Archives for category: Grande Prémio de Macau

Iniciam-se, hoje (apenas três dias, 19 a 21 de Novembro) as corridas constantes do 68.º Grande Prémio de Macau que neste ano, mantendo a situação sanitária imposta pela autoridade sanitária de Macau, foram reduzidas (com um programa de somente 6 provas), (1) e como no ano passado sem a presença de muitos dos mais conceituados pilotos e marcas das diferentes modalidades, mas com a presença de público nas bancadas. (2) A edição deste ano só vai contar com pilotos provenientes da China, mais de 100 pilotos provenientes da China continental, Hong Kong e Macau (3)

Na continuação da publicação das fotos das corridas tiradas na Estrada de Cacilhas, (4) hoje, apresento mais quatro fotografias (infelizmente não datadas, não legendadas e com poucas condições de conservação) de uma das corridas dos “charutos” (de finais da década de 60 ou princípios dos anos 70). De interessante serem fotos pessoais de um dos percursos do circuito pouco fotografados durante as provas – as curvas da Estrada de Cacilhas – á frente dos actuais prédios n.º 7 e n.º 9. (esta última, no lugar onde era a casa dos meus pais). (4) Em todas as fotos, vê-se a guarita (casinhola portátil, de madeira) que servia de abrigo ao polícia de vigilância à casa da S.T.D.M. –  principalmente quando Stanley Ho estava em Macau.

(1) A Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau (COGPM) apresentou o programa que conta com seis provas, com o apoio e o patrocínio do título das seis grandes empresas integradas de turismo e lazer: o Grande Prémio de Macau de Fórmula 4 – SJM; a Taça GT Macau – Sands China; a Corrida da Guia Macau – Galaxy Entertainment; a Taça de Carros de Turismo de Macau – Melco; a Taça GT Grande Baía – MGM, e a Taça Porsche Carrera – Wynn. (3)

(2) A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) já tinha anunciado, que as provas para o Campeonato do Mundo de Fórmula 3 e da Taça GT iriam ficar de fora do Grande Prémio de Macau deste ano.

(3) “À margem da conferência de imprensa de apresentação da prova, que costuma ser internacional, o presidente do Instituto do Desporto (ID), Pun Weng Kun, avançou que serão mais de 100 pilotos provenientes da China continental, Hong Kong e Macau que participarão nas seis corridas entre os dias 19 e 21 de Novembro” .(Informação retirada do “Ponto Final” de 26 de Outubro de 2021)https://pontofinal-macau.com/2021/10/26/grande-premio-de-macau-so-tera-pilotos-da-china/

(4) https://nenotavaiconta.wordpress.com/2020/11/20/noticias-de-20-a-22-de-novembro-de-2020-fotografias-das-corridas-de-moto-na-decada-de-70/

Anteriores referências do Grande Prémio de Macau em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/grande-premio-de-macau/

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Neste dia (16 de Novembro de 1963) José dos Santos Ferreira publicou na «Gazeta Macaense» o «poéma» “Caréta Dôdo já vêm” (carros de corrida estão chegando”) a propósito da realização do 10.º Grande Prémio de Macau. (1)

Retiro parte do longo poema (18 quadras), as últimas 7 quadras:

(1) Nesse ano (1963) Arsenio “Dodjie” Laurel, (1931 – 1967), filipino, num «Lotus 22-Ford», venceria o seu segundo trofeu consecutivo em Macau, no 10.º Grande Prémio de Macau. Foi o primeiro condutor a ganhar dois grandes prémios consecutivos em Macau (1962, 1963). Viria a morrer em 19 de Novembro de 1967, com 35 anos de idade, na 3.ª volta ao circuito, após embater com o seu «Lotus 41» no muro á frente do mar logo a seguir ao Clube Náutico (onde hoje está o Hotel Grand Lapa) (2) alguns metros depois foi de encontro a um poste eléctrico, (3) e incendiou-se, não conseguindo o condutor sair da sua viatura. Foi o primeiro caso fatal dum corredor no Grande Prémio em Macau.

Foi também nesse ano que Teddy Yip teve a sua melhor classificação das várias participações que teve no Grande Prémio, ficou em terceiro lugar com um «Jaguar E Type».

Classificação do X Grande Prémio de Macau                                               

1.º – Arsenio Laurel – Lotus 22 FJ (Ford)                              

2.º – Bill Baxter – Jaguar E Type                               

3.º – Teddy Yip – Jaguar E Type                                

4.º – Grant Wolfkill – Lotus Super Seven                              

5.º – H Asmussen – Porsche Super 90                                  

6.º – B Poole – Triumph TR4

(2) Recentemente o “Hotel Grand Lapa” que já foi denominado “The Macau Excelsior”, e “The Mandarin Oriental”) foi  publicitado como “ Artyzen Grand Lapa Macau”.https://nenotavaiconta.wordpress.com/2012/08/31/caixas-de-fosforos-hotel-excelsior-hotel-mandarin-oriental/

(3) Por este motivo no circuito da Guia, no ano seguinte, todos os postes eléctricos que estavam “á frente dos muros”, foram retirados, passando a estarem incorporados nos muros ou então para lá dos muros do circuito.

Os «Pequenos Cantores do Colégio D. Bosco» actuaram no Ginásio da Escola Comercial, no dia 15 de Novembro de 1977, às 19,00 horas.

“O grupo apresentou-se impecável, nos trajos de marujo, com um programa concatenado pelo Padre Águeda, director do Colégio, que lhe deu uma feição das qualidades do povo português, coma sua alegria expressa nos cantares que acompanham a sua gente quer na Pátria quer no peregrinar pelo Mundo. Com o «Lisboa acordou», de Nóbrega e Sousa, encerrou-se a sessão, referindo que também acordou … Macau, com o ruído dos carros para o Grande Prémio, (1) no mesmo sentido de cooperação mundial e conquista de novas amizades.

Esteve presente o Governador, coronel Garcia Leandro, que se fez acompanhar da esposa. A assistência razoável teve uma bela oportunidade de ouvir o conjunto polifónico, com um novo atractivo de movimentos que introduziu pela primeira vez na sua actuação, por sinal muito feliz “ (2)

(1) Refere-se ao «XXIV Grande Prémio de Macau» que se realizou de 18 a 20 de Novembro de 1977. Ver em: https://nenotavaiconta.wordpress.com/2016/11/18/noticias-de-18-a-20-de-novembro-de-1977-xxiv-grande-premio-de-macau/

(2) Extraído de «MBIT», XII-9/10, Nov/Dez 1977, pp.9-11

O XXIII Grande Prémio de Macau (1) decorreu nos dias 13 e 14 de Novembro de 1976, com os treinos nos dias 11 e 12. Prova do Calendário Internacional da FIA, era o terceiro ano, dos carros da Fórmula Atlantic-Pacific. Com bons patrocinadores, vieram nesse ano a Macau bons pilotos, entre outros, John Macdonald, Vern Schuppan, Kevin Bartlett, Albert Poon, Rupert Keegan e Alan Jones (futuro campeão do Mundo da F1 em 1980,)

«No segundo ano do seu reconhecimento pela F.I.A. como prova internacional, introduziram-se importantes benefícios na pista com visas a aumentar a segurança dos espectadores e corredores, tal facto muito contribuirá, decerto, para aumentar o interesse e o prestígio deste importante acontecimento desportivo, confirmando-o como o mais importante cartaz turístico de Macau» afirmou o Governador de Macau, coronel Garcia Leandro. (2)

O vencedor do «X Grande Prémio de Motos», Charles Mortimer
Partida do «XXIII Grande Prémio de Macau»
O automóvel vencedor « Ralt RT1-Ford», da equipa «Theodore Racing» de Teddy Yip conduzido pelo australiano Vern Shuppan
O Governador de Macau, coronel Garcia Leandro entregando a Taça ao vencedor do «XXIII Grande Prémio de Macau», Vern Shuppan (3)

(1)

«B.O.» n.º 24 de 12 de Junho de 1976, p.807

(2) «Macau B.I.T.», Vol. XI, 9/10 de Novembro/Dezembro de 1976, pp.41-44

(3) Vern Shuppan já tinha vencido o Grande Prémio de Macau, em 1974, conduzindo um March 72B-Ford, da equipa de «Theodore Racing»

Extraído de «BGU» XLIV 521/522, NOV/DEZ 1968

Uma caixa de fósforos com 5.5 cm x 3,5 cm x1 cm de dimensões, distribuída durante o XV Grande Prémio de Macau, publicitando a cerveja “SAGRES” (em chinês 路士)

YES
SAGRES Comes first
Verso
MACAU XV GRAND PRIX
YES SAGRES COMES FIRST
沙路士係第一 (1)
SAGRES BEER
LARGE OR SMALL
SAGRES AT ALL TIMES
Distribuidor em Macau : KAN KAN
Tel. 6123
Fósforos de cabeça vermelha

(1) 路士係第一mandarim pīnyīn: shā lù shì xì dì yī; cantonense jyutping: saa1      lou6 si6 hai6 dai6 jat1
Referências anteriores ao Grande Prémio de Macau em
https://nenotavaiconta.wordpress.com/category/grande-premio-de-macau/

Continuação da postagem de ontem sobre o XVII Grande Prémio de Macau
PROVAS DO DIA 29
1 – Prova Final do «Troféu ACP»
Esta prova consistiu de 15 voltas ao Circuito da Guia. Entraram nela 30mconcorrentes. A nota curiosa desta competição foi dada pela luta travada entre os pequenos «Mini-Coopers» que participaram na mesma.
Foi vencedor Henry Lee, de Hong Kong, ao volante de um «Porche», que fez a prova em 49 m 53 s, 78 ; seguiu-se a Senhora Anne Wong , de Singapura; em terceiro lugar Harold Lee, num Honda N600.
2 – IV Grande Prémio de Motocicletas
Entraram na prova 56 motocicletas, que consistiria de 15 voltas ao Circuito da Guia. Registou-se um desastre do condutor MacDonald que fracturou um braço e alguns dedos.
O indonésio B. Hidajat numa «Yamaha YSI», classificou-se em primeiro lugar, seguido do representante de Macau, Chan Su Kuan, numa Suzuki, e em terceiro lugar numa Yamaha TR2.
3 – Prova de «Carros de Produção Corrente»
A revelação desta prova foi a senhora Anne Wong, de 21 anos de idade, representante de Singapura. Depois duma luta renhida com os competidores masculinos, conseguiu classificar-se em primeiro lugar, vencendo as 20 voltas ao Circuito da Guia, em 1h 8m 46,13s ao volante do seu «M. Coopers». E bem mereceu esta honrosa posição. Seguiu-se na classificação L. Kirtisinghe, num outro «M. Coopers», vindo em terceira posição Amhed Kan num «Escort».
4 – Prova XVII Grande Prémio de Macau.
Saiu vencedor o alemão Diester Quester, num «BMW» em 2h 6m 2,46s, seguido de Albert Poon, representante de Hong Kong, num «Brabham BT21», tendo apenas dado 42 voltas; classificando-se em terceiro lugar Don O´Sullivan, num «Porche 906”, que completou apenas 39 voltas.

O carro n.º 2 de Diester Quester, vencedor do XVII Grande Prémio de Macau
Diester Quester com os louros da vitória

A distribuição dos prémios do III Grande Prémio de Macau, realizou-se no Teatro D. Pedro V, na noite do dia 4 de Novembro, em sessão solene presidida pelo Encarregado do Governo que entregou os prémios aos vencedores das diversas provas.

Um aspecto da plateia do Teatro D. Pedro V durante a sessão solene para a distribuição dos prémios

O vencedor absoluto ganhou a monumental Taça «Governador de Macau» e o prémio monetário, na importância de $3.000,00 patacas.
Ao 2.º e 3.º classificados forma distribuídas taças da classificação geral e os prémios monetários, nas importâncias, respectivamente, de $ 1.5000, 00 e $ 750,00 patacas.
Além destes prémios, foram ainda distribuídas taças aos 1.º e 2.º classificados de cada classe.

Douglas Steane e Mário Lopes da Costa cumprimentando-se mútuamente
O Encarregado do Governo entregando a taça a Robert Ritchie

Usaram da palavra o Dr. António Nolasco da Silva, Delegado em Macau do Automóvel Clube de Portugal, que agradeceu aos concorrentes a sua participação nas provas do III Grande Prémio de Macau e a todas as entidades, oficiais e particulares,  o seu contributo para a realização duma iniciativa de tão grande vulto e o encarregado do Governo que salientou o êxito da organização e felicitou quantos para ele contribuíram , muito especialmente os volantes que tomaram parte nas diversas provas.

Um aspecto do jantar de homenagem aos desportistas que tomaram parte no III Grande Prémio de Macau

Pouco depois de terminar a sessão solene para a distribuição dos prémios, realizou-se, no salão de honra de Clube de Macau, um jantar de homenagem aos desportistas que tomaram parte no III Grande Prémio de Macau.
Retirado de «MBI» IV-79, 1956
Anteriores referências ao III Grande Prémio de Macau
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/iii-grande-premio-de-macau/

Continuação do relato do “III GRANDE PRÉMIO DE MACAU” (1) iniciado na postagem de ontem, dia 3 de Novembro.(2)
A manhã de domingo, dia 4 de Novembro, despontou um tanto enovoada, fazendo prever que não se teria o mesmo bom tempo da véspera.
E de facto, uma chuva miúda e impertinente veio prejudicar o desenrolar da grande prova quando esta se encontrava na sua melhor fase.
Com a pista ainda molhada, pois tinha estado a chover na noite anterior, os automobilistas inscritos na grande corrida começaram a treinar muito cedo. No treino do dia anterior, os melhores tempos foram obtidos pelo «Mercedes 190SL» de Douglas Steane (n.º 6) (3m 46s), «Ferrari Mondial» de Mário Lopes da Costa (n.º 16) (3m 49s) e «Austin Healey M.» de Robert Ritchie (n. 21) (3m 52s).
Os 18 carros que entraram na pista

Antes da corrida todos os volantes foram apresentados ao Encarregado do Governo, Brigadeiro Portugal da Silveira
Os carros alinhados na pista antes de ser dado o sinal de partida

Pela ordem dos melhores tempos obtidos no treino do dia anterior foram colocados na pista em 7 filas, com a seguinte distribuição:
Às 12 horas precisas, o Encarregado do Governo, Brigadeiro João Carlos Quinhones de Portugal da Silveira deu sinal de partida coma Bandeira Nacional.
Apesar da chuva, à volta do Circuito dezenas de milhar de espectadores não abandonaram os seus lugares. Desses milhares, cerca de 10 mil turistas tinham vindo de Hong Kong propositadamente para assistirem às provas.
À 13.ª volta, começaram a sentir-se umas gotas de chuva, o que obrigou os carros a diminuir sensivelmente a velocidade. Na 17.ª volta, um acidente grave que não trouxe contudo consequências funestas.
O «MG-A» (n.º 31) de P. Molyneux, embateu contra a muralha na Praia de Cacilhas sofrendo grandes danos quer na carroçaria quer no motor. O volante partiu-se em dois bocados, enquanto o condutor, com ligeiros ferimentos, chegou a perder os sentidos. Conduzido ao hospital, numa auto-ambulância, ali recebeu os necessários tratamentos.
Na 34.ª volta, o «Mercedes 190 SL» n.º 6, que seguia, em primeiro lugar, com 2 voltas de avanço do «Ferrari Mondial» n.º 16, sofreu um acidente, indo o carro embater contra a guarita do Posto Fiscal colocada na extremidade da Avenida (então denominada) Dr. Oliveira Salazar, defronte do Quartel de S. Francisco. Parou nos poços, onde perdeu cerca de 3 minutos para receber beneficiações e reentrou depois na pista , com apenas uma volta de avanço sobre o «Ferrari».
Entretanto, o «Ferrari» n.º 16 sofreu por sua vez um acidente talvez mais grave ainda que o do «Mercedes», o que levou a perder mais de 5 minutos nos poços. Dum embate contra umas árvores, próximo do Quartel de S. Francisco, resultou grande estrago de carroçaria. A porta do lado esquerdo teve de ser arrancada. Lopes da Costa não desanimou e voltou à pista tão depressa os mecânicos o largaram. Na pista entrou em 6.º lugar mas ainda conseguiu atingir a 2.ª posição.
Apenas 12 carros completaram as 60 voltas, número mínimo de voltas que cada carro tinha de fazer para se classificar na prova.
O «Femcar» n.º 5, embora tivesse perdido uns preciosos minutos nos poços, continuou na prova, assim como o n.º 21, «Austin-Healey M» de Ritchie, que embora com o motor avariado, não abandonou a prova.
Lopes do Costa, sem esperanças já de apanhar o carro de Steane, ainda no comando ultrapassa entretanto na 69.ª volta, o seu compatriota Macedo Pinto, n.º 11 e vai colocar-se em 2.º lugar.
A Grande corrida termina com 77.ª voltas feita pelo «Mercedes 190 SL» conduzido Douglas Steane, sargento do Exército britânico e o 2.º classificado na prova do ano passado.
A Classificação final foi a seguinte

NOTA MUITO ESPECIAL:
O que mais entusiasmou o público neste Grande Prémio foi a condução do americano George Baker no seu «Ford Thunderbird» (n.º 2) que tendo partido da grelha da 3.ª fila manteve-se após partida o 7.º lugar, sempre com uma calma admirável e grande perícia fazendo autênticas acrobacias como o seu carro que já era de mudanças automáticas. Ao mesmo tempo, durante a prova, teve tempo de comer sanduíches, beber café e ouvir o relato da corrida transmitida pela emissora «Vila Verde», num aparelho portátil colocado sobre os joelhos. Era com este desportivismo, autêntico amadorismo e também humorismo que os primeiros grandes prémios decorriam para gáudio do público presente.
(1) Retirado de «MBI» IV-79, 1956
(2) Anteriores referências ao III Grande Prémio de Macau
https://nenotavaiconta.wordpress.com/tag/iii-grande-premio-de-macau/

“Macau presenciou, nos dias 3 e 4 de Novembro de 1956, um grandioso espectáculo desportivo com a realização do III Grande Prémio de Macau que constituiu um acontecimento invulgar na vida desta Província.
Devem-se parabéns ao Automóvel Clube de Portugal e à sua Delegação de Macau assim como à Comissão Organizadora do grande festival desportivo e a todos aqueles que contribuíram para a realização de tão magnífica prova de automobilismo.
Cerca de vinte mil pessoas presenciaram, em cada dia, as várias provas constantes do elaborado programa, enchendo as bancadas e todas as varandas, janelas e terraços dos prédios circunvizinhos.
Calcula-se em quinze mil as pessoas que de Hong Kong e outras cidades do extremo Oriente se deslocaram a Macau a fim de assistirem à grande prova desportiva. Uma verdadeira legião de jornalistas, de correspondentes de agências noticiosas estrangeiras e de fotógrafos invadiu Macau com o fim de pôr o Mundo inteiro ao corrente do grande acontecimento que não só torna esta cidade mais conhecida mas influiu de maneira decisiva na sua economia. Calcula-se em mais de um milhão de patacas o dinheiro que entrou em Macau por ocasião da realização do III Grande Prémio.
Estiveram completamente cheios todos os hotéis e pensões da cidade, sendo enorme o movimento nos restaurantes, cafés e outros centros de diversão.
Os barcos da carreira Macau-Hong Kong tiveram de fazer várias viagens extraordinárias e fim de poderem trazer da vizinha cidade inglesa todos os que desejavam assistir ao grande festival desportivo.
Nem os recentes distúrbios em Kowloon nem as notícias alarmantes que nos chegam do Médio Oriente e da Europa Central conseguiram diminuir o interesse e o entusiasmo pelo III Grande prémio de Macau.

A Bancada principal que era feita de bambu, passou a ser de cimento nesse ano

A Avenida Oliveira Salazar, onde foram construídas novas bancadas para espectadores, cabines especiais para as estações de rádio, bancadas para a imprensa e cabine para os cronometrista, além de várias tendas de comidas e bebidas, apresentava um aspecto de festa em que as cores da natureza de mistura com os vestidos das senhoras e os anúncios berrantes das diversas casas produtoras de automóveis e de venda de gasolina e lubrificantes davam ao local um conjunto de cor e luz que contribuiu em grande parte para o sucesso do grande Prémio de Macau.” (1)
As provas do dia 3 começou com o interessante corrida dos participantes, reservada a condutores que nunca participaram numa corrida de velocidade. A corrida consistia em 10 voltas ao Circuito da Guia, ou sejam, 62,750 quilómetros, sendo permitido apenas um condutor para cada carro. Dos 13 carros inscritos, apenas 10 entraram na pista para a partida no sistema das corridas de «Le Mans» (apenas um português, capitão Castela Jacques num «Citroen»). Apenas 7 carros completaram o percurso total. Ganhou o «MG A» conduzido por Paul Molyneux.
Seguiu-se a corrida reservada a carros fechados de produção corrente, com «handicap», num percurso total de 25 voltas ao Circuito, ou seja 156,875 quilómetros. Participaram 20 carros. Ganhou o carro «Fiat 1100Tv» conduzido por Robert Richie (vencedor do II Grande Prémio – 1955)
Finda a prova de carros fechados, deu-se a partida para a corrida de senhoras. Na pista alinharam 3 carros.

Triunfou a macaense Maria Fernanda Nolasco Ribeiro num «Fiat 1100TV»

A corrida por equipas realizou-se em seguida num percurso total de 15 voltas, ou seja, 94,125 quilómetros. Das 7 equipas inscritas apenas 5 participaram na prova. Cada equipa era constituída por 3 carros, de classes diferentes entre si, sendo obrigatória o mínimo de 4 voltas para cada carro. Pelo menos um carro de cada equipa tinha de ser de produção corrente. A prova foi ganha pela equipa «E» constituída pelos carros «jaguar XK140», «MGZA» e «Austin Healey», conduzidos pelos volantes britânicos respectivamente Freddie Pope, I. Granger e A.J. Winder.
O programa do dia 3 fechou com treino oficial dos carros inscritos no III Grande Prémio.
(1) Retirado de «MBI» IV-79, 1956.

A chegada a Macau dos carros que iam participar nas corridas, durante a semana anterior ao de um «Grande Prémio de Macau» (nas décadas de 50, 60, 70)  atraia sempre às ponte-cais dos barcos da carreira Macau-Hong Kong, de grande número de curiosos, além dos membros da Comissão Organizadora do Grande Prémio e de representantes da imprensa, para ver os carros a serem “descarregados” (içados dos barcos ou batelões para a ponte cais). Os carros iam depois para as Oficinas Navais para aí serem inspecionados e estacionados até às corridas.

Na foto, vê-se C. F. Pope, de Singapura, a tirar o seu carro n.º 22 «Jaguar XK 140» do barco Fat Shan.

O III Grande Prémio de Macau realizou-se nos dias 3 e 4 de Novembro de 1956 e estavam inscritos um total de 46 carros distribuídos por  5 provas (prova de principiantes; prova de senhoras; prova de 100 milhas «handicaps»; corrida por equipa e III Grande Prémio de Macau).

Lista dos carros e concorrentes

Os prémios foram entregues aos vencedores respectivos, em sessão solene realizado no Clube de Macau (Teatro D. Pedro V) , no dia 4, às 20 horas sob a presidência do Encarregado do Governo, Brigadeiro João Carlos Quinhones de Portugal da Silveira. Após a distribuição dos prémios realizou-se um Jantar de Gala, também no Clube de Macau coma assistência de 200 pessoas.

Extraído de «Macau Boletim Informativo», IV-78, 1956.