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Aspecto da recepção no Palacete de Santa Sancha em que foi anunciado o casamento da Senhorita Maria Helena, filha do Governador de Macau com o tenente Lopes da Costa.
Extraído de «BGU» XXXI – 357, Março de 1955.

O Boletim Informativo “MACAU”  (1) também relatou este acontecimento embora datando-o de 5 de Março.
“Pelo Exmo. Sr Comandante Militar de Macau, Coronel Rui Pereira da Cunha em representação do pai do noivo, Sr. José Augusto Lopes da Cunha, ausente em Lisboa, foi no dia 5 do corrente, pedida em casamento para o tenente Mário Nuno do Canto Lopes da Costa, a gentil filha de Sua Exa. O Governador da Província, Senhorinha Maria Helena Botelho da Costa Marques Esparteiro.
Sua Exa. O Governador Almirante Joaquim Marques Esparteiro, e Sua Exma, Esposa,  Sra. Dra. Da. Laurinda Marques Esparteiro, ofereceram nesse mesmo dia, no Palacete de Santa Sancha, um jantar a numerosos convidados durante o qual Sua Exa. O Governador anunciou os esponsais de sua filha com o Sr. Tenente Lopes da Costa, secretário de Sua Exa.
Todos os presentes apresentaram cumprimentos aos ilustres Pais da Senhorinha Marques Esparteiro e sinceras felicitações aos distintos noivos que no meio social de Macau, gozam de justa e carinhosa simpatia A reunião decorreu naquele ambiente elegante que é timbre das recepções no palacete de Santa Sancha. “
(1) «MACAU Boletim Informativo»da R.C.S.E. II-39 de 15 de Março de 1955.

O Comodoro Unwin em continência à Guarda de Honra, após o seu desembarque
O Comodoro Unwin na visita ao velho cemitério dos protestantes de Macau

Extraído de «BGU»  XXXII – 367, Janeiro 1956.

Fragata «HMS Cardigan Bay»

Lançamento em 28th December 1944  Início das actividades de defesa em 1945, no Mediterrâneo onde esteve até 1949. Chegou a Hong Kong a 7 de Outubro de 1949, onde esteve estacionado e depois envolvido na Guerra da Coreia 1950-1953. De novo estacionado em Hong Kong com missões em Singapura e na China em 1959-1960.
«HMS CARDIGAN BAY» entrou em reserva em 1961 e dispensado da marinha inglesa em 1962. Posteriormente vendido para uma empresa escocesa.
http://www.naval-history.net/xGM-Chrono-15Fr-Bay-CardiganBay.htm
O Comodoro J. H. Unwin D. S. C. da Royal Navy foi promovido a almirante (“Rear Admirals”) em 8 de Julho de 1957. Retirou-se em 14 de Fevereiro de 1961.
É autor do artigo “Principles of War . The Acid Test”, publicado no jornal “Royal United Services Institution,”, Vol 92, 1947, n.º 566.
Poderá ler parte deste trabalho em:
https://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/03071844709433990

No dia 7 de Outubro de 1954, em substituição do Sr. Coronel António Cirne Rodrigues Pacheco, (1) assumiu, o Comando Militar da Guarnição de Macau, o Coronel Rui Pereira da Cunha (2) que desembarcou nesta Província no dia 5 de Outubro de 1954. Exerceu o cargo até 16 de Maio de 1956 (3)
O Governador Almirante Joaquim Marques Esparteiro esteve no dia 8 de Outubro, no Quartel General, a fim de retribuir os cumprimentos da véspera (o novo comandante militar esteve no Palácio do Governo, acompanhado do seu ajudante, tenente Mendonça, onde apresentou cumprimentos ao governador) tendo ali sido recebido com todas as honras militares. Passou revista à guarda de honra, +restada pelo Esquadrão Motorizado.
(1) O Coronel António Cirne Rodrigues Pacheco, que exerceu o cargo de Comandante Militar desde 14 de Maio de  1952,  regressou a Portugal no dia 7 de Outubro para frequentar o curso de Altos Comandos. Os oficiais da guarnição militar ofereceram no dia 2 de Outubro, ao Comandante cessante, no Clube Militar um almoço de despedida. No dia 4 de Outubro, o Coronel Cirne Pacheco despediu-se de todos os oficiais do Quartel General.
Ver anteriores referências  em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/antonio-cirne-pacheco/
(2) Ver anteriores referências  em
https//nenotavaiconta.wordpress.com/tag/rui-pereira-da-cunha/
(3) «M. B. I.» II-29, 1954.

No dia 1 de Novembro de 1955 deveria ter dado início às Comemorações do IV Centenário de Macau 1555 -1955, programadas para serem realizadas durante o mês de Novembro de 1955.
Sobre este cancelamento, comenta o investigador Moisés Silva Fernandes (1):
“Graças a pressões públicas e particularidades exercidas por círculos nacionalistas macaenses, a administração portuguesa de Macau, foi persuadida a comemorar o 4.º centenário de Macau, em Novembro de 1955. A China não reagiu bem às comemorações e fez saber a nível particular e em público o seu desagrado. Zhou En Lai interviu pessoalmente na matéria e a administração portuguesa viu-se na necessidade (2) de cancelar as comemorações para evitar a deterioração da situação política”
programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-capaO programa estabelecido pela Comissão (submetido em 2 de Março de 1955, mas sujeito a alterações) (3) iniciava essas Comemorações no dia 1 de Novembro de 1955 (Terça-feira), às 6.00 horas, com alvorada e hasteamento da bandeira nacional nas fortalezas, navios de guerra e edifícios públicos e terminava no dia 30 de Novembro (Quarta-feira), as 21.00 horas com a sessão solene do encerramento das Comemorações, falando o Governador da Província, o Presidente da Comissão das Comemorações e o Representante da Comunidade Chinesa.

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A maioria das cerimónias programadas foi cancelada e mesmo a pequena cerimónia marcada para o dia 20 de Novembro em que se assinalava os quatro séculos da presença portuguesa em Macau e que constava de uma Procissão da Sé Catedral para as Ruínas e S. Paulo não se realizou.
Estava também prevista para o dia 1 de Novembro, o lançamento de 4 selos postais comemorativos do 4.º centenário. (4)
Estava também prevista a publicação de uma edição popular da História de Macau. (5)

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O Grande Prémio de Macau que estava integrado no programa, realizou-se no dia 5 de Novembro, com provas de automobilismo (prova para principiantes, prova para senhoras) às 10.00 horas e às 15.00 horas e no domingo, dia 6 com a realização do II Grande Prémio de Macau (6) pelas 12.00 horas. O circuito nesse ano foi alargado em diversos pontos e asfaltado nos troços que eram ainda de areia. Atraiu cerca de 30 mil espectadores. Entre os 12 concorrentes (de Singapura, Hong Kong e Macau) alinhados na grelha da partida, foi vencedor Robert Ritchie, ao volante de um «Austin-Healey», completando as 60 voltas do circuito em 3h, 55m e 55,7 s. Nessa noite pelas 20.00 horas realizou-se o Jantar e distribuição de Prémios das Provas de Automobilismo, no Clube de Macau.
programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-comissaoA Comissão das Comemorações do IV Centenário de Macau, nomeada por Portaria de 8 de Janeiro de 1955 era composta pelas seguintes individualidades:
Presidente – Dr. Pedro José Lobo, chefe dos Serviços Económicos
Secretário – Luís Gonzaga Gomes, professor e sinólogo
Vogais – António Magalhães Coutinho, presidente do Leal Senado da Câmara e chefe dos Serviços dos C.T.T.
Engenheiro José dos Santos Baptista, chefe da Repartição Técnica das Obras Públicas
Intendente do distrito José Peile da Costa Pereira, chefe dos Serviços de Administração Civil
Capitão de artilharia João Vítor Teixeira Bragança
Padre Manuel Pinto Basaloco
Ho Yin, presidente da Associação Comercial de Macau
José Maria Braga, publicista e historiador
Primeiro-tenente da Administração Naval Manuel António Lourenço Pereira

programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-posse-iO Governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro proferindo o discurso no acto da posse da Comissão das Comemorações do IV Centenário de Macau

A posse da Comissão realizou-se no dia 14 de Janeiro numa cerimónia pública na Sala Verde do Palácio do Governo na Praia Grande e a que presidiu o Governador Almirante Joaquim Marques Esparteiro. A este acto, assistiram o Prelado da Diocese, D. Policarpo da Costa Vaz, o Meritíssimo Juiz de Direito da Comarca, Dr. Alberto Rafael Marques Mano, o Comandante Militar, Coronel Rui Pereira da Cunha, membros do Conselho do Governo e do Corpo Diplomático, chefes de serviço e outros funcionários superiores, elementos da Comunidade Chinesa, representantes da Imprensa e numerosas pessoas. (7)

programa-das-comemoracoes-do-iv-centenario-posse-iiO Sr. Pedro José Lobo, Presidente da Comissão, pronunciando o seu discurso.

(1) FERNANDES, Moisés Silva – Sinopse de Macau nas Relações Luso-Chinesas, 1945-1995: Cronologia e Documentos. Fundação Oriente, Lisboa, 2000, 849 p. + |Documentos LIX|
(2) Zhou Enlai – 周恩來 (Chu En Lai) (1898- 1976) vice-presidente do partido Comunista Chinês de 1956 a 1966, primeiro-ministro de 1949 até à sua morte e de 1949 a 1958 também ministro dos Negócios Estrangeiros.
(3) Programa das Comemorações do IV Centenário de Macau 1555-1955. Comissão das Comemorações do IV Centenário de Macau, Macau-Ásia, 1955, 9 p., 26,5 cm x 19,5cm.
(4) Macau Boletim Informativo, Ano III, 1955.
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/11/02/selos-postais-comemorativos-da-fundacao-de-macau-1955/
(5) “8-01-1955 – Comemorações do IV Centenário do estabelecimento português em Macau (B. O. n.º 2) Entre os eventos e acções previstos conta-se com a publicação de uma edição popular da História de Macau… A Comissão nomeada dá uma ideia das «eminentes» personalidades de então (B. O. n.º 25, de 18 de Junho)” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 5, 1998).
(6) Ver anteriores referências a este Grande Prémio em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/05/noticia-de-5-de-novembro-de-1955-ii-grande-premio-de-macau/
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/11/06/noticia-de-6-de-novembro-de-1955-ii-grande-premio-de-macau/
(7) Macau Boletim Informativo, Ano II, 1955.

Desde 24 de Junho de 1622, a memorável data em que os portugueses obtiveram a retumbante  vitória sobre os holandeses que abusivamente se queriam apossar desta terra, Macau vem celebrando a festa de S. João Baptista, patrono da Cidade do Santo Nome de Deus, por voto do Município e da população.
Além do feriado municipal, tem relevo especial a parte religiosa.
Às 18 horas em ponto do dia 23, entrou na Sé Catedral a Comissão Administrativa do Leal Senado, (1)  com a Bandeira do Município à frente, levada pelo secretário, e subiu até ao cruzeiro, onde ocupou os seus lugares reservados. pela primeira vez, de há anos para cá, Sua Ex.º Rev. o Bispo de Macau presidiu às Vésperas Pontificais.
Findo o sermão , panegírico do Santo Precursor do Messias, organizou-se a procissão, em que se incorporaram várias congregações católicas, o Seminário e o Clero diocesanos.

MBI II-46 30JUN1955 S. João Baptista IA imagem de S. João Baptista que se venera na capela do Leal Senado

Sua Ex.ª Rev. o Bispo de Macau, D. Policarpo da Costa Vaz, levava a relíquia do Santo Lenho debaixo do pálio. E, logo após, seguia Sua Ex.ª o Governador da Província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, acompanhado do chefe de Gabinete e ajudante do campo, capitão José Vaz Dias da Silva, e do seu oficial às ordens, tenente Mário Lopes da Costa. Imediatamente depois, caminhava a Comissão Administrativa do Leal Senado rodeando a Bandeira do Município, e o Deputado por Macau à Assembleia Nacional, Dr. Alberto Pacheco Jorge, e sua esposa.
A banda do Instituto Salesiano da Imaculada Conceição fechava o cortejo… (…)
MBI II-46 30JUN1955 S. João Baptista IIÀ passagem pelo edifício do Leal Senado, S. João agradeceu, com uma bênção especial, ao povo deste Município a sua generosidade e fidelidade à promessa formulada há 3 séculos… (…). E lá vai caminhando para a Sé Catedral, onde está a sua capelinha, abrigo donde despacha todas as petições que Macau lhe apresenta.
Mas a homenagem continuou, no dia 24, ainda em cumprimento da promessa com a missa solene.
Às 10.30 horas entrava, novamente, na Sé a Comissão Administrativa do Leal Senado, ocupando os seus lugares reservados no cruzeiro. E. logo a seguir, veio Sua Ex.ª p Governador da Província, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, e Sua Esposa conjuntamente com o Meritíssimo Juiz da Comarca, Dr. Rafael Marques Mano que foram sentar-se nas cadeiras reservadas à grade da Capela-Mor. Estiveram também presentes o Deputado por Macau, Dr. Alberto Pacheco Jorge e esposa, o Comandante Militar, Coronel Rui Pereira da Cunha e esposa, o corpo consular e várias outras representações.
Num ambiente religioso, em que o povo de Macau dava largas à sua tradicional devoção, iniciou-se a missa.”

Reportagem retirada de «Macau B. I.»,  1955.
(1) A Comissão Administrativa do Leal Senado,  nesse ano:
Presidente – António de Magalhães Coutinho
Vice-presidente – Luís Gonzaga Gomes
Vogais – Jorge Alves Estorninho, Alferes Joaquim Ramos da Costa Roque e Guilherme Vitaliano da Silva.

A cerimónia do Juramento de Bandeira da incorporação de recruta do ano de 1954, realizou-se, pelas 10.00 horas do dia 5 de Dezembro, no Campo Desportivo «28 de Maio» (ao contrário dos anos anteriores) (1), pois o Campo Desportivo reunia melhores condições de espaço e de terreno para a realização destas festas militares.
O Governador da Província passou revista à Guarda de Honra constituída pelo Esquadrão Motorizado. Deu-se, início em seguida, à solene Festa Militar com um desfile das Forças em Parada, em continência à Bandeira, no qual tomaram parte representações de todas as Unidades e Estabelecimentos militares, num total de cerca de 1 000 homens.
MBI II-33 15DEZ54 JURAMENTO DE BANDEIRA IO campo estava literalmente cheio e a assistência era constituída por militares de todas as graduações e categorias e funcionários civis. Na tribuna de honra, o Governador Almirante Joaquim Marques Esparteiro e família, o Bispo da Diocese, o Meritíssimo Juiz da Comarca, o deputado pelo círculo de Macau à Assembleia Nacional, o Comandante Militar e esposa  e os membros do Corpo Diplomático e Consular.
MBI II-33 15DEZ54 JURAMENTO DE BANDEIRA IIFoi feito a leitura dos Deveres Militares pelo Tenente José Maria Mendonça Jr. ao qual se seguiu (na foto) o Comandante Militar , Coronel Rui Pereira da Cunha que proferiu uma alocução aludindo ao significado daquela cerimónia e exortando os novos soldados ao cumprimento dos seus deveres militares.
A 1.ª parte do programa terminou com a cerimónia solene do Juramento de Bandeira, durante a qual 45 jovens portugueses manifestaram lealdade e fidelidade à sua Pátria, jurando defendê-la com sacrifício das próprias vidas.

MBI II-33 15DEZ54 JURAMENTO DE BANDEIRA IIIAs tropas que tomaram parte na Festa Militar do Juramento de bandeira, vendo-se à frente os 45 recrutas.

A 2.ª parte do programa consistiu na distribuição de medalhas de Comportamento Exemplar e taças das Aulas Regimentais e dos Campeonatos Desportivos.. Foram assim entregues pelo Governador 190 medalhas de Comportamento Exemplar a 186 praças europeias e 4 africanas (a inferioridade numérica destas últimas é devida ao facto de a maioria delas não terem ainda o tempo de serviço exigido para tal distinção: 3 anos de serviço sem faltas ou castigo).
MBI II-33 15DEZ54 JURAMENTO DE BANDEIRA IVProcedeu-se depois à distribuição dos prémios aos alunos que mais se distinguiram durante as Aulas Regimentais e obtiveram maiores classificações nos exames realizados nesse ano.
Foram ainda distribuídas as taças aos vencedores dos Campeonatos Desportivos, assim classificados:
Futebol em miniatura – Batalhão de Caçadores n.º 1
Voleibol – Agrupamento de Baterias de Artilharia
Ping-Pong – Esquadrão Motorizado
Campeonato Militar de Tiro: 1)Espingarda de guerra:
Prova individual – Tenente Manuel Inácio de Melo
Equipa de europeus – Esquadrão Motorizado
Equipa de africanos – Companhia Anticarro do Batalhão de Caçadores n.º 2
2) Pistola de guerra
Prova individual: 1.º – Cap. Carlos Mota Cerveira; 2.º – Major João Carlos de Sousa; 3.º -Ten. Virgílio Guimarães.
Terminada a distribuição das respectivas taças, foi apresentado o pelotão de recrutas, auto-comandado (preparado pelo Alferes Luís Maria Casquilho)  que executou varias evoluções e manejos de arma. A seguir, apresentou-se uma classe de ginástica educativa com traves, comandada pelo Capitão Sirgado Maia e constituída por praças macaenses do Esquadrão Motorizado e europeias do Agrupamento de Batarias de Artilharia. Seguiu-se outro número de ginástica educativa apresentada pelo tenente Luís Ataíde Banazol e executada por cerca de 400 praças africanas.
(1) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/12/06/noticia-de-6-de-dezembro-de-1953-juramento-de-bandeira/
Informações retiradas de «MACAU B. I., 1954»

A cerimónia da entrega do soldo de Santo António, realizada no dia 18 de Junho de 1955, (1) revestiu-se de especial significado militar, em homenagem ao «Capitão da Cidade», patente que foi dada, em Macau, ao Santo Taumaturgo.(2)
O comandante Militar , coronel Rui Pereira da Cunha e sua esposa, o Chefe do estado maior, major José Alberty Correia e a Comissão Administrativa do Leal Senado, representada pelo Vice -Presidente Dr. José Marcos Batalha, pelo secretário Sr. Veríssimo do Rosário, pelo Tesoureiro, Sr. Mário de Barros Pereira, entregou ao Pároco , Rev. Cónego Manuel Pinto Basaloco, à porta da igreja, a importância de $ 1.200,00, soldo simbólico anual do «Capitão da Cidade»
Esta cerimónia que inicialmente se revestia de maior importância, pois o pároco descia até à porta da igreja de capa magna e debaixo do pálio, foi restaurada novamente em 1951,  quando era pároco interino, o Rev Padre Benjamin Pires Videira, S. J. (3)

No dia 19, realizaram-se missas celebradas desde o alvorecer e missa solene, cantada bem como para as cerimónias da tarde. Procissão presidida (4) pelo Bispo de Macau, Ex.º Rev. mo, D. Policarpo da Costa Vaz” (5)

Segundo Leonel Barros (6), “o dinheiro recolhido pelo pároco era depositado no cofre do “Pão dos Pobres”, obra de beneficiência que, durante muitos anos, teve a seu cargo a distribuição de arroz e esmola por mais de duas centenas de pobres da freguesia de Santo António, no primeiro sábado de cada mês. A cerimónia decorria no adro da Igreja de Santo António, com toda a pompa e circunstância. Durante o acto, via-se grande número de paroquianos, bem como muitos oficiais do Exército, trajando a rigor, um pelotão de soldados armados e corneteiros comandados por um sargento, com o fim de prestar “homenagem de ordenança” ao santo. No momento da chegada dos representantes do Leal Senado, ouvia-se o toque de sentido, seguindo de repiques dos sinos da igreja.A entrega do soldo ao páraco era executada no altar onde se encontra a imagem de Santo António. Após a entrega do cheque, a retirada do sacerdote era assinalada solenemente por novo toque de sentido pelos corneteiros de serviço”
António Rodrigues Baptista no seu livro ” A Última Nau – Estudos  de Macau” (7) refere o seguinte:
“Frisemos que Santo António em Macau, como noutras partes da diáspora lusitana, tem sido considerado o “capitão” da cidade tendo-lhe por isso, até sido atribuído um soldo anual conforme nos dão conta diversos documentos. Desta feita, pelo que a Macau concerne, consta que o Nosso Santo foi alistado como soldado em 1623, ano em que veio de Goa para Macau o primeiro presídio militar, com o primeiro Governador, D. Francisco de Mascarenhas. Em 1780, ter-lhe-á sido suspenso tal soldo; mas, três anos depois, ou seja, em 17 de Setembro de 1783, o Senado mandou-lhe pagar os atrasados, promovendo-o nessa altura a “Capitão”. O montante do salário tem variado com os anos….(…) Em 1975, o Leal Senado pagou 6 mil patacas de soldo anual a Santo António e que, em 1995, o Presidente do Leal Senado entregou 40 mil patacas ao “Santo Capitão”  do Município de Macau.
O Pão dos Pobres foi instituído em 1903, por diligências do pároco de então Dr. António José Gomes. Os benfeitores contavam-se tanto em Macau como em Hong Kong, Xangai e Cantão, principalmente. Digamos ainda que os primeiros vinte e oito anos desta instituição, isto é, de 1903 até 1930, O Pão dos Pobres distribuiu em Macau o elevado número de 7 374 picos de arroz. Em 1931 matava a fome a 200 famílias com a distribuição mensal de 22 picos de arroz, ou seja, se não erramos 1 342 quilos de arroz por mês.”
 
Na nave principal da Igreja de Santo António está colocada uma estátua do St. António com o Menino Jesus ao colo
 
(1) Anualmente e até 1999 (ano da transferência da soberania de Macau para a China) , esta cerimónia (interrompida durante alguns anos e restaurada  em 1951) era habitualmente realizada no dia 13 de Junho (data da festa de S. António) – desconheço porque nesse ano (1955) foi no dia 18 de Junho.
(2) Taumaturgo = o que faz milagres. Santo António é um santo “militar” e “Capitão” de Exército Português. A cerimónia em que o Presidente do Leal Senado lhe entregava o soldo remonta como soldado desde 1623 e como capitão desde 1780,  segundo Leonel Barros:
“soldado em Macau desde que houve presídio (1623) e Capitão da Cidade desde 1780, por decisão do Leal Senado” (6)
(3) Nesse ano, 1955, o Padre Benjamin Videira Pires era  capelão militar nesta Província.
(4) A imagem do Santo era levada em procissão ao redor da Igreja de Santo António até ao Largo de Camões.
(5) Macau, Boletim Quinzenal, Ano II, n.º 46
(6) BARROS, Leonel in JTM 14 JUN 2009
               http://www.jtm.com.mo/view.asp?dT=318202002
(7) BAPTISTA; António Rodrigues – A última nau: estudos de Macau. Macau: Edição do Autor, 2000, 382 p., 23 cm.
Citado por Jorge Rangel in JTM de 11 -JUN 2007:
               http://www.jtm.com.mo/view.asp?dT=248302004