Archives for category: Relação Macau-França
Extraído de «BPMT», XIV-2 de 13 de Janeiro de 1868, p. 8
«Club Lusitano» no cruzamento da «Shelley Street» e «Elgin Street». (1) http://www.clublusitano.com/history/

A mesma peça, drama em 3 actos com prólogo, “A pobre das ruínas”, foi representada anteriormente em Macau pela “Sociedade Philarmonica Macaense”, no dia 8 de Outubro de 1851. (2)

NOTA:La Guerrière” – navio de guerra da armada francesa (fragata com 34 canhões; 475 homens). Em 30 de Agosto de 1867, na sua viagem do Japão para Hong Kong, devido a um tufão no mar da China ficou severamente danificado.

«La Guerrière» no porto de Nagasaki em 1865. https://en.wikipedia.org/wiki/French_frigate_Guerri%C3%A8re_(1860)

(1) O Clube Lusitano em Hong Kong foi inaugurado a 17-12-1866, pelo Governador José Maria da Ponte e Horta. A sede em «Shelly Street» duraria até 1920, ano em que foi transferida para «Ice House Street». Foi seu 1.º Presidente Francisco José Vicente Jorge. Sobre o Clube Lusitano de Hong Kong ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/clube-lusitano-de-hong-kong/

(2) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/10/08/noticia-de-8-de-outubro-de-1851-representacao-teatral-na-sociedade-philarmonica-macaense/

Os emigrantes chineses que deveriam seguir para Havana, na galera francesa Orixa (460 toneladas, Capitão J. Vincent), surta na rada, amotinaram-se, no dia 30 de Novembro de 1867, à hora do rancho da tarde, e atacaram os tripulantes com facas, achas de lenha e bandejas do rancho. A tripulação viu-se obrigada a fazer uso das suas espadas e, em consequência da revolta, morreram cinco dos amotinados e ficaram feridos alguns marinheiros. (1)

Extraído de «Boletim da Província de Macau e Timor», XIII-48 de 2 de Dezembro de 1867, p. 273

(1) GOMES, Luís G – Efemérides da História de Macau, 1954

O Cônsul da França em Cantão , (1) conde de Chappedelaine (2) visitou Macau de 23 de Setembro a 1 de Outubro de 1872. O jornal «Gazeta de Macau e Timor» de 8 de Outubro,   reporta esta estadia.

Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», I-3 de 8 de Outubro de 1872, p. 3

(1)

(2) Julien René Emmanuel Stephen de Chappedelaine, conde Chappedelaine foi Cônsul da França em Cantão (Shameen ou Shamian) de Abril de 1872 a Junho de 1872 (interino). Nomeado em 10 de Junho de 1872 até 9 de Setembro de 1872, Cônsul-geral de França em Shanghai (interino). Em 10 de Setembro de 1872,voltou a ser nomeado (2.ª vez, interino) cônsul interino em Cantão até 1873. Voltou a ser nomeado pela 2.ª vez, cônsul interino em Shanghai de 25 de Maio de 1875 a 13 de Fevereiro de 1876. Nascido em 1844 (e falecido em 1917) é filho de Charles Marie de Chappedelaine (1817-1895), cavaleiro da Legião de Honra da França e de Barbe Holinska (ca 1820-1898). Julien René E. S. de Chappedelaine recebeu também, em 31-12-1904 a nomeação de Oficial da Legião de Honra. https://gw.geneanet.org/pierfit?lang=en&p=julien+rene+emmanuel+stephen&n=de+chappedelaine

Continuação da leitura do livro “CHRONICA PLANETARIA (Viagem à Volta do Mundo) ” de José Augusto Correa, publicado em 1904 (1), referido em anteriores postagens (2)

“Uma das primeiras curiosidades de Macau que, naturalmente, o forasteiro procura vêr, é a afamada Gruta de Camões. A collina que a encerra é um pedaço do Bussaco transplantado ao extremo-oriente, assim como a avenida da Praia Grande é, em miniatura, a Promenade des Anglais, em Nice. Visitei a Gruta em um Domingo (22 de Junho). Ao aproximar-me do portão que, ao canto de uma pequena praça, dá entrada ao famoso recinto, ouvi canticos religiosos. Á direita de onde eles partiam vi uma fachada de egreja com uma porta aberta e entrei. Era um templo protestante, e na ocasião um padre inglez discursava. Retrocedendo tranpuz o portão e achei-me em face de um bello prédio azul que serve de repartição de obras públicas. (3) Na frente há um jardim. Contornando este, transpondo outro portão e descendo uma escada, penetra-se na pequena eden que inspirou o grande vate.

Segue-se no bosque um arruado amenisado por massiços de cannas e copado arvoredo, até que um caminho á esquerda, subindo o suave outeiro, nos leva ao local onde uma grande pedra, pousada sobre outras duas, cobre o busto, em bronze, do sublime épico, assente em um pedestal de granito. Sobre as quatro faces de base, estão gravadas outras tantas estancias dos Lusíadas e ao lado esquerdo, quatro grande pedras graníticas, encostadas as rochedo conteem sonetos dedicados ao cantor immortal. Este logar é impropriamente chamado gruta, visto que lhe falta a concavidade interior.

BUSTO DE CAMÕES NA GRUTA . 1957

É de crer que Camões se inspirasse alguns passos mais acima, no vértice da collina que domina o esplendoroso panorama do porto, da cidade, das ilhas circunvizinhas e de liquida imensidade. N´este alto está uma guarita de pedra e cal, onde de abrigou La Perouse, (4) ao acertar os instrumentos nauticos com que navegou para a imortalidade.”

(1) CORREA, José Augusto – Cronica Planetaria (Viagem à volta do mundo), 2.ª edição. Editora: Empreza da História de Portugal, Lisboa, 2.ª edição, 1904, 514 p. Illustrada com 240 photogravuras; 15,5 cm x 21 cm.

(2)https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/07/04/leitura-chronica-planetaria-de-jose-augusto-correa-i/

(3) Esta casa (Casa Garden) construída em 1770, era originalmente a residência de um rico comerciante português, conselheiro Manuel Pereira. Posteriormente, foi alugado para a Companhia das Índias Orientais.

Em 1885, o seu genro Lourenço Marques, que herdou a propriedade, vendeu-a ao Governo. Em 1887, instalou-se aí a Direcção das Obras Ppblicas, e depois em 1931, a Imprensa Nacional de Macau. Tornou-se parte integrante do Património Mundial da UNESCO Centro Histórico de Macau em 2005. Hoje em dia, é a sede da Fundação Oriente.

(4) Em 3 de Janeiro de 1787, fundearam, no ancoradouro da Taipa, os vasos de guerra franceses «Astrolabe» e «Boussole», e os seus oficiais, sob a direcção do Conde Jean François de Lapérouse. (1714-1788), que por ordem de Luís XVI fazia uma viagem de exploração científica à volta do mundo  Estiveram instalados no recinto da Gruta de Camões, onde efectuaram várias observações astronómicas. (SILVA, Beatriz Basto de – Cronologia da História de Macau, Volume 2, 1997)

Ver anteriores referências à Gruta de Camões, em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/07/15/macau-e-a-gruta-de-camoes-iv/

Extraído de «Gazeta de Macau e Timor», I-17de 14 de Janeiro de 1873.

Extraído de «B.G.P. de M.T.e S., Vol II-N.º 11.

O mesmo incêndio foi relatado por outras fontes, já anteriormente publicados neste blogue:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2015/01/04/noticia-de-4-de-janeiro-de-1856-grande-incendio-do-bazar-chinez-em-macau
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/01/04/noticia-de-4-de-janeiro-de-1856/

A sagração episcopal de D. Arquimínio da Costa realizou-se a 25 de Março de 1976.
A nomeação do novo bispo de Macau, na pessoa do Padre Arquimínio Rodrigues da Costa (1) pelo Papa Pauli VI, veio preencher a vaga deixada pelo falecimento de D. Paulo José Tavares. A notícia do acontecimento, foi transmitida em 21 de Janeiro de 1976, pela Rádio Vaticano e foi recebida pela população católica de Macau com manifesto regozijo, dada a simpatia que o nomeado desfrutava em Macau.

O novo prelado dá entrada na Sé Catedral

A Sé Catedral vestiu as suas melhores galas pera receber o seu novo Antístite, e os Revs. Prelados que vieram presidir à cerimónia litúrgica da sagração. Dísticos em português e chinês engalanavam o frontispício do templo e saudavam o novo prelado com o dizer evangélico: «BENDITO O QUE VEM EM NOME DO SENHOR».

Arquimínio da Costa dirige, pela primeira vez, como Bispo de Diocese, a palavra aos fiéis

A assistência à cerimónia da sagração episcopal, vendo-se no primeiro plano o Governador, coronel Garcia Leandro e Sua esposa.

Nas primeiras bancadas destacava-se a presença do Governador, Coronel Garcia Leandro e esposa, Madre Maria Clemência da Costa (irmã de D. Arquimínio), os Secretários-adjuntos, o Meritíssimo Juiz da Comarca, o Cônsul-Geral da França e muitos Chefes de Serviços e suas esposas. Em lugar especial da capela-mor, via-se o Bispo Anglicano de Hong Kong, Dr. John Gilbert Baker, o Rev. Frank Lin, pastor anglicano da Igreja de S. Marcos, em Macau e esposa.

Outro aspecto da assistência, estando na primeira bancada, destacadas autoridades oficiais.

D. Arquimínio da Costa entrou na Catedral na companhia do Bispo Sagrante, D. João Baptista Wu, de Hong Kong e dos Bispos consagrantes, D Carlos Lemaire, Bispo titular de Otrus, e D. Júlio X. Labayen, Bispo da Prelatura de Infanta, Filipinas.

O Governador de Macau apresenta os seus cumprimentos de felicitações a D. Arquimínio Rodrigues da Costa

(1) D. Arquimínio Rodrigues da Costa (1924 – 2016)  高秉常, natural da Ilha do Pico (Açores), veio para Macau na companhia de Monsenhor José Machado Lourenço, com mais três companheiros, em 1938, dando ingresso no Seminário de S. José a 8 de Dezembro desse ano. Foi sempre um aluno modelar, tanto no comportamento como nos estudos, pelo que foi durante anos subprefeito da disciplina dos seminaristas (1949-1953). Terminado o Curso Teológico, foi ordenado sacerdote por D. João de Deus Ramalho, S. J., no dia 6 de Outubro de 1949, celebrando a sua missa nova três dias depois. Foi professor de várias disciplinas, entre as quais Filosofia tanto para alunos internos como externos. Ficou reitor interino do Seminário de Fevereiro a Maio de 1955, na ausência do então reitor Cónego Juvenal Alberto Garcia (gozo de licença graciosa). Em 1957 seguiu para Roma a fim de cursar Direito Canónico na Universidade Gregoriana onde se licenciou em 1959. Regressou a Macau no dia 15 de Outubro de 1960, sendo novamente nomeado prefeito da disciplina e professor do Seminário. Em 1 de Agosto de 1961, foi nomeado reitor interino e, em 30 de Novembro, reitor efectivo daquele estabelecimento. Nomeado governador do Bispado nas ausências, em Roma, de D. Paulo José Tavares, em 1963 e 1965, durante o Concílio Vaticano II. Com a transferência do curso filosófico para o Seminário do espírito Santo de Aberdeen, Hong Kong, foi nomeado professor daquele estabelecimento de ensino, a partir do ano lectivo de 1968-69, onde lecionou Filosofia e Latim e foi prefeito de estudos do Curso Filosófico.
A 14 de Junho de 1973, foi eleito pelo Cabido vigário capitular da Diocese, cargo que exerceu até ser eleito Bispo de Macau. Bispo de Macau entre 1976 e 1988. Foi o último bispo de etnia portuguesa da Diocese de Macau. Eleito Bispo emérito de Macau, em 06-10-1988, regressou à sua terra natal nos Açores.
D. Arquimínio da Costa foi o terceiro Bispo de Macau, natural da Ilha do Pico, os outros dois foram D. João Paulino de Azevedo e Castro e o Cardeal D. José da Costa Nunes. É o quinto bispo natural dos Açores, sendo os outros, o Bispo D. Manuel Bernardo de Sousa Enes, da Ilha de S. Jorge, e o falecido Bispo D. Paulo José Tavares, da Ilha de S. Miguel.
Extraído de «MBIT» N.º 1-2, 1976.

O poeta WANG ZHAO YONG que visitou Macau em 1900, escrevendo as 15 poesias da sua obra POEMAS DISPERSOS DE MACAU, refere-se à tradição (de que a Arqueologia não encontrou vestígios) de Mateus Ricci (1)  ter deixado no topo do Jardim de Camões, um observatório astronómico de pedra. O poeta tenta «encontrar a casa de pedra para observar estrelas» e evoca as palavras do outro poeta anterior DI HANG SENG (pseudónimo de Zhong Feng-Shi) sobre o mesmo assunto. (2)

A Gruta de Camões em 1898 (3)

É de 1900 a descrição da Gruta pelo G. Weulersse (4):
” … Des haies de jeunes bambous; un taillis clairsemé de grands banians a caoutchouc dont les racines comme des serpents se glissent dans les fissures des roches, et comme des tentacules de poulpe les enserrent; des dessins de rocaille, mais recouverts de mousse , des allées élégantes, mais envahies par les herbes: tout respire un air de demi-abandon, de nature douce et libre… (…)
 … Le monument du moins est digne do poète. Entre deux énormes blocs de granit qui, en s´appuyant l´un contre l´autre, forment une arche naturelle, le buste de bronze est placé sur un socle de granit, et sur l´héroique mélancolie de ce visage où l´oeil droit est éteint, descendent comme des lauriers toujours nouveaux des branches de feuillage vert. Macau est bien restée la «Cité Saint» qu´elle était au temps de Camoens. “

Uma das primeiras gravuras da Gruta de Camões, em 1797 (5)

(1) Matteo Ricci (1552-1610), jesuíta italiano, chegou a Macau em 1582 tendo partido para a China no ano seguinte.
(2) SILVA, Beatriz Basto de – Cronologia da História de Macau, Século XX, Volume 4. Direcção dos Serviços de Educação e Juventude, Macau, 1997, 454 p. ISBN-972-8091-11-7.
Em Julho de 1787, fundearam, no ancoradouro da Taipa, os vasos de guerra franceses Astrolabe e Boussole, e os seus oficiais, sob a direcção de La Pérouse, estiverm instalados no recinto da Gruta de Camões, afim de efectuarem várias observações astronómicas.
(3) Fotogravura de P. Marinho, segundo uma fotografia tirada e oferecida por Joaquim António, de Bangkok (Sião), referida na revista MOSAICO. Nº 11, 1951
(4) Do livro “Chine Ancienne et Nouvelle“, citado por Padre Teixeira, embora erradamente como A. Weulersse em:
TEIXEIRA , Padre Manuel – A Gruta de Camões em Macau. Fundação Macau/Instituto Internacional de Macau, 1999, 226 p. , ISBN 972-97865-2-6
O livro referido
WEULERSSE, Georges – Chine Ancienne et Nouvelle: impressions et réflections, Librairie Armand Colin, Paris, 1902, 402 p. (Macao pp. 63 -79)
poderá ser consultado em:               http://archive.org/stream/chineancienneet00weulgoog#page/n15/mode/2up
(5) Gravura do livro
STAUNTON, George – An Account of an Embassady from the King  of Great  Britain to the Emperor of China, Bart, Londres, 1797
Sir George Thomas Stauton, 2.º barão (1781-1859) foi um viajante inglês e orientalista. Acompanhou o pai, desde os 12 anos de idade , o 1.º barão, diplomata e secretário de Lord Macartney na sua missão à China (1792-1794). Em 1798, nomeado chefe numa das fábricas da  “British East India Company” em Cantão (Guangzhou).