Archives for posts with tag: Templo Sam Kai Vui Kun / Kwan Tai

Principiaram a 16 de Outubro de 1837 e decorreram durante 6 dias, as festas no Pagode do Bazar.

NOTA: o termo “Sam Cai Hui Cun” no texto, refere-se ao Pagode das Três Ruas “SAM KAI VUI KUN ou KWAN TAI /三街會館或關帝古廟.  (1)

NOTA: o termo “Hoei cuon” no texto, refere-se à Casa de Beneficência “Sam Kai Vui Kun (Assembleia dos Habitantes das três Ruas), que gere o Pagode das Três Ruas e onde a Sociedade tinha a sua sede. (1)

Extraído de «O Macaísta Imparcial», Vol II, n.º 121, de 18 de Outubro de 1837, p. 67

Extraído de «O Macaísta Imparcial», Vol II, n.º 122, de 25 de Out 1837, p. 71

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-sam-kai-vui-kun-kwan-tai/

Do livro da Professora Dra. Ana Maria Amaro,Jogos, Brinquedos e outras Diversões Populares de Macau” (1), de 1972, a propósito dos teatros de sombras, nomeadamente os “sombras das mãos – Sau Ieng Chi 手影子” (2) –  retiro este pequeno texto (p. 62)
“Hoje, em Macau as figuras mais frequentes, que as próprias crianças fazem com as mãos, projectando-as na parede, com acessórios simples, são as mais popularmente conhecidas e divulgadas, também no hemisfério ocidental.
Desde o vulgar gato, em que o indicador e o dedo mínimo duma das mãos, dobrados, formam as orelhas, o antebraço, o corpo e, o dedo mínimo da outra mão, a cauda, à pomba e à águia em voo, batendo as asas, até às figuras mitológicas, a que se aliam, aos dedos, hastilhas de bambu, e às vezes, pedaços de papel dobrados ou recortados, são conhecidas numerosíssimas figuras.
Mães e criadas organizavam sessões de sombras, às vezes acompanhadas de citações, adivinhas ou onomatopeias, e as crianças tinham de as interpretar, o que causava a maior excitação e entusiasmo, por comparticipar, assim, na brincadeira. Era um curioso processo educativo que, hoje a televisão veio substituir.
Lembram-se, ainda hoje, filhos da terra e antigos residentes, dos espectáculos de auto do pau. Estes espectáculos já não eram realizados na casa do auto, actual Teatro Cheng Peng, onde se representavam as óperas chinesas, mas nas ruas, em tendas armadas em estilo de pagode, onde alguns mestres faziam actuar figuras de pau e bambu, que possuíam, apenas, cabeças e braços móveis, e, por vezes, roupagens ricamente bordadas. Estes autos de pau, eram sobretudo, representados no terreiro defronte do templo de Kuan Tai (關帝) da chamada Associação das Três Ruas, vizinho do Mercado de S. Domingos. Desapareceram nos princípios deste século.
Os teatros de sombras, há muito que não existem em Macau, tendo-se perdido, na maioria dos macaenses, a sua própria recordação. Só alguns dos residentes mais antigos se lembram de teatrinhos deste género, montados em tendas ambulantes, que se exibiam, principalmente em noites calmosas, ao longo da Praia Grande.
Ao que consta, eram habituais os teatros de sombras na meia laranja, que restava dum antigo fortim existente defronte da actual Firma F. Rodrigues & C.º, diante do que foi, dantes, a casa do 1.º conde de Senna Fernandes, na Praia Grande.”
(1) AMARO, Ana Maria – Jogos, Brinquedos e outras Diversões Populares de Macau. Imprensa Nacional, 1972.
No verso da contracapa, refere 1976:
“Este livro acabou de se imprimir aos seis dias do mês de Agosto de Mil Novecentos e Setenta e Seis nas Oficinas Gráficas da Imprensa Nacional de Macau”
(2) 手影子mandarim pīnyīn: shǒu yǐng zǐ; cantonense jyutping: sau2 jeng2 zi2

O lançamento da emissão filatélica /1.º dia de circulação do “10º Aniversário do Centro Histórico de Macau como Património Mundial” (1) dos Correios de Macau, teve lugar no dia 15 de Julho de 2015. (2)

Sobrescrito (26 cm x 16,2 cm) com impressão alusiva à emissão com selo de 12.00 patacas com o n.º 264671, obliterado com o carimbo comemorativo do primeiro dia de circulação.

Para a emissão, composta por um conjunto de quatro selos e um bloco filatélico, foram seleccionadas imagens do Sam Kai Vui Kun (Templo de Kuan Tai), Igreja da Sé (Sé Catedral), Santa Casa da Misericórdia, Casa de Lou Kau e Largo do Senado. Aos edifícios do património arquitectónico de estilo chinês e ocidental que coexistem em Macau – um templo chinês e uma igreja cristã, uma instituição de caridade e a residência de um comerciante chinês – foram associadas figuras chinesas e portuguesas, representativas de tradições e de festividades locais. A miscigenação das culturas chinesa e ocidental, aliada à harmonia da paisagem, tornam a comunidade de Macau um exemplo de tolerância e de coexistência pacífica de diferentes religiões, culturas e costumes.

Folha (19 cm x 15,5 cm) constituída por 16 selos (quatro selos de cada valor em bloco) n.º 264671

(1) O Centro Histórico de Macau foi inscrito na “Lista do Património Mundial” da UNESCO em 15 de Julho de 2005, constituindo o 31.º sítio designado como Património Mundial da China.
(2) No acto da compra dessa emissão filatélica, nesse dia e nos locais específicos de venda, os compradores receberam também um conjunto de quatro modelos tridimensionais em papel de sítios do Património Mundial de Macau, oferecidos pelo IC.
O conjunto de quatro modelos tridimensionais em papel de sítios do Património Mundial de Macau representativos inclui: a Igreja e Seminário de S. José, o Teatro Dom Pedro V, a Casa do Mandarim e o Templo de A Má – sobre uma base quadrada que corporiza as características sino-ocidentais e a harmonia arquitectónica de Macau.
https://www.gov.mo/pt/noticias/118746/
Despacho do Chefe do Executivo n.º 139/2015
Usando da faculdade conferida pelo artigo 50.º da Lei Básica da Região Administrativa Especial de Macau e nos termos do n.º 2 do artigo 19.º do Decreto-Lei n.º 88/99/M, de 29 de Novembro, o Chefe do Executivo manda:
1. Considerando o proposto pela Direcção dos Serviços de Correios, é emitida e posta em circulação, a partir do dia 15 de Julho de 2015, cumulativamente com as que estão em vigor, uma emissão extraordinária de selos designada «10.º Aniversário do Centro Histórico de Macau como Património Mundial», nas taxas e quantidades seguintes:
$ 2,00  300 000
$ 3,00  300 000
$ 4,50  300 000
$ 5,50  300 000
Bloco com selo de $ 12,00     300 000
2. Os selos são impressos em 75 000 folhas miniatura, das quais 18 750 serão mantidas completas para fins filatélicos.
29 de Maio de 2015.
O Chefe do Executivo, Chui Sai On.
https://bo.io.gov.mo/bo/i/2015/23/despce.asp?mobile=1

“Todos os anos a 13 de Junho, um herói da história chinesa Kwan Tai (Santo Kwan) (1) origina a organização de diversas festas em sua honra,
Em Macau, a maioria das festas é realizada por associações desportivas e de artes marciais que percorrem a cidade executando a dança do leão. Há a habitual peregrinação a lojas e outras casas comerciais e os patrões já sabem que têm de dar ao leão um lai si (um pacote vermelho contendo dinheiro), para mostrar a sua veneração a Santo Kwan.
Kwan Tai é um ídolo adorado pelos chineses e mesmo por alguns «gweilo» a viverem em Macau e em Hong Kong. Tem a particularidade de ser venerado pelas forças de segurança e pelas associações criminais secretas, por trabalhadores e capitalistas, cada um à sua maneira.
Porquê, este respeito a Kwan Tai, traduzido, aliás, no seu nome, dado por mandato imperial após a sua morte? (De realçar que a palavra «Tai» é o caracter chinês que dá nome ao imperador, o que Kwan Tai nunca foi). Kwan era o nome de família e o nome próprio era Yu ou – outro nome – Wan Cheung. Kwan Yu (1) ou Kwan Wan Cheung nasceu no final do primeiro século A. D., sendo aa data exacta desconhecida, morrendo no ano 219 de acordo com a História. Estava-se portanto na época conhecida na história da China como a dos Três Reinos.
Foi um destacado general do Reino Suk, (2) um dos três então existentes. Trabalhou lealmente para o rei Suk, Lau Bei, (2)  e ajudou-o a combater os seus inimigos (os outros dois reinos) na tentativa de unificar, ou controlar, toda a China. Guerreiro temido, era um especialista em artes marciais e sempre se salientava no campo da batalha.
Era também conhecido pela sua lealdade, piedade, sentido de justiça, benevolência e coragem… (…)
Descrito com ar magestoso, Kwan foia adorado  a ponto de depois de ter sido santificado com o título honorário de Kwan Tai,  ultrapassando até a imagem de um imperador feudal.
Rapidamente ganhou fama de vencer todos os demónios e, mesmo que se saiba pouco dele, não são poucas as pessoas que colocam estatuetas ou imagens de Kwan Tai nas suas casas, lojas, ou associações como forma de esconjurar os males.
É a divindade preferida dos polícias e dos criminosos. Se os primeiros admiram-no pelo seu poder, lealdade e bravura, as associações secretas louvam-lhe a justiça e lealdade aos seus pares (Kwan e Lau Bei tratavam-se por irmãos). Os trabalhadores, ou os comerciantes, os desportistas, cada classe tem a sua razão para o adorar
Extraído (artigo e fotos) de LIO, Peter – Kwan Tai, santo das artes marciais. Nam Van, n.º 2-1 de Julho de 1984, pp. 66-68
Em Macau existem dois templos dedicados a Kwan Tai: um na Ilha da Taipa – Templo de Kuan Tai na povoação de Cheoc Ka construído ente 1662 e 1837; lado a lado com o templo Tin Hau formando um único templo e outro na península, localizado na Rua Sul do Mercado de São Domingos construído em 1750 para ser o local de reunião de comerciantes (sede da associação. Como colocaram uma imagem do santo, com o tempo foi transformado em templo como hoje conhecemos.”
Anteriores referências em
SAM KAI VUI KUN ou KWAN TAI /三街會館或關帝古廟 
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/templo-sam-kai-vui-kun-kwan-tai/
(1) Kwan Tai  關帝 ou Guan Yu 關羽 ou Guan Di/Ti 關帝 também conhecido como Kwan Kung
(2) Liu Bei 劉備– rei de Hanzhong 漢中王 e fundador do estado de Shu han no período dos Três Reinos e primeiro governante do Imperio Han,  de 221 a 223.

Grande incêndio na «Praia Pequena» pelas 9 da noite e atingindo o Bazar, com origem nas barracas clandestinas que serviam de habitação e botica a uma franja da população chinesa entre o vadio e o tendeiro.
Na ocasião, o Procurador da Cidade escreve ao Suntó de Cantão pedindo-lhe apoio, que não encontra nos Mandarins de Casa Branca, para fazer valer, junto desses ociosos chineses, a lei que propõe tais barracas, que são também coito de ladrões e jogadores, mesmo chegadas a casas vizinhas dos portugueses. O Procurador Pereira participa ainda que, para evitar a propagação de mais incêndios, a cidade vai abrir uma rua larga, cercada por uma parede entre os dois focos habitacionais.
Arderam também boticas chinesas mas algumas de boa seda. Talvez um prejuízo de 1 milhão de patacas. O Convento de S. Domingos esteve em perigo.” (1)

A propósito deste incêndio, comenta o Dr. J. Caetano Soares que os portugueses tinham assistência médica, mas não os chineses, que continuaram esquecidos mesmo depois deste incêndio:
Circunstâncias similares não foram, contudo, oferecidas aos doentes chineses que continuavam esquecidos e nem, quando, após o incêndio que destruiu a maior parte do Bairro de S. Domingos, vulgarmente conhecido como Bazar Grande», a Casa Beneficência chinesa «Sam Kai Hui Kun» (Assembleia dos habitantes das três ruas) pretendeu instalar-se mais à larga, nem mesmo essa oportunidade foi devidamente aproveitada.
Complete-se que tal sociedade de sede no «Sam Kai Miu» (Pagode das três ruas), (2) edifício que, pelo estranho acaso de estar mais livre, foi o único nas redondezas poupado pelo fogo e lá continua ainda hoje; essa sociedade era organismo, também, de carácter político e muito dominada pelo Mandarim de «Heong –Shan» (Casa Branca), por isso o Governo da Colónia ao ver esboçada no seu seio uma cisão dissidente, mais  a nosso favor, procurou ajudá-la doando-lhe uns lotes de terreno então suburbano.  Para aí foi a nova sede e nesses terrenos, mediante subscrição pública veio, também, a sr construído o primitivo Hospital «Keng-Wu» (Hospital de Macau) (1872). A designação «Keng-Wu» (3) traduz a forma literária do nosso termo – Macau.” (4)

(1) SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 3, 1995.
(2) Templo Sam Kai Vui Kun / Kwan Tai
(3) Hospital Kiang Wu – 鏡湖醫院, na Estrada do Repouso, n.º 33-35
(4) SOARES, José Caetano – Macau e a Assistência, 1950  p. 129

Continuação da apresentação da colecção de 10 marcadores de livro, emitidos por “Comissão Territorial de Macau para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses”, sob o lema “TEMPLOS 廟宇” (1)

O último marcador desta colecção, também com dois: “Templos de Macau/ 澳門廟宇”(2)

Dum lado do marcador
Marcador de livro Tin Hau

Marcador de livro Tin Hau I

TIN HAU /天后古廟  (3)
“Procure a Estrada de D. Maria II e entre na Rua dos Pescadores, em direcção ao Reservatório de Água. Junto a um muro do lado direito encontramos este Templo construído em socalcos e recentemente restaurado. Visite-o para apreciar a capela, muito simples e bela, dedicada à deusa Tin Hau que protege dos tufões os habitantes de Macau e oiça as histórias que a guarda tem para contar.”

O outro lado do marcador:

Marcador de livro Sam Kai Vui Kun

Marcador de livro Sam Kai Vui Kun ISAM KAI VUI KUN ou KWAN TAI /三街會館或關帝古廟 (4)

“Ao passarmos nas ruas de Macau é frequente vermos em inúmeras lojas, casas de comida e até em residências um altar dedicado a um deus barbudo e de grandes bigodes pretos. É o Kwan Tai, um dos deuses mais populares da China a quem dedicaram o templo na Rua Sul do Mercado de S. Domingos, junto ao Edifício do Turismo. Kwan Tai é o deus taoista da guerra e foi considerado um grande herói militar da China. Kuan Tai, homem corajoso e valente, aparece normalmente com a sua espada – Yen-Yua-Tao, isto é, “espada que cobre a lua”” porque quando erguida ao céu cobre aquele satélite!”

(1) Ver: https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/templos-chineses/
(2) 澳門廟宇mandarim pinyin: Ào men miào yù; cantonense jyutping: Ou3 mun4 miu6 jyu5.
(3) 天后古廟 mandarim pinyin: tian hòu gu miào ; cantonense jyutping: tin1 hau6 gu2 miu6.
(4) 三街會館或關帝古廟mandarim pinyin: sàn jié huì guan  huó  guan di gu miào ; cantonense jyutping: saam1 gaai1 wui2 gun2 waak6 gwaan1 dai3 gu2 miu6.