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Retirado (disponível na net) em:
The Directory & Chronicle for China, Japan, Corea, Indo-China, Straits … , 1904, p. 492

Outro artigo publicado no Boletim Geral das Colónias de 1950, (1) referente à acção da Repartição de Obras Públicas no ano de 1949, com inclusão de três imagens.

A nova Avenida Ouvidor Arriaga
Outro aspecto da Avenida Ouvidor Arriaga
O novo troço da Rua da Praia Grande

(1) Disponível na net
http://memoria-africa.ua.pt/Library/BGC.aspx

Quatro “slides” do meu álbum pessoal, tiradas em 4 de Abril de 2011, na Fortaleza da Guia e agora digitalizadas (resolução 600 ppp.).

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Mais um “slide” digitalizado da colecção “MACAU COLOR SLIDES – KODAK EASTMAN COLOR)” comprado na década de 60 (século XX), se não me engano , na Foto PRINCESA (1).
macau-color-slides-ix-touradaEste “slide” mostra uma das «faenas»da 1.ª Tourada realizada em Macau, em Agosto de 1966, organizada pelo empresário Alfredo Ovelha e o toureiro Manuel dos Santos e patrocinada pela STDM.
Durante nove dias do mês de Agosto desse ano, (2) a praça de touros, construída em bambu nos aterros do Porto Exterior (sensivelmente à frente do Quartel de S. Francisco onde actualmente está o comando da PSP); Hospital Conde de S. Januário na parte superior esquerda da foto e ao fundo a Fortaleza da Guia) encheu-se com lotação esgotada para ver tourear pela primeira vez. Manuel dos Santos como cabeça de cartaz.
Na corrida inaugural actuaram o cavaleiro David Pinheiro Telles e os «diestros» Manuel dos Santos e Ricardo Chibanga (o primeiro toureador africano que terminava a faena ajoelhado e de costas perante o touro). O grupo de bandarilheiros era constituído por Bacatum, António Augusto, Carlos Mabango e José Tinoca. Nos forcados, destacavam-se Carlos Besugo, José Hipólito e Carlos Anacleto.
José dos Santos Ferreira compôs as seguintes quadras acerca deste evento:

Macau já olá torada,
Co quele tanto Manólo;
Nhu-nhúm olá, ri cacada,
Nhónha susto, fichá ôlo.

Boi dôdo, preto-carvám,
Tamanhám di elefánte,
Impiná su dôs cornám,
Pa chuchú quim têm na diánti

Toréro-cáfri, cholido,
Olá tôro, capí mám;
Tôro fica burecido,
Toréro perdê calçam.

Quelóra tôro zinguá,
Nôs tudo gritá «Olé!»
China-china más gostá
Sã gritá «Hou-ié, hou-ié!» (3)

(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/decada-de-60-seculo-xx/
(2) 1, 5, 6, 10, 12, 13, 17, 19 e 20 de Agosto de 1966.
(3) Versos de José dos Santos Ferreira da poesia “Nôsso Macau de Agora”, in Qui-Nova Chencho, 1973.

Mais dois “slides”, estes referentes à Fortaleza de Guia / Farol da Guia / Capela de Nossa Senhora das Neves ou da Guia / Colina da Guia.

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No dia 9 de Outubro de 1989, os «Correios e Telecomunicações de Macau / CTT MACAU» emitiram e puseram  a circular o sobrescrito do 1.º dia de circulação (selos e carimbo) com o tema “Meios de Transporte Tradicionais – Hidroaviões” (1)
1-a-dia-circulacao-meios-de-transportes-tradicionais-hidroavioesApresento o sobrescrito (C5 – 229 mm x 163 mm) do 1.º dia de circulação com o seu motivo e da obliteração  – (frente e verso com o logótipo dos C.T.T., em relevo) – com um selo de $7.50 patacas (diferente dos quatro emitidos e que constam na folha lembrança).
1-a-dia-circulacao-meios-de-transportes-tradicionais-hidroavioes-folha-lembrancaA folha lembrança (em português, inglês e chinês; dimensões: 30 cm x 21 cm)  apresenta quatro selos com os desenhos são de Ng Wai Kim:
50 avos – hidroavião + igreja da Penha
70 avos – hidroavião + fortaleza da Guia
2,8 patacas – hidroavião + barraca de pesca
4 patacas –  hidroavião + junco chinês
1-a-dia-circulacao-meios-de-transportes-tradicionais-hidroavioes-dados-tecnicosAlém dos dados técnicos, apresenta um resumo histórico da autoria de Manuel Vilarinho (Contra-almirante) (2)
Só no princípio do século XX se conseguiu voar num avião, pois só nessa altura se soube construir um motor que permitisse ao avião elevar-se no espaço. Assim, em 1906, Santos Dumont consegue voar 270 metros. Mas é com a I Guerra Mundial que a aviação começa a demonstrar as suas potencialidades. Em Portugal começa por criar em 1914 a Escola de Aviação Militar, em Vila Nova da Rainha, e em 1916 cria-se o Centro de Aviação Naval de Lisboa. Só entre as duas guerras mundiais se começa a desenvolver a aviação civil.
Não é pois de estranhar que os primeiros aviões que voaram em Macau fossem militares e, dadas as características do território, aviões da Aviação Naval.
É certo que a 20 de Junho de 1924 sobrevoou Macau o Breguet XVI B2, Pátria que aqui não consegue aterrar, e tem que aterrar de emergência perto de Cantão. (3)
Contudo a Aviação Naval chega a Macau em 1927, fundando-se o Centro de Aviação Naval de Macau, equipado com três aviões Fairey, os n.ºos 17, 19 e 20. O Fairey 17, o Santa Cruz, era um dos três aviões que, pilotados por Sacadura Cabral e tendo Gago Coutinho por navegador, tinham tomado parte na travessia aérea Lisboa-Rio de Janeiro , em 1922. (4)
O Centro de Aviação Naval é extinto em 1933 e de novo reactivado em 1938, desta vez com aviões Osprey, primeiro os n.ºos 71 e 72, aviões que tinham embarcado nos navios Afonso de Albuquerque e Bartolomeu Dias, a que se juntam mais tarde, outros quatro aviões também Osprey.
Em 1942, em plena II Guerra Mundial, o Centro de Aviação Naval é definitivamente extinto.
Na década de 30 é a vez de a aviação civil aparecer em Macau, com os hidroaviões da Pan-American que estabelecem carreiras comerciais partindo dos Estados Unidos.  da guerra do Pacífico resultou  que pouco durassem essas carreiras.
Que se saiba, só em 1948 volta a amarrar em Macau um outro hidroavião, Catalina PBY-2. Mas a era do hidroavião tinha passado e os progressos da aviação comercial seriam feitos com aviões de rodas, primeiro a hélice, depois a jacto.
Macau voltará a ser sobrevoada por aviões quando estiver concluído o aeroporto. (5)
Neste período de 90 anos o progresso da aviação foi surpreendente e os aviões que virão a Macau não terão comparação com aqueles que aqui voaram em 1928. Também a aviação comercial é uma empresa bem estruturada e que não pára de se desenvolver e progredir.
Acabaram, assim, os tempos em que o avião era um brinquedo e voar uma aventura romântica, um  modo de morte, que atraía os que o praticavam e as multidões. Hoje é uma profissão bem estabelecida e cujos riscos são quase os de qualquer outra actividade.
1-a-dia-circulacao-meios-de-transportes-tradicionais-hidroavioes-folha-resumo(1) Portaria n.º 164/89/M – Emite e põe em circulação selos postais alusivos à emissão extraordinária ‘Meios de Transporte Tradicionais – Hidroaviões”.
(2) Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-vilarinho/
(3) Referências anteriores aos transportes aéreos em Macau
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/transportes-aereos/
(4) Referências anteriores ao Centro de Aviação Naval em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-aviacao-naval/
(5) O Aeroporto Internacional de Macau foi inaugurado em Novembro de 1995

Fortaleza da Guia -1885Fortaleza da Guia em 1885

“01-09-1637 – Principiou a construção da Fortaleza de Nossa Senhora da Guia tendo terminado um ano depois.” (1)
A fortaleza encontra-se no mesmo sítio onde havia uma bateria pois  desde 1622 (2) foram feitos reparos defensivos a um “rudimentar sistema anterior” (bateria), junto da ermida. (3) A fortaleza sofreu várias alterações ao longo do tempo tendo sido ampliada e prolongada dando origem à actual fortaleza.

Planta de Macau final s. XVII chinês - pormenor fortalezasPormenor da Planta de Macau em finais do século XVII
pertencente ao Arquivo Nacional n.º1 da China,  onde se vê três fortalezas,
a Fortaleza de Nossa Senhora da Guia (no topo, com dois canhões),
a Fortaleza do Monte (à esquerda, com 11 canhões) e
a Fortaleza de S. Francisco (à direita, com 4 canhões)

Esta Fortaleza de Nossa Senhora da Guia ou Fortaleza da Guia encontra-se  a Nordeste da Fortaleza de S. Paulo do Monte, e está situada na colina de Nossa Senhora da Guia, com uma altitude de 94 metros, o ponto mais alto da Península de Macau. As cartas desta parte da costa da China indicam que o farol (4) existentes no seu recinto tem as coordenadas de 22° 11´ 51´´ de latitude Norte e 113° 32´48´´.
Esta fortaleza colocada fora das muralhas defensivas da cidade antiga mas em situação dominante foi edificada como defesa contra a ameaça do continente Chinês. Funcionava também como aviso e posto de observação (5) tem um sino (6) que tocava sempre que se avistava um navio ou  se esperava um tufão“. (7)
ESQUEMA Fortaleza da Guia

Compreende uma área de cerca 800 metros quadrados. O seu plano primitivo era mais regular, com a forma de trapézio de área ligeiramente inferior à presente. Possuía um quartel para uma companhia de soldados e uma cisterna de água assim como uma ermida dentro do seu recinto. O portão de entrada ficava na muralha Norte, com casa da guarda por cima. Tinha também armazéns para equipamento e pólvora e uma casa para o Comandante da guarnição. Tinha de início quatro pequenas torres mas restam apenas duas. A torre no cato Norte não é original, é de construção recente em cimento armado.(7)
(1) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954
(2) A  laje de pedra encaixada sobre o portão de entrada da fortaleza tem gravada uma inscrição que regista que a fortaleza foi erigida e concluída nos anos de 1637-1638.

Fortaleza da Guia - Laje portãoESTE FORTE MANDOV FAZER A CIDADE A SVA
CYSTA PELO CAPITAO DA ARTILHARIA ANT RIBR
RAIA COMESOVSE EN SETEBRO DE 1637 ACABOVSE
EN MARÇO D 1638 SENDO GERAL DA CAMARA
DE NORONHA

A fortaleza de N.ª Senhora da Guia teve princípio em Setembro de 1637 e terminou em Março de 1638. (PEREIRA, J. F. Marques – Ta-Ssi-Yang-Kuo, 1984.)
Padre Manuel Teixeira refere que “vários historiadores, que se limitam a copiar Marques Pereira, afirmam erradamente que a fortaleza da Guia foi construída em 1637 mas afirma que segundo documentos de Bocarro (8) ” Manuel da Câmara Noronha, Capitão-Geral de Macau (1631-1636), demoliu o forte mas, em 1636, foi substituído no governo por seu irmão Domingos da Câmara Noronha, que tinha ideias muito diferentes; este reconstruiu-o com maior perímetro em 1637- 1638, segundo reza a inscrição da fortaleza.” (TEIXEIRA, P.e Manuel – Os Militares e Macau, 1975)
Domingos da Câmara de Noronha foi Capitão-geral de Macau de 1636 a 1638.
(3) No relato da invasão dos holandeses em 22 de Junho de 1622 … Tendo pois o inimigo de passar ao lado d´este bambual, temeu alguma emboscada, e pelo facto de não ver pessoa alguma e estar soffrendo não só os tiros do Monte como tambem descargas successivas do lado da Guia; assim mudou de plano, e diligenciou subir ao alto do oiteiro, sobre o qual já existia uma ermida… (Boletim do Governo de Macau, n.º 30 de 28-06-1862).
(4) O farol é posterior, foi construída por ordem do Governador José Rodrigues Coelho do Amaral em 1864/1865. Acendeu-se pela primeira vez a 24 de Setembro de 1865.
(5) A fortaleza da Guia (e antes a Ermida da Guia) servia durante o dia de guia para os navios  que se dirigiam para Macau e Cantão. Quando aparecia um navio um navio, o governador era avisado da sua aproximação por sinais, e quando se descobre a bandeira, o comandante participava-o por escrito. Se era um a navio português, tocava-se o sino.
(6) O sino que se encontra ao lado da Capela, (mas ali colocada somente em 1707), tem a seguinte inscrição:

ESTE SINO
FOI FEITO PARA UZO DE
STA ERMIDA DE N.S DA GUIA
EM O ANO DE 1707 SENDO
PREZIDENTE DELLA E CAPI
TÃO GERAL DESTA CIDADE
DIOGO DO PINHO TEIXEIRA
Fortaleza da Guia - SINO - 1998Foto de 1998

O italiano Marco d´Avalo diz na «Descrição da Cidade de Macau»: ” Deste último forte recebe a cidade aviso dos navios que se avistam no mar, quer venham do Norte ou do Sul, do Japão ou de Manila, para entrar no seu porto. Logo que se avista qualquer , toca-se o sino na montanha e, segundo as maneiras como for tocado, indica de qual lado eles apparecem”  in  (Ta-Ssi-Yang-Kuo, Vol II).
(7) GRAÇA, Jorge –Fortificações de Macau.
(8) Manuel Tavares Bocarro que possuía uma fundição de canhões em Macau de 1625 a 1664,  informava que em 1635, o baluarte da Guia tinha 5 peças, i. é, uma colubrina, um pedreiro e 3 sagres, todas de metal; Marco d´Avalo afirmava que, em 1638, tinha 4 ou 5 peças.
Anteriores referência à Fortaleza da Guia em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/fortaleza-da-guia/page/4/