Archives for posts with tag: 1955

Mais uma vez se comemorou a passagem duma data inesquecível que revive um dos acontecimentos mais marcantes da história de Macau. (1) No dia 13 de Julho de 1955, na Ilha de Coloane, reuniram—se dezenas de portugueses para relembrarem a façanha daqueles portugueses que, em 1920. Haviam exercido heroica acção contra atrevidos piratas.
A cerimónia nesse dia, feriado no Concelho das Ilhas, foi presidido, em representação do governador, Almirante Joaquim Marques Esparteiro, o Administrador do Concelho das Ilhas e Presidente da Junta Local, Alberto Maria da Conceição.
Pelas 10.30 horas foi celebrada na capela de S. Francisco Xavier uma missa em sufrágio das almas dos heróis que tombaram no campo das operações contra os piratas.
Finda a missa, o Administrador perante as forças vivas ali representadas, depôs um ramalhete de flores junto ao obelisco erigido frente à referida capela, comemorativo das operações de 1910.A guarda de honra ao obelisco foi prestada por uma pequena força policial.
Terminadas as cerimónias oficiais, o Administrador de Concelho das Ilhas obsequiou as individualidades presentes com um delicado «copo de água».
Notícia extraída do artigo, não assinado « Comemoração duma data inesquecível » no «MBI»II-47,1955.
(1) Ver anteriores referências deste acontecimento em:
https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/09/07/leitura-os-piratas-em-coloane-em-1910/ 

No dia 18 de Junho de 1955, visitou esta cidade o actor cinematográfico japonês Ryo Ikebe

No filme “Gendai-jin – 現代人 – Gendaijin” (1952)
https://en.wikipedia.org/wiki/Ry%C5%8D_Ikebe 

Ryō Ikebe ( 池部 良 Ikebe Ryō) (1918-2010) – actor japonês com início de carreira em 1941, e prolongando-a nas décadas de 50 e 60. Participação também em dramas televisivas.
O mais conhecido dos seus filmes é: «A Holiday in Tokyo – 東京の休日 – Tōkyō no kyūjitsu» filme de 1958 do realizador Yamamoto Kajiro (1902-1974) com a actriz/cantora nascida na Manchúria de pais japoneses; nome chinês: Lee Ka Lan/ Li Xianglan; nome japonês: Yoshiko Yamaguchi (1921 -2014)
Yoshiko Yamaguchi  na década de 40 (século XX)
https://en.wikipedia.org/wiki/Yoshiko_Yamaguchi

Extraído de «BGU» 1955.

Filme franco/italiano de 1952 com o título original “Les Sept péchés capitaux” (internacionalmente dublado em inglês como o apresentado em Macau com o título “The Seven Deadly Sins”) estreado no Teatro Império no dia 5 de Abril de 1955, para maiores de 18 anos (sessões às 14.30, 20.00 e 22.00 horas).
Filme composto por cinco episódios franceses e dois episódios italianos, relacionados com um dos pecados mortais realizados com directores e actores, na altura os mais populares dos dois países (actores: Michèle Morgan, Françoise Rosay, Viviane Romance, Maurice Ronet, Louis de Funès, Isa Miranda, Henri Vidal e Gérard Philipe).
Um dos episódios aborda dois dos pecados mortais (avareza e ira) pelo que o 7.º episódio está relacionada com um oitavo pecado (?)
Avareza e Ira – “Avarice and Anger/L’Avarice et la colère” – Director Eduardo De Filippo
Preguiça – “Sloth/La Paresse” – Director Jean Dréville
Luxúria -“Lust/La Luxure” –  Director Yves Allégret
Inveja – “Envy/L’Envie” – Director Roberto Rossellini
Gula – “Gluttony/La Gourmandise” – Director Carlo Rim
Orgulho/Soberba – “Pride/L’Orgueil” – Director Claude Autant-Lara
Oitavo pecado “The Eighth Sin/Le Huitième péché” – Director Georges Lacombe
Os “posters” do filme foram extraídos de https://en.wikipedia.org/wiki/The_Seven_Deadly_Sins_(1952_film)”>https://en.wikipedia.org/wiki/The_Seven_Deadly_Sins_(1952_film)
http://www.imdb.com/title/tt0044025/”>http://www.imdb.com/title/tt0044025/
NOTA: O cinema francês repetia 10 anos depois, em 1962, com o mesmo título, “Les Sept péchés capitaux”, um filme somente com directores e actores franceses, nessa altura ainda pouco conhecidos mas que viriam a tornar-se famosos e internacionais.
Directores como Philippe de Broca, Claude Chabrol, Jacques Demy, Sylvain Dhomme, Max Douy, Jean-Luc Godard, Eugène Ionesco, Edouard Molinaro, Roger Vadim.
A começar a sessão foi apresentado dois “reclamos de próximos filmes”
Witness to Murder” filme do tipo “suspense” de 1954, com os actores Barbara Stanwyck, George Sanders e Gary Merrill e dirigido por Roy Rowland.
Sabre Jet filme de 1953, drama, acerca da intervenção americana na guerra coreana,  é dirigida por Louis King com os actores Robert Stack, Coleen Gray, Richard Arlen, Julie Bishop e Leon Ames.

A TODOS UMA BOA PÁSCOA

As cerimónias da Semana Santa revestem-se todos os anos nesta cidade de Macau, da solenidade litúrgica que envolve tão grandiosas manifestações do culto católico. Os templos vestem-se de cores escuras, a pôr no ambiente uma nota de tristeza, e os fiéis acorrem a todas as igrejas paroquiais e demais capelanias a prestar o seu culto reverente àquele estranho Crucificado.
Assim foi em 1955. Na Sé Catedral, as cerimónias presididas pelo Prelado da Diocese desenrolaram-se com o simbolismo real do que, há dois mil anos, aconteceu em Jerusalém.
A imensa mó de gente que percorreu religiosamente as pedras das ruas da cidade acompanhando a Procissão do Enterro do Senhor e que assistiu devotamente ao cerimonial litúrgico da Vigília Pascal renovada, sintetizou a fé arreigada do macaense que sempre teve pelas cerimónias da Semana Santa o mais profundo respeito e a mais sincera e tradicional devoção.

Debaixo do pálio o esquife do Senhor Morto foi transportado através das ruas silenciosas da cidade, aos ombros de quatro sacerdotes, paramentados de alva branca, seguindo atrás O Bispo da Diocese, D. Policarpo da Costa Vaz
Acompanhavam o Senhor até ao sepulcro os seus três dedicados amigos: Sua Mãe, S. João, o discípulo amado e Santa Maria Madalena. A sua compostura e recolhimento inspiram nos fiéis a modéstia cristã que deve pautar a nossa vida de católicos, e simbolizam ainda aqueles que seguem com devoção e sinceridade os caminhos difíceis da salvação.
Macau, cidade tradicionalmente católica, acorreu em peso à Procissão do Enterro do Senhor

O Domingo de Páscoa amanheceu radioso, cheio de sol e de colorido, a exteriorizar o contentamento e alegria de todo o orbe católico pela ressurreição do redentor.
Extraído de «M. B. I.», II -41, 1955.

Em 1987, por altura do 125.º aniversário natalício de Sir Robert Ho-tung (nascido em Hong Kong, no dia 22 de Dezembro de 1862) resolveu o Instituto Cultural de Macau através da Biblioteca Nacional de Macau e a Biblioteca Sir Robert Ho-tung, homenagear esse notável filantropo e amigo de Macau, com uma exposição Bibliográfica nas instalações da Biblioteca (1) com o seu nome.
Da Exposição Bibliográfica destacavam-se obras que abordam a História da China, Literatura Chinesa e dos contactos entre Portugal e a China.

CAPA

Apresento o catálogo da Exposição bibliográfica que foi inaugurada em 7 de Dezembro de 1987, editado pelo Instituto Cultural de Macau, com composição e impressão da Imprensa Oficial de Macau, em 1987. A Capa é da autoria do artista Mio Pang Fei.

PÁGINA DE ROSTO

Explicação da capa e do desenho da página de rosto:
A imprensa e tipos móveis foi inventada por Bi Sheng no período Qingli (1041-1048) do reinado do imperador Renzong da dinastia Song do Norte. O desenho reflecte o processo de tipografia quando compunham «Obras Preciosas» no Salão Wuying do Palácio Imperial no 40.º ano do reinado do imperador Qianlong (1775). (2)

CONTRA-CAPA

(1) Esta biblioteca está instalada no antigo palacete de Sir Robert Ho-Tung que, por testamento de 4 de Julho de 1955, foi legado ao Governo de Macau, com o objectvo  de vir a ser convertido numa Biblioteca pública chinesa. Para a compra dos livros, Sir Robert legou a importância de $ 25.000,00 dólares em moeda de Hong Kong, conforme consta da Portaria n.º 5:984 de 6 de Abril de 1957. A Biblioteca viria a ser aberta ao público no dia 1 de Agosto de 1958, constituído o seu acervo por cerca três mil livros escritos em chinês, ainda que alguns sejam traduções de autores europeus e americanos. A maioria desses volumes é constituída por peças de teatro, literatura, história e belas artes. Várias obras de autores chineses, muito antigas e de grande valor, fazem parte do acervo da Biblioteca «Sir Robert Ho-tung». (Nota Introdutória do Catálogo) (2)
(2) Catálogo da Exposição Bibliográfica – Documentos Sobre A História da China. Instituto Cultural de Macau/Biblioteca Nacional de Macau/Biblioteca Sir Robert Ho-Tung, 1987, 40 p. (30 cm x 21 xm)
Referências anteriores a Sir Robert Ho-tung em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/sir-robert-ho-tung/

Foi a 13 de Setembro de 1903 que o Padre José António Gomes, então Pároco de Santo António, (1) fundou nesta igreja a benemérita «Obra do Pão dos Pobres», (2) cujo jubileu se celebrou no dia 13 de Setembro de 1953, com toda a solenidade. O 50.º aniversário da fundação do Pão dos Pobres em Macau foi um dia de duplo agradecimento: a Sto. António pelos inumeráveis favores dispensados a todos os benfeitores dos seus pobres; e a todos os benfeitores desta simpática obra de caridade. Socorreu milhares de lares indigentes, continuando no ano de 1953 a minorar a fome a 200 famílias com os dez picos de arroz que lhes distribui mensalmente, além de outras esmolas particulares em dinheiro. (3) Em 1955, a acção benéfica alargava-se para 250 pobres, na sua maioria chineses e concedia esmolas, no valor de $150,00 a pobres a quem o arroz não era distribuído.

O altar do Pão dos Pobres na igreja de Santo António (1953)

Durante os 50 anos (1903 – 1953), o Pão dos Pobres de Santo António distribuiu o elevado número de 17.790 picos de arroz, estendendo também por vezes a sua caridade aos pobres das suas missões da China.
O cofre colocado na Igreja Paroquial representava a maior fonte de receitas da Ora. Tinha um letreiro com uma indicação: “pão dos pobres”. O cofre rendia, em média, mensalmente a quantia de $300,00, pelo que com as ofertas generosas de algumas pessoas, não era preciso recorrer-se a peditórios. Outra fonte da receita provinha da Comissão Central de Assistência Pública que contribuía para esta Obra a soma de $166,66 mensais. Também o soldo de Santo António, (4) como Capitão da Cidade, concedido pelo Leal Senado das Câmara de Macau, na importância de $1.200,00anuais, revertia integralmente a favor desta Obra.
(1) O aparecimento da «Obra do Pão dos Pobres» deveu-se ao Reverendo Dr. António José Gomes, sacerdote ligado às iniciativas no campo do apostolado missionário e caritativo, pois a Santa Infância e as leprosarias muito ficaram a dever a este homem. Em 1953 era pároco o padre José António Monteiro. Após o seu falecimento ficou o Cónego Manuel Pinto Basaloco.
(2) A Obra Pão dos Pobres nasceu e cresceu em Toulon (França), sob os auspícios de Santo António e rapidamente se estabeleceu em um grande número de cidades da França, depois em Itália, Espanha, Portugal e outras nações da Europa. e depois em todos os continentes. Esta obra, em Macau, encontrava-se agregada à Paróquia de Sto. António e a sua administração estava a cargo do respectivo pároco.
(3) Recebeu dos seus generosos amigos e benfeitores, durante o mesmo período, a avultada soma de $ 187.421,43, contribuição sobretudo dos católicos macaenses e chineses.
(4) É muito remota a origem da concessão deste soldo, talvez se remonte às origens desta cidade. É curioso notar que este soldo esteve interrompido durante três anos, pelos meados do último quartel do século XVIII. Por esta altura pesadas tribulações caíram sobre Macau, o que levou o povo a considerar a crise como castigo pelo corte do soldo a Santo António. O que é certo é que o Senado se viu na contingência de lhe mandar «assentar a sua praça com o vencimento de Capitão da Cidade».
Informações e fotos retiradas de «Macau B. I.»,  1953 e 1955.