Archives for posts with tag: Bento da França (1833-1889)

 Carta da Tia Paschoela à sua sobrinha Florencia:


in FRANÇA, Bento da – Macau e os seus habitantes“, 1897, pp. 202-203
Ver anteriores referências em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bento-da-franca-1859-1906/

Pequeno opúsculo de 16 cm x 10 cm, com 62 páginas, editado em 1890, pela Companhia Nacional Editora, do tenente de cavalaria Bento da França (1) intitulado “MACAU”. (2) Da Coleção “Biblioteca do Povo e das Escolas”, n.º 183, da 23-ª série, custava cada volume 50 réis.

Tem 22 capítulos, mas cada capítulo com um texto muito reduzido sobre cada tema.

Páginas 26 e 27: Capítulos XIII (Clero de Macau); XIV (Conventos em Macau; XV (Hospitaes em Macau); XVI Instrucção em Macau

O último, XXII- Resumo da história de Macau (pp. 32-62), mais desenvolvido.

(1) Bento da França Pinto d’Oliveira Salema (1859-1906), filho de Salvador d´Oliveira Pinto da França (1822-1866 – tenente coronel do estado Maior do Exército e irmão (2.º) de Bento da França Pinto de Oliveira), (2) terceiro conde de Fonte Nova; major da cavalaria, “tenente de cavallaria e ajudante de campo honorário de Sua Alteza o senhor Infante D. Augusto” na altura da publicação do anterior livro  “Subsídios para a Historia de Macau” publicado pela Imprensa Nacional em 1888, 231 páginas.(3) É ainda autor doutro livro sobre Macau: “Macau e os seus habitantes. Relações com Timor” Imprensa Nacional, 1897, 286 p. (4)

 
DEDICATÓRIA DO AUTOR
EXPLICAÇÃO AOS LEITORES (página 7)

(2) Não confundir com outro Bento da França, (tio do autor) Bento da França Pinto de Oliveira (1833 — 1889). 5.º filho de Bento da França Pinto d´Oliveira (1793-1852 – 1.º Conde da Fonte Nova, marechal de campo e tenente general do Exército) e de  Maria José Tovar Pereira da Costa, foi um militar da arma de cavalaria (atingindo  o posto de tenente-general do exército)  com missões em Moçambique, Cabo Verde, Angola e no Estado Português da Índia. Foi Governador de Timor (1882-1883), nessa altura dependendo de Macau. Acabou por pedir a demissão de governador de Timor um ano depois, amargurado pela perda brutal de dois filhos vitimados pela malária, cansado pela hostilidade da administração portuguesa de Macau de que dependia e minado pelas muitas intrigas locais.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bento_da_Fran%C3%A7a_Pinto_de_Oliveira

Salvador d´Oliveira Pinto da França (1822-1866)
irmão de Bento da França Pinto de Oliveira (1833-1889) e pai de Bento da França Pinto de Oliveira Salema (1859-1906)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Salvador_d%27Oliveira_Pinto_da_Fran%C3%A7a

(3) Pode ser consultado em:https://archive.org/details/subsidiosparaah00frangoog/page/n8/mode/2up

(4)Pode ser consultado em:https://archive.org/stream/macaueosseushab00frangoog#page/n7/mode/2up

Anteriores referências de Bento da França (1859-1906) em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/bento-da-franca/

“Este estabelecimento será aberto em 2 de Fevereiro próximo, 2 peritos estarão constantemente em attendencia para exercer a arte de tonsura e barbear por preços módicos.
Aos freguezes mensais carregar-se-há $1, (1) sendo servido no estabelecimento, e para attendencia nas residências particulares $1.50 ao mez.
Os sobrescriptos farão o favor de encher a formula anexa e retornal-a. Aos avulsos carregar-se-há segundo o ajuste.

Pedro A. Collaço, (2) encarregado

Retirado do livro FRANÇA, Bento da – Macau e os seus habitantes. Relações com Timor. Lisboa, Imprensa Nacional, 1897, 286 p.
(1) Uma pataca.
(2) Muito possivelmente Pedro Alexandrino Collaço (3) nascido em 1851 e falecido na freguesia da Sé a 28 de Abril de 1906. 5.º filho de Francisco Xavier Collaço (1813-1887), macaense que foi capitão, comandante militar da Taipa de 16 de Julho a 7 de Novembro de 1864 (reformado como major da guarnição de Macau) e de Alexandrina Francisca de Sá (1827-1915) (4)
(3) Hoje os descendentes, depois da reforma ortográfica, utilizam a grafia “Colaço” embora muitos dos que emigraram para o estrangeiro mantiveram a grafia antiga. (4)
(4) FORJAZ, JorgeFamílias Macaenses, Volume I, 1996.

Hoje  dia 23 de Janeiro de 2016,  toma posse da diocese de Macau o bispo Stephen Lee Bun-sang (indigitado no dia 16 de Janeiro após a resignação do bispo José Lai Hung-seng – bispo de Macau de 2001 a 2016). (1)
Não sei se a data foi escolhida com o propósito  de se comemorar a fundação da Diocese de Macau. Mas  esta data (posse do novo bispo, referido na imprensa como o primeiro bispo que não domina o português) marca com certeza o encerramento de um ciclo de 440 anos da diocese de Macau, de prelados titulares com formação em língua portuguesa.

ÁLBUM 2005 - Paço EpiscopalPAÇO EPISCOPAL (2005)

Embora Bento da França refira “A 23 de Janeiro de 1573 foi creado o Bispado de Macau, sendo nomeado bispo D. Belchior Carneiro“, (2) o bispado foi criado a 23 de Janeiro de 1576. Também é sempre referenciado como o primeiro bispo de Macau ou o primeiro Governador do Bispado da Diocese de Macau, D. Belchior (ou Melchior) Carneiro, mas este não o foi de facto.
Belchior Nunes Carneiro Leitão (3) foi nomeado bispo a 15 de Dezembro de 1560 em Goa e parte para  a Macau (desembarcara em Malaca em 1567) no dia 1 de Maio de 1568, aonde chega no fim do mesmo ano.  Embora fosse o primeiro bispo que veio para Macau nunca foi titular da diocese (erecta em 23 de Janeiro de 1576, logo foi provida de bispo na pessoa de D. Diogo Nunes da Figueira).
Belchior que faleceu a 19 de Agosto de 1583, não tinha o título de Bispo da China e do Japão, mas tão somente o encargo das almas destas vastíssimas regiões, uma espécie de vigário apostólico ou bispo delegado para as regiões da China e Japão, sem diocese organizada e sem limites precisos do território.
Refere o Padre Manuel Teixeira: (4)
A Diocese de Macau criada pela bula “Super Specula Militantis Ecclesiae“de Gregório XIII, de 23 de Janeiro de 1576, foi no mesmo dia provida de bispo na pessoa de Diogo Nunes de Figueira, presbítero do Hábito de S. Pedro, pelo breve “Apostolatus Officium” do mesmo Papa. O bispo eleito contava então 30 anos, era bacharel em teologia e direito civil pela Universidade de Coimbra, sendo à data, Cónego e Tesoureiro-mor da Sé de Évora.
Portanto, D. Diogo Nunes de Figueira foi o primeiro bispo da nova diocese de Macau – bispo da China e do Japão em Macau, 1576. (5)

ÁLBUM 2005 - Sé CatedralSÉ CATEDRAL (2005)

(1) Stephen Lee Bun Sang – 李斌生, nasceu em Hong Kong a 10 de Novembro de 1956. Ordenado padre em 20 de Agosto de 1988, após formação em Arquitectura, em Inglaterra no ano de 1981 e onde se juntou à prelatura do Opus Dei em 1978.  Foi Bispo auxiliar de Hong Kong de 11 de Julho 2014.
(2) FRANÇA, Bento da – Macau: Os Seus Habitantes.  Lisboa, 1897, p. 16.
Também A. Marques Pereira na sua “Efemérides Comemorativas da História de Macau” se enganou na data: 23 de Janeiro de 1573.
(3) Anteriores referências a Belchior Carneiro em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/belchior-carneiro-melchior-carneiro/
(4) TEIXEIRA, Pe. M. – Macau e a Sua Diocese, VOLUME II Bispos e Governadores do Bispado de Macau, 1940, p. 84.
(5) “D. Diogo espontânea e livremente renunciou o bispado antes de ser sagrado, aceitando-lhe a renúncia o mesmo Gregório XIII a 22 de Outubro de 1578. Veio a falecer em 28 de Junho de 1613.”(3)
O Bispo da China e do Japão em Macau que sucedeu a D. Diogo foi Leonardo de Sá Fernandes, de 1578 a 1588, que depois passou somente a ser bispo da China em Macau de 1588 a 1597.