicou na edição do dia 20; Publicação na «Gazeta do Povo», no dia 27, do artigo “Notícias de Macau e Questão do Padroado (observações sobre este assunto publicado na «Correspondência de Portugal» no dia 29 de Janeiro)
2 ª carta do autor à «Gazeta do Povo» em 29 de Fevereiro de 1872; a «Gazeta do Povo» publicou-a em 12 de Março com o título “Macau – Questão do padroado
3 . ª carta do autor à «Gazeta do Povo»  em 1 de Abril de 1872.

O Papa Gregório XIII instituiu a diocese de Macau, espalhada pela província da China e pelas ilhas do Japão e de Macau e outras terras e ilhas adjacentes que é confiada aos monarcas portugueses (Bula «Super Spécula Militantis Ecclésiae» de 23-1-1576). As dioceses de Goa e Macau, por exemplo, foram criadas respectiva e unicamente em 1537 e 1575.
Por isso no final do século XVI o Padroado Português do Oriente já possuía bastantes católicos (em Macau 3000). A diocese de Macau (com as missões em Malaca – e a cristandade de S. Pedro, Singapura – e a comunidade cristã de S. José, China) passou a ser os «restos» do Padroado Português do Oriente, em 1776. A Concordata de 1857 (Pio IX:21-II) limitou o direito do Padroado à igreja primacial de Goa, à igreja arquiepiscopal de Cangranor e às igrejas episcopais de S. Tomé de Meliapor, Cochim e Malaca (exceptuando a ilha de Pulo-Penang) e Macau (incluindo a província de Cantão e as ilhas adjacentes e excluindo a província de Quam-si e a ilha de Hong-Kong).
Até que finalmente, em 21 de Fevereiro de 1857, é acordado o Tratado sobre o exercício dos direitos do Padroado, negociado pelo Núncio e pelo Ministro Rodrigo da Fonseca Magalhães. O Padroado mantém-se na Índia em Goa, Cangranor, Cochim, Meliapor e Malaca, e na China, em Macau, sendo limitadas territorialmente algumas das circunscrições destas dioceses A eficácia da Concordata foi limitada, permanecendo as dúvidas sobre os limites das dioceses e os conflitos de jurisdição. Por isso, em Maio de 1867, o embaixador português junto da Santa Sé manifestava a necessidade de uma mais razoável circunscrição das dioceses da índia. Leão XIII escreveu então ao rei D. Luís, em Janeiro de 1886, propondo uma solução. Malaca e Singapura passavam, de Goa, para a jurisdição da diocese de Macau.
PEREIRA, A. Marques – O Padroado Portuguez na China. Lisboa, Imprensa de J. G. de Sousa Neves, 1873, 36 p.
Este livro está acessível à leitura em:
https://books.google.pt/books?id=FwzpC-5fN6cC&pg=PT4&lpg=PT4&dq=Quest%C3%A3o+do+Padroado+em+Macau
Sobre este assunto, aconselho ainda a leitura de:
CRUZ, Manuel Braga da – O Padroado Português no Oriente em:
http://repositorio.ucp.pt/bitstream/10400.14/19255/1/V0330102-239-255.pdf
e
MARTINS, Manuel Gonçalves – O Padroado Português do Oriente e os Factores Exógenos em
https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/2705/1/NeD53_ManuelGon%C3%A7alvesMartins.pdf 

O Corpo de Polícia de Macau foi, por portaria, assinado pelo governador, Visconde de S. Januário, mandado instalar no Convento de S. Domingos. (1)
boletim-consultivo-ultramarino-p-720boletim-consultivo-ultramarino-p-721O regulamento do Corpo de Polícia de Macau que foi aprovado em 11 de Outubro de 1861 (2) tinha por incumbência atribuições policiais em terra e no mar, até à publicação do primeiro Regulamento em que instituia a organização do Corpo da Polícia (Boletim Oficial n.º 32 de 15 de Setembro de 1868). (3)

sob-o-olhar-de-a-ma-convento-de-s-domingosO Edifício do Convento de S. Domingos onde se instalou o Corpo da Polícia e posteriormente a Inspecção de Incêndios e Telefones até 1918.
Ao fundo à esquerda vê-se a fachada da Igreja de S. Domingos

(1) SILVA, Beatriz Basto da Silva – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
(2) “11-10-1861 – Foi aprovado o regulamento do Corpo de Polícia de Macau” (GOMES, Luís Gonzaga – Efemérides da História de Macau, 1954).
(3) “1868 – Ao Corpo de Polícia de Macau, incumbiam atribuições policiais tanto em terra como no mar, até que em 1868 se instituiu a secção da Polícia do Porto de Macau dependendo do Capitão do Porto e  desligando-se da polícia de terra.”
“15-09-1868 – É publicado no Boletim Oficial n.º 32, o Regulamento do Corpo da Polícia de Macau contemplando os seguintes aspectos:
– Das vantagens e pagamento
– Da instrução
– Do modo de alistar
– Do serviço
– Delitos e penas
– Uniforme
– Armamento
– Despesas diversas.
Anteriores referências ao Visconde da Praia Grande em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/visconde-da-praia-grande/

boletim-da-provincia-de-macau-e-timor-anuncios-1987-iboletim-da-provincia-de-macau-e-timor-anuncios-1987-iiAnúncios publicados no Boletim de Província de Macau e Timor

Os serviços de incêndios de Macau foram, em tempos remotos prestados pelos seus próprios habitantes e com material adquirido por particulares.
Até ao ano de 1882, (1) não havia estações de bombeiros, mas apenas postos para a armazenagem do material sendo todo o pessoal constituído por empregados das lojas comerciais, fabricas e outros moradores.
Datam de 1883 os primeiros «Serviços de Incêndios», sob a administração da Fazenda Pública. (2)  Mais tarde, esses serviços passaram à administração da Direcção das Obras Públicas, cujo director desempenhava as funções de Inspector de Incêndios. (3)
Esses serviços, até 1914, (4) eram rudimentares e insuficientes para a cidade, cujo desenvolvimento populacional aumentava em ritmo acelerado.
No ano de 1914, (5) o sr. Henrique Nolasco da Silva pôs à disposição dos Serviços de Incêndios  a sua viatura automóvel, um das poucas existentes em Macau, que ao alarme de fogo, ou de outro sinistro, acorria sem perda de tempo, ao Quartel de S. Francisco, a fim de transportar o Inspector de Incêndios e os bombeiros auxiliares (militares).
Em face deste evidente atraso, o então major de Infantaria, João Carlos Craveiro Lopes, (6) já pela generosidade que era seu timbre, já pelo que em Portugal fizera (2.º comandante dos Bombeiros Municipais de Lisboa) e pelo que vira no estrangeiro, resolveu dotar esta Cidade de Nome de Deus com um serviço de incêndios, a que tinha indiscutível direito, pelo que seu crescente desenvolvimento comercial e industrial, pela expansão das suas artérias e pela sua categoria de grande centro do Sul da China.
E assim se criou, em 30 de Outubro do ano de 1915, a «Inspecção de Incêndios», tendo por seu 1.º Inspector Comandante o detentor da medalha «Torre e Espada», ganha honrosamente ao célebre incêndio da «Madalena», o major João Carlos Craveiro Lopes. (7)
A técnica a empregar na extinção de fogos, posta em vigor em 1915, foi ensinada por este Grande Bombeiro, saudoso pai do actual Presidente da República Portuguesa.
Igualmente a Corporação lhe deve o ter sido apetrechado com material e ferramentas apropriados para os serviços de prevenção e ataque, além das melhores bombas a vapor, conduzidas por tracção animal.
Foi em 1917 adaptada a 1.ª viatura automóvel em «Pronto-Socorro», cedida pelos «Serviços dos Correios de Macau» à «Inspecção de Incêndios».
Em 1919, passou a «Inspecção de Incêndios» a designar-se «Corpo de Bombeiros» a cargo da Câmara, para efeitos de administração. (8)
Em 1922, a Corporação começou a ser equipada com apropriadas viaturas motorizadas das mais completas, da Casa Merryweather. (9)
Em 1923, a Corporação passou a denominar-se «Corpo de Salvação Pública, voltando à administração directa do Governo da Província subordinado à Secretaria Geral do Governo. (10)
Em 1936, coube à Repartição Técnica de Obras Públicas a administração do mesmo. (11)
Nos termos do § 1.º do art. 12.º do Decreto n.º 31:714 do Ministério das Colónias, conjugado com o art. 47.º do D. L. n.º 908, do Governo da Província de Macau, o Corpo de Salvação Pública com o seu pessoal e material transitou para o Leal Senado, a partir de 1 de Janeiro de 1946. (12)
A Corporação, passou então a denominar-se «Corpo de Bombeiros Municipais», de acordo com a Organização dos Serviços do Leal Senado da Câmara de Macau.

obras-e-melhoramentos-1947-1950-pronto-socorro-cbmO novo pronto-socorro do Corpo de Bombeiros Municipais. em 1955

O edifício situado na Estrada Coelho do Amaral serve de «Quartel dos Bombeiros» e tinha 14 divisões: parque para viaturas, casernas, central telefónica, comando, secretaria, arquivo, porto médico, arrecadação, casa-escola, cantina, sala recreativa, sala de aulas, barbearia e campo desportivo.
Em 1951, foi instalado um «Posto de Incêndios» para a protecção do Bairro e moradores das Casas de Madeira da Ilha Verde.
Em 1955, a corporação era constituída por 75 elementos incluindo o Comandante, Manuel Dimas Pina e seu ajudante, Napoleão da Guia de Assis. Tinha ao seu serviço o seguinte efectivo de viaturas:
1) 2 Pronto-Socorros (Ford V-8)
2) 1 Pronto -Socorro (Ford)
3) 1 Auto-Bomba (Dennis)
4) 1 Ambulância (Ford V-8)
5) 1 Ambulância (Austin)
6) 1 Camioneta (Ford)
7) 1 Carro-de-Comando (Willy´s Overland)
8) 2 Moto-Bombas (Merryweather)
9) 1 Moto-Bomba (Pfalaz)

obras-e-melhoramentos-1947-1950-ambulancia-cbmA nova ambulância do Corpo de Bombeiros Municipais, em 1955

(1) “18-03-1867 – Foram aprovadas, provisoriamente, por portaria régia, algumas providências do governo de Macau sobre o serviço de incêndios.” (13)
(2) “25-09-1875 – Nomeado pela Portaria n.º 79 o Major de Engenharia do exercito de Portugal, Augusto César Supico, para o cargo de Inspector de Incêndios. Exonerado em 20-01-1879“. (14)
(3) “20-01-1879 – Exonerado o Major Eng.º Augusto Cesar Supico do cargo de Inspector dos incêndios e nomeado o Major Raymundo José de Quintanilha , Director das Obras Públicas , para exercer o mesmo cargo“. (14)
(4) “28-04-1912 – Nomeação de Simeal José Gregório Madeira, sota da Inspecção dos Incêndios de Macau”. (15)
(5) “1914 – Henrique Nolasco da Silva pôs à disposição dos Serviços de Incêndio o seu automóvel, um dos primeiros que existiram em Macau a fim de acorrer com mais presteza aos sinistros. O pessoal de incêndios, na maioria militares, estava aquartelado em S. Francisco”.(15)
(6) “09-10-1915 – Louvado o Major de Infantaria João Carlos Craveiro Lopes, comandante do Corpo da Polícia (mais tarde General e Governador do Estado da Índia e pai do Marechal Craveiro Lopes, Presidente da República) por se ter oferecido para ministrar instrução de bombeiros a um núcleo de praças do Corpo de Bombeiros Voluntários que satisfaça às exigências da cidade de Macau.(15)
(7) “1-11-1915 – Nomeado para interina e cumulativamente exercer o cargo de Inspector de Incêndios o Major de Infantaria João Carlos Craveiro Lopes (P.P. n.º 253). Exonerado a 13-03-1916″ (15)
(8) “26-04-1919 – A Inspecção de Incêndios de Macau é extinta e criado em sua substituição o «Corpo de Bombeiros». Nesta data pela Portaria n. 80, B. O. n.º 17 é aprovada a organização do Corpo de Bombeiros de Macau, extinguindo a Inspecção de Incêndios . A  2-09-1919, este passa para o Leal Senado”.(15)
(9) “1922 – O Corpo de Bombeiros de Macau recebe equipamento e viaturas modernos. (15)
(10) “01-09-1923 – O corpo de Bombeiros volta para o Governo da Província e passa a denominar-se Corpo de Salvação Pública. (15)
(11)  “7-03-1936  – O Corpo de Salvação Pública de Macau – os «Soldados da Paz», até aí vinculado à Secretaria Geral do Governo, passa a estar ligado às Obras Públicas (15).
(12)  “01-01-1945 – O Corpo de Salvação Pública transita para o Leal Senado, passando a Corpo de Bombeiros Municipais”. (15)
(13) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954.
(14) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau , Vol. 3, 1995
(15) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau,  Vol. 4, 1997

Retirado do artigo “Corpo de Bombeiros Municipais de Macau“, publicado no «Anuário de Macau, 1953-55»,