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Dois anúncios inseridos no jornal “Diário Popular” de 20 de Outubro de 1961, número especial dedicado ao Ultramar Português.
A  SOCIEDADE ORIENTAL DE FOMENTO LDA. com sede em Macau na Rua da Praia Grande n.º 63 tinha duas agências no exterior: em Dili (Timor) na Rua da Praya e em Hong Kong no “Mercantile Bank Building
 A “H. NOLASCO & CIA, LDA” tinha no exterior, agências em Lisboa (João Nolasco Lda. na Praça do Município n. 19-40), em Hong Kong (H. Nolasco & Co. Ltd. no “Ice House Street, n.º 10” e em Dili ( Sth Fl. Lif  Kin Joe, Ltd., Timor).

A propósito da comemoração dos 100 anos de actividade de firma “F. RODRIGUES LDA.” (1) e em comparação com o anúncio recentemente publicado na imprensa macaense, pela  “F. RODRIGUES  (SUC.RES) LDA.” (2)
Anúncio de 1921 (?)

anuncio-1921-f-rodriguesF. RODRIGUES
ESTABLISHED 1916
General merchant, Importer, Exporter, Insurance & Shipping Agent

A Firma «F. Rodrigues Lda.» era agente das companhias de navegação e seguros, Neste anúncio publicitava-se como agente em Macau das Companhias de Vapores:

The Ocean Steamship Co. Ltd.
Companhia Transatlantica de Barcelona.
Sun-Sin (Parte Europea)

de outras empresas estrangeiras:

T & E. Plum (Denmark) Manteiga
Clarence E. Edson & Associates (Cleveland Ohio. U.S.A.)
Underwood Typewriter Co. Ltd.
Sterling Electrical Specialities (Cleveland Ohio. U.S.A.)
“Shell Motor Spirit” The Asiatic Petroleum Company South China Limited (Hong Kong)
Vacuum Oil Company (Hong Kong)

de empresa local:

Empresa de Transporte Automóveis (Gerente geral)

e importadora de carvão da

Mitsubishi Shoji Kaisha (Hong Kong)

Anúncio de 2016

anuncio-2016-f-rodrigues-suc-res-ltdAnúncio publicado no Jornal “Tribuna de Macau” n.º 5081, 9 de Set. 2016 p.7 – PUBLICIDADE

(1) “8-12-1916 – Fundada a Firma «F. Rodrigues Lda.» que através dos sucessores, continua a operar”. (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997).
Fernando de Senna Fernandes Rodrigues (1895-1945) foi o fundador e proprietário da firma «F. Rodrigues Lda.» desde 1916 até 1945, quando foi assassinado à porta da Caixa Escolar por Wong Kong Kit, a soldo da quadrilha de chineses pró japoneses.
O filho, Humberto Fernando Rodrigues (3) assumiu depois a direcção da firma tornando-se sócio – gerente da firma «F. Rodrigues Sucrs. Ltd» em 1947. (FORJAZ, Jorge – Famílias Macaenses Vol. III, 1996).
(2) 26-12-1947 – Constituída a sociedade “F. Rodrigues, Sucessores Limitada ” com um capital social 150 000,00. (Obras e Melhoramentos efectuados em Macau, 1950. A firma tornou-se um dos principais importadores de produtos alimentares portugueses e foi agente em Macau da «British Airways».O actual presidente da companhia é Humberto Carlos Rodrigues.
Anteriores referências a esta firma:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/firma-f-rodrigues/
(3) Humberto Fernando Rodrigues (1921 –  ? ) filho de Fernando de Senna Fernandes Rodrigues e de Ângela Edmée Jorge era  engenheiro civil. Foi vice-presidente da Associação dos Exportadores e Importadores de Macau e condecorado com a Medalha de Mérito Industrial e Comercial (Portaria 353/99/M de 27 de Setembro).
Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/humberto-f-rodrigues/
Aconselho leitura: “A ÚNICA EMPRESA PORTUGUESA COM 100 ANOS” de Liane Ferreira publicada no JTM, em 8 de Setembro de 2016
http://jtm.com.mo/local/unica-empresa-portuguesa-100-anos/

No dia 9 de Outubro de 1989, os «Correios e Telecomunicações de Macau / CTT MACAU» emitiram e puseram  a circular o sobrescrito do 1.º dia de circulação (selos e carimbo) com o tema “Meios de Transporte Tradicionais – Hidroaviões” (1)
1-a-dia-circulacao-meios-de-transportes-tradicionais-hidroavioesApresento o sobrescrito (C5 – 229 mm x 163 mm) do 1.º dia de circulação com o seu motivo e da obliteração  – (frente e verso com o logótipo dos C.T.T., em relevo) – com um selo de $7.50 patacas (diferente dos quatro emitidos e que constam na folha lembrança).
1-a-dia-circulacao-meios-de-transportes-tradicionais-hidroavioes-folha-lembrancaA folha lembrança (em português, inglês e chinês; dimensões: 30 cm x 21 cm)  apresenta quatro selos com os desenhos são de Ng Wai Kim:
50 avos – hidroavião + igreja da Penha
70 avos – hidroavião + fortaleza da Guia
2,8 patacas – hidroavião + barraca de pesca
4 patacas –  hidroavião + junco chinês
1-a-dia-circulacao-meios-de-transportes-tradicionais-hidroavioes-dados-tecnicosAlém dos dados técnicos, apresenta um resumo histórico da autoria de Manuel Vilarinho (Contra-almirante) (2)
Só no princípio do século XX se conseguiu voar num avião, pois só nessa altura se soube construir um motor que permitisse ao avião elevar-se no espaço. Assim, em 1906, Santos Dumont consegue voar 270 metros. Mas é com a I Guerra Mundial que a aviação começa a demonstrar as suas potencialidades. Em Portugal começa por criar em 1914 a Escola de Aviação Militar, em Vila Nova da Rainha, e em 1916 cria-se o Centro de Aviação Naval de Lisboa. Só entre as duas guerras mundiais se começa a desenvolver a aviação civil.
Não é pois de estranhar que os primeiros aviões que voaram em Macau fossem militares e, dadas as características do território, aviões da Aviação Naval.
É certo que a 20 de Junho de 1924 sobrevoou Macau o Breguet XVI B2, Pátria que aqui não consegue aterrar, e tem que aterrar de emergência perto de Cantão. (3)
Contudo a Aviação Naval chega a Macau em 1927, fundando-se o Centro de Aviação Naval de Macau, equipado com três aviões Fairey, os n.ºos 17, 19 e 20. O Fairey 17, o Santa Cruz, era um dos três aviões que, pilotados por Sacadura Cabral e tendo Gago Coutinho por navegador, tinham tomado parte na travessia aérea Lisboa-Rio de Janeiro , em 1922. (4)
O Centro de Aviação Naval é extinto em 1933 e de novo reactivado em 1938, desta vez com aviões Osprey, primeiro os n.ºos 71 e 72, aviões que tinham embarcado nos navios Afonso de Albuquerque e Bartolomeu Dias, a que se juntam mais tarde, outros quatro aviões também Osprey.
Em 1942, em plena II Guerra Mundial, o Centro de Aviação Naval é definitivamente extinto.
Na década de 30 é a vez de a aviação civil aparecer em Macau, com os hidroaviões da Pan-American que estabelecem carreiras comerciais partindo dos Estados Unidos.  da guerra do Pacífico resultou  que pouco durassem essas carreiras.
Que se saiba, só em 1948 volta a amarrar em Macau um outro hidroavião, Catalina PBY-2. Mas a era do hidroavião tinha passado e os progressos da aviação comercial seriam feitos com aviões de rodas, primeiro a hélice, depois a jacto.
Macau voltará a ser sobrevoada por aviões quando estiver concluído o aeroporto. (5)
Neste período de 90 anos o progresso da aviação foi surpreendente e os aviões que virão a Macau não terão comparação com aqueles que aqui voaram em 1928. Também a aviação comercial é uma empresa bem estruturada e que não pára de se desenvolver e progredir.
Acabaram, assim, os tempos em que o avião era um brinquedo e voar uma aventura romântica, um  modo de morte, que atraía os que o praticavam e as multidões. Hoje é uma profissão bem estabelecida e cujos riscos são quase os de qualquer outra actividade.
1-a-dia-circulacao-meios-de-transportes-tradicionais-hidroavioes-folha-resumo(1) Portaria n.º 164/89/M – Emite e põe em circulação selos postais alusivos à emissão extraordinária ‘Meios de Transporte Tradicionais – Hidroaviões”.
(2) Anteriores referências em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/manuel-vilarinho/
(3) Referências anteriores aos transportes aéreos em Macau
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/transportes-aereos/
(4) Referências anteriores ao Centro de Aviação Naval em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/centro-de-aviacao-naval/
(5) O Aeroporto Internacional de Macau foi inaugurado em Novembro de 1995

AUTOCOLANTE - Raid Aétreo Janeiro de 1987Autocolante com as dimensões:  11, 8 cm x 7, 3 cm,  editado pelo Banco Nacional Ultramarino. em Janeiro de 1987, promovendo o Raid Aéreo  Lisboa-Macau -Lisboa.
O monomotor  “Sagres” partiu de Lisboa a 11 de Janeiro de 1987 e chegou a Macau em 6 de Fevereiro, , no Aterro da Concórdia em Seac Pai Van (Coloane).
O avião com Jorge Cruz Galego, Arnaldo Alves Leal e Álvaro M. Prata Mendes, percorreu cerca de 15.000 Km em 27 dias ( tempo total de vôo: 65H30) , com 23 aterragens. (1)
Leal Senado - Placa Comemorativa Raid Aéreo (I)Foi descerrada à entrada do edifício do Leal Senado, uma lápide evocativa deste feito, junto a uma outra já existente e que evoca a epopeia vivida em 1924 por Sarmento Beires, Brito Pais e Manuel Gouveia.
Leal Senado - Placa Comemorativa Raid Aéreo (II)Esta placa foi enviada de Lisboa pelo Aero Club de Portugal com o objectivo de homenagear precisamente aqueles pioneiros da aviação portuguesa. A placa descerrada havia sido entregue ao Governador de Macau pela tripulação do “Sagres” aquando da sua chegada ao Território.

Leal Senado - Placa Comemorativa Raid Aéreo (III) O Governador Joaquim Pinto Machado entendeu que “ o lugar apropriado “ para a sua colocação era o Leal Senado.
(1) Ver anterior referência a este acontecimento em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2013/02/15/noticia-de-15-de-fevereiro-de-1987-partida-do-monomotor-sagres/

Em 20 de Dezembro de 1947, foi fundada em Macau, com capital português, uma companhia de navegação, a “Sociedade Oriental de Transportes e Armazéns” (“S.O.T.A.”), (1) que possuía em 1950/51, (2) três navios: «São Manuel», de 800 toneladas, «São Gabriel», de 800 toneladas e «São Rafael», de 208 toneladas.

S. Gabriel SOTA 1950Embandeiramento do navio a motor «São Gabriel« da Sociedade Oriental de Transportes e Armazéns, Ltda.

A Sociedade possuía além dos transportes fluviais e navegação costeira, uma ligação marítima com Timor.
O «São Rafael» partiu, em 28 de Maio de 1951, de Macau em direcção a Timor sendo  a primeira viagem (experimental)  duma carreira regular de navegação (a primeira do género) de navegação entre Macau e Timor que a S.O.T.A. iniciaria nesse ano. (3)

S. Rafael SOTA 1950O navio a motor «São Rafael» da S. O. T. A.  que inaugurou em Maio de 1951  a carreira de  viagens entre Macau e Timor

Além dos três navios acima citados, a “S.O.T.A.” possuía, na Avenida Marginal do Porto Interior, chamada depois, Avenida Demétrio Cinatti (4)  um armazém com a área de cerca 900 m2, com facilidades na carga e descarga de barcos (“com material apropriado“)
Este anúncio de 1951, localizava a «Sede e Armazéns» na Avenida Demétrio Cinatti, à frente à Ponte n.º 31, com Tel. 457  e Res 869.
ANÚNCIO SOTA 1951Nesse ano de 1951, além de «agentes da Companhia de Navegação “EVERETT ORIENT LINE”», vendia também cimento da marca «Dragon» (de Haifong) e rádios «Bush».
(1) Com um Capital social de 500.000,00 patacas.
Nesse mesmo ano (1947), a 16 de Dezembro era também constituída a “Companhia de Transportes Aéreos de Macau Limitada” com um capital social de 1.2000.000.00 patacas.
(2) Obras e Melhoramentos Efectuados em Macau no Ultimo Triénio (Setembro de 1947-Setembro de 1950), Macau, Imprensa Nacional, 1950
(3) Há uma notícia de um contrato para o estabelecimento de uma carreira de navegação entre Macau e Timor, em 19 de Julho de 1929, mas não terá sido “regular”.

23OUT1936 China Clipper em Macau I23-10-1936 – Chegou o primeiro hidro avião da »Pan American Airways» (1) em viagem de experiência. Foi um «Philippine Clipper” (2) de quatro motores e vinte e cinco toneladas de peso que vindo de Manila, (rota S. Francisco – Manila – S. Francisco) sobrevoou por duas vezes a cidade e pousou nas águas do Porto Exterior. À tarde partia para Hong Kong.  (3)
23OUT1936 China Clipper em Macau II(1) O contrato foi celebrado em 21 de Outubro de 1936 entre o Governo Português e a «Pan-American Airways», pelo qual os aviões desta empresa aérea ficaram com o direito de utilizar o aeroporto de Macau, no Porto Exterior, o que fizeram com regularidade (desde 28 de Abril de 1937) até Março de 1939. No princípio desse ano (o Despacho n.º 21 de 18-01-1936, já anunciava a chegada, para breve, do 1.º hidroavião) a «Pan-American Airways Company» da carreira de S. Francisco, abria um escritório em Macau e preparava um posto meteorológico e de radar na Colina da Penha. Em 16 de Outubro constituía a “Sociedade Aeroportos Pan Americana de Macau, Limitada” com sede no Pavilhão de Abrigo do Porto Exterior (Hangar) (2)
“Manila was Pan Am’s first air terminus, not the British crown colony of Hong Kong, because His Majesty’s government refused Trippe landing rights. In fact, one of their own carriers, Imperial Airways, had plans to develop the territory, and the British were not about to let an impudent Yankee in.
But Juan Trippe was an old hand at overcoming obstacles. He simply entered into negotiations with the Portuguese for landing rights at nearby Macao. When Lisbon granted these rights in 1936, the British reluctantly allowed Pan Am to use Hong Kong as well. The first passenger flight to Hong Kong scheduled for 21 October 1936.
http://www.historynet.com/martin-m-130-flying-boat-china-clippers-trans-pacific-flights.htm
(2) A base da «Pan Am Philippine» estava em Cavite, na Baía de Manila. O avião era um “China Clipper“. Pode-se ver o seu voo inaugural em 21 de Outubro de 1936 no trajecto Honolulu -Manila em:
http://www.yourepeat.com/watch/?v=FBLP3VKnZcQ
CARTAZ China Clipper 1936Idêntico hidro-avião “China Clipper”, foi “protagonista” do filme do mesmo nome:  “China Clipper”, de 1936, realizado por Frank McDonald para a Warner Brothers e protagonizado por Pat O´Brien, Beverly Roberts e Humphrey Bogart.
O filme dramático tem por base, a vida de Juan Trippe, no tempo da fundação da «Pan American Airways», em 1927. Ver “trailers” do filme em:
https://www.youtube.com/watch?v=ILa3z3wdcoo
https://www.youtube.com/watch?v=KKq1WUmjSBw
Poster retirado de:
https://en.wikipedia.org/wiki/China_Clipper_(1936_film)#/media/File:ChinaClipper.jpg
(3) GOMES, Luís G. – Efemérides da História de Macau, 1954 e SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4, 1997.
“Mais de duas mil pessoas estiveram presentes na amarragem. Os passageiros saídos do avião prateado, pilotado pelo próprio fundador  patrão da companhia Juan Trippe, foram quase levados em ombros até aos sítios que Macau tinha para mostrar: a gruta de Camões, o farol da Guia, o templo da Barra… Depois às três e meia da tarde, após um banquete oferecido à tripulação e passageiros,  o «Phillippine Clipper» partiu para Hong Kong ” (, Luís Andrade de – Avião em Macau Um Século de Aventuras, 1990″)
Sobre este  tema, nas minhas anteriores postagens, ver em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/transportes-aereos/

HANGAR Porto Exterior (1940)O hangar do Centro de Aviação Naval em construção no Porto Exterior. (1940)
Vê-se à esquerda, a casa do Alferes Luís na Estrada de Cacilhas. Ao fundo e no alto, o Farol da Guia.

O Centro de Aviação Naval (ou Marítima) de Macau (1) foi extinta a 11 de Abril de 1933. Foi depois reactivada em 1937 (2) ou 1938 (3) (4) como Centro de Aviação Naval da Colónia de Macau. Desta vez, com aviões OSPREY, dois embarcados nos navios «Afonso de Albuquerque» e «Bartolomeu Dias», a que se juntaram mais tarde quatro aviões também OSPREY, comprados ao governo inglês.
Em 1942, em plena II Guerra Mundial, o Centro de Aviação Naval, foi definitivamente extinta. O hangar inaugurado em 1940, foi bombardeado  por cinco  bombardeiros americanos pertencentes à esquadrilha sino-americana a 16 de Janeiro (duas vezes), a 25 de Fevereiro e a 11 de Junho de 1945. Depois da Guerra, foi reconstruído mas serviu mais para depósitos de materiais e residência para família de militares.

Inauguração Hangar Porto Exterior 1940Inauguração do interior do Hangar do Centro da Aviação Naval de Macau (1940)

Efectivos da Aviação Naval 1940/1941 (5)
1.º Comandante – Capitão-tenente aviador, António Gomes Namorado.
2.º Comandante – 1.º tenente aviador, José de Freitas Ribeiro
1.º tenente aviador – Pedro Correia de Barros
2.º tenente aviador – Rodrigo Henriques Silveirinha
1.º sargento mecânico aviação – Joaquim Macedo Girão
2.º sargentos artífice de aviação – Rafael Afonso de Sousa e João dos Santos Loureiro

Inauguração Hangar Porto Exterior II 1940Inauguração do Hangar do Centro da Aviação Naval de Macau (1940)

(1) Em 1927, havia apenas três centros de Aviação Naval dependentes da Marinha de Guerra: Lisboa, Aveiro e Macau. Em 1928 o Governo aprovou a transferência, para a Marinha privativa da colónia de Macau, do material pessoal e equipamento do anterior centro de Aviação Naval.

HANGAR DA AVIAÇÃO TAIPANa primeira praia, a leste da Taipa Grande, onde é hoje a Avenida da Praia, esteve até 1940, estabelecida a base da aviação naval da Colónia.

O primeiro tenente, José Cabral ex-combatente da I Grande Guerra, foi apresentado voluntariamente em Macau para dirigir o Centro de Aviação Naval.
Esteve três anos no território e escreveu no relatório o que fora a sua actividade na Colónia: quase 500 voos, num total  de 218 horas e 15 minutos. Os aviões , só podiam ser usados em certas condições, com a maré cheia ou quando a água tivesse pelo menos sete pés de profundidade; o pessoal europeu da Aviação Naval não ultrapassava a meia dúzia  com ele e com o sargento, ajudante de carpinteiro, Joaquim Carpeta; havia ainda seis  loucanes e um guarda africano, um cavalo e algumas cabras que querendo em liberdade, insistiam em destruir as árvores e plantas do jardim da Taipa, perante o desespero e indignação da Comissão Municipal das Ilhas e a bonomia do comandante da Aviação Naval que não via como pôr termo a tal abuso ( SÁ, Luís Andrade de – Aviação em Macau, um Século de Aventuras, 1990)

Outro Aspecto da InauguraçãoOutro aspecto da inauguração do interior do Hangar

(2) “1937 – É Criado o Centro de Aviação Naval da Colónia de Macau pelo artigo 144.º do Decreto n.º 28 263, de 8 de Dezembro de 1937, publicado no Suplemento ao B. O. N,º 4 de 26-I-1938. Fica fazendo parte da marinha privativa, nos termos do decreto n.º 28 641 de 9 de Maio de 1938, publicado no B.O. n.º 26, de 25 de Junho de 1938. Logo no início de 1938 é nomeado o capitão-tenente piloto aviador José Cabral para ira Inglaterra receber e verificar o material de aviação destinado a Macau” (SILVA, Beatriz Basto da – Cronologia da História de Macau, Volume 4.)
(3) 1938 – Reactivado o Centro de Aviação Naval desta vez com aviões OSPREY, primeiro os n.ºs 71 e 72, aviões que tinham embarcado nos navios «Afonso de Albuquerque» e «Bartolomeu Dias», a que se juntam mais tarde quatro aviões também OSPREY. Em 1942, em plena II Guerra Mundial, o Centro de Aviação Naval, é definitivamente extinta. (VILARINHO, Manuel – entrevista à Revista «MACAU», n.º18, 1989, p.50)
(4) “Só em 1938, quando o conflito sino-nipónico, assinalava o agravamento da situação no continente chinês, o Governo da República decidiu enviar para a colónia de Macau o aviso Afonso de Albuquerque com dois aparelhos Osprey e elementos da aeronáutica. O navio chegou a Macau no dia 22 de Outubro de 1937 e na colónia encontrou um hangar desactivado,  com dois aviões de tela apodrecida, guardado por uma companhia indígena, cujas portas, baixas, eram demasiadas pequenas para que um dos Osprey pudesse ficar abrigado do mau tempo. Em Dezembro desse ano comprou-se ao Governo inglês mais quatro aviões Osprey, além de peças e motores sobresselentes. (, Luís Andrade de – Aviação em Macau, um Século de Aventuras, 1990).
(5) Anuário de Macau 1940/1941